URBANO B SANTO AMARO SOBRE O MAR

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E chega-me a casa esta preciosidade sobre uma terra que namora o mar.
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Mariana Machado, Gabriela Mota Vieira and 34 others
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NOVO LIVRO ANTÓNIO DAMÁSIO

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UMA REFLEXÃO EM TORNO DO AFECTO
O afecto, palavra que fomos buscar ao latim “affectus”, afigura-se-me como um sentimento marcado por uma natural, espontânea e notada dose de ternura na relação com o outro, que tanto pode ser uma pessoa, um animal ou, mesmo, um objecto.
No seu último livro “SENTIR & SABER – a Caminho da Consciência”, editado em Novembro do ano passado, pelo Círculo de Leitores, António Damásio, veio reforçar uma convicção muito enraizada em mim, segundo a qual o afecto é fundamental em todos os domínios da nossa vida em sociedade, com destaque na relação ensino/aprendizagem.
Este distinto neurocientista diz que “as capacidades afectivas são fundamentais porque são as primeiras”. São, diz ele, “os alicerces da nossa mente, daquilo que é o nosso ser”. E acrescenta que “é sobre essas capacidades que se vão colocar as capacidades cognitivas”.
Para este professor da Universidade do Sul da Califórnia, a conhecidíssima frase “Penso, logo existo”, do filósofo Descartes, é profundamente errónea, porque nasce da ideia, para ele errada, de que aquilo que é mais valorizável no ser humano é o pensamento cognitivo puro. Contrapõe a seguir, dizendo que o alicerce da nossa mente, é tudo o que tem a ver com o nosso próprio corpo, com a vida que está a manifestar-se em nós, e cujo estado (bom ou mau) é transmitido através do sentimento. Para Damásio, “as capacidades afetivas têm sido sistematicamente menosprezadas pela nossa cultura, pelo melhor da nossa cultura, não apenas hoje, mas na cultura filosófica tradicional”. Há 25 anos, num seu outro livro O Erro de Descartes, António Damásio já denunciava “a sobrevalorização das capacidades cognitivas puras, em detrimento das capacidades afectivas”.
Para o autor de “Sentir & Saber”, o fundamental é que se perceba que aquilo que é ser humano não é redutível aos aspetos cognitivos da mente. Pelo contrário. Para ele é preciso alicerçar essa mente do raciocínio puro no que é fisiológico, naquilo que é a vida, naquilo que é o corpo. Não é dizer que somos só corpo, isso seria um disparate. O que não se pode é tentar entender a mente humana sem aí incluir o papel do corpo, da fisiologia, e a expressão dessa fisiologia nos sentimentos.
Para Damásio “aquilo que é a nossa vida, aquilo que é a nossa história e a nossa identidade, não é puramente cognitivo. É cognitivo misturado com o afecto. A vários níveis”.
Estas sábias palavras de quem há, décadas, estuda a anatomia do cérebro e a sua relação com os fenómenos da consciência, vêm ao encontro de uma convicção muito enraizada em mim e que posso expressar, servindo-me, em parte, das suas palavras, dizendo que aquilo que foi e ainda é fundamental no meu trabalho e no meu pensamento tem a ver com a mistura do que é afectivo com o que é puramente racional. Damásio deu-me, pois, a imensa alegria de confirmar esta muito minha convicção.
Tenho plena consciência de todos os êxitos no muito trabalho que desenvolvi, para além do empenho e da persistência que neles coloquei, foram ditados, sobretudo, pela afectividade que sempre caracterizaram o meu relacionamento com as pessoas, quaisquer que sejam as suas posições no tecido social, dos Presidentes da República ao mais humilde dos cidadãos, dos ministros aos contínuos dos ministérios, dos patrões aos assalariados, dos generais e almirantes aos soldados e marinheiros.
