profissionais de saúde em timor

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Timor-Leste introduz novos critérios para controlo de profissionais de saúde estrangeiros
Díli, 20 jun 2023 (Lusa) – O Governo timorense alterou os requisitos para registo de profissionais de saúde estrangeiros, incluindo em alguns casos a exigência de reciprocidade aos seus países de origem, no que considera ser um esforço de controlo do exercício da profissão.
A mudança foi introduzida nas alterações aprovadas em dezembro ao decreto-lei sobre o exercício das profissões de saúde, que introduz, entre outros aspetos, o novo requisito de reciprocidade a qualquer profissional de saúde que queira trabalhar em Timor-Leste.
Em concreto, a alteração refere que o registo para exercício autónomo da profissão é emitido “ao profissional estrangeiro que está inscrito ou registado no país de origem ou de proveniência, como profissional habilitado a exercer a profissão, cujo exercício é requerido, desde que exista reciprocidade de tratamento do país de origem do interessado em relação a nacionais da República Democrática de Timor-Leste”.
Atualmente Timor-Leste não tem qualquer acordo de reciprocidade nesta matéria, dadas as carências locais na formação de profissionais e o facto de que ainda nem sequer foram criadas as respetivas ordens profissionais.
Fontes oficiais do Ministério da Saúde, da Presidência do Conselho de Ministros e do gabinete do primeiro-ministro confirmaram à Lusa que a exigência de reciprocidade não estava incluída na versão inicial do diploma, explicando que faz parte de mecanismos reforçados de “controlo e salvaguarda”.
A questão da reciprocidade, um princípio do direito internacional, foi incluída em sede de reunião técnica entre os vários departamentos governamentais, confirmaram as várias fontes ouvidas pela Lusa.
No entanto, as fontes oficiais da PCM e do gabinete do PM explicaram à Lusa que mais do que introduzir obstáculos ao registo, as mudanças pretendem, entre outros aspetos, responder ao “pequeno descontrolo na atividade médica” no país.
O próprio preambulo do diploma, recordam, explica que pode haver restrições em profissões, com as da área da saúde, “que por razões de tutela do interesse público que prosseguem, devem estar sujeitas a um controlo quanto ao acesso, ao seu exercício, a normas técnicas e deontológicas próprias, bem como sujeitas a um regime disciplinar autónomo”.
Entre as novidades, notam, o novo procedimento distingue entre o registo provisório e o registo autónomo da profissão, obrigando a um estágio e exame no caso do primeiro e à entrega de documentação comprovativa de formação e experiência, no segundo.
“Podem ser dispensados da realização de estágio profissional e/ou da realização do exame, aqueles a quem seja reconhecida experiência profissional relevante demonstrativa do nível de conhecimentos teórico-práticos que o habilite ao exercício autónomo da profissão”, refere um dos novos artigos introduzidos no diploma.
Até aqui, notam as fontes ouvidas pela Lusa, bastava qualquer pessoa de qualquer país apresentar um título de médico para ser reconhecido como médico, “mesmo que esse título tivesse sido obtido em países onde nem sequer são cumpridos os padrões mínimos exigidos em Timor-Leste” para exercer a profissão.
“Na prática não sabemos se médicos estrangeiros preenchem todas as condições necessárias. Introduzir este processo administrativo interno de reconhecimento do profissional de saúde permite maior controlo”, disse uma das fontes ouvidas pela Lusa.
Na prática, enfatizam, mais do que a nacionalidade do profissional de saúde está em causa a ‘nacionalidade’ do título obtido, sendo que o novo regime, por exemplo, representa também a mais recente evolução no prazo de validade dos registos como profissionais em Timor-Leste.
Na versão inicial do diploma, que data de 2004, o registo dos profissionais era indefinido o que, por exemplo, poderia não permitir detetar eventuais casos de profissionais que fossem alvo de ações disciplinares, aplicadas já depois do registo em Timor-Leste nos países onde os títulos são emitidos.
O diploma determina, na sua mais recente versão, que “o registo do profissional de saúde tem a validade de cinco anos para profissionais de saúde, cujo título seja atribuído pela entidade nacional legalmente competente para o efeito e de um ano nas restantes situações”.
As provisões da nova versão do diploma, notam ainda, antecipam que as novas regras se apliquem a novos registos e que os que já estejam registados à data da entrada do diploma, 01 de janeiro, tenham apenas que cumprir os critérios de renovação de registo.
ASP // JMC
Lusa/Fim
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Nuno Costa Santos. Leitura simplesmente imperdível! Como Um Marinheiro Eu Partirei Uma viagem com Jacques Brel

