TURISMO E VINHO NO PICO

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Azores Wine Company nomeada para o prémio de arquitetura do ano
A adega da Azores Wine Company (AWC), localizada no lugar do Cais do Mourato, freguesia das Bandeiras, está entre os 60 projetos nomeados, na categoria de arquitetura industrial, para o prémio anual do ArchDaily, o maior portal de arquitetura do mundo.
Enquadrado no ambiente circundante da paisagem da vinha do Pico, classificada como património mundial da UNESCO, o edifício inaugurado em 2021 é um projeto da autoria da DRDH Archiects e Sami-Arquitetos.
O espaço alia a vitivinicultura ao turismo, contemplando nos 2.000 metros quadrados, uma sala de provas, uma ampla sala de eventos, restaurante, alojamento e adega combinando espaços de produção com os de convivência e hotelaria, dentro de um volume único e coerente.
O investimento a rondar os 3,5 milhões de euros foi projetado para criar vinhos brancos de excelência, mas tem, também,
em atenção a vertente do enoturismo, procurando dar corpo ao verdadeiro sentido que a palavra adega tem na ilha do Pico.
“O trabalho arquitetónico foi um longo processo e esta nomeação é mais um reconhecimento para os Açores, para o Pico e para uma paisagem que se transformou ao longo dos últimos 10 anos”, afirma Filipe Rocha, um dos sócios da AWC, acrescentando que a nomeação reconhece o cuidado que a empresa teve para construir um edifício em zona património mundial: “Este é um projeto ligado aos vinhos e por isso era muito importante construir uma adega no verdadeiro conceito da palavra, que é um sítio onde se pode produzir vinhos, dormir e juntar à mesa os amigos. Ou seja, é uma unidade muito completa e que devido à sua dimensão podia ter algum impacto negativo na paisagem, o que não aconteceu. Antes pelo contrário, teve um impacto positivo, além de ter permitido recuperar cerca de 50 hectares de vinha na zona das
Bandeiras”.
O sócio da AWC admite que a nomeação vem dar “visibilidade” à empresa e, independentemente do resultado final, assume que “é uma vitória e vem reconhecer a marca Açores, ajudando a promover a Região e os seus vinhos, particularmente os do Pico”.
Participam na 14.a edição do prémio mais de 4.500 edifícios distribuídos em 15 categorias diferentes, desde obras residenciais a projetos públicos, apresentando o que há de melhor em inovação, sustentabilidade e funcionalidade no campo da arquitetura. Alguns desses edifícios tiveram um impacto significativo no ambiente construído e merecem reconhecimento pela sua excelência.
A adega da Azores Wine Company é o segundo edifício construído no Pico a ser no- meado para o prémio do ArchDaily depois de em 2016 o Cella Bar ter sido eleito o edifício do ano.
(Ilha Maior de 17.02.2023)
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Navigator vai construir fábrica em Aveiro para o negócio do “packaging” – Empresas – Jornal de Negócios

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A fábrica vai ficar localizada no parque industrial de Aveiro e terá uma capacidade inicial de 100 milhões de peças de celulose destinadas a substituir plásticos que protegem alimentos e embalagens de uso único. O início da produção está previsto ocorrer até março de 2024.

Source: Navigator vai construir fábrica em Aveiro para o negócio do “packaging” – Empresas – Jornal de Negócios