Na árdua e prolongada luta que travei pela salvaguarda da jazida com pegadas de dinossáurios de Pego Longo (Carenque), tive oportunidade de me relacionar intensamente com a comunicação social escrita, falada e televisionada. Nesse relacionamento fiz tantos apoiantes e amigos quantos os media com quem privei, em número de algumas dezenas, entre os seniores mais prestigiados e influentes e os mais simples e apagados estagiários que, com o passar dos anos, se fizeram respeitados profissionais. Percorri os corredores do Poder e, sem nunca me afastar das causas que abracei e pelas quais me bati, bato e dei a cara, fiz amigos e estabeleci relações de muita simpatia com alguns ministros e, o que sempre foi muito importante, com os chefes de gabinete e com as respectivas senhoras secretárias.
Outro tanto aconteceu no universo da Assembleia da República, independentemente das filiações partidárias, dos líderes das diferentes bancadas parlamentares aos deputados de todos os partidos. Tem sido assim nas muitas Câmaras Municipais, à margem das respectivas cores políticas, com as quais iniciei e tenho mantido estreita cooperação, sempre a título gracioso, nunca remunerado (pro bono), condição essencial que sempre garantiu e garante a minha não dependência desse outro poder e me não inibe de exercer livremente o meu juízo crítico e de procurar levar a bom termo os projectos em que me tenho envolvido. Criar pontes de afecto com presidentes ou directores e funcionários, dos mais categorizados aos mais humildes, nas mais variadas instituições públicas e privadas com as quais tive de me relacionar, profissionalmente ou apenas como cidadão, agilizou grandemente todo o trabalho que desenvolvi numa fase da minha vida em que estive ligado ao Museu Nacional de História Natural. Devo dizer, em abono da verdade, que sem o suporte institucional deste museu e sem o apoio de alguns dos seus funcionários (meus muito amigos) eu não teria tido nem a voz nem a visibilidade que os “media” me deram. Nas duas décadas em que tive responsabilidades, no Museu Nacional de História Natural, de que fui director, beneficiei, da muita estima e do afecto dos quatro reitores que nos tutelaram nesses anos, nomeadamente os Profs. Rosado Fernandes, Meira Soares, Barata Moura e Sampaio da Nóvoa.
Na Faculdade de Ciências, onde exerci a docência entre 1961 e 2001, ano em que me jubilei, a vida correu-me bem. Pode dizer-se que tive uma carreira sem dificuldades de maior, que me permitiu viver em paz comigo, com os colegas e com a instituição, num ambiente de grande afectividade e simpatia. Foi prova deste viver a numerosa assistência, nunca vista (cerca de 800 pessoas, entre amigos, colegas, alunos e ex-alunos), à minha última lição, “Geologia e Cidadania”, em 30 de Maio de 2001, no grande auditório da minha Faculdade. Foi, em especial, a afectividade que determinou a presença do general Ramalho Eanes e sua esposa, bem como a do Prof. Mariano Gago, nessa inolvidável cerimónia.
É verdade que, praticamente, tudo o que experimentei a fazer ou fiz, foi feito com amor, algumas vezes com paixão. Foi assim em criança, em que, brincando, fui aprendiz atento de muitas artes. Como estudante, só fui bom aluno com os professores com quem estabeleci relações de afecto. Com os outros fui sofrível ou, mesmo, mau.
Como professor que fui durante quatro décadas pude confirmar que a relação de afecto entre o aluno e o professor constitui uma componente fundamental para o sucesso escolar. Como divulgador de conhecimento que também fui durante esse mesmo período, mais os vinte anos que se seguiram à jubilação, diz quem me ouve ou lê nos meus livros, que as minhas palavras tocam a afectividade e que, muitas vezes, têm sabor de poemas. E eu sei que é verdade, posto que, ainda hoje, as minhas madrugadas são trocas de afectos com os meus mais de 22 200 leitores, aqui no Facebook e nos blogues em que participo.
Quando, em 1997, o Presidente Jorge Sampaio me incluiu, como representante da comunidade científica, na comitiva que o acompanhou na sua viagem de Estado ao Brasil, foi certamente a proximidade afectiva estabelecida entre nós que determinou a sua escolha, deixando de fora muitos outros bem mais categorizados do que eu.
