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josé soares Peixe do meu quintal Manhosa Democracia

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Peixe do meu quintal

Manhosa Democracia

As eleições nos vários territórios ibéricos, sob o domínio secular de Castela e a que se convencionou astutamente chamar Espanha, trouxeram à luz da realidade incómoda para Madrid, toda a hipocrisia envolta num velho manto malcheiroso e mofento, a que os castelhanos teimam em chamar-lhe democracia.

Já tenho escrito (e muitos outros igualmente o fazem) que a Península Ibérica é uma manta de retalhos. Vários países continuam subjugados pelas forças centralistas de Castela. Portugal foi o único que conseguiu safar-se do jugo castelhano graças às sucessivas intentonas da Catalunha que em 1640 se levantaram para nova tentativa de libertação. Castela teve de enviar, de urgência, o grosso das forças militares estacionadas na ocupação de Portugal. Ficando Lisboa desprovida de defesa castelhana, D. João IV aproveitou a fraca resistência e conseguiu libertar Portugal.

Hipocritamente, os políticos portugueses não falam muito desta realidade histórica, em troca de um bom relacionamento com Castela. Mas o facto é que muito deveríamos agradecer aos nossos patrícios catalães pela liberdade e independência portuguesa que ainda hoje desfrutamos.

Mas agora, com as eleições castelhanas em toda a Hispânia e com resultados insuficientes dos grandes partidos políticos para formarem governo de maioria, o partido socialista pensa aliar-se com os independentistas que foram detidos por causa do referendo de 2017 para a independência da Catalunha. O mesmo catalão, Carles Puigdemont, que teve de fugir na bagageira de um carro para não ser preso pelos dirigentes de Madrid, é agora ‘procurado’ pelo partido socialista operário espanhol de Pedro Sánchez para poder obter o número suficiente de deputados e assim formar o próximo governo. Ironia das ironias.

Claro que Puigdemont exige imunidade jurídica pelos crimes de que é acusado, por ter querido dar a independência à Catalunha, a seguir ao referendo de 2017, realizado à revelia da constituição espanhola e com a brutal perseguição policial ordenada por Madrid durante o ato referendário de 2017.

A tudo isto o mundo democrático assobiou para o lado, fingindo que nada via.

Num interessante artigo publicado no “Diário de Notícias” intitulado “O regresso da base das Lages”, pode ler-se, entre outras coisas:

“Uma nova realidade estratégica (e tecnológica), que envolve EUA, China e Rússia numa disputa pelo controlo do espaço geoestratégico dos Açores e do Atlântico em geral, reacende no pensamento militar norte-americano um debate sobre a importância da Base das Lajes enquanto ativo “essencial”. Depois de um downsizing (2015) que nunca foi bem aceite pelos militares, a base é agora equacionada como principal infraestrutura dos EUA na Europa num horizonte até 2050… A discussão pública à volta da importância da Base das Lajes para os EUA, enquanto potência que domina e quer continuar a dominar o Atlântico, está ativa nos anos mais recentes e com particular incidência na atualidade, por iniciativa de militares norte-americanos e da própria comunicação social militar. A capacidade demonstrada pela Rússia para invadir a Ucrânia e para entrar com submarinos no espaço do Atlântico Norte parece ter despertado o pensamento estratégico norte-americano para a necessidade de precaver os meios, o que leva Hardeman a afirmar que as duas bases até há poucos dias sob o seu comando, além de serem plataformas estratégicas de projeção de poder, tornam possível aos bombardeiros e caças permanecerem fora da área de ameaça russa, mas suficientemente perto para apoiarem a iniciativa de dissuasão europeia e a operação no Médio Oriente. Na prática, esta visão aproxima a Base das Lajes de uma base de ataque, com bombardeiros e caças partindo de uma posição segura e certamente apoiados por reabastecedores. Hardeman avisa que a China continua a expandir-se para a África e para a região do Atlântico, enquanto a Rússia se assume como “uma ameaça desestabilizadora”. Está assim ultrapassado o discurso de desvalorização das capacidades da Rússia e de remissão da China para uma potência regional, admitindo-se que os dois poderes convirjam com os EUA numa disputa estratégica também no Atlântico.”

Para um bom entendedor, meia palavra basta…

 

 

 

 

jose.soares@peixedomeuquintal.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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s miguel discriminação inacreditável

