UMA ENORME TRISTEZA…
Hoje, Rabo de Peixe viveu um daqueles dias que nos deixam o coração apertado, a alma triste e uma profunda sensação de desilusão.
A operação policial realizada no Porto de Pesca, com a apreensão de uma quantidade significativa de droga e a detenção de oito pessoas, já seria, por si só, motivo de enorme preocupação. Mas aquilo que aconteceu depois, o arremesso de pedras e barrotes contra viaturas da Polícia, ultrapassa todos os limites de pessoas que se querem civilizadas.
Como Pároco desta Vila, não posso ficar indiferente. Tenho de condenar, com toda a firmeza, estes comportamentos. Não em nome de uma qualquer guerra contra Rabo de Peixe, mas precisamente porque gosto e respeito mais esta terra que muitos rabopeixenses.
A droga nesta Vila está a destruir vidas!
Está a destruir famílias!
Está a destruir sonhos!
Está a roubar a tranquilidade das nossas ruas e a esperança de tantos jovens. E quando, a tudo isto, se juntam atos de violência contra quem cumpre uma missão de autoridade e segurança, não podemos fingir que nada está a acontecer.
Dói-me, entristece-me e revolta-me!
E confesso: há momentos em que sinto vergonha.
Vergonha não da nossa gente trabalhadora e honesta. Não das famílias boas que temos na nossa Vila. Não dos homens e mulheres que todos os dias levantam esta Vila com o seu trabalho, a sua coragem e a sua dignidade.
Mas vergonha de tudo aquilo que mancha o nome de Rabo de Peixe e que tantas vezes nos faz ser vistos apenas através daquilo que de pior acontece entre nós.
E pergunto-me, com o coração pesado: valerá a pena continuar a defender esta Freguesia?
Sim. Vale!
Vale pelas crianças que ainda sonham.
Vale pelos jovens que querem um futuro diferente.
Vale pelos pais que lutam pelos seus filhos.
Vale pelos pescadores e trabalhadores que acordam cedo e vivem honestamente.
Vale pelos idosos que amam esta terra.
Vale por todos aqueles que, silenciosamente, fazem o bem sem aparecer.
Por essas pessoas, sim, vale a pena.
E é precisamente por amar Rabo de Peixe que não posso calar-me perante aquilo que a está a destruir.
Hoje, mais do que apontar dedos, precisamos de coragem para olhar de frente para esta ferida. Precisamos de famílias presentes, de comunidade, de escola, de Igreja, de instituições e de autoridades. Precisamos de união. E precisamos, sobretudo, de não desistir das pessoas.
A Igreja não abandona esta terra. Eu não abandono esta terra.
Mas defender Rabo de Peixe não significa esconder aquilo que está mal. Significa ter coragem de denunciar o que a destrói e, ao mesmo tempo, lutar por tudo aquilo que nela merece ser amado e preservado.
Que este dia não seja apenas mais uma notícia.
Que seja um alerta.
Porque Rabo de Peixe merece mais, muito mais!
E por todos os homens e mulheres sérios, honestos e justos desta Vila, continuarei a acreditar que é possível escrever uma história diferente.
Rabo de Peixe não pode ser aquilo que alguns fazem dela.
Rabo de Peixe é também aquilo que todos nós, juntos, decidirmos que ela será.