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Em tempo de Literatura (Ficção e História), esta semana na minha página “Leituras do Atlântico” este belo livro de Nuno Costa Santos. Leitura simplesmente imperdível!
Como Um Marinheiro Eu Partirei
Uma viagem com Jacques Brel
Lê-se com sabor a um gin do Peter Café Sport “entre bandeiras e mensagens de todo o mundo”. Nuno Costa Santos, que conheço de outros livros e de outras, muitas outras, tarefas literárias, por esses Açores abaixo e por esse país fora, aqui surge-me como autor de um dos mais belos livros que li nos últimos tempos. Romance a duas vozes, num encadeamento fascinante de tempo e de personagens, este “Como um marinheiro eu partirei” é muito mais que “uma viagem com Jacques Brel”. É um monumento de memórias que firmam o universalismo de um artista e nos fazem mergulhar em mistérios de vida nos seus múltiplos palcos de encontros e desencontros, ilusões e frustrações, fugas e chegadas, mas sempre com uma cortina de açorianidade que Nuno Costa Santos derrama no leitor e que nos penetra como quem ouve a música ou lê os poemas de Brel.
Recordo-me de, neste “Atlântico Expresso”, há duas décadas ou mais, termos tido durante muito tempo uma rubrica semanal intitulada, “Espelho a Dois”… O mesmo tema visto por duas pessoas distintas. E foi deste “Espelho a Dois” que me lembrei muitas vezes, em diversas passagens deste belo livro, apenas centena e meia de páginas, com chancela Penguim Random House(Grupo Editorial).
Porque em todo este livro há Brel na biografia e na ficção, há Horta real, mística e mítica, de iates, luzes e sombras, angras e varadouros, nomes ressuscitados, diálogos inesperados e almas desnudadas. A de Brel e a de Nuno Costa Santos.
Cada capítulo é um quadro que nos transporta às mais recônditas angústias e questões. Recordo aqui aquele “Diálogo com o Vulcão”, ou o “Brevíssimo interlúdio sobre o medo”: Maravilhoso quando escreve: “um insone é uma ilha que não desliga as luzes à noite. Que tem sempre um farol aceso, um farol que não se apaga, por mais que o faroleiro mereça descanso. O farol faz incidir a luz sobre o medo. O medo de ser um marinheiro que não aceita a dor de ter partido”… E como cabe bem aqui a frase-chave, emblemática e mítica deste romance: “Um homem fuma um cigarro à proa de um iate, concentrado no som do mar e ocorre-lhe uma imagem como um salto de cachalote”.
Formidável a forma como nos explica os meandros deste livro. Sérgio Paixão, (a quem dedica esta soberba obra literária)… e o desvendar de tantos pormenores sobre Brel… E sobre a Horta para onde viajou, durante a investigação… “Conheci o Sérgio. O seu modo simples, directo, fraterno de ser, O seu olhar luzente sempre à beira da comoção”…
E depois, depois quedei-me na forma cheia de ternura como nos conta a História do Peter Café Sport, o mágico “território de amparo e camaradagem entre nacionalidades”… e de como de Azevedo ele passou a Peter, por arte e graça de um oficial inglês do RMS Lusitânia II, da Royal Navy”
A mim, como leitor, Nuno Costa Santos marca-me na surpresa e na grandeza das comparações e extrapolações, mesmo nas mais contrastantes situações (pag 45): “Olha para cima, e perante a beleza do céu, chega-lhe a memória de Deus.
O Deus que foi matando ao longo dos anos à medida que foi crescendo a sua revolta contra o “idealismo beato” da sua juventude.
