Sobre CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL

Chumbo em toda a linha -Se há coisa que o Governo mostra, é uma total insensibilidade.

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Se há coisa que o Governo mostra, é uma total insensibilidade.

Source: Chumbo em toda a linha – Nota Editorial – Correio da Manhã

Falhanço – Não passamos de passarinhos a bailar no vento. Falha tudo.Francisco Moita Flores – 

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Não passamos de passarinhos a bailar no vento. Falha tudo.

Source: Falhanço – Francisco Moita Flores – Correio da Manhã

BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS

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BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS

BOVINO E O ESPELHO PORTUGUÊS
A estratégia migratória da administração Trump nunca foi um conjunto de medidas avulsas. Foi, desde o início um programa político assente na desumanização.
Migrantes reduzidos a números, crianças separadas dos pais como instrumento dissuasor, centros de detenção onde a exceção se torna norma e a crueldade passou a ser chamada de eficácia. Não foram excessos: foi o método estratégico.
Neste quadro o ICE (Immigration and Customs Enforcement) deixou de ser apenas uma agência de aplicação da lei para assumir o papel de braço operativo de uma narrativa politica. Rusgas mediatizadas, detenções arbitrárias e uma lógica de intimidação permanente tornando-se parte da rotina.
Em Minnesota, essa abordagem ganhou um rosto concreto: Gregory Bovino, responsável pelas operações que trataram comunidades inteiras, como um problema de ordem publica a resolver pela força.
O nome não é metáfora, embora pareça talhado para ela. Bovino é real e a coincidência semântica é perturbadora. Sob a sua liderança, agentes federais ignoraram autoridades locais, militarizaram o espaço cívico e passaram a agir com pessoas como se gere mercadoria: identificar, separar, remover.
A lei deixou de funcionar como limite ético e passou a ser um manual operacional. O medo tornou-se política publica.
As consequências são conhecidas e profundamente desumanas.
Comunidades inteiras vivem num estado de precariedade permanente, onde ir trabalhar, ir à escola ou recorrer a cuidados de saúde implica um cálculo de risco.
A imigração deixou de ser debatida como fenómeno económico e social complexo e passa a ser apresentada como ameaça existencial. O imigrante surge como bode expiatório conveniente para frustrações políticas e falhas estruturais que ninguém quer enfrentar.
O inquietante é que este discurso não nos é distante nem estranho. Em Portugal, o argumentário da extrema-direita segue a mesma lógica: simplificação grosseira, dramatização permanente e a promessa de ordem através da exclusão.
Em Portugal a extrema-direita é uma copia dessa narrativa, assente no “controlo”, na “prioridade nacional” e nos “abusos do sistema”, como se a realidade social pudesse ser resolvida por slogans e suspeição permanente. O que se passa nos Estados Unidos surge, assim, não como uma exceção, mas como um ensaio geral a ser replicado.
Mesmo quando essa narrativa é desmentida pelos factos: só no último ano os imigrantes em Portugal contribuíram com mais de 3.000 milhões de euros para a Segurança Social, já deduzidos os apoios sociais. Não é um detalhe técnico, mas um dado estrutural. Essa contribuição dos imigrantes é hoje decisiva para garantir a sustentabilidade das reformas futuras dos portugueses. Os mesmo que são apresentados como ameaça são, afinal, um dos pilares silenciosos do Estado Social.
Ainda assim, a realidade raramente sobrevive ao ruido ideológico. A extrema-direita prefere ignorar que quem mais contribui é, muitas vezes, quem menos usufrui. A complexidade não rende votos, o medo, sim.
Se essa visão chegar ao poder, não será necessário grande exercício de imaginação. Basta ver o que está a acontecer nos Estados Unidos à escala portuguesa: serviços públicos transformados em instrumentos de vigilância, funcionários convertidos em fiscais improvisados, localidades inteiras sobre suspeita permanente. O que hoje é apresentado como “firmeza” acabará em arbitrariedade e abuso- com igual convicção.
E quem seriam os Gregory Bovino portugueses? Todos aqueles que vão acreditando e se transformando em executores zelosos e que confundem obediência com responsabilidade e dureza com competência.
Em português corrente, “bovino” é quem segue o rebanho sem espírito critico, desde que alguém lhes diga que é “a lei”, que “o povo quer” ou que “lá fora funciona”.
A história mostra-nos que a desumanização começa sempre na linguagem e termina na prática. Quando aceitamos que outros sejam tratados como gado, estamos a preparar o terreno para o dia em que o curral deixe de ter fronteiras- e passe a chamar-se sociedade.

