Osvaldo José Vieira Cabral · A MÃO NO NOSSO BOLSO

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A MÃO NO NOSSO BOLSO
Andam todos a queixar-se da inflação e do consequente brutal aumento dos preços, mas há uma indústria extrativa dos nossos bolsos que está caladinha até desconfiar.
É a banca, este sector que vive na impunidade dos governos e dos senhores governadores, sempre pronta a pedir ajuda quando avista a insolvência e a ameaçar com a lega-lenga do “risco sistémico”.
Mas quando as coisas correm bem, como está agora a acontecer, à custa de uma crise em cima das costas dos contribuintes, fazem um ruidoso silêncio sobre os lucros excessivos e escandalosos.
Os bancos em Portugal estão a ganhar 7 milhões de euros por dia, graças ao aumento das taxas de juro, mas não retribuem aos depositantes como remuneração dos depósitos, mantendo o mesmo juro que ofereciam antes, do tamanho de uma formiga.
Estão a pagar 0,05%, quando a média no mercado financeiro europeu é de 0,6%.
Só em comissões a banca já arrecadou, até Setembro deste ano, quase 2 mil milhões de euros.
Já ajudamos a banca nos seus tempos difíceis, não há muito tempo, e só para o Novo Banco foram mais de 3 mil milhões de euros pagos pelo Fundo de Resolução. Curiosamente, foi o banco que mais cresceu nos lucros este ano, ultrapassando alguns dos seus congéneres, pelo que era de esperar uma melhor compreensão com os depositantes. Pelos vistos, é para esperar sentado, como todos os outros.
Com efeito, os principais bancos registaram lucros de mais de 1.000 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, nada comparado com os 25 milhões registados no mesmo período do ano passado, pelo que seria de esperar uma outra atitude perante os depositantes.
Mas como suas excelências não se descosem, foi preciso o Banco Central Europeu intervir e chamar a atenção de que é inaceitável que os bancos estejam a lucrar tanto numa altura em que a economia passa por dificuldades.
Daí que seja preciso agir perante a voluntária passividade da banca glutona.
O BCE anunciou que está a preparar um documento que pretende mudar as regras relativas aos empréstimos concedidos aos bancos da Zona Euro, o que poderá diminuir drasticamente as receitas das instituições financeiras.
É um fraco castigo, na medida em que o excesso dos lucros não deverá reverter a favor dos clientes, sobretudo no aumento dos juros dos depósitos ou na diminuição das taxas de juro dos créditos, como a habitação.
Vamos aguardar, mas o histórico não é lá muito famoso. A banca tem sido altamente protegida com receio do tal “risco sistémico”, termo que não se aplica, na linguagem dos políticos, às famílias e empresas.
Estas podem empobrecer e falir, que não haverá Fundo de Resolução que nos salve.
Às vezes apetece aplicar outro tipo de resolução nos fundilhos dos políticos.
****
UMA FÁBRICA DE CASOS – O PS tornou-se numa fábrica de casos. É raro o dia em que não nasce um debaixo das pedras em que os portugueses vão tropeçando por este país fora.
Tem tudo a ver com a duração dos partidos no poder. Quando se acomodam durante muitos anos, sempre com os mesmos, aparecem os abusos, os aproveitamentos, as arrogâncias e os donos disto tudo.
Já tivemos disto por cá, com 20 anos de um e mais 24 de outro.
António Costa não parece aflito. Tem o seu futuro garantido na Europa, tem os socialistas açorianos arrumados no bolso e curvados a Lisboa, pelo que ninguém tem a coragem de lhe afrontar internamente.
E é assim que a política e os políticos se vão degradando dia-a-dia, onde até já nem escapam os jotinhas imberbes, acabados de sair da escola, e já com pelouro assegurado cheio de mordomias. Um tal fartar.
Todos sabemos como é que isto acaba.
****
ADEUS A JERÓNIMO – Jerónimo de Sousa não foi grande líder. Longe de um Cunhal. Deixa um partido em decadência.
Mas esteve sempre no seu registo coerente, de convicções profundas e nunca saiu delas. Inclusivé a falta de condenação contra o carniceiro de Moscovo. Salve-se, pois, a coerência e o seu entusiasmo por uma política de seriedade e sem populismos, tão na moda como em quase todos os partidos.
Vamos ter saudades dos seus provérbios e das suas metáforas. O que não é pouco, num país que vive numa grande metáfora.
****
BOAS NOTÍCIAS – No meio do turbilhão de más notícias, de tensões sociais e de tanta asneira política, cá dentro e lá fora, valha-nos os que ainda vão acreditando em nós, na potencialidade dos Açores e dos açorianos, como é o caso da multinacional canadiana Jolera.
Os seus executivos vieram esta semana abrir portas da sua delegação na região, com a promessa de expandir a sua tecnológica entre nós e recrutando mão de obra qualificada. É disto que precisamos. É um sinal de grande confiança nos nossos jovens e no enorme potencial que é a nossa posição geográfica. Pode estar aqui a chave para outros seguirem o exemplo. Venham eles e que a tradicional burocracia à portuguesa não nos trame os horizontes.
Osvaldo Cabral
Novembro 2022
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)
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sereia açoriana KAILANI

