Primeiro-ministro visita pela primeira vez Timor-Leste entre 25 e 26 de julho – Cm ao Minuto – Correio da Manhã

Views: 3

Visita de António Costa será a primeira de um chefe de Governo estrangeiro desde a tomada de posse do novo executivo timorense.

Source: Primeiro-ministro visita pela primeira vez Timor-Leste entre 25 e 26 de julho – Cm ao Minuto – Correio da Manhã

gilgamesh

Views: 0

Acerca deste livro maravilhoso, de que me vem à cabeça muitas vezes as tendas construídas para se sonhar, escrevi há uns tempos o texto abaixo. Sim, tendas construídas para sonhar. Uma coisa muito simples, uma tenda de pano, que os Sumérios levantavam fora de casa, punham uma manta por baixo, uma almofada, e deitavam-se a dormir, só para sonharem sonhos diferentes de quando dormimos na nossa cama habitual. Não queriam fazer do sono o quotidiano, desejavam comunicar com o transcendente. Sonhar é viver. Dormir é trabalhar. O sonho é uma forma de poesia, porventura a melhor de todas.
«Os escritores bebem em fontes como quem rouba água às nascentes. Quanto mais andamos para trás, em busca de uma origem, mais nos enredamos numa encruzilhada da qual só nos apercebemos de uma coisa: a literatura é impressionante na dimensão do seu fascínio. O fio de Ariadne é a emoção que nos conduz a lado nenhum em toda a parte. As Sagradas Escrituras descobriram-se no mesmo caminho sem fim de que é feita a senda humanidade. O «Épico de Gilgamés» (aqui no texto traduzido e comentado por Francisco Luís Parreira e publicado pela Assírio & Alvim) narra a epopeia do rei lendário de Uruk, que terá sido inicialmente escrita há perto de cinco mil anos, na Suméria, tendo passado por várias transcrições ao longo dos séculos subsequentes, até se perder nas areias do deserto por meados do primeiro milénio antes de Cristo. As tabuinhas de argila onde o texto se encontra fixado só seriam redescobertas no século XIX, incompreensíveis, e mais tarde decifradas graças ao paciente estudo de quem se ia progressivamente fascinando com o que desvendava. O resultado foi tão surpreendente que esteve próximo de causar escândalo, mas só por causa da nossa vastíssima ignorância. Não de uma ignorância incompetente ou desleixada, mas de um desconhecimento de que nunca nos livraremos, se Deus quiser. Foi assim que o sagrado se profanou, e foi assim que Homero deixou de ser pai, ao serem-nos reveladas as suas fontes. O épico de Gilgamés, porém, conduz-nos à pergunta: o que estará por trás dele? O que se perdeu nas brumas do tempo? Que hinos, que canções, que aventuras, que poemas, que histórias? A resposta não surpreende: nada com que nos dêmos por satisfeitos.
Tudo começa com o verso: «Aquele que testemunhou o abismo», e daqui se parte para o relato das aventuras do sábio e poderoso Gilagamés, senhor de uma enorme estatura, peito e ombros largos, pernas que abarcam quatro metros a cada passo. Encontra em Enkidu o companheiro, verdadeiro amigo e irmão para a sua busca da imortalidade, da glória e da fuga aos estreitos termos impostos pela fatalidade da vida. Logo na primeira tábua (a epopeia está dividida em doze tábuas) ficamos a saber que o seu nome — cujo significado será “Descendente de um herói” — foi pronunciado no dia do nascimento, indicando que estava predestinado para façanhas extraordinárias. Ora, encontrando Enkidu, Gilgamés encontra também um sentido para a vida, e decide partir com ele pelo mundo a combater o maior flagelo da Terra, Humbaba, o monstro que protege a Floresta do Cedro. Após longas jornadas arribam ao famigerado território. Gilgamés, pleno daqueles sentimentos que nos habituámos a observar nos clássicos, vacila finalmente à vista do tenebroso matagal de ciprestes, retiro do gigante e viveiro de sons medonhos. Enche-se de terror. «Meu amigo, ampara-me», pede o rei de Uruk ao companheiro. Só o incitamento de Enkidu consegue