GUITARRA GALEGA

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Música de Avelina Valladares, do irmão Marcial Valladares e do militar, músico e guitarrista italiano Frederico Moretti, da mesma geração que o pai e a mãe, José Dionísio e Concha. Obras pertencentes ao Fundo Valladares de música para guitarra. Várias pessoas recolheram ontem fragmentos do recital em São Vicente de Berres, igreja que tantas vezes visitou a família Valladares.

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Os quadros expostos como estão carecem de real enquadramento. Se os encontrasse só assim, sem poder resolver o problema, também não aceitaria. Não devemos ocultar nada: certo. Mas um ditador, será sempre um ditador, e é preciso que isso fique sempre bem claro.

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Chrys Chrystello

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Paula Cabral

Parece que a minha colega anda a fazer estragos! Não concordo contigo, Telmo. Estes quadros não têm contexto nenhum, pelo que me dão a entender. Em nenhuma escola ou edifício público, há espaços consagrados a essa figura política de outros tempos. Os professores, se querem levar os alunos a aprender uma cronologia desses tempos históricos, pois que o façam na sala de aula, uma vez que esta galeria até está incompleta, nem segue nenhuma cronologia. Só vejo Carlos César, por exemplo. Onde estão os restantes presidentes do GR? Compreendo a tua visão imparcial, mas aos olhos de outros, principalmente dos nossos alunos, pode ser mal interpretado. A mim, devo dizer, também me choca. Descanse em paz em Santa Comba Dão e já chega!

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Mónica Santos

Paula Cabral, amiga, agora discordo de ti. Se é para apagar a História, que se tirem vários conteúdos dos manuais escolares também. Estamos a falar de um mini museu, não de uma apologia salazarista.

 

Paula Cabral

Mónica Santos, nada disso! A história não é para apagar! Mas uma escola pública não pode ter símbolos de um passado nefasto assim de forma descontextualizada. Mónica, por mais que lhe chamem espaço museológico, não vejo aí nenhuma explicação escrita, nenhum friso completo. Só meia dúzia de retratos sem nexo. Ponho-me no lugar dos alunos, que pouco ou nada sabem da história recente. As fotos só, sem mais explicação ou devida contextualização, passam a ideia de memorial. Claro que sabemos que não é esta a intenção, mas é, de facto, uma ideia meia atabalhoada. Podiam era melhorar, dando-lhe a devida contextualização pedagógica e completando a galeria.

 

Maria João Ruivo

Mónica Santos , claro.

 

Mónica Santos

Paula Cabral, como deves saber, trabalhei 10 anos na escola da Maia e tenho a certeza de que a devida contextualização é feita pelos professores daquela casa.

 

Paula Cabral

Mónica Santos, não contradigo. Mas os quadros estão descontextualizados.

 

Margarida Hintze

A História não se pode apagar!

 

Maria João Ruivo

Telmo R. Nunes, concordo totalmente contigo. A minha amiga Paula Cabral, a meu ver, só tem razão numa coisa. Devia juntar-se a esses os retantes presidendes do GR (e acredito que isso não tenha sido feito ainda por outras razões mais logísticas do que políticas). De resto, acho inacreditável que numa escola se queira apagar o passado que não agrada, seja pelo que for. Ainda por cima, fazer-se isso em nome de uma pessoa apenas. O passado está aí para ser aprendido, aproveitado no que teve de bom e discutido no que teve de negativo. Os alunos mal sabem quem foi Salazar. Graças aos adultos que os rodeiam, acham apenas que foi uma espécie de “bicho papão”. Quando o conhecimento histórico se mistura com as ideologias, estamos perdidos. E quando há desconhecimento, então, nem se fala. Por isso, te dou toda a razão, Telmo R. Nunes e aplaudo-te pela tua firmeza. Hoje a Democracia é tão “genuína”, que só podemos estar de acordo com as modas. O que fuja ao politicamente correto e ao idiota é alvo de fortes julgamentos. Daqui a 50 anos já não estou cá, mas pagava para saber quem, e por que razão, é que estará pendurado nas paredes das Escolas e afins.

