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3.6.4. OUTRA VERSÃO SOBRE O DESAPARECIMENTO DO ARBIRÚ

Quatro estudantes passaram dois anos a aprender métodos de pesca atlântica em Portugal totalmente desajustados ao Pacífico. Terra calma onde nunca nada acontece e onde faltam estruturas e meios. Há incentivos negativos, fatalmente destinados ao desengano, sem hipótese de sobrevivência, morrendo uma morte lenta, tão lenta que as pessoas acreditavam que vivia. O tempo parara há muito, só as palavras viviam no engano triste do “Loké dalan foun[caminho para o desenvolvimento], a via para a estagnação dissimulada.

Depois do misterioso desaparecimento do ‘Arbirú’ era necessária uma barcaça de 150 ton. e um rebocador. A primeira seria a ‘Lifau’, 30 m. de comprido e 180 ton. De Macau viria a “Laleia” a reboque da “Lifau” em agosto 1975 mas não foi a tempo, a guerra civil estava a começar. A lancha canhoneira “Tibar” raramente operacional, passava mais tempo na doca seca do que em água.

Tito Duarte escreveu em 28.4.2020,

“Hoje, vou dedicar o meu post ao José Rocha, e à sua meia-irmã, Telvira Dores. Na manhã do dia 28 de abril de 1973, partiu de Díli o navio “Arbirú,” construído nos estaleiros de Aveiro, propriedade do governo de Timor, destinado à cabotagem, sob o comando de José da Rocha Dores. Ia com destino a Banguecoque e, além da tripulação, levava alguns passageiros, entre eles a esposa do Capitão, Rosentina Napoleão, conhecida por Babo, e mais três senhoras: a esposa do Comandante dos portos, Pacheco Medeiros, a do gerente do BNU e a do major Viegas, algarvio. Menos de 24 horas depois, o navio deixou de comunicar, o que não era de estranhar, pois já acontecera anteriormente.

Porém, passados os doze dias, calculados para chegarem à capital da Tailândia, nada aconteceu. Passado algum tempo, iniciaram-se as buscas, quer pelos nossos dois aviões “Dove,” quer por alguns países da área. Alguns dias depois, soube-se que havia um sobrevivente, Paulo do Rosário, resgatado do mar por uma córcora da Indonésia e levado para as Flores. Pouco se soube do que ele relatou e, embora o chefe dos Serviços Meteorológicos, Dr. Manuel da Costa Alves, tenha pedido, ao Centro Meteórico de Darwin, cópias das cartas meteorológicas e das imagens obtidas por satélite, daquela zona, que provavam a evidência clara a confirmar o diagnóstico, formulado pelos colegas australianos de “que um pequeno e intenso ciclone tropical” justamente na posição indicada pelo marinheiro sobrevivente, “provava a existência de uma banda nebulosa com curvatura ciclónica perto do centro de perturbação e que pode ter originado uma tromba de água, que é, nem mais nem menos, um tornado no mar.”

O Governador, inexplicavelmente, com a colaboração da PIDE DGS, não ligou importância ao diagnóstico daquele técnico, nem o deixou dialogar com o náufrago, nem à afirmação do Comandante dos portos, nem à minha, que, então chefiava os Serviços das Alfândegas, de que o navio não tinha carregado qualquer mercadoria… nada!

Com que propósitos preferiram que se espalhasse o boato, que ainda hoje parece perdurar, de que o navio tinha sido atacado por piratas, ou pela Frelimo (incrível!), ou de transportar armas, devido a um misterioso negócio militar, de armas. Passados estes anos, penso que o propósito, de ocultar toda a verdade, terá sido para não terem que pagar indemnizações ou multas, pois o “Arbirú” destinava-se à cabotagem, por conseguinte ao longo da costa, e não a viagens de “longo curso “. Várias vezes fora a Singapura, Banguecoque, Hong Kong, ou Fremantle, na Austrália. Estarei perto ou longe da verdade? Os conhecedores do assunto, já quase todos desapareceram. É o que posso, amiga Telvira e amigo José Rocha.”

