a nova cadeia tarda e os presos são transferidos

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Sobrelotação em Ponta Delgada obriga à transferência de 60 reclusos para o continente e Funchal
Cadeia de Ponta Delgada tem neste momento 171 pessoas e a lotação máxima é de 141. Associação de apoio aos reclusos avança que serão transferidos 30 presos para o Funchal já esta quarta-feira e os restantes 30 serão encaminhados nos dias seguintes para prisões situadas em território continental.
A cadeia de Ponta Delgada, no arquipélago dos Açores, já ultrapassou a sua lotação máxima e, nos próximos dias, serão transferidos 60 reclusos para o Funchal e para o continente. O problema, diz à SÁBADO Vitor Ilharco, presidente da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR), é que estes reclusos “vão ficar sem visitas”, tendo em conta que vão ficar longe das famílias.
Segundo a APAR, metade dos reclusos a transferir vai já esta quarta-feira para o Estabelecimento Prisional do Funchal e os restantes 30 serão transferidos nos dias seguintes para prisões situadas no continente.
À SÁBADO, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) avançou que a cadeia de Ponta Delgada tem, neste momento, 171 reclusos, sendo a lotação máxima de 141 pessoas. Sobre a transferência em causa, a DGRSP sublinhou que “não faz partilha pública de processos de critérios de transferência e de afetação de reclusos”, mas confirmou que, no caso das prisões situadas nas ilhas, “a transferência de reclusos supõe sempre uma deslocalização das pessoas, seja para estabelecimentos prisionais situados em territórios de outras ilhas, seja para estabelecimentos prisionais situados em territórios continentais”.
A esta informação dada pelos serviços prisionais, Vítor Ilharco acrescenta que, além das transferências por sobrelotação, há casos em que os reclusos são transferidos, por exemplo, das ilhas para o Continente, porque têm familiares mais próximos a viver em território continental. No entanto, sublinha a APAR, estes são casos pontuais e a transferência de 60 pessoas nos próximos dias está relacionada apenas com questões de sobrelotação.
A associação que presta apoio aos reclusos diz entender a decisão da DGRSP, já que “têm de transferir os reclusos para algum lugar” e aponta os sucessivos atrasos na construção de uma prisão em Ponta Delgada como o principal problema.
O anúncio de que Ponta Delgada terá uma nova prisão, para acabar com os sucessivos problemas de sobrelotação e de falta de condições, foi feito em 2015. Nessa altura, a decisão surgiu na sequência de uma denúncia que apontava para a existência de uma cela onde estavam dezenas de reclusos e para o facto de estarem naquele local 195 pessoas.
Em 2017, o assunto voltou a ser falado e a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, avançou que iria ser assinado um protocolo para a cedência do terreno onde iria ser construída a nova prisão. Um ano mais tarde, em 2018, a secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, disse que a obra teria início nos três anos seguintes. Três anos depois, já em 2021, a obra foi empurrada para o final da década.
(Rita Pereira Carvalho – Sábado de 16/06/2021)
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  • Helena Avila

    É inadmissível não terem feito uma construção nova, ainda. O Governo da República não tem verba????
    Coitado!!!!

Açores aumentam para 750 euros o prémio para quem entra no superior

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O vice-presidente do Governo dos Açores, Artur Lima, anunciou hoje, durante o plenário da Assembleia Regional, que a região irá aumentar para 750 euros o prémio de mérito para os estudantes açorianos que ingressarem no ensino superior.

Source: Açores aumentam para 750 euros o prémio para quem entra no superior

As Enigmáticas Inscrições dos Moais da Ilha de Páscoa – Conexão UFO

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Após as recentes escavações, várias inscrições e símbolos foram encontrados gravados no corpo dos Moais, praticamente intactos por se encontrarem no subsolo.

Source: As Enigmáticas Inscrições dos Moais da Ilha de Páscoa – Conexão UFO

em timor é assim

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https://www.facebook.com/licinia.horta/videos/10158547335672887

Sabem onde é isto? Não. Não é em Lisboa. Nem no Porto. Nem em Coimbra. Isto é em Dili, TIMOR onde o povo nos adora e me sinto reconhecido por ter contribuído para esse afecto.

