PORTUGAL FERROVIA PÉSSIMA PARA ESPANHA

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Portugal “extremamente mal” ligado a Espanha por comboio – Greenpeace
Bruxelas, 20 jul 2023 (Lusa) – Portugal está “extremamente mal conectado” a Espanha por comboio, com apenas uma ligação – Porto-Vigo – a ser feita duas vezes por dia, destaca a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace, num relatório hoje divulgado sobre viagens ferroviárias.
Através da ligação Porto-Vigo, no noroeste de Espanha, é possível chegar a Madrid, destacando a Greenpeace o facto de ser impossível viajar de comboio entre as capitais ibéricas no mesmo dia.
Em todo o caso, para chegar do Porto a Madrid – para além das mais de nove horas de viagem que demora a percorrer 420 quilómetros – é preciso fazer uma escala em Vigo.
Para além da ausência de ligação direta, a ONG destaca que a CP “não vende bilhetes com mais de dois meses de antecedência e os bilhetes para Espanha têm de ser comprados ao operador ferroviário espanhol”, o que desencoraja mais a opção pelo comboio.
Já por avião, há três operadoras de baixo custo com ligações diretas entre o Porto e a capital espanhola.
Em Portugal, a Greenpeace analisou as rotas Porto-Lisboa e Porto-Faro, comparando as opções entre o comboio e o avião, concluindo que só na primeira – e por falta de ligações em companhias aéreas de baixo custo -, o primeiro é mais barato do que o segundo e o trajeto leva um pouco menos de três horas.
Entre Lisboa e Porto, há viagens de comboio de hora em hora e os bilhetes custam entre 15,5 e 25,25 euros, enquanto o voo custa 37,46 euros.
Nesta rota, a opção pelo avião envolve a emissão de 57 quilos de gases de efeito de estufa por passageiro e, se for banida e substituída pelo comboio, representa um corte de 81% nas emissões, destaca a Greenpeace.
Na rota Porto-Faro, há três ligações aéreas diárias operadas por uma companhia de baixo custo, com preços entre os 19,21 e os 32,85 euros.
A CP, por seu lado, tem preços 70% mais altos e a viagem dura quase seis horas.
Segundo o estudo, as viagens de longo curso de comboio são, em média, duas vezes mais caras do que as dos aviões, com algumas rotas a custarem até 30 vezes mais do que um bilhete numa transportadora aérea de baixo custo.
A ONG denuncia que os caminhos-de-ferro estão a ser “minados” por condições de concorrência favoráveis às companhias aéreas.
Na maioria (79 em 112) das rotas analisadas pela Greenpeace na UE, os voos são mais baratos do que o comboio, sendo as viagens ferroviárias, em média, duas vezes mais caras do que as de avião, com o impacto climático global do voo a poder ser mais de 80 vezes pior do que o do comboio.
Das 23 que são mais baratas, apenas metade têm boas ligações, com as restantes a terem más ou lentas conexões por comboio.
A Greenpeace analisou ligações de comboio e de avião em 24 Estados-membros da União Europeia (UE), incluindo Portugal, bem como na Noruega, Suíça e Reino Unido.
IG // ZO
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ESCRITORES VS INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Caros escritores, guionistas, tradutores, jornalistas, académicos, etc… uma das melhores formas de combatermos a ameaça da Inteligência Artificial e a nossa obsolescência é enriquecermos o nosso vocabulário e aplicarmos a velha máxima de que “não há sinónimos”. Vós, mais dos que as máquinas, por muito inteligentes que sejam, conheceis a diferença entre barulho, rumor, alarido, clamor, balbúrdia e gritaria. A máquina vai escolher o que é mais comum ou mais “seguro”, mas vós sabeis que palavra serve melhor o texto. Usai regionalismos, arcaísmos, eufemismos, perífrases e todas as ferramentas da língua, dizei o que quereis dizer não pensando na eficiência e na facilidade mas sim na especificidade e na originalidade.
Haverá público para a IA e para autores humanos, assim como há quem coma McDonald’s e quem prefira a tasca da Dona Arminda ou o Belcanto.
Uma vez, um escritor muito conhecido disse-me que não escrevia nunca “um olmo” ou “um teixo” porque os leitores não sabiam que árvores eram e ficavam incomodados, escrevia simplesmente “uma árvore”. Pois é altura de regressarmos aos olmos e aos teixos, porque nenhuma árvore é só “uma árvore”, e cabe a quem escreve lembrar os leitores disso.
A língua é, e sempre foi, um campo de batalha e agora, mais do que nunca, cada vocábulo é trincheira.

Conheça a história de Akbal Pinheiro, líder do Reino do Pineal

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Adepto de teorias da conspiração e antigo chefe de cozinha de profissão, este é o líder do misterioso Reino de Pineal.