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Notas da Ilha II
Lá na ilha, no meio do oceano-mar, fui impedida de me sentar numa esplanada.
Em pleno século XXI, numa cidade que se está a modernizar, e a abrir ao turismo. Num bar/restaurante, numa das ruas principais do comércio, que vem em todos os guias turísticos, e que é considerado uma referência, e prova, da inovação e transformação locais.
Da belíssima adaptação de um espaço antigo e abandonado, tornado lugar de referência.
Foi-me dito que podia sentar-me ao balcão, lá dentro.
Mas que não podia jantar numa das mesas de fora.
Porque estava sozinha.
Nunca, em lado nenhum, me tinham impedido de sentar onde quer que seja, por estar sozinha.
Fiquei tão atónita que virei costas e saí dali o mais depressa que pude.
Devia ter pedido o livro de reclamações, claro.
Devia ter protestado, obviamente.
Mas a indignação que senti, só me fez afastar-me.
Não sei que argumento pode existir para impedir alguém de se sentar, sozinho, numa esplanada a jantar.
Não consigo imaginar, sequer.
Não sei se teria acontecido o mesmo a um homem.
Quero pensar que sim.
Que não foi uma questão de género.
Mas então foi o quê?
Existe um nome para a discriminação de alguém que não está acompanhado?
Será que receavam que eu não gastasse o suficiente para estar a ocupar uma mesa?
O que raio passa pela cabeça de alguém para criar uma regra destas?
É legal, sequer?
Há, como imaginam, muitas coisas que não correm bem na minha adorada ilha.
Mas por esta, não esperava.
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Jose Lopes de Araújo

Isso é inaceitável !Devia dizer-nos o nome para que fosse público esse disparate.
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Izu: Tebe-Tebe Likurai continua a ser copiada livremente sem autorização – TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

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DÍLI, 23 de agosto de 2023 (TATOLI) – “Em Timor, os indivíduos continuam a utilizar, a copiar, a comercializar e a reproduzir livremente obras sem o conhecimento dos autores”. Esta é a opinião de Deonízio Pereira, ‘Izu’, um cantor timorense de 40 anos. Uma voz, entre tantas outras, que pede à Secretaria de Estado das […]

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foi acidente

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Exame Informática | CEO da Zoom diz que reuniões por Zoom afetam capacidade de inovação da empresa

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A tecnológica cujas ferramentas se tornaram num símbolo do teletrabalho está agora, ela própria, a levantar questões sobre o impacto do trabalho remoto na cultura e capacidade de inovação da empresa

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crime imperfeito Dentista milionário condenado a prisão perpétua por matar a mulher num safari para ficar com o seguro de vida e a amante –

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Procuradores federais deram como provado que o homem desferiu um tiro de espingarda no coração da mulher.

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Origens: A primeira colónia de Flamengos fixou – se no séc. XV na freguesia da Caveira ilha das Flores Açores

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Grandes descobertas: O esqueleto de Castro de Avelãs

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Nos arredores de Bragança, um projecto interdisciplinar extraiu DNA antigo de um esqueleto medieval, revelando uma anomalia genética invulgar.

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Carolina Michaëlis de Vasconcelos

