Ancient Romans Reproduced So Much That A Plant Went Extinct

Views: 1

Ancient Romans and Greeks used a plant called Silphium as a super effective contraceptive. But here’s the crazy part: they used it so much that it actually went extinct. Can you imagine that? This plant was so important to them, and they relied on it so heavily, that they ended up losing it forever.

Source: Ancient Romans Reproduced So Much That A Plant Went Extinct

condados porto e portucale

Views: 0

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OS CONDADOS DO PORTO E DE PORTUGAL E PARA QUE SERVIAM?
Portus Calle ou simplesmente Cale é citado desde os tempos dos romanos como um castro kallaikoi muito antigo localizado na margem sul da foz do Rio Douro. É o Castrum Antiquum de Cale ou Romanorum, que traduzindo ao português seria o Castro Antigo de Gaia ou dos Romanos. É este local muito apropriado para atracar navios de grande calado em ambas as margens do rio Douro, o Portus de Cale ou o Porto de Gaia.
Portucale, é ao tempo dos suevos uma localidade fortificada junto à margem norte do rio Douro na sua foz onde a partir de 572 e não antes, os suevos vão estabelecer uma cabeça de bispado ou diocese denominada Portucale Castrum Novum ou Suevorum, que em tradução portuguesa corresponde a Castro Novo do Porto ou dos Suevos.
Esta nova diocese sueva do Porto recebe o legado territorial da precedente diocese de Magnetum ou Meinedo que ficava um pouco mais para o interior e mais afastada do rio Douro e mais próxima do Tâmega.
A territorialidade de Portucale ou diocese do Porto está balizada ao sul no rio Douro, ao norte no rio Ave e ao leste no Tâmega que desemboca no Douro. A oeste está o oceano Atlântico.
A norte desta diocese do Porto está a de Braga a partir do Ave, assim como está Braga ao leste a partir do Tâmega e que vai até às terras dos astures de Miranda do Douro, Çamora (com outros nomes) e Aliste ( que é nome de rio, de paróquia e ponto cardinal leste).
Por outro lado, o Portus Cale, que também é Portucale ou Portugale ou até mesmo Portugal é efectivamente a primeira paróquia ao sul da foz do rio Douro e pertence à também antiquíssima diocese de Coimbra na Lusitânia dos suevos do paroquial. Ou seja, a diocese de Coimbra fica no seguimento litoral sul à diocese do Porto ou Portucale Castrum Novum tem como primeira paróquia também Portucale Castrum Antiquum ao sul da foz do Douro. Estamos a seguir o raciocínio?
Quando acaba o reino dos Suevos em 585, nas mãos do godo Leovigildo e logo a seguir do Recaredo que transforma Toledo na sua capital visigoda, as dioceses suevas são mantidas com certa estabilidade territorial e são em numero de 13.
4 são na Lusitânia e 9 são na Gallaecia.
Em termos visigodos são todas do reino.
Em termos metropolitanos nem por isso.
Em 666 ou pouco antes, aparece o bispo metropolitano de Merida, Oroncio, a reclamar dentro do reino godo de Chistavindo, aquelas 4 dioceses da Lusitânia que andavam sob a alçada de Braga na Gallaecia: Coimbra, Lamego, Viseu e Idanha. E dentro de Coimbra, aparece a paróquia Portucale como vimos atrás. E na Gallaecia mantém-se a diocese Portucale como também vimos atrás.
Aliás nas actas suevas e visigodas dos vários concílios, o bispo do Porto e denominado como “portucalensis episcopo”.
Se formos traduzir à letra nacionalista e independentista “tuga” do presente seria algo como o “bispo português” não é? Mas não, essa denominação era de facto, o “bispo portuense”.
Após a fatídica e mais que previsível investida moura de 711 no corrupto, mais que volátil reino visigodo de Toledo, onde os reis pouco conseguiam aquecer o lugar, quanto mais organizar um império, a Gallaecia eclesiástica dos três conventus paroquiais, desagredada já das 4 dioceses lusitanas citadas entra por contacto com a derrota goda de Guadalete, em distorcida desorganização episcopal.
As elites mais precavidas fojem para o norte lucence e iriense. As elites mais incautas desagregam-se e acabam por simplesmente desaparecer dos mapas territoriais a que pertenciam.
Dentro das mais precavidas surgem o Arcebispo metropolitano de Braga que se aloja em Lugo. As elites de Tui e Ourense andarão refugiadas por Iria Flavia. O bispo do Porto não se sabe bem para onde foi.
Mas é certo que as elites de Braga, Dume, Tui, Ourense e Porto, deixaram de estar in situ nas suas dioceses e apenas os homens do campo, artesãos e pequenos párocos de paróquias mais rurais e interiores se mantiveram a cultivar as terras e os homens nos locais de sempre.
Quando passados 100 anos de distorcida passagem de mouros e cristãos pela Gallaecia com novas cidades inventadas e reinos potestativos não conformes com o que existia antes de 711, surge a oportunidade de varios cavaleiros vassalos dos reis de Oviedo e nomeadamente do Afonso III, tentarem presuriar os territorios eclesiasticos vacantes da Gallaecia e também aqueles da parte lusitana das 4 dioceses ao sul do Douro que já falamos.
