Autódromo do Estoril vai ser vendido – Motorcycle Sports

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O autódromo foi a casa do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 entre 1984 até 1996 e foi riscado do calendário das provas de Moto3, Moto2 e MotoGP em 2012. Na próxima temporada, o  Autódromo Internacional do Algarve vai acolher a segunda etapa dos mundiais entre os fins de semana de 22 a 24 de março.

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Quake Info: Weak Mag. 2.2 Earthquake – North Atlantic Ocean, 42 km Northwest of Ribeira Grande, Portugal, on Sunday, Jan 7, 2024 04:09 am (GMT -1)

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Detailed info, map, data, reports, updates about this earthquake: Weak mag. 2.2 earthquake – North Atlantic Ocean, 42 km northwest of Ribeira Grande, Portugal, on Sunday, Jan 7, 2024 04:09 am (GMT -1) –

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VENEZA DOS AÇORES

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A grande Frente de Mar da cidade da Horta reservava mais uma surpresa que nem a mais participada consulta pública jamais realizada na cidade conseguiu revelar: na época das chuvas transforma-se em canal com gôndolas oferecidas pelos Doges de Bruxelas… afinal o “mau tempo no canal” estava a ficar velho e necessitando de ser substituído por ideias novas, assim singularizando a Sereníssima Edilidade da Horta
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nova atraçao turistica no faial

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Humberto Victor Moura

Vai no adro.. mas esta de que a rua que foi avenida estar inclinada não para o lado mar mas para dentro… até dá pena ou gozo… PORR…

O beco português que esconde um segredo hediondo | Contacto

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É um ponto, quase à paisana, no local turístico mais visitado de Portugal. Entre o Mosteiro dos Jerónimos e o Palácio de Belém fica o Beco do Chão Salgado. Ali se esconde, à vista dos olhares incautos dos turistas (e não só), um segredo hediondo: o Processo dos Távoras.

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ADAMO 80 ANOS

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Salvatore Adamo tem 80 anos.
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Zita Madeira

A velhice é danada 🤔
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regionalismos de Portugal de José Ferreira