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Paula Cabral

Maria João Ruivo, o problema é mesmo o das ideologias. A história não pode ser apagada, mas deve ser interpretada. Por isso, defendo que tem de haver contextualização nesta galeria. Ninguém concebe ensinar o período histórico do regime fascista sem referir o seu lado negro e do seu retrocesso em termos de direitos humanos, etc. Um professor é, necessariamente, um transmissor de valores. A determinação do Telmo em repor a galeria pode estar certa, mas está incompleta. A escola também teve de retirar os crucifixos das salas de aula. Também vamos pedir para repô-los?! A ponte de Salazar passou a ser de 25 de Abril. O Largo onde morava era de Oliveira Salazar passou a ser do Trabalhador e por aí fora… claro que numa escola tudo isto tem de ser muito bem acautelado e não me parece que seja o caso do espaço em causa.

 

Maria João Ruivo

Paula Cabral, concordo com uma contextualização, mas discordo que se retire e apague as coisas. Tal como não acho bem que se tenha retirado os crucifixos. Somos um país católico e os crucifixos não impedem a aceitação das outras religiões, mas essa é uma outra discussão. Lentamente, vamos apagando o passado e, se bem te conheço, sabes até que ponto isso é perigoso e destrutivo. Deixaremos de ter identidade própria. Mas há quem fique muito feliz com isso, em nome não sei de quê.

 

Paula Cabral

Maria João Ruivo, com o regresso dos crucifixos, estamos em total desacordo e sabes que sou cristã. Quanto à galeria, não acho que seja caso para tanta polémica. Não é como destruir estátuas, por exemplo, mas insisto que a contextualização é indispensável. Assim, não faz sentido. Se é para haver rigor, que se faça com o rigor que a situação exige.

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Maria João Ruivo

É bom estarmos em desacordo, se não a vida torna-se monótona. Mas concordo com as contextualizações de tudo. Faço-as sempre. Também concordo com o regresso dos retratos, como o Telmo R. Nunes sugere. Beijinhos e bom Carnaval.

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Paula Cabral

Maria João Ruivo, Beijinhos!

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Pedro Pascoal de Melo

 

Raquel Ponte

Com o devido respeito a todos os que discordam desta visão, e crendo que também os alunos (e ex-alunos) devem ser prontamente ouvidos e apresentam uma opinião fundamental, enquanto ex-aluna deste estabelecimento de ensino, devo dizer que fiquei deveras chocada com tal iniciativa de retirar os ditos quadros de um espaço museológico. Como dito mais acima, um ditador será sempre um ditador, disso não restam dúvidas. Não obstante, configuram na história do nosso país e devem ser relembrados por esse mesmo motivo: porque a história repete-se e a memória não deverá nunca ser apagada. Daí que, por exemplo, figurem iniciativas em países como a Alemanha, onde são organizadas visitas de estudo aos mais pesados locais da história mundial: os campos de concentração. Na situação particular dos quadros que constavam na EBI da Maia, e mesmo não sendo estes apresentados de forma cronológica, não vejo nem nunca vi enquanto lá me encontrava a estudar, nenhuma tentativa por parte de nenhum professor de apelar a este tipo de ideais, muito pelo contrário. Daquilo que me foi leccionado nas unidades curriculares de História ao longo da minha vida escolar e académica, ficou-me na memória sobretudo aquilo que aprendi nesta ilustre escola, transmitido por profissionais exímios (que porventura ainda lá lecionam), dotados do maior amor e dedicação à profissão e área que representam. Em momento algum, me senti influenciada, à data enquanto aluna e hoje enquanto cidadã, por estes quadros e peças que constam e constavam no referido mini-museu. Levo, principalmente, para a minha vida em sociedade aquilo que sei que não se deve repetir, os perfis daqueles que tentam a todo o custo instaurar um ideal na mente de terceiros, e daqueles que, no ponto mais extremo, tentam apagar uma página da História, como se esta simplesmente não tivesse existido. Esses sim são um perigo para a sociedade. Cada cidadão deve ser exposto à História que os precedeu, aos fatores que a ela levaram e às consequências que dela emergiram, e ser livre para, tendo em conta o seu próprio exercício mental e racional, formar a sua opinião indivual. A Escola, no seu todo, deve ser uma instituição onde se promova o espírito crítico, dando a todos os seus alunos as ferramentas necessárias para tal. A mim, tudo o que foi transmitido sobre essas personalidades foi aquilo que deveria ter sido transmitido de acordo com os programas e manuais escolares. Não poucas vezes passei por este espaco-museu e nunca me senti minimamente afetada ou influenciada pelas ideologias que estas personalidades carregam. Espero profundamente que os referidos retratos sejam devolvidos à instituição a que pertencem. O mal da sociedade de hoje é a intolerância e extremismos desmedidos, aliados a uma notória ausência de cidadãos com pensamento indivual, marionetas uns dos outros. Um bem-haja a todos os membros desta escola, pelos quais nutro um especial carinho e admiração e um obrigada aos professores que em muito contribuíram para a minha formação pessoal e académica.

