nuno goulart

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Nuno Goulart, do Pico a São Miguel passando por Santa Maria
Surgem nuvens no céu!
Nuno Goulart, natural do Pico, conta-nos um pouco da sua história de vida nesta entrevista. Apesar de bom aluno e de ser vontade da sua mãe que prosseguisse com os estudos, viu-se forçado a abandonar a escola quando completou a quarta classe para ajudar o seu pai nas terras. Cumpriu serviço militar, onde se destacou na especialidade de armas pesadas, trabalhou na Alfândega durante nove anos e foi bancário durante 26 anos, passando pelas transições de Banco Micaelense a Banco Comercial dos Açores e, mais tarde, a Banif. Aos 82 anos, o açoriano revela que há duas coisas que faz melhor com esta idade, nomeadamente cantar e jogar ténis de mesa. Outra actividade que lhe dá muito prazer é a escrita. Já com um livro lançado, Nuno Goulart irá apresentar uma segunda obra, intitulada “Retratos D’Alma”, a 23 de Fevereiro, data em que celebra 60 anos de casamento.
Correio dos Açores – Onde nasceu e onde frequentou a escola primária?
Nuno Goulart (ex-bancário e escritor;82 anos de idade) – Nasci a 28 de Agosto de 1940 no lugar da Mirateca da freguesia da Candelária, concelho de Madalena, na ilha do Pico, talvez o único sítio onde se venera São Nuno de Santa Maria.
Frequentei a escola primária da Candelária e, como faço anos em Agosto, entrei já com sete anos. Era bom aluno e fui passando de classe em classe. Ao chegar à quarta classe, tendo em conta que a turma tinha muitos alunos, todos em condições de ir a exame, embora uns fossem melhores alunos que outros, a professora resolveu deixar atrás alguns, para não ficar sem alunos no ano lectivo seguinte. Então, ficámos quatro, incluindo eu. Ou seja, fiquei dois anos na quarta classe, apesar de estar pronto a ir a exame. Quando fomos fazer a prova, dos quatro alunos, três foram aprovados com distinção e eu fui considerado o melhor aluno em Português. Tinha 11 anos quando finalizei a quarta classe.
Após terminar a quarta classe prosseguiu com os estudos ou teve que ajudar os seus pais?
A minha mãe queria que eu fosse estudar para a Horta, porque no Pico não havia nenhum estabelecimento onde eu pudesse prosseguir com os estudos. No entanto, como não éramos ricos, o meu pai entendeu que eu deveria ir para as terras trabalhar com ele. E assim foi. Normalmente, trabalhava quatro dias “para fora”, isto é, tratava das terras de pessoas abastadas que tinham muitos prédios, para ganhar algum dinheiro, e trabalhava dois dias com o meu pai. Ou seja, a semana de trabalho era de seis dias, trabalhava-se ao Sábado, inclusive.
Rocei silvado, cavei vinhas, semeei batatas, milho, entre outras coisas. Comecei a trabalhar para fora com 14 anos, a ganhar 14 escudos por dia e dizia, em jeito de brincadeira, que cada ano de vida equivalia a um escudo.
No Verão, as principais actividades eram vindimar e apanhar figos. Untávamos os figos com azeite, mais concretamente o bico do meio do fruto quando fica vermelho, com uns paus próprios feitos com algodão e linha embrulhados. Ao untar os figos, estes amadurecem todos passados oito a nove dias. Recordo-me de apanhar selhas de figos que eram para lambicar e fazer a água ardente. Fui criado com isso.
Além disso, a minha avó tinha um estabelecimento onde vendia de fazendas (tecidos) ao metro e mercearias. Lembro-me de embrulhar, com uma determinada técnica, açúcar e farinha naqueles papéis acastanhados. Não éramos ricos, mas nunca passámos necessidades.
Nessa altura era obrigatório cumprir serviço militar. Que percurso fez e como foi a sua experiência?
