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A HISTÓRIA DA RAINHA QUE DEU NOME A UMA RUA ONDE MOREI

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Paulo Marques

MARIA PIA (1847 – 1911): PRINCESA ITALIANA, RAINHA DE PORTUGAL
(3º e último episódio)
Maria Pia interessava-se mais pelos filhos, pela educação destes, do que pela política, e mais pela política do que pelos assuntos domésticos, por norma, atribuídos exclusivamente à mulher, que nada a motivavam. Gostava de pintar, de desenhar, de fotografar, de ler revistas e livros, de brincar com os seus cães e gatos, de fazer caminhadas, de andar a cavalo e até de bicicleta. A intriga palaciana não lhe interessava: uma corte sobretudo preocupada com prerrogativas, honrarias e dinheiro; a má-língua, a maldade, a mediocridade de muitos dos seus súbditos, exasperavam-na; as críticas ferozes da imprensa punham-na fora de si.

Foi muito criticada, sobretudo pelos seus gastos excessivos, mas foi muito amada também. Conquistou a simpatia do povo com a bondade natural do seu coração impressionável pela fome, pela dor, pela miséria.

A certa altura começou a circular que a rainha mantinha uma relação extraconjugal com Tomás de Sousa Rosa, um capitão de cavalaria, oficial de D. Luís. Embora a rainha se defendesse que o homem era um amigo, um confidente que a ouvia, lhe dava conselhos e com quem gostava de conversar (pese embora a sua vaidade se alimentar do olhar reconhecido do militar ante a sua beleza), o rei acabou por repreendê-la e dar ordens para o afastamento do militar.

Quer com o filho Carlos que não se inibia de a criticar pessoalmente ou de tentar exercer sobre ela algum autoritarismo, quer com a nora Amélia a quem não agradavam os seus gastos, as suas despesas excessivas, quer com a cunhada Antónia, desde sempre a grande confidente e defensora do rei, o seu relacionamento foi sempre conflituoso. Só com Afonso, o filho mais novo, a sua relação foi sempre boa e próxima. Entre as várias damas da corte que a acompanhavam ou com quem conviveu, elegeu como grande amiga a condessa de Rio Maior, Maria Isabel d’ Anunciação: uma ótima companheira, divertida e com conversas muito inteligentes.

Entretanto, Luís, com o seu estado de saúde muito frágil, vinha dando cada vez mais sinais de que não andava bem. Os médicos conversaram com a mulher preparando-a para a inevitabilidade da morte. Maria Pia foi, então, incansável nas atenções que lhe reservou.

A 19 de outubro de 1889 morreu D. Luís, após uma dolorosa agonia, o que causou na rainha um profundíssimo desgosto. Cada vez mais era afetada por emoções contrastantes: ora uma profunda tristeza que a levava a ficar completamente sem ânimo, abatida, chorando por tudo e por nada, ora uma enorme excitação, uma energia descontrolada, uma alegria exuberante.
Sucedeu-lhe o filho primogénito Carlos, que se casara há apenas três anos com a princesa francesa Maria Amélia de Orleães, de quem tinha um filho, Luís Filipe (Manuel, o segundo filho, nasceria cerca de um mês depois). Com a morte do marido e a ascensão do filho, Maria Pia tornou-se na rainha-mãe de Portugal.

Carlos, rei aos vinte e sete anos, herdou uma monarquia desacreditada, uma coroa endividada ao erário público, uma corte medíocre, um défice gigantesco e uma dívida externa galopante, um sistema político esgotado, uma classe política incompetente e corrupta, uma forte oposição dos republicanos cada vez com maior implementação na Europa e maior número de simpatizantes no país.

O desfecho trágico era inevitável. Atravessando um dos mais conturbados períodos da vida política nacional, acusado de mau político, bon vivant, mulherengo, gastador, comezainas, traidor e conivente com os interesses ingleses, desatento dos problemas do país e distante do povo, o rei nunca soube fazer-se compreender, foi sempre mal-amado. A última gota de água foi quando, em 1906, nomeou o ditador João Franco como primeiro-ministro.

Na tarde de sábado do primeiro dia de fevereiro de 1908, D. Carlos I e o príncipe herdeiro, Luís Filipe são assassinados no Terreiro do Paço, em Lisboa, no interior de um landau em que se faziam transportar, por dois homens membros da Carbonária, uma sociedade secreta e revolucionária associada à Maçonaria e ao Partido Republicano.

Foi sem glória que o país se despediu do rei. Poucos choraram convictamente a morte do monarca e os assassinos foram consagrados heróis nacionais. No dia seguinte ao funeral, a notícia da morte do rei e do príncipe real foi dada displicentemente enquanto os ardinas apregoavam pelas ruas: «Olha os retratos do Costa e do Buíça. Olha o retrato dos mártires.»

A dolorosa perda do filho e do neto, vítimas de tão horrorosa tragédia, abalou-a profundamente, tornando-a meia-demente.
Durante o breve reinado do neto mais novo, D. Manuel II, manteve-se praticamente retirada e quase sempre acompanhada do segundo filho, Afonso.

No dia da revolução republicana, a 5 de outubro de 1910, a rainha que se encontrava no palácio da Ajuda foi escoltada para a Tapada de Mafra e daí levada até à praia dos Pescadores, na Ericeira, donde partiria com o filho Afonso, a nora Amélia e o neto Manuel, a bordo do iate D. Amélia, para o exílio.

Mal sabia a rainha que exatamente 48 anos depois de ter chegado a Portugal (a 5 de outubro de 1862), com tanta pompa e festividade, teria agora de abandonar o país, em silêncio, às escondidas, humilhantemente. Dizem que protestava, que se recusava a abandonar o país, que ofereceu resistência e que embrulhada numa triste manta, com um pão debaixo do braço, triste, assustada, evidenciando claros sinais de loucura, acabou por entrar na barca que a haveria de conduzir ao iate real. Tudo sob o olhar atónito da população que observava do topo da falésia, no muro das ribas, tão insólito acontecimento.

Depois de uma vida tão pouco feliz, de tanto sofrimento, de um destino tão trágico, de ter visto partir todos os irmãos, mãe, pai, o marido, um filho, um neto… era a sua vez. Morreu no dia 5 de julho de 1911, no palácio de Stupinigi, em Turim, Itália, na terra onde nascera à sessenta e três anos atrás.

Faleceu na companhia do filho Afonso, da prima, a rainha Margarida, viúva do seu irmão Humberto, da sua querida amiga a condessa de Belas, que a acompanhou nos últimos tempos e da nora Amélia, que veio de Londres para a visitar.