Um abraço

e o meu bem haja para esse povo que adoro. O Katuas Jorge Katuas Morais

uma mãe que se queixa dos filhos não terem transporte escolar a 1 km da escola

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https://blog.lusofonias.net/2021/06/16/a-escola-e-longe/

 

RECEBI ENTRETANTO ESTA EDIFICANTE MENSAGEM DEMONSTRADORA DO ELEVADO NÍVEL DE EDUCAÇÃO E DE ESPÍRITO DEMOCRÁTICO FACE A UMA DIVERG~ENCIA DE OPINIÃO…obviamente nem comento…

Sally Silveira

Patética, é vaca que o pôs, faça favor de não me ofender porque eu não o conheço de lado nenhum.A sua opinião para mim é simplesmente cagativa! Você não é um jornalista e freelance translator?Vá você para a China ou para o raio que o parta

 

 

achei patético este protesto….e decidi sugerir que troque com esta mãe chinesa “ó mãe a escola é longe?”

COM RAZÃO
Vi agora na RTP-Açores uma reportagem em que uma mãe protesta contra o facto de crianças não terem direito a transporte escolar na Horta, por morarem a menos de um quilómetro do estabelecimento de ensino, apesar de subirem diariamente uma rua inclinada com pesadas mochilas às costas. Não há nenhum hotel a mais de um quilómetro da Assembleia, mas os deputados alugam carro para se deslocarem, disse ela. E tem toda a razão!
Tomás Quental, Luís Baptista and 70 others
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  • Tiago Redondo

    Os hotéis oferecem os carros aos deputados porque cobram à ALRAA a tarifa máxima o ano inteiro. E o Souto Gonçalves sabe disso. Agora em relação à questão concreta: que geração estamos a criar que não pode andar um quilómetro, quer seja para a escola ou para as actividades desportivas?

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    Tiago Redondo replied
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  • Mário Oliveira

    E esta mãe com razão,o que custa alugar um automovel se o dinheiro é lhe dado ao dinheiro não lhes custa aganhar

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  • São Barbosa

    Apoiado
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  • Tiago Mendonça

    Muito verdade..entre outras coisas..que bem sabe
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  • Susana Vieira

    Não estou a criticar as mães… Mas não vi ninguém a comentar sobre as mini bus… Conheço algumas mães que optam pelas mesmas para os filhos não apanharem chuva… Espero que a situação se resolva da melhor forma.

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  • Susana Vieira

    Ida e volta: 1,20€ (cada um) + 20 dias = 24€ mensais… Sei que é dinheiro, mas infelizmente é a única opção que esteja a ver…
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  • Pedro Pessanha

    Forte parvoice a demagogia e populismo cresce, ate nos grupos de cidadaos . Afinal sao iguais aos partidos
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nomeado novo adjunto da direção da AICL

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em virtude de Pedro Almeida Maia ter pedido a sua demissão de Adjunto por motivo de impossibilidade temporal de nos prestar a assistência devida, foi NOMEADO em sua substituição o sócio RUI FARIA da AEA (Ass. de Emigrantes dos Açores) que tomou posse virtual dia 12 de junho. Obrigado ao Pedro pela sua prestigiosa colaboração nestes meses e bons augúrios para o Rui Faria

MEMBROS MESA 2020-2023

A aldeia da Indonésia onde se dança o Vira e se canta em Português | VortexMag

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A muitos quilómetros de distância, em Tugu, uma aldeia da Indonésia, há uma comunidade que descende de portugueses e que mantém vivas as suas tradições.