Source: Conheça a história de Akbal Pinheiro, líder do Reino do Pineal

artista açoriana deseja viver exclusivamente da Pintura na Região

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Sara Rocha Silva, artista açoriana que deseja viver exclusivamente da Pintura na Região
Correio dos Açores – Conte-nos um pouco dos seus percursos académico e profissional.
Sara Rocha Silva (Pintora) – Frequentei Artes na Escola Secundária Antero de Quental e após terminar o 12º ano fui para a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, onde estive em dois cursos diferentes. Primeiramente, escolhi o curso de Design de Comunicação, tendo em conta as saídas profissionais, mas não o concluí. Apesar de ser muito bom, não me identificava com o curso, pois não era tão intuitivo, para mim, quanto a Pintura. Depois, surgiu a oportunidade de ir para a licenciatura em Pintura, onde desenvolvi os meus trabalhos em diversas áreas. A nível curricular, tínhamos possibilidade de frequentar certas disciplinas optativas que envolviam outras áreas, tais como cerâmica, mosaico, gravura, vitral, o que foi muito enriquecedor. Quando terminei o curso, regressei a São Miguel. Entretanto, trabalhei no Museu Francisco Lacerda em São Jorge, estagiei no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas e trabalhei, ainda, em serviços educativos. Actualmente, trabalho na Azores in a Box do Centro de Artesanato e Design dos Açores, a dinamizar e a promover o artesanato e a cultura.
O regresso a São Miguel, após terminar o curso, correspondeu às suas expectativas?
Vim com uma ideia preconcebida de como iriam ser as coisas que acabou por não se concretizar. Constatei que não era tão fácil como pensava viver do mundo artístico.
Viver da arte nos Açores é difícil…
Penso que em Portugal, a nível geral. Embora não tenha tido experiência laboral no continente, o facto de ser um meio maior acarreta outras dificuldades. Recordo-me de ler entrevistas dadas à comunicação social de alguns artistas que partilhavam as dificuldades que sentiam. Por exemplo, torna-se difícil sustentar um ateliê, não só a nível material mas também de espaço. Não basta apenas ter os trabalhos nas galerias, depende igualmente da venda. Ou seja, o lado comercial acaba por ser importante, embora eu acredite que se o trabalho for feito com esse intuito acabe por ficar poluído. Se dermos muita relevância ao lado comercial e não fizermos as coisas com a alma, não há uma entrega total.
Além da Pintura, explora outras formas de expressão artística?
Na faculdade experimentei várias áreas, no entanto, agora, não tenho desenvolvido nada além da Pintura. O desenho faz sempre parte da Pintura, a nível de composição e a própria pincelada é gestual, pelo que o gesto também é um desenho e pressupõe movimento. Em 2019, com os Urban Sketchers veio a oportunidade de salientar ainda mais o carácter do desenho na minha pintura.
Além disso, os Urban Sketchers ajudaram a soltar-me e a explorar determinados materiais, pois são trabalhos feitos através da observação no local. Na altura, sentia-me um pouco presa, a nível gráfico ou expressivo, por ter trabalhado muito em volta da fotografia, mas também a nível emocional, tendo em conta as experiências que estava a vivenciar, que me conduziram a um certo aprisionamento. Estava com dificuldades em soltar-me. Quando desenhamos no local estamos, sobretudo, a absorver informação e a captar o que está diante dos nossos olhos, e foi isso que fiz na minha pintura. Não estava à procura da perfeição ou de alcançar o sublime. Os Urban Sketchers vieram influenciar muito o meu trabalho nessa perspectiva.
Em que se inspira para criar os seus quadros?
Para mim, a Pintura sempre foi um diário. Apesar de ter várias inspirações e de eu investigar sobre algumas temáticas, há um lado muito pessoal nos meus trabalhos.
De facto, tenho várias influências e referências. Acredito que o que fazemos é sempre um reflexo de muita coisa, como os nossos humores, a nossa educação e o que acabamos por absorver de tudo o que vivemos. No fundo, tudo o que nos envolve transforma-nos e a nossa própria personalidade é fruto disso. Os nossos comportamentos e reacções provém de um passado e de um futuro, porque criamos perspectivas e temos certos medos. Ou seja, é um conjunto de emoções e de pensamentos que oscilam com o tempo. Os meus trabalhos partem precisamente dessa ligação entre passado, presente e futuro. (…) Tenho muitos trabalhos com referências da mitologia grega e a ideia de janela também está muito presente no meu trabalho. Tenho, ainda, referências de David Hockney, na medida em que, por vezes, ele usa muitas fotografias, um género de cubismo, para tornar a representação mais real e eu já recorri a isso em trabalhos meus também. Gosto muito, entre outros, de Peter Doyle e de um pintor do Pico, que se chama Gabriel Garcia. Tenho imensas inspirações.
Sendo uma artista com um vínculo especial com os Açores, como a cultura local influencia a sua arte?
Tudo o que nos envolve acaba por ter um espaço no que fazemos. É o tal reflexo resultante da absorção. Alguns dos meus trabalhos partem directamente de locais das ilhas dos Açores. Quando os faço, a ligação à ilha está sempre presente. Apesar de toda a facilidade existente actualmente, a nível de transportes, com a globalização, o facto de vivermos numa ilha, confere aos ilhéus uma certa insularidade, e isso acaba por influenciar o meu trabalho. Fiz também uns postais, mais virados para a ilustração, que eram as lapinhas e aí a ligação aos Açores é notória.
Já realizou várias exposições, tendo inclusive recebido duas menções honrosas. Como encarou esses reconhecimentos?
Participei três vezes no concurso JOV’ARTE Bienal, sendo que recebi duas menções honrosas, em 2015 e em 2017. Senti-me valorizada e deu-me mais motivação para continuar. É um reconhecimento que é feito ao nosso trabalho. Apesar de ainda não ter feito muitas exposições individuais, nos meses de Novembro e Dezembro, vou fazer uma exposição individual na Casa da Cultura Carlos César, na Lagoa.
Qual é o maior desafio ao pintar o retrato de alguém?
Ser o mais fotorrealista possível. Na verdade, muitas vezes não conhecemos as pessoas e torna-se muito mais difícil captar a sua essência porque não temos uma imagem. No processo, chegamos a um ponto da pintura em que reconhecemos o que estamos a pintar. Por exemplo, quando faço retratos para famílias, por saber que é importante para eles, sinto uma pressão extra. No entanto, normalmente, o resultado final é muito bom por causa das reacções que surgem.
Que feedback recebe?
Geralmente o feedback é positivo, embora já tenha tido reacções menos boas. Mas costumo dizer que agradar a todos também não é bom sinal. Temos que ser confiantes, acreditar em nós e continuar com o nosso trabalho.
O que gostaria ainda de alcançar na sua carreira?
Quando estava na faculdade, ambicionava ser reconhecida e alcançar grandes voos. Não queria ter fama ou ser reconhecida na rua, mas gostava que o meu trabalho se elevasse e se equiparasse a grandes nomes artísticos. Hoje em dia tenho uma perspectiva diferente. É muito importante para mim que as pessoas se relacionem com o meu trabalho, e que este provoque e desperte emoções. Desejo continuar sempre a trabalhar como pintora e ver o meu trabalho a evoluir. Sei que é difícil viver exclusivamente da Pintura. Esta é uma luta que venho a combater e que levei algum tempo a assimilar. Não me importo de trabalhar noutras áreas, se isso me permitir continuar a fazer o que gosto.
Carlota Pimentel
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Paula Margarida Ávila