O Deus da caridade que liquidou em debates nocturnos, depois dos espectáculos com o patrocínio de Jojo.
O Deus que o deixou no bueiro durante as suas sucessivas audições falhadas feitas no inverno de 1953-1954”.
Sem querer revelar nada do conteúdo deste livro – esta tarefa pertence e é dom sagrado do leitor – atrevo-me a dizer que aquele capítulo “O concerto” – (pgs 127-133) com aquele recorte do saudoso “o Telégrafo” ‘Jacques Brell está na Horta’, é das coisas mais comoventes que li nos últimos tempos…
Nuno Costa Santos encarna de forma soberba aqueles momentos reais do concerto em pleno Peter – “está ali um tipo que é capaz de ser um momento histórico para o Peter..”
E Brel – era 1974 – fugido dos palcos, pediu uma viola e cantou…
A forma como esta cena é descrita no romance, só ela já vale a leitura deste “Como um Marinheiro Eu Partirei”.
Nuno Costa Santos não precisa de qualquer apresentação. E muito menos de adjectivação no seu já longo e profícuo trabalho e eu seria a última pessoa capaz de o fazer, por me faltar voz e autoridade. Mas deixo aqui, o breve apontamento biográfico que acompanha esta edição: “É escritor e argumentista. Tem trabalhado em vários géneros. Autor de livros como “Céu Nublado com Boas Abertas” (romance) “Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco” (biografia), “A Mais Absurda das Religiões” (crónica) e de peças de teatro como “Mundo Distante”, “I Don´t Belong Here” e “Em Mudanças”.
No audiovisual, fez parte da equipa de programas como “ Zapping”, “Os Contemporâneos”, “Mal Amanhados — Os Novos Corsários das Ilhas”, a que aqui fizemos referência em “Leituras do Atlântico”.
A personagem melancómico que criou e protagoniza, teve diversas consagrações — do livro à rádio.
Assina colaborações em diferentes jornais e revistas e integra o painel do programa Novo Normal.
É dos fundadores da produtora Alga Viva, com sede nos Açores, dirige a revista literária Grotta e o Encontro Arquipélago de Escritores e também dirigiu a revista transeatlântico, da Companhia das Ilhas, da Ilha do Pico.
Em vários títulos e espaços culturais, este “Como um Marinheiro Eu partirei” tem recebido as mais entusiásticas críticas, mas tenho a certeza que o juízo que cada leitor dele possa fazer será a melhor referência e a mais desejada para o seu autor.
Creio que aquilo que Telmo Nunes, outro dos nossos escritores de mérito, escreveu no “Diário dos Açores” do passado dia 8 de Junho, sintetiza bem aquilo que sinto sobre esta obra: “Este é um livro de exceção, que merece ser amplamente lido pelas mais variadas geografias, mas particularmente nos Açores e pelos açorianos, já que é narrado um bom naco da sua história que, possivelmente, será desconhecido da maior parte das pessoas. Ademais, representa uma viagem emocionante que resulta de uma forma de estar e de “viver perigosamente”. É preciso ir ler, “é preciso ir ver”.
Desabafei com Nuno Costa Santos a minha falta de coragem para escrever sobre este livro… E perguntei-lhe: Que diria Jacques Brel se o lesse?
Ganhei coragem para escrever, mas a pergunta continua aqui: “Que diria Brel?”… Sem resposta, mas com este grande abraço para Nuno Costa Santos, grato por mais este belo marco literário!
Santos Narciso
Foto: Luís Monte, na apresentação do livro em Ponta Delgada
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Paula Cabral