Foi isto que escrevi na altura no livro Timor-Leste o dossier secreto 1973-1975”:

MAIO 1973 – Em maio assiste-se a um novo mistério típico de Timor, quando o navio Arbirú deixa Díli dia 28 rumo a Hong Kong, Macau e Banguecoque e subitamente desaparece dos mares sem deixar vestígios. Com a cooperação internacional, extensas buscas são feitas pelas marinhas da Indonésia, Filipinas e Malásia mas sem resultados! Semanas mais tarde, um único sobrevivente é recolhido em circunstâncias pouco críveis.

Como sobreviveu no alto mar, infestado por tubarões e sem alimentos, permanecerá para sempre um mistério. Depois de chegar a Díli descreve com implausível detalhe as suas experiências de náufrago, deixando mais perguntas sem resposta do que aquilo a que responde. As conjeturas, então feitas, merecem apenas um vago comunicado oficial. Embora se tratasse de um cargueiro, naquela viagem transportava cerca de vinte passageiros civis, na sua maioria mulheres de oficiais do exército e senhoras da alta sociedade local.

Depois de inquirido localmente, o sobrevivente foi transferido para Lisboa para mais interrogatórios. Desconheço se alguma vez regressou a Timor. Dois anos mais tarde, começaram a surgir rumores de que alguns viúvos estariam a receber mensagens das esposas desaparecidas, mas nenhum deles estava disposto a discutir o assunto ou especular sobre o mesmo. Outro tabu!”

Arbirú Lifau

Em 2020, em plena pandemia do Covid-19, chegou-me às mãos um texto, que corrobora uma das versões que ouvi em Timor sobre o desaparecimento. O testemunho afirma:

“Estive lá (jun 72- outº 75) em Ataúro, servindo na Marinha Radionaval. Isso deu-me oportunidade de ver, formar opiniões diferentes dum artigo de Tito Duarte que colocou em linha. O Arbirú e o Comandante tinham uma posição única em Timor. Sou contemporâneo das famílias – não tenho intenções de mexerico. O Arbirú fazia contrabando como qualquer um. Neste caso como navio único em Timor era muito importante mas era um segredo aberto. Na viagem anterior um tripulante foi preso pela PIDE por contrabando de munições. Na última viagem o Comandante do navio moveu mundos e fundos para ir na viagem. Antes da partida o Comandante Rocha insistiu em informar o Sgt. Lourenço da capitania sobre a situação financeira completa. Como não era pedido habitual, disse ”nunca se sabe…”

Na última viagem para Banguecoque seguiam como passageiros os membros da Comissão organizadora da Festa do 10 de junho com fundos para compras e dinheiro do Conselho de Câmbios para transferir para Lisboa. Nos passageiros iam senhoras da fina flor de Díli como a esposa do Comandante DM Medeiros, do Gerente BNU Figueiredo, do Comandante da Intendência militar, esposa do Comandante Rocha, e esposa de oficial de Informações militares (não chegou a partir). No cais com as despedidas habituais, Dona Babo hesita, demora a embarcar, chorando incontrolável. O Comandante Rocha manda Luís Napoleão (irmão dela) levá-la para bordo. No último momento, o oficial de informações militares entra na ponte cais velozmente, trava junto da prancha de embarque, sobe rapidamente, agarra a esposa por um braço e desce.

