Questões de pouco dinheiro José Gabriel Ávila

Views: 1

Questões de pouco dinheiro
Nestas pacatas terras ocidentais onde a emigração fez mossa profunda e abalroou a pirâmide etária, sente-se, duramente, os efeitos da automação e da inteligência artificial (IA).
Aos poucos, o cidadão da ultraperiferia insular, nomeadamente os idosos, é confrontado com decisões ditadas por centros de decisão, cujo principal objetivo é apenas o lucro e o efémero ganho de produtividade, prejudicando quem alimenta, com as suas parcas poupanças o gigantesco sistema financeiro.
Ainda me recordo do serviço do prospetor bancário que diariamente calcorreava ruas e canadas, indo de casa em casa, de mercearia em mercearia, de oficina em oficina, resgatando do colchão, o muito ou o pouco que se apurava das atividades agrícola, comercial e industrial e oferecendo empréstimos a quem deles carecesse. Quantos postos de trabalho, com remunerações acima da média, foram criados pela banca. Com a entrada dos sistemas informáticos e a privatização da banca operou-se uma revolução silenciosa: as instituições financeiras aumentaram, assistiu-se a uma guerra pelo lucro desenfreado dos accionistas, largamente publicitado pelos meios de comunicação social, como se de um milagre se tratasse…
Nesse sistema desumanizado em que muitos, criminosamente se serviram sem castigo, milhares de portugueses perderam poupanças. A justiça, porém, tarda em decidir restituir-lhes os proventos e não atende aos anos de vida e aos penosos e irrecuperáveis tormentos. E sempre em proveito de figuras gradas e intocáveis da sociedade.
Razão tinha o célebre escritor norte-americano Mark Twain, ao afirmar que “Um banqueiro é um homem que te empresta o chapéu-de-chuva quando faz sol e que to tira quando começa a chover.”
A introdução do dinheiro de plástico no sistema bancário foi consequência da evolução da informatização. Aos poucos, os balcões foram encerrando e o pessoal diminuindo. O que antes era uma profissão de salário médio-alto passou a ser um emprego sujeito a impiedosas exigências. De tal modo que um conceituado diretor do então BCA me confessava: “Na Graciosa temos a maioria dos clientes. Mas a administração do banco ainda quer aumentar os objetivos. Só se fomos desenterrar os mortos…”
As zonas rurais e periféricas, eventualmente, onde havia maiores poupanças, foram as mais prejudicadas.
Aqui na Ponta da Ilha existiram duas agências bancárias. Nas Lajes do Pico, sede do concelho, quatro e com vários funcionários.
Presentemente, na Piedade, restam duas caixas de multibanco; a Ribeirinha tem uma e a Calheta de Nesquim outra. Frequentemente essas ATM não disponibilizam dinheiro, que é poupança dos depositantes, que pagam comissões mensais e que serve para empréstimos e ganhos avultadíssimos.
Só para recordar, o ano passado os cinco maiores bancos portugueses tiveram lucros agregados de quase 5 milhões de euros – um valor record . À conta da Caixa Geral de Depósitos-banco público – foram registados 1.735 milhões de euros, 461 milhões só em comissões.
Cabe à CGD, segundo apurei, por acordo com o Banco de Portugal, distribuir pelo arquipélago a massa monetária para o normal funcionamento da economia e das ATM.
Por razões, alegadamente de segurança, esse serviço é deficiente.
Faltam funcionários para atender os clientes (nas Lajes do Pico, existe apenas 1) e a CGD recorre, normalmente, aos depósitos efetuados diretamente pelos clientes nos equipamentos das suas agências, o que é manifestamente pouco, dado o aumento de visitantes e à massa monetária em circulação.
Bem dizia o célebre economista canadiano John Kenneth Galbraith: A maneira como os bancos ganham dinheiro é tão simples que é repugnante.”
A situação é manifestamente preocupante. Cabe aos responsáveis governamentais, em defesa das populações, tudo fazerem junto das entidades bancárias para inverter este estado de coisas.
Não é lavando as mãos ou fingindo desconhecer o problema que os governantes se credibilizam e justificam a Autonomia e o sistema de Governo próprio.
2.Bons serviços têm prestado às populações as lojas do RIAC espalhadas pelas ilhas. Os funcionários são acolhedores, simpáticos e competentes, embora desempenhando múltiplas funções. Uma delas relacionava-se com os reembolsos da ADSE.
Fui, entretanto, informado que esse serviço cessou, sem que os interessados fossem prevenidos.
Atendendo a que muitos associados não possuem literacia informática, nem equipamentos que lhes permitam entregar digitalmente a documentação deveria o Governo Regional ter acautelado essas situações e dificuldades. Mesmo que haja razões de outra ordem, nomeadamente financeiras.
Se os Governos autónomos não mantiverem os serviços prestados às populações, sobretudo as mais idosas, não traz qualquer vantagem a Administração dos Açores.
A política do “não é connosco” ou do “não temos nada pr’aí “ é um argumento reprovável, sobretudo quando está em causa uma população envelhecida, sem suficiente entendimento sobre as alterações que a sociedade da informação e a inteligência artificial estão a impor ao mundo.
Que os atuais responsáveis pelos destinos da população açoriana entendam que lhes compete atenuar as necessidades e resolver os problemas para que se construa uma sociedade inclusiva, seja onde for.
Engrade, Piedade, 11/09/2025
José Gabriel Ávila
Jornalista c.p 239 A
May be an image of money and text