Naquela altura, íamos à inspecção militar com 20 anos. Quando chegou à altura, antes de nos apresentarmos, eu e quatro amigos, bebemos uns copos e combinámos dizer que queríamos ir para a Marinha quando nos perguntassem qual a nossa preferência. Na época, ir para a Marinha era muito difícil. Dissemos aquilo, no entanto, nunca mais pensámos nisso.
Surpreendentemente, em Agosto recebi uma guia de marcha da Câmara a dizer que tinha sido aceite para a Marinha e tinha que me apresentar em Alfeite até 10 de Setembro.
Só havia os navios “Carvalho Araújo” e o “Lima”, alternando-se cada um no mês. Três amigos arranjaram lugar no “Carvalho Araújo”, contudo, eu e outro amigo não conseguimos. Então, tivemos conhecimento que havia um barco patrulha que vinha a Ponta Delgada de seis em seis meses.
Apesar de este patrulha estar à espera, como não veio a ordem de forma, fomos apresentar-nos ao Chefe de Estado Maior com a guia de marcha. Nesta altura ainda não havia telefones e ele fez um rádio para Alfeite, de onde nos deram indicação para aguardar, pois já não chegaríamos a tempo e que iríamos ser chamados para o Exército. Nunca me esqueço, trataram-nos por mancebos.
Em 1961 vim para Ponta Delgada. A minha especialidade era bateria de costa, ou seja, armas pesadas. Mais tarde, vim a descobrir que estive quase a ir para o Ultramar. Só não fui porque no início da guerra eles não precisavam de armas pesadas, mas sim de atiradores.
Estive em Belém dois meses, até ao juramento de bandeira, e daí fui para a Castanheira fazer a especialidade. Depois de aprendermos a especialidade, iríamos para a Horta acabar o tempo.
Em Dezembro fui para a Horta, para as aulas de cabo e, como fiquei em terceiro lugar, fui logo promovido a primeiro cabo. Não fazia serviço de escala e fiquei sozinho numa arrecadação de material de guerra, onde tinha um quarto pequeno com uma cama. Tinha os fins-de-semana sempre livres e ia a casa. De Inverno, o canal entre o Faial e o Pico mexe bem, apanhei mau tempo algumas vezes.
Tendo em conta que eu era dos melhores classificados e estes é que saem primeiro, saí definitivamente da tropa no fim de Outubro. No total, tive apenas 16 meses de tropa.
Como conheceu a sua mulher? Quando casou e teve filhos?
A minha mulher também é da Mirateca e morava a cerca de 50 metros da minha casa. Começámos a namorar com 13 anos. Escrevíamos bilhetes um ao outro que dávamos a uma amiga dela que servia de intermediária para a entrega dos bilhetes. Quando nos víamos, passávamos um sorriso e pouco mais. A minha mulher é mais velha do que eu dois meses e um dia. No dia em que ela completou 18 anos, eu ainda tinha 17, fui pedi-la em casamento. O meu sogro estava reticente, mas eu sabia que a minha sogra me apoiava. A partir daí, namorámos mais uns anos e eu já ia lá a casa.
Como já namorávamos há muitos anos e estávamos fartos de ir para as festas com a minha irmã mais nova sempre a acompanhar-nos, disse ao meu pai que íamos casar. Tinha apenas 22 anos. O meu pai não se opôs, mas como costumavam dar uma oferta grande, nomeadamente um baú ou uma caixa de madeira com roupas de cama e outras coisas, ele mostrou-se preocupado porque não tinha dinheiro. Então, a solução encontrada foi que, a partir daquele dia, o dinheiro que eu ganhasse a trabalhar ficava para mim, pois antes entregava o dinheiro em casa.
Casámos a 21 de Fevereiro de 1963 e a 23 de Fevereiro de 1964, um ano e dois dias depois, nasceu o nosso primeiro filho, o António. O segundo filho viria a nascer 18 meses depois e demos o nome de Nuno, pois ele nasceu na altura da festa de São Nuno da Mirateca.
Em 1968, nasceu a nossa terceira filha, no hospital da Horta, porém com a denominada doença azul, em que o sangue arterial se misturava com o sangue venoso. Esta menina morreu ao quinto dia de vida. O médico aconselhou a minha mulher a engravidar novamente para tentar ultrapassar o trauma. Em 1971 fomos para Santa Maria por causa do meu trabalho na Alfândega e a minha mulher já ia grávida. O nosso filho Hélder nasceu em Santa Maria. Passado um ano, a minha mulher deu à luz a nossa filha Célia.