O Comandante pergunta, ele responde ”a minha mulher não vai”. Entram no jipe e desaparecem. O navio foi dado como desaparecido quando uma das casas comerciais chinesas em Díli, não tendo recebido notícias da chegada a Banguecoque, contactou os serviços portuários acerca da chegada do navio. Foi-lhe respondido ”não está no porto nem é esperado”. Quer dizer não há ETA (data prevista de chegada) ou qualquer outra info. Só depois disso foi dado como desaparecido pelas autoridades de Timor. Devido ao tempo decorrido por não haver ideia da posição do navio, como habitual foram alertados os serviços de busca e salvamento numa área alargada – Indonésia, Singapura, Hong Kong (Royal Navy) e Austrália. Nada. Havia incerteza sobre a posição do Arbirú porque apesar de ter rádios de longo alcance, sempre verificados antes de longas viagens, o navio só fazia contacto uma ou duas vezes depois da saída. A Estação Radionaval fazia a chamada e escutava em hora e frequência determinadas. Depois disso fazíamos chamada e registávamos – chamado, escutado, não ouvido. Era o habitual, portanto não havia motivo para alarme. Quando chegava ao porto de destino comunicava através da Radio Marconi e nós interrompíamos a escuta até sermos avisados da ETD (data estimada de partida) e nova escuta. Eles criaram essa situação e hábito e nunca foram corrigidos! Só passados uns tempos as autoridades receberam informação de um ”Timorense” dando à costa na ilha das Flores. A Informação não correspondia à posição e área de interesse da busca que estava muito mais afastada. Quando eventualmente Paulo do Rosário foi trazido das Flores contou que o navio fora afundado por uma vaga gigante. Havia chuva torrencial com gotas do tamanho de pontas de dedo, vagas enormes, vento forte quando tudo aconteceu e ele, estava na popa a fumar um cigarro, o navio afundou mas ele salvou-se porque entretanto na agua conseguiu agarrar-se a uma tábua (sem referenciar os outros náufragos). Ao fim de algum tempo deu à costa. Este foi o relato publicado n’A Voz de Timor. Chegado a Díli foi levado pela PIDE para investigação e libertado, ficou confinado em casa guardado por polícia.

O Arbirú nessas viagens fretadas levava grades com galinhas no convés juntamente com grande número de bidons vazios. Navegava leve porque ia vazio e com combustível suficiente só para chegar ao porto de destino. Levava dinheiro ou cartas de crédito para atestar depósitos e os ditos bidons vazios. Com a diferença de câmbio fazia uma maquia. Era outro hábito permanente (de tal forma que quando voltava Díli, descarregava num dia ou dois e invariavelmente navegava para a contracosta por uma semana! Quando havia falta de combustível em Díli este vinha da montanha). Não há referência alguma desses bidons vazios a flutuar durante as buscas.

Eles seriam parte dos destroços que esperavam encontrar. Mas nada foi avistado. No fim agarraram-se a uma referência dos serviços meteorológicos australianos ”talvez um pequeno tornado na área com pequenos vestígios de ‘‘flotsam (detritos à deriva).” E foi assim o fim da investigação oficial. Houve missas pedindo a ajuda divina mas não para encomendar os mortos – naquela altura ”desaparecidos”. Só para confirmar que o M/V MUSI navegando Singapura – Díli costumava pedir reatamento de comunicações via Marconi duas vezes por dia, religiosamente, e comunicava para dizer “loud and clear” no traffic – until next QSO thanks and out.”

O mesmo com petroleiros nacionais para o Golfo Pérsico passando por Nacala em Moçambique diariamente até entrar em Ras Ta Nura (Arábia Saudita, Golfo Pérsico). Na volta ainda atracado pedia para recomeçar o contacto até Nacala, o mesmo Radionaval Lourenço Marques (Maputo), Macau e até na base em Diego Garcia. A exceção – Arbirú. Sistema manhoso desde sempre. O chefe de máquinas e telegrafista do navio era sempre da Marinha. O ultimo telegrafista permanente, Célio, aparentemente também queria negociar mas por conta própria e tentou fazer outra comissão mas o Comandante informou o Governador que era desnecessário haver telegrafista permanente. Na navegação costeira só telefonia e para o estrangeiro poderiam levar um dos Correios ou um militar com comissão terminada mas aguardando transporte de regresso.