Já muito doente, enferma, acamada, quando o filho percebeu que dava os últimos suspiros, a seu pedido, ergueu-a da cama e virou-a para que os seus olhos ficassem de frente para a janela e pudessem fechar-se de vez, virados para Portugal, o seu país.
O seu corpo foi sepultado no panteão real dos Saboias, na Basílica de Superga, em Turim.

estamos tramados e entregues às parcas

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QUEM TECE O NOSSO DESTINO

As Moiras (Parcas, na mitologia romana) são três irmãs, da mitologia grega, que determinam o destino dos seres humanos. Uma faz o fio, a outra tece e a terceira, corta. Elas utilizam a Roda da Fortuna: alguns fios são privilegiados, outros, não. Não são nem boas nem más, apenas fazem o seu trabalho. Uma vez tecido o destino de cada um, nem os deuses têm o poder de o alterar.

A nossa sorte é decidida por deusas caprichosas, que giram a Roda da Fortuna, tecem a sorte das nossas vidas e escrevem no Livro do Destino…

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1928 fina flor micaelense

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Tão lindas, estas demoiselles micaelenses…

(em Os Açores, Revista Ilustrada, de Julho de 1928)

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Afonso Chaves. O homem que fez dos Açores um laboratório da ciência mundial

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Afonso Chaves. O homem que fez dos Açores um laboratório da ciência mundial

Foi um destacado cientista do final do século XIX e início do século XX. Reconhecido internacionalmente, foi pioneiro nas áreas da meteorologia, sismologia, vulcanismo e oceanografıa e contribuiu para outras áreas, como a biologia e a fotografıa

Logo na entrada da casa de João Luís Cogumbreiro, um velho retrato do trisavô está cuidadosamente emoldurado na parede. Apesar de nunca o ter conhecido, a figura do “avô Chaves” esteve sempre presente: quer lá em casa, quer ao longo da vida. João Luís é o mais novo de seis irmãos e coube-lhe a responsabilidade de cuidar do legado do coronel Francisco Afonso Chaves (1857-1926), um dos mais destacados cientistas portugueses do final do século XIX e início do século XX. Quando fala do trisavô, não consegue disfarçar o entusiasmo. “É fácil estar apaixonado pela figura, fez coisas lindíssimas e hoje em dia vivemos numa geração sem heróis”, diz, de sorriso aberto e com a voz preenchida de orgulho.
Pela longa mesa de madeira está criteriosamente espalhado um manancial de artigos. Entre livros e dossiers, a diversidade temática da informação revela a variedade de áreas que Afonso Chaves tocou: a meteorologia, a sismologia, o magnetismo terrestre, a oceanografia, a história natural, a biologia e a fotografia — só para enumerar a disciplinas mais presentes. Alguns objectos eram do próprio Afonso Chaves. Caso da agenda pessoal, que servia para todo o tipo de anotações, como as compras de mercearia e os pagamentos aos funcionários. Ou a tina, uma caixinha aberta em vidro, que suportava os banhos químicos das lâminas de vidro para a revelação de fotografias.
João Luís, que saiu por instantes da sala, volta, trazendo na mão um estojo que transporta como se fosse um tesouro. Antes de o abrir, avisa: “Isto é fantástico.” Lá de dentro, retira meticulosamente as condecorações da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e da Ordem de Saint-Charles (do principado do Mónaco), atribuídas ao coronel Chaves.
A colecção está, porém, mais pequena desde 2013, quando as cartas foram doadas à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Uma forma de “zelar pela conservação” e “facilitar os conteúdos” aos interessados, nota João Luís Cogumbreiro, que, com a mulher, Iva Matos, bibliotecária, catalogaram e transcreveram dezenas de cartas antes da doação.
No acervo de seis mil cartas, há correspondência trocada com algumas das figuras de maior destaque daquela altura: Jules Richard (primeiro director do Museu Oceanográfico do Mónaco), Charles Richet (Nobel da Medicina de 1913), Frijdov Nansen (Nobel da Paz de 1922), irmãos Lumière (precursores do cinema), Francisco Lacerda (músico português), Hintze-Ribeiro, ministro do reino de então, e claro, Alberto I do Mónaco, o príncipe cientista, com quem Chaves desenvolveu uma amizade que lhe iria abrir as portas da ciência mundial.
Para lá da família, provavelmente ninguém conhece tão bem o espólio como Conceição Tavares. Para esta investigadora do CHAM — Centro de Humanidades, das universidades Nova de Lisboa e dos Açores, os contactos com algumas das maiores figuras da altura são fundamentais para perceber o “maior legado” do cientista falecido há 94 anos. “A integração dos Açores no mapa científico internacional, sem dúvida, ao nível da meteorologia, da sismologia e oceanografia, sobretudo”, frisa, quando questionada sobre o maior legado de Chaves e aprofundando, em seguida, a credibilidade internacional de que o cientista gozava: “Era um interlocutor credível, fiável, responsável, reconhecido pelas redes internacionais que procuravam penetrar no Atlântico nas diferentes especialidades.” Entre essas especialidades, parece consensual entre os investigadores que a meteorologia é a mais evidente. Para perceber o cientista Afonso Chaves, é necessário perceber a história da meteorologia nos Açores.

