os mortos virais e a mortandade em perspetiva

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Ómicron ou Ómilhar?
Um Natal desafiante na Europa.
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  • Manuel Menezes de Sequeira

    França, por exemplo, tem 150 mortos por dia. Tendo 67 390 000 de habitantes, isso é o equivalente a 22 mortos em Portugal. Por outro lado, dado que se vive em média perto de 80 anos, temos que, todos os anos, morrem em França ≈ 67 390 000 / 80 = 842 375 pessoas. Isto porque ainda somos mortais. É importante dizer isto, para os mais distraídos. 🙂 Ora, 842 375 pessoas num ano são umas 842 375 / 365 = 2308 por dia. Isso: 2308 mortos por dia que, até 2020, considerávamos normal. Mais, que continuam paulatinamente a morrer. Mas hoje, por alguma razão, ignoramos esses mortos todos e focamo-nos em 150.
    Vejamos:
    – França: 150 mortes são 6,5% dos mortos diários expectáveis por sermos mortais.
    – Espanha: 60 mortes são 3,1% dos mortos diários expectáveis por sermos mortais.
    – Reino Unido: 150 mortes são 6,5% dos mortos diários expectáveis por sermos mortais.
    – Itália: 130 mortes são 6,4% dos mortos diários expectáveis por sermos mortais.
    – Portugal: 15 mortes são 4,4% dos mortos diários expectáveis por sermos mortais.
    Ou seja: Bom Natal!
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o burlão de pijama e os cobardes felizes

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O burlão de pijama e os cobardes felizes.
A questão não é existir uma foto de João Rendeiro no momento da captura.
Diz-se que é hábito no mundo anglo-saxónico para defesa do detido.
O relevante é ela ter sido divulgada para gáudio popular, permitindo a devida pena de humilhação do condenado.
Se a foto era necessária, ficava onde tinha de ficar.
Porque Rendeiro não perdeu o direito à sua imagem, só o direito à sua liberdade.
Não sei quem divulgou a imagem.
Para o que escrevo aqui, são indiferentes os crimes que João Rendeiro cometeu.
É até indiferente a forma como gozou com a Lei e, por essa via, com as vítimas dos seus crimes e com o Estado português.
A superioridade da Justiça mede-se pela forma como nunca permite que aqueles que julga e pune percam a dignidade.
Sei que aquela imagem, por despojar o milionário de todo o seu poder, terá dado gozo a muita gente.
É o lado medieval que nos resta.
Aquele que nunca se contenta com a burocrática justiça das instituições e precisa de uma dose de humilhação suplementar.
Se o homem for poderoso e rico dá um pouco mais de prazer.
Mas, com esta foto, não é Rendeiro que se rebaixa, são as instituições.
Recordo-me de uns fugitivos, suspeitos de furtos a idosos no Grande Porto, que depois de serem algemados e sentados no chão foram fotografados.
Foi em 2018. Um desses novos “sindicatos” de polícia dominados pela extrema-direita divulgou a imagem nas redes sociais.
Um ato vil que não sei se terminou na expulsão de alguém.
Fotografar a humilhação de um detido é como bater numa pessoa algemada: um ato de abjeta cobardia que torna o seu autor igual a quem é detido.
Como Rendeiro, abusa do seu poder e está convicto da sua impunidade.
Não faço qualquer distinção entre João Rendeiro e os três foragidos do Porto.
Todos têm direito à mesma dignidade e imagem e a todos o Estado deve esse respeito.
E não deixo de fora a comunicação social, que divulgou a foto.
Não há nada mais desresponsabilizador e menorizador do jornalismo do que o apelo sonso para não atacarem o mensageiro.
Um jornalista não é um carteiro.
É alguém que trata com sentido critico a informação que recebe.
Ao divulgar uma foto de Rendeiro de pijama, recolhida sem o seu consentimento num momento em que não era livre para o dar, participaram na indignidade.
A tentação de divulgar aquela foto não é outra coisa que a tentação de fazer justiça pelas próprias mãos.
De dar a canelada em quem já está no chão.
Não levem a mal, mas prefiro um burlão a um justiceiro cobarde.
Pelo menos o burlão não finge que está do lado do bem.
Mas num país em que Manuel Pinho, que vai pelo seu pé a um interrogatório, é detido para não fugir ou não destruir prova – há alguma prova intacta que ainda não tenha sido recolhida – ao fim de nove anos de investigação enquanto um condenado que gritava que ia fugir foi deixado com passaporte, talvez o pijama seja um pormenor.
Quando, ao fim de 11 anos de investigação das PPP, há quem fique sob eterna suspeita por prescrição, talvez tenhamos que concluir que para a Justiça garantir a dignidade dos cidadãos tem de começar por tratar da sua.
Daniel Oliveira.
Expresso Diário, 15 de Dezembro de 2021.
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  • Maria Rita Gonçalves