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Idiossincrasias vocabulares…. 😜
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Ancestralidades
Personal blog
O apanhado de expressões que bem demonstram alguns regionalismos de Portugal é de autoria de José Ferreira;
“Há grandes diferenças no vocabulário frequentemente usado em diferentes cidades portuguesas. Sendo verdade que todos falarmos a mesma língua, há particularidades preciosas, quer no Porto, quer em Lisboa (quer noutras cidades portuguesas).
Existem idiossincrasias que são reveladoras de diferentes formas de ser e de estar. Alguns regionalismos demonstram que se pode ser muito diferente vivendo no mesmo país. No entanto, importa destacar o mais importante: por muitas diferenças que nos separem, há muito mais a unir-nos. Apesar das diferenças, todos nos compreendemos, falamos a mesma língua e amamos o mesmo país.
Sapatilhas (no Porto) vs Ténis (em Lisboa)
No calçado, existem diferenças significativas no glossário do Norte quando se compara com o glossário sulista. Este é um dos desafios norte-sul ou Porto-Lisboa que frequentemente origina discussões bem-humoradas.
Quem se desloca a uma loja do norte vindo do Sul deve pedir umas sapatilhas. Já os nortenhos que se desloquem ao sul têm de recorrer ao termo mais corrente na região: ténis, como o desporto.
Tacões (no Porto) vs Saltos (em Lisboa)
Ainda no universo do calçado, existem mais diferenças de vocabulário que confirmam que entre Porto e Lisboa há palavras bem distintas para identificar as mesmas coisas. Uma das que podemos identificar descobre-se no momento da compra de uns sapatos ou de umas botas.
Quando não se pretende alçado raso, deve-se decidir o comprimento dos tacões (quando se está no Porto) ou dos saltos (quando se está em Lisboa) de uns sapatos ou de umas botas. Boas compras!
Carteira (no Porto) vs Mala (em Lisboa)
Carteira e mala são palavras que se referem ao saco onde se transportam os objetos diários. Embora estes termos se usem em ambas as cidades portuguesas, é mais frequente ouvirmos dizer carteira quando estamos no Porto e é mais comum ouvir a palavra mala quando se está em Lisboa.
Cruzeta (no Porto) vs Cabide (em Lisboa)
Cruzeta e cabide são duas palavras que designam o mesmo objeto. Referem-se ao objeto que serve de suporte e no qual se pode pendurar a roupa (por exemplo, as calças e as camisas). Estas são colocadas no guarda-roupa / guarda-vestidos. Contudo, quando se está na cidade invicta, é mais comum usar o termo cabide quando nos estamos a referir a uma estrutura de pé ou de parede, que permite receber e manter os casacos ou outros acessórios.
Pinchar (no Porto) vs Pular (em Lisboa)
Tanto pinchar como pular são termos sinónimos da palavra saltar, que é bastante conhecida, seja a norte ou a sul de Portugal. No entanto, muitos preferem recorrer a regionalismos em vez de saltar. Quando se está no Porto usa-se “pinchar” e quando se está na capital portuguesa usa-se o termo “pular”.
Estrugido (no Porto) vs Refogado (em Lisboa)
Estas duas palavras bem distintas referem-se ao mesmo. Ambos os termos referem-se ao preparado que é frequentemente realizado nas cozinhas portuguesas. Trata-se de um preparado que inicia quase todas as receitas salgadas. Ele permite saltear cebola e alho em azeite.
A partir deste preparado pode fazer-se uma vasta série de receitas. O termo estrugido é mais comum no Porto. Já em Lisboa, o termo mais comum é refogado.
Sostra (no Porto) vs Preguiçoso (em Lisboa)
O termo preguiçoso é conhecido por todos os portugueses, de Norte a Sul, sem exceção. Embora todos saibam o significado de preguiçoso, há quem prefira recorrer ao termo “sostra”.
Embora no Sul possam existir pessoas que desconheçam este termo, as pessoas que são naturais de terras próximas do Porto estão familiarizadas com este termo. No norte, quando se diz que alguém é sostra, está a identificar-se essa pessoa como preguiçosa, isto é, alguém que não apresenta grande atividade, que não gosta de fazer nada, que está sempre a dormir.
Aloquete (no Porto) vs Cadeado (em Lisboa)
Tanto o termo aloquete como o termo cadeado se referem a uma espécie de fecho, que é frequentemente usado em cacifos, malas de viagem, bicicletas. Muitos adolescentes usam-no nos diários da infância.
Um jovem do Porto recorre a um aloquete para fechar o seu diário, enquanto um jovem de Lisboa prefere recorrer a um cadeado para fechar o seu diário.
Repa (no Porto) vs Franja (em Lisboa)
Ir a um cabeleireiro pode revelar-se uma experiência bastante diferente em Lisboa ou no Porto. Se uma pessoa de Lisboa estiver no Porto e quiser cortar o cabelo, se desejar fazer uma franja, convém usar a palavra “repa”.
Sertã (no Porto) vs Frigideira (em Lisboa)
Para quem vive em Lisboa falar em “sertã” significa identificar uma vila situada no distrito de Castelo Branco. No entanto, quem vive no Porto reconhece nessa palavra um objeto presente nas cozinhas de todos os portugueses. Para os nortenhos, uma sertã é uma frigideira.
Outras diferenças de vocabulário entre Porto e Lisboa
Aguça (no Porto) vs Afia (em Lisboa)
Alapar (no Porto) vs Sentar (em Lisboa)
Azeiteiro (no Porto) vs Bimbo (em Lisboa)
Breca (no Porto) vs Cãibra (em Lisboa)
Briol (no Porto) vs Frio (em Lisboa)
Espinha (no Porto) vs Borbulha (em Lisboa)
Chicla (no Porto) vs Pastilha (em Lisboa)
Calcar (no Porto) vs Pisar (em Lisboa)
Picheleiro (no Porto) vs Canalizador (em Lisboa)
Fino (no Porto) vs Imperial (em Lisboa)
Morcão (no Porto) vs Estúpido (em Lisboa)
Cimbalino (no Porto) vs Bica (em Lisboa)
Camioneta (no Porto) vs Autocarro (em Lisboa
Pingo (no Porto) vs Garoto (em Lisboa)
Malga (no Porto) vs Tigela (em Lisboa)
Foguete (no Porto) vs Malha no collant (em Lisboa)
Testo (no Porto) vs Tampa da panela (em Lisboa)
Molete (no Porto) vs Carcaça (em Lisboa).”
Poderíamos acrescentar centenas de outras palavras e expressões. Ficam apenas algumas para ilustrar a riqueza do nosso idioma.
Foto: Artur Pastor
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Goretti Carvalhal Silveira

