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FAKE FAKE FAKE, TRADUÇÕES IA

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Fake Books
Ontem entrei num livraria, coisa que não fazia há cerca de 2 anos, e foi um deslumbramento. As montras, o cheiro dos livros, os escaparates coloridos , tudo me encantou.
Andei a espiolhar as prateleiras, a surpreender-me com um ou outro título, tudo em estado de grande alegria. Por fim comprei dois livros e , para meu espanto, ofereceram-me mais dois. Um não me interessava e deixei-o lá , mas trouxe o outro: uma nova edição de “As Ondas” da Virginia Woolf, um livro que li mais de uma vez e que acho mais extraordinário a cada nova leitura. Trouxe-o pensando em comparar traduções e , eventualmente, oferecê-lo depois.
Quando cheguei a casa e o folheei é que chegaram as surpresas. Procurei o nome do tradutor , mas para meu grande espanto, constatei que o livro não o mencionava . Achei estranho , é claro, e comecei a lê-lo. Li as primeiras páginas e fiquei ainda mais admirada porque nelas não encontrava nem o tom nem a rara sedução da escrita de Virginia Woolf cuja obra traduzida conheço bastante bem. Fui buscar o meu exemplar da Relógio de Água traduzido pelo próprio Francisco Vale para comparar e concluí com espanto que não parecia o mesmo livro. A tal tradução sem tradutor tornava-o tão banal e desinteressante que creio que se tivesse começado a ler aquela autora por ele, talvez nem chegasse a acabá-lo e não leria certamente mais nenhum. Como admiradora que sou de VW fiquei arrepiada com este pensamento.
E fez-se finalmente luz e repeti baixinho :”este livro é fake”, isto não é bem um livro é outra coisa , uma coisa que matou o prazer de ler “As ondas” e voltará a matar se não a pararem” ( a linguagem bélica deve ser contágio, desculpem).
Finalmente lembrei-me de um alerta, que tinha achado exagerado, que o mesmo Francisco Vale , editor da Relógio d’Água, tinha deixado aqui há poucos dias denunciando as traduções automáticas de livros inteiros e a ameaça que elas representavam para os tradutores profissionais , para os livros e , claro, para os leitores. Partilho-o em baixo.
Conclusão : não aceitem nem comprem livros traduzidos sem menção do tradutor e mesmo tendo tenham cuidado.
Como antigamente se dizia às crianças pequenas ” não aceitem rebuçados de estranhos, é muito perigoso”.
Relógio d’Água
“Traduções por Inteligência Artificial (IA) Chegam a Portugal sem Se Fazer Anunciar
Neste momento circulam em Portugal, nas livrarias, em feiras do livro ou na companhia de alguns jornais, centenas de milhares de exemplares de clássicos ingleses, franceses, alemães, italianos ou russos traduzidos com recurso a programas de inteligência artificial (IA), do Google Translate ao ChatGPT, passando pelo DeepL.
Isto verifica-se sem qualquer indicação, perante o desconhecimento dos leitores, a indiferença de jornalistas e críticos literários e o alheamento das associações de tradutores ou da SPA. O processo está a provocar uma acentuada regressão editorial com a divulgação de traduções primárias, insípidas, insensíveis a contextos e subtilezas linguísticas, que tendem a sobrepor-se a textos de enorme qualidade elaborados nas últimas décadas por Paulo Quintela, Aníbal Fernandes, Maria Teresa Dias Furtado, João Barrento, Paulo Faria, Sara Seruya, Margarida Periquito, Margarida Vale de Gato, Vasco Graça Moura, António Pescada, Nina Guerra e Filipe Guerra e António Sousa Ribeiro, entre outros.
Tudo indica que um dos principais agentes desta situação seja a Book Cover Editora, que tem publicadas centenas de clássicos de diversas línguas, o mais das vezes com preços de cerca de 5 euros.
À primeira vista trata-se de uma oferenda aos leitores — clássicos a preços acessíveis.
Mas na verdade a Book Cover é uma esfinge com alguns mistérios.
Todos os seus livros, excepto a série de Conan Doyle, são traduzidos por Lúcia Nogueira, a tradutora mais eficiente do planeta. Só em 2023 aparece na ficha técnica como tradutora de dezenas de obras, entre elas Guerra e Paz, com as suas mais de mil páginas, e outros romances volumosos. Nos últimos dois anos e meio terá traduzido cerca de oitenta clássicos, muitos deles extensos, como Os Miseráveis, E Tudo o Vento Levou ou Vinte Mil Léguas Submarinas.
