ALEXANDRE BORGES NA 1ª PESSOA

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Alexandre Borges is with Diogo Rola and

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Para quem não pôde ver ontem, aqui fica o “Lugares da Escrita”. Onde se fala de literatura e da Ilha Terceira, de Almeida Garrett, Raul Brandão e Mário Cabral, do preto do jardim, de São Mateus, dos Ilhéus das Cabras e do mato. Da Adelina e do Honório, de Peter Francisco, da História e dos poemas que nos levam e ligam aos lugares. Sobre o fundo do “meu” eterno Teatro Angrense. Ansiando por ver as restantes ilhas pelos olhos de tantos outros e tão mais ilustres companheiros de letras.
Lugares de Escrita Episódio 1 - de 07 Nov 2022 - RTP Play - RTP
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Lugares de Escrita Episódio 1 – de 07 Nov 2022 – RTP Play – RTP
Luísa Ribeiro, Pedro Almeida Maia and 24 others
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texto de ruy vieira nery

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Partilho um texto de Rui Vieira Nery, que nos faz viajar até um passado não muito distante, mas praticamente perdido. A sua mensagem acentua-se sobremaneira na cabeça e no palato daqueles que, como eu, há mais de 40 anos, tiveram a fortuna de nascer no seio de uma família nortenha, bem perto de uma avó com queda para o tacho e munida de um fogão de ferro, cujo combustível predileto era o serrim desperdiçado pelas fábricas de móveis, ensacado, a cada 3 meses, nas velhas sarapilheiras.
Em nome da saudade, renasça e seja longa a vida do cabritinho assado, fumegante e acompanhado daquelas batatas redondinhas, estaladiças e caseiras, como se gosta; bradem-se valentes hurras ao regresso da honesta posta de bacalhau, regada com a dose certa de azeite, e que “aromatizava” toda a casa com o sabor e cheiro intensos a azeitona sã.
Em nome da saudade, longa seja a vida de todas as avós, sejam elas boas cozinheiras (como o era a minha), ou nem tanto, que numa terra como a nossa, há de haver sempre o forno de um bom vizinho onde caiba mais uma travessa.
A todos, bom apetite!
“Antigamente as cozinheiras dos bons restaurantes portugueses eram umas Senhoras rechonchudas e coradas, em geral já de idade respeitável, com nomes bem portugueses ainda a cheirar a aldeia – a D. Adosinda, a D. Felismina, a D. Gertrudes – e por vezes com uma sombra de buço que parecia fazer parte dos atributos da senioridade na profissão.
Tinham começado por baixo e aprendido o ofício lentamente, espreitando por cima do ombro dos mais velhos.
E tinham apurado a mão ao longo dos anos, para saberem gerir cada vez com mais mestria a arte do tempero, a ciência dos tempos de cozedura, os mistérios da regulação do lume.
A escolha dos ingredientes baseava-se numa sabedoria antiga, de experiência feita, que determinava o que “pertencia” a cada prato, o que “ia” com quê, os sabores que “ligavam” ou não entre si.
Traziam para a mesa verdadeiras obras de arte de culinária portuguesa, com um brio que disfarçavam com a falsa modéstia dos diminutivos – “Ora aqui está o cabritinho”, “Vamos lá ver se gosta do bacalhauzinho”, “Olhe que o agriãozinho é do meu quintal”.
Ficavam depois a olhar discretamente para nós, para nos verem na cara os sinais do prazer de cada petisco, mesmo quando à partida já tinham a certeza do triunfo, porque cada novo cliente satisfeito era como uma medalha de honra adicional.
E a melhor recompensa das boas Senhoras era o apetite com que nos viam: “Mais um filetezinho?” “Mais uma batatinha assada?”.
Hoje em dia, ao que parece, nestes tempos de terminologias filtradas, já não há cozinheiros, há “chefes”, e a respectiva média etária ronda a dos demais jovens empresários de sucesso com que os vemos cruzarem-se indistintamente nas páginas da “Caras” e da “Olá”.