Braga é presuriada em 748 por Odoario de Lugo, pois o Arcebispo de Braga residia em Lugo e até era a mesma pessoa que o bispo de Lugo.
O Hermenegildo Guterres faz presuria de Coimbra em 878 ( e Portugale como já vimos) e muito provavelmente as restantes 3 dioceses ao sul do Douro.
Por fim, mas não menos importante, Vimara Peres faz presuria na diocese de Portucale ou do Porto 10 anos antes que o Guterres em Coimbra, em 868.
Como Braga era a sede metropolitana da Gallaecia não poderia sair da esfera dos Arcebispos e por isso não lhe é adstrito nenhum conde ou comitatus (condado). O seu território diocesano é vasto mas é puramente eclesiastico.
Ao Vimara Peres é-lhe atribuido como Comitatus o território da diocese de Portucale ou Porto. Por isso, a Casa condal de Portucale não é a casa condal de Portugal. É a casa condal do Porto até chegarmos a 1071 com a morte do último conde dessa casa, o Nuno Mendes.
Quando nos referimos ao Nuno Mendes como portucalense, é porque esse conde, tal como o bispo do Porto escrito em latim, é portucalense, mas não necessariamente um independentista português como gostam os tugas de lhe chamar com brios nacional socialistas do costume.
Por isso vamos até ao García e ao momento imediatamente anterior ao Condado Portucalense.
1090, ano da Morte do Garcia, rei de Portugal e da Gallaecia.
E porquê Portugal e não Portucale como o Vimara Peres ou Nuno Mendes?
Porque no ano de 1064, o Fernando Magno terminou as suas conquistas privativas das 4 dioceses lusitanas do reino suevo ( ver atrás quais), que nesse século e no anterior já se chamava de Portugal.
Se não vejamos:
1. Ramiro, em pleno século X , antes de ser rei de Oviedo e Leão na Gallaecia era o senhor do Portugalensis territorium em Viseu. Ou seja era o senhor de Portugal. Ou seja, era o senhor das terras desde Gaia até Idanha ao sul do Douro e porque também foi educado pelos senhores da nobreza de Coimbra.
2. Em 1028, o Afonso V de Oviedo-Leão, que foi educado pelo Conde de Portucale ou Porto, Mendo Gonçalves, e casou com a sua filha Elvira, estava em Viseu, Portugal quando uma flecha o atingiu no peito.
Daqui se pode verificar que o seu tutor era o conde do Porto, mas o local da sua morte era em Portugal ao sul do Douro. Portucale e Portugal são pois coisas distintas na mesma época. São territórios e potestades diferenciadas.
Aquilo que as une, Portugal e Portucale é o ponto de inflexão na foz do Douro que é precisamente o ponto Portucale-Portucale como vimos desde o início deste texto.
Assim, o Portugal do Rei Garcia não é a recuperação do condado do Porto do Nuno Mendes que morre na Batalha de Pedroso em Braga.
O Portugal do Garcia são as 4 dioceses suevas ao sul do Douro que o Fernando Magno conquistou privativamente com o auxílio do moçárabe de Coimbra, Sesnando Davides e que desde 666 estavam sob a tutela da metrópole de Mérida que entretanto estava vacante, pelas razões conhecidas das investidas árabes ao sul e nomeadamente na denominada Taifa de Badalhouce que mais não é que a própria Lusitânia.
Para descartar a hipótese de o conde do Porto, Nuno Mendes não era um independentista “portucalensis”, está documentado que o confisco das suas terras pelo Garcia após a sua morte na citada batalha de Pedroso, foi retrocedido por influência do rei Afonso VI e devolvidas essas terras a Loba Nunes e Sesnando Davides, filha e genro do malogrado vassalo leonês e conde do Porto, Nuno Mendes.
Sesnando Davides foi inclusive agraciado com o titulo de governador de Toledo pelo Afonso VI. O condado de Portucale ou Porto era um aliado de peso do Reino de Oviedo-Leão desde todo o sempre.
Por fim e para consolidar esta proposta diferenciadora entre Portucale e Portugal e de certa forma desconstruir os mitos nacionais socialistas que a envolvem, é importante referir que após a morte do Garcia num Mosteiro ou Prisão de Leão ou outro lugar mais recôndito em 1090, fica definido o Comitatus Portucalensis no amplo Espaço do Reino do Garcia, excepto a parte da Galiza lucense ou compostelana.
E isso não será por acaso.
O chanceler do Conde Raimundo é uma personalidade de tal forma poderosa e ambiciosa que nunca cederá espaço a uma Gallaecia unida sem que Compostela seja a sua centralidade metropolitana.
E essa influência é tida em conta pelo próprio Afonso VI, que pelo seguro da sua própria existência decide dividir o Reino entre esse chanceler do Raimundo e aquele que demonstrou ser o único capaz de vencer batalhas ao sul, o conde Henrique, com o prémio de levar também a metrópole de toda a Gallaecia ironicamente restaurada ou retificada pelo irmão Garcia que entretanto morreu na prisão à sua guarda.
O Condado portucalense leva o nome de Portugal assim como também o nome de Portucale. Uma parte é lusitana outra é galaica. Ambas são Portugal.
May be an image of monument
All reactions:

5

1 comment
1 share
Like

Comment
Share
Active
Christian Salles

Comer tripas?
  • Like

  • Reply
  • Share
  • 46 m

ROSTO DE CÃO NA HISTÓRIA

Views: 0

O ilhéu de Rosto de Cão
No povoamento pertenceu ao João de Prestes.
Toda a Fajã Baixo era dele e só foi freguesia em 1911.
No livro IV Saudades da Terra Capitulo XLII página 170 escreveu o Doutor Gaspar Frutuoso “Na outra parte deste ilhéu, da banda do norte, estão algumas quatro ou cinco covas, algumas já desfeitas e quebradas, estreitas nas bocas e tão grandes dentro como jarras ou tinagens sevilhanas, cavadas no tufo,que no tempo antigo fez ali um João de Preste cavouqueiro, para encovar e guardar, como a granel, seu trigo.” Eu estou ao pé de uma antiga cova de guardar trigo e no tempo da II Guerra Mundial 1935 a 1945 serviu de ninho de metralhadoras. Nas escadas do ilhéu tem uma cova que serve de escada. E no tempo de guerra algumas covas foram aproveitadas para defesa da entrada do Porto de Doutor António Oliveira Salazar. Este ilhéu devia ter o nome de João de Prestes porque está na História dos Açores. E nos Prestes de Cima deve ser feita justiça que já devia estar como Rua de João de Prestes.
Curiosidades: As tinagens sevilhanas são muito parecidas ao nosso talhão de barro as covas tinham por dentro esta configuração e levavam cerca de 4 alqueires de trigo. Aqui neste ilhéu de João de Prestes tem duas histórias a das covas de guardar trigo e a outra militar.

All reactions:

José Viana and 22 others

2 comments

Like

Comment
Share

DrURZELINA O NAUFRÁGIO DO IRISKY

Views: 0

May be an image of text
O NAVIO IRISKY ( extrato do meu livro ” VÉU DA ILHA!
Com o primeiro canto do galo, o relógio biológico de João já dera sinais, que desperto mas de olhos fechados iterava numa modorra de deleite o último e agradabilíssimo sonho. – Um, dois, três toca a levantar vai à realidade da vida – disse mentalmente e, acto contínuo dirigiu-se ao balcão onde respirou um ar inebriante mescla de odores campestres e marinhos. Sentado na cadeira preferida foi dando conta do mundo que o rodeava: os melros e canários que cantavam nas faias, os cheiros, a luz diáfana que gradualmente aumentava por detrás da erucária, os cheiros e sobretudo um movimento inusitado na estrada de terra despertou-lhe atenção. – Que diabo aconteceu para aí, ele são carroças, burros, gente a pé!
Foi ao canto do balcão ver o que se passava e ao ver o João Brasil perguntou-lhe: – Ó João para onde vais? – O interpelado respondeu: – vou tratar de duas vaquinhas que meu pai me comprou, pois acabei a escola e é preciso trabalhar. – Mas há qualquer novidade pois a rua está muito movimentada para o habitual – disse mestre João. – Então não sabe que encalhou um navio na fajã? O pescador ficou frio pois pensou logo no submarino e no seu negócio que ia por água abaixo. – Ó rapaz não ouvi nada, conta lá o que aconteceu.
– Pois foi assim – disse João Brasil: – acordei sobressaltado com a sensação que algo de trágico quebrava a letargia do pedaço de costa onde nada acontecia, pareceu-me ouvir gritos, vozes, o ruído de um motor, uma luz
que se reflectia na parede do quarto. Estremunhado esfreguei os olhos para me certificar que não sonhava, saltei da cama entreabrindo a porta, chamando-me logo a atenção uma luz inusitada por cima das canas, à beira da rocha. Vesti umas calças e um casaco e fui desvendar aquele mistério. Seriam perto das cinco pois já havia pessoas no adro da igreja esperando a missa que o padre Faria celebra neste mês das almas.
Pela canada (rua mais estreita) vinha o João Pombo com um petromax, aquela luz produzida com carbureto, acompanhado do António Pombo. – Ó João Tomás o que aconteceu? – Perguntei eu. – Parece que um navio encalhou na Pedra Negra, queres vir connosco João? Lá descemos a terra do ti Malagueta chegando ao Barbio (bravio)
Ao chegar à beira da água deparei-me com um monstro cinzento, jazendo meio de lado como que moribundo a poucos metros da costa, parecia uma baleia à espera de ser derretida para extrair o óleo, pasmado olhei para aquilo quando uma voz me interpelou: – já vistes João o trabalho que está ai armado! – Era o Luís do Pano que havia interrompido a pesca para observar o espectáculo daquele navio ali encalhado.
De bordo começaram a gritar e a fazer sinais dando a entender que iam lançar uma retenida. O Luís apanhou-a começando a puxar um cabo de aço que passou à volta de um penedo fixando-o com uma manilha – eles talvez querem desembarcar agarrados a este cabo – comentou o Luís. Entretanto chegou perto do navio o José São João e o Joaquim Tesinha que iam num barquito a remos pescar aos sargos para a Fajã do Negro. Acto contínuo um homem que depois vim a saber ser o imediato, suspendeu-se do cabo começando a galgar a distância que mediava do navio à costa, infelizmente a meio caminho faltou-lhe as forças e caiu à água. O quépi que usava incendiou-se ao contacto com ela, pois estava preparado com um produto para se poder localizar o náufrago. Paulatinamente foram passando neste cabo de vai e vem, onde fora montada uma cadeira toda a tripulação, que foi acolhida nas casas da freguesia, isto é tudo o que sei. Agora vou embora pois vai ficando tarde.
João correu para o portão e pôs-se a caminho para observar in loquo o espectáculo, onde chegou uma boa meia hora depois. Imediatamente descansou o juízo o barco encalhado não era o submarino, mas sim um navio de reabastecimento britânico, por ali ficou a observar tendo visto mais tarde a tripulação viajar uma camioneta para a vila das Velas para serem recolhidas por outro navio.
Manuel já acabara os preparativos matinais e vasculhando nos escaninhos da memória relembrou o que os velhos contavam misto talvez de veracidade e lenda, pois quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. “Esta embarcação em vez de se dirigir ao porto de Velas provavelmente por erro cartográfico aproou à baía de Entre – os – Morros onde fundeou ali ao lobrigarem dois ilhéus na costa lançaram um foguete com um cabo. Os nativos Patrício e um amigo começaram a puxar o cabo que se foi amontoando nas rochas, os ingleses acharam que já era cabo a mais e deram duas voltas com ele num cabeço, suspendendo assim a manobra, Então o Patrício puxou da navalha cortou o cabo e os dois parceiros enrolando – o apressaram – se a sair do local levando a preciosa corda consigo.
Quando ao navio depois de perder uma âncora conseguiu chegar ao porto da vila das Velas. Na praça dirigiram-se à pensão da Silvina onde depois de muito beberem envolveram-se numa cena de pancadaria com pescadores locais. A causa da rixa foi uma empregada Sofia que os ingleses começaram a assediar e que foi socorrida por clientes da tasca, que fora da faina do mar por lá se quedavam entre eles havia o Cristiano, o Batata, o José Maria, o Cacete, o Manfredo. De parte a parte houve mazelas e voos pelas escadas e janelas, mas felizmente quando acalmou não havia vítimas.
O “Irisky” assim se chamava o navio, encalhou na Baía da Fajã do Negro, no dia 11 de Novembro do ano de 1945 era de reabastecimento da Marinha Real Britânica. O calendário litúrgico apontava o dia como sendo de S, Martinho e a tripulação festejara – o na Praia da Vitória, provavelmente com uns copos a mais, quem fazia o quarto adormeceu sobre o leme, levando-o para os rochedos.
Um emissário foi avisar as autoridades do sucedido à Urzelina, tendo comparecido no local os guardas-fiscais Viegas e Chininha que tomaram conta da ocorrência. Mais tarde chegaram das Velas funcionários alfandegários comandados pelo Dr. Sá.
