Há margem para aumentar salários em Portugal, diz comissário europeu

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O comissario europeu da Economia, Paolo Gentiloni, disse esta sexta-feira que há margem para aumentar os salários em Portugal, numa conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças, em Lisboa.

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O turismo arruaceiro

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Ainda não estamos assim… mas vale a pena por as barbas de molho.
“O turismo arruaceiro”
“Uma das expectativas que ocorreram a meio da pandemia foi de que sairíamos disto melhores seres humanos. Já podemos dizer que tal não aconteceu. Não só as guerras e conflitos começaram com violência inesperada como o turismo de massa regressou ainda com mais força, mas desta vez veio com contas a ajustar, com um inusitado sentimento de vingança. E talvez seja a hora de também falarmos disto.
A ilha de Bali tem sido o caso mais noticiado. As autoridades locais querem acabar com os “maus turistas”, que “têm sexo em público, não respeitam leis do trânsito, traficam drogas, desrespeitam locais sagrados”, de entre outros comportamentos tidos como inapropriados. Muitos dos incidentes reportados são protagonizados por russos e australianos bêbados — as duas nacionalidades que mais visitam Bali — que transformaram a ilha num local de borga, bebida barata e exageros. Mas que fazer agora? Muita coisa. De impedir estrangeiros de conduzir scooters, a leis mais duras para comportamentos desrespeitadores em locais sagrados. E exigir que se traga um montante mínimo de dinheiro, dado haver o mito que em Bali se pode viver com muito pouco — o que atrai multidões de turistas “pé descalço”, cujo objetivo é farra na areia e sexo dentro dos templos. Nas Filipinas, o ex-presidente Duterte conseguiu limpar alguns locais que eram “esgotos”, a começar por Borocay. Mas Duterte tinha a “facilidade” de não se reger por leis democráticas e fazer o que queria.
Contudo, este é um problema muito europeu. Em Amesterdão — antes conhecida como “a cidade da tolerância” —, foram aprovadas leis rígidas para controlar os turistas com “comportamento antissocial”, que “perderam o senso de moral”. A cidade quer melhorar a vida dos habitantes e para isso vai banir e restringir consumo de canábis na rua, como já fez com o álcool. A cidade tornou-se um local para grupos desordeiros que se juntavam na rua a fumar haxe e a beber, e à noite ir ao Red Light District — que se transformou numa espécie de Disney para ver prostituas à janela, e que as novas regras podem acabar por ditar o seu fim. Foi feita uma campanha publicitária para britânicos a alertar que se é para criar confusão, a prisão será o hostel que os espera.
Este é só um exemplo. Itália queixa-se de que os turistas chegam com espírito nunca visto de vandalismo. Os atos contra monumentos multiplicam-se: de turistas americanos a atirar as scooters para dentro da Fonte da Barcaça na Praça de Espanha, em Roma, logo superado por um turista saudita que enfiou um Maserati alugado pelas escadarias. Em Veneza, os exemplos vão desde australianos a surfar nos canais ao roubo de gôndolas para passeios, de entre muitos outros casos. O mais vulgar: defecar em público. Não era assim.
