“Não digam a ninguém”. Restaurantes têm preços diferentes para portugueses e estrangeiros

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Em época alta do turismo em Portugal, há restaurantes que têm preços diferentes para clientes portugueses e estrangeiros.

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Jornalistas “pressionados a desmentir notícias” sobre fogo na Madeira

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Fontes do Governo Regional “apressaram-se a desmentir a informação numa tentativa de ‘assassinato profissional’”, denuncia o DN/Madeira, que fala em dualidade de critérios na permissão de acesso às zonas afetadas pelos incêndios. A delegação da Madeira do Sindicato dos Jornalistas denunciou esta quinta-feira o que classifica como “clima de pressões e restrições” na atividade dos profissionais envolvidos na cobertura do incêndio que lavra na ilha há dez dias. “As pressões atingem também os responsáveis pelos órgãos de comunicação social, que são pressionados a desmentir notícias que depois se confirmam serem verdadeiras”, refere o sindicato, num comunicado assinado pelo presidente da

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não perca este artigo do nosso associado ANÍBAL PIRES sobre férias, turismo, etc

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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

opacidade

 

Foto de Aníbal C. Pires

O Verão açoriano tem sido magnífico para os veraneantes, sejam forasteiros ou não. Períodos alargados de estiagem, temperaturas, do ar e do mar, ligeiramente acima do habitual. Não fora a humidade relativa do ar a provocar algum desconforto e o encerramento das piscinas de águas férreas, em S. Miguel, e teria sido um Verão perfeito para quem escolheu os Açores como destino de férias e para a indústria turística. Aumento do número de dormidas e de passageiros transportados são indicadores do crescimento. Tudo parece correr de feição ao setor e novos investimentos são anunciados, uns megalómanos outros mais modestos, e salvo melhor opinião, estes últimos mais adequados à realidade e à sustentabilidade do destino.

Num período de crescimento, em que todos os intervenientes andam felizes e contentes, sendo, contudo, justo referenciar que alguns empresários têm vindo a público expressar a sua preocupação sobre a forma como o setor tem vindo a crescer, mas como dizia, no atual contexto, não será aconselhável qualquer tentativa de desconstrução deste paradigma sob pena, de quem o fizer, ser acusado de “velho do Restelo”. O que pode não ser tão mau como parece, pois, esta figura já não é um símbolo de pessimismo, mas uma figura complexa que, segundo alguns autores, pode representar a consciência crítica, a resistência ao poder imperial e colonial, a proteção ambiental e a sabedoria tradicional, podendo ainda acrescentar-se que os “anciãos” são detentores de uma sabedoria que só o tempo pode conferir, conquanto os idosos, sejam, atualmente olhados de soslaio e desvalorizados, houve até quem, no passado recente, lhes tenha chamado a “peste grisalha”. Mas mesmo considerando que o “velho do Restelo” não é uma figura retrógrada, ainda assim, vou abster-me de qualquer consideração sobre o modelo desenhado para o setor do turismo, se é que existe, e os perigos que ele encerra para preservar as singularidades que caraterizam o destino e que estão a ser colocadas em causa.

 

Foto de Aníbal C. Pires

 

Nem tudo estará bem como parece aparentar e, apesar da visita ao arquipélago da família que reina sobre o Qatar, profusamente noticiada e alvo da curiosidade dos residentes, alguns turistas menos endinheirados queixam-se dos elevados custos associados à restauração, ao alojamento e ao aluguer de viaturas, isto de ter viagens de baixo custo e tudo o resto de custo elevado tem as suas contradições, mas não é só em relação aos custos exorbitantes que se notam algumas queixas, também as filas de espera para os restaurantes, para os “monumentos naturais” e para a observação das idílicas paisagens que nos distinguem de outros lugares, começam a ser objeto de algum descontentamento para quem procura nos Açores a quietude do viver ilhéu matizado dos verdes e azuis que nos caraterizam. Os matizes subsistem, a quietude nem por isso.

