É verdade, eu sou testemunha como uma das moradoras desta bem falada zona de Ponta Delgada, por mais que uma vez já tive de saber onde ponha os pés, à porta do meu prédio, para entrar em casa porque lá estava a dormir um individuo do sexo masculino, com um cobertor por cima que eu nem sabia onde era a cabeça dele ou os pés. A bloquear a entrada da porta.
E todos os dias penso que pior estão as pessoas que moram à frente aquela instituição que fica na Rua Domingos Pintor, porque essas sim deixaram de ter acesso à suas portas, deixaram de ter paz e silêncio, porque os pequenos passeios passaram a ser cama e mesa, sala de estar e de chuto!, etc, onde o barulho e as zaragatas são constantes e a toda a hora do dia ou da noite, que o diga a polícia que de pouco a pouco é chamada ao local. É apenas triste. Não por eles, porque eles fizeram a escolha deles, a mais fácil, porque a vida de nós todos apresenta-nos tristezas e desafios todos os dias e nem toda a gente se entrega às drogas. Triste é quem se esforçou para ter uma casinha em condições, com o trabalho do suor do seu rosto e depois tem de viver com as más escolhas dos outros e passar a estar exposto a uma realidade com esta, que desnorteia as nossas crianças, sem nós sabermos o que lhes explicar ao certo, e a nós também, sem alternativa aparente. É isto! Uma tristeza…