Source: A aldeia da Indonésia onde se dança o Vira e se canta em Português | VortexMag

RAMOS HORTA DIZ QUE NÃO FOI MARCELO CAETANO QUEM O ATACOU

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Mr Ramos-Horta said the man he identified as having shot him twice in the back in Dili on February 11 (2008) was not Marcelo Caetano, the rebel named as his attacker who was hunted in East Timor’s mountains by hundreds of soldiers, including Australia’s SAS commandos. “Marcelo Caetano was wrongly accused,” Mr Ramos-Horta said. “I never said it was him. It was a media beat-up.”
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    Jorge Máximo Heitor

    Aquele atentado que há 13 anos quase vitimou Ramos-Horta nunca teria ficado muito bem esclarecido. Mas de toda a confusão então gerada surgiu a dada altura a afirmação, feita pelo alvo dos tiros, de que o atirador não teria sido um tal de Marcelo Caetano.
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VIOLANTES DE CYSNEIROS E CORTES-RODRIGUES

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Iñteressante…
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Violante de Cysneiros e Côrtes-Rodrigues – interrogações e afinidades

 

As interrogações começam por aquela que Pedro Paulo Câmara deixa expressa no título do seu livro. Sucessivamente reformulada no corpo textual, ela surge na capa como «questão» capaz de desencadear a investigação em busca de uma resposta, mas também com uma dimensão apelativa, uma piscadela de olhos na direcção do leitor, num momento em que o autor conhece a resposta e já a registou no interior do seu trabalho.

Resultado de um projecto académico tendo em vista a conclusão do Mestrado em Estudos Portugueses Multidisciplinares, realizado na Universidade Aberta, Violante de Cysneiros: o outro lado do espelho de Côrtes-Rodrigues? (ed. Ilha Nova/Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2020) traz para o centro da investigação a presença de Côrtes-Rodrigues nos dois números da revista Orpheu (1915), quer em nome próprio (n.º 1), quer sob o nome feminino de Violante de Cysneiros (n.º 2).

Ora, é o segundo caso que tem sido submetido a maior questionamento e análise. Por um lado, trata-se de inventariar e sistematizar eventuais traços discursivos específicos dos poemas atribuídos a essa figura feminina; por outro lado, e sobretudo, tenta-se estabelecer a sua natureza literária, a relação que mantém com o seu criador, Côrtes-Rodrigues – simples jogo de ocultação e disfarce ou, num outro plano, processo de desdobramento e alteridade, que se traduz, finalmente, numa entidade feminina autónoma, com existência «civil» e literária própria? De outra forma: Violante de Cysneiros é um pseudónimo ou um heterónimo?

Segundo testemunho de Côrtes- Rodrigues, Fernando Pessoa insistia com os amigos «para que se desdobrassem em pseudónimos». E além de saudar o poeta açoriano como «Irmão em pseudo» ´numa carta de 26.06.1915, já no início deste mesmo ano Pessoa lhe tinha escrito: «Mantenho, é claro, o meu propósito de lançar pseudonimamente a obra de Caeiro-Reis-Campos», adiantando alguns elementos para a compreensão da natureza da escrita através dos seus outros e no quadro da reflexão sobre sinceridade e insinceridade na literatura: «Isso é sentido na pessoa de outro; é escrito dramaticamente, mas é sincero (no meu grave sentido da palavra) como é sincero o que diz o Rei Lear, que não é Shakespeare, mas uma criação dele» (Pessoa, Cartas a Armando Côrtes-Rodrigues,1959, p. 75)[i]. Em jeito de comentário lateral refira-se que esta arte dramática, impessoal, cujo modelo Pessoa situa em Shakespeare, já encontrava a sua defesa, embora em termos menos «radicais» numa carta de Antero a António Feijó (05.08.1881), em que afirmava que a poesia deste devia ter sido «vazada num molde dramático, que lhe desse acção, vida e verdadeiro relevo. Tenho hoje para mim ser esta a condição suprema da Arte (Quental, Cartas I, p. 567).

Torna-se claro, pois, que em 1915 Pessoa empregava o termo «pseudónimo» para designar uma realidade literária que posteriormente viríamos a conhecer como «heterónimo», muito mais extenso e complexo do que aquele outro, com implicações e exigências discursivas e ficcionais que o primeiro dispensa.