 

Se os turistas já não encontram o encanto, que os atrai(u) a este arquipélago de sonhos e de saudade, nem o bem-estar que o destino lhes conferia, os residentes que não obtêm benefícios do turismo, manifestam, também, alguma incomodidade pelo elevado número de visitantes e os efeitos negativos que isso provoca no seu quotidiano, mas também alguma preocupação pelos impactos ambientais que, a este ritmo, podem colocar em causa a singularidade que nos diferencia. E, quando assim é, a sustentabilidade e a atratividade do destino volatiliza-se. A prazo restarão ruínas de mais um ciclo económico a juntarem-se ao Monte Palace e, quiçá, a serem objeto de musealização e de oferta cultural a outros públicos.

Os desequilíbrios que se verificam na economia regional, a sua natureza neoliberal e a mediocridade da governação regional, constituem-se como sinais preocupantes sobre o futuro destas ilhas e deste povo. Segundo algumas reputadas opiniões é a própria Autonomia constitucional que está em causa.

Fazer depender a economia de uma única atividade é, como a história nos ensina, um erro que se paga caro, fazer depender a economia do funcionamento do mercado, como a história nos ensina, é aumentar a pobreza e a exclusão, dar apoio social e político a um governo politicamente inepto que depende dos humores dos seus parceiros de coligação e de espúrios apoios parlamentares, isto para além da inexistência de um projeto político de desenvolvimento que tenha em devida conta os aspetos sociais, culturais, económicos, políticos e as especificidades de cada uma das nove ilhas, ou seja, estamos a caminhar, a passos largos, para a insustentabilidade económica, para acentuar assimetrias sociais e para o fracasso político da Autonomia constitucional.

Os eleitores, não só, pois os abstencionistas também têm responsabilidade no desenho os quadros parlamentares que proporcionaram os entendimentos de 2020 e 2024, mas serão os eleitores os principais responsáveis pelo escrutínio da atividade parlamentar e da governação tripartida. Cabe em primeira instância, ou assim devia ser se houvesse suficiente literacia política, aos eleitores o rigoroso escrutínio da governação e a manifestação crítica face a opções que apenas visam a satisfação do clientelismo eleitoral, também ele tripartido, uma vez que a oposição (PS e BE), em particular o PS, parece satisfeita com o rumo da governação e, vai anuindo ao invés de contrapor.

A legitimidade democrática não depende apenas dos resultados eleitorais, isto é, este governo pela sua inépcia, incumprimento e quebra do contrato social que a “coligação” celebrou com os eleitores, deveria ser, com urgência, removido do poder, sob pena de a curto prazo as finanças públicas colapsarem e ficarmos sujeitos a indesejáveis imposições externas, para além das já existentes, em particular as que decorrem de Bruxelas. Sim, pois da União Europeia vem algum dinheiro, mas veem sobretudo as indicações restritivas para o investimento público e privado, e as diretrizes que determinam quais devem ser os contornos da economia regional.

 

A governação regional protagonizada pela coligação PSD/CDS/PPM tem-se limitado à gestão “política” da sua sobrevivência, desde logo entre os parceiros da aliança, mas também junto dos potenciais eleitores e grupos de pressão, quer ainda com os partidos parlamentares de quem depende a sua subsistência política. Os custos desta “gestão política” são muito elevados e o erário público dá sinais de stresse, é caso para perguntar por onde anda o dogma do “endividamento zero”.

Quanto à ideia de rigor e transparência na governação regional, é apenas isso, uma imagem construída com um discurso “para inglês ver”, mas que a permeabilidade da opinião pública, cansada, que estava, de um longo e desgastado ciclo de poder, com facilidade, absorveu como sendo um precioso atributo da mudança política que se verificou em 2020 e se renovou em 2024. A representação está, porém, a ser colocada em causa e os eleitores vão concluindo, ainda que a um ritmo moroso, que o poder regional nunca foi tão impreciso e opaco como agora.