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Rosa Félix deixou carreira no Marketing para se tornar “filha do mar e do céu”
Rosa Félix é natural de São Miguel e licenciou-se em Marketing e Publicidade na Escola Superior de Comunicação Social, área na qual trabalhou durante vários anos após o seu regresso à ilha onde nasceu. Porém, em 2018, resolveu agarrar a oportunidade de mudar de vida, tornando-se empresária e proprietária de um barco no qual desenvolve a sua actividade marítimo-turística, através da Kailani Sea Experiences, em 2019, cujo nome havaiano significa “filha do mar e do céu”, vindo também a ser o seu ‘nome de sereia’.
Fruto desta reviravolta, a açoriana é também responsável por aquela que é, muito possivelmente, a única Escola de Sereias em Portugal, actividade esta que, inicialmente, tinha o propósito de servir de complemento aos serviços prestados pela sua empresa nos períodos em que o barco se encontra no mar, mas que deseja continuar a explorar, ocorrendo no conforto da piscina aquecida do Hotel Antília, em Ponta Delgada, devido às condições adversas do mar e do clima nesta fase do ano.
Apesar de sempre sentir uma grande proximidade com o mar, sobretudo na sua infância e juventude, quando aprendeu a nadar, a pescar e a apanhar caranguejos e lapas com o pai, a verdade é que durante vários anos da sua vida acabou por “não ter uma grande acessibilidade ao mar”, embora involuntariamente – ou não – acabasse por procurar o mar através dos projectos que desenvolvia, tal como o projecto Rosa do Mar, iniciado em 2012 e dedicado ao artesanato com produtos seus e quase todos relacionados com o mar. Ao mudar de estilo de vida, a açoriana adianta que tem tido a oportunidade de “aprender imenso” e de olhar mais para si, optando por se reaproximar do mar e de tudo aquilo que o imenso azul representa para si, tirando formação em apneia e mergulho, sem contar com toda a formação necessária para poder comandar o seu próprio barco, fruto do seu investimento.
No entanto, por estar ainda no início desta nova fase da sua vida profissional, Rosa Félix foi também tomada de assalto pela pandemia e pelos seus efeitos nefastos no sector do turismo, não lhe restando outra alternativa senão a de esperar pacientemente por melhores dias: “A minha licença estava pronta quase no final da época alta, em Setembro, e depois veio a Covid-19. Foram dois anos em que não consegui fazer praticamente nada, e por isso mais valia ir com a onda do que estar a lutar contra ela, por isso resolvi ter calma e fazer o que toda a gente fez: esperar”, adianta.
A partir daí começou também a pensar na melhor forma de desenvolver a sua Escola de Sereias, iniciando, já no fim da pandemia, uma formação através da escola AquaMermaid, localizada nos Estados Unidos da América, que em Maio de 2022 conferiu a Rosa Félix o título de “Mermaid Swim Instructor” (instrutor de natação de sereia), dando-lhe a possibilidade de ensinar qualquer pessoa, dos 7 aos 100 anos de idade, a nadar com cauda e monfin (de sereia), tal como diversas técnicas de natação, incluindo algumas que são frequentes na natação sincronizada. Assim, antes de iniciar a actividade da Escola de Sereias, começou por criar um serviço intitulado “Mermaid for a day” (sereia por um dia), incluindo nos seus serviços saídas de barco na qual as pessoas podiam ter a experiência de ter uma aula no mar, normalmente perto do ilhéu de São Roque.