Ver o meu nome, na edição de 22.06.99, do Expresso, ao lado de personalidades tão ilustres, como Abel Salazar, António Damásio, Egas Moniz, Gago Coutinho, Gentil Martins, Miguel Bombarda, Odete Ferreira, Orlando Ribeiro, Pulido Valente, Queirós de Melo, Ricardo Jorge e Rómulo de Carvalho, tendo ficado de fora desta lista um sem número de cidadãos bem mais merecedores de nela figurarem, tenho de concluir que nesta escolha, pesou, de sobremaneira, o relacionamento de simpatia e afecto que sempre mantive com os profissionais de informação e, através deles, com o público.
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A LER – MALVINA SOUSA

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A recordar…
Excertos da recensão crítica de José Manuel Santos Narciso ao livro “Até que a violência nos separe”, de Malvina Sousa, na edição de 3 de junho de 2019 do semanário “Atlântico Expresso”, na sua coluna “Leituras do Atlântico”:
«Comecei e não mais parei. Duas centenas e meia de páginas de uma escrita fulgurante, viva, avassaladora, como verdadeiras chicotadas intelectuais. Li-o quase de um fôlego porque, logo nas primeiras páginas notei que parece ter sido escrito também num só fôlego»!
«Atrevo-me a dizer que este livro é um verdadeiro libelo contra a violência doméstica, mas ao mesmo tempo é um testamento de amor e de valores que existem na sociedade e muitas vezes são abafados, por que “o mal e a má notícia é que vendem”.
Malvina Sousa, que não tenho o gosto de conhecer pessoalmente, surpreendeu-me, neste livro, pela capacidade de criar momentos em que a realidade não tem linha que a separe da ficção. Surpreendeu-me pela riqueza narrativa, sempre com as ilhas dos Açores em pano de fundo, com mais incidência em São Miguel, mas com várias outras em evidência e precisa menção de suas paisagens, do seu mar e dos seus viveres e costumes».
«Mas ao lado deste poder descritivo e narrativo, a riqueza dos diálogos ganha aqui neste “Até que a violência nos separe”, uma dimensão muito especial. Há um toque subtil de delicadeza e charme que nos encanta, essencialmente porque sentimos na autora um cuidado especial com o conhecimento psicológico de cada personagem.
Não há medo de “chamar os bois pelo seu nome” e, logo de início, Malvina Sousa chama mesmo “monstro” ao agressor encharcado de cerveja até se babar dormindo em plena sala. Mas também é capaz de cenas de carinho e de amor na “casa de acolhimento”, nos ricos diálogos entre Sónia e Maria. “Isto é de arder”.
Seja-me permitido aqui realçar um aspecto que muito me tocou: o amor maternal que transparece em muitas páginas do livro. E, dentro das preocupações que rodeiam esta questão da violência doméstica, é realmente a mãe e o sentido da maternidade, uma das grandes vítimas.
Estamos perante um romance que todos deveriam ler».
«A violência doméstica manifesta-se de várias formas e muitas vezes, mesmo as vítimas começam por encapotá-la, debaixo dos mais variados argumentos. Até mesmo, por este prisma, o romance de Malvina Sousa é uma obra a ter em conta, verdadeiro repositório de emoções e de lições».
🛒📚 Poderá comprar este livro na nossa livraria (Largo da Matriz, 69 – Ponta Delgada), ou online, na seguinte ligação: https://www.letraslavadas.pt/…/ate-que-a-violencia-nos…/
Pedro Paulo Camara, Luís Soares Almeida and 10 others
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FERNÃO MENDES PINTO

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Andou embarcado, foi soldado, corsário, missionário e mercenário. Conheceu a China e o Japão. Foi prisioneiro e escravo, e contou à Europa como era o Oriente no seu livro Peregrinação. Falamos de Fernão Mendes Pinto.
As Peregrinações de Fernão Mendes Pinto
ENSINA.RTP.PT
As Peregrinações de Fernão Mendes Pinto
Andou embarcado, foi soldado, corsário, missionário e mercenário. Viajou pelo Oriente português de quinhentos, conheceu a China e o Japão. Foi prisioneiro e escravo, e um dos primeiros aventureiros europeus a contar o Oriente à Europa.
