cabos submarinos açores ficarão para trás 30 anos

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Cabos submarinos: Os Açores e São Miguel ficarão para trás !
A terminar o ano e os cabos submarinos que ligam Açores com o mundo continuam a dar que falar.
Está prestes a ser concretizado uma ligação que prejudicará gravemente o arquipélago em especial São Miguel
Significa segundo os entendidos um atraso que poderá ser de uma geração (30 anos) no desenvolvimento da maior e mais produtiva ilha dos Açores.
Um prejuízo incalculável como alerta hoje o antigo Director dos Cabos Submarinos da Marconi , técnico credenciado, no Correio dos Açores.
Por incrível que pareça esta questão tão importante tem passado ao lado de de autarcas, deputados, governantes e a própria sociedade civil pouco se tem manifestado.
Pelo futuro dos nossos filhos e netos não podemos permitir que esta questão tão importante seja tratada com tanta incompetência.
É o futuro dos Açores e de São Miguel que está em causa !
Rui Machado de Medeiros and 22 others
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  • Antonio Mac

    Por onde anda o governo ?
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  • Jaime Vieira Nunes

    E mais preferível pedires a demissão do que continuar no governo.
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  • Luis Silva

    São Miguel costuma ser nos Açores.

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  • Andre Melo

    Onde andam todos os políticos nesta altura para falar e debater sobre o o assunto.
    Se é assim tão prejudicial porque não se falar sobre o assunto?
    Ou existe mais um tacho grande por trás disso?
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  • Mário Raposo

    A República é que não nos deixa crescer, sempre foi assim e sempre será! Já temos provas mais que suficientes para enxergar que até os políticos dos Açores são excluídos de votações e decisões na assembleia da República. Para os políticos da Tugalãndia…

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  • Rui Machado de Medeiros

    A inércia das populações é a mãe de muitos disparates e promove os medíocres. A História mostra-nos que sempre foi assim.
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  • Renato Borges

    fonte ?
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  • Luís André Melo

    Isto acontece quando temos um governo em que o foco é apenas o turismo em massa.
    E o resto fica para segundo plano.
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  • Eugénia Sousa

    Como sempre!!
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  • Antonio Jose Silveira

    Os Açores e S. Miguel. Esta ilha não é dos Açores, pertence a Marrocos

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  • Irene Ormonde Ortins

    O governo tem que fazer alguma coisa.
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  • Pedro Madruga

    Afinal, prejudica os Açores ou São Miguel? 🤔😂
    Desconjuro.

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Someone is typing a comment…

 

 

aviação angola

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TAAG esclarece que incidente com voo Luanda-Lisboa operado pela Hi Fly não foi por problema da aeronave
A transportadora aérea angolana TAAG informou que a causa do incidente com o voo DT650, na segunda-feira passada, no itinerário Luanda-Lisboa, não esteve relacionada com a aeronave, mas com uma avaria no “stand” no aeroporto de Lisboa. O voo foi operado pelo A340-300 com o registo 9H-TQY e realizado em regime de ACMI pela Hi Fly.
De acordo com uma nota, a TAAG avança que o voo foi operado pela companhia Hi Fly, ao serviço da TAAG, tendo-se registado e divulgado através das redes sociais uma situação de sobreaquecimento da cabine e ‘blackout’ de iluminação.
A companhia aérea angolana sublinha que na qualidade de cliente solicitou “de forma imediata um relatório ao prestador de serviço Hi Fly, tendo sido aberta uma investigação que incluiu entrevistas aos tripulantes e engenheiros, bem como, a verificação minuciosa dos equipamentos”.
“O resultado do relatório entretanto recebido, é claro ao afirmar que a causa do incidente não esteve relacionada com a aeronave, nem com a ação do pessoal navegante”, realçou a nota.
O documento revelou que “a causa-raiz desta situação está ligada a uma avaria do cais do aeroporto de Lisboa”.
“Este estava inoperante e incapaz de assegurar a alimentação de energia da aeronave, entretanto posicionada em terra para o procedimento de desembarque e instruída para desativar motores”, destacou a TAAG.
A empresa esclareceu também que foi necessário solicitar a intervenção da ANA, entidade responsável pela gestão do aeroporto de Lisboa, para trabalhos de reparação, período no qual se registou o sobreaquecimento de cabine devido à falta de energia.
“Apenas após a realização dos trabalhos de manutenção é que foi possível iniciar o desembarque de passageiros. Durante este processo os passageiros foram informados sobre a ocorrência e tranquilizados relativamente à sua segurança a bordo”, referiu a nota.
“Reiterar, que a TAAG lamenta o transtorno causado aos passageiros e clientes do referido voo, e que estamos em comunicação permanente com as autoridades no sentido de avaliar medidas adicionais e planos de contingência futuros”, acrescentou a empresa.
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guie com cuidado