O Governador concordou e um aprendiz de feiticeiro perdeu o negócio. Quando um novo enfermeiro começou a comissão, Sargento Simões, teve que fazer uma fogueira nas traseiras da radionaval para queimar a droga. Palavras dele próprio e confirmado por outros. Esse citado telegrafista Célio é fácil de referenciar, tinha uma Honda 300 cor amarelo berrante.

O penúltimo Chefe de Máquinas, na penúltima viagem sofreu um acidente enquanto o navio estava atracado em Singapura. A única testemunha que estava com ele na casa das máquinas disse que teria tocado numa bateria e morreu eletrocutado. Era um homem novo e muito calado. Quando em Díli, jantava e dormia na Radionaval, e dizia que tinha medo do que via. O novo chefe de máquinas morreu na última viagem. Eu vi a esposa no aeroporto de Figo Maduro à chegada dos refugiados de Atambua e ela perguntava a toda a gente lavada em lágrimas: digam-me só se sou viúva, digam se o meu marido está vivo ou morto!

E para finalizar o caso do Sargento maquinista morto em Singapura. Houve um inquérito sobre o “acidente” na Capitania de Díli. Aparentemente a única testemunha era já de idade e meio surdo. Quando ele começou a falar contando o acontecido, foi ouvido gritarem-lhe “ouve, tu só respondes ao que te perguntarem. Nada mais!”

Recorde-se que a capitania era o lugar de trabalho e escritórios do pessoal ligado a ela – Sargento Lourenço e escriturários. Lugar de entrar e sair dos que estavam ligados a estas funções. Portanto na sala de inquérito estava rodeado desse pessoal. Depois de algum tempo, meses talvez, passado sobre o naufrágio o José Rocha, filho do Cmdt Rocha chegou de Lisboa, passou um tempo curto e depois voltou. Falou-se que aparentemente as partilhas tinham sido feitas sem alarde. Talvez as informações recebidas pelo Sargento Lourenço tivessem sido úteis. Da parte da Dona Babo ouvi de um parente que tudo tinha sido partilhado sem problemas ou dividido sem dúvidas ou amarguras. Costumávamos acampar para o sudoeste e éramos todos um grupo unido. De ambas as ocasiões foi citado que não tiveram que esperar pelos sete anos (desaparecidos sem prova de morte ou restos mortais.) Alguém saberia alguma coisa que os meros mortais ou plebeus não tinham acesso. Durante anos ouviu-se dizer que alguém em Jacarta ou Surabaya via alguém conhecido, a quem chamava mas olhavam para trás e seguiam sem responder.

Mesmo depois da invasão Indonésia, Timorenses circularam por portos e juraram que “aquele navio era o Arbirú.” Uma pintura diferente, uma chapa aqui ou ali mas era o Arbirú. De lembrar que o navio fora construído no estaleiro de S. Jacinto, Aveiro. Era difícil haver navios gémeos navegando nessas paragens. Eu próprio em Darwin em trânsito para Hong Kong para trazer o rebocador Lifau encontrei um irmão do enfermeiro de bordo, Borges, que afirmou ter mantido contacto com Darwin (onde residia) com um tripulante indonésio que lhe afirmou saber que o irmão estava vivo e iria trazer fotos na próxima viagem.”

A mesma fonte disse: estive em Macau na tripulação do Lifau na viagem inaugural e quando fomos buscar a Laleia, ficávamos alojados na guarnição local, jantávamos no clube da Polícia Marítima no cais da Taipa.

IN CHRONICAÇORES VOL 5 LIAMES E EPIFANIAS AUTOBIOGRÁFICAS ED LETRAS LAVADAS PONTA DELGADA

Augusto Fraga sobre a série Rabo de Peixe: “Desde que terminei os estudos de cinema até hoje, estive a preparar-me para isto” – Men’s Health

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Estivemos à conversa com o realizador da série Rabo de Peixe, Augusto Fraga. A série chega à Netflix a 26 de maio.

