mapa do AICEP gera mal-estar entre diplomatas

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Novo mapa do AICEP gera mal-estar entre diplomatas
Já começaram a chegar ao MNE cartas de embaixadores protestando contra o encerramento de delegações. Timor, por exemplo, passa a estar sob a alçada do escritório da agência portuguesa na Indonésia.
JOANA MOURÃO CARVALHO
22 de Setembro 2023
Vários embaixadores e delegados estão indignados com o fecho de delegações da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). O novo conselho de administração liderado por Filipe Costa, que tomou posse em junho deste ano como presidente da AICEP, decidiu fechar as delegações de África do Sul (que passará a ser acompanhada desde Maputo, em Moçambique), Senegal, Timor Leste (que passará a estar representada na Indonésia), Cantão, na China, Irão, Chile, Colômbia, Venezuela, Cuba, Grécia, Roménia, Hungria, República Checa e ainda Viena, na Áustria.
Apesar do atual contexto de guerra na Ucrânia, o novo mapa da rede externa mantém a delegação de Moscovo, na Rússia. Vão ainda abrir três delegações em Singapura, Riade, na Arábia Saudita, e Tel Aviv, em Israel.
Ao que o Nascer do SOL apurou, os embaixadores e os delegados afetados não foram contactados previamente sobre a decisão e tomaram conhecimento durante uma reunião online de apresentação da nova administração no início desta semana.
Vários diplomatas já fizeram chegar cartas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros «revoltados por não terem sido consultados nem informados» e a manifestarem a sua «total discordância» face ao encerramento dos vários escritórios.
A preocupação é também que o comércio externo, a internacionalização e o apoio às exportações das pequenas e médias empresas deixem de ser prioritários.
Em junho, o secretário de Estado da Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz, já tinha antecipado que o Governo pretendia uma revisão para «diversificar a rede externa» da AICEP.
«Não pomos de parte, neste momento, fechar ou abrir [delegações], temos é de ver para onde é que as empresa querem ir e precisam de ir, aonde é que, nos parece útil e importante estarmos para que as empresas tenham apoio nos seus modelos de internacionalização», afirmou na altura Bernardo Ivo Cruz aos jornalistas, à margem da apresentação dos objetivos para novo mandato da AICEP.
Fim
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Milhares de britânicos manifestaram-se em Londres pela reintegração na UE – Impala

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Alguns milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Londres pela reintegração do Reino Unido na União Europeia (UE), movimento que esperam que aumente e coloque pressão nos partidos políticos para reverter o ‘Brexit’.  – Impala

Source: Milhares de britânicos manifestaram-se em Londres pela reintegração na UE – Impala

Australia now requires medical exams for travelers over 75

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The Australian government wants tourists older than 75 to get a visa that requires a chest X-ray and a medical exam from one of their certified doctors before entering the country.

Source: Australia now requires medical exams for travelers over 75

Um poeta cavalheiro chamado Eduíno de Jesus POR VICTOR RUI DORES

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Caras e caros amigos
Tomo a liberdade de vos enviar a minha recensão, hoje publicada no “Açoriano Oriental”, sobre a poética do grande Eduíno de Jesus.
Bom fim de semana e o meu abraço de mar.
Victor Rui Dores

 

Um poeta cavalheiro

chamado Eduíno de Jesus

 

 

“Poesia, minha amante” (pág. 43).

 

A caminho dos 96 anos de idade e com 70 de carreira literária, Eduíno de Jesus, micaelense dos Arrifes e açoriano do mundo, continua igual a si próprio: agudo e arguto observador da realidade, homem da cultura e da finura, minucioso e reflexivo, bem formado e informado, intelectual gentil, generoso e fraterno, autor do pensamento vigilante e de uma ironia requintadíssima que só pode ser sinal de inteligência e sabedoria.

Poeta perfeccionista de agudíssima sensibilidade e apreciáveis recursos sensoriais, ensaísta igualmente exigente e de primeiríssima água – dos que se escusam a modas e traficâncias e escrevem sem pressas e sem ânsias editoriais. Também crítico literário e de artes plásticas, conferencista, prefaciador, autor teatral, interlocutor precioso e amabilíssimo, dele acabo de ler o livro Como tenuíssima espuma de luz – Poética Fragmentária (Nona Poesia, 2021).

Poética fragmentária e poemas de circunstância. Mas por mais que alguns façam crer o contrário, tenho para mim que todos os poemas são de circunstância. É só preciso que as circunstâncias sejam as do poeta: a circunstância exterior deve coincidir com a circunstância interior, como se o poeta a tivesse produzido.

Nesta ordem de ideias, é de circunstância o referido livro de Eduíno de Jesus. Livro de circunstância porque forjado à luz da observação do real, do vivido e do sentido, num jogo do mítico e do simbólico. Pesquisador subtil de realidades visíveis e invisíveis, o autor envereda por uma poética da intimidade, da sensualidade, da expressão amorosa e da contemplação erótica, a que os desenhos de Artur Bual dão força e expressão. Esta intimidade, esta “poesia do corpo” não é mais do que a relação que o sujeito estabelece com a sua escrita: é a sua atitude (vigilante) em relação às palavras, a sua maneira de as acolher e de as convocar, de as surpreender e de se surpreender com elas. Os poemas “Gaia ciência”, “Artesania poética” e “As palavras” são disso um bom exemplo.