devolver-lhe a coragem. É então que um rugido horripilante anuncia a presença de Humbaba. Novamente Gilgamés hesita, derramando lágrimas de pânico, pedindo a Samas, o deus-Sol, que o ajude. Acedendo o deus, o combate inicia-se com as ameaças do guardião da floresta. «Trouxeste-me Gilgamés, ó traiçoeiro Enkidu, mas vou rachar-lhe o pescoço e as goelas, darei a sua carne aos abutres.» Engalfinhando-se numa luta de proporções titânicas, Gilgamés é auxiliado por Samas e vence o monstro. Humbaba suplica clemência, num discurso tão comovente que provoca a piedade do leitor moderno. Prostrado no chão, indefeso, o portento medonho de rosto disforme, qual Adamastor nos confins da África, roga ao seu vencedor, correndo-lhe as lágrimas perante os raios do Sol: «Poupa-me a vida, Gilgamés. Viva eu ao teu serviço aqui na Floresta do Cedro. Tudo te darei.» Enkidu exorta Gilgamés a não poupar a vida do monstro e a matá-lo imediatamente. Humbaba vira-se então para Enkidu, dizendo-lhe que a sua liberdade depende dele. Não obtendo indulgência, Humbaba enfurece-se e amaldiçoa os seus captores, pedindo aos céus que lhes concedam escassos dias de vida (faz lembrar a ira de Posídon, na Odisseia). O rei de Uruk pega então no machado e crava-lho no pescoço, matando-o. Quem não vê nesta narrativa emocionante tantos traços de Homero, que viveu numa época em que a história ainda circulava? Quem não sente na amizade de Enkidu e Gilgamés o amor que unia Aquiles e Pátroclo? O herói Aquiles, por desejo de vingança e de fama terrena, empunha as armas para matar Heitor, o maior guerreiro de Troia, flagelo dos aqueus, e recusa todos os pedidos de misericórdia do adversário; chora lágrimas abundantes pela morte de Pátroclo e dedica-lhe um funeral digno dos deuses. Mas a epopeia prossegue, até porque a beleza, a força e a coragem de Gilgamés despertam a paixão desenfreada da deusa Istar (sem dúvida a Afrodite homérica, de quem o próprio nome deriva, segundo Francisco Luís Parreira, pois terá evoluído da forma semítica ocidental Astorith [Istar]). A deusa da fertilidade e da sexualidade propõe casamento ao rei vencedor. Gilgamés, no entanto, recusa insolentemente, acusando-a de promiscuidade e do infortúnio de todos os seus amantes anteriores. Istar, enfurecida pelo desacato do mortal, comparece a chorar perante o pai, Anu, deus do Céu, e pede-lhe que castigue Gilgamés pela afronta inadmissível. Anu dá-lhe o Touro dos Céus, pondo-lhe na mão a corda que o puxa. O animal gigantesco desce à terra e comete devastações, provocando, entre outras calamidades, a morte de centenas de habitantes de Uruk. Enkidu e Gilgamés unem-se novamente para livrar o mundo de mais uma praga e conseguem matar o Touro dos Céus, cravando-lhe o punhal no cachaço, enfurecendo ainda mais a ofendida Istar. A que fonte foi beber Homero para o relato da Afrodite injuriada por Diomedes, na Ilíada, senão a este episódio? É tão evidente a analogia que até as personagens são as mesmas: Anu — Zeus; Istar — Afrodite; e um mortal cujo atrevimento chega ao ponto de enfrentar os deuses — Gilgamés/Diomedes). O povo de Uruk celebra esta esplêndida vitória festejando nas ruas da cidade, em aclamações de júbilo. «Gilgamés é o mais glorioso de entre os homens!» Tudo caminharia para um final feliz se Enkidu, nessa mesma noite, não tivesse um sonho angustiante, o prenúncio de um acontecimento tão horrendo como natural: a morte. Nesse sonho, os deuses discutem qual dos dois heróis deve abandonar o mundo dos vivos como castigo pela ousadia de terem matado o Touro dos Céus. A escolha recai sobre Enkidu, que acorda em lágrimas a lamentar a fatalidade do destino. «Ó meu querido irmão, terei de me sentar entre os mortos e nunca mais contemplar o meu irmão querido com os meus próprios olhos!» O desespero é tão avassalador que perde o domínio de si e amaldiçoa tudo e todos, até