moçambique, cabo delgado e a história esquecida

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Nada como ler aquele que é certamente o maior conhecedor da complexa teia cultural do norte de Moçambique para compreender como ali a estruturação social de hoje é ainda amplamente dominada pela herança dos caçadores de escravos islamizados.
“Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a mercadoria humana suplantou o comércio do marfim. No tráfico estiveram envolvidos todos os chefes suaíli do norte de Moçambique, assim como dos centros muçulmanos de além Rovuma: Quíloa, Pemba, Zanzibar, e também das Ilhas Comores e dos centros islâmicos do noroeste de Madagáscar e ilhas adjacentes. Todos estes entrepostos islâmicos se relacionavam numa estruturação mercantil em rede. (…) O sultanato de Angoche conheceu nessa época uma estrutura e organização política poderosas, tendo chegado a dominar todas as ilhas koti e uma vasta área continental, avassalando por períodos os xecados de Sangage, Quinga, Larde, Moma, Naburi, Moebase e Pebane. Os negreiros de todos estes centros islâmicos mantinham relações com Kilwa, Zanzibar, Comores e Madagáscar, manifestando-se pouco receptivos aos contactos com os portugueses, embora negociando com negreiros lusos, brasileiros, franceses, etc”.
“Em Agosto de 1976 dei-me conta destas estratificações em Angoche e nas Cabaceiras. Na Cabaceira, verifiquei que havia gente que se afastava do caminho quando por ele seguiam pessoas de status diferente. Em todos os idiomas do norte de Moçambique,
quer do litoral como do interior, há termos específicos para designar os «cativos» da linhagem (…)”.
Eduardo Medeiros – «O Islão e a construção do espaço social e cultural macua» – In Representações de África e dos Africanos na história e cultura”. Ponta Delgada: Universidade dos Açores, 2009.
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DAMIÃO DE GOES VÍTIMA DA INQUISIÇÃO