COTA MAS FELIZ

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“Somos a geração que comeu Pensal🥣, Amparo e 33 com brinde, leite 🥛com Toddy, papas de farinha Maizena, gemadas e óleo de fígado de bacalhau. Somos a geração que comia Bombocas, Tulicreme à colherada, barrávamos as Bolachas Maria🥯 com manteiga 🧈e comíamos papo-secos🍞🥐 com marmelada. Somos de uma geração que comeu açúcar🥞 que se fartou!!!
O detergente da roupa o OMO também vinha com brinde…íamos atrás das nossas mães para o tanque da aldeia, á espera do momento da abertura da embalagem…🤣
As nossas festas de anos tinham sandes de fiambre e queijo, salada de frutas🍎🍇🍉🍊🍓 e mousse de chocolate. Comíamos batatas fritas🍟, guisados🥘, fritos e estufados🍲. Apesar disto, somos também uma geração que aprendeu a comer sopa🍛, peixe 🐟🐙cozido, legumes 🥦🥕🍅e fruta🍉🍈🍌 a todas as refeições. Não havia comida especial para nós.
Nas férias grandes íamos para a praia 🏖ou para a terra dos pais🚞🚉. Somos a geração que brincava na rua até à hora de jantar 🕕e, no Verão☀️, ainda podíamos brincar depois dessa hora🕙🌙. Andávamos de bicicleta 🚲e íamos a pé 🦶para a escola, sozinhos 🧒ou com amigos 👧👦e sabíamos a tabuada de cor.
Só havia um canal de televisão📺 e a família👨‍👩‍👧‍👦 juntava-se a ver o TV Rural, a Cornélia, 1 2 3 com a sua bota 🥾botilde, Duarte e Companhia, os Jogos Sem Fronteiras, o Tarzan, o Bonanza, a Casa 🏚na Pradaria, o Sandokan 🐅e o Topo Gigio🐭. Somos a geração dos Soldados 👨‍✈️👮‍♂️💸da Fortuna, do Espaço 1999, do Dallas, da Balada de Hill Street, do Barco ⛵do Amor❤, da Fama, do Miami Vice🏎, do Verão Azul e do Justiceiro🕵️‍♂️. Somos a geração da “Gabriela-Cravo e Canela” e da “Vila Faia “. Somos a geração que viu os desenhos 🥰ANIMADOS do Popeye da Heidi e do Marco, da abelha Maia, e viu filmes em que as meninas👧 eram princesas à espera do príncipe 🤴encantado.
Somos da geração do Top 🚀Gun, do Oficial👨‍✈️ e Cavalheiro🤵 e da Lagoa🏝 Azul. Somos da geração que ligávamos para o “Quando o telefona ☎️toca”, ouvíamos os Parodiantes de Lisboa e o Oceano Pacífico🌊. Líamos “As Gémeas”, “Os Cinco”, “Os Sete” e tínhamos todos “A minha Agenda📒“.
Ainda somos do tempo em que os carros 🚗não tinham cinto de segurança nos bancos traseiros nem ar condicionado. Jogávamos ao Monopólio”, à “glória” ao “Sabichão” à carica e ao berlinde. Somos da geração que fazíamos festas 🥳de garagem, frequentávamos as Matinés e dancávamos slows🕺💃. Somos a geração dos bichos da seda. Brincávamos aos Índios e Cowboys com pistolas 🗡a fingir e nenhum mal aconteceu!
Porque a nossa geração fez tudo com conta, peso e medida.
A nossa geração teve mães👩‍🦱👩‍🦳👩‍🦰 que faziam o que podiam da melhor forma que sabiam e não viam um papão em cada esquina. As nossas mães, eram as mães, que nos deixavam lamber a massa crua dos bolos🍰🍪 mas que diziam que comer o bolo quente nos dava a volta à barriga….
Serei cota sim👩‍🦳…. com muito gosto!!!! Que saudades deste tempo, que não volta mais e foi super feliz 🙏❤️😊
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Esmagados pelo sucesso do turismo e imobiliário

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Na verdade, tirando os jovens que não conseguem fixar-se nas cidades (ou mesmo nas periferias), ou os inquilinos despejados, ou os idosos que vão sendo pressionados a sair do centro, isto estava a correr bem. Demasiado bem. A receita do turismo e o investimento estrangeiro no imobiliário ultrapassou os sonhos de qualquer ministro das Finanças e quase tínhamos superavit no ano passado. O milagre trouxe um preço: uma tensão quanto à desproporcionalidade entre os sacrifícios dos que não cabem nas grandes cidades e os ganhos dos que venceram no mercado imobiliário. Uma convulsão social e geracional.