Parabéns e muito sucesso. Beijinhos
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JÁ SE PODE COMER O PAPA

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Na Avenida Duque de Loulé, do 113 ao 119, em Lisboa, já é possível comer o Papa. Ou seja, trincar bolachas com o rosto de Sua Santidade.

 

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MORREU TONY BENNETT

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MORREU TONY BENNETT
Morreu Tony Bennett. Cantor tinha 96 anos
O cantor norte-americano sofria da doença de Alzheimer, diagnosticada em 2016.
DN/AFP/Lusa
21 Julho 2023
Morreu esta sexta-feira, em Nova Iorque, o cantor Tony Bennett, aos 96 anos, avança a Associated Press. O norte-americano sofria da doença de Alzheimer, diagnosticada em 2016.
Anthony Dominick Benedetto nasceu a 3 de agosto, de 1926, em Nova Iorque, e tornou-se numa referência do grande cancioneiro americano, mas também do jazz. A notícia da sua morte foi confirmada pela agente Sylvia Weiner.
Tony Bennett ficou famoso no início dos anos 1950 com sucessos como Because of you, tendo relançado a sua carreira a partir de meados dos anos 1990, com duetos com figuras ‘pop’, destacando-se mais recentemente duetos com Amy Winehouse e Lady Gaga.
A par de Sinatra, Perry Como e Dean Martin, Tony Bennett é apontado com um dos mais importantes cantores norte-americanos de origem italiana, que dominaram o panorama musical norte-americano durante décadas.
Com uma carreira de mais de sete décadas, Tony Bennett interpretou os clássicos norte-americanos e temas como I Left My Heart In San Francisco – que lhe deu dois dos 18 Grammy Awards, dos quais um de carreira, em 2011 -, entre outros sucessos, incluindo Rags to Riches, Stranger in Paradise.
Foi em 1956, com 20 anos, que lançou o seu primeiro álbum, tendo vendido desde então milhões de discos.
Num percurso com mais de 70 álbuns, Bennett lançou três com duetos de sucesso, num deles cantou com Amy Winehouse naquela que viria a ser a última gravação da cantora antes de morrer em 2011, aos 27 anos.
Comemorou o 90º aniversário com um espetáculo repleto de estrelas no Radio City Music Hall de Nova Iorque, que foi transformado num especial de televisão e álbum. O título foi tirado de uma canção popularizada por Bennett: The Best Is Yet to Come.
Na última década, Bennett viajou pelos Estados Unidos e pela Europa, terminando a digressão em Nova Jersey, a 11 de março de 2020, devido à pandemia de covid-19.
O cantor atuou algumas vezes em Portugal, as últimas das quais em 2003, nos casinos do Estoril e da Póvoa de Varzim. Há também registo de concertos de Tony Bennet em Portugal em 1988 e em 1998.
A última aparição pública de Tony Bennett aconteceu em agosto de 2021, no espetáculo com Lady Gaga One Last Time, no Radio Music City Hall, em Nova Iorque, dois meses antes da edição do segundo álbum que gravou com a cantora, Love for Sale, que seria o último da sua carreira.
Tony Bennett passou também pela Sétima Arte, tendo-se estreado no cinema em 1966 no filme “Sucesso sem escrúpulos”, de Russell Rouse. Mais tarde voltou ao cinema, mas a fazer de si próprio, em filmes como Uma questão de nervos” de Harold Ramis, e Bruce, o todo poderoso, de Tom Shadyac.
Aos 64 anos, foi transformado num desenho animado da série The Simpsons e, aos 82, teve uma participação na série A vedeta, da HBO.
Entre os parcerias que destacou na sua carreira, está o encontro com o pianista de jazz Bill Evans (1929-1980), que resultou em algumas sessões ao vivo e nos discos The Tony Bennett Bill Evans Album, de 1975, e Together Again, de 1977, nos quais interpretaram clássicos em duo como Some Other Time, de Leonard Bernstein, Betty Comden e Adolph Green, Waltz for Debby, do próprio Bill Evans com Gene Lees, e Days of Wine and Roses, de Henry Mancini e Johnny Mercer.
Em 2017, numa entrevista à revista digital JazzWax, de Marc Myers, Tony Bennett lembrou a parceria e o modo como o trabalho com Bill Evans o marcou. Recordou então um diálogo com o pianista, antes de um concerto, quando este lhe disse “apenas interessava seguir a verdade e a beleza” da música e “ficar por aí”.
“Segui o conselho de Bill [Evans] e pensei nas suas palavras durante todo o concerto. Ainda hoje penso no que ele me disse naquela noite, antes de seguir em frente.”
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Ribeira Grande nos Açores quer trilho dos Fenais de Vera Cruz como geossítio da UNESCO