Como começou a trabalhar na Alfândega?
A minha avó paterna era da mesma idade que o Sr. Cardeal D. José da Costa Nunes, uma pessoa muito importante e a irmã dele, a D. Chica, era muito amiga do Director-geral das Alfândegas lá fora. Através deles, tive conhecimento que a Alfândega ia admitir três empregados.
Eles punham de Verão uma lancha na baía do Faial e, como tal, precisavam de remadores para tomar conta. A lancha era muito bonita, toda cromada em metal e, como era bem cuidada, estava sempre a brilhar. Curiosamente, a farda de remador era igual à da Marinha, só que era cinzenta em vez de branca. Já que não vesti a farda da Marinha, que muito gostava, vesti a da Alfândega.
No tempo que estive em Santa Maria, ganhava um terço a mais do vencimento. Recordo-me de pagar 62 escudos de renda de casa, incluindo água e luz. Tomávamos banho com uns baldes grandes que tinha uns furos. Quando saíamos, deixávamos um tacho grande com água a aquecer e quando chegávamos a casa já estava aquecida. Lembro-me que, muitas vezes, tinha que estar às 05h00 na Alfândega por causa dos aviões que vinham da América e Canadá. Trabalhei nove anos na Alfândega.
Foi nesta altura da minha vida que comecei a estudar à noite e fiz o quinto ano antigo, ao que chamávamos o curso geral dos liceus, ao mesmo tempo que trabalhava, que equivale ao 5º e 6º anos actuais. Fazíamos a inscrição como externos e íamos fazer exame com os internos, que era igual para todos. A título de curiosidade, no ano em que fiz o exame de Português, o liceu foi assaltado e roubaram as provas que tinham vindo de fora. Então, tiveram que fazer de novo e saiu Frei Luís de Sousa. Por acaso, tinha lido a obra há poucos dias e sabia tudo quase de cor.
Quando vem viver para São Miguel?
Em 1972, depois de ter completado o quinto ano antigo, disseram-me que tinham aberto vagas para o Banco Micaelense. Comecei a trabalhar no banco no dia 1 de Março de 1973. Em Junho do mesmo ano fui ajudar a abrir a agência da Ribeira Grande. Ganhava cinco contos e quinhentos, o dobro do que auferia um professor na altura, que rondava os dois contos e quinhentos.
Depois, com o 25 de Abril de 1974, os bancários nunca mais tiveram aumentos e os professores foram subindo.
Um ano mais tarde, em 1975, abriu a agência da Horta e eu voltei para o Faial. Seis anos depois, em 1981, mudei-me com a minha família novamente para São Miguel e ficámos cá até hoje.
Como foi a sua experiência no Banco Micaelense e como este evoluiu para Banco Comercial dos Açores?
Quando entrei para o Banco Micaelense, fui o empregado número 16. Na época, só existia o balcão da Matriz e a agência da Horta. A agência de Vila do Porto era o número 3. Só mais tarde é que se abriu na Terceira, em São Jorge, na Graciosa, etc.
Reformei-me em 1998. Apesar de ter 26 anos de banco, tinha 9 anos de Alfândega e juntando ao tempo de serviço militar, deu-me a reforma completa. Depois de já estar reformado, com a entrada do euro, chamaram-me para ir trabalhar. Ora, o euro entrou em Janeiro de 2002 e eles pediram-me para ir trabalhar em Outubro de 2001 para preparar a minha entrada. Trabalhei cinco meses a recibo verde. Se não fosse um funcionário sério, eles não me iam buscar. Costumo dizer que não quero ser o melhor em nada, mas quero ser bom no que faço.
Houve funcionários que choraram quando o Banco Comercial dos Açores foi vendido ao Banif. Na altura, enquanto funcionário, foi favorável ou contra esta venda? Porquê?