Um centro meteorológico

A telegrafia sem fios chegou aos Açores em 1893, depois de meio século de avanços e recuos. A operação só viria a avançar devido ao ultimato inglês e ao resfriamento das relações entre Portugal e Reino Unido. “Os Açores eram uma reserva do império britânico em termos práticos”, explica Conceição Tavares, referindo que a ligação entre o continente europeu e um arquipélago estrategicamente localizado no meio do Atlântico depreendia um potencial enorme que os ingleses não queriam ver aproveitado pelas nações concorrentes.
Afonso Chaves percebeu a oportunidade e, quando soube que o telégrafo ia mesmo avançar, não esteve com meias medidas: escreveu a Brito Capelo, director do Observatório Meteorológico do Infante D. Luiz, em Lisboa, a pedir autorização para chefiar o Observatório de Ponta Delgada. Chaves assumiu as rédeas de um observatório “praticamente ao abandono” e modernizou-o, através de donativos da elite local, desafiada a contribuir para colocar os Açores no mapa da meteorologia mundial.
Para o sucesso desse desafio, a colaboração do príncipe Alberto I do Mónaco foi decisiva. “Tudo isso ia chegando aos ouvidos do príncipe através de cartas. Afonso Chaves pôs o posto apto a responder às solicitações a que ele sabia que ia responder”, explica a investigadora. Seis anos antes, Alberto tinha conhecido o jovem cientista Afonso Chaves, aquando da segunda expedição das famosas campanhas oceanográficas que realizou. O príncipe foi visitar o museu da cidade de Ponta Delgada e registou em diário o quão impressionado ficou com as competências demonstradas pelo então assistente do director do museu. Oito anos depois, e após vária correspondência trocada com a equipa científica do Mónaco, Afonso Chaves recebeu a primeira carta do príncipe — e logo com uma proposta ambiciosa. Alberto queria montar um serviço internacional de meteorologia nos Açores e queria que Chaves o liderasse.
A ideia de um Serviço Meteorológico Internacional no meio do Atlântico entusiasmou o mundo e França e Alemanha disponibilizaram-se de imediato a financiá-lo. Afonso Chaves correu a Europa para conhecer todos os observatórios meteorológicos europeus, mas o projecto acabou por não avançar. Mais uma vez, devido à pressão britânica, a que o rei D. Carlos foi sensível. “Havia um problema de correlação de forças internacionais sobre o Atlântico, que era o objecto da atenção e da cobiça internacional”, vinca Conceição Tavares.
O projecto perdeu o cariz internacional e foi ajustado à dimensão nacional, mas nem por isso perdeu importância. A “dinâmica internacional” tinha sido criada e Alberto do Mónaco firmou-se com um “porta-voz mundial” do Serviço Meteorológico dos Açores, finalmente criado em 1901. Além disso, os dados do Atlântico eram “fundamentais” para a previsão do tempo. Com tudo isso, Conceição Tavares não tem dúvidas: “O Serviço Meteorológico dos Açores tornou-se o interlocutor internacional da meteorologia em Portugal.” Com Afonso Chaves na liderança.

O pioneirismo

Para o meteorologista Diamantino Henriques, a criação deste serviço é mesmo a “grande marca” de Afonso Chaves na história da ciência nacional. Até porque, destaca, foi o primeiro serviço meteorológico num país até então apenas composto por observatórios. A diferença não é só semântica: “A meteorologia estava dispersa pelas Forças Armadas, a academia, os serviços agrários, por uma série de instituições e não havia um serviço meteorológico autónomo.” Afonso Chaves, que irá liderar o Serviço Meteorológico dos Açores até ao final da vida, criou postos nas Flores e Faial e estações de observação no Pico.
Entre os muitos trabalhos de Chaves, Diamantino Henriques destaca a de finição da hora oficial, os anuários climatológicos “muito bem feitos”, mesmo para a visão actual, e a criação de um sistema de pré-aviso de ondas. A criação desse sistema foi incentivada pelo Governo francês, que pediu a colaboração de Chaves para a previsão das tempestades sofridas em Marrocos. “Ajudou a construir a estrutura da meteorologia e tinha uma visão da meteorologia muito parecida com a que temos hoje”, resume o meteorologista, dando como exemplo a intenção de criar uma estação meteorológica na montanha do Pico. Foi “pioneiro da ciência meteorológica em Portugal e até mesmo no mundo”.
O seu pioneirismo estende-se a outras áreas. “Foi um pioneiro na sismologia e vulcanologia dos Açores, diria até do Atlântico Norte”, aponta Victor Hugo Forjaz, professor catedrático de Vulcanologia, destacando a criação do primeiro posto sismográfico do país em São Miguel em 1902 e a primeira lista de erupções submarinas dos Açores, dando o exemplo da erupção de 1720 do banco D. João de Castro. “Foi ele quem descobriu essa grande erupção, que tem um historial muito interessante porque era a décima ilha dos Açores.”
Correndo-se o risco de a expressão “pioneiro” se banalizar, há outra área em que Afonso Chaves foi precursor: a da fotografia científica em Portugal, que serviu de extensão aos trabalhos de divulgação de centenas de espécies. “A fotografia servia uma função essencialmente de divulgação de registos de observação, o que, até então, era limitado ao desenho”, diz Conceição Tavares. O espólio de sete mil fotografias esteve remetido ao esquecimento durante décadas no Museu Carlos Machado até 2007, quando Victor dos Reis decidiu trazê-las para exposição — de que resultou no catálogo A Imagem Paradoxal: Francisco Afonso Chaves (1857-1926).
Nesta redescoberta de parte do legado de Afonso Chaves, além da vertente científica, para Conceição Tavares ficou evidente a “sensibilidade artística” e o “domínio das técnicas fotográficas”, como a estereoscopia.
Entre tantas áreas de em que teve projecção nacional e internacional, João Paulo Constância lembra a importância local de Afonso Chaves, sobretudo na museologia e na vida do Museu Carlos Machado, de que foi o segundo director durante 25 anos. O conservador da colecção de história natural daquele museu assinala que Afonso Chaves foi decisivo para assegurar a sobrevivência numa altura crítica da instituição, tendo também contribuindo para a colecção de história natural. “Através de exemplares ou publicações, foi uma figura essencial na história do museu.”

O legado

O busto de Afonso Chaves na entrada da delegação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nos Açores antecipa a designação de Observatório Afonso Chaves para a sede do IPMA na região. Além do observatório, a sua memória procura ser preservada pela Sociedade Afonso Chaves, fundada em 1932, seis anos após a morte do patrono. Desde então, a sociedade publica a revista Açoreana, que procura “reflectir sobre os Açores”, como explica o actual presidente António Frias Martins, professor catedrático de Biologia. “Tem uma missão dupla de investigação e divulgação da ciência e da ciência dos Açores”, diz, referindo que a sociedade também gere o único Centro de Ciência Viva nos Açores.
Apesar dos exemplos, a família do coronel Chaves acredita que a figura está “um pouco esquecida” e “merecia mais destaque”, por exemplo, nos “guias turísticos da região”. “Acho que não tem o reconhecimento devido”, diz João Luís Cogumbreiro: “As informações que chegam de fora são mais fortes do que as de dentro e, quando é assim, não estamos a cumprir o nosso dever perante o legado.” Conceição Tavares partilha da opinião. Se o legado científico está “bem tratado”, a figura é apenas recordada “num círculo muito restrito” de pessoas, diz. “Continuamos a fazer óptima meteorologia e óptima geofísica, mas a pessoa que pôs os Açores no mapa internacional destas questões está um bocadinho esquecida.”
É indesmentível o contributo de Afonso Chaves na história moderna da ciência portuguesa. Fez de todo o arquipélago objecto de trabalho: percorria todas as ilhas regularmente e, além de viver em São Miguel, passava longos períodos nas Flores e no Faial. A abrangência dos estudos pode ser resumida numa grande categoria: os fenómenos naturais da geografia dos Açores. “O fenómeno de sermos ilhasmar numa perspectiva científica”, descreve João Luís Cogumbreiro, o descendente, para quem ainda falta responder a uma “questão importante” sobre o seu trisavô: qual o maior contributo deixado por Afonso Chaves? “Era um homem muito focado no que hoje em dia se chama ‘ambiente e sustentabilidade’. Estava muito à frente, focado na ideia de que o que temos é para preservar e temos de saber o que temos para o conseguir preservar.” Encarou a ciência como uma “forma de servir as pessoas”.