Fernando Martinho Guimarães and 17 others
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  • Maria Felicidade Seixas

    Era a literatura de viagens obrigatória no curriculo do nosso tempo!! Uma espécie de “Grande reportagem “” do J M Barata Feyo e do M Sousa Tavares, com 5 séculos de antecipação!!

OTELO POR EUGÉNIO LISBOA

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UM TEXTO DE EUGÉNIO LISBOA
OTELO: A AUDÁCIA DE FAZER
Há serviços tão grandes que não se
podem pagar a não ser com ingratidão.
Alexandre Dumas
Morreu no passado dia 25 Otelo Saraiva de Carvalho, nascido em Lourenço Marques, como eu, tendo frequentado o mesmo liceu que eu frequentei (ele, seis anos mais novo), de certo modo, moçambicano, sem deixar de ser português, mas com a marca distintiva dos ali nascidos: uma certa candura, simplicidade, afectuosidade e fácil entrega, em suma, uma total falta de ronha, em língua de boa cepa moçambicana. Coração na boca, capaz dos maiores dislates, mas não intrinsecamente mau, bem ao contrário. Sem grande cultura, nem mesmo cultura política, superficial, susceptível de derivas perigosas, impulsivo, mas invulgarmente audacioso e determinado no fazer, como poucos portugueses: a maioria acomodou-se, durante décadas, sem grandes problemas de consciência, no seio de um regime pífio, provinciano, inculto, censório, persecutório, sem ambição, dispensando sem escrúpulos os melhores e apaparicando os medíocres acomodatícios, imitando timidamente os fascismos disponíveis no mercado, mas com uma falta de visão de dona de casa pobre (mas agradecida), sem ideias e odiando quem as tivesse, um regime sufocante, vergonhoso mas sem vergonha – em suma, um pântano mal cheiroso e venenoso. Um regime em que os meus textos, que me tinham custado anos e anos de estudo empenhado e amoroso, eram trucidados às mãos de censores boçais e analfabetos, desconfiados de tudo e da própria sombra. Um regime em que o acesso aos livros e à cultura em geral era brutalmente vigiado e reprimido por incompetentes caninamente obedientes à voz do dono. Tudo perpetrado, de alma contente, a bem da Nação. O homem do leme, Salazar, no seu casamento de conveniência com a Igreja Católica de Cerejeira, fora ao ponto de dizer que quem não era católico era antipatriota. Isto explica o aparecimento de tantos Tartufos, logo apostados em parecer mais devotos que os devotos. O mérito era secundário ou mesmo perigoso. Nos estudos, se um aluno se destacava em conhecimento e rebeldia, logo aparecia um ou outro professor colado ao regime, que avisava: “Cuidado! De pequenino é que se torce o pepino…” A mediocridade, por outro lado, sossegava e era abençoada.
Uma guerra absurda e mortífera – que o tiranete de Santa Comba sempre soubera que não ia acabar bem – arrastava-se, perante os olhos de uma comunidade internacional que nos condenava sem apelo e nos remetia para um patético “orgulhosamente sós”. E deixando um rasto pavoroso de mutilações físicas e psíquicas, que ficariam a marcar pela vida fora os por elas atingidos.
Otelo e outros capitães souberam ousar pôr fim a tudo isto. Não é pouco, ao fim de 48 anos de opressão, de Caxias, Peniche e Tarrafal a bem da Nação, 48 anos de terror e desmotivação, aparecer alguém a ter a audácia de achar que podia pôr termo ao absurdo, mostrando como fazê-lo e fazendo-o. “Um herói”, disse-o Romain Rolland, no seu romance Jean-Christophe, “é aquele que faz o que faz. Os outros não o fazem.” Otelo e os seus companheiros de Abril fizeram o que havia a fazer: o que a maioria dos portugueses não fizera, o que, para não poucos, viria a constituir uma encapotada afronta.