Ponta Delgada, 20 de agosto de 2024

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 21 de agosto de 2024

Man opens plane’s door and walks on wing at Australian airport before he’s arrested

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A passenger has been arrested at an Australian airport after he left a stationary airliner through an emergency exit, walked along a wing and then climbed down a jet engine to the tarmac

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PDL PEDONAL, o único sucesso autárquico

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May be an image of 10 people, Camogli and street
PONTA DELGADA SEM CARROS
A redução do tráfego automóvel nas ruas do centro de Ponta Delgada pode trazer mais benefícios do que prejuízos?
A medida tomada pelo Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada proibindo a circulação de carros no centro histórico tem suscitado debate entre comerciantes, moradores nas redes sociais. Alguns comerciantes do Centro histórico afirmam que a medida fez com que o número de vendas das suas lojas diminuísse, criando uma relação entre a quantidade de veículos e a quantidade de clientes. No entanto essa percepção corresponde à realidade?
Economia
A ilusão de movimento (em que os clientes não são necessariamente representados por carros) faz associar o movimento económico ao fluxo constante de automóveis. Ora, Donald Shoup argumenta em seu livro “The High Cost of Free Parking” que o simples facto de haver veículos circulando numa rua não significa, necessariamente, que esses contribuam para o comércio local. Na verdade, muitos destes veículos simplesmente passam sem a intenção de parar e consumir. Os profissionais de marketing encontram valor real nos clientes que optam por parar, sair dos carros e explorar a área a pé, e não nos motoristas. Quando as ruas são pedonais, os visitantes têm a oportunidade de abrandar, apreciar a arquitectura e descobrir as lojas, cafés, bares e restaurantes, de forma mais calma e onde o espaço convida à exploração e oferece uma rica experiência urbana onde se sentem mais confortáveis para ficar, conviver e até fazer compras. Embora as ruas cheias de carros possam transmitir uma sensação de dinamismo, muitas vezes causam ruído, poluição e podem ser stressantes para quem quer aproveitar a cidade.
Segurança, Bem Estar e Novos Negócios
Vários estudos urbanos, incluindo os conduzidos pela Gehl, J., & Gemzøe, L. (Public Spaces, Public Life. Danish Architectural Press), concluem que transformar as ruas de trânsito em áreas apenas para peões não só melhora a segurança, mas também estimula o desenvolvimento económico. Copenhaga é um exemplo brilhante desta transformação: ao longo do tempo, a cidade transformou muitas ruas do seu centro em zonas pedonais, onde os peões têm prioridade.
O resultado? Redução de número de acidentes resultando num ambiente mais agradável, além de promover o aumento da atividade comercial. Quando o tráfego automóvel é retirado das estradas, a segurança é uma das primeiras melhorias visíveis. As famílias sentem-se mais seguras ao passear com as crianças e os idosos podem andar e passear sem medo porque não há veículos que os ameacem constantemente. Além disso, o centro da cidade pode-se tornar um verdadeiro ponto de encontro entre moradores e turistas graças a eventos ao ar livre, mercados e esplanadas já que criam um ambiente sugestivo, calmo e amigável.
Impacto Futuro
Num futuro não muito distante, embora possa parecer assustador à primeira vista, a investigação mostra que, com o tempo, as zonas pedonais tornam-se mais atractivas tanto para residentes como para turistas. Segundo Hass-Klau, C. (Pedestrianization and Its Impact on Retail Revenue) as ruas sem trânsito são mais seguras, menos ruidosas e menos poluídas, o que torna o ambiente mais agradável para os clientes, melhora a qualidade do ambiente urbano e encoraja as pessoas a passar mais tempo nas áreas comerciais, o que, por sua vez, impulsiona as vendas.
Notaram igualmente um aumento no número de novos negócios que optaram por abrir em áreas livres de tráfego automóvel onde a maior movimentação de pessoas cria um ambiente favorável ao empreendedorismo e atrai as empresas que desejam capitalizar o fluxo constante de potenciais clientes.
Embora alguns comerciantes possam inicialmente temer que a restrição ao tráfego de veículos reduza as vendas, o estudo mostra que, a longo prazo, o impacto é positivo. As áreas pedonais tornam-se destinos atraentes para residentes e turistas, o que sustenta e até aumenta o fluxo de clientes ao longo do tempo como foram os casos de Munique e Copenhaga.
Em conclusão, Pedro Nascimento Cabral e o seu executivo da Câmara Municipal de Ponta Delgada mostraram atitude e preocupação em prol de uma cidade mais humana. Não é apenas uma medida urbanística, mas uma visão de futuro ao fechar as ruas do centro histórico de Ponta Delgada à circulação automóvel. Imagine um futuro em que a cidade seja desenhada pensando nas necessidades da população, permitindo que o comércio floresça em um ambiente seguro, agradável e atrativo. As vendas não só aumentam com uma cidade mais móvel, mas também criam um espaço onde todos – residentes, turistas, jovens e idosos – possam desfrutar da vida urbana de forma plena e segura.
Claro que há ainda muito a fazer na dinamização, mas há sempre um primeiro passo.
Quando se pensa no centro histórico sem carros, pensa-se em construir uma Ponta Delgada mais humana, onde a verdadeira riqueza está nas pessoas que vivem e exploram a cidade e não nos veículos que circulam às voltas pelas ruas.
Vemo-nos numa qualquer esplanada na baixa de Ponta Delgada!
Abraço,
Marco Raposo