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Timor-Leste: Quase um quarto do povo sofre insegurança alimentar grave | e-Global

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São 300 mil timorenses, o equivalente a 22% da população, que enfrentam insegurança alimentar grave e necessitam de assistência urgente.

Source: Timor-Leste: Quase um quarto do povo sofre insegurança alimentar grave | e-Global

Quake Info: Weak Mag. 2.3 Earthquake – São Jorge, 1 km Northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1)

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Detailed info, map, data, reports, updates about this earthquake: Weak mag. 2.3 earthquake – São Jorge, 1 km northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1) –

Source: Quake Info: Weak Mag. 2.3 Earthquake – São Jorge, 1 km Northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1)

Os últimos vendedores de banha da cobra

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Cândido e Balbina são uma espécie em vias de extinção. A Banha de Cobra que vendem é receita de família, que passou de geração em geração. Dizem que faz bem a quase tudo. E, melhor ainda: não faz mal a quase nada.

Source: Os últimos vendedores de banha da cobra

seja associado da AICL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

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fichaAICL

Caros colegas

 

Aos colegas que tomaram parte ou que foram convidados para anteriores colóquios da lusofonia e que ainda / já não são nossos associados, vimos fazer um desafio para que se tornem nossos associados e permitam à AICL sobreviver para lá dos 20 anos de existência que ora completamos.

Assim, a todos os novos associados que se inscrevam até 31 de maio 2023 (quota 60€ + 10€ joia) a AICL oferece a inscrição (COMO ORADOR OU ASSISTENTE PRESENCIAL) num dos dois colóquios de 2023: Belmonte 7 a 10 junho e Ribeira Grande 4 a 8 outubro 2023.

É simples , basta preencher a ficha anexa, pagar e enviar. Faça parte da AICL.

 

COM OS MELHORES CUMPRIMENTOS

 

  1. CHRYS CHRYSTELLO, MA,

Presidente da Direção AICL

FICHA DE INSCRIÇÃO SÓCIO AICL

preencha a coluna da direita

 

NOMES PRÓPRIOS  
APELIDOS / SOBRENOME  
(obrigatório) Nº FISCAL NIF / CPF
MORADA completa:  

 

LOCALIDADE:  
CÓDIGO POSTAL: CP / CEP:
PAÍS:  
TELEFONE:  
TELEMÓVEL / CELULAR:  
ENDEREÇO ELETRÓNICO: @

Forma de Pagamento (favor assinalar ) copie este símbolo ✓ para o tipo de pagamento pretendido[1]

Transferência Bancária Cheque Vale Postal PayPal

Joia de inscrição – pagamento único – € 10.00 (dez euros) +

Anual (a pagar de 1 de novembro até 31 dezembro do ano anterior) € 60.00 (SESSENTA euros) Sócios individuais

Anual (a pagar de 1 de novembro até 31 dezembro do ano anterior) € 120.00 cento e vinte euros) sócios coletivos

 

Assinatura (aquando da inscrição como sócio)

 


 

Local e data : ____________________ __/____/______

PAGAMENTOS PARA A CONTA – AICL {Associação Internacional dos COLÓQUIOS DA LUSOFONIA}

CONTA 7-5345050.000.001

IBAN – Nº INTERNACIONAL DE CONTA BANCÁRIA PT50 0010 0000 5345 0500 0016 2

SWIFT code/BIC: BBPIPTPL

BANCO BPI, Av. Antero de Quental, nº. 51 – C, 9500 – 160 Ponta Delgada, AÇORES, PORTUGAL
tel.: 296 30 85 70 * Faxe: 296 28 31 79