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https://www.facebook.com/reel/564805942130525/?s=single_unit

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chrónicaçores vol 6,..alumbramento, crónica do éden 2005-2021

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já comprou os meus 3 livros de 50 anos de autor?

 

POSFÁCIO — O CRONISTA ILUMINADO

 

Terminada a circum-navegação do leitor pelas Crónicas do Éden, cabe-me o privilégio de acrescentar o que se apraz resumir deste riquíssimo volume. Além de implicar um considerável grau de responsabilidade, colocar um ponto final parágrafo em mais este ChrónicAçores pode até tornar-se intimidante, em especial para um aprendiz de cronista como eu, ainda em busca da contundência das palavras — ferramenta tão magistralmente manuseada pelo autor nos mais variados âmbitos do seu percurso jornalístico e literário.

Além de patrono da mundivivência, Chrys Chrystello é cidadão australiano com raízes brigantinas, tronco timorense, ramagem macaense e folhagem açórica, combinação que confere um tom multicultural às suas poderosas reflexões. Do chá aos sismos, dos cagarros ao império da vaca, das romarias ao Santo Cristo dos Milagres, os temas contextualizam-se numa vasta e intensa geografia que, apesar de centrada nos Açores, revisita variadíssimas latitudes, incluindo a Madeira, Timor, Brasil e a Austrália, por exemplo. Recorrendo a um vocabulário rico e muitas vezes romântico, o autor transverte os relatos de estilo diarístico-jornalístico em quase poesia.

No decorrer da sua leitura, este tomo de viagens pedagógicas terá certamente provocado ao leitor sensações imprevistas de redenção sedutora à vida ilhática. O pré-aviso de alumbramento está bem patente no título, mas haverá também lugar para outros efeitos secundários, sendo o mais comum as vertigens da clarividência. Para Chrys Chrystello, experiente jornalista que nesta e noutras rubricas assume uma voz pungente, as ilhas dos Açores são o Jardim do Éden e o fruto proibido é a desinformação que paira sobre o seu passado, tal nevoeiro pardo. Não existe receio de questionar a pré-história arquipelágica, até porque o debate continua — e continuará — em ebulição.

Se existiu a Atlântida ou se (e quando) os Açores foram visitados por outros povos antes dos Descobrimentos, das questões provinciais aos eternos dilemas da pseudoautonomia, do peso da religião às crises socioeconómicas, do custo da insularidade à vida extraterrestre, Chrys Chrystello emprega o sarcasmo na dose certa para abastecer o leitor de uma visão abrangente, de ângulos nunca antes considerados.

Este homem “ilhanizado ou açorianizado”, como ele próprio se define, revela também a sua ligação a outros escritores e curiosas trocas de correspondência, que facilmente alimentariam novas narrativas. Por outro lado, nas suas intensas divagações aqui reunidas, permite que o leitor percorra contextos sociais contrastantes, períodos históricos controversos e visões filosóficas revolucionárias.

Alumbramento pode definir-se como uma espécie de iluminação do fascínio, o que muito bem servirá de definição às Crónicas do Éden, mas pela coragem de fazer emergir assuntos relevantes, enquanto a maioria dos opinantes aguarda pelas primeiras manifestações para se fazerem ouvir, atrever-me-ia a considerá-lo um cronista iluminado.

 

Ponta Delgada, dezembro 2020

Pedro Almeida Maia

PREFÁCIO – A MITOLOGIA DO CRONISTA

 

A crónica é dos géneros mais difíceis, mas dos mais estimulantes.

Há quem diga que está na fronteira entre o jornalismo e a literatura, mas passou por muitas transformações desde o seu aparecimento no início da era cristã.