Qualquer editor sabe que mesmo tradutores a tempo inteiro e com larga experiência são incapazes de traduzir mais de 10 a 15 páginas por dia, o que a incansável Lúcia Nogueira parece fazer antes do pequeno-almoço, seja a partir do inglês, do alemão, do italiano, do cirílico russo e em breve talvez do mandarim ou grego antigo.
As fichas técnicas da Book Cover não indicam o título original nem a língua de que se traduz, nem o nome de revisores.
O mundo está cheio de maravilhas e não se pode excluir a possibilidade de Lúcia Nogueira ser um prodígio, uma supersónica poliglota, que, mesmo sem traduzir a tempo inteiro — segundo o LinkedIn, trabalhou na Booktailors e é agora assistente editorial na Porto Editora —, consegue diariamente passar a um português sofrível várias dezenas de páginas de clássicos.
Mas é muitíssimo mais provável que se trate de uma tradutora experimentada em tecnologias de tradução automática, que começaram no Google Translate, evoluindo para a tradução neuronal do DeepL e, mais recentemente, o ChatGPT. Lúcia Nogueira deve limitar-se a fazer uma revisão que corrige alguns dos erros mais graves da tradução automática já mencionados por alguns dos seus leitores e sem que, em geral, possa cotejar o texto com o original. Na verdade, ficam numerosas gralhas, erros ortográficos e gramaticais, confusão de Acordos, termos brasileiros e outras incongruências (ver críticas de leitores da Book Cover Editora no Google ou comparar páginas das traduções de António Pescada ou Nina Guerra e Filipe Guerra de Guerra e Paz com as de Lúcia Nogueira).
Outra hipótese, menos provável por exigir que se escrevam os textos ao computador, é a de que dirija uma equipa de tradutores/revisores que usam o inglês, o que deveria ser referido e individualizado.
Nada há de ilegal nesta actividade. O problema é que infringe regras editoriais elementares, a começar pela indicação das línguas de partida e dos programas de IA utilizados ou dos tradutores implicados. Além disso, a medíocre qualidade dos resultados leva a um retrocesso em relação aos avanços conseguidos desde os anos 60 do século passado, quando foi possível começar a traduzir autores ingleses, alemães e russos, não a partir do francês, mas das línguas originais, tornando acessíveis aos leitores portugueses as subtilezas dos estilos de Shakespeare, Virginia Woolf, Tolstoi, Goethe ou Dostoiévski.
Claro que o recurso às traduções automáticas permite realizar economias. Mas estas não são suficientes para explicar os preços da Book Cover, que recorre também a grandes tiragens, associando-se a alguns jornais. Estes, que são muitas vezes exigentes com as traduções nas suas secções literárias, aceitam tudo o que lhes é oferecido nessas parcerias, feitas em geral através dos seus serviços comerciais e perante a desatenção das direcções editoriais.
Não se pode excluir que alguns tradutores recorram em parte a programas de tradução automática para executarem fases do seu trabalho, o que em qualquer dos casos deverá ser indicado nas fichas técnicas. Mas a ocultação do seu uso como instrumento principal ou quase exclusivo de tradução, que transforma os tradutores em meros revisores, não pode ser ignorada. É, por isso, estranho que críticos de diferentes órgãos de informação não comparem algumas páginas dos livros de que falam com os textos originais, pelo menos nos casos em que conhecem a língua de partida.
O próprio ChatGPT, que se afirma capaz de traduzir Guerra e Paz do russo para português, reconhece a sua incapacidade para elaborar uma obra literária significativa. Algo de semelhante se passa com as traduções dos clássicos, que têm sempre aspectos criativos, estando longe de se resumirem a um jogo de correspondências mais ou menos lineares entre diferentes línguas.
Afinal, os vários programas, do Google Translate ao ChatGPT, apenas podem gerar textos que são o agregado de todos os textos que digerem, indo muitas vezes buscar soluções a tradutores humanos sem que o rasto dessa utilização ou plágio seja controlado.
Francisco Vale”
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Lurdes Andrade