Source: Esmagados pelo sucesso do turismo e imobiliário

AVIAO LISBOA PORTO UMA ABERRAÇÃO

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Ponte aérea entre Lisboa e Porto é “uma aberração ambiental”, afirma especialista em transportes
O especialista em transportes Manuel Tão defendeu que a ponte aérea entre Lisboa e Porto, com menos de 300 quilómetros (km), é “uma aberração ambiental”, que, no caso da TAP, é subsidiada pelos contribuintes.
“Como é que nós podemos ainda hoje ter uma empresa pública e que foi nacionalizada, como a TAP, que foi resgatada com fundos dos nossos dinheiros públicos e que mantém uma aberração ambiental, que é uma linha aérea entre Lisboa e Porto, que tem 250 quilómetros? No fundo, nós contribuintes, estamos a subsidiar um transporte que é, ele próprio, um atentado ambiental”, defendeu Manuel Tão.
O especialista em transportes da Universidade do Algarve, falava em entrevista à agência Lusa, a propósito do Plano Ferroviário Nacional (PFN), apresentado em meados de novembro e que se encontra atualmente em fase de consulta pública, até 28 de fevereiro.
Relativamente ao PFN, o especialista em transportes não antevê que problemas de nível ambiental sejam um constrangimento para que uma parte significativa desse plano venha a tornar-se realidade.
“Em qualquer coisa como três décadas, construíram-se 3.000 quilómetros de novas autoestradas e não me recordo de qualquer tipo de problema ambiental na construção de autoestradas”, apontou.
Para Manuel Tão, a aposta na rodovia, em detrimento da ferrovia, nos últimos 37 anos, desde a adesão de Portugal à União Europeia (então Comunidade Económica Europeia), tratou-se de “um grande equívoco da classe política” no Governo.
“[Os governantes] confundiram um modelo americano com o modelo europeu, isto é, [entenderam] que aquilo que seria uma mobilidade garantida pelo automóvel particular tinha a virtuosidade de ter efeitos de crescimento económico e desenvolvimento do território que realmente não teve. Aquilo que nós hoje somos é praticamente um país rodoviário. Estamos completamente dependentes de um recurso que não temos, que é o petróleo”, apontou.
Segundo o especialista, o que o Estado paga a cada três anos às parcerias público-privadas das autoestradas equivale a uma linha ferroviária de alta velocidade Lisboa-Porto.
Pelo contrário, exemplificou, Espanha, que aderiu à União Europeia ao mesmo tempo, construiu “mais de 4.000 quilómetros de novas linhas de caminho-de-ferro”.
Com aquele investimento, o país vizinho deixou de ter uma ponte aérea de cerca de 600 km entre Madrid e Barcelona, uma vez que o comboio, que demorava cerca de oito horas e meia, atualmente leva pouco mais de duas horas a fazer a ligação.
“Nós estamos, de facto, num caminho completamente oposto daquilo que é o paradigma europeu e da União Europeia de descarbonização, de aliviar outro tipo de efeitos negativos do transporte aéreo e transporte rodoviário a nível do congestionamento, ou a nível da sinistralidade”, acrescentou Manuel Tão.
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NÃO A ESSE CARNAVAL

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👏👏👏👏 Bravo! Vale a pena ler!
“É essencial investir na família e instituições, no fundo, amparar os nossos idosos e proporcionar-lhes o direito à vida e bem-estar, aos afetos que deverão ser imutáveis, constantes. Mas vamos ser mais sensatos. Os nossos pais e avós não são para exibir no Carnaval. Salvo se gostarem e o quiserem, claro!”
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Às portas de mais um Carnaval
Eu não quero fantasiar-me de princesa aos 80 anos, quando na realidade fui plebeia a vida inteira e não sonhei ser outra coisa…
Não gosto do Carnaval. Nunca me mascarei. Para mim será impensável vir a fazê-lo ou a “exigirem-me” que o faça, quando estiver num Lar.
É comum vermos os nossos idosos, sobretudo nestes dias, mascarados em desfiles carnavalescos. Surge-me de imediato a dúvida se estão todos ali por gostarem muito do Carnaval ou se vão, independentemente da sua real vontade, a cumprirem o estabelecido no Plano Anual de Atividades da instituição.
Sei que é lúdico e que a alegria é um estado psíquico que devemos proporcionar a todos os indivíduos, mas a verdade é que essa atitude tem que vir também de dentro, não chega só o que recebe do exterior. Neste caso, penso eu e por mim falo, tem que fazer parte da história cultural e pessoal de cada um. O respeito à dignidade é fundamental. Não me parece que a minha mãe que nunca gostou de Carnaval, agora aos 80 anos e se estivesse num Lar ou associação, fosse “obrigada”, a participar num desfile, pelas ruas da cidade, o fizesse.
Eu nem o permitiria, estando na posse de todas as minhas faculdades mentais.
Passei por um destes desfiles e falando com algumas pessoas adivinhei-lhes uma tristeza silenciosa que nada condiz com o Carnaval, dedicado à folia.
São estas as contradições da vida. A mesma vida que põe a nu, tantas vezes o ridículo de sermos considerados um rebanho…
E isto vem a propósito do que vejo nas nossas instituições: lares, juntas de freguesias e/ou outras associações que acolhem os nossos idosos.
Bem sei que a sociedade está em processo de envelhecimento e que continuará a ser necessário uma reorganização da mesma e o empenhamento de todos, repondo a dignidade – às vezes pouco levada a sério, como forma de defesa dos direitos usurpados a quem deu tudo.
É essencial investir na família e instituições, no fundo, amparar os nossos idosos e proporcionar-lhes o direito à vida e bem-estar, aos afetos que deverão ser imutáveis, constantes. Mas vamos ser mais sensatos. Os nossos pais e avós não são para exibir no Carnaval. Salvo se gostarem e o quiserem, claro!
Acredito, contudo, nas instituições e no seu papel social e cultural, numa sociedade de oportunidades e mais justa.
É caso para dizer: “Não me obriguem a vir para a rua gritar…” a minha indignação.
Ainda bem que o Carnaval são 3 dias!
Rosa Fonseca
(imagem pública – Net)

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E AS CASAS DO ESTADO?