Popularizou-se em Portugal com os relatos apaixonados do início da expansão marítima e transformou-se num misto de narração e ficção com as célebres “Crónicas das Índias“.

O género autonomizou-se através do jornalismo, quando surge pela primeira vez na imprensa escrita, já lá vão mais de 200 anos, nascendo então cronistas celebrizados que iam da cobertura da frente das guerras até ao mais invulgar acontecimento mundano.

A crónica, hoje, não possui tipologia própria, variando consoante a inspiração e talento do respetivo autor, deixando de se assemelhar a história para passar a narrativa do tempo presente.

Do latim Chronica e do grego Kronos (tempo), talvez esteja hoje mais atraente, na forma e no tempo, do que nos anos ancestrais em que ainda nem havia o género romance.

Os jornalistas veem-se “gregos” para assimilar a crónica como género fluido nesta nova moda trazida pelo mundo digital de que “tudo é comunicação“.

Chrys Chrystello, como jornalista sénior que é, certamente se terá apercebido do poder da crónica como narrativa do tempo, porque passou a incorporá-la na sua escrita regular com enorme desenvoltura, como se poderá constatar neste volume quase diarístico (outra transformação da crónica), que vai de 2005 a 2020.

Chrystello usa bem os conceitos do género e utiliza-os melhor quando escolhe como espaço este ‘microblogging‘ no meio do Atlântico a que ele chama mitologicamente de Éden.

O autor consegue transformar a centralidade insular num misto de ansiedade e identidade redentora, sempre com espírito crítico, provavelmente por ter sentido na pele, muito antes de nós, as angústias do futuro de um povo e das suas ilhas, durante a sua longa vivência em Timor.

Aliás, Timor e Açores passaram a ser os “colossos utópicos” na comunicação de Chrys Chrystello, aquilo a que ele chama a si próprio “ilhanizado”.

“Perdi sotaques, mas não malbaratei as ilhas-filhas. Trago-as comigo, colar multifacetado de vivências dos mundos e culturas distantes. Primeiro em Portugal, ilhota perdida da Europa no Estado Novo, seguida de um capítulo naufragado da história trágico-marítima camoniana, nas ilhas de Timor, de Bali, na então (pen)ínsula de Macau (fechada da China pelas Portas do Cerco), na imensa ilha-continente Austrália, e em Bragança, ilhoa esquecida que é o nordeste transmontano.” (Pg. 187 da presente edição).

É este mundo – desgastante e deslumbrante (“alumbramento”) – que vai moldando as “Crónicas do Éden“, muitas delas publicadas no “Diário dos Açores” que dirijo, sendo um privilégio ser o primeiro leitor e simples paginador.

Nada como um bom observador que vem do outro lado do mundo – e que mundo! -, Que se deixa “ilhanizar” entre nós, mas mantém o espírito aberto e aplicado do jornalista-cronista, que não se deixa influenciar pelos “poderes mágicos” do burgo regional, certamente muito diferentes dos que se veem na sociedade aborígene australiana.

Chrystello é o nosso Bill Bryson com as suas “Crónicas de uma pequena ilha“, com a diferença de que procura constantemente uma “renovada Atlântida” cada vez mais mítica e muito perto do universo da “Ilha Grande Fechada” do seu e nosso querido amigo Daniel de Sá.

O espírito inquieto do autor, refletido nas crónicas de crítica social e política da urbe açórica, é uma procura permanente do Ideal que já vem do tempo de Antero, o democrata e republicano “daquela república que por ora não existe senão como ideia e aspiração“, espicaçando a nossa ancestral morrinha insular, conformados com o presente e pouco preocupados com o futuro.

Vale a pena fazer esta viagem guiada (“uma circum-navegação“), que o Chrys nos presenteia neste livro, numa incursão em defesa da justiça social, da língua, da nossa literatura, dos nossos poetas e escritores, da nossa história, do presente e do futuro, mesmo que sob uma perspetiva crítica e ao mesmo tempo apaixonada destas ilhas.

Não será por ironia que o cronista as chama de Éden.

Ou será?

 

Pico da Pedra, outubro 2020

Osvaldo Cabral

trocos, não sejais mesquinhos Alexandra Reis queria 1,5 milhões para sair da TAP – Dinheiro – SÁBADO

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Em resposta ao despacho do Governo, a TAP refere que foi a empresa que iniciou o processo negocial para a saída da atual secretária de Estado.