Os nomes próprios seguem um abecedário previsível – Afonso, Bernardo, Caetano, Diogo, Estêvao, Frederico, Gonçalo, … – e os apelidos parecem um anuário do Conselho de Nobreza, com uma profusão ostensiva de arcaísmos ortográficos que funcionam como outros tantos marcadores de distinção – Vasconcellos, Athaydes, Souzas, Telles, Athouguias, Sylvas…
Quase nunca os vemos, claro, porque os deuses só raramente descem do Olimpo, mas somos recebidos por um exército de divindades menores cuja principal função é darem-nos a entender o enorme privilégio que é podermos aceder a semelhante espaço tão acima do nosso habitat social natural.
A explicação da lista é, por isso, um longo recitativo barroco, debitado em registo enjoado, em que, mais do que dar-nos uma ideia aproximada das escolhas possíveis, se pretende esmagar-nos com a consciência da nossa pressuposta inadequação à cerimónia em curso.
A regra de ouro é, claro, o inusitado das propostas culinárias em jogo e, preferivelmente, a sua absoluta ininteligibilidade para o cidadão comum.
Mandam, pois, o bom senso e o próprio instinto de auto-defesa que se delegue na casa a escolha do menu, sabendo-se, no entanto, que não vale a pena sonhar com que pelo meio nos apareça um pobre cabrito assado no forno, um humilde sável com açorda, ou uma honesta posta de bacalhau preparada segundo qualquer das “Cem Maneiras” santificadas das nossas Avós.
Seja o que Deus quiser!
E começam então a chegar a “profiterolle de anchova em cama de gomos de tangerina caramelizados, com espuma de champagne”, o “ceviche de vieira com molho quente de chocolate branco e raspa de trufa”, a “ratatouille de pepino e framboesa polvilhada com canela e manjericão”, e por aí fora, em geral com largos minutos de intervalo entre cada prato e o seguinte, para nos dar tempo de meditar sobre a experiência numa espécie de retiro espiritual momentâneo…
E é de experiência que se pode aqui falar no sentido mais fugaz do termo.
Deliciosa ou intragável, a oferta tende a ser, por princípio, “one time only”, porque quando o empregado anuncia, na sua meia voz enfadada, o “camarão salteado em calda de frutos silvestres e açafrão”, o uso do singular não é metafórico – é mesmo um exemplar único da espécie que se nos apresenta em toda a sua glória, ainda que possa reinar isolado no meio de um prato em que, em tempos, caberia um costeletão de novilho com os respectivos acompanhamentos.
Se se detestar, há pelo menos a consolação de que não haverá qualquer hipótese de reincidência do crime; se se adorar – o que há que reconhecer que muitas vezes acontece – ficará apenas a memória fugidia do prazer inesperado.
A função do “chefe” é proporcionar-nos no palato esta sucessão de sensações momentâneas irrepetíveis, todas elas em doses cuidadosamente homeopáticas, um pouco como as configurações sempre novas de um caleidoscópio – ou, se se preferir uma imagem mais forte, como a versão gastronómica de uma poderosa substância alucinogénia, daquelas que faziam as delícias da geração hippie dos anos 60 quando lhe davam a ver, ora elefantes cor-de-rosa, ora hipopótamos azul-celeste.
Wow!
Que saudades das Donas Adozindas, das Donas Felisminas, das Donas Gertrudes, mais camponesas ainda do que citadinas, com a sua sabedoria, as suas receitas de família, a sua simplicidade, a sua fartura, o seu gosto de servir bem, o seu sentido de tradição e de comunidade!”
Rui Vieira Nery
📷 TripAdvisor-Tia Isabel, Braga

Empresário condenado a 2 anos de prisão por agredir jornalista da TVI

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Pedro Pinho terá também de indemnizar o jornalista, segundo avança a CNN Portugal.