finalmente se aquietar, entristecido, e se arrepende das palavras desenfreadas. Adoece, padece de uma agonia de doze dias, prostrado no leito, e morre. As suas últimas palavras foram de desgosto por não morrer como um bravo, no meio da batalha, mas deitado numa cama, murmurando ao companheiro: «Eu não caio em combate, eu não engrandeço o meu nome.» Gilgamés fica inconsolável, caindo em pranto, pedindo ao mundo inteiro que chore por Enkidu. O seu amor por ele roça a homossexualidade: «Cobriu o rosto do amigo, como a uma esposa.» As lamentações fazem lembrar as de Adriano por Antínoo quando o imperador romano soube da morte do jovem e lhe dedicou um enterro digno de um estadista e um culto divino para a posteridade: «Os príncipes da terra virão beijar-te os pés. Farei com que o povo de Uruk te chore e lastime, por ti, entre a formosa gente farei alastrar a dor.» Deu-lhe um funeral que nos remete para as honras fúnebres de Pátroclo, prestadas por Aquiles, e depois abandonou a comunidade dos homens, vagueando pelos ermos e pelos descampados na mais profunda desolação de alma, sufocado não só pela melancolia mas também pela terrível angústia existencial que a certeza da morte acarreta. «Morrerei: não ficarei eu, então, igual a Enkidu?» Decide por isso ir em busca da vida eterna procurando Uta-napisti, um homem a quem os deuses concederam a imortalidade. É notória a semelhança com a fatalidade homérica, a luta inglória contra o destino: qualquer um de nós pode pegar em armas e cometer e veleidade de enfrentar a morte, mas sabe que vai perder. É uma espécie de suicídio ritual, quando se almejava precisamente o contrário. O resultado só pode ser um: o desespero. Nele se enreda Gilgamés na sua busca por Uta-napisti, o único imortal nascido humano, a derradeira tentativa de vir a fruir da vida eterna. Porém, todos os que encontra pelo caminho lhe dizem: «A vida que procuras, não a encontrarás.» Finalmente chega até Uta-napisti, contando-lhe a sua desdita, para obter como resposta: «A ti mesmo te gastas com trabalhos incessantes, apressando o fim dos teus dias.» Gilgamés pede ao menos que conte como lhe foi possível a ele, Uta-napisti, aceder à assembleia dos imortais. Segue-se um relato que impressiona por nos soar a algo de incrivelmente familiar. Uta-napisti não é outro senão o Noé judaico-cristão que relata ao seu interlocutor a história do Dilúvio. Quando a humanidade se tornou um incómodo para os deuses, estes decidiram destruí-la. No entanto, o deus Ea revela a intenção divina a Uta-napisti, rei de Surupak, e diz-lhe para construir uma arca de madeira que flutue nas águas alterosas da grande inundação. Fornece-lhe as medidas para a obra e ordena-lhe: «Faz embarcar a semente de tudo o que é vivo.» Após a conclusão dos trabalhos, aproximou-se uma nuvem negra que desencadeia os vendavais arrasadores e o Dilúvio. Chove até a água cobrir a totalidade da terra. Vindo a acalmia, Uta-napisti lança sucessivamente uma pomba, uma andorinha e um corvo para ver se há lugar onde aportar. Só à terceira tentativa obtém resposta positiva: as águas baixavam, e assim se pôde repovoar o mundo.
O épico de Gilgamés esteve enterrado no deserto, completamente ignorado, durante dois mil e quinhentos anos. Nesse intervalo de tempo nasceram, cresceram, expandiram-se, reformaram-se, adulteraram-se, corromperam-se e povoaram-se de bem-aventurados várias religiões, uma era, um viveiro de impérios, uma incubadora de revoluções, uma sucessão de mortes e renascimentos, um desfile de ideais e de filosofias, enquanto as areias calmamente os viam passar. O dom da imortalidade, que muitos procuraram sem sucesso, atingiu-o o sonho. E basta dormir numa cama diferente da habitual.»
Pode ser uma imagem de texto que diz "ÉPICO DE GILGAMEŠ tradução, introdução notas de FRANCISCO Luís PARREIRA ASSÍRIO & ALVIM"
All reactions:

1

1 comment
Like

Comment
Share
José Moreira da Silva

Não li esse livro, mas abriste-me o apetite. Numa parte do teu texto lembrei-me de Herman Hesse e do seu Siddhartha…
  • Like

  • Reply
  • 6 m

uma rádio que aconselho https://www.n16.pt/

Views: 0

https://www.n16.pt/

Há dias fui desafiado por um antigo colega, amigo de longa data a escutar uma estação N16 que ele está a lançar. avisei-o de que iria estar em competição com Radio Paradise, Radio Caroline outras estações da Austrália….acedo ao desafio e excetuando a música lusa que é obrigado a passar à taxa de 25% e que me desgosta profundamente (a atual música PT não me cativa) gostei do que ouvi e sempre que a programação das minhas estações fixas, atrás mencionadas me desagrada dou um salto à N16 e já lá fiquei por horas. Creio que este é o melhor elogio que posso fazer, mas há uma declaração de interesses, eu e o AA no fim da década de 1960 partilhávamos a cabine de som da Avenida 8 em Espinho como trampolim para carreiras de sucesso no jornalismo e rádio que perseguimos por mais de 5 décadas

https://www.n16.pt/

https://www.n16.pt/

altice e corrupção

Views: 0

PONTOS ESSENCIAIS: ‘Operação Picoas’, o caso que lesou o Estado e a Altice em milhões de euros
Lisboa, 18 jul 2023 (Lusa) – A ‘Operação Picoas’ revelou na última semana um alegado esquema financeiro em torno da Altice, detentora da antiga PT, que terá lesado o Estado e o grupo empresarial em centenas de milhões de euros.
O principal visado neste processo, o co-fundador da Altice, Armando Pereira, estava previsto começar a ser ouvido hoje por um juiz, mas o interrogatório deverá começar apenas na quarta-feira.
Eis alguns pontos essenciais desta investigação com cerca de três anos e que aponta para suspeitas dos crimes de corrupção no setor privado, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação.
+++ As suspeitas do Ministério Público +++
O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público (MP), em colaboração com a Autoridade Tributária (AT), lançou no dia 13 de julho uma operação com cerca de 90 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que abrangeram instalações de empresas e escritórios de advogados em vários pontos do país, resultando em três detidos e na apreensão de documentos e viaturas de luxo avaliadas em cerca de 20 milhões de euros.
O MP entende que terá ocorrido uma “viciação do processo decisório do Grupo Altice, em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias empresas daquele grupo e da concorrência”, que apontam para corrupção privada na forma ativa e passiva. O Estado terá também sido prejudicado com uma fraude fiscal “superior a 100 milhões de euros”.
Em causa estão ainda indícios de “aproveitamento abusivo da taxação reduzida aplicada em sede de IRC na Zona Franca da Madeira” através da domiciliação fiscal fictícia de pessoas e empresas, a que se soma a suspeita da utilização de sociedades offshore, indiciando os crimes de branqueamento e falsificação.
+++ A influência de Armando Pereira +++
O cofundador da Altice Armando Pereira, que ficou detido no dia 13 na sequência das buscas, será alegadamente o líder de um esquema que, segundo o MP, terá lesado o Estado e o grupo empresarial em centenas de milhões de euros através do envolvimento de dezenas de sociedades controladas de forma indireta pelo seu homem de confiança, Hernâni Vaz Antunes.
O empresário terá utilizado a sua influência no grupo para controlar as decisões de contratação de fornecedores, que, alegadamente, passariam também a ter de contratar serviços a empresas controladas por Hernâni Vaz Antunes para conseguirem os contratos com a Altice.
A influência de Armando Pereira terá também sido concretizada na alienação de imóveis da Altice em Lisboa, cuja venda a empresas na órbita de Hernâni Vaz Antunes terá ficado por valores bastante abaixo da posterior revenda, com mais-valias de vários milhões de euros.
+++ Os outros arguidos +++
Jéssica Antunes, Álvaro Gil Loureiro e Hernâni Vaz Antunes são os outros arguidos da “Operação Picoas”. Jéssica Antunes, filha de Hernâni Vaz Antunes e apontada pelo MP como ‘testa de ferro’ do pai em diversas empresas, foi a primeira a prestar declarações perante o juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Instrução Criminal, entre sábado e segunda-feira.
O interrogatório prosseguiu com Álvaro Gil Loureiro, economista que tem ligação a diversas empresas associadas aos negócios em torno da Altice e que estão igualmente ligadas a Hernâni Vaz Antunes.
Já Hernâni Vaz Antunes, conhecido como ‘braço direito’ de Armando Pereira, estava entre os visados da operação, mas não foi localizado e acabou por só se entregar numa esquadra da PSP no Porto no sábado à noite, aguardando detido pelo seu interrogatório. É suspeito de obter comissões milionárias em vários negócios e de colocar ‘testas de ferro’ à frente de empresas para contratos de fornecimento à Altice.