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AÇORIANOS

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O Embaixador Marcello Mathias, cuja escrita aprecio muito, traz-nos, neste trabalho, não a sua escrita, límpida, escorreita e filosoficamente densa, mas a de outros escritores e pensadores portugueses destes dois séculos de ditadura política e democracia da mediocridade. O prognóstico está feito, é preciso é ação. Açorianos estão presentes Nemésio, Fernando Aires, Augusto Athayde e Onésimo este último ainda vivo e a produzir pensamento entre a Brown na terra do Tio Sam e o Pico da Pedra.
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You, Maria João Ruivo, Ricardo Teixeira and 22 others

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PORTUGAL E O JAPÃO

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480 anos depois, por um Portugal moderno e competitivo no Japão.
Em 2023 assinalam-se os 480 anos da chegada dos primeiros portugueses ao Japão.
No imaginário coletivo ficaram diversos episódios desse encontro, desde a tormenta que levou três mercadores lusos a aportarem em Tanegashima em 1543, à introdução da espingarda no arquipélago, à missionação da Companhia de Jesus, ou ainda à abertura do porto de Nagasáqui.
A nossa primeira presença no Japão prolongou-se por quase um século, terminando em 1639 com o último édito de expulsão dos portugueses do território nipónico.
Esse período assistiu a um intenso e singular intercâmbio entre os dois países, como também entre o Ocidente e o Oriente, que deixou marcas indeléveis nos nossos povos.
Mas uma vez interrompido, foi necessário esperar até 1860 para estabelecermos as relações diplomáticas que constituem a base do segundo encontro luso-nipónico, que se prolonga até ao presente.
Esta efeméride está a ser aproveitada na prossecução de uma estratégia mais abrangente de modernização do relacionamento com o Japão, de olhos postos no futuro e em todas as áreas.
Quer ao nível das autoridades governamentais, quer do setor privado e da sociedade civil, tenho assistido a um crescente interesse de Portugal em reintroduzir o dinamismo e inovação que historicamente pautaram as nossas ligações ao País do Sol Nascente.
Cabe-nos, pois, articular esta procura e desenvolvê-la para tirarmos o máximo proveito das oportunidades que se nos deparam.
O primeiro e mais evidente símbolo dessa estratégia foi a mudança da Embaixada de Portugal em Tóquio para um novo edifício, mais amplo e funcional, que permitirá relançar diversas atividades nas áreas diplomática, económica, cultural e turística.
Embora já operacional, a embaixada será formalmente inaugurada com representantes dos Estados português e japonês, no dia 2 de março, e culminará no desvelar de uma icónica obra original alusiva à amizade luso-nipónica de um dos mais renomados artistas nacionais contemporâneos.
O segundo momento desta nova dinâmica foi o lançamento de um logótipo conjunto entre as Embaixadas do Japão em Lisboa, e de Portugal em Tóquio, alusivo aos 480 anos de amizade entre os nossos países.
Em colaboração estreita com o meu homólogo, Embaixador Ota Makoto, a quem estendo um sentido agradecimento, cumprimos assim um tributo à longa história que nos une e abrimos portas para uma parceria assente em valores e interesses partilhados.
Se a nova embaixada será a plataforma para projetar o Portugal moderno e competitivo no Japão, cumpre definir a estratégia de jogo para atingirmos os objetivos.
Esta assentará primordialmente na dimensão económica.
Para este desiderato, a Embaixada e a delegação da AICEP em Tóquio têm estreitado o relacionamento com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Japonesa (CCILJ) e aprofundado os trabalhos de prospeção, consulta e acompanhamento junto de empresas japonesas.
Importa, e muito, atrairmos mais investimento nipónico para o nosso país, que tem tido um assinalável sucesso, contribuindo para gerar emprego e inovar o tecido tecnológico das empresas portuguesas.
De igual modo, continuaremos apostados em aumentar o volume e valor das exportações nacionais, subindo paulatinamente a cadeia de produção para bens de valor acrescentado, incluindo em setores tradicionais como os vinhos, têxteis e alimentar.
Ao mesmo tempo, temos intensificado o diálogo para explorarmos projetos de cooperação na área das energias renováveis (v.g., hidrogénio, solar e eólica offshore) para abastecer as nossas redes, e preparado o caminho para dinamizar o ecossistema das empresas start-ups.
A dimensão cultural assume também lugar de destaque na nossa estratégia.
Ela constitui um alicerce fundamental (e histórico) da nossa afirmação e pretende ir ao encontro do interesse que o povo japonês mantém pelas artes e língua portuguesas.
Durante toda uma semana, em finais de maio e início de junho, a Embaixada e o Centro Cultural Português irão organizar a primeira Festa de Portugal no Japão, um evento-bandeira para inserir o nosso país no calendário cultural de Tóquio.
Nesta versão inaugural, o evento será organizado em torno da exposição “My Plan for Japan”, da aclamada artista Ana Aragão, que trará uma perspetiva única sobre a paisagem urbana japonesa, inspirada nos grandes mestres arquitetónicos.
Contaremos igualmente com os apoios da Direção-Geral das Artes, que em boa-hora inseriu os 480 anos da chegada dos portugueses ao Japão como uma das suas três orientações estratégicas do Programa de apoio a Projetos – Internacionalizar, cujas candidaturas estiveram abertas até 10 de fevereiro.
Estes apoios destinam-se a iniciativas culturais a realizar no Japão até outubro de 2024 e permitirão reforçar a internacionalização dos nossos artistas.
Recordo ainda um dos principais eventos internacionais no horizonte, no qual teremos presença garantida e começamos, desde já, a trabalhar: a Expo 2025.
Durante seis meses, de abril a outubro de 2025, Osaka acolherá a sua terceira Expo (após 1970 e 1990), sob o tema “Designing Future Society for Our Lives”.
Portugal não pode, nem deve, perder a oportunidade de se assumir como um parceiro importante, de exibir as valências tecnológicas, económicas e culturais de que dispomos diante dos pavilhões do resto do mundo.
Cumpre também referir que, nesta recuperação pós-pandémica, a Embaixada e o escritório do Turismo de Portugal em Tóquio têm procurado acelerar a retoma dos fluxos turísticos provenientes do Japão.
As novas tendências de viagens e consumo permitem antecipar uma maior diversificação da procura, o que favorecerá as regiões do interior, estadias de maior receita, e uma experiência mais alargada do nosso país.
Por fim, estão sob consideração diversas visitas de membros do Governo e outras altas entidades ao Japão para continuarmos a expandir o número de instrumentos de cooperação bilateral.
Estes permitirão concretizar o ensejo recíproco de estreitarmos as nossas relações de amizade e de aproximarmos o que os oceanos separam.
Esta é uma oportunidade única para afirmarmos o Portugal moderno e competitivo que rege todo o nosso trabalho no Japão.
Quatrocentos e oitenta anos depois, estamos bem lançados para consolidar a parceria estratégica em setores-chave das nossas economias e sociedades.
Contem connosco!
(Embaixador de Portugal no Japão).
Jornal Diário de Notícias, 16 de Fevereiro de 2023.
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o patuá em risco de morte