crónica 541 NOVOS PARADIGMAS VELHOS MAUS HÁBITOS

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esta e anteriores crónicas disponíveis em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

541. NOVOS PARADIGMAS VELHOS MAUS HÁBITOS 23.8.2024

Sei que começam a surgir negras nuvens no horizonte com novos paradigmas, novas normas e novas imposições do que se esperam sejam comportamentos aceitáveis, numa nova ordem mundial totalitária ainda mais autoritária e déspota que as anteriores. refiro-me ao execrável fenómeno WOKE, que felizmente começa a ter alguma oposição dentro de setores da sociedade (nomeadamente cinema e desporto.)

No sentido diametralmente oposto o atavismo tradicional em que não há o mínimo respeito pelo OUTRO, mas onde, em nome de um costume, hábito, ou perpetuação arreigada de costumes, e se sobrepõe ao interesse coletivo e ao individual e apenas se compraz na celebração tradicional como aquele a que assistimos, ano após ano, nas festas da padroeira ou da paróquia.

Com a conivência das autarquias (Juntas, Câmaras, etc) que sempre amealham mais uns cobres, e garantem os votos necessários à sua reeleição são concedidas, a torto e a direito, todo o tipo de licenças desde tendas para a venda de comida, ao rebentamento de foguetes, roqueiras, etc, à instalação de bares provisórios durante a semana das festas com aparelhagens sonoras (muitas vezes debitando sons e “baixos” bem acima dos 85 decibéis que a lei autoriza.

Para quem tem animais domésticos (que reagem mal ao rebentamento de foguetório), para quem trabalha na manhã seguinte, para quem é doente e necessita de silêncio e descanso, para quem não participa na festa (mas, senhor, haverá quem não queira participar no evento mais importante do ano???) são uns dias de terror Durante o dia foguetes após as sete da manhã e sabe-se lá até que horas e de noite a música reverberar por paredes e janelas (mesmo com vidros duplos) até altas horas (se acabar pelas 3.30 andam com sorte, pois outras vezes prolongam-se até ao raiar da alvorada).

Na minha opinião acho bem e importante para as gentes locais a realização destas festas, das tendas, dos bares, da música, mas devem realizá-los nas cercanias da freguesia (em descampados, pavilhões desportivos, etc.) e não no centro da paróquia cheio de casas de habitação, com animais alérgicos ao barulho, com doentes e trabalhadores a necessitarem de silêncio e descanso.

É este atavismo que contribui para o atraso civilizacional e que, infelizmente, nos distingue negativamente de sociedades mais evoluídas socialmente. Falta o respeito pelo OUTRO, no fundo é, também, uma espécie de movimento WOKE à moda antiga.