Interessante. Na casa dos meus avós em São Jorge os termos às vezes eram os usados no Porto, às vezes em Lisboa, embora a maioria fossem os usados em Lisboa. Ex: carteira, pinchar, foguete, pingo, camionete, etc.
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PEDRO ALMEIDA MAIA POR TELMO NUNES

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May be an image of text that says "A FORÇA DAS SENTENÇAS PEDRO AlMEiDA MAiA VENCEDOR PRÉMIO LITERÁRIO MANUEL TEIXEIRA GOMES 2023 Camaro Portimão Municipal"
A Força das Sentenças
«Estar doente sem direito a cura é algemar a esperança, decapitar a fé.
Um homem pode adoecer de qualquer coisa, mas não lhe roubem a luz ao fundo.»
in “A Força das Sentenças”, Pedro Almeida Maia
O último mês de 2023 revelou-se excecional para o mundo literário açoriano. Encerrámos o ano a festejar a vitória de Pedro Almeida Maia, que arrecadou o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes 2023, com a sua mais recente obra, “A Força das Sentenças”.
Os jurados Idalina Rodrigues, Mila Mariano e Carlos Café decidiram, por unanimidade, distinguir esta novela de entre cento e vinte obras a concurso «[…] pela atualidade do tema, pela originalidade e pela criatividade […]». Foi ainda destacada a «[…] linguagem metafórica evidente na preocupação do autor em causar impacto no leitor […]» traço aliás distintivo da escrita de Almeida Maia, tendo sido já colocada em evidência em outros trabalhos seus. A obra vencedora deste prémio, atribuído pela Câmara Municipal de Portimão, «[…] com o objetivo de promover e estimular a criação literária.», foi editada pela On Y Va e já se encontra disponível para comercialização.
Dividida em vinte e cinco capítulos, esta novela traz à luz do presente a condição final de um doente de Alzheimer, assim como todas as adaptações familiares e logísticas que o avançar da doença acarreta. Repetidas falhas de memória de acontecimentos recentes (a contrastar com a nitidez de um passado vivido há muito), confusões constantes, desorientações geográficas, dificuldades no cumprimento das rotinas de higiene, vestuário e outras ditam o diagnóstico e o destino de um homem viúvo que, em busca de um acompanhamento mais eficaz, se vê obrigado a trocar o seu Alentejo de quarenta anos por uma nova moradia na cidade de Coimbra.
Almeida Maia redigiu um texto marcadamente realista, decerto assente em vasta informação recolhida, o que lhe conferiu a oportunidade de manter um discurso coerente, firme e objetivo do princípio ao fim da novela, mesmo considerando a progressão da doença, que redundou numa expetável gradação crescente de angústia e sofrimento. Por outras palavras, há uma progressão natural do discurso, que surge paralelamente ao desenvolvimento da própria doença da personagem.
O autor de “A Escrava Açoriana” optou por abordar um tema substancialmente diferente daqueles sobre os quais tem escrito, todavia, fê-lo com o rigor a que já habituou os seus leitores. A preferência pela narração autodiegética, portanto em primeira pessoa gramatical, faz aqui toda a diferença, já que acentua o realismo da própria doença, abrindo ao leitor janelas pelas quais poderá visualizar a forma como um cérebro cansado e em fase de demência se comporta, quando afetado pela doença. Esta será, seguramente, a maior riqueza deste texto, sendo, ao mesmo tempo, sintomático do virtuosismo do autor, por ele próprio se ter emprestado a essa posição tão delicada e especial.
“A Força das Sentenças”, escrita em memória de Hélder Corrêa Melo, é, em muitos momentos, um texto pesaroso, sobretudo, quando o próprio doente atravessa momentos de pálida lucidez e se apercebe, ainda que vagamente, da sua situação clínica e de como ela condiciona a vida dos que o rodeiam: «Não tenho conseguido agradar à minha filha e não sei o porquê de isto estar a acontecer. Continuo a tentar ser eu mesmo, apesar da doença.»; «Esta doença veio rasgar-me a vida e destroçar a felicidade da minha filha. Sou maior empecilho do que ajuda, maior entrave do que facilitador. O melhor é mesmo desaparecer.»
Típicos desta forma de demência (cada vez mais prevalente na população mundial), são os sintomas comportamentais obsessivo-compulsivos, e Almeida Maia teve o cuidado de os incluir nesta narrativa: a intransigência ante a mudança de local de determinados objetos, os diversos episódios com o pudim de coalhada ou com a rede esticada no jardim exterior da moradia são exemplos disso mesmo.
Aqui são amplamente honrados todos os doentes de Alzheimer e até outros que padecem de outros tipos de demências. Almeida Maia oferece-nos um texto muito bem estruturado, conferindo o tempo certo a cada estádio da própria doença, e sempre em direção ao inevitável, numa cadência equilibrada, que envolve o leitor, retendo-o na leitura. Nunca revela uma atitude paternalista, e expõe ao leitor a doença em toda a sua severidade. Digna de referência é também a visão sobre o cuidador do doente, dando nota da exigência requerida para que o acompanhamento seja o mais eficaz possível.
A obra culmina com o brilhantismo de um Epílogo que terá, forçosamente, de inculcar diversas questões sobre a nossa própria existência, sobre a nossa condição humana e sobre a forma como nos movemos enquanto membros integrantes de uma comunidade. Temos entre mãos um livro que espelha fielmente as vicissitudes de uma temática muito atual, muito angustiante e sempre demasiado dolorosa. Foi escrito numa linguagem pertinente, ajustada e assente no estilo próprio a que o autor nos habituou. Convenhamos que não foi por mero acaso que Almeida Maia se destacou de entre os cento e vinte trabalhos levados a concurso e ganhou mais este prémio, que tão bem reconhece o excelente percurso que o autor tem vindo a trilhar.
Pedro Almeida Maia, “A Força das Sentenças”, On Y Va , dezembro de 2023
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Chrys Chrystello