E chegamos a Lisboa (Barcelona está de novo pelos cabelos com os cruzeiros). O problema é que Lisboa sofre deste problema, mas ninguém quer reconhecer que a cidade tem este problema. A tipologia e “disposição” do turista mudou. O jovem malcomportado assentou arraiais e está a fazer merda em sentido lato. A situação neste momento é bizarra. Os últimos residentes da classe média-baixa já saíram, os pequenos escritórios e serviços também já foram expulsos, pelo que as ruas do centro estão tomadas por turistas sem saber muito bem o que fazer. Os tugas ricos, ou muito ricos, os que compraram os tais apartamentos de milhões, não passeiam para ir à mercearia. O último talho fechou aqui na minha zona há duas semanas. Só vendiam salsichas aos turistas. E se der um passeio da Calçada do Combro até ao Rossio, praticamente só encontro grupos de jovens loiros, bandos deles e delas. E uns casais jovens. (Há também os entediados velhos dos cruzeiros.) A qualquer hora do dia. E há um detalhe: por causa das obras do metro, que vão durar dois anos, a Câmara/Governo conseguiram com uma estratégia de comunicação absurda piorar tudo. A única coisa que se percebeu foi: “Não venham à Baixa.” Os últimos turistas/passeantes portugueses que continuavam ao fim de semana a ir às suas lojas favoritas no centro perceberam (mal) que agora não se pode ir à Baixa ou ao Chiado. Estão a ser machadadas em algumas pequenas lojas. Por ordem da Câmara, o centro ficou totalmente para os turistas verem turistas. Em tuk-tuks.
Lisboa entrou para o roteiro das stag citys. Não é bom. Há uma dúzia de anos, estive em Riga, que era então considerada a cidade das despedidas de solteiros por excelência. Grupos de rapazes iam lá só para beber, estar com prostitutas e disparar AK-47. A cidade desde então tem tentado livrar-se desse estigma. Lisboa está hoje em destaque nas agências de viagens que organizam stag parties: despedidas de solteiro com tudo organizado, que, na capital portuguesa, prometem atividades masculinas como paintball ou kart, muito mar e, claro, muita bebida (as drogas baratas são implícitas), com bar crawls até de manhã e discotecas “loucas”. E atividades que vão de strips com luta no óleo, body sushi ou strip de anões, e há centenas de call girls que fazem deslocações (numa diretoria, há mais de 700 na cidade de Lisboa). Claro que pelas ruas também se veem dezenas de despedidas de solteiro de raparigas. Às 18h, é cutie. Às 5 da manhã, descamba, e da janela vejo-as a vomitar. Lisboa tornou-se mesmo numa cidade dónute. Vazia no meio. Mas no buraco do meio atafulham-se turistas a portar-se mal. Qualquer habitante resistente o pode corroborar. Mas, ao contrário de Bali ou Amesterdão, como são turistas, ninguém do poder local ou central leva a mal.”
(Luís Pedro Nunes, Expresso)
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30+ Questionable Photos From Real Estate Agents on the Job – Simply Urbans