Ninguém vos quer tirar o direito à festa anual mas apenas torná-la aceitável para toda a população.

calor a crise térmica nos açores

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Temperaturas atingem valores elevados nos Açores só comparáveis a 1940 com as máximas a superar os 30 graus
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera anunciou ontem que desde 1960 que as temperaturas da superfície da água do mar não foram tão altas como em Julho e a temperatura máxima do ar atingiu recordes em praticamente todas as ilhas com a mais elevada a atingir os 30,9 graus centígrados nas ilhas das Flores e Corvo.
Estão a ser batidos todos os recordes de temperaturas do ar e da superfície do mar nos Açores, alterando a forma de estar e de agir dos locais e turistas. Em Julho, e também em Agosto, a Região deixou de ser apenas um destino de paisagem e passou a ser o que quase ninguém queria, um destino de sol e praia. E mesmo nos trilhos pedestres ao longo de ribeiras ou que vão parar numa cascata, turistas e locais banham-se e mergulham em águas de nascentes naturais de São Miguel, isto quando as condições permitem.
Em praticamente todas as ilhas quase todos os caminhos, para os turistas e para os locais que optaram por passar férias na Região, vão dar às zonas balneares ou, então, a zonas frescas debaixo do arvoredo de paisagens ainda verdes por todas as ilhas ou mesmo debaixo de árvores nas cidades, onde há transeuntes que circulam de guarda-sol.
Este é o tempo em que duplica os espaços comerciais de venda de gelados e de água fresca, em que aumenta o número de pessoas nas superfícies comerciais com ar condicionado ou, então, em que as pessoas preferem ficar em casa do que debaixo do ‘brasileiro’ solar de entre as 11 e as 16 horas.
Nos dias de temperaturas elevadas há profissões em que os trabalhadores sofrem mais, como o caso dos que trabalham na construção civil e na limpeza de caminhos.
Para quem está de férias e para estes trabalhadores, todo o cuidado é pouco com a radiação solar. E os protetores solares ajudam a impedir exageros de exposição mas não são o suficiente. Os especialistas aconselham que, quem possa evitar as radiações solares entre as 11 e as 16 horas, como prevenção para eventuais doenças que podem chegar ao melanoma.
Prejuízos em atividades
E há atividades em que o tempo quente significa prejuízos, como são exemplos a agricultura, com os milhos forrageiros e as ervas a secarem e os frutos a amadurecerem fora de tempo e a caírem.
Além disso, esta seca em algumas ilhas dos Açores já significa escassez de água para os animais e se começa a pensar em racionar a água de consumo para as pessoas. O cidadão comum não compreende, por exemplo, que numa ilha, como São Miguel, em que há tantas nascentes de água, se possa falar em escassez de água para consumo humano. Mas, também, está a diminuir o caudal de água nas ribeiras e nas lagoas das ilhas, sinal de que se tem de pensar em soluções no curto e médio prazo se as alterações climáticas mantiverem esta evolução na Região.
O que aconteceu em Julho
Já em Julho, segundo o IPMA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, as temperaturas mensais do ar e da superfície do mar na Região atingiram os valores mais altos desde 1940.
Nesta altura, o Anticiclone Subtropical do Atlântico Norte (ASAN), estendia-se em cunha na direção do golfo da Biscaia; apesar de centrado a SW dos Açores com intensidade de 1024 hectopascais (medição da pressão atmosférica), contrariamente ao que seria esperado climatologicamente para esta época do ano.
Na mesma altura, face à evolução das condições climatéricas, passaram próximas da Região algumas perturbações associadas à Frente Polar, com situações de precipitação geralmente fraca e baixa visibilidade, sobretudo nas zonas de cota mais elevada das ilhas.
Ainda relativamente a Julho, a anomalia do campo da temperatura média mensal do ar na Região apresentava valores de 0,8 a 1,6 graus centígradas nas ilhas de São Miguel e Santa Maria e de 1,6 a 2,4 graus centígrados nos grupos Central e Ocidental (Flores e Corvo), onde já em Agosto chegou a ultrapassar o 30 graus centígrados.
