Daqui a um mês, no Qatar, será preciso ter cuidado com o que se filma | Mundial 2022 | PÚBLICO

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O Mundial 2022 começa daqui a um mês e, a esta distância, os jornalistas e repórteres de imagem já sabem o que os espera: semanas de medição cuidadosa daquilo que mostram ao mundo.

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PAÍS INGOVERNÁVEL, 11/11/2015

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16.5. PAÍS INGOVERNÁVEL, 11/11/15, CRÓNICA 151

Este país onde nasci deu belas passagens e desgostos, país malformado, mal-educado, malpreparado de gente diversa: os que nasceram mais ou menos bem, a classe média, trabalhadores, empresários, patos bravos, corruptos (de todas as cores e felizmente para as origens, nem todos transmontanos, embora avondem como dizem os galegos), os que jamais trabalharam um dia, e tiraram cursos esconsos em universidades dúbias, falsificando cursos ou nem por isso.

O cérebro sistematicamente lavado, desde tempos imemoriais sem oposição, por Viriato, Sertório, Romanos, Alanos, Suevos, Vândalos, Visigodos, Árabes, Castelhanos, a Inquisição delatória e a Ditadura de má-memória (em 48 anos de obscurantismo) fez um povo de “bufos”. Este povo encontrou a liberdade (confundiu com libertinagem), liderado por gente engenhosa e sábia na arte de roubar (lembram-se dos dinheiros da formação profissional que a Europa mandou e compraram carros de alta gama?).

O povo não aprendeu a substituir fado, futebol e fátima, ao som de música pimba (quanto mais ordinária melhor), de telenovela que o faz sonhar com vidas que nunca terá (só no ecrã), e se embala, inebriado, pelos vapores do voyeurismo de Big Brother, onde o sexo é a moeda corrente. Anestesiado e inculto como no tempo do Salazar, mas doutor, engenheiro, arquiteto, graças à massificação do ensino. Um povo que nunca cuidou de se educar, sem formação (os governantes não queriam, quanto mais incultos mais manipuláveis), sem gosto na história, língua e cultura, confundida com atividades circenses, touradas e futebol. E uns menos influenciáveis viram desaparecer a classe média com aspirações elitistas (dantes uns iam para o liceu, outros para escolas comerciais ou industriais)

As brumas não auguram a chegada do Sebastião, desejado ou não, jamais virá em dia de nevoeiro. Mesmo que chegasse não seria a tempo de salvar o país. Aprendi na minha Austrália (não abdico dos poucos princípios que restam), a acreditar na democracia participativa.

Aceito o voto da maioria, estúpida, iletrada e portuguesa.

Acredito que o mérito é a unidade de valor e não o compadrio, a cunha, o senhor doutor parolo da sociedade em que cresci.

Acredito que um país só pode ser decente e governável quando a liderança se rege pelos superiores interesses do país (res publica) e não do partido, amigos, associados, “boys and girls.”

Se alguém é corrupto, julgue-se, condene-se, prenda-se e deite-se a chave fora, obriguem-no a trabalhar, a produzir para a sociedade, nem que seja caixas de fósforos (esqueci-me de que já não se usam, pode ser limpar ruas e matas, apagar incêndios, reabilitar casas devolutas). Há tanto por fazer e poucos a trabalhar.

Acabem com as reformas antes do tempo, todos no regime geral a contribuir com deduções iguais às que o estado colocará em fundos especiais, sem ser de especulação. Em obra pública com derrapagem de custos, responsabilizem os culpados e indemnizem o dono da obra.

As viaturas de estado operando só no horário das repartições) reduzidas ao mínimo e não para a ostentação. A justiça célere e sem prescrições. Estado Social sim, com inspeções.

Quando vim da Austrália, nas casas sociais (Porto), viviam pessoas alegadamente sem posses, com antenas parabólicas (pagavam-se bem caro) e carros melhores que o meu. Comiam diariamente nos cafés e restaurantes, coisa que eu não podia.

Algo me diz que a distribuição é injusta. O RSI, rendimento de inserção social, deve bonificar os que precisam, e estes devem-no retribuir para a sociedade, na medida das suas possibilidades e não para ficarem em casa.