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The Purple Bathroom This delightful and very reflective bathroom takes on a deeply purple shade and almost looks like something that you would expect in a boutique hotel. While we are not entirely against the use of such a hue, the multiple mirrors are slightly off-putting. Being able to see yourself from every angle when […]

Source: 30+ Questionable Photos From Real Estate Agents on the Job – Simply Urbans

Destruir património na Horta

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Jornal Incentivo, 18.05
“Mais de mil cidadãos assinaram uma petição contra a destruição do passeio da avenida marginal que foi entregue na Câmara Municipal da Horta (CMH) a 19 de setembro de 2022. Até hoje a Câmara não respondeu aos peticionários”
Em 19 de Setembro de 2022, apresentámos formalmente à Câmara Municipal da Horta uma petição em defesa do atual passeio de calçada portuguesa da Avenida Marginal, património modernista da Cidade da Horta.
Para além de mais de 1000 assinaturas, o movimento cidadão que se mobilizou contra a destruição do passeio da avenida marginal, viu associar-se a esta causa apoios de peso entre arquitetos, meios de comunicação social, a Associação da Calçada Portuguesa, a DOCOMOMO Internacional (associação dedicada à documentação e conservação do património do Movimento Modernista) e sobretudo muitos faialenses na ilha ou na diáspora e amigos do Faial incrédulos e inconformados com a destruição deste património cultural e identitário que nos acompanha há mais de 60 anos na Cidade da Horta.
Oito meses mais tarde, questionámos a CMH em sessão pública, fomos ouvidos pela Comissão Permanente da Assembleia Municipal e pelo Presidente da Câmara Municipal, mas continuamos sem resposta à petição que dirigimos ao Presidente da CMH, enquanto as obras avançam eliminando memórias e identidade e apagando sinais de um dos períodos mais gloriosos da história da cidade.
Habituei-me a olhar para o poder local como a instância política de maior proximidade com os cidadãos. Sobretudo numa cidade pequena como a Horta e com um presidente filho da terra, é incompreensível que uma autarquia não tenha a perceção do que é importante para a identidade da cidade e para o sentimento de pertença e de memória dos seus habitantes.
Habituei-me a acreditar, numa democracia consolidada ao longo de 50 anos, que os órgãos do poder autárquico respeitem os pareceres emitidos pelas pertinentes autoridades regionais em matéria de património. Ao invés, em carta recente, de 10 de Maio corrente, a DRAC, interpelada sobre o assunto pelos peticionários, admitiu que embora tenham sido efetuadas (em 2016) recomendações à CMH, visando a melhoria do projeto, “procurando-se soluções mais adequadas e ajustadas à realidade local, sem desvalorizar, destruir ou apagar a marca do passado” (…) “verifica-se que as mesmas não foram tidas em consideração no que diz respeito em particular, à preservação do passeio do pavimento em calçada da Avenida Marginal”, concluindo nada ter a acrescentar por tratar-se “de um projeto da total iniciativa e responsabilidade da Autarquia”.
Habituei-me, por fim, a esperar que, num Estado de Direito como o que vivemos no nosso país, uma autarquia à qual foi apresentada uma petição pública cumpra o dever imposto pela Constituição portuguesa de informar “em prazo razoável, sobre o resultado da respetiva apreciação” (artº 52, nº1 da Constituição).
Uma autarquia que não cumpre o dever legal que lhe incumbe de proteger e valorizar o seu património cultural; uma autarquia que não observa as recomendações do órgão regional competente em matéria de salvaguarda de património cultural; uma autarquia que não respeita o dever constitucional de resposta às petições que lhe são dirigidas, afinal responde perante quem?
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Humberto Victor Moura, Isabel Nolasco and 41 others

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António Rosa

o Jornal “Incentivo” refere, numa das suas recentes edições, e com honras de 1ª página, a total ausência de resposta, ao fim de tanto tempo!
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Manuela Bairos

António Rosa sim é a edição de ontem… faz hoje 8 meses que apresentámos formalmente a petição … soubemos depois disso que a Direção Regional da Cultura emitiu um parecer em 2016 apontando para a melhoria do projeto de forma a encontrar “soluções ma…