(Rui Pedro Paiva – Edição Público Porto)

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Mark Twain esteve nos Açores e descreveu habitantes como “fósseis” e “aldrabões” e A história dos EUA contada por meio dos pratos favoritos de Mark Twain | DiarioEsportes.com

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Mark Twain esteve nos Açores e descreveu habitantes como “fósseis” e “aldrabões” e A história dos EUA contada por meio dos pratos favoritos de Mark Twain A história dos EUA contada por meio dos pratos favoritos de Mark Twain e Mark Twain esteve nos Açores e descreveu habitantes como “fósseis” e “al

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É sempre Dia dos Namorados em Sissinghurst, o jardim que uniu um casal em que ninguém acreditava | Icon Design | EL PAÍS Brasil

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Uma história de respeito, liberdade, poliamor e a importância de um projeto comum

Source: É sempre Dia dos Namorados em Sissinghurst, o jardim que uniu um casal em que ninguém acreditava | Icon Design | EL PAÍS Brasil

A IGNORÂNCIA MATA MAIS QUE A PESTE

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https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2020/06/CRÓNICA-342.-A-IGNORÂNCIA-MATA-MAIS-QUE-A-PESTE.pdf

CRÓNICA 342. A IGNORÂNCIA MATA MAIS QUE A PESTE 12.6.20

 

esta e anteriores crónicas em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

ABATER ESTÁTUAS DE ESCLAVAGISTAS E OUTROS É TAREFA FÁCIL, ELAS ESTÃO MUDAS E QUEDAS E NEM ESBOÇAM SEQUER OPOSIÇÃO.- mais difícil é apagar os atos de todos os esclavagistas ao longo dos séculos. Além de que, normalmente, os apeadores de estátuas são pessoas de elevado grau de ignorância, mandatados por um qualquer populista. Começam por estátuas, depois queimam livros, e exorcizam ideias, e quando menos se dá conta já um fascismo nazi se instalou.

É bem mais fácil apear estátuas que ideias. Ao destruir ou deitar abaixo uma estátua podemos estar a destruir um símbolo, mas os atos e consequências mantêm-se inalterados. Como estes vândalos são mais ignorantes que um primata, devem começar pelo século XX e destruir as estátuas de todos os grandes esclavagistas do povo HITLER, ESTALINE, LENINE, MAO, e mais umas dezenas deles por todo o mundo. Depois devem passar ao século XIX e fazer o mesmo, por aí atrás a todos os Impérios, pois nenhum império sobrevive sem escravos e são os escravos que fazem grandes s impérios. Os impérios africanos antes dos ocidentais terem lá chegado, eram mercados de venda de escravos, que encontraram um fértil mercado quando os ocidentais lá pareceram. Os corsários berberes aprisionavam cativos nas ilhas dos Acores para os venderem como escravos, devemos assim obliterar todos os berberes? Retrocedendo chegaremos ao Antigo Egito, depois da destruição de Constantinopla, da Biblioteca de Alexandria (que tem de ser destruída uma segunda vez), vamos destruindo ao Corão, a Bíblia, todos os livros sagrados de todas as religiões, todos os vestígios de escravatura até aos Sumérios e babilónios, aos Denisovan, Neandertal e seus antepassados. Aí sim, estará a obra completa e podemos voltar a ser símios, pois tanto quanto se sabe os símios nunca praticaram a escravatura. Completado o círculo recomecem a civilização de novo como símios, que a vossa capacidade intelectual é bem inferior à deles. A História serve para nos ensinar, não está aí para ser condenada. Condenar a História não irá resolver nada. Não se apaga o passado, e ao tentar apagar o passado não se corrige o presente, cada ato aconteceu numa determinada época fruto da mentalidade e das normas sociais de cada época. Tudo o que fazemos hoje, e é considerado aceitável e normal, implicava uma ida à fogueira da Inquisição ou ao cadafalso da Maria Antonieta. Ou à pira da Joana D’Arc, ou ao canibalismo das tribos ancestrais.

Esta ignorância que ora nos rodeia com estátuas apeadas vai matar muito mais que o Covid, a peste, ou qualquer outra praga bíblica e com esta fórmula de politicamente correto que tentam implantar não vai sobrar ninguém.

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício 297713 [Australian Journalists’ Association MEAA]

Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

o massacre de la lys

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Batalha travada em 9 de A bril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial , entre as forças da Alemanha e do Império…

O SOLDADO AÇORIANO EM LA LYS

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O Soldado Açoriano em La LYS… 102 anos depois:
“[…] A batalha decorreu numa planície pantanosa banhada pelo Rio Lys e seus afluentes. As forças portuguesas assumiram a disposição de um trapézio, cuja face voltada para o inimigo se estendia por 11 km, e dispuseram-se em três linhas de defesa. Este foi um dos mais sangrentos confrontos em que esteve envolvido o Corpo Expedicionário Português, que aqui teve as seguintes baixas: 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros. […]”, in Infopédia.
Apesar dos Açores não terem enviado Batalhões para o Norte de Europa e África (ficamos entregues a nós próprios), contribuímos para o esforço de Guerra ao integrar os batalhões continentais. Destaco o Capitão de Infantaria António de Sousa Coelho, oriundo de Angra do Heroísmo. O seu percurso mostra o ecletismo destes filhos da 1.ª Classe Açoriana: embarcou em Lisboa a 26 de dezembro de 1916 com o 3BAT do RI 5 embora a sua unidade territorial fosse o Regimento de Infantaria n.º 29 (Braga).
Entre dezembro de 1916 e fevereiro de 1917, tirou o curso de Morteiros Ligeiros de Trincheira na Escola do 1.º Exército inglês e foi nomeado instrutor da Escola de Morteiros (baterias) em 6ABR17. Nomeado comandante da 3.ª Bateria de Morteiros Ligeiros a 30MAI17; Capitão a 2FEV18, sendo colocado no Estado Maior da Arma; nomeado definitivamente comandante da mesma bateria em 10MAR18. Seguiu para Portugal a 6MAR19 no transporte “Helenus”. Tomou parte na Batalha de La Lys.
Imagem: Soldado desconhecido da Fajão de Cima, I Guerra Mundial.