A minha ética é o trabalho e vivo a trabalhar “pro bono” nos Colóquios da Lusofonia e atividades paralelas que me dão o prazer que o labor pago nunca deu. Quando trabalhava por conta de outrem, dei sempre mais do que recebi, na função pública ou na privada.

Raramente vejo isso nos que me rodeiam, se bem que haja exceções. A maioria, são uma desgraça para a profissão. Deviam ser retreinados, avaliados e promovidos profissionalmente com sistemas de mérito e verificação de competências e se isso falhasse, expulsos.

O trabalho deve ser justamente remunerado, a carreira com progressão de acordo com a produtividade, onde tudo é mensurável.

Na Austrália os funcionários públicos eram avaliados e singravam graças ao mérito e coeficientes de produtividade. Era um sistema justo, as sugestões dos funcionários iam aos ministros, forçados a mudar as normas “Top Down,” pois não funcionavam e ninguém melhor do que os que estão na linha da frente para avaliar o seu impacto. Cá, os funcionários regem-se pela lei do menor denominador comum ou menor trabalho útil.

O parlamento britânico tem condições mínimas, mal cabem, apertadinhos uns ao lado dos outros, sem PC, gabinetes, telefones, sem a dispendiosa parafernália eletrónica da Assembleia da República e sem viaturas do Estado.

Na Suécia os deputados, têm um miniapartamento frugal. Cá, subsídios de residência, ajudas de custo, viagem, mil e uma mordomias. Quanto piores os políticos maiores as mordomias. O maior escândalo são os preços do caviar e do champanhe, quase gratuitos, no bar da Assembleia. Isto sem falar dos carros de luxo e viagens em executiva.

Na Austrália os transportes públicos são para todos e, diariamente, viajavam comigo ministros e altos funcionários do governo estadual sem que os parentes caíssem na lama.

Jamais esquecerei a cena ridícula dos ninjas de Pedro Santana Lopes (o mais fugaz primeiro-ministro) para o protegerem, na visita relâmpago (48 horas em novº 2004) a Bragança, carros blindados, na contramão para a Estalagem de S. Bartolomeu. Uma cena à faroeste. Bragança é um coio de terroristas do ISIS e Al-Qaida, onde ninguém se desloca sem Humvee à prova de bala, batedores da polícia, guarda-costas e secretas, como o Presidente dos EUA no Iraque, não vá o diabo tecê-las e serem atingidos, sei lá, por uma alheira, butelo ou posta mirandesa.

O governo, manietado pela troica e banca internacional de agiotas, que espreme os trabalhadores, a quem retiraram direitos e feriados, a quem congelaram salários e pensões, benefícios arduamente conquistados depois das longas trevas da ditadura, de promessas incumpridas e aumentos exagerados de impostos aumentando o fosso entre ricos e pobres, condenando milhares de portugueses a emigrar, despovoando mais um país envelhecido, reduzindo a quantidade de pagantes de impostos enquanto se aumenta o número de milionários por meios obscuros e ilegais. Que o digam a Porsche e a Ferrari.

O governo deu ao desbarato (em troca de luvas) tudo o que tinha valor. Já há pouco de Portugal no que leva o nome português, pois pertence a estrangeiros. Se as joias da coroa fossem bem vendidas ainda se admitia a privatização, mas dar ao desbarato o que nós pagamos exorbitantemente é um crime de lesa-pátria.

Como se faz a campanha para vender um bem público? criam-se atritos com o pessoal, baixa-se a produtividade, depois, entrega-se de mão beijada a amigos ou aos que mais luvas pagam. Foi assim com a EDP, REN; TAP; CTT, ficou a ponte Vasco da Gama, a torre de Belém e os Jerónimos e pouco mais, e esses seriam vendidos (se tivesse havido tempo) tal como fazem com conventos, castelos e monumentos oferecidos à exploração por privados para hotéis de luxo.

Escravizado o povo português, vendido a chineses e outros, dispõe de menos serviços, saúde, justiça, educação. Mais facilmente se manipula, aceitando a caridadezinha.

Um quarto da população vive em pobreza extrema (2 milhões), aumentam os sem-abrigo, e isso não perdoo, hipotecou-se a ESPERANÇA. Venderam o país a retalho sem mexer nos privilégios dos ricos? Mandaram a fatura ao povo para pagar os erros da banca. Na Islândia prenderam os banqueiros e venderam os bancos para reembolsar os vigarizados.