Fui contra como quase todos os outros funcionários. Sabíamos que, enquanto o Sr. Horácio Roque fosse vivo, ia aguentar o banco, mas que as suas duas filhas, quando o pai falecesse, iam vender o banco. Por outro lado, não nos afectou directamente na medida em que não perdíamos os nossos postos de trabalho.
Vai lançar, no dia do 60º aniversário do seu casamento, o livro ‘Retratos D’Alma’. Este livro fala de quê?
Não podia deixar passar esta data. Este livro é composto por 94 sonetos. Para escrevê-los vim à Biblioteca Pública pelo menos duas vezes estudar os sonetos de Antero de Quental. Quando pensei fazer um livro de sonetos, todos com quem falei aconselharam-me a não me meter nisto, mas, como sou teimoso, decidi ir em frente. O mais difícil para mim foi escrever os tercetos, pois o primeiro verso tem de rimar com o terceiro, o segundo com o quinto e o quarto com o sexto. As quadras eu faço a brincar. Todos os sonetos têm um título.
A sua vida está também marcada pelo canto e a música? Quando surgiu esta aptidão? E como tem evoluído?
Como não havia praticamente mais nada no Pico na altura em que me criei, quando saí da escola, principiei logo a aprender música. A freguesia da Candelária não tinha filarmónicas, tinha era tunas e instrumentos de cordas. Quando comecei, dei o primeiro solfejo de Tomás Borba e depois aprendi a tocar bandolim. Aos 14 anos, já saía a tocar nos ranchos e eu cantava à frente, porque tinha boa voz e bom ouvido.
Além disso, sou dos sócios fundadores do Orfeão Edmundo Machado Oliveira e cheguei a ser ensaiador dos Tenores. Nos últimos três anos, estive no Conservatório em canto livre, onde aprendi a colocar a voz. Tem de se atirar a voz para o palato e usar o diafragma na respiração. Hoje, com 82 anos, digo que faço duas coisas melhor do que quando era novo, designadamente jogar ténis de mesa e cantar melhor.
É também considerado um bom jogador de ténis de mesa…
O Sindicato tem uma mesa sempre armada e eu costumo ir jogar dois dias por semana com alguns amigos. Sou sócio do Inatel há 38 anos e cheguei a ir a Lisboa três a quatro vezes. A última vez foi por equipas. Tínhamos cá, como professores, dois bons jogadores do continente e eu fui com eles disputar o campeonato. Fiquei em casa de um deles em Seia, subimos à Serra da Estrela duas vezes e, como fomos em Maio, ainda vimos neve nos cantinhos onde o sol não chegava. Funcionava da seguinte forma: o campeão de São Miguel jogava com o campeão de Angra e com o da Horta. Destes três, o que vencesse, ia a Lisboa. Recordo-me que esse foi o primeiro ano que São Miguel ganhou à Terceira. Como eu era o mais velho, eles ofereceram-me a taça, pelo que posso afirmar que eu é que tenho a taça de campeão por equipas açorianas. Além desta, tenho uma quantidade delas. No banco eu é que costumava preparar os torneios e ganhava quase sempre.
A sua forma de estar na vida fez com que granjeasse a estima de muitos amigos. Qual tem sido o segredo?
Julgo que é pelo meu feitio. Às vezes digo que as pessoas do Pico são diferentes das de São Miguel. Não me refiro às freguesias, pois no meio rural é diferente, mas em Ponta Delgada, por exemplo, na rua onde moro há pessoas que me vêem todos os dias e conhecem-me, assim como eu os conheço e não dizem nem bom dia, nem boa tarde. Todavia, como tudo na vida, não se pode generalizar, visto que há sempre aqueles que cumprimentam.
Depois de tudo o que tem feito ao longo da sua vida, que sonhos ainda tem por realizar? O que lhe falta ainda fazer?
Com esta idade já não posso fazer muito. O que eu posso fazer melhor agora e que me dá mais gozo é escrever. Neste momento, estou a escrever um livro em quadras para lançar daqui a dois anos. A dificuldade é vendê-los depois.
Carlota Pimentel
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GUITARRA GALEGA