Identifico-me inteiramente com a sua leitura, Sr. Santos Narciso, e ainda estou a começar a ler. É uma obra em que, na “sinestesia” entre vozes, também podemos encontrar a nossa. Soberba apresentação de um livro também soberbo! Abraço.
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Escritor e jornalista Altino do Tojal homenageado em Braga – O Vilaverdense⁤

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O autor da colectânea de contos “Os Putos”, Altino do Tojal (1939-2018), vai ser alvo de uma conferência de homenagem na próxima quinta-feira, dia 22, às 18h00, na Biblioteca Pública de Braga (BPB)…

Source: Escritor e jornalista Altino do Tojal homenageado em Braga – O Vilaverdense⁤

Agressões dentro de avião deixam casal detido em Ponta Delgada – Açoriano Oriental

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Avião aterrou de emergência em Ponta Delgada após agressões entre passageiros, cujo motivo terá sido uma discussão sobre a Guerra na Ucrânia

Source: Agressões dentro de avião deixam casal detido em Ponta Delgada – Açoriano Oriental

Conselho de Ilha alerta que saúde é “calcanhar de Aquiles” das Flores nos Açores – Açoriano Oriental⁤

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O presidente do Conselho de Ilha considerou a saúde como o “calcanhar de Aquiles” das Flores, uma vez que a falta de cuidados de saúde leva a que “muita gente” abandone a ilha açoriana.

Source: Conselho de Ilha alerta que saúde é “calcanhar de Aquiles” das Flores nos Açores – Açoriano Oriental⁤