Sou europeísta. Acreditei no sonho dos fundadores como solução para um continente assolado por séculos de guerras. Não votei na Europa manietada pelo capital agiota para retirar liberdade e soberania, não é esta a que quero pertencer, fortaleza anti-imigração, corroída pelo avanço dos fundamentalistas, sonhando com islamismos moderados que não existem. Uma Europa que vê primaveras árabes ao fundo do túnel do petróleo, faz desabar ditadores e abre as portas a uma emigração que ninguém contém, a não ser os naufrágios inúteis no Mar Mediterrâneo. Uma Europa aliada dos EUA a armar grupos como Al-Qaida e ISIS que fogem ao controlo para se tornarem em vilões como Saddam, Bin Laden e mais invenções americanas.

Sei que sou poeta, utópico e idealista (bem mo disse, publicamente, o Adriano Moreira em Bragança 2008), mas não perdoo terem roubado a Esperança às novas gerações. Nem Salazar o conseguiu, havia a guerra colonial, um regime decrépito, mas tínhamos a Esperança e ora os filhos não têm nem sabem o que é, foi hipotecado o futuro deles e dos netos. Como bom poeta anárquico podia desejar o caos absoluto, “après moi le déluge,” ou um terremoto maior do que o de 1755 para reconstruir o país do zero, e sonho com isso desde os tempos de Liceu (1971).

Nunca acreditei na troica e FMI para resolver os problemas de nenhum país, exímios em condenar povos à miséria esclavagista do capitalismo selvagem. A austeridade nunca foi receita para ninguém, só dá lucros aos agiotas. Sou contra essa austeridade, mas não contra o rigor, o despesismo balofo, a ostentação, o novo-riquismo. Não acredito nas tretas de direita e esquerda, não creio em político honesto (nem em prostituta virgem!), nem imagino que o governo faça (não o deixarão os magnatas agiotas). Quero os corruptos condenados e presos, e o sistema bancário mundial aniquilado. Não me entendam mal, acredito no capitalismo, à moda antiga, que investe os lucros para criar riqueza para todos.

Creio na social-democracia à moda sueca (anos 70), o estado a complementar a iniciativa privada e a liberdade individual em vez de a tolher, com normas estúpidas como o tamanho dos tomates, sanitas ou chicharros.

Acredito no ensino universal, gratuito para os que tiverem valor e não para os que querem o canudo e o axiónimo. Acredito que um país pode evoluir e progredir se for culta a população. Eu disse culta, não disse com canudos de Bolonha…

Acredito num país que gaste mais no orçamento da cultura do que na defesa, que preze a história e a preserve, que recupere monumentos e tradições, em vez de culturas circenses, caso contrário que volte o autêntico circo de Roma com arena e leões para lá deitar os políticos. Quanto a guerras determino que em vez de mandar a juventude devem criar-se duelos entre os políticos dos países beligerantes, podendo escolher as armas, sejam a luta livre, corpo-a-corpo ou xadrez. Com Esperança posso sonhar e sem sonhos a vida não merece ser vivida.

o importante é onde você a beija

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May be a cartoon of indoor
Ele separou-se da esposa e, com quase 60 anos encontrou uma nova cara metade; uma bela gata de 22 aninhos. Certo dia, em um restaurante encontra um casal de médicos, ex-colegas de turma e sentam juntos para rememorar os bons tempos. O amigo médico ficou impressionado com a gata e, quando as esposas foram ao toalete, não se conteve e perguntou como ele conseguiu a proeza de arrumar uma gata daquelas. Ele com a maior calma do mundo, disse: – Para manter um bom relacionamento, com uma gata daquelas, o importante é onde você a beija. Imediatamente o cara perguntou:
– E onde é que você a beija?. Sem perder a compostura nosso amigo informou:
– Eu a beijo em Paris, Nova York, Londres, Roma, Veneza,

Americans Moving to Europe: Housing Prices and Strong Dollar Fuel Relocations – Bloomberg

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Prohibitive housing prices, a strong dollar and political rancor have contributed to a wave of Americans relocating to Europe.

Source: Americans Moving to Europe: Housing Prices and Strong Dollar Fuel Relocations – Bloomberg

Milhares de pensionistas “vão ter um agravamento fiscal”

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Uma boa parte dos reformados vai ter um agravamento fiscal por receber repartida por dois anos a pensão a que tinha direito em 2023.