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  • Miguel S Fernandes

    Não está fácil, meu caro… mas há obstinação para continuarmos 😊
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    • Luis Almeida Pinto

      Eu sei que sim, Miguel S Fernandes, e o vosso trabalho tem sido magnífico! 😍
      Espero que as pessoas de Macau, todas elas que aqui estão e coabitam nesta Cidade Linda, jamais se esqueçam que o Patuá tem que se manter como língua criola viva, expressão ancestral privilegiada de um contacto e interação de culturas, e não apenas uma matéria de estudo dos académicos, como língua morta!
      Um grande abraço
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    • Pedro Penetra Neves

      FORÇA 💪
      Por mais difícil que esteja, não desistam, para manter a língua e cultura Macaense 🙏🙌
      Um Grande, e Forte ABRAÇO Miguel 🫂
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nuno goulart

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Nuno Goulart, do Pico a São Miguel passando por Santa Maria
Surgem nuvens no céu!
Nuno Goulart, natural do Pico, conta-nos um pouco da sua história de vida nesta entrevista. Apesar de bom aluno e de ser vontade da sua mãe que prosseguisse com os estudos, viu-se forçado a abandonar a escola quando completou a quarta classe para ajudar o seu pai nas terras. Cumpriu serviço militar, onde se destacou na especialidade de armas pesadas, trabalhou na Alfândega durante nove anos e foi bancário durante 26 anos, passando pelas transições de Banco Micaelense a Banco Comercial dos Açores e, mais tarde, a Banif. Aos 82 anos, o açoriano revela que há duas coisas que faz melhor com esta idade, nomeadamente cantar e jogar ténis de mesa. Outra actividade que lhe dá muito prazer é a escrita. Já com um livro lançado, Nuno Goulart irá apresentar uma segunda obra, intitulada “Retratos D’Alma”, a 23 de Fevereiro, data em que celebra 60 anos de casamento.
Correio dos Açores – Onde nasceu e onde frequentou a escola primária?
Nuno Goulart (ex-bancário e escritor;82 anos de idade) – Nasci a 28 de Agosto de 1940 no lugar da Mirateca da freguesia da Candelária, concelho de Madalena, na ilha do Pico, talvez o único sítio onde se venera São Nuno de Santa Maria.
Frequentei a escola primária da Candelária e, como faço anos em Agosto, entrei já com sete anos. Era bom aluno e fui passando de classe em classe. Ao chegar à quarta classe, tendo em conta que a turma tinha muitos alunos, todos em condições de ir a exame, embora uns fossem melhores alunos que outros, a professora resolveu deixar atrás alguns, para não ficar sem alunos no ano lectivo seguinte. Então, ficámos quatro, incluindo eu. Ou seja, fiquei dois anos na quarta classe, apesar de estar pronto a ir a exame. Quando fomos fazer a prova, dos quatro alunos, três foram aprovados com distinção e eu fui considerado o melhor aluno em Português. Tinha 11 anos quando finalizei a quarta classe.
Após terminar a quarta classe prosseguiu com os estudos ou teve que ajudar os seus pais?
A minha mãe queria que eu fosse estudar para a Horta, porque no Pico não havia nenhum estabelecimento onde eu pudesse prosseguir com os estudos. No entanto, como não éramos ricos, o meu pai entendeu que eu deveria ir para as terras trabalhar com ele. E assim foi. Normalmente, trabalhava quatro dias “para fora”, isto é, tratava das terras de pessoas abastadas que tinham muitos prédios, para ganhar algum dinheiro, e trabalhava dois dias com o meu pai. Ou seja, a semana de trabalho era de seis dias, trabalhava-se ao Sábado, inclusive.
Rocei silvado, cavei vinhas, semeei batatas, milho, entre outras coisas. Comecei a trabalhar para fora com 14 anos, a ganhar 14 escudos por dia e dizia, em jeito de brincadeira, que cada ano de vida equivalia a um escudo.