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Ribeira Grande nos Açores quer trilho dos Fenais de Vera Cruz como geossítio da UNESCO
Ribeira Grande, Açores, 20 jul 2023 (Lusa) – A Câmara da Ribeira Grande, nos Açores, vai candidatar o trilho dos Fenais de Vera Cruz, na freguesia dos Fenais da Ajuda, a geossítio da UNESCO, devido ao “interesse geológico” do local, anunciou hoje a autarquia.
Em comunicado, o presidente do município localizado na costa norte da ilha de São Miguel defendeu que aquele trilho deve ser “referenciado internacionalmente, através da rede mundial de geoparques”.
“A possibilidade de haver um reconhecimento da UNESCO, através da rede de geoparques, será um impulso muito positivo para atrair ainda mais entusiastas deste tipo de atividade”, afirmou Alexandre Gaudêncio, citado em nota de imprensa.
A posição da autarquia é conhecida após os inspetores da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) terem estado no trilho dos Fenais de Vera Cruz, onde “viram o potencial de alguns fenómenos geológicos que se podem observar” no local.
O trilho localizado na freguesia dos Fenais da Ajuda foi inaugurado há sete meses.
Para Alexandre Gaudêncio (PSD), a valorização dos trilhos é uma “forma de atrair novos públicos que acabam por dinamizar a economia local”.
“Desde que começámos a criar a rede municipal de trilhos, em 2015, temos constatado um aumento no fluxo de turistas no concelho, e que impacta diretamente no dia-a-dia das nossas comunidades”, assinalou.
Segundo a autarquia, os resultados dos novos geossítios vão ser anunciados em abril de 2024.
De acordo com o portal Geoparque Açores, nas várias ilhas e no espaço marítimo do arquipélago existem 121 zonas classificadas como geossítios.
RPYP // MLS
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Artesã observa que os estrangeiros são os que dão mais valor ao artesanato açoriano