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O SNS PODIA COPIAR A DINAMARCA

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May be an image of outdoors
Hvidrove, um hospital publico dinamarquês. Um dos três grandes hospitais públicos existentes em Copenhaga.
Na Dinamarca não há hospitais privados. A saúde é uma responsabilidade pública e é gratuita, com excepção de alguns tratamentos odontológicos ou especiais (embora o serviço de estomatologia para crianças seja integralmente gratuito). A Dinamarca gasta cerca de 10% do seu orçamento na saúde.
São quatro alas unidas por um enorme corredor a todo o comprimento, onde circulam rapidamente macas e pequenos contentores de abastecimentos, empurrados por uma espécie de empilhadoras motorizadas.
Cada ala é dedicada a um conjunto de patologias, técnicas ou serviços e tem 3 pisos. No rés do chão fica o tratamento ambulatório, no 1° andar os consultórios e, no 2° piso, os internamentos. Na cave ficam a logística, os serviços de manutenção e aprovisionamento e um parque para automóveis, imenso.
Mas o que mais me surpreendeu foi a ausência de aglomerações de doentes ou sequer de um grande numero de pessoas à procura de consulta. Meia duzia de pessoas em cada local, os serviços a decorrer, com calma e, aparentemente, sem sobressaltos, nem aglomerações ou confusão.
Na Dinamarca, os partos não são feitos por obstetras, nem sequer por médicos, mas sim por parteiras. Ninguém se queixa, todos acham bem e o serviço parece ser do agrado geral. O pessoal de enfermagem é solicito, atencioso e educado.
Será que cá não podíamos fazer o mesmo? O dinheiro, por si só não garante certamente capacidade de gestão e uma boa organização de funcionamento. Na Europa unida podia haver visitas e trocas de experiência.
Copenhaga, tem mais ou menos a população de Lisboa, porque é que os mais de 15 hospitais da capital portuguesa não conseguem fazer o mesmo que os três hospitais públicos dinamarqueses ? Onde está o segredo?
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cocaína no supermercado em 2014, uma divagação filosófica

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COCAÍNA NO SUPERMERCADO. 5.7.2014, CRÓNICA 138

As bananas do Lidl embaladas com cocaína, provocaram frémito e genica à Dona Firmina:

“Sinto-me cheia de energia, cacete! Fui ao Lidl, trouxe bananas porque estavam todos a comprá-las e comi uma no caminho. Depois fui à peixaria e ao sapateiro. Vou fazer o almoço, aproveito e faço o jantar, o almoço de amanhã e se calhar deixo preparada a marinada para o fim de semana. Enquanto as batatas cozem aproveito e tricoto uma camisolinha para o neto. E tenho tanta coisa por arrumar, hoje vai tudo a eito. Lavar os tetos, arredar móveis e bater tapetes. Está um belo dia para atividades do lar. Vou comer mais bananas, são mesmo boas.”

Enquanto pensava nas bananas do Lidl com cocaína, o amigo José António Salcedo escrevia:

“Pelos montes do Gerês ecoam as músicas pimba emanadas das capelas com instalações sonoras potentes, numa manifestação inadmissível de imbecilidade coletiva, embora as gentes locais possam imaginar que é abençoada pelos deuses. Como gosto de referir, “A delusion is a delusion.” Imagino que o volume do som seja ajustado tendo em conta a elevada distância que as superstições locais consideram existir entre cada capela e o ‘céu’ onde pretenderão ver os deuses a dançar. Por mim, imagino-o com rolhas nos ouvidos e faço planos para o regresso à Noruega, onde o silêncio e a limpeza em Natureza são valores essenciais da sociedade, contrariamente ao Minho, onde nem uma coisa nem outra são apreciadas e, muito menos, mantidas.”

Cito Zack Magiezi: “Causa mortis: traumatismo craniano. Fruto de mergulho profundo em pessoas rasas.” Seria a mensagem lapidar para o povo que, apesar da educação massificada, continua generalizadamente inculto e abúlico como Eça o definia:

Acabava de entrar 1872. O ano novo interrogava o ano velho.

– Fale-me agora do povo; pedia o ano novo. É um boi que se julga um animal muito livre porque não o montam na anca e o desgraçado não se lembra da canga; respondeu o ano velho.