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1939 açores e a crise da guerra

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A propósito de crise económica, presente e futura, alguns excertos dos dias imediatamente a seguir à invasão da Polónia a 1 de setembro de 1939… nos Açores! Para quem estava atento às repercussões internacionais desde janeiro de 2020… nada de novo na História. Apenas a falta de planeamento…
“[…] Em Lajes do Pico, estes cortes já se verificavam desde dois de setembro de 1939, desistindo-se de obras planeadas desde 1937. Nem verba existia para se cumprir com os trâmites legais. Aguardava-se a chegada de dez moios de milho pelo vapor “Carvalho Araújo”, enviados pela Comissão Reguladora dos Cereais no Arquipélago, pelo que a prioridade era o combate à fome. (…) A treze de setembro de 1939, solidarizando-se com a paralisação da indústria do ananás em São Miguel e do turismo na vizinha Madeira, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo previa que à semelhança de outras crises, migrassem à ilha um grande número de desempregados em demanda de trabalho (…). Em meados de setembro de 1939, o médico do primeiro partido do Nordeste, ilha de São Miguel, retomou tardiamente as suas funções, desculpando-se por não conseguir transporte devido ao estado de guerra. Editais sobre a sementeira da batata demonstram que este estrangulamento às importações era também internacional: a CM de Santa Cruz da Graciosa pediria a lista de preços à Estação Agrária de Angra do Heroísmo “(…) visto não ser possível importa-la do estrangeiro devido ao estado de guerra. […]” in REZENDES, S., “Receios, privações e miséria num ambiente de prevenção armada: ecos da II Guerra Mundial nos Açores”, Caleidoscópio, 2019. Imagem: Idem.

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a china e os chineses em 1930

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A CHINA E OS CHINESES VISTOS POR UM PORTUGUÊS

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Miguel Castelo Branco

Os chineses vistos por um português

“Tendo visitado a China em 1930, António Lopes publicou no Diário da Manhã, Diário de Lisboa, Novidades e Voz de Macau uma série de reportagens sobre o Império do Meio. Texto de claro pendor sinófilo e declarada admiração pelo marechal Chiang Kai Schek, publicado no ano do início da guerra entre a China e o Japão (1937), exalta as qualidades da civilização chinesa e contém impressões sobre Macau, Hong Kong e Cantão”, Miguel CB – Os Portugueses e o Oriente: Sião-China-Japão (1840-1940). Lisboa: BN, 2004.

1. Ordeiros e trabalhadores
“São simpáticos os chineses. E entre todos os tipos humanos conhecidos eles são, sem dúvida nenhuma, dos mais merecedores da nossa consideração. Porque são ordeiros, trabalhadores, hábeis, empreendedores, bons chefes de família, económicos e respeitadores das leis e dos contratos. Nem todos os povos possuem tais e tantas qualidades”.

2. Preconceitos e estereótipos
“Geralmente, quando se fala dos chineses, vem logo à superfície a pirataria e a corrupção – as piores coisas que se encontram na China – mas raras vezes se lembram as boas qualidades, como se na Europa não existissem ladrões e assassinos, e os bandidos da Calábria; e como se na América não andassem à solta milhares de gangsters e um bom razoável número de Lampiões”.

3. Gente honrada
“São honrados os chineses, e homens de palavra, apesar de a pirataria e a corrupção darem por vezes a impressão do contrário. A maior prova dessa honradez está na maneira, única em todo o mundo, como os bancos chineses trabalham com os seus clientes, proporcionando-lhes toda a qualidade de operações bancárias, mesmo empréstimos, sem qualquer documentação, e apenas sob palavra [de honra]”.

4. O lugar de Portugal
“Convém acentuar aqui que Portugal não aparece envolvido em nenhum dos graves conflitos com a China nem em nenhum dos grandes negócios que animam a acção dos estrangeiros (…). Tanto no seu próprio interesse, como no interesse da China e do mundo, Portugal deve retomar o seu lugar de outrora, movimentando e criando riqueza, mas, como sempre, sem atentar contra os interesses chineses e sem criar ódios que os outros [britânicos, americanos, etc] têm criado com os seus exageros e as suas violências”.

Pirelióforo: em 1904 um padre português maravilhou a América com a energia solar | VortexMag

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Source: Pirelióforo: em 1904 um padre português maravilhou a América com a energia solar | VortexMag

“Quero debate para anular a narrativa oficial dos Açores virgens antes dos portugueses” – Açoriano Oriental

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Antonieta Costa Investigadora do CITCEM da Universidade do Porto e coautora do livro “A Marca Invisível” fala-nos da investigação que tem desenvolvido na ilha Terceira e da sua tese de que os Açores têm uma história, ainda por contar, anterior à presença portuguesa.

Source: “Quero debate para anular a narrativa oficial dos Açores virgens antes dos portugueses” – Açoriano Oriental

figuras de Macau antigo

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Lourenço Pereira Marques.

Lourenço Maria Pereira Marques [1852-1911] é uma figura enigmática na história contemporânea de Macau, mercê da sua trajectória deliberadamente obscura e também estrangeirada.

Proveniente de uma influente e poderosa família de Macau, Lourenço Marques e os seus nove irmãos nasceram na propriedade onde está a Gruta de Camões, na colina do Patane.

Como nota insólita, refira-se que todos os dez irmãos faleceram solteiros.

Os pais, comendador Lourenço Caetano Marques e Maria Ana Josefa Pereira, privaram com a elite intelectual do seu tempo, com Francisco Rondina, o professor régio José Baptista Miranda e Lima ou Montalto de Jesus.

Amantes da música e da literatura, falavam várias línguas (inglês, alemão, francês e italiano), eram católicos devotos e grandes beneméritos.

O comendador Lourenço Caetano Marques presidiu ao Leal Senado e foi da sua iniciativa a construção do Monumento da Vitória em 1871, símbolo da espectacular vitória contra os invasores holandeses.

O filho, Lourenço Pereira Marques estudou no Seminário de S. José de Macau e completou a sua formação em Lisboa, no Colégio de Campolide, uma escola dos jesuítas para as elites onde o ensino das ciências era muito valorizado.