    Completamente de acordo com este texto. Um dia destes voltam os pelourinhos e com um pouco mais de esforço as arenas com os leões e as televisões vão fazer longos directos , para se ver os condenados a serem comidos.

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faleceu LEONS BRIEDIS

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LEONS BRIEDIS
(16.12.1949 – 01.02.2020)
Uma mensagem da minha amiga Katharine F. Baker trouxe-me a notícia de que falecera em Riga (Letónia) o nosso amigo Leons Briedis, escritor, tradutor e editor. O mais estranho, neste mundo em que tudo se encontra à distância dum clique, é que essa morte ocorreu em Fevereiro do ano passado e só agora soubemos dela.
O currículo de Leons Briedis é impressionante, quer como poeta e ensaísta, quer igualmente como tradutor de uma diversidade de línguas, entre elas a portuguesa. Pessoa, Eugénio de Andrade, Sophia de Melo Breyner, Manuel Alegre, Luís Miguel Nava, poetas brasileiros, angolanos, moçambicanos, santomenses foram objecto do seu trabalho.
E ocupou-se em particular de poetas açorianos, graças à intermediação de José Manuel Rebelo. Tendo «entrado» pelo Porto, Leons Briedis bateu à porta certa, ao contrário de um outro tradutor que foi parar à porta errada em Lisboa, onde o informaram que nos Açores não havia escritores…moravam todos na capital.
Em resultado do seu interesse e do seu trabalho, foram editadas na Letónia a antologia de poesia açoriana «Azoru Salu» (em cuja selecção de autores colaborei) e ainda uma outra de Eduíno de Jesus, «Karalis Meness».
No final de Outubro de 2009, o Leons participou em Ponta Delgada no encontro «Escritas dispersas-Convergência de afectos», promovido pela Direcção Regional das Comunidades e que reuniu escritores açorianos e seus tradutores e editores. O poema «Ponta Delgada» é o eco dessa experiência.
Jose Manuel R Barroso, Conceição Mendonça and 14 others
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  • José Maria Aguiar Carreiro

    Notícia triste e inesperada. Leons Briedis é uma daquelas pessoas que irradiam uma boa energia.
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  • Elvira Gomes

    Obrigada pelo contributo que dá em prole da cultura.Eu não conhecia Leons Briedis e vê- se que é alguém muito completo que abarca várias vertentes.
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  • Fernando Martinho Guimarães

    Uma notícia triste.
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    • 27 m

Visão | A Guerra do Pacífico, 80 anos depois de Pearl Harbor, na VISÃO História

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No dia seguinte ao ataque a Pearl Harbor, os EUA entravam numa guerra que até esse momento apenas dizia respeito à Europa. Pouco depois, o conflito alastrava a Timor e deixava marcas em Macau. O mais recente número da revista VISÃO História é dedicado à II Guerra Mundial na Ásia Oriental e no Pacífico

Source: Visão | A Guerra do Pacífico, 80 anos depois de Pearl Harbor, na VISÃO História

Relatório aponta falhas à segurança informática do Hospital de Ponta Delgada – Açoriano Oriental

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O relatório da Microsoft ao ciberataque no Hospital de Ponta Delgada, São Miguel, aponta falhas à segurança do sistema informático daquela unidade do Serviço Regional de Saúde, como palavras-chave partilhadas e não encriptadas ou ausência de atualizações de proteção.

Source: Relatório aponta falhas à segurança informática do Hospital de Ponta Delgada – Açoriano Oriental