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Artesã observa que os estrangeiros são os que dão mais valor ao artesanato açoriano
Artesanato em bambu, coco e macramé de jovem da Ribeira Grande tem conquistado várias idades e nacionalidades
Milene Melo tem 20 anos e é natural da Conceição, freguesia da Ribeira Grande. Descobriu recentemente uma paixão pelo artesanato, mais concretamente pelo macramé, pelos trabalhos em bambu e coco, e ainda em gesso e cimento. Este gosto surgiu numa fase mais atribulada da sua vida, conta, quando teve de terminar algumas disciplinas na escola secundária. Sem motivação para estudar e tirar a carta de condução, começou a ficar “desesperada.” Aqui surgiu o artesanato, que veio trazer um sentido e um ânimo ao seu dia-a-dia. A escolha do nome do projecto deveu-se ao facto de se tratar de artigos “bastante sustentáveis”, explica a jovem, que utiliza maioritariamente materiais naturais, evitando o plástico.
“No ano passado senti-me tão angustiada pelo facto de os meus colegas irem para a universidade e tirarem a carta de condução e eu sentia-me completamente estagnada. Então comecei a fazer macramé. Surgiu assim. Ainda tenho um suporte de vaso, que foi a primeira peça que fiz. Comprei fio barbante e fiz um suporte de vaso, comecei a aperfeiçoar os nós, comecei o nó duplo e o nó espiral. Não me saiu bem, mas fui tentando.” Aprendeu sozinha, a ver vídeos e a experimentar para ver até onde era capaz, aprendendo com os erros. Agora, tem a técnica e a perspicácia como se já fizesse macramé há tanto tempo: “Agora tenho capacidade de olhar para uma peça e de perceber como se faz sem ter de ver um vídeo. Logo de manhã é a melhor altura para fazer macramé, com a mente fresca. Normalmente faço descalça, a ouvir aquelas músicas descontraídas. De manhã é que surgem as melhores peças”, conta Milene, sobre o processo criativo no macramé.
Das linhas de algodão natural surgem as malas, um dos artigos mais procurados da “Honest Green Art”, e ainda painéis decorativos, marcadores de livros, porta-chaves, suportes de vasos, bases de copos e de pratos, painéis, carteiras, cintos, pulseiras. “Imensa coisa. O macramé permite fazer muitas coisas,” sendo apenas necessária criatividade, os materiais e as mãos.
Surgiu entretanto outra matéria-prima: a casca de coco. A artesã começou a usar o coco após ter lido sobre os seus benefícios para a saúde e ter integrado o fruto na sua alimentação: “Cortei-o com uma serra tico-tico, porque não sabia como haveria de cortar aquilo. Depois percebi que a casca era bem dura. Comi o fruto e aproveitei a casca. Comecei por lixar a parte de dentro e de fora. Achei muito engraçado ter a forma de tigela. Gostava de coco e pensei em continuar a comprar e reaproveitar a casca, porque dá para fazer várias coisas, basta ter imaginação. Faço tigelas, vasos, copos, saboneteiras”, peças resistentes e sustentáveis.
Depois, surgiu a ideia de aproveitar o bambu, que a jovem artesã encontrava quando explorava os trilhos e a natureza mais desconhecida de São Miguel: “Sempre gostei muito de peças em bambu. Tenho um tio que é carpinteiro e tem uma carpintaria, e essa paixão já vem de família. Aprecio bastante os trabalhos em madeira. Gosto muito de fazer trilhos, inclusive nesse ano comecei a ter uma panca com lagoas e fui à procura dessas lagoas todas, nomeadamente a Lagoa dos Lourais e a Lagoa da Prata, que são tão desconhecidas, mas tão lindas,” lembra Milena Melo sobre esta descoberta.
Sobre o processo de colectar, tratar e utilizar este material natural, Milene explica que “facto de eu conhecer muitos trilhos também me permitiu ver onde havia bambus. Então retiro e aproveito o bambu dessas áreas selvagens. Comecei a cortar o bambu e a levar comigo. A madeira é molhada, e fica ainda mais pesada para levar. Para partir também não é fácil. Chego a casa, deixo secar durante duas semanas, para certificar que fica mesmo seco. Depois começo a trabalhar: aqueço a água a alta temperatura, coloco bicarbonato de sódio e vinagre de maçã, que fazem uma reação à madeira para limpar bem. Depois deixo secar por mais uma semana e meia, e começo a lixar, fazer os cortes.” Do bambu nascem vários objectos úteis, como copos, tigelas, cinzeiros e tudo o que a imaginação alcançar. Para trabalhar o bambu e o coco, materiais muito resistentes, a artesã utiliza as máquinas na carpintaria do seu tio: “Desenrasco-me bem.” Com trabalhos também em gesso e cimento, Milene faz também bases de copos e bijuteria e esculturas básicas.
“Honest Green Art” cativa várias
idades e nacionalidades
A sua participação na Feira Quinhentista foi a primeira vez que mostrou publicamente o seu artesanato. Os primeiros passos foram de insegurança, por não saber se as pessoas gostariam dos seus artigos: “Não divulgava muito, até porque tinha um bocado de receio para divulgar as minhas peças aos outros. Era insegurança, inclusive quando fui para a feira tinha esse sentimento. Mas depois de ouvir tanto feedback positivo, acho que já me libertei um bocado disso. Ainda tenho muito que aprender,” sente. A sua participação despertou também um convite para vender os seus artigos num hotel em Ponta Delgada.
No evento, que juntou ainda bancas de outros artesãos, a “Honest Green Art” interessou muita gente, especialmente os estrangeiros, nomeadamente do Canadá, Estados unidos, Brasil, e Itália, o que surpreendeu Milene: “Os estrangeiros apreciam muito. Para além de apreciarem muito o calçado português, apreciam muito o artesanato de cá. Principalmente jovens. Tive essa percepção. Muitas meninas estrangeiras iam à minha barraca e ficavam deslumbradas, a apreciar as minhas peças. Normalmente quem gosta mais das minhas peças são pessoas entre os 30 aos 40 anos. E fiquei estupefacta como crianças tão novas apreciam artesanato. Até apreciavam coisas simples que eu na idade delas não sabia o que era. Os estrangeiros adoram tudo cá: o mar, o sol, as praias…” e ainda, tudo indica, o artesanato. Pela experiência da jovem artesã, os locais apreciam em certa medida as peças artesanais, mas “noto que as pessoas de fora apreciam mais” e não se importam de pagar um preço justo pelo trabalho e investimento que os artigos acarretaram, explica.
As malas em macramé foram as mais famosas na feira: “As pessoas adoram malas. Nesse aspecto não fui bem preparada. Levei seis ou sete malas e vendi tudo. São peças diferentes e todas personalizadas. Também vendi muitos painéis e cinzeiros de bambu.”
“Adoro aquilo que faço. Nunca vou deixar de parte os meus trabalhos manuais”
Prestes a ingressar no ensino superior, apesar de dividida entre optar pelo curso de Relações Pública e Comunicação ou História, a ribeiragrandense vai fazer por conciliar os estudos, o part-time e o artesanato. “Adoro aquilo que faço. Nunca vou deixar de parte os meus trabalhos manuais. Sinto que é cada vez mais uma terapia para mim. Até porque começou mesmo como terapia, numa altura em que eu não estava nada bem.
No futuro, Milene Melo quer fazer workshops de macramé e partilhar os seus conhecimentos: “Mas tem de ser uma cosia muito bem estudada. Algumas pessoas perguntavam-me se já tinha dado workshops ou se estava a dar, por isso é uma ideia que está a piscar na minha cabeça.”
Para já, os artigos da “Honest Green Art” podem ser encontrados na sua página de Instagram. Milene Melo revela que, possivelmente, venderá no Azoris Garden Hotel, e pretende igualmente ter os seus artigos no Chá da Gorreana e na loja Mulher do Capote.
Mariana Rovoredo
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a PATACA DE MACAU