Antes do 25 de Abril, quando eu ia lá fora encher-me do que não havia em Portugal, acesso livre à cultura, sem o intermediário de vigilantes, quando ia a Paris, a Londres, a Roma, a Bruxelas, e quando me perguntavam qual era a minha nacionalidade, tinha vergonha de dizer que era português. Depois do 25 de Abril, passei a ter menos vergonha e até a ter algum orgulho. Fiquei, em suma, com uma dívida insanável para com Otelo e os capitães de Abril. E nunca gostaria de a pagar com a moeda mais em uso nestes casos: a ingratidão, que Dumas denuncia na epígrafe que colei a este texto. Com isto, não quero encobrir os actos ulteriores de Otelo, que totalmente repudio. Quero muito lisinhamente não ser ingrato.
Otelo, a despeito de tudo o que, depois, fez, de tonto, de perigoso e de mal, , foi, com outros, o herói que pôs fim ao reino da estupidez e da vergonha. Regatear-lhe reconhecimento, a pretexto de derivas mal congeminadas, pode ser mesquinho e tortuoso (ou simplesmente exercício de má pontaria). Não houve quase nunca heróis quimicamente puros, embora um Salgueiro Maia, rara excepção, se tenha aproximado muito desse ideal. Dos gregos antigos, de Alexandre da Macedónia, de Júlio César até Napoleão e, mais recentemente, George Patton ou MacArthur (na segunda guerra mundial), não há heróis puros, repito. A todos eles se podem pôr as mais severas reservas. A coragem e a audácia têm o seu preço elevado, no equilíbrio instável dos temperamentos dos homens não vulgares. Não compreender isso é não compreender nada. É querer comer o bolo e guardá-lo. É ser ingrato. “Não há um único dos que comigo aprenderam a disparar, que depois não faça de mim o alvo”, observou o acutilante Montherlant, que nunca teve frio nos olhos. No exercício quotidiano da mesquinhez e da ingratidão, há não sei quantos a quem Otelo restituiu a liberdade e que lhe agradecem escoicinhando-o e, às vezes, insultando-o. Não nos enterneçamos: as coisas são o que são e os homens são o que podem ser.
You, Teresa Martins Marques, Maria Cantinho and 123 others
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ESTRANGEIROS SAEM DA INDONÉSIA

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Covid-19: Milhares de estrangeiros abandonam Indonésia
Jacarta, 27 jul 2021 (Lusa) – Milhares de estrangeiros abandonaram a Indonésia nas últimas semanas, indicam os registos do aeroporto hoje divulgados, aparentemente impulsionados por uma violenta vaga da pandemia de covid-19 e uma escassez generalizada de vacinas, que foram primeiro administradas aos grupos prioritários.
A Indonésia tem agora o maior número de casos diários na Ásia, depois de as infeções e as mortes terem aumentado drasticamente no mês passado e o surto gigantesco na Índia ter abrandado.
As infeções atingiram o ponto mais alto em meados de julho, com a média diária mais elevada registada de mais de 50.000 novos casos num dia. Até meados de junho, o número diário de casos era cerca de 8.000.
Desde o início deste mês, quase 19.000 cidadãos estrangeiros deixaram o país pelo Aeroporto Internacional Sokarno-Hatta, situado na capital, Jacarta.
O êxodo aumentou significativamente só nos últimos três dias, que correspondem a quase metade de todas as partidas individuais este mês, indicou o responsável da autoridade da imigração no aeroporto, Sam Fernando.
O embaixador do Japão na Indonésia, Kenji Kanasugi, declarou que a dificuldade de arranjar vacinas para os cidadãos estrangeiros levou alguns cidadãos japoneses a dirigirem-se ao seu país natal para serem vacinados.
Os cidadãos japoneses e chineses somaram o maior número de partidas, com 2.962 e 2.219 pessoas respetivamente, seguidos de 1.6161 cidadãos sul-coreanos.
Os números do aeroporto mostram ainda a partida de 1.425 norte-americanos, bem como de 842 franceses, 705 russos, 700 britânicos, 615 alemães e 546 sauditas.