É também neste contexto semântico que se situa o ponto de partida do trabalho de Pedro Paulo Câmara, organizado em três capítulos genericamente intitulados Introdução, Desenvolvimento e Conclusão, com as respectivas referências bibliográficas, e seguidos de uma secção de Listagem de pseudónimos e criptónimos de Côrtes-Rodrigues e ainda as Tábuas Cronológicas de alguns dos seus textos na imprensa, bem como os Anexos, incluindo os textos açorianos de Violante de Cysneiros.

Na Introdução o autor adianta-nos previamente a informação de que a obra escrita de Violante de Cysneiros não se extingue com a participação pontual em Orpheu 2: ela prolonga-se nalguma imprensa açoriana (particularmente em O Autonómico, de Vila Franca do Campo, na Folha de Angra e n’A Actualidade), embora já num registo marcado por diferenças discursivas e pela incidência de temas e referências de natureza insular, que permitem falar de uma fase pós-Orpheu.

Ainda na Introdução, um subcapítulo sobre o autor e a obra revisita, de forma breve, a biografia de Côrtes-Rodrigues, no contexto do tempo açoriano (da infância e da idade adulta) e do tempo lisboeta, o da experiência modernista, que merece, por seu lado, um enquadramento no contexto literário português; a terminar, e no quadro dos relacionamentos pessoais, vem uma abordagem das cartas de Pessoa ao poeta açoriano, que permitem detectar o grau de cumplicidade, de intimidade mesmo, entre os dois, revelando-se Côrtes-Rodrigues um interlocutor privilegiado, o confidente especial que Pessoa confessa não encontrar em nenhum outro dos seus amigos.

Entre o homem e a obra fica o registo de um cidadão interventivo e cuja actividade cultural se fez sentir em vários domínios e instituições, sem esquecer a presença regular na imprensa – tudo isso contribuindo para delinear um perfil que ultrapassa a mera dimensão poética pessoal. Ficam também elementos sobre o contexto familiar e educativo, marcado pela morte da mãe e pelo ambiente profundamente religioso da educação, factores que permitirão compreender alguma da sua poesia e as oscilações temáticas e discursivas que nela ocorrem.

O capítulo 2, desenvolvimento, ocupa-se da questão central da investigação, a saber: por um lado, a criação e a natureza da figura feminina; por outro lado, a abordagem da escrita de Violante de Cysneiros nos seus dois momentos, o lisboeta e o açoriano.

Percorrendo alguns lugares analíticos sobre os conceitos de pseudonímia e heteronímia, atendendo aos testemunhos do próprio Côrtes-Rodrigues, Pedro Paulo Câmara refere a surpresa e a excepcionalidade que Violante representa no universo masculino de Orpheu, para mais um universo provocatório e literariamente violento. Mas a sua criação não resulta da impulsividade e densidade psicológicas que assinalam os heterónimos pessoanos nem Violante dispõe do aparato biográfico associado à trilogia Caeiro-Campos-Reis; ela surge com uma notória função prática, a ocultação do autor civil Côrtes-Rodrigues, de modo a evitar-lhe complicações e retaliações académicas em ano de exames, dado o contexto persecutório de que Orpheu fora vítima, com ataques na imprensa e a acusação de insanidade mental lançada aos seus colaboradores.

Mesmo assim, Pessoa não deixou de assinalar nos poemas de Violante a «maravilhasubtil de criação dramática» (Câmara, p. 54), que Pedro Paulo Câmara analisa em pormenor, detendo-se nos seus traços discursivos e no diálogo textual que os poemas de Violante travam com os respectivos dedicatários – os colaboradores de Orpheu, entre eles Côrtes-Rodrigues, além de um poema auto-dedicado que acentua a dimensão lúdica, o jogo que envolve todo este processo criativo.

É também na segunda parte que encontramos o grande contributo deste trabalho para o acréscimo de conhecimento de Côrtes-Rodrigues, por via da figura feminina de Violante de Cysneiros.

No seu minucioso trabalho Armando Côrtes-Rodrigues, Vida e Obra do Poeta Açoriano de Orpheu (2019), Anabela Almeida já tinha inventariado os textos em que o poeta se «desfizera em linguagem» (V.Nemésio) e colaborações pelas páginas de jornais e revistas, em nome próprio e sob assinaturas várias.