Já tinha ouvido falar sobre isto.
Há que procurar sempre mais informações.
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NewsAvia | Sevenair ganha impugnação do concurso da rota inter-ilhas da Madeira – Governo tem solução de recurso

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O ministro português das Infraestruturas, João Galamba, assegurou neste sábado, dia 24 de junho, que a linha aérea de serviço público entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo, no arquipélago da M…

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Aeroporto de Santa Maria com novas antenas no sistema de aterragem – Jornal Açores 9

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A Navegação Aérea de Portugal (NAV) procedeu à substituição das antenas do ‘Localizer’ e ‘Glide Path’ do ‘ILS’ (sistema de aterragem por instrumentos) da pista 18 do aeroporto de Santa Maria, nos Açores, informou hoje aquela entidade. A obra, orçada em 250 mil euros, “insere-se no compromisso da NAV Portugal em manter o mais alto […]

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NAV Portugal procedeu à substituição das antenas do Localizer e Glide Path do ILS da pista 18 do Aeroporto de Santa Maria.

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🇵🇹 A NAV Portugal procedeu à substituição das antenas do Localizer e Glide Path do ILS da pista 18 do Aeroporto de Santa Maria.
Os trabalhos tiveram início a 29 de maio incluíram a substituição das antenas, estruturas de suporte e cablagem tendo terminado no passado dia 15 de junho com o voo de certificação, essencial para verificar a conformidade do equipamento com os requisitos operacionais.
Para o Administrador da NAV Portugal, Pedro Ângelo, este investimento “assenta numa estratégia de desenvolvimento contínuo que a NAV Portugal empreende desde há vários anos, como podemos constatar com a construção das novas salas de operação de Santa Maria e Lisboa, o novo sistema de gestão de tráfego aéreo TOPSKY em operação há poucos meses na Região de Informação de Voo de Lisboa, o início da substituição do RADAR de Montejunto no próximo mês de julho e a execução do projeto MADWINDS em breve na Madeira”.
Os aeroportos onde operamos contam com os mais modernos sistemas de navegação, como o novo ILS de Santa Maria que agora entra em operação e “na NAV Portugal investimos em tecnologia e inovação para oferecer um serviço de navegação aérea seguro e eficiente”, conclui.
O ILS – Sistema de Aterragem por Instrumentos – é um sistema de auxílio à navegação aérea que utiliza instrumentos de bordo e terrestres para guiar a aeronave durante a fase final da aterragem, fornecendo informações precisas sobre a posição e trajetória da aeronave em relação à pista de aterragem, mesmo em condições meteorológicas desfavoráveis.
🇬🇧 NAV Portugal replaced the Localizer and Glide Path antennas of the ILS on runway 18 at Santa Maria Airport.
The work began on May 29 and included the replacement of the antennas, support structures and cabling, and ended on June 15 with the certification flight, essential to verify the compliance of the equipment with the operational requirements.
According to the NAV Portugal Board Member, Pedro Ângelo, this investment “is based on a strategy of continuous development that NAV Portugal has undertaken for several years, as we can see with the construction of the new Ops Room in Santa Maria and Lisbon, the new TOPSKY air traffic management system that has been in operation for a few months in the Lisbon Flight Information Region, the beginning of the replacement of the RADAR in Montejunto next July and the execution of the MADWINDS project soon in Madeira”.
The airports where we operate have the most modern navigation systems, such as the new ILS of Santa Maria, which now comes into operation and “at NAV Portugal we invest in technology and innovation to offer a safe and efficient air navigation service”, he concludes.
The ILS – Instrument Landing System – is an air navigation aid system that uses on-board and ground instruments to guide the aircraft during the final phase of landing, providing precise information about the aircraft’s position and trajectory in relation to the runway, even in bad weather conditions.
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Luís Botelho and 9 others

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Ana Nogueira Santos Loura

O ILS não é novo. Apenas as antenas e elas foram substituídas não para inovar mas por terem elementos fora de serviço.
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Luís Botelho

Ana Nogueira Santos Loura:- O que quer dizer que a afirmação no comunicado da NAV que diz “do novo ILS que agora entra em operação…”, não corresponde à verdade!?
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Yuval Noah Harari argues that AI has hacked the operating system of human civilisation⁤

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Storytelling computers will change the course of human history, says the historian and philosopher

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Visão | Projeto educativo português Native Scientists vence prémio Novo Bauhaus Europeu

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O projeto educativo Native Scientists, que leva cientistas às comunidades emigrantes e tem sede em Braga, foi hoje o único português a ser galardoado com um prémio Novo Bauhaus Europeu, numa cerimónia que decorreu em Bruxelas

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Traduções por Inteligência Artificial (IA) Chegam a Portugal sem Se Fazer Anunciar