Source: Alexandra Reis queria 1,5 milhões para sair da TAP – Dinheiro – SÁBADO

O MISTÉRIO RUSSO WINDOWS

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【A CAUSA DAS COISAS】
Em Setembro, o chefe da gigante petrolífera russa Lukoil, Ravil Maganov, aparentemente… caiu da janela de um hospital em Moscovo.
O magnata das salsichas na Rússia Pavel Antov foi encontrado morto num hotel indiano dois dias depois de um amigo seu morrer durante a mesma viagem.
Relatos da mídia russa disseram que Antov, de 65 anos, caiu de uma janela do hotel na cidade de Rayagada no domingo.
Já o seu amigo Vladimir Budanov, morreu no mesmo hotel na sexta-feira anterior.
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Artur Arêde and 1 other
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disputa da herança de RODRIGUES MIGUÉIS

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ARTIGO da jornalista Ana Henriques, Público, 26/12/22
HERANÇA DO ESCRITOR JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS DISPUTADA EM TRIBUNAL, 40 ANOS APÓS A SUA MORTE
“Direitos de autor e gestão da obra do escritor antifascista passaram para as mãos de mulher que acompanhou últimos anos de vida da sua viúva.
Os direitos de autor de José Rodrigues Miguéis estão a ser alvo de uma disputa em tribunal que opõe a neta do escritor a uma antiga cuidadora. Antes de morrer, com 102 anos de idade, a viúva do intelectual, Camila Campanella, fez um testamento a deixar não só os rendimentos da obra como também a sua gestão a esta mulher, deserdando assim os descendentes.
Mónica Jakobs, que agora reivindica esta herança que se presume de magros proventos dada a fraca procura na actualidade pela obra de Rodrigues Miguéis, não é neta biológica do escritor. Já radicado na cidade de Nova Iorque, cidade onde se exilou nos anos 30 e onde morreu em 1980, o intelectual e a mulher foram buscar a mãe de Mónica, Patrícia, a um orfanato tinha esta quatro anos de idade, criando-a como se fosse sua filha.
A disputa corre há quatro anos nos tribunais portugueses e foi recentemente alvo de mais uma decisão judicial que não põe, no entanto, fim ao litígio. Apesar de darem razão à cuidadora Odete, uma mulher que emigrou de uma aldeia da Lourinhã para os EUA, os juízes dizem que se Mónica arranjar provas da adopção da sua mãe, Patrícia, por Rodrigues Miguéis e pela sua mulher, Camila, que seria estéril, ainda pode disputar pelo menos a parte da herança de que se queixa de ter sido desapossada.
Ligado ao movimento Seara Nova, com o qual acabaria por romper, e com uma escrita apelidada de neo-realista, Rodrigues Miguéis é hoje um autor pouco conhecido entre as gerações mais novas. Filho de um porteiro de hotel galego, nunca conheceu uma vida de luxo. Pelo contrário: segundo uma das maiores especialistas na sua obra, Teresa Martins Marques, quando sai de Lisboa, cidade que retratou em vários dos seus livros, para rumar a Bruxelas valeu-lhe ter conseguido uma bolsa para prosseguir os estudos. Por essa altura, já tinha desistido de uma carreira no mundo das leis, primeiro como advogado e depois como procurador da República. É na cidade belga que conhece a primeira mulher, uma colega judia de origem russa com quem se casa em 1932. Mas o matrimónio não perdura.
As crónicas com que se havia estreado logo aos 20 anos no jornal República tinham-lhe franqueado a entrada no mundo da literatura. Desde cedo a pobreza e também a emigração se tornam centrais na sua escrita. À formação republicana e progressista que bebeu do pai, segue-se, após o regresso de Bruxelas, aquilo que a mesma especialista descreve como uma radicalização ideológica – facto a que não pode ter sido alheio o rumo que Portugal tomava, com a implantação da ditadura militar e a institucionalização do Estado Novo. Se militou ou não no PCP, diz Teresa Martins Marques que é impossível saber. Mas era, pelo menos, simpatizante deste partido. Militantemente antifascista, torna-se um alvo da censura, que proíbe que o seu nome apareça nos jornais. Fica impedido de publicar.
A luso-americana Camila Campanella, que conhecera poucos anos antes numa passagem sua por Lisboa, dá-lhe guarida em Nova Iorque em 1935. Patty, como chamavam a Patrícia, torna-se filha do casal quase dez anos depois. A miúda tem cinco anos quando Rodrigues Miguéis, um homem elegante e sedutor, é acometido por uma infecção cerebral que lhe paralisa metade da cara e o atira para o hospital psiquiátrico de Bellevue. Ignora se algum dia voltará a ser o que era. A experiência muda-lhe a vida, como renascido para a sua vocação. O internamento desencadeia nos anos seguintes uma produção literária que não mais terá interrupção.
Milita ao lado de Hemingway e John Dos Passos em manifestações antifascistas e funda o Clube Operário Português. Faz reverter as receitas de um conto seu para o apoio à guerra civil espanhola. Dirige a partir de Nova Iorque, durante dois anos, a edição em língua portuguesa das Selecções do Reader’s Digest e faz traduções de autores consagrados, como O Grande Gatsby, de Fitzgerald. Mas o apoio financeiro vem-lhe sobretudo de Camila, que é professora universitária e insiste que se dedique exclusivamente à escrita, recorda Teresa Martins Marques, que se tornou amiga da luso-americana.