Ingressa na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, transferindo-se depois para a Universidade de Dublin, graduando-se em 1877 no ‘College of Physicians and Surgeons’ e em 1881 no ‘Royal College of Physicians in Ireland’.

Fez estágios em hospitais, em Londres e em Paris.

Em Dublin, foi médico assistente no ‘Mater Misericordiae Hospital’, que continua no mesmo sítio, Eccles Street, famoso na literatura por ser a casa de Leopold Bloom, do Ulisses de James Joyce.

Devo esta preciosa informação à cortesia de Ronan Kelly, bibliotecário do Royal College of Surgeons in Ireland.

Adquire a nacionalidade britânica, provavelmente adere à maçonaria e regressa a Macau.

Como as dificuldades com o reconhecimento das suas habilitações académicas pareciam eternizar-se, decide rumar a Hong Kong, onde será um médico cirurgião bem sucedido e prestigiado, instalando-se no Rednaxela Terrace, a zona predilecta dos portugueses.

Trabalhou nos hospitais civis da colónia inglesa e dirigiu o Lock Hospital, uma instituição especial, misto de leprosaria e de internamento para militares com doenças venéreas e infecto-contagiosas.

Foi ainda o médico-chefe da Penitenciária Victoria Gaol e nos navios-prisão do antigo sistema prisional do império colonial britânico.

Em 1880 publica um ensaio na ‘China Review’ sobre “Louis de Camoens”, marcando a sua posição no âmbito das comemorações do tricentenário da morte do grande épico, que Teófilo Braga liderava em Lisboa.

Nesse mesmo ano participa na ruidosa polémica teológico-científica sobre o darwinismo que mobilizou as elites portuguesas de Macau e de Hong Kong, publicando a “Defeza do Darwinismo”, onde apresenta as suas ideias:

“Sustentando a evolução, não é meu desejo ofender os virtuosos missionários católicos desta Colónia e o seu respeitável e digno chefe de quem entretenho subidas considerações. A evolução é a minha filosofia”.

Dois anos volvidos, em 1882, publica em Hong Kong um grande ensaio, “A Validade do Darwinismo”, dizendo, “esta obra é uma tese de ciência natural”, pedindo à comunidade “uma completa liberdade de discussão e imparcialidade”.

Um pedido razoável e justo, convenhamos.

Estas duas obras garantem-lhe um lugar na história do pensamento filosófico português de Macau.

Nas investigações contemporâneas sobre Hong Kong, sobretudo na história da medicina e na história das ideias políticas emergentes nos circuitos internacionais regionais, muitas conexões vão ter ao nome do cirurgião português de Macau, “Dr. Lorenzo Pereyra Marquez”.

Foi professor no Hong Kong College of Medicine, em 1891/1892, onde o seu aluno mais conhecido foi Sun Iat Sen, o futuro presidente da República da China.

Lourenço Pereira Marques torna-se amigo de José Rizal, médico oftalmologista e revolucionário filipino.

A amizade entre os dois era estreita, tendo José Rizal visitado Macau talvez por sua sugestão.

Este entregou a Lourenço Pereira Marques duas cartas, escritas em 1892, que só poderiam ser divulgadas e publicadas depois da sua morte.

Após o fuzilamento de José Rizal, pelas tropas coloniais espanholas, em 1896, Lourenço Pereira Marques cumpriu a sua promessa.

Essas cartas são consideradas como o testamento político de José Rizal.

No catálogo da biblioteca de Lourenço Pereira Marques encontramos um livro de José Rizal, “Au Pays des Moines”, provavelmente oferecido e autografado.

O relacionamento entre estas três personalidades, Sun Iat Sen, José Rizal e Lourenço Pereira Marques, carece de aprofundamento e de uma hermenêutica que valorize os contrastes culturais e a solidariedade política, independentemente da presumível base maçónica comum.

Lourenço Pereira Marques decide aposentar-se e regressa a Macau, continuando a exercer medicina graciosamente.

A comunidade portuguesa de Hong Kong mobiliza-se para prestar uma sentida homenagem ao compatriota ilustre.

Óscar Baptista escreve a Marcha-Polka “Pereira Marques” para piano, integrando o repertório da Sociedade Philarmónica Portuguesa de Hong Kong.

O Clube Lusitano de Hong Kong organiza uma sessão memorável em homenagem a Lourenço Pereira Marques.

O emérito historiador de Macau, Monsenhor Manuel Teixeira, acrescenta outra informação valiosa: “Em 2 de Agosto de 1896, por ocasião da sua retirada de Hong Kong, os seus amigos fretaram o vapor ‘Honam’ e acompanharam-no até Macau com uma banda de música, oferecendo-lhe nessa altura uma mensagem num álbum de 73 folhas em pergaminho e com 950 assinaturas”.

Em 1899 faz uma enorme e generosa oferta de peças etnográficas sobre Macau e a China à Sociedade de Geografia de Lisboa que decide criar a “Sala Lourenço Marques”.

O governador Eduardo Marques, pela Portaria Nº 231, de 4 de Novembro de 1910, decide criar uma comissão para pensar a criação do Museu Luís de Camões e entre os vogais nomeados encontram-se Camilo Pessanha, Lourenço Pereira Marques, Eduardo Cyrillo Lourenço e Carlos da Rocha Assumpção.

Lourenço Pereira Marques era comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Faleceu precocemente com 59 anos, no dia 5 de Março de 1911.

A prestigiada publicação inglesa, “The British Medical Journal” fez-lhe um grande elogio fúnebre, terminando deste modo: “Dr. Pereira Marques had a high ideal of his profession, and throughout his life showed the most self-sacrificing devotion to duty”.

Dois meses antes da sua morte fez o testamento onde entre outras providências, faz a doação da sua grande e valiosa biblioteca ao Clube de Macau.

Esta biblioteca é o retrato perfeito de um erudito discreto e sensível, actualizado com as tendências científicas e com as controvérsias filosóficas e estéticas do seu tempo.

Para além do respeito e do reconhecimento que este gesto de filantropia e generosidade nos merece, há duas observações que se impõem fazer.

Em primeiro lugar, ele próprio em 1882 dizia que “é de facto deplorável a falta de uma biblioteca pública em Macau”.

Em 1911 a biblioteca pública estava sedeada no Liceu de Macau.

Porquê a opção pelo Clube de Macau?

Talvez a memória das velhas amizades possa explicar alguma coisa.

Em segundo lugar, o “Catálogo da Biblioteca do Dr. Lourenço Pereira Marques”, organizado por Joaquim Francisco Xavier Gomes, foi impresso na Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes & Filhos, em Macau, no ano de 1924, provavelmente a expensas do Clube de Macau.