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Ministro vai aguardar para decidir sobre demissões no Hospital de Faro

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O ministro da Saúde considerou hoje o caso da troca de cadáveres no Hospital de Faro “absolutamente lamentável” e disse que vai aguardar os resultados dos inquéritos para decidir sobre o pedido de demissão da administração do hospital.

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Tornado afeta Alcântara e causa danos em edifício do Banco Alimentar

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Tratou-se de “uma supercélula, que passou com bastante atividade e fez um movimento rotacional que terá resultado na imagem semelhante a um funil”, explica o IPMA.

Source: Tornado afeta Alcântara e causa danos em edifício do Banco Alimentar

padrinhos quem não os quer????Recém-licenciado e sem experiência. Eis o novo adjunto de Vieira da Silva

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A nota curricular publicada em Diário da República dá conta da escassa experiência do novo membro do Executivo, cuja nomeação foi publicada a 3 de outubro no portal do Governo.

Source: Recém-licenciado e sem experiência. Eis o novo adjunto de Vieira da Silva

há 10 anos era piada hoje realidade

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😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂
Admirável mundo novo
👴🏾– Alô, é da pizzaria Gordon?
📡– Não, senhor, é da pizzaria Google.
👴🏾– Desculpe, devo ter ligado para o número errado.
📡– Não o número está correto, o Google comprou a pizzaria.
👴🏾– Ah, entendi. Pode anotar o meu pedido?
📡– Claro, o senhor quer a pizza de sempre?
👴🏾– Como assim, você já trabalhava aí, me conhece?
📡– É que de acordo com nossos sistemas, nas últimas 12 vezes o senhor pediu pizza de salame com queijo, massa grossa e bordas recheadas.
👴🏾– Isso, pode fazer essa mesma.
📡– No lugar dessa posso tomar a liberdade de sugerir uma de massa fina, farinha integral, de ricota e rúcula com tomate seco?
👴🏾– Não, eu odeio vegetais!
📡– Mas o seu colesterol está muito alto.
👴🏾– Quem te disse isso? Como você sabe?
📡– Nós acompanhamos os exames laboratoriais de nossos clientes e temos todos os seus resultados dos últimos 7 anos.
👴🏾– Entendi, mas quero a pizza de sempre, eu tomo remédios para controlar o colesterol.
📡– O senhor não está tomando regularmente, porque nos últimos 4 meses só comprou uma caixa com 30 comprimidos, na farmácia do seu bairro.
👴🏾– Comprei mais em outra farmácia.
📡– No seu cartão de crédito não aparece.
👴🏾– Eu paguei em dinheiro.
📡– Mas de acordo com seu extrato bancário o senhor não fez saque no caixa automático nesse período.
👴🏾– Eu tenho outra fonte de renda.
📡– Isso não está constando na sua Declaração de Imposto de Renda, a menos que seja uma fonte pagadora não declarada.
👴🏾🔥– Mas que inferno! Estou cansado de ter minha vida vigiada e vasculhada pelo Google, Facebook, Twitter, WhatsApp, essas porcarias todas! Vou mudar para uma ilha sem internet e sem telefone celular, onde ninguém possa me espionar.
📡😂 – A decisão é sua, senhor, mas quero lhe avisar que seu passaporte venceu há 5 semanas…
Autor: Desconhecido

grutas de timor

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Explorando as grutas de Timor-Leste
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Não tenho dúvidas que a natureza privilegiou Timor-Leste com alguns dos tesouros naturais mais belos do mundo.
Hoje fomos à descoberta de uma gruta chamada Niki Uma, que significa “a casa dos morcegos”.
Situada em Dilor, Posto Administrativo de Lacluta no Município de Viqueque, é um verdadeiro espetáculo da natureza onde o calcário depositado ao longo de milénios, formou depósitos naturais de água com uma beleza indescritível.
A caverna em si, pela grandeza, cor e espaço natural envolvente, constitui um magnífico quadro impossível de ser replicado pelo melhor dos pintores😊.
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