Discurso de Trump em português é falso; foi feito com IA

Views: 0

Foi criado por Inteligência Artificial um discurso em português do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que ele supostamente menciona o dia da Independência do Brasil e faz uma série de críticas a Alexandre de Moraes.Trump não fala português

Source: Discurso de Trump em português é falso; foi feito com IA

O governante de Timor-Leste que manda no Hotel A e as atividades ilícitas descobertas pela ONU: há corrupção, jogo ilegal e redes criminosas

Views: 0

A mais recente investigação do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lança um alerta sobre a entrada e disseminação de redes criminosas em Timor-Leste, particularmente no enclave de Oecussi. O relatório identifica alegadas ligações entre autoridades governamentais, hotéis e empresas envolvidas em atividades ilícitas, levantando sérias preocupações sobre corrupção, segurança digital e operações de jogo online

Source: O governante de Timor-Leste que manda no Hotel A e as atividades ilícitas descobertas pela ONU: há corrupção, jogo ilegal e redes criminosas

Festival Tremor E Arquipélago Abrem Convocatória Para Formação E Criação Artística Nos Açores – Correio Dos Açores

Views: 1

O Festival Tremor e Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas anunciaram que voltam a unir forças para lançar a edição 2025/2026 do Ciclo, um programa de

Source: Festival Tremor E Arquipélago Abrem Convocatória Para Formação E Criação Artística Nos Açores – Correio Dos Açores

A escritora Teolinda Gersão é a vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela APE

Views: 1

Rádio Renascença
A escritora Teolinda Gersão é a vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela APE – DGLAB, com o romance “Autobiografia Não Escrita de Martha Freud”, anunciou a Associação Portuguesa de Escritores (APE). A decisão do júri foi tomada por unanimidade.
Na ata de fundamentação da escolha, o júri considera que “além de enaltecer a importância cultural da memória, o romance é o magnífico retrato psicológico de uma mulher que acaba por impugnar o poder patriarcal que a silenciou e oprimiu durante várias décadas. Um poder discriminatório que perdura e prevalece na sociedade atual”.

Melhores trilhos curtos em Lomba da Maia | AllTrails

Views: 1

Explore os trilhos curto mais populares perto de Lomba da Maia, com mapas melhorados à mão dos trilhos e orientações de condução, bem como avaliações e fotos detalhadas de caminhantes, campistas e amantes da natureza como você.