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DAMIÃO DE GÓIS MORTO ÀS MÃOS DA INQUISIÇÃO
Durou quase três séculos a Inquisição em Portugal, de 1536 a 1821.
Durante esse período negro da nossa história, em que reinou a barbárie e o medo, cerca de cinquenta mil processos foram movidos contra pessoas. Mais de duas mil foram queimadas vivas: judeus, muçulmanos, ateus, protestantes, homossexuais, bígamos e tantos outros, indiciados por crimes considerados heréticos, desde a feitiçaria à blasfémia.
A simples denúncia, o mais banal boato, a mera desconfiança ou a vontade de destruir alguém, condenavam à prisão, ao confisco dos bens, à tortura ou às chamas da morte quem atentasse contra as regras da Igreja.
A 4 de abril de 1571, a Inquisição mandou prender Damião de Góis (1502 – 1574), na cadeia do Limoeiro, em Lisboa, por alegados crimes cometidos quatro décadas antes, baseando-se numa denúncia do fundador dos jesuítas, o padre Simão Rodrigues, que passara com ele uma temporada em Pádua, em meados da década de 1530.
À data, o humanista, com 69 anos de idade, era guarda-mor da Torre do Tombo, historiador do reino, com vários trabalhos publicados. Um homem público, de reconhecido valor.
Os inquisidores do Santo Ofício interrogaram-no acerca de uma viagem realizada há quarenta anos atrás, em 1531 (ainda antes de haver Inquisição), como embaixador, ao serviço do rei D. João III, a vários destinos europeus, e do seu convívio com protestantes – isto, numa altura em que a contra-reforma ainda nem sequer se tinha verdadeiramente iniciado.
Dez dias depois, a 14 de abril, Damião de Góis foi transferido para a prisão dos Estaus, no topo norte da praça do Rossio – onde hoje se encontra o Teatro Nacional D. Maria II.
O intelectual Renascentista, dotado de um dos espíritos mais abertos e críticos da sua época, que ocupara cargos importantes no reino, tendo sido, por exemplo, cronista de D. Manuel I, agora sem proteção real, viúvo e velho, era acusado de dar-se com hereges, de ter comido carne em alguns dias proibidos pela igreja (ainda que possuísse uma dispensa papal, que por motivos de saúde lhe permitia comer carne, ovos, leite e seus derivados), de ter dito que os alemães faziam coisas melhor do que os portugueses (nomeadamente, «tratar dos pobres»), de receber em sua casa estrangeiros e de com estes «cantarem coisas» que «não eram cantigas que cá costumam cantar-se», de ser «pouco misseiro».
Damião de Góis alegou em sua defesa que se manteve sempre «um bom católico» – sem, porém, convencer os inquisidores que lhe fizeram acusações no plano teológico, comportamental e cultural.
Acabou condenado a prisão perpétua, sem auto-de-fé e sem abjuração pública, classificado como «hereje, luterano, pertinaz e negativo» e com confisco de todos os seus bens. No silêncio e incomunicabilidade do cárcere ainda haveria de rogar (todavia, em vão): «peço-lhes que me mandem emprestar um livro em latim para ler, qual lhes parecer, porque estou apodrecendo de ociosidade e com o ler se me passam muitos pensamentos».
No final de 1572, foi transferido para o Mosteiro da Batalha e, passado um ano, em dezembro de 1573, já muito doente, foi libertado, tendo-lhe sido permitido regressar à sua casa em Alenquer (sua terra natal) onde acabaria por morrer, só e abandonado, na mais completa miséria, a 30 de janeiro de 1574.
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  • Vamos pôr os pontos nos “ii”. Portugal não tinha cá a Inquisição, quem a mandou vir – sim, foi requerida – foram os diabólicos reis Dom Manuel I e Dom João III, que tudo fizeram para que a “santa sé” nos “honrasse” com tal “privilégio”. A “santa inquisição”, uma vez cá, matou, torturou, estripou, perseguiu, esbulhou, roubou, degredou milhares de pessoas… tudo para honra e glória de um deus inventado por eles e à imagem da sua mente torpe e assassina!
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danos na nova estrada do Subão, (Manatuto, Timor)

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KONDISAUN ESTRADA IHA PARTE SUBAUN NORMÁL
MANATUTO, 05 ABRIL 2021: Kondisaun eatrada parte Leste liuliu área Subaun boot no Subaun kiik munisípiu Manatuto kondisaun normál.
Iha área balun mak estrada monu maibé kompañia kontratór ba konstrusaun estrada nasionál Hera-Manatuto normaliza kedas tanba ne’e parte Subaun la’o normál.
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Regressam os Colóquios da Lusofonia em 2021.

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NOTA DE IMPRENSA 1-2021/Press Release

05/04/2021

Regressam os Colóquios da Lusofonia em 2021.

 

Dias 9 e 10 abril (via zoom e Facebook live) teremos o 33º colóquio de Belmonte adiado desde a Páscoa passada, todos os detalhes em https://coloquios.lusofonias.net/XXXIII/

Teremos como convidados especiais LUÍS FILIPE SARMENTO E ISABEL REI, com uma sessão de teatro de Santa Catarina, Brasil, (“Confina-mente”), duas sessões de poesia, e a presença dos autores açorianos PEDRO ALMEIDA MAIA, PEDRO PAULO CÂMARA, CAROLINA CORDEIRO e música da Galiza com a guitarra de Isabel Rei e música da Joana de Carvalho.

As sessões terão lugar dias 9 e 10 de abril pelas 14.30 hora de Lisboa, DETALHES E HORÁRIO AQUI https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/04/Press-Release2-2021.pdf

Dialeto português de Malaca ‘migra’ da sala de dança e música para a internet – Atualidade – SAPO

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A pandemia obrigou uma luso-malaia a cancelar as aulas de dança e música no crioulo de matriz portuguesa de Malaca, mas a vontade de não parar levou-a a criar aulas e páginas online para esta língua não ser esquecida.