+++ Buscas na sede da Altice Portugal e investigação interna do grupo +++
Um dos focos das buscas esteve na sede da Altice Portugal, em Picoas (Lisboa), com as autoridades a suspeitarem que a empresa tenha sido lesada em vários negócios. Após fonte oficial da empresa garantir nesse dia “toda a colaboração” com as autoridades, o grupo anunciou no dia 14 uma investigação interna relacionada com os processos de compras e os processos de aquisição e venda de imóveis da subsidiária portuguesa, bem como do grupo.
“Com efeito imediato, e até nova ordem, o grupo Altice pediu às sociedades participadas que suspendam qualquer pagamento às entidades visadas pela investigação; suspendam qualquer nova ordem de compra (individual ou parte de um contrato principal) com estas entidades”; e que “seja reforçado o processo de aprovação do grupo relativamente a qualquer ordem de compra”, referiu a empresa em comunicado.
+++ Suspensão das funções no grupo de Alexandre Fonseca +++
Em 17 de julho, o grupo Altice, de Patrick Drahi, anunciou que o copresidente executivo (co-CEO) da Altice Europe, Alexandre Fonseca, suspendeu funções no âmbito das atividades empresariais executivas e não executivas de gestão do grupo, incluindo as posições de ‘chairman’ da Altice Portugal e da Altice USA.
“Decidi acionar a suspensão das minhas funções de co-CEO do grupo Altice, bem como de ‘chairman’ de diferentes operações do grupo em várias geografias. Nunca abdiquei, nem abdicarei, de enfrentar as adversidades com objetividade e firmeza necessárias”, escreveu Alexandre Fonseca na rede social LinkedIn, garantindo ser “completamente alheio ao que tem vindo a ser publicamente veiculado” e que vai exigir “a clarificação de todos os factos”.
Alexandre Fonseca era presidente executivo da subsidiária portuguesa durante o período associado à investigação ‘Operação Picoas’ e, apesar de não ser ainda arguido, estará a ser investigado por eventual recebimento indevido de vantagem com a compra de uma casa em Barcarena a uma empresa de Hernâni Vaz Antunes, residência essa que foi alvo de buscas.
+++ As posições da CEO da Altice Portugal e dos sindicatos +++
A CEO da Altice Portugal, Ana Figueiredo, defendeu, em carta enviada aos colaboradores, que a dona da Meo deve concentrar-se na sua operação, continuar a executar o plano de negócios e melhorar o seu desempenho, independentemente da investigação em curso “dirigida a indivíduos e entidades externas ao (…) grupo”.
“Não nos desviaremos do que era ontem, e será amanhã, o nosso foco – servir os nossos clientes, prestando um serviço de excelência, e continuar a liderar no mercado português, sendo a empresa mais inovadora em Portugal. Em suma, fazer o que sabemos fazer melhor”, lê-se na mensagem da gestora.
Os sindicatos e a Comissão de Trabalhadores da Altice Portugal reuniram-se entretanto com Ana Figueiredo, mostrando-se preocupados com a ‘Operação Picoas’. Jorge Félix, do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice em Portugal (STPT), disse à Lusa que a CEO “confirmou que as empresas estão a ser objeto de investigação” e que “reiterou o respeito por todos os direitos e garantias e estabilidade social e laboral dos trabalhadores”.
+++ Reações políticas à investigação +++
Até ao momento, a reação do Governo ao caso limitou-se à recusa de comentários pelo ministro das Infraestruturas. “Sou o ministro que tutela as telecomunicações e, como é evidente, não faço qualquer comentário sobre processos judiciais envolvendo personalidades ou empresas do setor das telecomunicações. Deixarei, como é a minha obrigação, esse processo seguir o seu rumo normal”, afirmou João Galamba, na segunda-feira.
Em 16 de julho, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, num comício no distrito de Braga, referiu-se unicamente ao “escândalo da Altice”, para criticar as privatizações levadas a cabo no país ao longo dos anos, lembrando os CTT, a REN, a EDP e a Galp, considerando que se trata de “património que o Estado entregou ao setor privado”.
Um dia depois, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, frisou que o caso ligado à Altice é um indício do erro que o Governo irá cometer com a TAP. “A situação da PT é uma história de terror. A PT empregava milhares de pessoas, tinha tecnologia de ponta, desenvolveu serviços inovadores e fez tudo isto enquanto era pública. Mas, a partir do momento em que foi privatizada, transformou-se num joguete na mão de poderosos”, disse.
ALU/JGO (JGS/AYC) // ZO
May be an image of 4 people and text that says "aitice"
Like