Sobretudo durante o McCarthismo​, Camila teme as consequências das posições políticas do marido, que se corresponde com José Saramago – correspondência entretanto publicada. A troca epistolar tem origem na circunstância de o futuro prémio Nobel da literatura ser na altura director literário na Editorial Estúdios Cor, onde Miguéis publicava a sua obra, mas acaba por extravasar muito esse âmbito. Um dos primeiros grandes reconhecimentos públicos do seu valor, recebe-o já exilado, em 1959: Léah e Outras Histórias arrebata o prémio Camilo Castelo Branco, instituído nesse ano pelo Grémio de Editores e Livreiros, com a colaboração da Sociedade Portuguesa de Escritores. Descreve a forma como um emigrante português se apaixona pela sedutora e irresistível camareira da pensão onde está hospedado, que acaba por desaparecer sem deixar rasto.
Após a doença, e já com dupla nacionalidade, pede autorização para vir passar três meses a Lisboa para visitar a mãe. Os serviços de informações que antecederam a PIDE, que começam por o deter para depois o libertarem, escrevem que chegou acompanhado da mulher “e da sua filha Patrícia, de seis anos de idade, nascida em Nova Iorque”.
Mesmo depois do 25 de Abril, o escritor, que passou por vários episódios depressivos e tentou por três vezes regressar a Portugal, nunca voltou de forma definitiva ao seu país de origem. Quando morre em Manhattan, em 1980, deixa uma vasta obra, mas não um património material equivalente: a casa onde morava era de renda controlada, não havia bens materiais para repartir. Patrícia já lhe dera uma neta, de que Camila falava a Teresa em cartas que lhe escreveu já nos anos 90, e que foram anexadas ao processo em tribunal: “A nossa Mónica tem agora 27 anos. Tem já uma menina muito espevitada de dois anos e meio. Claro que lhe fazemos todas as vontades.”
Odete Pedro aparece em casa da luso-americana como empregada, para ajudar a cuidar da idosa, que morreria já depois de completar mais de um século de vida, diz a especialista na obra do escritor. É desmentida pelo advogado da actual titular dos direitos de autor, Dias Ferreira: “A minha cliente cuidou de Camila por ser sua vizinha. Não era sua empregada.”
Aos 101 anos de idade, a viúva – que estaria de relações cortadas com a filha Patrícia, por esta querer interná-la num lar de terceira idade – ruma ao consulado de Portugal em Nova Iorque e torna sua única herdeira a cuidadora, a quem deixa a totalidade dos direitos de autor, dando-lhe ainda o poder de gerir como bem entender a publicação, tradução e reedição das obras. Apesar da existência da filha, da neta e da bisneta, declara não ter descendentes e ser a única herdeira do falecido marido.
Na acção judicial que desencadeou contra Odete Pedro oito anos depois, em 2018, a neta de Miguéis alega que a idosa se encontrava, à data do testamento, dependente no dia-a-dia desta mulher, que dela cuidava e a assistia. E também diminuída nas suas capacidades, quer cognitivas, quer auditivas. Caso assim não fosse, alega, nunca teria disposto de bens que não lhe pertenciam por inteiro, dado que os direitos de autor se tinham também transmitido, por morte do escritor, à sua filha adoptiva. Antes disso, em 2014, Mónica Jakobs tinha escrito à procuradora-geral da República a expor a situação.
Odete Pedro começou por alegar nunca ter ouvido a viúva falar de Patrícia e de Mónica, nem tão-pouco referir-se-lhes como filha e neta – coisa que Teresa Martins Marques diz ser impossível, uma vez que mãe e filha adoptiva moravam no mesmo prédio, embora em andares diferentes. O legado, explica-o como uma compensação “pela ajuda pessoal, patrimonial e financeira” que assegura ter-lhe prestado nos últimos anos de vida.
Mas do ponto de vista jurídico o cerne da questão é outro. “A adopção não existiu”, declara Dias Ferreira, que entende que o que sucedeu foi o casal ter ficado com a custódia da criança. Recentemente o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu que, para tentar fazer valer os seus direitos, a neta tem de entregar à justiça portuguesa a sentença norte-americana que decretou a adopção, para ser validada. O caso pode complicar-se pelo facto de à data em que Patrícia foi morar com o casal a adopção ainda não ser legal em Portugal.
Na última década, e segundo dados da empresa de estudos de mercado GfK, as vendas dos livros de Miguéis nunca superaram senão uma vez a centena de exemplares por ano. E alturas houve em que ficaram muito abaixo disso. Enquanto a viúva foi viva, as receitas mais elevadas chegaram-lhe da adaptação de uma das obras para o cinema, O Milagre Segundo Salomé. Quem quiser agora fazer o mesmo terá de falar com a antiga cuidadora ou com o seu filho, que o PÚBLICO tentou, sem sucesso, ouvir. O seu advogado diz que Odete Pedro, que continua a morar nos EUA e trabalha para a Broadway, apresentou recentemente uma queixa-crime contra Mónica depois de ter visto a sua casa vandalizada.”
Jose Gomez Bulhao, Teresa Martins Marques and 2 others
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  • Teresa Martins Marques

