mais atual que nunca 1966 Saramago a J R Miguéis

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O ambiente literário português visto por Saramago, em 1966.
Mudou alguma coisa?
«Deixe lá os nossos intelectuais: tirante morder, o mais que fazem, o futuro julgará, e esta porca sociedade do elogio mútuo ou este permanente ajuste de contas de gangs rivais, não merecem mais do que desprezo. Neste triste país, o sage é o homem calado que não quer conhecer ninguém nem quer que o conheçam. Há dias fui ao jantar da entrega do prémio à Isabel da Nóbrega: é de morrer. Tanta impostura, tanta falsidade, tanto esforço para parecer mais inteligente do que o vizinho, e sobretudo mais célebre. E tudo isto sob a capa da modéstia jesuítica, uma capa cheia de buracos de orgulho e inveja. E esta gente é a nata, e esta gente conduz, orienta, dá entrevistas, pontifica, tem opiniões acerca de tudo e de coisa nenhuma. E todos, seja qual for a cor da epiderme, têm um lema- «Hors de l’église (notre église) pas de salut!» E com medo de não nos salvarmos, lá vamos para a sombra do campanário que mais sólido parece, mas sempre com o olho no campanário do vizinho não vá acontecer que a salvação não esteja afinal onde a supúnhamos. Há excepções, claro, há gente digna, sem dúvida, mas a balbúrdia não deixa que as suas vozes se oiçam, e quando através da confusão, do burburinho, se ouve uma voz honesta, responsável, logo a irmandade se faz, logo os campanários afinam os rebates – e enquanto o intruso não se cala, justos céus, é ver quem mais bate.»
Carta de 20 de Março de 1966 para José Rodrigues Miguéis

Pedro Homem de Mello

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Pedro Homem de Mello
Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello nasceu no Porto a 6 de setembro de 1904, foi um poeta e professor português.
Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o Prémio Nacional de Poesia (1973). A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas (1983). Foi ainda um estudioso do folclore nacional, tendo escrito A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal.
Faleceu no Porto a 5 de março de 1984.
Povo
Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!
Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia…
Mas a tua vida, não!
Fui ter à mesa redonda,
Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão…
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida, não!
Procissões de praia e monte,
Areais, píncaros, passos
Atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços…
Mas a tua vida, não!
Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama…
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las…
Mas a tua vida, não!
Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio…
Vi certa curva em teu seio…
Mas a tua vida, não!
Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão…
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida, não!
Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado,
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!
Pedro Homem de Mello, in “Miserere”
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Morreu a economista Teodora Cardoso

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ECONOMIA

Morreu a economista Teodora Cardoso

Morreu a economista Teodora Cardoso
Tiago Miranda

A economista e primeira presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, morreu este sábado em Lisboa aos 81 anos

A economista e primeira presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, morreu este sábado em Lisboa aos 81 anos, disse à Lusa fonte do Banco de Portugal.

Nascida em Estremoz, licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Teodora Cardoso desenvolveu grande parte da sua carreira no Banco de Portugal, encontrando-se reformada atualmente.

Foi economista do banco central durante quase duas décadas, chefiou o Departamento de Estatísticas e Estudos Económicos, foi consultora da administração e administradora entre 2008 e 2012.

Entre março de 1973 e setembro de 1992 esteve no Departamento de Estatística e Estudos Económicos, com funções de coordenadora do núcleo de Economia Monetária, Diretora de Departamento e Consultora da Administração.

Além disso, participou em vários projetos do banco central, nomeadamente na elaboração da Lei Orgânica do Banco de Portugal (1975) e na reformulação geral das estatísticas monetárias (1976/1977).

Esteve envolvida na negociação dos acordos de estabilização com o Fundo Monetário Internacional (1984/1985) e representou o Banco de Portugal no Sub-Comité de Política Monetária do Comité de Governadores da Comunidade Europeia, de 1990 a 1992.

Em 1992, passou a trabalhar para o Banco Português de Investimento, onde foi consultora da administração até 2008, segundo a biografia patente na página do Conselho de Finanças Públicas, organismo que nasceu na sequência do programa de ajustamento financeiro, e a que presidiu entre 2012 e 2019.

Foi substituída pela professora universitária Nazaré Costa.

Luís Aguiar-Conraria

Morreu Teodora Cardoso. Uma das grandes da nossa profissão, que, com o meu pai, traduziu a Riqueza das Nações de Adam Smith.
Era impossível ter encontrado melhor pessoa para ser a primeira líder do Conselho de Finanças Públicas, que tão importante se tem revelado.
EXPRESSO.PT
Morreu economista Teodora Cardoso

Após 142 anos, família Lello perde controlo da “mais bela livraria do mundo” 

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Após 142 anos da sua fundação, a histórica livraria portuense deixa de pertencer à família Lello. Os sócios Avelino e Aurora Pedro Pinto compraram a quota que estava na posse de José Manuel Lello. Esta informação é tornada pública poucos dias depois de se saber que a Livraria Lello foi eleita como “A Livraria Mais Bonita do Mundo”, pela plataforma mundial One Thousand Libraries (1000 Libraries), a maior comunidade online de fãs de bibliotecas e livrarias do mundo.

Source: Após 142 anos, família Lello perde controlo da “mais bela livraria do mundo” 

A Terra “entortou”. O que terá inclinado o planeta 80 centímetros para Este em 17 anos?

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A Terra entortou, ou melhor dizendo, inclinou e continuará a inclinar. O que terá inclinado o planeta 80 centímetros para Este em 17 anos?

Source: A Terra “entortou”. O que terá inclinado o planeta 80 centímetros para Este em 17 anos?