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Música de Avelina Valladares, do irmão Marcial Valladares e do militar, músico e guitarrista italiano Frederico Moretti, da mesma geração que o pai e a mãe, José Dionísio e Concha. Obras pertencentes ao Fundo Valladares de música para guitarra. Várias pessoas recolheram ontem fragmentos do recital em São Vicente de Berres, igreja que tantas vezes visitou a família Valladares.

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Os quadros expostos como estão carecem de real enquadramento. Se os encontrasse só assim, sem poder resolver o problema, também não aceitaria. Não devemos ocultar nada: certo. Mas um ditador, será sempre um ditador, e é preciso que isso fique sempre bem claro.

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Chrys Chrystello

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Paula Cabral

Parece que a minha colega anda a fazer estragos! Não concordo contigo, Telmo. Estes quadros não têm contexto nenhum, pelo que me dão a entender. Em nenhuma escola ou edifício público, há espaços consagrados a essa figura política de outros tempos. Os professores, se querem levar os alunos a aprender uma cronologia desses tempos históricos, pois que o façam na sala de aula, uma vez que esta galeria até está incompleta, nem segue nenhuma cronologia. Só vejo Carlos César, por exemplo. Onde estão os restantes presidentes do GR? Compreendo a tua visão imparcial, mas aos olhos de outros, principalmente dos nossos alunos, pode ser mal interpretado. A mim, devo dizer, também me choca. Descanse em paz em Santa Comba Dão e já chega!

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Mónica Santos

Paula Cabral, amiga, agora discordo de ti. Se é para apagar a História, que se tirem vários conteúdos dos manuais escolares também. Estamos a falar de um mini museu, não de uma apologia salazarista.

 

Paula Cabral

Mónica Santos, nada disso! A história não é para apagar! Mas uma escola pública não pode ter símbolos de um passado nefasto assim de forma descontextualizada. Mónica, por mais que lhe chamem espaço museológico, não vejo aí nenhuma explicação escrita, nenhum friso completo. Só meia dúzia de retratos sem nexo. Ponho-me no lugar dos alunos, que pouco ou nada sabem da história recente. As fotos só, sem mais explicação ou devida contextualização, passam a ideia de memorial. Claro que sabemos que não é esta a intenção, mas é, de facto, uma ideia meia atabalhoada. Podiam era melhorar, dando-lhe a devida contextualização pedagógica e completando a galeria.

 

Maria João Ruivo

Mónica Santos , claro.

 

Mónica Santos

Paula Cabral, como deves saber, trabalhei 10 anos na escola da Maia e tenho a certeza de que a devida contextualização é feita pelos professores daquela casa.

 

Paula Cabral

Mónica Santos, não contradigo. Mas os quadros estão descontextualizados.

 

Margarida Hintze

A História não se pode apagar!

 

Maria João Ruivo

Telmo R. Nunes, concordo totalmente contigo. A minha amiga Paula Cabral, a meu ver, só tem razão numa coisa. Devia juntar-se a esses os retantes presidendes do GR (e acredito que isso não tenha sido feito ainda por outras razões mais logísticas do que políticas). De resto, acho inacreditável que numa escola se queira apagar o passado que não agrada, seja pelo que for. Ainda por cima, fazer-se isso em nome de uma pessoa apenas. O passado está aí para ser aprendido, aproveitado no que teve de bom e discutido no que teve de negativo. Os alunos mal sabem quem foi Salazar. Graças aos adultos que os rodeiam, acham apenas que foi uma espécie de “bicho papão”. Quando o conhecimento histórico se mistura com as ideologias, estamos perdidos. E quando há desconhecimento, então, nem se fala. Por isso, te dou toda a razão, Telmo R. Nunes e aplaudo-te pela tua firmeza. Hoje a Democracia é tão “genuína”, que só podemos estar de acordo com as modas. O que fuja ao politicamente correto e ao idiota é alvo de fortes julgamentos. Daqui a 50 anos já não estou cá, mas pagava para saber quem, e por que razão, é que estará pendurado nas paredes das Escolas e afins.