Por conseguinte, herdeiro assumido da tradição oral, Eduíno de Jesus escreve afetos, emoções e sentimentos reabilitando a palavra poética e o sentido mágico do poema. E fala sobre as encruzilhadas da vida e sobre mitologias do quotidiano. E, com mestria, busca o silêncio que há nas palavras. E tudo isto através de versos certeiros e harmoniosos. Porque a sua poesia é isso mesmo: a busca de um silêncio e de uma harmonia em tempo de muitos ruídos e de múltiplas dissonâncias.

Ao escrever poesia, Eduíno de Jesus mantém uma relação com o tecido literário, poético, cultural e civilizacional que a precede. E, na minha opinião, é aqui que está o selo da modernidade da sua poesia (há mais de meio século que ele é apelidado de “poeta modernista”…). Por isso, esta é uma poesia de todos os tempos e de todos os lugares.

Este sentido de modernidade está na maneira hábil como Eduíno soube e sabe situar-se entre uma tradição literária e poética e uma renovação dessa mesma modernidade. É óbvio que alguns dos seus poemas denotam algum (neo)romantismo, mas Eduíno de Jesus está longe de ser um poeta romântico. Ele esteve por dentro das vanguardas literárias e artísticas, é dado a experimentações linguísticas, mas não é autor de ruturas nem de transgressões. É certo que bebeu fundo da fonte do Simbolismo, havendo quem o considere um dos mais significativos poetas simbolistas da “geração de 50” do século transato. E, no entanto, ele não é propriamente um simbolista “puro e duro”, nem tão pouco enveredou por um “simbolismo insular”, à maneira de Roberto de Mesquita. Apesar de uma ou outra influência, o Surrealismo e o Concretismo passam de raspão na sua poesia, onde nem tão pouco se vislumbram ressonâncias da “Presença” ou do Neo-Realismo (a arte social versus arte pura passam-lhe de largo).

Para mim Eduíno de Jesus é tão somente um imenso poeta. Isto é, um incansável trabalhador (artesão) da palavra. Um poeta lírico sui generis, profundamente humano, que observa o real e disseca a sua vida (a sua alma?) – como Vernet agarrado ao mastro do navio para estudar a tempestade…

Perante o enigma do real, o poeta dirige a sua atenção (nua e pura) não só para dizer o que o seu olhar vê, mas também para ordenar e exprimir (recriar) o caos interior, a vertigem do inumerável e do inexprimível. Daí que ele parta em busca do indizível.

Apreendendo a lição de Paul Verlaine (a musicalidade da palavra), Eduíno encontrou a sua própria voz, a sua linguagem, a sua “petite musique”. Por isso escreve com esmero técnico, apurado sentido estético e grande sensibilidade artística. Por isso os seus versos são de boa ressonância musical, prenhes de poeticidade e de sedutora prosódia. Ou seja, são envolventes e fascinantes e de grande beleza plástica e visual.

A propósito do que acima vem exposto, recomendo vivamente a leitura de Os Silos do Silêncio – Poesia (1948-2004), Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2005, livro que reúne a maior parte da poética de Eduíno e que é fundamental para quem quiser saber um pouco mais sobre o destino da vida humana no teatro do mundo.

Urge que, agora, ele (ou alguém por ele) recolha, para publicação imediata, o muito material ensaístico que tem inédito, mas que o seu grau de excessiva exigência e perfecionismo não deixa vir cá para fora…

Até lá, longa vida ao Eduíno de Jesus.

 

 

Victor Rui Dores

 

“Há muitos emigrantes que querem regressar à Madeira e aos Açores”

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O diretor do Programa Regressar, José Albano, afirmou hoje que muitos emigrantes madeirenses e açorianos estão interessados em beneficiar dos apoios do Programa Regressar e espera que seja possível abranger aquelas regiões no próximo ano.

Source: “Há muitos emigrantes que querem regressar à Madeira e aos Açores”

Cuéle, o Pássaro Troçador” de Jorge Arrimar

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A livraria Letras Lavadas de Ponta Delgada (S. Miguel – Açores) acaba de anunciar que recebeu, da Guerra e Paz Editores, exemplares do livro “Cuéle, o Pássaro Troçador” de Jorge Arrimar para venda antes e durante o lançamento do mesmo (Apresentação por João Mendes Coelho), marcado para o dia 8 de Outubro (domingo), pelas 12h25, durante os 38º Colóquios da Lusofonia (AICL Colóquios da Lusofonia), que decorrerá no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas na Ribeira Grande (4-8 Out.).
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P P CÂMARA reedição do Auto do Espírito Santo, de Armando Côrtes-Rodrigues.

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O que é que andei a fazer ultimamente?
A preparar a reedição do Auto do Espírito Santo, de Armando Côrtes-Rodrigues.
Em breve, dou novas da data do lançamento.