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Neste momento circulam em Portugal, nas livrarias, em feiras do livro ou na companhia de alguns jornais, centenas de milhares de exemplares de clássicos ingleses, franceses, alemães, italianos ou russos traduzidos com recurso a programas de inteligência artificial (IA), do Google Translate ao ChatGPT, passando pelo DeepL.
Isto verifica-se sem qualquer indicação, perante o desconhecimento dos leitores, a indiferença de jornalistas e críticos literários e o alheamento das associações de tradutores ou da SPA. O processo está a provocar uma acentuada regressão editorial com a divulgação de traduções primárias, insípidas, insensíveis a contextos e subtilezas linguísticas, que tendem a sobrepor-se a textos de enorme qualidade elaborados nas últimas décadas por Paulo Quintela, Aníbal Fernandes, Maria Teresa Dias Furtado, João Barrento, Paulo Faria, Sara Seruya, Margarida Periquito, Margarida Vale de Gato, Vasco Graça Moura, António Pescada, Nina Guerra e Filipe Guerra e António Sousa Ribeiro, entre outros.
Tudo indica que um dos principais agentes desta situação seja a Book Cover Editora, que tem publicadas centenas de clássicos de diversas línguas, o mais das vezes com preços de cerca de 5 euros.
À primeira vista trata-se de uma oferenda aos leitores — clássicos a preços acessíveis.
Mas na verdade a Book Cover é uma esfinge com alguns mistérios.
Todos os seus livros, excepto a série de Conan Doyle, são traduzidos por Lúcia Nogueira, a tradutora mais eficiente do planeta. Só em 2023 aparece na ficha técnica como tradutora de dezenas de obras, entre elas Guerra e Paz, com as suas mais de mil páginas, e outros romances volumosos. Nos últimos dois anos e meio terá traduzido cerca de oitenta clássicos, muitos deles extensos, como Os Miseráveis, E Tudo o Vento Levou ou Vinte Mil Léguas Submarinas.
Qualquer editor sabe que mesmo tradutores a tempo inteiro e com larga experiência são incapazes de traduzir mais de 10 a 15 páginas por dia, o que a incansável Lúcia Nogueira parece fazer antes do pequeno-almoço, seja a partir do inglês, do alemão, do italiano, do cirílico russo e em breve talvez do mandarim ou grego antigo.
As fichas técnicas da Book Cover não indicam o título original nem a língua de que se traduz, nem o nome de revisores.
O mundo está cheio de maravilhas e não se pode excluir a possibilidade de Lúcia Nogueira ser um prodígio, uma supersónica poliglota, que, mesmo sem traduzir a tempo inteiro — segundo o LinkedIn, trabalhou na Booktailors e é agora assistente editorial na Porto Editora —, consegue diariamente passar a um português sofrível várias dezenas de páginas de clássicos.
Mas é muitíssimo mais provável que se trate de uma tradutora experimentada em tecnologias de tradução automática, que começaram no Google Translate, evoluindo para a tradução neuronal do DeepL e, mais recentemente, o ChatGPT. Lúcia Nogueira deve limitar-se a fazer uma revisão que corrige alguns dos erros mais graves da tradução automática já mencionados por alguns dos seus leitores e sem que, em geral, possa cotejar o texto com o original. Na verdade, ficam numerosas gralhas, erros ortográficos e gramaticais, confusão de Acordos, termos brasileiros e outras incongruências (ver críticas de leitores da Book Cover Editora no Google ou comparar páginas das traduções de António Pescada ou Nina Guerra e Filipe Guerra de Guerra e Paz com as de Lúcia Nogueira).
Outra hipótese, menos provável por exigir que se escrevam os textos ao computador, é a de que dirija uma equipa de tradutores/revisores que usam o inglês, o que deveria ser referido e individualizado.
Nada há de ilegal nesta actividade. O problema é que infringe regras editoriais elementares, a começar pela indicação das línguas de partida e dos programas de IA utilizados ou dos tradutores implicados. Além disso, a medíocre qualidade dos resultados leva a um retrocesso em relação aos avanços conseguidos desde os anos 60 do século passado, quando foi possível começar a traduzir autores ingleses, alemães e russos, não a partir do francês, mas das línguas originais, tornando acessíveis aos leitores portugueses as subtilezas dos estilos de Shakespeare, Virginia Woolf, Tolstoi, Goethe ou Dostoiévski.
Claro que o recurso às traduções automáticas permite realizar economias. Mas estas não são suficientes para explicar os preços da Book Cover, que recorre também a grandes tiragens, associando-se a alguns jornais. Estes, que são muitas vezes exigentes com as traduções nas suas secções literárias, aceitam tudo o que lhes é oferecido nessas parcerias, feitas em geral através dos seus serviços comerciais e perante a desatenção das direcções editoriais.
Não se pode excluir que alguns tradutores recorram em parte a programas de tradução automática para executarem fases do seu trabalho, o que em qualquer dos casos deverá ser indicado nas fichas técnicas. Mas a ocultação do seu uso como instrumento principal ou quase exclusivo de tradução, que transforma os tradutores em meros revisores, não pode ser ignorada. É, por isso, estranho que críticos de diferentes órgãos de informação não comparem algumas páginas dos livros de que falam com os textos originais, pelo menos nos casos em que conhecem a língua de partida.
O próprio ChatGPT, que se afirma capaz de traduzir Guerra e Paz do russo para português, reconhece a sua incapacidade para elaborar uma obra literária significativa. Algo de semelhante se passa com as traduções dos clássicos, que têm sempre aspectos criativos, estando longe de se resumirem a um jogo de correspondências mais ou menos lineares entre diferentes línguas.
Afinal, os vários programas, do Google Translate ao ChatGPT, apenas podem gerar textos que são o agregado de todos os textos que digerem, indo muitas vezes buscar soluções a tradutores humanos sem que o rasto dessa utilização ou plágio seja controlado.
Francisco Vale