Source: Augusto Fraga sobre a série Rabo de Peixe: “Desde que terminei os

 

https://blog.lusofonias.net/governo-regional-dos-acores-delta-cafes-e-associacao-de-produtores-acorianos-de-cafe-promoveram-sessoes-de-desenvolvimento-da-cultura-do-cafe-newmen/ estudos de cinema até hoje, estive a preparar-me para isto” – Men’s Health

Governo Regional dos Açores, Delta Cafés e Associação de Produtores Açorianos de Café promoveram sessões de “Desenvolvimento da Cultura do Café” – NewMen

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Para apoiar o desenvolvimento da cultura do café e a estratégia de crescimento coletivo

Source: Governo Regional dos Açores, Delta Cafés e Associação de Produtores Açorianos de Café promoveram sessões de “Desenvolvimento da Cultura do Café” – NewMen

psatrimónio

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Nós os Ponta-delgadenses, sempre tivemos a tentação de destruir o nosso património construído, a nossa História, em nome do progresso!
Nesta esquina da Rua Machado dos Santos com o Largo Correio dos Açores, há talvez sessenta anos, foi alterada a fachada riquíssima de um solar secular para se construir uma barbearia, na altura, moderníssima e de luxo, só acessível a uma camada privilegiada da nossa sociedade.
Foi e continua a ser um ponto negro na nossa cidade, criado como sempre, em nome do progresso.
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  • Rogério Oliveira

    Este antigo edifício está TODO REMENDADO!!! Para além da antiga Barbearia GIL, no outro extremo há outro mamarracho!!!!
  • Paulo Bermonte

    ….o problema é que os decisores políticos que permitem essa devassa estão entre nós e foram “eleitos” pelo nosso povo….
  • José Manuel Resendes

    Ainda lembro anos sessenta. Só para classe da alta. Não era para qualquer escravo do trabalho.
  • Artur Neto

    Ainda hoje me questiono, como foi possível aceitarem e cometerem semelhante crime!

PAN/Açores defende fogo de artifício silencioso ou de reduzida intensidade sonora — DNOTICIAS.PT

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O PAN/Açores entregou, na Assembleia Legislativa Regional, um projeto de decreto legislativo para a utilização de artigos de fogo de artifício “silenciosos ou de reduzida intensidade sonora” para minimizar a poluição, foi hoje anunciado.

Source: PAN/Açores defende fogo de artifício silencioso ou de reduzida intensidade sonora — DNOTICIAS.PT

All In A Day’s Work: When Plumbers Come Across Hilarious Things And Share Them On The Internet – Better Manly

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Plumbing can be an interesting occupation, considering you get to see many weird things in different homes. While some may make you shake your head in disappointment, others will make you laugh out loud for at least a couple of minutes. But no matter the issue, plumbing requires the utmost skill and talent to do […]

Source: All In A Day’s Work: When Plumbers Come Across Hilarious Things And Share Them On The Internet – Better Manly