No Verão, as principais actividades eram vindimar e apanhar figos. Untávamos os figos com azeite, mais concretamente o bico do meio do fruto quando fica vermelho, com uns paus próprios feitos com algodão e linha embrulhados. Ao untar os figos, estes amadurecem todos passados oito a nove dias. Recordo-me de apanhar selhas de figos que eram para lambicar e fazer a água ardente. Fui criado com isso.
Além disso, a minha avó tinha um estabelecimento onde vendia de fazendas (tecidos) ao metro e mercearias. Lembro-me de embrulhar, com uma determinada técnica, açúcar e farinha naqueles papéis acastanhados. Não éramos ricos, mas nunca passámos necessidades.
Nessa altura era obrigatório cumprir serviço militar. Que percurso fez e como foi a sua experiência?
Naquela altura, íamos à inspecção militar com 20 anos. Quando chegou à altura, antes de nos apresentarmos, eu e quatro amigos, bebemos uns copos e combinámos dizer que queríamos ir para a Marinha quando nos perguntassem qual a nossa preferência. Na época, ir para a Marinha era muito difícil. Dissemos aquilo, no entanto, nunca mais pensámos nisso.
Surpreendentemente, em Agosto recebi uma guia de marcha da Câmara a dizer que tinha sido aceite para a Marinha e tinha que me apresentar em Alfeite até 10 de Setembro.
Só havia os navios “Carvalho Araújo” e o “Lima”, alternando-se cada um no mês. Três amigos arranjaram lugar no “Carvalho Araújo”, contudo, eu e outro amigo não conseguimos. Então, tivemos conhecimento que havia um barco patrulha que vinha a Ponta Delgada de seis em seis meses.
Apesar de este patrulha estar à espera, como não veio a ordem de forma, fomos apresentar-nos ao Chefe de Estado Maior com a guia de marcha. Nesta altura ainda não havia telefones e ele fez um rádio para Alfeite, de onde nos deram indicação para aguardar, pois já não chegaríamos a tempo e que iríamos ser chamados para o Exército. Nunca me esqueço, trataram-nos por mancebos.
Em 1961 vim para Ponta Delgada. A minha especialidade era bateria de costa, ou seja, armas pesadas. Mais tarde, vim a descobrir que estive quase a ir para o Ultramar. Só não fui porque no início da guerra eles não precisavam de armas pesadas, mas sim de atiradores.
Estive em Belém dois meses, até ao juramento de bandeira, e daí fui para a Castanheira fazer a especialidade. Depois de aprendermos a especialidade, iríamos para a Horta acabar o tempo.
Em Dezembro fui para a Horta, para as aulas de cabo e, como fiquei em terceiro lugar, fui logo promovido a primeiro cabo. Não fazia serviço de escala e fiquei sozinho numa arrecadação de material de guerra, onde tinha um quarto pequeno com uma cama. Tinha os fins-de-semana sempre livres e ia a casa. De Inverno, o canal entre o Faial e o Pico mexe bem, apanhei mau tempo algumas vezes.
Tendo em conta que eu era dos melhores classificados e estes é que saem primeiro, saí definitivamente da tropa no fim de Outubro. No total, tive apenas 16 meses de tropa.
Como conheceu a sua mulher? Quando casou e teve filhos?
A minha mulher também é da Mirateca e morava a cerca de 50 metros da minha casa. Começámos a namorar com 13 anos. Escrevíamos bilhetes um ao outro que dávamos a uma amiga dela que servia de intermediária para a entrega dos bilhetes. Quando nos víamos, passávamos um sorriso e pouco mais. A minha mulher é mais velha do que eu dois meses e um dia. No dia em que ela completou 18 anos, eu ainda tinha 17, fui pedi-la em casamento. O meu sogro estava reticente, mas eu sabia que a minha sogra me apoiava. A partir daí, namorámos mais uns anos e eu já ia lá a casa.
Como já namorávamos há muitos anos e estávamos fartos de ir para as festas com a minha irmã mais nova sempre a acompanhar-nos, disse ao meu pai que íamos casar. Tinha apenas 22 anos. O meu pai não se opôs, mas como costumavam dar uma oferta grande, nomeadamente um baú ou uma caixa de madeira com roupas de cama e outras coisas, ele mostrou-se preocupado porque não tinha dinheiro. Então, a solução encontrada foi que, a partir daquele dia, o dinheiro que eu ganhasse a trabalhar ficava para mim, pois antes entregava o dinheiro em casa.