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o colapso da ordem mundial

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A CAMINHO DO COLAPSO DA ACTUAL ORDEM MUNDIAL

 

EUA – UE – Rússia – China e Índia – Pesos da Balança de um Mundo em Desequilíbrio

 

Acompanhar a crise e a mudança confronta-nos com uma reavaliação das prioridades e valores individuais e coletivos onde o aspecto humano e a humanidade (dignidade humana inalienável-soberana e fraternidade) não parecem constar da orientação básica. …

A crise sistémica global está a originar a formação geopolítica de polos rivais e a nível interno das sociedades conduz a uma polarização sociopolítica entre conservadores e progressistas; especialmente na Alemanha pode observar-se uma viragem do pacifismo para o militarismo tanto a nível de “esquerda” como de “direita”…

São mais que visíveis os sinais da mudança da atual matriz social para uma nova ordem mundial: a decadência da civilização europeia e do modelo monopolar ocidental… alinhamento de países em torno de núcleos, exemplo Brics… transferência do poder político para o administrativo, provocando também a crise do pessoal político que tem de abdicar da essência da sua personalidade… deslegitimação da família e do estado acompanhada da desqualificação da moral tradicional… nesta luta o cristianismo é a mundivisão mais atacada por fazer parte essencial das bases da civilização ocidental (ao lado da filosofia grega e da organização romana) e defender a soberania da pessoa e a sua dignidade humana individual e por manter uma profunda interligação entre natureza e cultura, quando os novos estrategas querem fazer valer apenas uma nova cultura divorciada da natureza de maneira a substituir esta e assim a legitimar a imposição de ideologias ad hoc. …

Com a centralização do mundo distribuída por blocos, o factor estratégia passa a ser mais importante do que o factor liderança (governo) fomentando-se na consequência o relativismo da moral, das instituições e das mundivisões. …

O Norte e o Sul global encontram-se num período intermédio entre a velha e a nova ordem mundial surgente. Os arquitectos do poder já há muito trabalham de forma mais ou menos clandestina na sua forja de maneira a criar uma nova têmpera cultural europeia…

Além das mudanças na geografia, observa-se um processo de mudanças nas tarefas dos políticos, na cultura e no próprio génio das sociedades. Diferentes visões do mundo dominantes reagem de modo que a região atlântica se move numa direção e a pacífica na outra…

Concretamente: o governante é transformado em administrador, com tendência a escapar ao Parlamento!