No entanto, mais são os curiosos do que aqueles que levam a experiência realmente avante, lamenta a empresária, considerando que a baixa afluência de pessoas nas aulas está relacionada com o facto de este ser um projecto muito recente, sendo normal que seja ainda desconhecido ou estranhado por muitos, orgulhando-se, por outro lado, de ter trazido para os Açores um projecto tão pioneiro como este e do qual não está disposta a desistir.
Obtidas as autorizações necessárias, e assegurando que em primeiro lugar está sempre a segurança dos participantes, a instrutora explica que as aulas de sereia podem acontecer em qualquer local, incluindo zonas balneares ou piscinas, sendo o principal objectivo desta modalidade o de fazer com que a pessoa “se sinta bem e que seja capaz de se exprimir”, conectando-se quer com a fantasia reconhecida nas sereias através do imaginário colectivo, quer com a água e o respectivo meio envolvente.
Este tipo de escola e de modalidade tem uma popularidade muito grande nos Estados Unidos da América, por exemplo, onde existe também uma grande rede de escolas que fornecem formação nesta área, habilitando formadores e sereias profissionais. Inclusive, no norte da América existem pessoas que fazem desta a sua principal profissão, seja para eventos, para sessões de fotografia ou para trabalhos nos aquários, sendo que há “várias vias de acção”, enquanto em Portugal e nos Açores aparenta “não sair do registo da fantasia”.
Ao longo dos últimos meses, este projecto que se encontra a desenvolver tem captado a atenção de “mulheres jovens e raparigas que têm muito alimentado este imaginário da sereia”, havendo também mulheres adultas que “acham muita piada ao conceito” mas que não se entregam à curiosidade.
Em relação ao necessário para as aulas, apenas é exigido aos alunos que saibam nadar e boiar, uma vez que o material é todo fornecido por esta instrutora e sereia: “O que este tipo de natação exige é saber nadar e boiar, porque a pessoa terá que nadar, e boiar porque a posição de segurança é boiar de costas e há pessoas que têm muita dificuldade nisto, até sabem nadar mas há situações em que não conseguem estar à tona de água”.
Mais recentemente, por forma a atrair mais alunos para as suas aulas, tem feito algumas experiências com crianças, que adoram a oportunidade de se vestirem como sereias e de nadarem como sereias, preparando-se agora para as aulas que poderá dar durante o Inverno, no Hotel Antília, onde espera também poder cativar os turistas ali hospedados para este tipo de actividade diferenciada, e, a longo prazo, tornar esta uma actividade que possa ser desenvolvida também pelos turistas, uma vez que existe pouca oferta a nível turístico que seja adequada para crianças, conforme considera.
“Esta pode ser uma actividade em família, ou podem fazê-la só as crianças enquanto os pais fazem outra coisa. Por exemplo, nos passeios de barco há esta componente, a criança pode estar a experimentar a natação de sereia enquanto os pais estão a fazer snorkeling”, exemplifica Rosa Félix.
Considerando que está ainda a trabalhar num projecto muito recente e desconhecido pela maioria das pessoas, a instrutora açoriana está decidida a continuar a apostar no seu projecto, acreditando que o mesmo se tornará mais fluido com o passar do tempo, tendo como objectivo a longo prazo o de levar esta modalidade pela ilha de São Miguel e pelas restantes ilhas do arquipélago: “Vou continuar, mesmo que tenha uma turma pequena este ano e no Verão há de ter mais crescimento porque depois posso dar aulas em qualquer sítio e a minha intenção é correr a ilha e as outras ilhas do arquipélago”, diz.
Joana Medeiros
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  • Paula Cabral