Pagamentos PayPal acrescentar

3.40€ para 50€ / 6.80€ para 100€ / 10.20 para 150€ / 13.60 para 200€

Nome: AICL – Colóquios da Lusofonia / ENDEREÇO PayPal: [email protected]

 

 

fichaAICL

Dono de motéis compra a carcaça da maior indústria de motorizadas de Portugal – Imobiliário – Jornal de Negócios

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O luso-venezuelano Victor Tavares, que detém os motéis tirsense Bora-Bora e conimbricense Fonte dos Amores, assim como o quatro estrelas aveirense As Américas, adquiriu o património imobiliário que restava das antigas instalações da Metalurgia Casal, em Aveiro.

Source: Dono de motéis compra a carcaça da maior indústria de motorizadas de Portugal – Imobiliário – Jornal de Negócios

MORREU JULIETA NOBRE DE CARVALHO

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Óbito | Julieta Nobre de Carvalho, a esposa do Governador que viveu numa Macau em tumulto.
Falecida no passado dia 1 de Fevereiro, em Lisboa, aos 103 anos de idade, Julieta Nobre de Carvalho esteve em Macau ao lado do marido, o Governador Nobre de Carvalho, numa altura de grande tensão, em virtude do movimento “1,2,3”, ocorrido em Dezembro de 1966.
Tendo presidido à Obra das Mães, Julieta Nobre de Carvalho é o exemplo da grande presença pública assumida pelas mulheres dos Governadores portugueses na altura.
Julieta Nobre de Carvalho, esposa do antigo Governador Nobre de Carvalho, viveu em Macau entre 1966 e 1974, vivenciando de perto um dos períodos mais conturbados da sua história.
Falecida no passado dia 1 de Fevereiro, aos 103 anos, Julieta, mais do que ser uma simples esposa do Governador, marcando presença em eventos sociais, teve de lidar de perto com os acontecimentos do “1,2,3”, a expressão da Revolução Cultural no território, que já se fazia notar quando o casal Nobre de Carvalho chegou a Hong Kong sem quaisquer directrizes de Lisboa sobre como lidar com o caso.
Julieta Nobre de Carvalho deixou vários testemunhos sobre estes meses de tensão que quase deitaram a perder a Administração portuguesa de Macau.
Em 1996 falou com o jornalista José Pedro Castanheira sobre o “1,2,3” para o livro “Os 58 dias que abalaram Macau”.
Nele se lê que o casal Nobre de Carvalho chegou a Hong Kong às 11h30 do dia 25 de Novembro de 1966, “vindo de Manila, num avião da Philippines Airlines”, tendo sido recebidos no aeroporto de Kai Tak pelo então cônsul de Portugal em Hong Kong, António Rodrigues Nunes, e pelo então Governador de Hong Kong, David Trench.
Num almoço de boas-vindas oferecido por David Trench, o casal Nobre de Carvalho depressa percebe que tem em mãos um caso bicudo, de ordem diplomática e política, para resolver, sem que dele tivesse prévio conhecimento.
David Trench, escreve Castanheira, “procura saber do colega português quais as instruções que traz de Lisboa para resolver o problema criado na ilha da Taipa”.
Nobre de Carvalho de nada sabia.
“Até então ninguém nos tinha falado nada da trapalhada.
Só no hydrofoil é que soubemos verdadeiramente que o caldo estava entornado.
Fomos apanhados completamente de surpresa”, contou Julieta Nobre de Carvalho ao jornalista.
O seu marido tomou posse como Governador de Macau a 11 de Outubro de 1966, sendo obrigado a lidar com o caso “1,2,3” logo no início de Dezembro.
Os tempos foram de grande tensão, com Nobre de Carvalho a ser obrigado a gerir os tumultos nas ruas, a dialogar com os líderes da comunidade chinesa, nomeadamente Ma Man Kei e Ho Yin, e a responder às reivindicações de parte da comunidade chinesa que levou para as ruas de Macau, e para os jornais, a ideologia de Mao Tse-tung.
No final, numa decisão quase solitária, Nobre de Carvalho cedeu nas exigências e soube manter a presença portuguesa no pequeno território.
De frisar que, à época, Portugal, governado pelo regime do Estado Novo, não tinha relações diplomáticas com a República Popular da China, comunista.