O alargamento da área geográfica e do poder dos EUA/OTAN em direcção à Rússia provocou um movimento de revisionismo na Rússia e o escalar geopolítico na Ucrânia instigou a formação de conglomerados de solidariedades entre países com o consequente alinhamento apressado em blocos enquanto algumas potências agem politicamente com mais reserva, na esperança de se tornarem também elas núcleos (Índia, Brasil). …

O aumento da violência mundial já não pode ser impedido por uma palavra poderosa de um poder hegemónico determinado, por mais poderosa que seja a sua mão…

A acentuar este processo de erosão da Europa, da Rússia e dos EUA vê-se chegada a era da informação que implica outras formas de domínio mais sofisticadas…

A moral está a ser conectada sobretudo na linha da dimensão político-social sem o aspecto da transcendência (este é da competência das religiões que constituem um certo impedimento para a implementação de uma nova ordem de caracter meramente materialista, racionalista e profana. …

Devido à liderança internacional externa, os partidos já não têm programas propriamente a longo prazo…

Os declarados inimigos (concorrentes) dos governos são, entretanto, os partidos populistas europeus que assumiram o papel da oposição aos governos! A diplomacia também está em crise porque nesta fase a reorientação dos países em relação aos vários blocos ainda não foi concluída…

O grande problema interno europeu tornou-se a imigração desregrada; isto causa na Europa a sensação real de maior instabilidade porque uma imigração desmedida e agressiva faz surgir nas populações o sentimento de ser culturalmente recolonizada como aconteceu no século oitavo com a invasão muçulmana…

As populações notam que razão e a realidade política já não podem ser reconciliadas e isto cria espaço para a anarquia e para o desespero…

A singularidade do indivíduo, que é própria das sociedades de base cristã, é o suporte de toda a emancipação do indivíduo da sua comunidade, facto este que possibilitou a transição de regimes políticos autoritários para a democracia e destaca o Ocidente como pioneiro dos direitos humanos.

De facto, a singularidade da pessoa que é o verdadeiro factor de emancipação do indivíduo em relação à comunidade, começou principalmente a partir do iluminismo, a ter expressão destrutiva no momento em que eclipsa a comunidade e com o acompanhamento das ideologias materialistas se torna em estrela cadente de egos luminosos. …

Uma civilização e uma sociedade não podem sobreviver nem se desenvolver baseadas apenas numa ordem de direitos individuais básicos por muito que estes se apoiem numa constituição política que cuide da preservação dos direitos individuais na qualidade de subordinados a uma ordem meramente económico-militar como pretendem novos projectores de futuro. Direitos individuais e de comunidade pressupõem uma relação de balance na consciência de que a base da comunidade/instituição é o indivíduo.

O mundo islâmico, consciente daquilo que o faz institucional e mundialmente forte, não estava convencido da declaração dos direitos humanos de cunho ocidental e reservou-se o direito a um ajustamento sociológico-religioso dos mesmos. Os direitos básicos são concedidos, mas todo o cidadão é obrigado a ser responsável e a submeter-se à “comunidade e à família” (Umah – a comunidade islâmica). Mesmo a Turquia secularizada por Ataturk, considera a sociedade como organizada colectivamente e não como uma comunidade de indivíduos. …

Se as comunidades islâmicas na Europa exageram o aspecto da sua comunidade cultural contra o indivíduo, os europeus exageraram o aspecto da individualidade contra a própria comunidade cultural. Nesta situação o mundo islâmico tem mais garantias de sustentabilidade e afirmação do que o europeu…

Os biótopos culturais são os primeiros a sofrer as consequências (sendo substituído o particular, o que é próprio pelo que é geral, sendo esvaziada a legitimação democrática do poder); isto, como já disse, provoca no meio da sociedade uma espécie de dicotomia entre os adeptos das novas situações político-administrativas de caracter centralista que ganham expressão nos progressistas e do outro lado reage o polo defensor do biótopo cultural, os conservadores mais vinculados também às bases e às regiões.

À divergência entre o sentir político e o sentir das populações acrescenta-se o desfasamento das sociedades (civilizações) entre si. Por outro lado, o sentido atraso de outras civilizações em relação à civilização europeia será o bónus delas que as levará a afirmarem-se sobre a Europeia já em processo de desfasamento depois da primeira guerra mundial em que os EUA, perante a afronta da União Soviética como inimigo comum do sistema se afirmou também sobre a Europa com o apoio do Reino Unido. A Europa tem de redescobrir a comunidade sem ter necessidade de o fazer à custa dos direitos humanos desde que integrados numa comunidade cultural consciente de si e da sua responsabilidade no mundo (o poder militar cria segurança e o poder económico cria bem-estar temporário, mas sem uma comunidade oleada pela transcendência). Não chegam conglomerados em nome de valores: os assim chamados valores democráticos poderão unir elites do abstrato que estão predestinadas a viver em guerra e a sucumbir ao serem um dia confrontados com ditaduras consistentes.