Ao longo das suas 180 páginas, o catálogo divide a biblioteca em 12 secções, onde se arrumam os 4 739 volumes, dois terços dos quais nas línguas francesa e inglesa, privilegiando as áreas científica, filosófica, política e literária.

Encontramos aí as obras completas de Stuart Mill e de Charles Darwin, o que por si só nos revela o seu posicionamento filosófico.

Mas também há obras de outros filósofos como, por exemplo, Spencer, Humboldt, Comte, Aristóteles, Feuerbach, Hobbes, Descartes, Rousseau, Renan, Hegel, Maquiavel, Littré, Bakounine, Proudhon, Ruskin ou Huxley.

Apreciava igualmente Guerra Junqueiro, Bulhão Pato, Sampaio Bruno, Camões, Camilo Castelo Branco, Zola, Dante, Balzac, Dostoiewski, Loti, Vitor Hugo, Yeats, Alexandre Herculano ou Mark Twain.

O “Historic Macao” de Montalto de Jesus, “O Andaço do Porto” de José Gomes da Silva, o “Guilherme Tell” de Manuel da Silva Mendes ou “Pio IX perante a revolução”, de Francisco Rondina também lá estão.

Lamenta-se que Lourenço Pereira Marques nada mais tenha escrito do que as publicações anteriormente mencionadas.

Esta biblioteca sumiu misteriosamente, e é talvez o maior roubo cultural cometido em Macau nos primeiros tempos da república.

O Catálogo foi publicado treze anos depois da morte do benemérito.

A Biblioteca desapareceu antes ou depois da publicação do Catálogo em 1924?

Porque é que o Catálogo não foi publicado em 1911, o ano da doação?

E que posição tomou a direcção do Clube de Macau?

O seu nome está na toponímia de Macau e no jazigo de família, no Cemitério de S. Miguel Arcanjo, existe uma estátua sua em tamanho natural.

António Aresta.
Jornal Tribuna de Macau, 24 de Julho de 2019.
https://jtm.com.mo/opiniao/lourenco-pereira-marques/

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ANGOLA AS MULHERES DE SAVIMBI

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ENVOLVERAM-SE COM ELE E ELE AS MATOU!

Por: Sousa Jamba

A UNITA, na pessoa do seu presidente, Jonas Malheiro Savimbi (JMS), demonstrou com uma estrutura de poder, marcada por nuances tradicionais e por querelas palacianas, pôde colocar a mulher nas situações mais extremas e caricatas. Para a questão em análise, não se trata de um conflito entre a instituição da família tradicional, assente na poligamia, e a moderna, que postula pela família monogâmica com os valores a si adstritos. Trata-se do uso, do abuso e da coisificação da mulher, em consequência de um poder autocrático que por vezes, e não foram poucas, mostrou ter perdido o controlo da situação.

As mulheres de Jonas Malheiro Savimbi dividem-se em aquelas que mais amou – e assumiu como “primeira-dama”, mas que também, por razões que se desconhecem mais odiou -, as amantes, que teve filhos com algumas delas, e outras, fruto de relações fortuitas, cujo segredos elas guardam a sete chaves.

A primeira mulher com a qual JMS teve uma relação aparentemente normal, foi Estela Maungo, (uma sul-africana, pouco falada e quase desconhecida) de cuja relação nasceram Nanike Sakaita (actualmente a viver em Acra com o marido Ganês), Helena Ndumbu Sakaita (que vive em Ile-de-France) e Rosa Chikumbu Malheiro (que reside nos Estados Unidos da América). Destas filhas, a destacar apenas Nanike pelo desentendimento com o pai por discordar do seu relacionamento com Sandra Kalufele.

Vinona Savimbi foi a primeira mulher assumida por JMS como primeira-dama, sobretudo na véspera da independência e nos anos que se seguiram. Mulher discreta, pouco ou quase nada reza sobe ela.

O que Vinona Savimbi não previu, na altura, foi o fim que a esperava assim como a utilização, pelo MPLA, dos seus filhos contra o pai. Vinona teve três filhos com JMS, dois dos quais se tornaram famosos pelo facto de o MPLA os ter utilizado para justificar, aos olhos do país e do mundo, a “necessária eliminação física de Jonas Savimbi”. Estes filhos são Araújo Domingos Sakaita, que foi coagido a ir a Luanda, em 1999, a partir de Lomé Togo (vive em Luanda e padece de perturbações mentais) e Anacleto Kajita Ululi Sakaita (vive actualmente em Luanda) que, em 2000, apenas com quinze anos foi obrigado pela Segurança do MPLA (Serviços de Inteligência Externa) a seguir as pegadas do irmão a partir de Abijan. Muito associado aos filhos de Vinona está um outro filho de JMS, Eloi Sassandaly Sakaita.

Não se sabe ao certo quais foram as divergências entre Vinona e Jonas Malheiro Savimbi embora se suspeite de este ter estado por detrás da sua morte em 1984. As opiniões dividem-se entre os que afirmam que ela se suicidou, os que dizem ter morrido num incêndio que devastou a sua cubata e os que dizem que, acusada de feitiçaria, sucumbira na queima das bruxas, sobre liderança de Savimbi. Talvez chateado com os feitos do pai, Araújo Sakaita havia dito a TPA naltura que “sem Savimbi não haverá guerra em Angola” ou seja a morte do pai era necessária.

Muito antes da morte de Vinona, já haviam surgido no seio da UNITA alguns sinais de lutas pelo poder, algo legítimo e normal em qualquer organização política não fosse o facto de estas terem tido, pelo meio, problemas de mulheres. Foi o que sucedeu em 1981 quando, pela primeira vez, se falou duma intentona para destituir Jonas Savimbi, cujos cabecilhas eram Valdemar Pires Chindondo, Ornelas Sangumba e Samuel Chiwale. Os contornos dessa acusação viriam, no entanto, a ser questionados pelo facto de, logo após o assassinato de Valdemar Pires Chindondo, a sua esposa Alda Juliana Paulo Sachiambo “Aninhas” e o filho passarem a fazer parte do clã Savimbi. Foi também sintomático o facto de Aninhas ter sido eleita como Presidente da Organização Feminina da UNITA (Lima) em 1984 ano em que morreu Vinona Savimbi.