Casámos a 21 de Fevereiro de 1963 e a 23 de Fevereiro de 1964, um ano e dois dias depois, nasceu o nosso primeiro filho, o António. O segundo filho viria a nascer 18 meses depois e demos o nome de Nuno, pois ele nasceu na altura da festa de São Nuno da Mirateca.
Em 1968, nasceu a nossa terceira filha, no hospital da Horta, porém com a denominada doença azul, em que o sangue arterial se misturava com o sangue venoso. Esta menina morreu ao quinto dia de vida. O médico aconselhou a minha mulher a engravidar novamente para tentar ultrapassar o trauma. Em 1971 fomos para Santa Maria por causa do meu trabalho na Alfândega e a minha mulher já ia grávida. O nosso filho Hélder nasceu em Santa Maria. Passado um ano, a minha mulher deu à luz a nossa filha Célia.
Como começou a trabalhar na Alfândega?
A minha avó paterna era da mesma idade que o Sr. Cardeal D. José da Costa Nunes, uma pessoa muito importante e a irmã dele, a D. Chica, era muito amiga do Director-geral das Alfândegas lá fora. Através deles, tive conhecimento que a Alfândega ia admitir três empregados.
Eles punham de Verão uma lancha na baía do Faial e, como tal, precisavam de remadores para tomar conta. A lancha era muito bonita, toda cromada em metal e, como era bem cuidada, estava sempre a brilhar. Curiosamente, a farda de remador era igual à da Marinha, só que era cinzenta em vez de branca. Já que não vesti a farda da Marinha, que muito gostava, vesti a da Alfândega.
No tempo que estive em Santa Maria, ganhava um terço a mais do vencimento. Recordo-me de pagar 62 escudos de renda de casa, incluindo água e luz. Tomávamos banho com uns baldes grandes que tinha uns furos. Quando saíamos, deixávamos um tacho grande com água a aquecer e quando chegávamos a casa já estava aquecida. Lembro-me que, muitas vezes, tinha que estar às 05h00 na Alfândega por causa dos aviões que vinham da América e Canadá. Trabalhei nove anos na Alfândega.
Foi nesta altura da minha vida que comecei a estudar à noite e fiz o quinto ano antigo, ao que chamávamos o curso geral dos liceus, ao mesmo tempo que trabalhava, que equivale ao 5º e 6º anos actuais. Fazíamos a inscrição como externos e íamos fazer exame com os internos, que era igual para todos. A título de curiosidade, no ano em que fiz o exame de Português, o liceu foi assaltado e roubaram as provas que tinham vindo de fora. Então, tiveram que fazer de novo e saiu Frei Luís de Sousa. Por acaso, tinha lido a obra há poucos dias e sabia tudo quase de cor.
Quando vem viver para São Miguel?
Em 1972, depois de ter completado o quinto ano antigo, disseram-me que tinham aberto vagas para o Banco Micaelense. Comecei a trabalhar no banco no dia 1 de Março de 1973. Em Junho do mesmo ano fui ajudar a abrir a agência da Ribeira Grande. Ganhava cinco contos e quinhentos, o dobro do que auferia um professor na altura, que rondava os dois contos e quinhentos.
Depois, com o 25 de Abril de 1974, os bancários nunca mais tiveram aumentos e os professores foram subindo.
Um ano mais tarde, em 1975, abriu a agência da Horta e eu voltei para o Faial. Seis anos depois, em 1981, mudei-me com a minha família novamente para São Miguel e ficámos cá até hoje.
Como foi a sua experiência no Banco Micaelense e como este evoluiu para Banco Comercial dos Açores?
Quando entrei para o Banco Micaelense, fui o empregado número 16. Na época, só existia o balcão da Matriz e a agência da Horta. A agência de Vila do Porto era o número 3. Só mais tarde é que se abriu na Terceira, em São Jorge, na Graciosa, etc.
Reformei-me em 1998. Apesar de ter 26 anos de banco, tinha 9 anos de Alfândega e juntando ao tempo de serviço militar, deu-me a reforma completa. Depois de já estar reformado, com a entrada do euro, chamaram-me para ir trabalhar. Ora, o euro entrou em Janeiro de 2002 e eles pediram-me para ir trabalhar em Outubro de 2001 para preparar a minha entrada. Trabalhei cinco meses a recibo verde. Se não fosse um funcionário sério, eles não me iam buscar. Costumo dizer que não quero ser o melhor em nada, mas quero ser bom no que faço.