Comment

FAIAL MAU NÍVEL DE COBERTURA DE COMUNICAÇÕES

Views: 1

Quase 15% da ilha do Faial apresenta má cobertura de comunicações – ANACOM
Horta, Açores, 18 jul 2023 (Lusa) – Quase 15% do território da ilha do Faial, Açores, apresenta “má, muito má ou qualidade inexistente” de comunicações de dados e de voz, revela hoje um estudo de cobertura de rede móvel divulgado pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM).
“Os três operadores de comunicações que existem na ilha [MEO, NOS e Vodafone] apresentam também baixa qualidade de sinal”, explicou João Cadete de Matos, presidente do Conselho de Administração da ANACOM, em declarações aos jornalistas, na cidade da Horta, após a apresentação das conclusões do estudo ao município da Horta.
De acordo com o mesmo estudo de cobertura da rede móvel no Faial, os serviços de voz são considerados “aceitáveis ou satisfatórios”, apresentando uma “média de 96,8% de chamadas finalizadas em todos os operadores”, ao passo que a cobertura radioelétrica variava entre 97,3% na MEO e 99,5% na Vodafone.
Já no que diz respeito aos serviços de dados, o estudo da ANACOM aponta para resultados “aceitáveis”, mas de “qualidade média”, ressalvando que “muitos testes não foram concluídos” por apresentarem “velocidades baixas ou aceitáveis” (75,4% na MEO, 90,2% na Vodafone e 94% na NOS).
“Há um défice na qualidade do acesso à internet no concelho da Horta”, referiu João Cadete de Matos, salientando que os operadores de comunicações “são obrigados” a oferecer uma maior velocidade de serviço de dados nas ilhas.
O estudo efetuado pela ANACOM identificou como “piores desempenhos”, em termos de voz e de dados, as zonas de acesso às Levadas, a estrada interior da ilha, a zona do Capelo e a zona do Jardim Botânico de Pedro Miguel, onde a MEO apresenta também “o pior desempenho”, entre os três operadores.
Em sentido contrário, as zonas residenciais de todas as localidades do concelho da Horta apresentam “os melhores desempenhos” na generalidade dos percursos efetuados, nos serviços de voz e de dados.
Os estudos de cobertura de rede móvel realizados pela ANACOM têm sido desenvolvidos em concelhos sinalizados como tendo zonas deficitárias, ou com maiores fragilidades em termos de qualidade de serviço.
“Os estudos têm em vista simular a experiência que qualquer consumidor tem ao usar a rede do seu operador, nomeadamente em termos de existência de sinal, realização de chamadas telefónicas e testes de velocidade de dados”, justifica a Autoridade Nacional de Comunicações no seu ‘site’.
Os testes são realizados recorrendo a ‘software’ instalado em telemóveis/‘smartphones’, sendo os níveis de sinal/tecnologia recolhidos em ‘idle’, assim como durante operações de chamadas de voz e testes de dados, simulando o uso normal de um cidadão.
RF // MCL
May be an image of text
Like