Pedro Paulo Câmara, por seu lado, avança agora para um outro estádio ao analisar os textos de Violante de Cysneiros publicados na imprensa, submetendo-os ainda a um confronto literário e sobretudo temático e ideológico com algumas obras de Côrtes-Rodrigues. Isso permitiu-lhe detectar uma série de motivos e tópicos, modos de ver, comuns aos dois – criador e criatura – e que em conjunto configuram uma perspectiva da açorianidade literária[ii]: a experiência da insularidade entre o espaço limitado e a ilimitação do mar e do mundo, a vivência pessoal e colectiva da religiosidade, a tensão entre o apego à terra e o apelo da partida e da viagem (entre «o apetite de solidão» e «o apetite do mundo», para servir-me das metáforas de Nemésio e de Édouard Glissant, respectivamente), que desemboca na emigração, a grande narrativa açoriana do povo açoriano.

Em todo o caso, encontramos nos textos de Violante traços da estética pós-simbolista de Orpheu, como em Romarias (Anexo 1), que parte de um motivo referencial empírico, os romeiros, para transformá-los em símbolos de outra coisa, um elemento a mais da «floresta de símbolos» (Baudelaire) a que a Natureza e a vida se reduzem.

Essa afinidade de traços literários e ideológicos entre Côrtes-Rodrigues e Violante de Cysneiros possibilita a Pedro Paulo Câmara reconfirmar, na Conclusão, o carácter não heteronímico daquele nome feminino; falta-lhe a densidade e a natureza «dramática» (em sentido pessoano) que permitiria falar de «personalidade» própria, de um outro alternativo, exterior ao sujeito. Resultado de uma «estratégia de ocultação de uma identidade real, não como estratégia de desdobramento do “eu”.», Violante «assume, regra geral, as mesmas propriedades que Côrtes-Rodrigues na abordagem dos diversos temas, na perspetiva que expressa sobre o espaço, o tempo, os ideais religiosos e sociais e a própria existência». (…) A ação textual, cultural, de Violante ocorre inserida num determinado tempo experienciado, claro está, pelo sujeito-autor. É, porém, executada sem distanciamento ou inovação robusta perante Armando Côrtes-Rodrigues», conclui o autor Pedro Paulo Câmara (Câmara, p. 111).

Aqui chegados, resta afirmar que este livro representa mais um contributo valioso para o conhecimento e divulgação de Côrtes-Rodrigues, para a consolidação do lugar que lhe cabe na cultura e na literatura açorianas, na literatura portuguesa num plano mais vasto.

No espaço de dois anos, assistimos em Vila Franca do Campo à apresentação de duas obras fundamentais sobre o poeta açoriano de Orpheu, a já referida de Anabela Almeida e agora esta de Pedro Paulo Câmara. Elas traduzem o empenhamento e a dedicação dos seus autores à causa da cultura e da literatura, devemos estar-lhes gratos por isso, em particular ao Pedro, aqui presente para o gesto simbólico de fazer a doação pública do seu trabalho a quem dele quiser aproveitar. Pela parte que me toca, muito obrigado.

Urbano Bettencourt

Vila Franca do Campo

21.05.2021


[i] Trata-se da longa carta escrita a 19.01.1915, fundamental para se entender a «irmandade de almas» de Côrtes-Rodrigues e Pessoa que permite a este último expor a sua crise psíquica, na certeza de que não encontraria em mais ninguém um confidente apto a compreendê-lo, porque, escreve, «você é o único dos meus amigos que tem (…) a profunda religiosidade, e a convicção do doloroso enigma da Vida, para simpatizar comigo em tudo isto.» (Pessoa, Cartas, p. 76).

[ii] Como se pode ver no meu texto, «açorianidade literária» não anula «literatura açoriana», porque são expressões de natureza diferente, não coincidentes; a sua utilização permite, no entanto, separar campos e distinguir a literatura do turismo e da política.