Houve funcionários que choraram quando o Banco Comercial dos Açores foi vendido ao Banif. Na altura, enquanto funcionário, foi favorável ou contra esta venda? Porquê?
Fui contra como quase todos os outros funcionários. Sabíamos que, enquanto o Sr. Horácio Roque fosse vivo, ia aguentar o banco, mas que as suas duas filhas, quando o pai falecesse, iam vender o banco. Por outro lado, não nos afectou directamente na medida em que não perdíamos os nossos postos de trabalho.
Vai lançar, no dia do 60º aniversário do seu casamento, o livro ‘Retratos D’Alma’. Este livro fala de quê?
Não podia deixar passar esta data. Este livro é composto por 94 sonetos. Para escrevê-los vim à Biblioteca Pública pelo menos duas vezes estudar os sonetos de Antero de Quental. Quando pensei fazer um livro de sonetos, todos com quem falei aconselharam-me a não me meter nisto, mas, como sou teimoso, decidi ir em frente. O mais difícil para mim foi escrever os tercetos, pois o primeiro verso tem de rimar com o terceiro, o segundo com o quinto e o quarto com o sexto. As quadras eu faço a brincar. Todos os sonetos têm um título.
A sua vida está também marcada pelo canto e a música? Quando surgiu esta aptidão? E como tem evoluído?
Como não havia praticamente mais nada no Pico na altura em que me criei, quando saí da escola, principiei logo a aprender música. A freguesia da Candelária não tinha filarmónicas, tinha era tunas e instrumentos de cordas. Quando comecei, dei o primeiro solfejo de Tomás Borba e depois aprendi a tocar bandolim. Aos 14 anos, já saía a tocar nos ranchos e eu cantava à frente, porque tinha boa voz e bom ouvido.
Além disso, sou dos sócios fundadores do Orfeão Edmundo Machado Oliveira e cheguei a ser ensaiador dos Tenores. Nos últimos três anos, estive no Conservatório em canto livre, onde aprendi a colocar a voz. Tem de se atirar a voz para o palato e usar o diafragma na respiração. Hoje, com 82 anos, digo que faço duas coisas melhor do que quando era novo, designadamente jogar ténis de mesa e cantar melhor.
É também considerado um bom jogador de ténis de mesa…
O Sindicato tem uma mesa sempre armada e eu costumo ir jogar dois dias por semana com alguns amigos. Sou sócio do Inatel há 38 anos e cheguei a ir a Lisboa três a quatro vezes. A última vez foi por equipas. Tínhamos cá, como professores, dois bons jogadores do continente e eu fui com eles disputar o campeonato. Fiquei em casa de um deles em Seia, subimos à Serra da Estrela duas vezes e, como fomos em Maio, ainda vimos neve nos cantinhos onde o sol não chegava. Funcionava da seguinte forma: o campeão de São Miguel jogava com o campeão de Angra e com o da Horta. Destes três, o que vencesse, ia a Lisboa. Recordo-me que esse foi o primeiro ano que São Miguel ganhou à Terceira. Como eu era o mais velho, eles ofereceram-me a taça, pelo que posso afirmar que eu é que tenho a taça de campeão por equipas açorianas. Além desta, tenho uma quantidade delas. No banco eu é que costumava preparar os torneios e ganhava quase sempre.
A sua forma de estar na vida fez com que granjeasse a estima de muitos amigos. Qual tem sido o segredo?
Julgo que é pelo meu feitio. Às vezes digo que as pessoas do Pico são diferentes das de São Miguel. Não me refiro às freguesias, pois no meio rural é diferente, mas em Ponta Delgada, por exemplo, na rua onde moro há pessoas que me vêem todos os dias e conhecem-me, assim como eu os conheço e não dizem nem bom dia, nem boa tarde. Todavia, como tudo na vida, não se pode generalizar, visto que há sempre aqueles que cumprimentam.
Depois de tudo o que tem feito ao longo da sua vida, que sonhos ainda tem por realizar? O que lhe falta ainda fazer?
Com esta idade já não posso fazer muito. O que eu posso fazer melhor agora e que me dá mais gozo é escrever. Neste momento, estou a escrever um livro em quadras para lançar daqui a dois anos. A dificuldade é vendê-los depois.
Carlota Pimentel
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