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Falo-vos de uma mulher excecional. Na rua da Cedofeita, na cidade do Porto, a casa dos Vasconcelos era um centro onde se reuniam os mais influentes intelectuais do seu tempo, empenhados na vida cívica e no lançamento das bases de um progresso baseado na cultura e na liberdade. A primeira mulher catedrática na Universidade portuguesa nasceu alemã. Veio para Portugal por casamento com um dos grandes intelectuais do século XIX, Joaquim de Vasconcelos, estudioso sobre musicologia, biografia, pintura portuguesa nos séculos XV e XVI, sobre os contactos portugueses com os grandes artistas europeus como Albrecht Dürer, Rafael e Van Eyck, sobre história da ourivesaria, joalharia e cerâmica portuguesas, além da bibliografia crítica da história da literatura portuguesa, sobre Francisco de Holanda, Damião de Góis, Nicolau Clenardo e Duarte Ribeiro de Macedo. No final da década de setenta, Joaquim de Vasconcelos empenhou-se na feitura da Reforma geral do Ensino das Belas-Artes em Portugal (1877-1880). Foi um dos organizadores do Museu Industrial e Comercial do Porto. Enquanto Carolina estudava a evolução da língua, Joaquim de Vasconcelos debruçava-se sobre as raízes flamengas da pintura portuguesa no século de ouro. Tudo estava em saber sobre o melhor modo de interpretar e de chegar à identidade do ser português. Joaquim de Vasconcelos foi dos primeiros a pronunciar-se sobre os painéis ditos de S. Vicente, atribuídos a Nuno Gonçalves, em artigos publicados no “Comércio do Porto” (junho de 1895). A representação do Infante D. Henrique na “Crónica dos Feitos da Guiné” de Zurara pertencente à Biblioteca Nacional de Paris permitiu-lhe fazer as primeiras identificações relativamente aos painéis, a começar pela presumível data da sua feitura.
O conhecimento da realidade portuguesa por Carolina Michaëlis enche de espanto os seus leitores. Sendo mulher afirma, com grande sensibilidade, sobriedade, o espírito científico e a exigência a importância da educação e do conhecimento. Torna-se em 1877 sócia do Instituto de Línguas Vivas de Berlim. E é impressionante a lista dos trabalhos que publica – primeiro em matéria linguística, depois no âmbito da história e da crítica literárias. Lembremos os estudos sobre o “Cancioneiro da Ajuda” e o glossário imprescindível que preparou, com enorme cuidado. A literatura portuguesa é um inesgotável campo para a sua investigação no tocante às origens da poesia peninsular. A Universidade de Friburgo reconhece o labor científico de primeira qualidade de Carolina Michaëlis de Vasconcelos e concede-lhe o grau de Doutor honoris causa. O que a jovem não conseguira em Berlim conseguia-o agora, por via honorífica, mas com indiscutível sentido de justiça. O reconhecimento nacional e internacional de Joaquim de Vasconcelos também é notável: é sócio efetivo da Gesellschaft für Musikforschung de Berlim, da Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses (Lisboa), sócio correspondente do Instituto Imperial Germânico de Arqueologia, sócio honorário da Academia Real de Música de Florença, sócio honorário da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) e sócio benemérito da Associação Industrial Portuguesa.
Em 1901, D. Carlos concede a Carolina Michaëlis o grau de oficial da Ordem de Santiago da Espada, como preito de homenagem ao labor científico, que todos continuavam a considerar como de qualidade e interesse excecionais. Em 1911, logo após a implantação da República, Carolina é nomeada professora da nova Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em reconhecimento dos enormes serviços prestados à cultura portuguesa, lugar que não aceitará por motivos da vida familiar. No entanto, aceita o encargo pedagógico e científico, exercendo-o na Universidade de Coimbra. Aí, recebe, em 1916, o grau de doutora honoris causa, em ato solene de homenagem à sua obra, tão rica e relevante. Em 1923 é-lhe outorgada idêntica honra na Universidade de Hamburgo.
Mulher e investigadora, cultora da sensibilidade e do rigor – a sua vida demonstra a importância da íntima ligação entre a opção pessoal e a vocação científica. Considera que a Saudade é um “traço distintivo da melancólica psique portuguesa e das suas manifestações musicais e líricas, muito mais do que a Sehnsucht é característica da alma germânica. Refletida, filosófica, acatadora do imperativo categórico da Razão pura, ou hoje, do imperativo energético da atividade ponderada”, a palavra alemã “tem muito maior força de resistência contra sentimentalismos deletérios”. “A saudade e o morrer de amor (outra face do mesmo prisma de terna afetividade e da mesma resignação apaixonada)” são realmente, para a estudiosa, “as sensações que vibram nas melhores obras da literatura portuguesa, naquelas que lhe dão nome e renome. Elas perfumam o meigo livro de Bernardim Ribeiro e os livros que estilisticamente derivam dele, como a ‘Consolação de Israel’ de Samuel Usque, e as’ Saudades da Terra’ de Gaspar Frutuoso. Perfumam as Rimas de Camões e os Episódios e as Prosopopeias dos Lusíadas. —Perfumam as Cartas da Religiosa Portuguesa; e as criações mais humanas de Almeida Garrett, a Joaninha dos olhos verdes e as figuras todas de Frei Luís de Sousa. Não faltam no Cancioneiro do povo; nem já faltavam, na sua fase arcaica, nos reflexos cultos da musa popular que possuímos, isto é, nos cantares de amor e de amigo dos trovadores galego-portugueses, no período que se prolongou até os dias de Pedro e Inês. Logo no alvorecer da poesia, ainda antes de 1200, surgem naturalmente lindos lamentos de amor e de ausência. Encontro-os naquela singela composição, em que o rei D. Sancho o Velho desdobra o sentimento da saudade nas suas duas componentes principais: cuidado e desejo.
Se lermos a obra de Carolina Michaëlis e de Joaquim de Vasconcelos, muito rica, diversificada e inovadora, facilmente encontramos uma procura incansável da identidade portuguesa, pelo espírito singular da nossa cultura – demonstrando que essa cultura sempre se enriqueceu quando se abriu ao exterior e a outras culturas e sempre se empobreceu quando se fechou ou se deixou ficar pela inércia conservadora. Cultivaram, assim, ambos um espírito desperto e liberal, aberto e sensível, em busca do que ia para além do superficial e do imediato. Vendo a mestra com olhos de hoje, não passa despercebida uma intenção claramente emancipadora, de quem nunca deixou de assumir a sua qualidade de mulher e de quem considerou sempre, como naturalíssimo, que liberdade e igualdade fossem faces do mesmo espelho, como a igualdade e a diferença, e nunca realidades antagónicas. Mas para que tal acontecesse é preciso enaltecer a atitude de Joaquim de Vasconcelos, grande admirador de sua mulher, que com ela formou um par de características excecionais, pela sua complementaridade e pelo exemplo. Carolina Michaelis fez até morrer aquilo de que gostava e que era a sua vocação – o estudo incansável sobre a cultura portuguesa, as suas raízes e especificidades, sem esquecer que era um exemplo singular, que sempre desejou que deixasse de ser excecional. Como disse Gerhard Moldenhauer na oração fúnebre: “Quem, para mais conscientemente se orgulhar de ser português, alguma vez se interessou pela nossa herança espiritual, encontrou sempre no excecional espírito de Carolina Michaëlis o mais amável dos mestres e o mais seguro dos guias”.
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Chrys Chrystello

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