Arquipélago de Escritores.

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O primeiro episódio do Arquipélago de Escritores. Traz, além de uma grata alusão a Helena Chrystello, pessoa que deu um destaque maior às literaturas dos Açores, uma conversa com uma importante romancista contemporânea, Leïla Slimani, ocorrida aquando de uma residência literária realizada em São Miguel, Açores.

Catarina Valadão Flatulência: o passageiro não identificado

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Flatulência: o passageiro não identificado
Viajar de avião é a prova moderna de que o ser humano está disposto a sofrer muito só para dizer que foi “uns dias lá fora”. Tudo começa no aeroporto, esse purgatório luminoso onde toda a gente anda com ar importante apesar de não saber para onde vai. Mas o verdadeiro drama não é o embarque, nem o controlo de segurança onde somos obrigados a despir-nos com a elegância de um chouriço a ser desembalado. O drama, meus caros, começa quando a porta do avião se fecha e percebemos que estamos presos dentro de uma lata voadora com estranhos – alguns dos quais carregam perigos intensos que não constam nos manuais de segurança.
Refiro-me, claro, à flatulência aérea. Uma entidade sombria, cobarde, estrategicamente programada para atacar a 30 mil pés, quando ninguém pode fugir e o ar é reciclado com a parcimónia de quem está a pagar ventoinhas à peça. Há todo um ecossistema digestivo que desperta no momento exacto em que o avião levanta voo. Deve ser a pressão atmosférica, ou a consciência de que já não há escapatória possível. Segundo a sabedoria popular, a gravidade deixa de funcionar, mas os gases, esses, continuam a descer.
Há sempre um passageiro que decide inaugurar a viagem com uma obra olfativa que faria um cão de busca desmaiar e depois há aquele silêncio cúmplice: todos farejam, todos percebem, mas ninguém (se) acusa. Somos uma sociedade evoluída até certo ponto, e esse ponto é exactamente o momento em que o ar fica irrespirável.
Como se isto não bastasse, entra também em cena a turbulência. Esse fenómeno climático que transforma adultos confiantes em crianças agarradas ao braço da cadeira como se fosse flutuador de piscina. A turbulência é democrática: abana pobres e ricos, experientes e marinheiros de primeira viagem, ateus e religiosos de ocasião. A única diferença é que uns disfarçam o frio na barriga melhor do que outros.
Há quem tente manter a dignidade lendo uma revista enquanto o avião treme como se estivesse a atravessar uma estrada esburacada nas alturas. Outros apertam o cinto com tanta força que parece que estão a competir para ver quem deixa marca permanente na anca. E depois há os fatalistas profissionais que concluem ao primeiro abano “é hoje”. É sempre “hoje”.
Entretanto, os assistentes de bordo caminham no corredor como bailarinos treinados para ignorar as leis da física. O avião sacode como um cocktail mal misturado e eles lá vão, impassíveis, a servir café, chá e laranjada – uma espécie de roleta russa líquida. A chávena abana, o passageiro treme, e toda a gente faz aquela careta típica: a expressão universal de quem está aterrorizado.
Somem-se a isto as crianças que descobrem, naquele exacto voo, o poder da sua corda vocal; o vizinho do lado que decide descalçar-se; o outro que dorme, ressona e baba; o que abre comida com cheiro nuclear; e temos uma sintonia perfeita de desconforto aéreo.
E depois o avião aterra. Milagre ou engenharia, ninguém sabe exactamente. O público bate palmas (porque somos assim… estranhos), o cheiro dissipa-se, as pernas tremem menos e, por um instante, todos se sentem sobreviventes de uma experiência épica.
Curiosamente, passado dois dias, já estamos a marcar outro voo, porque somos humanos: sofremos, queixamo-nos, juramos “nunca mais”, mas voltamos sempre, como quem tem uma necessidade inexplicável de sofrer outra vez.
Daqui a dois dias há mais…
Catarina Valadão
Algures no meio do oceano Atlântico

At least 36 dead as fire rips through Hong Kong tower blocks | CNN

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At least 36 people have been killed after fire spread across multiple high-rise apartment buildings in a Hong Kong housing complex. Follow for live updates

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Subiu o nível de alerta no sistema vulcânico fissural oeste da ilha Terceira. Está agora em fase de reativação

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O nível de alerta no Sistema Vulcânico Fissural Oeste da Terceira subiu para V3 (fase de reativação), o mesmo grau atribuído ao vulcão de Santa Bárbara, revelou

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Adolescência vai até aos 32 anos: as idades secretas do cérebro – ZAP Notícias

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O seu cérebro tem 5 idades secretas e uma delas dura quase toda a sua vida. “Modo adulto” só aos 32 anos: é aí que entramos na fase dourada cognitiva. Isto das idades tem muito que se lhe diga. Um novo estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, traçou um “mapa de vida” do cérebro humano e concluiu que a sua arquitetura não muda de forma linear ao longo dos anos. Em vez disso, a estrutura das nossas redes neuronais atravessa cinco grandes fases, separadas por quatro momentos de viragem marcantes. Estes quatro pontos de viragem ocorrem, segundo a

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Porque as pessoas não arrumam os carrinhos do supermercado? É complicado…

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Uma investigadora viu centenas de vídeos para tentar perceber o que acontece nos parques de estacionamento — que revela muito sobre a forma como pensamos sobre obrigação, decência e sobre os outros. Numa certa manhã de sábado, bem cedo, a psicóloga Hannah B. Waldfogel, cientista comportamental e investigadora da Columbia University, nos EUA, chegou a um parque de estacionamento e deparou-se com uma espécie de cena de crime. “Um carrinho estava enfiado no lancil, outro jazia tombado numa praça de estacionamento, um terceiro deslizava, ao sabor do vento, como uma espécie de bola de feno metálica pelo parque,” escreveu. A

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Investigadores de Yale identificam 210 campos russos com milhares de crianças ucranianas – ZAP Notícias

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Uma equipa de investigadores da Universidade de Yale documentou, com a ajuda de imagens de satélite, a localização de 210 campos militares e de reeducação na Rússia, para onde foram levadas milhares de crianças ucranianas. Os russos cometeram um erro: tiravam selfies ao lado das crianças. O investigador e ativista norte-americano Nathaniel Raymond, diretor Laboratório de Pesquisa Humanitária (HRL) da Universidade de Yale, relatou esta segunda-feira num seminário no Parlamento da Suécia, a forma como a sua equipa de investigadores identificou milhares de crianças ucranianas em campos de reeducação russos. Em 2022, conta Raymond, o Departamento de Estado dos Estados

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Why She Left Paradise: Sara Martins’ Death in Paradise Exit – Breaking News

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a fome nao tira férias

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Eu não diria melhor (do que a jornalista Carina Barcelos, entenda-se). (Diário Insular, 26 de novembro de 2025)
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