    Parabéns, Rosa! Felicidades para prosseguires com os teus sonhos! 😘
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  • Afonso Quental

    Desejo o maior sucesso para será bom para todos.
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cultura 2 anos depois

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Já lá vão 2 anos… Gov dos Açores e Cultura:
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Acordo político para um Novo Governo – Um compromisso com os Açores XII e XIII Legislatura assinado a 2_11_2020 pelo PSD-CDS-PPM inclui CULTURA no ponto 18, antes do último ponto do acordo intitulado TRANSPARÊNCIA.
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turistas a atrair nos açores

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“Estamos a atrair um turista que consegue pagar mais por aquilo que recebe” afirma Rosa Costa, DRT Açores - Turisver
TURISVER.PT
“Estamos a atrair um turista que consegue pagar mais por aquilo que recebe” afirma Rosa Costa, DRT Açores – Turisver
A um mês e meio do final do ano, nos Açores já se considera 2022 como o melhor ano turístico de sempre. Um ano que levou à região mais hóspedes, mais dormidas e mais receitas do que em 2019. O Turisver falou com a diretora regional de turismo dos Açores,…
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  • José Malagueta da Terra

    É este o caminho, se queremos preservar a nossa natureza. Já o disse várias vezes: é muito melhor ter cem a pagarem 1000€ do que mil a gastarem 100€!
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a galinha do juiz

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SE AS GALINHAS DA SOGRA VALESSEM TANTO COMO ESTA GALINHA DO MERETÍSSIMO…
[ O julgamento do caso do homem suspeito de furtar uma galinha a um vizinho, que é juiz, realizou-se, esta terça-feira, no tribunal de Viseu, e acabou com um acordo entre as duas partes. O suspeito do furto vai indemnizar o magistrado em 500 euros.

Em tribunal, o arguido pediu desculpa pela sua conduta, mas realçou que não é ladrão.

@ Ryc
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Suspeito de furtar galinha a juiz pede desculpa e indemniza magistrado em 500 euros
CMJORNAL.PT
Suspeito de furtar galinha a juiz pede desculpa e indemniza magistrado em 500 euros
Arguido pediu desculpa pela sua conduta, mas realçou que não é ladrão.
Lúcia Vasconcelos Franco
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PORTUGAL não pode falir (é a gramática)

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Ricardo Araújo Pereira, na sua crónica na revista Visão, de 6.6.22, intitulada “ESPERANÇA GRAMATICAL”, escreveu:
“Todos os modos e tempos verbais do verbo falir se admitem, com excepção de quatro pessoas do presente do indicativo e todo o presente do conjuntivo. Em que medida é que isto são boas notícias? O facto de o verbo falir ser defectivo faz com que, no presente, nenhum português possa falir.
E quando o leitor pensava que já tinha ouvido tudo acerca da crise, de repente fica a saber que, gramaticalmente, é muito difícil que Portugal vá à falência. E, enquanto for gramaticalmente impossível, eu acredito. Justifico esta ideia com a seguinte teoria fascinante: normalmente, considera-se que o verbo falir é defectivo. Significa isto que lhe faltam algumas pessoas, designadamente a primeira, a segunda e a terceira do singular, e a terceira do plural do presente do indicativo, e todas as do presente do conjuntivo. Não se diz “eu falo”, “tu fales”, nem “ele fale”.
Não se diz “eles falem”. Todos os modos e tempos verbais do verbo falir se admitem, com excepção de quatro pessoas do presente do indicativo e todo o presente do conjuntivo. Em que medida é que isto são boas notícias?
O facto de o verbo falir ser defectivo faz com que, no presente, nenhum português possa falir. Não é possível falir, presentemente, em Portugal. “Eu falo” é uma declaração ilegítima. Podemos aventar a hipótese de vir a falir, porque “eu falirei” é uma forma aceitável do verbo falir. E quem já tiver falido não tem salvação, porque também é perfeitamente legítimo afirmar: “eu fali”. Mas ninguém pode dizer que, neste momento, “fale”.
Acaba por ser justo que o verbo falir registe estas falências na conjugação. Justo e útil, sobretudo em tempos de crise. Basta que os portugueses vivam no presente – que, além do mais, é dos melhores tempos para se viver – para que não “falam” (outra conjugação impossível). Não deixa de ser misterioso que a língua portuguesa permita que, no passado, se possa ter falido, e até que se possa vir a falir, no futuro, ao mesmo tempo que inviabiliza que se “fala”, no presente. Se eu nunca “falo”, como posso ter falido? Se ninguém “fale”, porquê antever que alguém falirá? Talvez a explicação esteja nos negócios de import/export. Nas outras línguas, é possível falir no presente, pelo que os portugueses que têm negócios com estrangeiros podem ver-se na iminência de falir. Mas basta que os portugueses não falem (do verbo falar, não do verbo falir) acerca de negócios com estrangeiros para que não “falam” (do verbo falir, não do verbo falar). Eu tenho esse cuidado, e por isso não falo (do verbo falir e do verbo falar).
Bem sei que o prof. Rodrigo Sá Nogueira, assim como outros linguistas, se opõe a que o verbo falir seja considerado defectivo. Mas essa é uma posição que tem de se considerar antipatriótica. É altura de a gramática se submeter à economia. Tudo o resto já se submeteu.”
Fabíola Jael Cardoso and 84 others
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