A visível vantagem da China sobre o Ocidente deve-se ao facto de o seu sistema ainda possuir as estruturas e bases culturais, políticas e sociais semelhantes às que dominavam a Europa nos séculos XIV e dominam ainda hoje nos países islâmicos e em regimes autoritários. …

No passado, os povos formaram-se em torno de crenças, religiões, culturas que lhe conferiam singularidade específica e poder de expansão. Hoje inverte-se a pirâmide procurando de maneira até declarada organizarem-se já não povos, mas sociedades alinhadas em torno de áreas geográficas, da economia, das forças armadas e da correspondente doutrina. …

A China parte do princípio e da realidade da comunidade e subordina-lhe o indivíduo; esta é a sua força epocal de maneira a açambarcar a responsabilidade sobre o indivíduo assumindo o comunismo como espécie de religião. …

Cada área geográfica mundial irá afirmar-se mais em torno dos seus valores partilhados. Lamentável é, porém, o facto de a civilização de bases humanistas cristãs se ter exteriorizado de si mesma para se dedicar sobretudo ao exercício do poder pelo poder e ao domínio dos outros de maneira a tornar-se também ela numa ameaça para o mundo num mundo ameaçador. Não chega satisfazer-nos com a nossa bandeira dos valores e da democracia; a nossa sociedade e o mundo precisam de mais…

Enquanto não houver uma geopolítica mais humana a Alemanha tornar-se-á a força mais forte na EU, acolitada pela França (entretanto, os alemães apressam o seu negócio na EU procurando fortalecer apressadamente os seus vizinhos de Leste). …

A militarização da Alemanha e a sua influência na política da UE, que pretende deixar de ser uma federação de nações, para se tornar num conjunto de pequenos países em torno das grandes potências da Europa, está a tentar fazer com que os pequenos países percam a sua posição de força (a força do veto) em decisões comunitárias importantes e assim, se tornarem mais insignificantes e em favor das potências, que determinarão ainda mais a política (Isto dá-se em nome da eficiência do polo europeu no concerto dos povos mas o ridículo da questão é o facto do Primeiro Ministro português, António Costa, ser ter tornado numa espécie de porta-voz da Alemanha, defendendo, de facto, a diminuição de direitos ao nível das nações pequenas). …

A luta em voga contra a cultura europeia e a persistente desmontagem dos seus fundamentos tornaram-se no maior cancro que corrói a nossa civilização. Quando se observa em muitos dos nossos governantes tornarem-se nos seus próprios Judas e cangalheiros torna-se ainda mais triste a tragédia… A crise é motivo de ânimo, porque tudo isto é de caracter fenomenológico e a humanidade com altos e baixos saberá encontrar maneira de passar o “estreito de Magalhães” à imagem do grande português Fernão de Magalhães ao serviço de Espanha. …

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8920

 

A CRISE ASSEMELHA-SE ÀS DORES DE PARTO DO DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO

 

 

… A crise que poderia servir como oportunidade para uma reavaliação séria da própria política (e estilo de vida) e funcionar como um catalisador de mudança para melhor, em vez de buscar soluções inovadoras, recorre à velha estratégia de afirmação pelo poder (militar e económico) …

A crise proporciona oportunidades estimulando a criatividade e o espírito de investigação, mas a consequente reavaliação das prioridades e valores individuais e coletivos será superficial sem uma abordagem séria dos próprios objetivos e missões…

O erro do modernismo é ter procedido apenas a uma substituição: trocado a crença em Deus pela crença na razão! É reducionista do Homem e da humanidade, refugiando-se na linguagem ao querer fazer dela a criação do mundo! Em vez da inclusão e da complementaridade serve-se da divisão para se autoafirmar, adoptando a estratégia de um contra desintegrador. Um autopsiador consegue decompor muito bem um cadáver nas suas diferentes partes, mas não tem a veleidade de lhe querer dar a vida! …

António CD Justo

Texto completo em: Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8927