Source: Dialeto português de Malaca ‘migra’ da sala de dança e música para a internet – Atualidade – SAPO

722. as inundações em díli (ao luís takas cardoso)

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  1. as inundações em díli (ao luís takas cardoso)

 

segunda feira de pascoela

tiraram as pulseiras eletrónicas

estamos em liberdade condicional até nova ordem

quero sair à rua conversar com os peixes falantes

das últimas chuvas em timor

nas ruas e estradas que já não há

nas palapas que a correnteza levou

país de ricos cheio de pobres

estradas que vão reconstruir

e os desprovidos a viver ao relento

desta vez a culpa não é do malai

como em 1973 quando houve inundações

 

queria ver o governo a distribuir riqueza

do petróleo e do gás para todos

para terem casas, água, luz, saneamento

para não construírem nas encostas despidas

nas margens das ribeiras que se fazem rios

na costa de marés cheias devastadoras

 

escrevi em 1972 que era preciso um poeta

para ministro das finanças

tu meu caro luís takas Cardoso

és o meu indicado

para dar alforria aos pobres

iluminar as palapas

educar os analfabetos

matar a fome nas montanhas

criar o país que tantos sonhamos

 

chrys c (inédito)

sobe para 27 o nº de mortos em Díli

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Antonio Sampaio

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Última Hora – Timor-Leste/Cheias: Número de mortos cresce para 27, mais de sete mil desalojados em Díli
Díli, 05 abr 2021 (Lusa) – As cheias que assolaram Timor-Leste no fim de semana causaram pelo menos 27 mortos em todo o país e mais de sete mil desalojados em Díli, informou hoje o Governo.
O anterior balanço apontava para 21 mortos.
“Até agora os dados de vítimas mortais em todo o país é de 27. Além destas pessoas que perderam a vida, há ainda oito casos de pessoas cuja situação não é ainda conhecida”, disse o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães.
“Em Díli confirma-se até ao momento um total de 13 mortos e mais de sete mil desalojados, que estão de momento abrigados em 12 espaços localizados em vários pontos da cidade”, disse.
Fidelis Magalhães falava aos jornalistas depois de uma reunião liderada pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, da Comissão Interministerial para a Proteção Civil e Desastres Naturais, para coordenação da resposta ao impacto das inundações.
A Secretaria de Estado da Proteção Civil irá funcionar como centro operacional de recolha de apoio humanitário e o vice-primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas apelaram também ao contributo de entidades do setor privado que possuam máquinas para apoiar nas ações de limpeza.
“As autoridades durante o dia de ontem mobilizaram esforços para providenciar abrigo e apoio alimentar aos desalojados e iniciaram as intervenções nas infraestruturas com o objetivo de restabelecer a mobilidade viária e o fornecimento de energia elétrica com segurança e garantir a reparação de sistemas de abastecimento de água danificados, e, efetuar os trabalhos urgentes de limpeza de drenagens, normalização e desassoreamento de ribeiras”, explica uma nota do executivo.
O governante explicou que entre as várias medidas acordadas hoje, a comissão deliberou permitir a abertura das lojas de material de construção – fechadas com base nas regras de confinamento obrigatório – para que as famílias afetadas pelas cheias possam recuperar as suas casas.
Durante a reunião, o primeiro-ministro agradeceu o contributo que tem sido dado pelos envolvidos na resposta às inundações, incluindo as organizações religiosas, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral.
Por outro lado, orientou os membros da Comissão Interministerial para a Proteção Civil e Desastres Naturais “para que impulsionem as medidas de apoio às populações afetadas e as ações de limpeza e de levantamento dos danos nas infraestruturas com vista a rápida normalização da mobilidade viária e dos sistemas de abastecimento de energia elétrica, água e saneamento”.
ASP // JMC
Lusa/Fim
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