A temperatura média do ar, em média, no mês de Julho foi de 21.04 entre 1940-2023 e de 22.97 graus centígrados em 2024.
A temperatura máxima no mês de Julho entre 1940-2023 foi de 23.62 e no mesmo mês de 2024 foi de 24.15 graus centígrados.
A temperatura média da superfície do mar em Julho foi de 21.78 em 1940-2023 e de 23.67 graus no mesmo mês em 2024.
A temperatura média máxima da superfície da água do mar entre 1940-2023 no mês de Julho foi de 24.53 graus centígrados e atingiu os 25 graus em 2024.
A temperatura média mínima em Julho foi de 19.75 graus centígrados no período entre 1940-2023 e de 22.31 graus centígrados em 2024.
A temperatura mínima mais baixa foi 11,9 graus centígrados (S. Miguel/Pico) e a máxima mais alta foi 30,9°C (Flores e Corvo).
A temperatura da água do mar à superfície em Julho apresentava no início do mês valores médios de cerca de 22 graus centígrados, aumentando gradualmente e, a partir de penúltima semana de Julho, a temperatura da água do mar ultrapassou os 24 graus centígrados em toda a Região, situando-se entre os 25 graus centígrados (nos grupos Oriental e Central) e os 26 centígrados nas Flores e Corvo no final do mês.
Julho foi, assim, um mês quente em toda a Região e geralmente seco, exceto em Santa Maria e na Terceira. Foi também um mês com noites tropicais em todas as ilhas (mais de 20 graus centígrados em quase todas as estações a partir do dia 20 de Julho).
A temperatura da superfície da água do mar apresenta (desde Maio) um padrão de intensas anomalias positivas a noroeste dos Açores, numa zona muito próxima da corrente fria do Labrador, e uma outra zona também de anomalias positivas a sudoeste dos Açores na direção da corrente quente do Golfo. A unir estas duas zonas existe uma faixa curva onde se registavam também anomalias positivas, a qual passava precisamente pelos Açores, influenciando os valores de temperaturas mais altas da superfície da água do mar que se têm verificado no arquipélago.
Pelo contrário, a anomalia do campo da precipitação média diária apresentava em Julho nos Açores valores de 0 a -2 mm/dia. Ou seja, choveu menos do que o normal para a época na Região.
O estado do mar em Julho caracterizou-se por ondas médias de noroeste de 1,5 metros.
No mês de Julho a circulação média de larga escala do vento na Região dos Açores foi fraca nos grupos Oriental e Central e moderada de oeste nas Flores e Corvo.
No mês de Julho, a percentagem da irradiação global mensal relativamente ao valor esperado no topo da atmosfera foi de cerca de 61 % na Graciosa; 60 % no Pico e Horta e 57 % em Santa Maria.
O que está a acontecer em Agosto
Agosto tem sido também um mês muito quente nos Açores, com as praias a encherem e a ser difícil encontrar lugar em algumas zonas de banhos, como são exemplos, o Ilhéu de Vila Franca do Campo, a Poça da Dona Beija e a Caldeira Velha, entre outros exemplos.
No mês de Agosto, a grande procura turística deste Verão na Região levanta problemas em termos de lugar nos aviões para os Açores e dentro do arquipélago. E o mesmo acontece em termos de falta de espaço nos barcos de passageiros no grupo Central da Região.
As temperaturas continuaram a atingir recordes em Agosto. A temperatura à superfície da água do mar estava ontem nos 26 graus, e a temperatura do ar rondava os 30 graus. Em contrapartida, chove muito pouco para a época, as ondas do mar andam entre 1 e 2 metros e o vento sopra a 10 a 20 km.
O tempo continua, assim, condicionado pela posição do anticiclone mesmo em cima dos Açores.
João Paz

https://correiodosacores.pt/2024/08/23/temperaturas-atingem-valores-elevados-nos-acores-so-comparaveis-a-1940-com-as-maximas-a-superar-os-30-graus/
May be an image of 5 people, people swimming and waterfall

e fenómeno oposto no oceano….https://www.unilad.com/news/world-news/atlantic-ocean-cooling-down-927744-20240821

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