……………………………………………………………………..

O texto integral de Pedro Paulo Câmara, com os Anexos, pode ser consultado em

https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/9040

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António Bulcão · A mudança na gente, tão precisa e urgente

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A mudança na gente, tão precisa e urgente
No fim da passada semana, várias associações de pais e encarregados de educação reuniram com a Secretária da Educação, Sofia Ribeiro.
Representando escolas de várias ilhas, estiveram presencialmente alguns deles, outros on line, mas juntos em vários propósitos: constituírem uma federação, apresentarem propostas relativas a vários aspectos da educação dos seus filhos, contribuírem activamente para a mudança.
Não vieram de mão estendida, e foram recebidos com braços abertos. E o desejo de serem parte da mudança emocionou-me, como professor que o sou há trinta e bastantes anos.
Sobretudo nestes tempos de tecnologias, de excesso de informação e de existência de novos agentes de socialização, como a internet, os motores de busca e as redes sociais, os agentes tradicionais têm de se unir e desenharem rumos e orientações. A família e a escola não podem deixar os seus filhos e alunos perdidos numa “solidão povoada”, como dizia Jorge de Sena.
Serem parte da mudança, frisaram. Conceito que sempre me atraiu, desde jovem. Cantei-a, juntando-me a Camões e a José Mário Branco. Recitei-a, unindo-me a todos os poetas. Tentei ajudar a construí-la, em muitos projectos que criei ou aos quais me juntei. “E se todo o mundo é composto de mudança, troquemos-lhe as voltas que ainda o dia é uma criança”.
Em poucos meses, o diálogo já se impôs como uma necessidade incontornável. Sofia Ribeiro fez questão disso. Com a sua postura humilde, com as aprendizagens de vida que foi colhendo, na sua profissão de professora, no Parlamento Europeu, na actividade sindical, passou a mensagem: estamos juntos nesta missão e só falando uns com os outros poderemos levar a bom porto o futuro dos nossos filhos.
E a semente pegou, em terra sedenta para dar vida. Conselhos Executivos de todas as escolas da Região, professores das mesmas, sindicatos, pais e encarregados de educação, pessoal não docente, funcionários da Secretaria e das Direcções Regionais, todos querem ser ouvidos e são-no, de facto. Propondo, criticando, reivindicando, ajudando. Antes não era assim, dizem… Como poderia não ser, pergunto eu.
Mas não era. Entre as cúpulas não havia diálogo. E menos o havia dos governantes com as escolas, nas suas variadas estruturas. As ordens chegavam e eram cumpridas. Sem discussão. Mandava quem podia, obedecia quem devia. Havia insucesso escolar? A culpa era dos professores. Acções de formação obrigatórias para cima desses incompetentes. Projectos uns atrás dos outros. Continuava a haver insucesso e abandono escolar? Pois paciência, o que se podia fazer?
Ainda hoje, quem esteve no poder 24 anos continua a criticar cada medida, a deitar abaixo, mesmo sabendo no íntimo da sua bondade. Estranha forma de fazer política. Não reconhecer a positividade de certas decisões. Como se houvesse má-fé em quem as toma. Como se quem tem a Educação a seu cargo não quisesse o melhor para as crianças e jovens destas ilhas.
Ficarão, assim, estes velhos do Restelo, fora do comboio da mudança. Mas só porque assim querem. Porque se quiserem fazer parte desse processo, serão certamente bem-vindos. Porque a Educação dos nossos filhos não tem cor. E os nossos filhos ainda menos.
“Seja bem-vindo quem vier por bem”.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
Sandra Fernandes, Rui Almeida and 29 others
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  • Samuel Quedas

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    Companheiro e cantautor Bulcão… como já (te) disse noutro lado e citando o poeta, “toda a esperança é legítima”.
    Abraço
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    • António Bulcão

      Meu Amigo Samuel, sem a menor dúvida. Sobretudo quando é construída, dia-a-dia. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Não me limito a esperar. Carrego os blocos com que se faz a esperança. O maior e sentido abraço.
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