O navio sinistrado manteve-se durante muito tempo à superfície, tendo sido bastante visitado pela população local. Muitas pessoas “salvaram” cobertores, louça, ferro e madeiras deste barco.
Muitas tentativas foram feitas para desencalhar o barco, depois de ser comprado pelo conhecido armador baleeiro picoense José Cristiano e um brasileiro de nome Vidago. O mergulhador Mourinho foi chamado para tentar pôr o navio a flutuar, nele trabalhou vários dias tendo como fiel Mário Deodato, mas sem sucesso, juntou-se depois uma brigada vinda do Faial entre os quais o mergulhador Toni que nele colocou umas chapas, logrando pôr o barco a flutuar, que foi bem espiado, aguardando o rebocador Cachalote que o levaria para a Horta.
Na madrugada do dia seguinte levantou-se forte temporal que partiu o navio em três. Muitos anos depois ainda se podem encontrar restos deste navio no fundo da Baía do Negro. Eu próprio já os vi na caça submarina.
Alguns mecanismos foram retirados do navio nomeadamente dois guinchos, (cabrestante) que o empresário baleeiro colocou na fábrica de transformação da baleia no Cais do Pico da ilha do mesmo nome, para alar os cetáceos pela rampa que dava do mar para a fábrica.
Vieram ferreiros do Pico cortar chapa para seu uso, tendo um deles acabado por se fixar nos Terreiros; era muito hábil em chaparia para carros de bois, na confecção de arados americanos, e outras ferramentas bem como bom ferrador de animais. O João Ataíde que também foi visitar o local do naufrágio, pela mão do pai disse-me que este artífice era conhecido pelo “Tas te Lembrando”
O comandante do navio em sinal de gratidão à população das Manadas mandou ao padre Faria o valor de mil escudos para distribuir pelos paroquianos. Uma boa soma se pensarmos que um homem ganhava dez escudos por dia ou um alqueire de milho. No entanto o padre e a população resolveram comprar um crucifixo para a igreja, pois a quantia depois de dividida seria irrisória.
Mais tarde veio um navio buscar a sineta de bordo para a colocar num museu, mas não a encontrou, quem sabe se não estaria já derretida para fazer os famosos patacos falsos, que acabaram por apelidar os habitantes da ilha de S. Jorge. A outra versão dos patacos é esta:
“ É comum atribuir-se a conotação pejorativa à identificação dos Jorgenses com “patacos falsos”.O seu sentido é incorrecto! Na verdade trata-se antes sim de um elogio.
No passado e em data desconhecida, a moeda “o pataco” era cunhada em oiro. Por altura da sua substituição por moedas de bronze, com o mesmo valor facial, pretendia-se que a nova moeda fosse entrando em circulação, ao mesmo tempo que se recolhia a antiga bem mais valiosa. É aqui que o Jorgense se apercebe da diferença der valor entre os dois metais e vai guardando em casa as moedas que saem de circulação, e que passam a ser consideradas falsas, passando a usar as novas para os seus gastos. Os “patacos falsos” eram evidentemente mais valiosos e por isso mais apreciados do que a moeda corrente e considerada verdadeira. A partir de então negociava-se em S. Jorge por forma mais ou menos regateada o número de moedas de ouro a entregar na compra de um terreno, de uma casa, etc.Daí a alcunha dos “patacos falsos” “
O senhor Cabral emigrante vindo da América, admirado por falar americano, ao visitar o local traduziu o nome Irisky como “herança do céu”.
(O naufrágio também foi usado nas festas do Espírito Santo, por Artur Manco como tema para lançar bando – cantigas de critica a ocorrências nas festas ou no local – segundo o senhor João Brasil morador no Porto da Manadas que foi um simpático contador e auxiliar do que tinha presenciado neste naufrágio)
“ Vindas heranças do céu
Dum país que está em guerra
Uns sortiam-se a bordo
Outros roubavam em terra
Blusas e samarras
De boa lã estrangeira
Passaram por contrabando
há tempos pela ribeira
Na mordomia passada
Houve ratos de tal tamanho
Que esconderam talhadas de queijo
Num lenço sujo de ranho”
Em Abril de 2013 – O mar revolveu o fundo pondo a descoberto e espalhados pelo fundo, os destroços do barco.
“A Fajã do Negro é possivelmente uma das mais pequenas e menos conhecidas fajãs da ilha de São Jorge, Açores. Localiza-se na freguesia das Manadas, Concelho de Velas, costa Sul. Fica entre o Porto das Manadas e a fajã das Almas.
Os acessos são dois e bastante difíceis. Um é feito por um atalho que desce pelas terras e depois pelo calhau, o outro só pode ser de barco!
Actualmente esta fajã é procurada para a pesca e para a apanha de lapa, que são abundantes na Baía do Negro.
A origem do estranho nome desta fajã: “Negro” provém do facto de nela ter habitado um negro que para ali foi exilado há muitos séculos.
Existe aqui um sítio a que chamam “As Casinhas”, onde provavelmente terá existido casas.
As culturas ali feitas eram a vinha de verdelho, a bananeira, a figueira, a laranjeira e a figueira do Inferno cujo fruto é usado desde sempre para fazer xarope para a tosse.
Hoje apenas existem algumas figueiras por entre as pedras do calhau. A vinha que foi a principal cultura desta fajã, obrigava a que as uvas fossem transportadas em cestos, pelo calhau, para a fajã das Almas, onde se fazia o vinho.
Nesta fajã desaguam a Ribeira do Jogo e a Ribeira do Guadalupe, que só correm quando chove muito nas serras a montante.
Casinhas, Enchoveira (por ser um bom pesqueiro de anchova) e Ilhéu são nomes de lugares que ainda hoje são conhecidos como referência de pesqueiros. Os peixes mais apanhados foram desde sempre: o sargo, a tainha, a veja, o carapau a boga, a salema, a garoupa e a abrótea”.
Esta é a miscelânea oral e escrita que tentei recolher, descerrando mais um véu deste episódio, ali mesmo à vista do pescador que não cabia em si de contente, por poder continuar com o seu negócio de reabastecimento, pois embora sabendo-o efémero ainda lhe iria render bom dinheiro por mais tempo.
O navio irisky posto a flutuar pelos mergulhadores
– Vou pôr pés a caminho pois está quase na hora de almoço e ainda não fiz nada para o ganhar – pensou João, abandonando o local do sinistro, com a alma mais lavada do que ao chegar.
s
Like