a catástrofe que ninguém viu

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Perguntam-me se depois de ir a Leiria não vi uma catástrofe. Deixem-me ser clara. Entraram pela região ventos ciclónicos de 200km hora, muita coisa não pode resistir a tal. Em Hong Kong com ventos de 140km as pessoas deixam de circular e tapa-se tudo com protecções. O que nós vimos foi um Estado falido em termos de bem estar social. Três dias antes sabia-se da tempestade e no próprio dia deu-se o famoso alerta vermelho cuja única consequência foi “fiquem em casa”. Não se decretou que não se pode ir trabalhar, deixando os trabalhadores nas mãos das empresas, não se decretou que a protecção civil devia ir para a região distribuir geradores e fixar protecções nos vidros. Não se fez nada. E não se fez nada porque não há. Vi carradas de lonas da IL e do Chega a fazer de telhados, com sacos de areia em cima, para não voarem. Que metáfora da privatização. É justo dizer que também deviam lá estar os cartazes do PS e do PSD. Embora, sem dúvida, a AD tenha subido um ponto nisto tudo – o Governo é oficialmente uma agência de comunicação. De má qualidade.
Este é o estado do Estado mínimo para as pessoas, máximo para os lucros. E se acham que é cassete vejam por favor a pomposa notícia no Público há 2 dias quando ainda havia mortos a cair dos telhados na região e sem ajuda alguma – “Objectivo antecipado em um ano: dívida pública ficou abaixo dos 90% em 2025 Governo garantiu, com um excedente provavelmente maior e uma estratégia de antecipação do pagamento da dívida no final do ano, mais um brilharete nas contas públicas”. Que o Públicos escolha para gorda brilharete também nos diz muito…
Enquanto não percebermos isto, que a dívida “pública” é uma alavanca de acumulação de capital de Bancos e fundos, paga com a destruição do Estado Social, e a não contratação de emprego público. Dívida que paga, entre outras, a bolha imobiliária de que fizeram parte empresas como a Mota Engil ou a Teixeira Duarte, porque tudo se concentra nas dívidas e seguros bancários, num esquema piramidal que atinge milhares de pequenas empresas que estão agora destruídas, porque o modelo económico deste capitalismo dependente é armazéns de logística, que voaram, a que pomposamente se dá o nome de “tecido empresarial”, barracões de praia que se dá o nome de “indústria de turismo” e 5 milhões e meio de trabalhardes pobres no Estado e nestas empresas.
O que nós temos é uma catástrofe política. Estamos a discutir o quê? Telhas, postes de electricidade! E fala-se como se tivesse chegado o fim do mundo. Porquê? Porque nem isso, nem uma coisa elementar como reconstrução de telhados e reposição de electricidade está feita uma semana depois. A culpa não é do vento, e do colapso dos serviços públicos. Olhem para a Palestina – onde o Ministro da Educação vai, a Israel, discutir a IA essencial para os drones que matam os palestinianos – , vejam os países que tiveram terramotos, com dezenas de milhar de mortos. O que nós temos é o fim do Estado social, apesar de pagarmos impostos como condenados.
O que nós vimos na Kristin foi a opção Covid “Fique em casa”, a responsabilidade é sua. Fique em casa sem telhados, mas fique. Cada um por si. No Covid sempre defendi que se devia ter requisitado os hotéis vazios e hospitais privados para colocar os idosos dos lares, e não confinar ninguém – o tempo deu razão, é ver agora os colóquios médicos pelo mundo a explicar que há poucas coisas tão absurdas como confinar populações num vírus que circulava em doentes e não doentes. Mas, o que foi feito no Covid? Foi, já na senda das bigtecs, acelerar o digital, em modo delírio, acelerar a destruição do Estado Social com o online. Agora entre nós e um professor há uma plataforma, metade do dia é dedicado a olhar ecrãs, o Ministro, que está em Israel, extinguiu o Ministério, vai a Isreal, cancelou a reunião com os sindicatos e propõe mediadores nas salas de aulas. Saúde? Temos que telefonar e ser atendidos já por IA. Foi isso que fez este Governo com a Kristin – para eles a Kristin é um robot, se quiser um telhado marque 1, se caiu e tem dores marque 2, se tem uma árvore em cima marque 3. E por favor não deixem de se filmar, como o fascista a distribuir águas, ou esta coleção ignóbil de Ministros a filmar-se. A catástrofe é não vermos que temos que nos organizar, contra o Estado, que nos suga cada cêntimo do salário e em troca nos dá…comunicação.
Raquel Varela
May be an image of one or more people

Equipa de seis elementos ajuda zonas destruídas no Centro do País – 

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Estrutura de Missão terá no máximo seis elementos e o presidente poderá vir a ter um salário equiparado ao do primeiro-ministro.

Source: Equipa de seis elementos ajuda zonas destruídas no Centro do País – Sociedade – Correio da Manhã