Source: Melhores trilhos curtos em Lomba da Maia | AllTrails

Açores sem guias de montanha suficientes para fazer face à procura do turismo – jornalacores9.pt

Views: 0

Os Açores estão sem guias suficientes para fazer face à procura de visitação da montanha do Pico, que registou em 2024 um aumento de 18%, disse à Lusa fonte da Secretaria Regional do Ambiente. Os dados recolhidos desde 2022 – momento a partir do qual a gestão da Casa da Montanha, no Pico, transitou para […]

Source: Açores sem guias de montanha suficientes para fazer face à procura do turismo – jornalacores9.pt

TENHAM MEDO DAS EMPRESAS PÚBLICAS

Views: 1

Tenham medo…May be an image of 1 person
TENHAM MEDO DAS EMPRESAS PÚBLICAS
O trágico acidente com o funicular da Glória, em Lisboa, trouxe à evidência a tradicional gestão desadequada e obsoleta com que as empresas públicas encaram a segurança das suas infraestruturas.
Não temos uma cultura de prevenção, pelo contrário, cultivamos muito o facilitismo e o desenrascanço à portuguesa.
Muitas vezes nem é culpa dos gestores, mas do próprio Estado que não disponibiliza ou negligencia os recursos necessários para um bom desempenho.
Nos Açores são conhecidas as dificuldades que as empresas públicas enfrentam para um desempenho cabal e com qualidades da sua missão, sobretudo nos tempos que correm, com os cofres da administração regional praticamente vazios.
O sector empresarial público regional é conhecido pela facilidade com que recruta e nomeia clientela política, enxameado de gente do partido no poder, descurando o investimento em equipamentos e outros recursos que contribuem para um melhor serviço público.
Ainda agora tive a possibilidade de verificar, por exemplo, a permanente falta de manutenção de gruas em vários portos de pesca das nossas ilhas, alguns enferrujados e a precisar de substituição.
Os pescadores que utilizam estes equipamentos estão sempre com o credo na boca e, em caso de avarias, como acontece regularmente, os horários dos técnicos da Lotaçor não coincidem com a labuta dos pescadores, sobretudo aos fins de semana.
Aliás, a Lotaçor deve ser a única empresa do mundo que não adequa os seus horários aos dos pescadores, como até os obrigam a não pescar devido à sobrelotação da armazenagem em frio.
Há, até, esta situação caricata, que é obrigar os pescadores a capturarem Bonito apenas de dois em dois dias!
É como se o governo decidisse que os açorianos só poderiam trabalhar de dois em dois dias, com a consequente quebra de rendimento, porque não tem capacidade para guardar tanta produção e riqueza.
Onde já se viu um país ou uma região travarem a criação de riqueza?
As negligências e incompetências em gestão pública nunca têm consequências.
Lembram-se da gestão ruinosa na SATA com a contratação de aviões desadequados, como o “cachalote”?
Lembram-se do cabeço de amarração enferrujado do molhe do porto de S. Roque do Pico, que provocou uma vítima mortal, em 2014, com a Portos dos Açores a lavar as mãos do problema?
E o recente incêndio no HDES, que poderia ser evitado se os equipamentos fossem outros?
Há infraestruturas críticas que necessitam de uma atenção redobrada por parte da gestão pública, mas não é o que se vê.
Em gestão pública a responsabilidade morre sempre solteira, não faltando exemplos de má gestão com reflexos ruinosos para o orçamento público e a algibeira do contribuinte.
Lembram-se do negócio da Sinaga?
Lembram-se da Saudaçor?
Sabem o que faz uma empresa pública chamada Ilhas de Valor?
Sabem quantos Observatórios existem na Região, o que fazem e quantas pessoas empregam?
Sabem que o actual governo quer criar mais Observatórios?
E quantos milhões custam à Região empresas públicas inúteis?
Só na Saudaçor o calote foi mais de 800 milhões de euros.
Até a EDA, que dá lucro, distribui os dividendos pelos accionistas, mas logo a seguir vai à banca contrair dívida para investimentos. O passivo já roça os 400 milhões!