TRADUÇÕES A GRANEL POR IA SEM CITAR…

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Traduções por Inteligência Artificial (IA) Chegam a Portugal sem Se Fazer Anunciar
Neste momento circulam em Portugal, nas livrarias, em feiras do livro ou na companhia de alguns jornais, centenas de milhares de exemplares de clássicos ingleses, franceses, alemães, italianos ou russos traduzidos com recurso a programas de inteligência artificial (IA), do Google Translate ao ChatGPT, passando pelo DeepL.
Isto verifica-se sem qualquer indicação, perante o desconhecimento dos leitores, a indiferença de jornalistas e críticos literários e o alheamento das associações de tradutores ou da SPA. O processo está a provocar uma acentuada regressão editorial com a divulgação de traduções primárias, insípidas, insensíveis a contextos e subtilezas linguísticas, que tendem a sobrepor-se a textos de enorme qualidade elaborados nas últimas décadas por Paulo Quintela, Aníbal Fernandes, Maria Teresa Dias Furtado, João Barrento, Paulo Faria, Sara Seruya, Margarida Periquito, Margarida Vale de Gato, Vasco Graça Moura, António Pescada, Nina Guerra e Filipe Guerra e António Sousa Ribeiro, entre outros.
Tudo indica que um dos principais agentes desta situação seja a Book Cover Editora, que tem publicadas centenas de clássicos de diversas línguas, o mais das vezes com preços de cerca de 5 euros.
À primeira vista trata-se de uma oferenda aos leitores — clássicos a preços acessíveis.
Mas na verdade a Book Cover é uma esfinge com alguns mistérios.
Todos os seus livros, excepto a série de Conan Doyle, são traduzidos por Lúcia Nogueira, a tradutora mais eficiente do planeta. Só em 2023 aparece na ficha técnica como tradutora de dezenas de obras, entre elas Guerra e Paz, com as suas mais de mil páginas, e outros romances volumosos. Nos últimos dois anos e meio terá traduzido cerca de oitenta clássicos, muitos deles extensos, como Os Miseráveis, E Tudo o Vento Levou ou Vinte Mil Léguas Submarinas.
Qualquer editor sabe que mesmo tradutores a tempo inteiro e com larga experiência são incapazes de traduzir mais de 10 a 15 páginas por dia, o que a incansável Lúcia Nogueira parece fazer antes do pequeno-almoço, seja a partir do inglês, do alemão, do italiano, do cirílico russo e em breve talvez do mandarim ou grego antigo.
As fichas técnicas da Book Cover não indicam o título original nem a língua de que se traduz, nem o nome de revisores.
O mundo está cheio de maravilhas e não se pode excluir a possibilidade de Lúcia Nogueira ser um prodígio, uma supersónica poliglota, que, mesmo sem traduzir a tempo inteiro — segundo o LinkedIn, trabalhou na Booktailors e é agora assistente editorial na Porto Editora —, consegue diariamente passar a um português sofrível várias dezenas de páginas de clássicos.
Mas é muitíssimo mais provável que se trate de uma tradutora experimentada em tecnologias de tradução automática, que começaram no Google Translate, evoluindo para a tradução neuronal do DeepL e, mais recentemente, o ChatGPT. Lúcia Nogueira deve limitar-se a fazer uma revisão que corrige alguns dos erros mais graves da tradução automática já mencionados por alguns dos seus leitores e sem que, em geral, possa cotejar o texto com o original. Na verdade, ficam numerosas gralhas, erros ortográficos e gramaticais, confusão de Acordos, termos brasileiros e outras incongruências (ver críticas de leitores da Book Cover Editora no Google ou comparar páginas das traduções de António Pescada ou Nina Guerra e Filipe Guerra de Guerra e Paz com as de Lúcia Nogueira).
Outra hipótese, menos provável por exigir que se escrevam os textos ao computador, é a de que dirija uma equipa de tradutores/revisores que usam o inglês, o que deveria ser referido e individualizado.
Nada há de ilegal nesta actividade. O problema é que infringe regras editoriais elementares, a começar pela indicação das línguas de partida e dos programas de IA utilizados ou dos tradutores implicados. Além disso, a medíocre qualidade dos resultados leva a um retrocesso em relação aos avanços conseguidos desde os anos 60 do século passado, quando foi possível começar a traduzir autores ingleses, alemães e russos, não a partir do francês, mas das línguas originais, tornando acessíveis aos leitores portugueses as subtilezas dos estilos de Shakespeare, Virginia Woolf, Tolstoi, Goethe ou Dostoiévski.
Claro que o recurso às traduções automáticas permite realizar economias. Mas estas não são suficientes para explicar os preços da Book Cover, que recorre também a grandes tiragens, associando-se a alguns jornais. Estes, que são muitas vezes exigentes com as traduções nas suas secções literárias, aceitam tudo o que lhes é oferecido nessas parcerias, feitas em geral através dos seus serviços comerciais e perante a desatenção das direcções editoriais.
Não se pode excluir que alguns tradutores recorram em parte a programas de tradução automática para executarem fases do seu trabalho, o que em qualquer dos casos deverá ser indicado nas fichas técnicas. Mas a ocultação do seu uso como instrumento principal ou quase exclusivo de tradução, que transforma os tradutores em meros revisores, não pode ser ignorada. É, por isso, estranho que críticos de diferentes órgãos de informação não comparem algumas páginas dos livros de que falam com os textos originais, pelo menos nos casos em que conhecem a língua de partida.
O próprio ChatGPT, que se afirma capaz de traduzir Guerra e Paz do russo para português, reconhece a sua incapacidade para elaborar uma obra literária significativa. Algo de semelhante se passa com as traduções dos clássicos, que têm sempre aspectos criativos, estando longe de se resumirem a um jogo de correspondências mais ou menos lineares entre diferentes línguas.
Afinal, os vários programas, do Google Translate ao ChatGPT, apenas podem gerar textos que são o agregado de todos os textos que digerem, indo muitas vezes buscar soluções a tradutores humanos sem que o rasto dessa utilização ou plágio seja controlado.
Francisco Vale
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CLAUDIO TORRES EXTRAORDINAIRE