Fernando Lima, ex-jornalista e assessor, foi director do antigo Centro de Informação e Turismo entre 1974 e 1976, mas quando chegou a Macau para ocupar o cargo já o casal Nobre de Carvalho tinha deixado o território, no rescaldo do 25 de Abril de 1974 que atribui o cargo de Governador ao General Garcia Leandro.
Fernando Lima considera que Julieta Nobre de Carvalho foi “a confidente do marido” num momento tão difícil da sua carreira, tendo estado “sempre presente nos principais acontecimentos”.
“É um nome de referência em relação a um certo período de Macau, tendo vivido toda a angústia e ansiedade do marido, que se viu obrigado a resolver aquele assunto depois de ter ido para Macau sem instruções”, acrescentou.
Nobre de Carvalho soube resolver “uma situação que parecia de ruptura” e, “para muita gente, foi o homem que salvou Macau”, recorda Fernando Lima, que entende que o Governador “foi sempre respeitado pelos chineses” devido a esse facto.
Fernando Lima só conheceu, de forma breve, Julieta Nobre de Carvalho aquando da realização da série televisiva “Macau entre dois mundos”, transmitida em 1999 pela RTP e que deu, mais tarde, origem a um livro.
Num dos episódios, “Anos de Agitação – Parte II”, Julieta Nobre de Carvalho confessa que, na viagem de Hong Kong para Macau, à chegada, o marido lhe confidenciou que “ia ter problemas em Macau”.
Sobre o “1,2,3”, disse ainda: “No período em que houve o recolher obrigatório, estivemos no edifício militar, mas foi uma questão de três dias.”
Papel social
Na Macau de hoje são poucos os sinais que restam da passagem de Julieta Nobre de Carvalho pelo território.
O mais visível será o edifício de habitação pública que ganhou o seu nome, tendo sido inaugurado em meados da década de 70 na avenida Artur Tamagnini Barbosa, na zona norte da península.
Rita Santos, conselheira do Conselho das Comunidades Portuguesas, morava numa casa social do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), situada perto do novo complexo de habitação pública.
Ao HM, diz recordar-se “muito bem” da inauguração do edifício e de Julieta Nobre de Carvalho, “uma senhora muito simpática, que andava sempre bem vestida, com o cabelo bem arranjado e que conversava muito comigo nas actividades sociais”.
“Eu e as minhas irmãs, bem como os vizinhos, fomos ver a inauguração do edifício onde alguns colegas meus do liceu chegaram a viver.
A dona Julieta saiu de um carro grande de cor preta, do Governo, com um sorriso bonito, acenando para o público.
Como eu estava perto da porta principal, ela aproximou-se de mim e perguntou-me como eu estava.
Eu só lhe disse que ela estava muito bonita”, recordou.
Julieta Nobre de Carvalho marcava, assim, presença em diversos eventos sociais, com e sem o marido.
Exemplo disso foi a recepção oferecida pelo Consulado do Japão às autoridades portuguesas no restaurante “Portas do Sol”, no Hotel Lisboa, a 5 de Julho de 1973.
As imagens a preto e branco, sem som, hoje disponíveis online na plataforma RTP Arquivos, mostram a presença simpática e formal do casal Nobre de Carvalho.
Outro exemplo da actividade social de Julieta Nobre de Carvalho, faz-se com a sua presença, a 14 de Março de 1973, na inauguração da loja de antiguidades “Armazém Velho”, que à data funcionava nas arcadas do edifício do Hotel Lisboa.
A esposa do Governador esteve também, sozinha, na festa do Centro de Reabilitação de Cegos da Santa Casa da Misericórdia, a 21 de Janeiro de 1973, um evento dedicado aos utentes da instituição.
No blogue “Nenotavaiconta”, onde são partilhados diversos episódios da história de Macau, recorda-se o momento em que, a 9 de Dezembro de 1970, Julieta Nobre de Carvalho inaugurou uma exposição de trabalhos de ergoterapia feitos pelos pacientes do Centro Hospitalar Conde de São Januário.
Julieta Nobre de Carvalho esteve ainda presente na inauguração de “Uma Exposição de Pintura, Arte e Beneficência”, a 30 de Março de 1974, patente no átrio da então Escola Comercial, hoje Escola Portuguesa de Macau.