Se juntarmos o passivo das empresas do Grupo SATA (Holding 200 milhões de dívida, Azores Airlines 223 milhões e Air Açores 55 milhões), Portos dos Açores (149 milhões), Lotaçor (21 milhões), Ilhas de Valor (9,9 milhões) e Atlanticoline (2,9 milhões), tudo somado já anda à roda dos mil milhões em dívidas.
Some-se a todo este descalabro as dívidas das empresas municipais, pois também proliferam como cogumelos, e temos uma tempestade perfeita.
Noutra dimensão, como ainda questionava há poucos dias o Diário Insular, para que servem um Atlantic Center e um Air Center, que nem tão pouco têm sede nos Açores?
Qualquer dia também vamos criar uma empresa pública para gerir os 17 milhões de euros com que vai custar a penosa Assembleia Regional este ano.
Haja alguém com coragem para pôr ordem na casa.
****
GESTÃO BUROCRÁTICA – Há gente na administração regional que só serve para complicar.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande (declaração de interesses: sou sócio) resolveu ajudar o excelente Festival Azores Burning Summer, na belíssima Praia dos Moinhos, transportando pessoas nas viaturas dos doentes não urgentes, com pagamento por parte da organização.
Uma iniciativa de louvar, à semelhança de outras para recolha de recursos financeiros, já que a administração regional é incapaz de financiar todas as associações de bombeiros da Região.
Mas eis que surgem os burocratas públicos: “Ai que isto é contra a lei”!
A Protecção Civil deu-se ao ridículo de se insurgir contra este tipo de angariação de fundos, argumentando com uma lei absurda e obtusa, contra a qual – aqui sim – devia levantar a voz resmungona.
Esta Região está recheada de burocratas da treta.
****
GESTÃO POR INACÇÃO – Aqui vai outro exemplo recente da má gestão pública da nossa administração regional.
A Escola do Mar e o Governo dos Açores prometeram, por mais de uma vez, recuperar a velha e saudosa “Espalamaca” da ilha do Pico e pô-la a navegar.
É uma aspiração de vários anos, a que se dedicou de alma e coração a Associação dos Amigos do Canal, conseguindo fazer a recuperação possível, com um investimento de mais de 100 mil euros.
A Associação denunciou agora que, da parte do Governo dos Açores, nada foi feito e não deram os recursos necessários à Escola do Mar para completar a recuperação da “Espalamaca”, doada à Direcção Regional da Cultura (outra vez ela), que nunca actualizou o seu registo na Capitania da Horta, nem estabeleceu a sua categoria de navegação.
A “Espalamaca” jaz nos estaleiros da Madalena, em mais uma franca degradação, tendo como companhia fúnebre um contentor com os dois motores generosamente oferecidos.
É assim que a nossa administração pública regional gere o nosso Património.
– ****
GESTÃO FUNESTA – Não é só na gestão pública que os partidos políticos nos surpreendem.
Na sua própria gestão de nomeações e candidatos a lugares, não param de nos surpreender.
O Chega, que se diz diferente dos outros, também já aprendeu a “importar” listas completas de candidatos da metrópole para as autárquicas dos Açores.
Não faltam exemplos, mas veja-se esta pérola, que transcrevo do “Jornal do Pico” desta semana: “O Jornal do Pico também pretendia entrevistar a candidata do Chega à Câmara Municipal de S. Roque, tal como fez com os outros candidatos, mas a Mandatária Regional do Partido, Olivéria Santos, disse, em conversa telefónica, que a mesma não se sentia à vontade para tal. Assim sendo, a Assessora de Imprensa do Chega remeteu a fotografia da candidata, Lúcia Alpalhão, bem como a seguinte informação sobre a mesma: Lúcia do Carmo de Jesus Alpalhão, tem 42 anos e é Assistente Funerária”.
Escondem que é da Amadora.
Fica a sete palmos e meio de S. Roque do Pico.
Osvaldo Cabral
Setembro 2025
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)