    Entre 1994 e 1996 dirigi a Edição das Obras Completas de Miguéis para o Círculo de Leitores, em 13 volumes, todos prefaciados por mim. Compraram a colecção inteira cerca de cinco mil pessoas. Foi um sucesso de vendas. A viúva, minha amiga, disse-me que nunca tinha recebidos tantos direitos, mesmo em vida de Miguéis! Compravam-se também as obras na Editorial Estampa, que entretanto faliu. A viúva morreu em 2006 e não teve mais ninguém que cuidasse da obra, na sequência de um litígio entre a neta e uma cuidadora a quem a viúva deixou em exclusividade os direitos e o cuidado da obra. A cuidadora não pertence ao meio literário. Nesse testamento a viúva diz que não tem filhos. Na verdade tinha a filha adoptiva que morreu em 2013; tinha esta neta e duas bisnetas. A neta já apresentou as provas legais de que a sua mãe foi adoptada, em 6 de Junho de 1944 pelo Surragate’s Court de Nova Iorque. O caso segue em tribunal, porque a neta não aceita que neguem a sua relação à família afectiva. Viveu em casa de Camila e Miguéis e só saiu de lá para se casar. A sua mãe e a avó desentenderam-se por esta achar que, com tanta idade , já em cadeira de rodas, estaria melhor num lar. Morreu com 102 anos e fez o tal testamento em que diz que não tem filhos, já com 101 anos. Para a neta trata-se de uma questão de identidade, que lhe negam!
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Detidos oito homens em São Miguel e Santa Maria – Açoriano Oriental

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A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve oito homens nas ilhas de São Miguel e Santa Maria durante o fim de semana do Natal.

Source: Detidos oito homens em São Miguel e Santa Maria – Açoriano Oriental

Empresário português detido sem acusação apresenta queixa por “sequestro” – Açoriano Oriental

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O empresário português Nuno Pimentel, detido sem acusação na Guiné Equatorial desde dia 9, denunciou na passada sexta-feira a um tribunal em Luba estar “sequestrado”, um caso que o Governo português está a “acompanhar com toda a intensidade”.

Source: Empresário português detido sem acusação apresenta queixa por “sequestro” – Açoriano Oriental