Em paralelo com estes acontecimentos, Jonas Malheiro Savimbi afeiçoava-se a uma outra mulher, cujo desfecho foi o mais trágico de sempre e marcou, pela negativa, a história da UNITA e beliscou, como nunca, a sua imagem. E não é de descurar a hipótese de a recusa de JMS a um exílio dourado, também esteja condicionada aos acontecimentos que andaram à volta desta mulher. De nome Ana Paulino, natural de Kachiungo, província do Huambo, era uma jovem elegante, linda e inteligente que através de uma bolsa patrocinada pelos serviços secretos franceses, tirou, em Paris, um curso de Secretariado. Ana era noiva de Tito Chingunji.

De regresso a Jamba, Jonas Savimbi viria a arrebatá-la da forma mais insensata, desafiadora e altiva. Ao arrepio dos tormentos de Tito Chingunji, JMS converteu Ana Paulino na primeira-dama com a qual passou a ser vista nas capitais da América e da Europa.

Da relação entre Jonas Savimbi e Ana Paulino nascerem cinco filhos que vivem quase todos na França. Um deles é Dório de Rolão Preto Sakatu Sakaita, com o qual Savimbi nutria uma grande devoção e confidenciou, via satélite, na véspera da sua morte.

Se Jonas Malheiro Savimbi não teve problemas políticos com os filhos nascidos desta relação, o mesmo não sucedeu com as suas cunhadas, sobrinhas de Ana Paulino Savimbi.

A primeira foi Raquel Matos, que, aquando da ida de Ana Paulino (tia), à França, Savimbi amigou-se com ela e, mais tarde libertou-a, enviando-a para Londres a fim de fazer um curso superior. Raquel Matos é, nada mais nada menos que Romy, a esposa de Tito Chingunji, que acabaria por morrer com ele, nos anos 90. Pelo sim e pelo não, as peripécias à volta dos familiares de Ana Paulino não terminaram por aí. Savimbi matou o Casal.

Depois da relação com Raquel Matos, JMS estabelece uma nova relação com outra sobrinha de Ana Paulino, Navimibi Matos, com a qual teve uma filha, Celita Navimibi Sakaita. Navimbi Matos acabaria por morrer em 1981, queimada viva, num dia em que Savimbi dizia que ficaria na história da UNITA como o “Setembro Vermelho”, mas que condicionou sobremaneira a imagem da própria UNITA, ou seja, a queima das bruxas.

Como não há duas sem três, Jonas Savimbi viria, numa fase em que a idade, o cansaço da guerra, e as frustrações o afectavam, sobretudo as suas faculdades mentais, a atirar-se a uma outra sobrinha de Ana Paulino Savimbi, Sandra Kalufelo (com a qual teve um filho, Muangai), na altura, uma simples adolescente. O mais caricato foi que Jonas Savimbi, algo impensável no passado, chegou a atribuir a Sandra alguns poderes financeiros e mesmo militares. E seria esta Sandra que mais tarde, ao criar uma série de intrigas, acabaria por influenciá-lo na morte da tia, Ana Paulino Savimbi. Recorde-se que esta foi enterrada viva numa toca de animais, logo depois da perda do Bailundo e do Andulo, por JMS também recear que viesse a ser capturada pelas tropas das FAA.

Outras mulheres não menos importantes para Jonas Malheiro Savimbi foram: Catarina Massanga (Mãe Catarina) que vive actualmente em Luanda no Projecto Nova Vida. De etnia Chokwe, e natural do Moxico, granjeia até ao momento um grande respeito por parte dos membros dessa organização política que a consideram uma mulher de grande dignidade. Catarina Massanga teve um filho com Jonas Savimbi, Rafael Massanga Sakaita Savimbi, nomeado este ano 2013 secretário nacional para a Mobilização Urbana do partido do Galo negro é visto por alguns como uma promessa para a futura liderança política da UNITA.

Outra mulher é Valentina Seke, provavelmente a menos falada, mas que ficou conhecida por ter estado com Jonas Savimbi no dia da sua morte, ter sido ferida e vista na Televisão subnutrida e aos prantos aquando do funeral do marido.

Outras mulheres de Jonas Savimbi:

ESPOSAS:

a) Catarina Natcheya, é a viúva mais velha de Jonas Savimbi e tem relações de parentesco (irmã) com Toya Chivukuvuku;

b)Cândida Gato, também irmã de Toya Chivukuvuku, foi esposa de Beto Gato, irmão de Lukamba, que teve de se refugiar nos Estados Unidos da América ao notar a aproximação de JMS à sua esposa. Tem uma filha com Jonas Savimbi e, mesmo depois da morte de Beto Gato, ainda continua a viver nos Estados Unidos da América;

c) Teresa, a “escurinha”;

d) Alzira (mestiça de Calulo);

AMANTES:

a) Domingas Pedro (irmã do general Kalias Pedro, vive actualmente em Portugal onde está casada com um S. Tomense);

b) Olinda Kulanda, ex-locutora da Worgan, morreu no Bailundo em 1998, envolta num grande misticismo;

c) Etelvina Vasconcelos (reside actualmente na Suíça depois de passar pela Costa do Marfim, na qualidade de estudante);

d) Lúcia Wandy Lutukuta (foi militar da UNITA);

e) Mizinha Chipongue, trabalhou no protocolo da presidência;

f) Chica; foi oficial da Brinde com a patente de Major;

g) Elsa Matias (uma jovem da Jamba);

h) Kwayela Moreira (mestiça, estudante na Jamba);

i) Maria Ekulika (funcionária do protocolo, apareceu morta de modo estranho);

j) Joana (foi morta por ter transmitido a JMS uma doença sexualmente transmissível;

l) Eunice Sapassa, acusada de feitiçaria, foi morta no processo “Setembro Vermelho” ou “Queima das Bruxas”;

m) Tina Brito, uma mestiça para quem JMS tinha uma afeição muito grande, mas que acabou por ser morta por fuzilamento por se ter recusado em provocar um aborto. Note-se que JMS não queria filhos mestiços;

n) Gina Kassanje, morta por ciúmes;

o) Cândida (morta por ter enviado uma carta de amor interceptada pela Brinde; o) Sessa Puna, ex-esposa de Miguel Nzau Puna. Acabaria por ser morta por ter servido de intermediária entre Cândida e o referido amante,

p) Aurora (acabaria por ser abandonada depois de ter sobrevivido por na altura, não passar de uma adolescente e ser demasiado bela, a uma acusação de feitiçaria, vive agora em Luanda;

q) Edna Álvaro (amigou-se com Savimbi, logo após as eleições de 1992 e viveu com JMS no Bailundo e Andulo, do qual teve um filho).

(Este texto tem 17 anos)
Autor: Sousa Jamba