See mor

/cretinos-digitais/

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A estupidificação digital.
Os números são inquietantes.
Uma criança de 3 anos está cerca de três horas diárias em frente a um ecrã; aos 8 anos, está cinco horas; na adolescência, sete.
Entre a infância e os 18 anos, os miúdos de hoje, pequenos “junkies” eletrónicos, passam o equivalente a 32 anos letivos em frente do ecrã.
As contas são do neurocientista francês Michel Desmurget, que estuda o fenómeno há quase duas décadas e que põe as coisas de forma crua mas clarividente:
os ecrãs são uma “fábrica de cretinos digitais”.
No livro que escreveu com este nome, explica as inúmeras razões pelas quais os nativos digitais – ou seja, as nossas crianças – serão os primeiros a ter um QI inferior ao dos pais, e documenta-o bem:
apresenta 45 páginas de bibliografia em que cita centenas de estudos científicos que atestam porque esta tendência é preocupante.
Se este livro foi lido em São Bento e no Ministério da Educação, terá sido depois posto de lado.
É caso para dizer que valores mais altos se levantam.
O Governo está apostado numa rápida digitalização da educação, que pode ter os resultados inversos ao que se propõe, que é melhorar o ensino.
Este caminho vem dar seguimento a um processo que se acelerou, por força das circunstâncias, na pandemia, e que é estimulado agora pelo objetivo do aproveitamento das verbas do PRR, com uma forte componente obrigatória de digital.
É preciso separar as águas.
Há, claro, uma parte deste percurso que faz sentido, como a entrega de computadores a alunos e professores, a instalação nas escolas de laboratórios de educação digital para robótica e multimédia e a distribuição de painéis interativos para sala de aula.
Tudo isto permite um acesso a ferramentas de trabalho complementares, importantes no século XXI.
O problema está em fazer do digital o principal recurso de ensino, com a prevista digitalização dos manuais escolares e dos testes de avaliação, o que inevitavelmente leva a que as crianças passem a estar ainda mais horas em frente a ecrãs do que aquelas que já passam fora da escola.
Nesta semana, o tema impõe-se, porque as provas de aferição do 2º, 5º e 8º anos, sob protesto de pais e professores, começaram a decorrer digitalmente.
Estamos a falar de crianças que fazem testes eletrónicos mal sabendo reconhecer as teclas.
O Governo quer que, em 2025, todas as provas e exames nacionais sejam neste suporte.
O que se ganha na redução da burocracia perde-se na apreciação efetiva.
A questão essencial, quanto a mim, é um ponto de partida errado.
Está longe de estar provado que uma desmaterialização integral dos recursos educativos traga vantagens inequívocas para as crianças no longo prazo, e muitos estudos dizem precisamente o contrário.
Um cérebro digital tende a ser mais disperso e impaciente e, por isso, tem mais dificuldade em acionar os circuitos de leitura profunda, que são fundamentais para a inferência, análise crítica e reflexão.
Não é por acaso que muitos cérebros de Silicon Valley recusam dar tecnologia aos filhos pequenos.
Como explica a neurociência, tudo o que não for usado e estimulado perde-se em anos críticos de formação.
O resultado é já notório: as competências linguísticas e a capacidade de concentração estão a diminuir.
Sim, estamos mesmo, como espécie, a ficar mais estúpidos.
Tudo isto acontece numa altura em que se vive uma revolução no mercado de trabalho, quando mentes brilhantes discutem os perigos da Inteligência Artificial (IA), que vem substituir funções até agora exclusivas dos humanos.
Certo é que cada vez teremos mais máquinas a desempenhar mais tarefas diferentes – não se trata apenas dos trabalhos mecânicos ou repetitivos, mas de todos os que possam ser relacionáveis ou programáveis, inclusive através de machine learning.
Sabe-se que 60% dos trabalhadores estão, hoje, em ocupações que não existiam em 1940, mas estima-se que a IA possa vir a substituir 300 milhões de empregos.
Neste mundo digital, as escolas têm de apostar naquilo que nos distingue verdadeiramente das máquinas.
O saber escolástico e os métodos expositivos já não fazem sentido.
É preciso mudar tudo.
O ensino deve estimular a interação humana, a criatividade, a empatia, a experiência.
A sua tarefa principal não pode ser debitar informação – essa está por todo o lado –, mas criar cidadãos que reflitam, que relacionem, que acrescentem, que idealizem, que se mexam.
Tudo o que um ensino feito através de ecrãs não oferece.
P.S.: Há dois anos, partiu-se o tablet lá de casa, que era usado pela minha filha mais nova.
Para seu desespero, optámos por não lhe dar outro.
Hoje, com 9 anos, é ela a primeira a agradecer-nos: devora livros, pinta, pensa e está sempre a inventar coisas para fazer.
Foi a melhor decisão educativa que tomei na vida.
Mafalda Anjos.
Revista Visão, 18 de Maio de 2023.
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Chrys Chrystello

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Histórias de Amor Moderno: “Beijámo-nos, pronto. O assunto morreria obviamente ali. Não foi nada, não significou nada.” – Atual – Máxima

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“O Rodrigo era bonito. Ainda é. Calmo, não precisava de ser o centro das atenções, como sucedia com o Raul.” Todos os sábados, a Máxima publica um conto sobre o amor no século XXI, a partir de um caso real.

Source: Histórias de Amor Moderno: “Beijámo-nos, pronto. O assunto morreria obviamente ali. Não foi nada, não significou nada.” – Atual – Máxima