Comment
Send

arsénio puim chaves

Views: 2

Saiu hoje, na revista do jornal Expresso, uma reportagem sobre ARSÉNIO CHAVES PUIM e a sua oposição ao Estado Novo e à Guerra Colonial, que culminou na sua detenção na Guiné em 1971.

Poderão ler a reportagem na íntegra aqui:
https://drive.google.com/file/d/1yBa1BsK9fapeCKVfZruOL1RG1BdK2cH_/view?usp=sharing

S TOMÉ E PRINCÍPE E O CACAU NA CAMPANHA INGLESA

Views: 0

 

All reactions:

6

2 comments
Like

Comment
Share
José Bárbara Branco

O livro que Francisco Mantero publicou (“A Mão D’Obra em S.Thomé e Príncipe, 1910. Edição do Autor. Lisboa: Typ. do Annuario Commercial) e que tenho na minha biblioteca, é um extraordinário trabalho de investigação, ordenamento´e compilação de factos e estatísticas, desmontando os argumentos dos Ingleses (com a Cadbury em destaque) que, sob a capa de humanitarismo, queriam consolidar o monopólio mundial da produção, transformação e comércio do cacau e seus derivados.
  • Like

  • Reply
  • 17 h
  • Edited

Dodó: a fantástica ave que os portugueses caçaram até à extinção | VortexMag

Views: 0

O dodó era uma ave de grande porte que vivia na Ilha Maurícia e foi caçada até à extinção por marinheiros portugueses. Conheça a sua história.

Source: Dodó: a fantástica ave que os portugueses caçaram até à extinção | VortexMag