Inicialmente, só representantes de países estrangeiros e de organizações internacionais sem fins lucrativos podiam ter acesso ao programa de vacinação gratuita do Governo indonésio, até que, no mês passado, este foi alargado às pessoas a partir dos 60 anos, aos professores e funcionários educativos.
Mesmo assim, reportagens televisivas mostraram cidadãos estrangeiros a queixar-se das dificuldades que estavam a enfrentar para serem vacinados.
Um porta-voz da ‘Task Force’ Nacional COVID-19, Wiku Adisasmito, disse hoje que o fornecimento limitado de vacinas permanece um desafio e expressou a esperança de que mais 45 milhões de doses com chegada prevista para agosto melhorem a situação Com 270 milhões de habitantes, a Indonésia garantiu pelo menos 151,8 milhões de doses de vacinas até ao final de julho. A grande maioria das doses – 126,5 milhões – é da farmacêutica chinesa Sinovac.
O número diário de mortes no país continuou a ultrapassar as mil nas últimas duas semanas.
O sistema de saúde está com dificuldades em lidar com a situação, e mesmo os doentes que têm a sorte de conseguir uma cama num hospital não têm oxigénio garantido.
Vários países anunciaram novas proibições ou restrições para viajantes procedentes da Indonésia, incluindo as vizinhas Singapura e Filipinas.
A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Omã, Taiwan e Hong Kong estão entre os países e territórios que colocaram a Indonésia na sua lista de proibição de viagens.
No total, a Indonésia registou até agora mais de 3,1 milhões de casos e 84.766 mortos – números que se pensa serem muito inferiores aos reais, devido a testagem reduzida e medidas de diagnóstico insuficientes.
ANC // EL
Lusa/fim
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Rosa Horta Carrascalao, Rosely Forganes and 82 others
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Portugal condenado por violação da liberdade de expressão num caso envolvendo Ricardo Rodrigues

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Portugal condenado por violação da liberdade de expressão num caso envolvendo Ricardo Rodrigues
Portugal foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) por violação da liberdade de expressão num caso em que a SIC foi obrigada a indemnizar Ricardo Rodrigues, ex-deputado do PS e hoje Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, por ofensa à sua honra e dignidade.
No acórdão, revelado ontem, os juízes do TEDH decidiram, por unanimidade, que Portugal violou o artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, que protege a liberdade de expressão.
O TEDH refere que a interferência no direito à liberdade de expressão da SIC foi “desproporcionada e não necessária numa sociedade democrática”, concluindo que, consequentemente, houve uma violação do artigo 10 da Convenção.
O acórdão refere ainda que o Estado português deve pagar àquele canal televisivo 4.283,57 euros, no prazo de três meses, relativamente aos custos e despesas.
Em causa estavam reportagens emitidas em dezembro de 2003 pela SIC e SIC Notícias que indiciavam o então secretário da Agricultura e Pescas dos Açores como implicado num processo de pedofilia nos Açores, que estava a ser investigado.
A SIC Notícias chegou a informar no dia 9 de janeiro de 2004 que Ricardo Rodrigues tinha sido interrogado pela polícia, uma notícia que veio a ser retificada no mesmo dia, informando que ex-deputado socialista não tinha sido detido ou sequer indiciado.
O ex-secretário da Agricultura e Pescas, que acabou por demitir-se do cargo a 08 de dezembro de 2003 na sequência de uma “onda de boatos”, avançou com uma ação contra o canal de Carnaxide e o seu correspondente nos Açores que foram condenados a pagar-lhe uma indemnização de 145 mil euros. Após recurso da estação televisiva e do correspondente, o Tribunal da Relação de Lisboa absolveu este último e reduziu o montante para dez mil euros, mas Ricardo Rodrigues recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça que fixou, em acórdão a 23 de outubro de 2012, o valor da indemnização em 115 mil euros.
Dos 115 mil euros, 65 mil são por danos de natureza patrimonial e os outros 50 mil por danos não patrimoniais sofridos.
(Diário dos Açores de 28/07/2021)
May be an image of text that says "Tribunal da Relação de Lisboa Procuradoria Geral Distrital de Lisboa"
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