Julieta Nobre de Carvalho esteve presente “dados os fins assistenciais a que se destinava o produto da venda dos quadros que se viesse a realizar”, lê-se no blogue.
Mas a esposa do antigo Governador foi mais do que uma mera “corta-fitas”, tendo presidido à direcção da Obra das Mães.
Foi com esse trabalho que tentou “congregar as ‘senhoras’ da sociedade macaense para que pudessem contribuir mais para essa organização, de ajuda aos mais necessitados”, aponta Fernando Lima.
João Guedes, jornalista e autor de diversas publicações sobre a história de Macau, destaca o facto de a presidência da “Obra das Mães”, entidade fundada em 1959, estar, habitualmente, destinada às mulheres dos Governadores.
Era uma associação que “tinha como missão a promoção de actividades relacionadas com a educação familiar, a qualidade de vida, o apoio às mães e acções de caridade”, congregando “as elites femininas de Macau e assumindo, por vezes, a dinamização de alguns projectos do Governo, sempre que, para a sua realização, se mostrava necessário envolver a sociedade civil no seu pendor feminino.”
Rita Santos ia, no dia oito de cada mês, à Obra das Mães buscar bens essenciais com as irmãs mais velhas.
“Em alturas de celebração das quadras festivas, ela estava presente na Obra das Mães e entregava os bens a todas as famílias.
Quando chegava a minha vez ela dizia ‘Menina Rita, espero que os bens possam ajudar a sua família’.
Isto porque, na altura, éramos 12 pessoas”.
João Guedes fala ainda de outras actividades ligadas à Igreja católica desenvolvidas por Julieta Nobre de Carvalho, numa altura em que “a comunidade chinesa vivia, em grande medida, apartada da portuguesa”.
A esposa do Governador apresentava “uma imagem de simpatia”, mas que se “confinava praticamente à população lusófona”.
Questão de imagem
Acima de tudo, Julieta Nobre de Carvalho foi o exemplo de presença pública que as mulheres dos Governadores portugueses assumiam, não se limitando a ficar na sombra.
Postura bem diferente face às esposas dos Chefes do Executivo da era RAEM.
“Essa é uma característica da cultura chinesa.
As mulheres dos Governadores tiveram sempre um papel de apoio à acção social, com a preocupação de dar força às organizações locais viradas para esse apoio social e para o bem-estar da população.
Hoje mal conhecemos as mulheres dos Chefes do Executivo, que têm uma presença muito discreta.
Entende-se que a política é para ser feita pela pessoa que tem a autoridade.
Só aparece a mulher do Presidente Xi Jinping [Peng Liyuan] porque este tem uma presença internacional e ela própria é uma figura conhecida na China”, destacou Fernando Lima.
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Miguel S Fernandes and 6 others

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assine e divulgue a petição

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Expresso aqui publicamente o meu agradecimento a Eduardo Cintra Torres que teve esta ideia.
Assinem e divulguem, por favor!
Uma placa no prédio onde nasceu José Rodrigues Miguéis
https://peticaopublica.com/psigned.aspx?pi=PT115401&n=CHRYS
PETICAOPUBLICA.COM
Uma placa no prédio onde nasceu José Rodrigues Miguéis
O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine a Petição.

açores, saúde mental

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Artigo de leitura obrigatória sobre a “manta de retalhos” que é a saúde mental nesta região, sendo o seu efeito imediato a falta de coordenação no tratamento do maior flagelo social que enfrentamos: a toxicodependência e a indigência crescente.
Da autoria do Dr. João Mendes Coelho, psiquiatra e pessoa que tem dedicado muito da sua vida profissional ao estudo e combate a estes problemas.
Só lamento que o AO não lhe tenha dado o devido destaque, remetendo um artigo desta importância, e omitindo a autoridade correpondente ao seu autor, à secção “Diga Leitor”.
No photo description available.

in Açoriano Oriental, 18-02-2023.

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