xanana de novo

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Última Hora – Timor-Leste/Eleições: CNRT, de Xanana Gusmão, vence quintas eleições legislativas
Díli, 22 mai 2023 (Lusa) – O Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), de Xanana Gusmão, venceu as eleições de domingo em Timor-Leste, quando está praticamente concluída a contagem dos votos, faltando definir se obtém maioria absoluta.
A vitória dará ao partido uma ampla representação parlamentar, conseguindo pelo menos 31 dos 65 lugares do parlamento (mais dez do que tem atualmente), segundo os resultados nacionais provisórios do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE).
Neste momento falta apenas concluir o apuramento em três municípios – Bobonaro, Covalima e Manatuto -, com a contagem nos três casos já bastante avançada e o CNRT a liderar em todos.
Quando estão contados 92,73% dos centros de votação de todo o país – e se mantém a tendência que ficou praticamente inalterada desde o iníciuo da contagem-, o CNRT lidera com 263931 votos e 41,59%, um resultado superior aos votos obtidos pelas três forças políticas que compõem o atual governo .
Se não chegar à maioria de 33 cadeiras, o CNRT deverá fazer um acordo com o Partido Democrático (PD), o que daria às duas forças políticas uma maioria clara, ainda que matematicamente a maioria absoluta ainda seja possível, tendo em conta os votos que falta contar.
O Partido Democrático (PD) passou de quarta a terceira força política em número de votos, invertendo uma tendência de queda no apoio ao partido que se mantinha desde as eleições de 2007, conseguindo mais uma cadeira para um total de seis. Obteve para já 57721 votos ou 9,09%.
Em segundo lugar, ficou a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que tem atualmente 166147 votos e 26,18%, o que representa perder quatro das suas atuais 23 cadeiras.
Os resultados mostram uma punição aos partidos do Governo, em particular ao Partido Libertação Popular (PLP), do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, que perde metade dos oito lugares no parlamento, passando de terceira a quinta força política.
Taur Matan Ruak é um dos maiores derrotados da votação de domingo, com os eleitores a fugirem da força política que se estreou como a terceira mais votada em 2017, ficando-se agora pelos 37701 votos e 7,25%.
Também a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), de Mari Alkatiri, foi penalizada, com o partido que viabilizou o executivo desde 2020 a registar a pior percentagem de apoio sempre, com uma queda de cerca de oito pontos percentuais face ao voto que obteve nas antecipadas de 2018.
Finalmente, o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) conseguiu aumentar o seu apoio, para 7,25% e deverá manter os atuais cinco lugares- Os resultados indiciam uma fuga de voto para os maiores partidos, com o total de boletins em partidos que ficaram abaixo da barreira de elegibilidade (4% dos votos válidos) a representar menos de 10% dos votos totais.
Esse valor é mais baixo do que em 2017, quando chegou aos 14% e em 2012, quando garantiu mais de 23,13%.
O CNRT venceu em toda a diáspora, em nove dos 13 municípios de Timor-Leste já apurados (perdeu apenas para a Fretilin em Baucau e Viqueque) e ainda na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), zona que tem sido praticamente sempre administrada por um dirigente da Fretilin.
O parlamento fica agora com apenas cinco bancadas partidárias (eram oito antes do voto de domingo) com apenas duas das restantes 12 forças políticas concorrentes a chegar próximo da barreira de 4% dos votos válidos: o estreante Partido Os Verdes de Timor (PVT) e o Partido Unidade e Desenvolvimento Democrático (PUDD), que tinha um lugar no parlamento.
O sufrágio de domingo foi marcado pelo aumento da participação da diáspora timorense, impulsionada em particular pelos jovens emigrantes que se recensearam no último ano, com valores nunca vistos de adesão ao voto.
Num dos centros de votação no Reino Unido a afluência foi tão elevada que os responsáveis da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e do STAE tiveram de colocar uma segunda urna para receber votos.
Imagens da votação em pontos tão diversos como Melbourne, Seul, Lisboa ou Crewe mostraram grandes filas, com responsáveis eleitorais e diplomatas a referirem o entusiasmo da participação dos eleitores.
A contagem dos votos foi dificultada por problemas de internet, que atrasou a comunicação dos resultados de alguns municípios para Díli, com críticas à forma como o STAE divulgou os resultados.
Situação que levou mesmo o Presidente timorense, José Ramos-Horta, a afirmar que vai solicitar uma auditoria internacional ao processo de divulgação dos dados eleitorais que, mais de 30 horas depois do fecho das urnas, ainda não eram conhecidos.
ASP // PJA
Lusa/FIm
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Foi atacado duas vezes por um crocodilo e viu isso como um sinal de alento. Em Timor, há portugueses com esperança e otimismo em doses generosas – Atualidade – SAPO 24

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