Comment

cientistas ou precários?

Views: 0

Trabalhadores científicos protestaram junto à Assembleia da República contra precariedade (C/ÁUDIO)
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***
Lisboa, 18 jul 2023 (Lusa) – Algumas dezenas de trabalhadores científicos concentraram-se hoje em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para protestarem contra a precariedade na ciência, um problema que se arrasta há anos e afeta cerca de 80% destes profissionais.
“Ministra escuta, a ciência está em luta” foi a palavra de ordem mais ouvida entre os investigadores, doutorados e não doutorados, que se concentraram em frente ao parlamento para “fazer eco na Assembleia da República” do problema da precariedade na ciência.
“A precariedade é que mata a ciência” foi o nome da concentração que decorreu enquanto a ministra Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, era ouvida na comissão parlamentar de Educação e Ciência, por requerimentos do PCP e do BE sobre a precariedade de docentes no ensino superior e investigadores científicos.
“Estamos aqui para nos fazer ouvir. Não é a primeira vez que nos manifestamos em público por causa deste problema. E este problema chama-se precariedade no ensino superior e ciência e chama-se um setor que tem 80% de precários. Queremos que este problema seja resolvido. Têm sido feitas muitas promessas por vários governos, mas urge acabar com este problema porque estamos a falar de quadros altamente qualificados de todo o país, quadros que são necessários ao país e que objetivamente não tem direito a uma carreira”, disse aos jornalistas o vice-presidente Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup).
Raul Jorge considerou “absolutamente inadmissível” que continuem a existir largas centenas de trabalhadores “sem direito a uma carreira e, muitas vezes, sem qualquer tipo de proteção social e sem qualquer possibilidade de participar nos órgãos dirigentes das instituições em que trabalham”.
“Estamos a falar de pessoas que trabalham e não têm direito a uma carreira. Queremos combater os elevados níveis de precariedade neste setor”, precisou, dando conta que o número de trabalhadores científicos precários “tem aumentado e de forma significativa”, disse.
O sindicalista sustentou que este problema se arrasta há muitos anos, sendo “necessário neste momento vontade política para o resolver”.
Por sua vez, Miguel Viegas, docente da Universidade de Aveiro e dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), considerou que a precariedade neste setor “compromete a investigação científica”.
Para o dirigente da Fenprof, os investigadores têm de estar tranquilos em relação à sua própria situação laboral e “o sistema científico tem tudo a ganhar” ao integrá-los na carreira.
Miguel Viegas explicou que os investigadores, quando ficam com um projeto, “ganham financiamento para o seu ordenado mas também para o financiamento da instituição”, que pode variar entre os 20% e 25%, desempenhando por isso um “papel central para o prestígio das universidades”.
“Como esses investigadores estão precários estão constantemente preocupados, em primeiro lugar a desenvolver o trabalho que os emprega, mas também estão preocupados em candidatar-se para outros projetos para garantir o seu futuro imediato. Isto é extremamente injusto, desgastante e negativo para as intuições e para o próprio sistema científico nacional”, frisou.
Os investigadores exigem a substituição destas bolsas de investigação por contratos de trabalho.
O dirigente da Fenprof avançou que os investigadores vão continuar a negociar com o Ministério Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e marcar presença em futuras iniciativas até que o problema seja resolvido.
“A posição do Ministério evolui, mas ainda estamos muito longe de uma situação minimamente justa para cerca de 4.000 investigadores precários”, disse, denunciando que “há de facto uma situação de quase escravatura”.
O protesto foi promovido por diversas estruturas representativas do setor, nomeadamente Fenprof, SNESup e Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC).
CMP // JMR
May be an image of 14 people, street and text
Like