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The Internet asked ‘What is Macau’s currency?’ and we answered.
The Macanese pataca has faced a long, uphill battle for acceptance in its hometown.
Welcome to the curious world of Macau’s unloved currency.
In its varying forms, it’s a question that many travellers have frantically Googled just before the ferry pulls up at the Outer Harbour terminal: “What money do they use in Macau?”
It’s inevitably followed by: “Can I use Hong Kong dollars?”
In fact, Macau has had its own currency, the Macanese pataca, for more than a century.
The Portuguese administration initiated it.
After Macau’s 1999 return to China, its new administrators kept it on.
There are many laws supporting it.
So, why isn’t the pataca better known?
In truth, it’s always been an underdog. Up until the early 20th century, Macau’s bustling markets were a currency free-for-all.
You could pay in Hong Kong dollars (first minted in 1863), Portuguese real, or Straits Settlements dollars – and perhaps receive change in qian.
Those are the Chinese copper coins with holes in their middle.
Shoe-shaped ingots cast in silver or gold, called sycee, also circulated.
As did the fabled ‘pieces of eight’.
Pieces of eight are considered the first de facto global currency.
Minted by the Spanish Empire, these coins were ubiquitous throughout Europe, North and South America, and East Asia by the 16th century – and highly prized by pirates.
Robert Louis Stevenson immortalised their swashbuckling association in his 1883 novel, Treasure Island, by having Long John Silver’s parrot squawk “pieces of eight!” as its catchphrase.
The coins’ strange moniker was a reference to how they got used: you could cut one into eighths to make small change.
Its official name, in English, was the Spanish American silver dollar (pieces of eights primarily hailed from what is now Mexico).
In a vague way, pieces of eight were precursors to the Macanese pataca.
Macau’s Portuguese administrators called it pataca mexicana.
The new pataca came to town in 1906.
Portugal had decided it was time to give Macau its own currency.
The resulting banknotes, issued by Banco Nacional Ultramarino (BNU) and printed in London, were of such poor quality that locals refused to use them.
In response, officials decreed the Macanese pataca to be the territory’s sole legal tender.
They wanted one currency in circulation, to simplify financial reporting.
Alas, it made no difference.
Macau people couldn’t believe that this shoddy paper money could possibly hold the same value as silver or gold, and continued using a medley of foreign options to pay for their day-to-day needs.
A 1914 report from BNU’s Macau manager noted that even civil servants rushed off to exchange their paper pataca salaries for coins, at shockingly low exchange rates.
Somewhat embarrassingly, another paper alternative also appeared around this time – and proved much more popular.
This was in the form of deposit certificates used by private Chinese banks, known as pangtan.
Unlike pataca, pangtan could be swapped on demand for real silver.
They were used like banknotes in Macau up until 1944, when the territory’s authorities banned them.
However, this is not a happily-ever-after story for the pataca.
World War II was still being fought in 1944 and while Macau, as a Portuguese territory, remained neutral, it couldn’t help but be affected by the widespread geopolitical turmoil.
The British blockade of Japanese-occupied areas decimated trade, for instance.
That led to a foreign currency shortage, making it difficult for Macau to pay for imports.
The war also interrupted incoming shipments of freshly printed patacas from Europe.
So began a brief new chapter where, instead of patacas (or pangtan or Hong Kong dollars), Macau people used so-called ‘emergency money’ devised by officials as a stop-gap.
Thwarting fraud was at the forefront of officials’ minds during this endeavour.
Each note had to feature the hand-written signature of Carlos Eugénio de Vasconcelos, BNU Macau’s then-manager (Vasconcelos later said he signed up to 5,000 notes a day).
Printing staff were made to eat and sleep at their place of work, watched over by Portuguese soldiers.
Banknotes have long been printed using engraved metal plates, giving paper money its distinctive texture – an anti-forgery measure.
As these specialised plates were not available in wartime Macau, a local company used two 35 kg blocks of limestone to print the substitute notes instead.
When the limestone blocks were not being used, they too got guarded at gunpoint.
Emergency money was phased out by 1947, when Macau’s stock of real banknotes was fully replenished.
A few years later, in 1952, the first Macanese pataca coins entered circulation.
Minting first happened in Lisbon, Portugal, before shifting to Macau in the 1980s.
But the territory’s legal tender still struggled.
While Macau wasn’t the currency free-for-all of a century ago, people simply preferred using neighbouring Hong Kong’s dollars.
This likely came down to the latter’s clout in international financial markets, as well as the fact Hong Kong is many times the size of Macau.
Finally, in the mid-1990s, a compromise was reached.
A new law banned local retailers from refusing patacas – while tacitly acknowledging the Hong Kong dollar’s dominance in the market.
Today, Hong Kong dollars outnumber patacas in Macau (though the currencies are accepted equally).
Their fixed exchange rate is 1.03 patacas to 1 Hong Kong dollar. Chinese yuan also circulates fairly freely.
Pataca banknotes are still issued by the BNU, but also by the Bank of China.
This dual-system was introduced a few years before Macau’s return to China.
So yes, you can use Hong Kong dollars here.
But try getting your hands on a few patacas – at least as a souvenir.
It is also emblematic of Macau’s unique culture.
Pataca banknotes feature both the Portuguese and Chinese languages, for instance.
And each time a new series is released, imagery depicting beloved local landmarks is updated.
The centuries-old A-Ma temple – where ‘hell money’ is burned as offerings to ancestors – is a firm favourite.
This feels appropriate given the countless generations of people who have passed through the temple’s doors, currencies galore in their pockets.
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SANTA MARIA DOS AÇORES DISCRIMINADA MAIS UMA VEZ