– Mas esse povo nunca se revolta? Insistia o ano novo espantado.

– O povo tem-se revoltado por conta alheia. Mas por conta própria, nunca; respondia o velho.

– Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?

– Um país normalmente corrompido, em que os que sofrem não se indignam por sofrer.

Diálogo de Eça sobre Portugal:

“O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam, e padres que rezam contra ele. Pagam tudo, pagam para tudo. E como recompensa dão-lhe uma farsa.” Era 1872 a falar do bom povo português, “raça abjeta” de que falava esse eterno frustrado, Oliveira Martins, hoje poderia ter escrito este meu texto:

“Um povo cretinizado, obtuso, subjugado, sem lamúrias, a não ser à mesa do café, enquanto vê o futebol que a crise não permite ter TV Sport em casa. Sem rebeldia, tão pouco de raiva, nem que seja surda. Um povo que se deixa levar, indiferente, por políticos sem escrúpulos, mentirosos compulsivos e múmias silentes em estado adiantado de decomposição mental, rodeadas de pompa, circunstância e servis conselheiros pagos a preço de ouro para bajularem. A desobediência civil deitaria abaixo os castelos de cartas nas nuvens. Os pobres (de espírito) alinham com os que parecem ter o poder e os legitimam. Sempre comeram e calaram, gratos pelas migalhas que os senhores jogavam pelas seteiras quando a turba suplicava para enganar a fome. Inventaram a padeira de Aljubarrota, Maria da Fonte, Velha da Ladeira (guerras liberais, Açores) para escamotear o facto de se tratar de populaça perenemente amodorrada e crassa, capaz de aceitar todos os sacrifícios. Atente-se na lenda das tripas na defesa de Portucale. Povo de chapéu na mão, espinha dobrada a beijar o chão dos senhores (que sempre o espoliaram), a recuarem, gratos e venerandos pelas migalhas bendizendo a generosidade. Eu vivi nesse “sítio” de que falava Eça, na “piolheira” a que el-rei D. Carlos se referia (país de bananas governado por sacanas), governado por gente como o douto Conde de Abranhos: “Eu, que sou o governo, fraco, mas hábil, dou aparentemente a soberania ao povo. Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer a soberania em meu proveito.”

Ontem como hoje, o verdadeiro esplendor de Portugal. É por estas e outras que eu e tu, caro Salcedo, seremos sempre parte intrínseca da elite pensante e culta. Se os ateus – como eu – têm dores nas cruzes, não devemos dizer “a culpa é do tempo.” O tempo está bom, nós é que estamos mal. Não nos devemos autodiagnosticar com baixa autoestima quando rodeados por idiotas. É como a alegoria de que toda a gente fala de amor, mas poucos sabem amar, é o que falta hoje, a capacidade de amar, de acreditar (em nós, dos outros sabem eles). Sabes, Zé António, isto das Festas e fé, é complicado e mesmo sem música pimba, indissociável das mesmas, é um tormento.

15.9.1. RECORDAR TORGA, CRÓNICA 138, 5.7.2014

“Coimbra, 5 julho 1949 – Dizer tudo. Contar tudo. Passar para o papel a verdade inteira, sem deixar dentro da alma o mais pequeno segredo. No artista, até as contas do alfaiate interessam.» Estes críticos esquecem-se de que os escritores são homens. Julgam que somos máquinas de varrer as imundícies dos outros e as nossas. Dizer tudo, dizemo-lo nós, duma maneira ou doutra. Mas dizemo-lo como queremos, numa confissão que não tem direção, nem regras. Um escritor como Eça de Queirós, o mais pudico dos nossos artistas – tão pudico que até as inofensivas intimidades da sua vida cobria dum véu literário –, não teria dito tudo? Ficaria dele algum segredo escondido? Alguém precisa ainda de saber mais?!”

Diário V, Miguel Torga

Simulation Suggests 68 Percent of the Universe May Not Actually Exist – blog.sci-nature.com

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According to the Lambda Cold Dark Matter (Lambda-CDM) model, which is the current accepted standard for how the universe began and evolved, the ordina

Source: Simulation Suggests 68 Percent of the Universe May Not Actually Exist – blog.sci-nature.com

blogue de tudo e nada para mentes pensantes