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POSTAL DO DIA
O arqueólogo Cláudio Torres é um pássaro sem uma asa
1.
O arqueólogo Cláudio Torres recebeu mais um prémio internacional.
Defensor do património, guerrilheiro da memória, não desistente, corajoso… extremamente corajoso…, utópico.
Como se pode ser utópico tendo deixado de acreditar na utopia?
A partir de certa altura focamo-nos nos paradoxos, no que em nós é difícil de explicar, porventura será nisso que pensa quando, de mãos nos bolsos, passeia pelo seu campo arqueológico de Mértola;
uma verdadeira cidade, um mundo que escavou para que pudéssemos melhor compreender o passado e não nos escapasse a capacidade de sonhar.
2.
O pequeno Cláudio, nascido na Beira Alta entre montanhas e frio, desejava sair e conhecer o país e os países, compreender por que raio os pobres eram sempre pobres e os ricos sempre ricos, revoltou-se com o estado de coisas, tornou-se comunista.
Pagou com língua de palmo.
Na prisão.
Em torturas.
Em humilhações.
E a Manuela sempre presente, a sua única namorada, a pessoa que o viu jovem e idealista a esbracejar com o fascismo.
Que se orgulhou por saber que fugira da prisão num barquinho de recreio – os pides não davam nada pelos intelectuais, mas o Cláudio era valente, tinha no sangue o ar da serra, a dureza das casas e da ausência de futuro.
A Manuela que fugiu com ele para Paris.
Que viu a sua desilusão com o comunismo após uma visita à Roménia de Ceausescu.
Que regressou com ele a Portugal depois do 25 de Abril.
Que fez uma carreira brilhante como filóloga, decisiva na investigação e reconhecimento do mirandês como língua oficial.
A Manuela que depois da reforma de professora correu para o campo de Mértola por ser o país dos dois, a sua casa comum.
3.
A Manuela partiu o ano passado.
E o professor caminha agora todos os dias pelos campos arqueológicos de Mértola como se fosse um pássaro ferido, um pássaro desasado, pensativo e entre paradoxos, talvez um bocadinho perdido e na expetativa de um reencontro numa escavação final.
Cláudio Torres ganhou mais um prémio internacional.
Conquistou muitos.
(O Prémio Pessoa, por exemplo)
É um dos melhores portugueses.
O único que inventou um país paralelo.
Um país que fez nascer debaixo de Mértola.
Um país que é hoje visitado por gente de todo o mundo.
E por ele, todos os dias.
De mãos nos bolsos e à procura da Manuela que um dia reencontrará nos subterrâneos onde a vida acontece de outra maneira.
Que seja daqui a muitos anos, caro professor.
A Manuela não se importará de esperar e… aposto… por esta altura já deve estar bastante ocupada a estudar a língua que se fala num lugar impossível de encontrar em vida.
Mesmo que seja um grande arqueólogo a procurar.
LO
(da página do Facebook de Luís Osório).
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Vicente Monteiro

Dos melhores textos de LO!
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CNRT aprova coligação com PD para formação do novo Governo timorense – Primeiro diário caboverdiano em linha – A SEMANA

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Source: CNRT aprova coligação com PD para formação do novo Governo timorense – Primeiro diário caboverdiano em linha – A SEMANA

“Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. Burlas em anúncios de casas na Internet – ZAP Notícias

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Estão a ser denunciadas burlas com anúncios de casas a preços atrativos, na Área Metropolitana de Lisboa. Burlões aproveitam a crise de habitação para vender casas falsas, a preços atrativos. É a uma nova técnica de burla que o Correio da Manhã denuncia, na edição desta segunda-feira. Conta

Source: “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. Burlas em anúncios de casas na Internet – ZAP Notícias

Marinha portuguesa teme ataque russo “catastrófico” aos cabos submarinos ……NOTA MINHA: mas se teme não deveria estar calada?????

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Passam pelos cabos submarinos nas águas portuguesas até 15% das comunicações de todo o mundo

Source: Marinha portuguesa teme ataque russo “catastrófico” aos cabos submarinos