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Pode ser uma imagem de barco e texto

Não ficamos só a ver navios, ficamos a ver o futuro passar ao largo.
A atual politica de mobilidade marítima, retira aos marienses o direito à igualdade de acesso a bens e serviços, à coesão económica e ao desenvolvimento sustentável.
Artigo de opinião publicado na edição n.º 71 de o Jornal “O Baluarte de Santa Maria”.
«No início de abril deste ano, a propósito do anúncio do investimento de 25 milhões de euros na aquisição de dois navios elétricos para transporte de passageiros e viaturas entre as ilhas do triângulo, ficamos a conhecer a intenção do governo regional de dispensar um dos ferries, que atualmente opera nessas rotas, para a ligação marítima entre São Miguel e Santa Maria.
Este anúncio destituído de fundamentação técnica e financeira, é, apenas e só, mais uma das muitas incongruências do governo de coligação PSD/CDS/PPM nesta matéria.
O transporte marítimo de bens, passageiros e viaturas é imprescindível ao desenvolvimento da ilha de Santa Maria, mas não só de Santa Maria. Num território assimétrico e descontinuo, como são os Açores, a mobilidade marítima é fundamental para a coesão económica e social entre ilhas e populações. A sua importância não se coaduna com a forma como o governo trata este assunto, penalizando os marienses.
Se não, vejamos.
Com o fim das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, era esperada a retoma da operação sazonal, que entre os meses de maio e setembro ligava todas as ilhas dos Açores (com a exceção do Corvo), contudo o governo de coligação PSD/CDS/PPM defraudou essa expetativa, quando, no início agosto de 2021, declarou que a operação seria definitivamente abandonada. Na ocasião, o então Secretário Regional dos Transportes, Turismo e Energia, Mário Mota Borges, justificou a medida com o elevado prejuízo da operação, entre “9 e 10 milhões de euros” por ano, segundo o próprio.
Passado poucos meses, em março de 2022, o mesmo secretário afirmou “Está previsto no plano para 2022 uma verba significativa para a construção do navio. Não sei se será iniciada este ano ou não, mas o estudo da solução relativamente ao navio, não relativamente à operação, pretendemos tê-lo concluída até ao final do terceiro trimestre deste ano”. Segundo o governante, o objetivo era construir um navio com capacidade para assegurar as ligações mais distantes da operação sazonal e que possa “ser incorporado na frota da Atlânticoline no restante período do ano, pelo que terá de ser capaz de operar no porto da Madalena do Pico” (AO 23 de março de 2022).
No mês seguinte, a 29 de abril, na remodelação do governo, saiu Mota Borges e entrou Berta Cabral. No início de maio, a nova Secretária, agora do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, revelou que o governo deixara cair o projeto de construção de um navio de transporte de passageiros, anunciado pelo seu antecessor dois meses antes. “Quanto ao navio de passageiros, já deixámos cair o projeto. Entendemos que o Governo Regional não deve ser armador. Além do mais, os fundos comunitários não comparticipam. Apenas o fariam se fosse elétrico [o navio] mas os elétricos não permitem navegar nos nossos mares” afirmou em declarações ao Açoriano Oriental de de 11 de maio de 2022.
Em pleno mês de agosto, Berta Cabral, em declarações à RTP-A, enaltece a Tarifa Açores e o reforço do número de voos entre São Miguel e Santa Maria, atribuindo a dificuldade em obter passagens aéreas entre as duas ilhas, à excessiva concentração de eventos em Santa Maria em época alta.
Em pouco mais de meio ano, o executivo volta a mudar de opinião. Em abril deste ano, o secretário regional, Duarte Freitas, anuncia que “a empresa Atlânticoline vai contar na sua frota com dois navios elétricos, orçados em 25 milhões de euros” e acrescentou ainda que vai haver “uma aposta inovadora em dois barcos elétricos para operarem nas ilhas do triângulo (Faial, Pico e São Jorge), libertando os atuais para novas rotas, como por exemplo a rota Ponta Delgada-Vila do Porto” (Diário dos Açores 5 de abril de 2023).
As Finanças de Duarte Freitas contrariam a Mobilidade de Berta Cabral. O Governo afinal deve ser armador, os nossos mares já permitem a navegação de navios elétricos e o transporte marítimo de passageiros e viaturas entre Santa Maria e São Miguel volta a ser necessário e útil.
Confuso? Bastante.
Haverá quem diga que “tudo está bem, quando acaba bem”, mas eu, ao invés, digo “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.
A medida agora anunciada para Santa Maria não é uma solução é uma ilusão. Sem argumentação técnica e financeira, são mais as dúvidas do que as certezas sobre a sua viabilidade. São muitas as perguntas que ficaram por responder.