Comment

australiano e cachorro sobrevivem 2 meses à deriva no mar

Views: 0

Australiano e seu cachorro sobrevivem dois meses no mar comendo peixe cru e água da chuva.
18 de julho de 2023
Um marinheiro australiano e seu cachorro foram resgatados depois de ficarem à deriva no mar por meses em um notável conto de sobrevivência que foi comparado ao estrelado por Tom Hanks Náufrago.
Tim Shaddock, um morador de Sydney de 51 anos e sua cachorra Bella, sobreviveram no mar comendo peixe cru e bebendo água da chuva, segundo relatos locais.
O médico que atendeu o marinheiro disse que ele apresentava “sinais vitais normais” e disse que seu cachorro está “estável e muito bem”.
Shaddock e Bella foram resgatados na costa do México depois de passarem dois meses incríveis perdidos no mar.
Semanas após a viagem de La Paz, no México, para a Polinésia Francesa, o barco foi severamente danificado por uma tempestade, levando-os a passar os dias esperando por um resgate.
A mídia local informou que, aproximadamente dois meses depois, a salvação chegou quando um helicóptero que acompanhava uma traineira de atum avistou o barco do Sr. Shaddock.
“Passei por uma provação muito difícil no mar. Só estou precisando de descanso e boa comida porque estive sozinho no mar por muito tempo. Quanto ao resto, estou muito bem de saúde”, disse ele ao 9News da Austrália após o resgate.
O especialista em sobrevivência no oceano, professor Mike Tipton, disse à Sky News Australia que a história de resgate do marinheiro australiano foi “notável”.
“É uma agulha no palheiro”, disse o professor Tipton.
Ele foi citado por fim de semana hoje como dizendo que “a sorte foi apenas uma parte da incrível história da dupla”.
“É uma combinação de sorte e habilidade.”
“E também sabendo, por exemplo, como Tim sabia, que durante o calor do dia, você precisa se proteger porque a última coisa que você quer quando corre o risco de ficar desidratado é suar”, disse ele.
“As pessoas precisam avaliar quão pequeno é o barco e quão vasto é o Pacífico. As chances de alguém ser encontrado são muito pequenas.”
O especialista em sobrevivência no oceano também credita a cadela, Bella, por ter ajudado o Sr. Shaddock uma “quantia tremenda”.
O especialista em sobrevivência no oceano, professor Mike Tipton, disse à Sky News Australia que a história de resgate do marinheiro australiano foi “notável”.
“Acho que isso pode ter feito a diferença”, disse Tipton.
“Você está vivendo muito no dia a dia e tem que ter uma atitude mental muito positiva para superar esse tipo de provação e não desistir.
“Mas também ter um plano, racionar-se em termos de água e comida, é realmente o segredo para longas viagens de sobrevivência.
“Imagine como seria escuro e solitário lá fora à noite”, disse ele.
A traineira de atum está atualmente a caminho do México, onde Shaddock será submetido a exames médicos e receberá tratamento adicional, se necessário.
May be an image of 1 person
All reactions:

10

1 comment
1 share
Like

Comment
Share