A primeira delas é se os navios que parecem sobejar (creio que não sobejam, mas voltarei a isso adiante), “Mestre Jaime Feijó” e ou “Gilberto Mariano”, asseguram uma solução adequada e eficiente para a ligação marítima entre Santa Maria e São Miguel? O primeiro navio tem capacidade para 333 passageiros e 15 viaturas, o segundo 296 passageiros e 12 viaturas. Nenhum dos navios permite o transporte de carga rodada (roll in/rol off) e ambos têm uma capacidade muito reduzida de transporte de viaturas. Se esta solução viesse a ser implementada condicionaria o futuro da ilha de Santa Maria por largos anos.
Haverá quem não concorde. Ainda assim, existem outras perguntas a colocar. Quando terá início a operação marítima entre Santa Maria e São Miguel? Partindo do pressuposto que os estaleiros de construção naval teriam disponibilidade de aceitar uma encomenda de dois navios a qualquer momento, o tempo de construção nunca será inferior a dois anos. Ao que se soma a fase de projeto, que poderá ser bastante prolongada, caso o Governo Regional queira definir requisitos muito específicos em vez de optar por projetos já existentes. Santa Maria e os marienses podem esperar mais cinco anos? Na minha opinião, não podemos.
Haverá quem defenda o contrário. Mesmo assim, impõem-se outras perguntas. Uma questão essencial é saber se a entrada em funcionamento de dois navios elétricos permitirá libertar um ferry convencional para a operação no Grupo Oriental? Não existem navios elétricos que possam garantir a operação do “Mestre Jaime Feijó” ou “Gilberto Mariano” tal como é assegurada atualmente, pelo que considero muito difícil que estes navios deixem de operar no grupo central.
Tomemos como exemplo o “E-Ferry Ellen”, um dos mais modernos ferries elétricos em operação na Europa. A sua construção resultou de um projeto de investigação, financiado pela União Europeia, com o objetivo de conceber um navio 100% elétrico para longas distâncias. Com 59 metros de comprimento, 8 pés de calado, capacidade máxima de 196 passageiros e 36 viaturas e uma autonomia declarada de 22 milhas náuticas (NM), representou um investimento 21,3 milhões de euros na fase de protótipo, enquanto a produção teve um custo estimado de 16,3 milhões de euros.
Atendamos à autonomia, 22 NM. Um navio com estas características, apenas garante a ligação de ida e volta, entre a Horta e a Madalena, sem carregamento intermédio, todas as outras rotas obrigam a carregamento no porto de chegada. A autonomia teórica de 22NM, dada as condições de mar nos Açores, será na prática e frequentemente reduzida. Pondo em causa a ligação entre a Horta e São Roque do Pico (15NM) e subsequentemente com as Velas, uma vez que a escala exige carregamento no Pico. O “E-Ferry Ellen” não obstante ter sido concebido para longas distâncias, não conseguiria assegurar de modo eficiente a operação entre os portos do triângulo, sendo que as ligações à Graciosa e à Terceira seriam de todo impossíveis, pois estas rotas exigem mais do dobro da autonomia.
Nestas circunstâncias o “Mestre Jaime Feijó” e ou “Gilberto Mariano” poderão ser libertados para o transporte de passageiros entre Santa Maria e São Miguel? Certamente que não.
Atualmente não existem navios 100% elétricos que possam assegurar todas as ligações do Grupo Central. Mesmo que no futuro próximo as evoluções tecnológicas viessem a permitir ganhos substanciais de autonomia, isso implicaria maior capacidade de armazenamento a bordo (baterias) e pontos de carregamento mais rápidos em terra, o que encarecerá, significativamente, o projeto.
O orçamento de 25M€, anunciado pelo Secretário das Finanças, é outra incongruência. Sem argumentação técnica e financeira é muito difícil conceber que 25M€ sejam suficientes para a construção de dois navios adequados à operação pretendida. E se com a entrada em operação de dois navios elétricos já seria muito improvável sobejar um ferry convencional para ligar Santa Maria e São Miguel, com apenas um navio elétrico, não voltaremos a ter navios por cá.
Desde abril que não se voltou a falar de transporte marítimo de passageiros e viaturas.
Enquanto isso o futuro de Santa Maria e dos marienses fica comprometido na ilusão dos navios que virão.
Mais do que anúncios vagos exigem-se respostas concretas e fundamentadas. Impõe-se o respeito pelo direito dos marienses à igualdade de acesso a bens e serviços, à coesão económica e ao desenvolvimento sustentável.
Se esta política de garrote não cessar, e rapidamente, mais do que ficarmos a ver navios, ficaremos, irremediavelmente, a ver o futuro passar ao largo.»
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Aureliano Cabral

Não é vergonha. Só o é para quem a tem.
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  • 16 h
Sergio Cabral

Que tristeza!
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  • 11 h