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Paula Cabral

Maria João Ruivo, o problema é mesmo o das ideologias. A história não pode ser apagada, mas deve ser interpretada. Por isso, defendo que tem de haver contextualização nesta galeria. Ninguém concebe ensinar o período histórico do regime fascista sem referir o seu lado negro e do seu retrocesso em termos de direitos humanos, etc. Um professor é, necessariamente, um transmissor de valores. A determinação do Telmo em repor a galeria pode estar certa, mas está incompleta. A escola também teve de retirar os crucifixos das salas de aula. Também vamos pedir para repô-los?! A ponte de Salazar passou a ser de 25 de Abril. O Largo onde morava era de Oliveira Salazar passou a ser do Trabalhador e por aí fora… claro que numa escola tudo isto tem de ser muito bem acautelado e não me parece que seja o caso do espaço em causa.

 

Maria João Ruivo

Paula Cabral, concordo com uma contextualização, mas discordo que se retire e apague as coisas. Tal como não acho bem que se tenha retirado os crucifixos. Somos um país católico e os crucifixos não impedem a aceitação das outras religiões, mas essa é uma outra discussão. Lentamente, vamos apagando o passado e, se bem te conheço, sabes até que ponto isso é perigoso e destrutivo. Deixaremos de ter identidade própria. Mas há quem fique muito feliz com isso, em nome não sei de quê.

 

Paula Cabral

Maria João Ruivo, com o regresso dos crucifixos, estamos em total desacordo e sabes que sou cristã. Quanto à galeria, não acho que seja caso para tanta polémica. Não é como destruir estátuas, por exemplo, mas insisto que a contextualização é indispensável. Assim, não faz sentido. Se é para haver rigor, que se faça com o rigor que a situação exige.

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Maria João Ruivo

É bom estarmos em desacordo, se não a vida torna-se monótona. Mas concordo com as contextualizações de tudo. Faço-as sempre. Também concordo com o regresso dos retratos, como o Telmo R. Nunes sugere. Beijinhos e bom Carnaval.

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Paula Cabral

Maria João Ruivo, Beijinhos!

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Pedro Pascoal de Melo

 

Raquel Ponte

Com o devido respeito a todos os que discordam desta visão, e crendo que também os alunos (e ex-alunos) devem ser prontamente ouvidos e apresentam uma opinião fundamental, enquanto ex-aluna deste estabelecimento de ensino, devo dizer que fiquei deveras chocada com tal iniciativa de retirar os ditos quadros de um espaço museológico. Como dito mais acima, um ditador será sempre um ditador, disso não restam dúvidas. Não obstante, configuram na história do nosso país e devem ser relembrados por esse mesmo motivo: porque a história repete-se e a memória não deverá nunca ser apagada. Daí que, por exemplo, figurem iniciativas em países como a Alemanha, onde são organizadas visitas de estudo aos mais pesados locais da história mundial: os campos de concentração. Na situação particular dos quadros que constavam na EBI da Maia, e mesmo não sendo estes apresentados de forma cronológica, não vejo nem nunca vi enquanto lá me encontrava a estudar, nenhuma tentativa por parte de nenhum professor de apelar a este tipo de ideais, muito pelo contrário. Daquilo que me foi leccionado nas unidades curriculares de História ao longo da minha vida escolar e académica, ficou-me na memória sobretudo aquilo que aprendi nesta ilustre escola, transmitido por profissionais exímios (que porventura ainda lá lecionam), dotados do maior amor e dedicação à profissão e área que representam. Em momento algum, me senti influenciada, à data enquanto aluna e hoje enquanto cidadã, por estes quadros e peças que constam e constavam no referido mini-museu. Levo, principalmente, para a minha vida em sociedade aquilo que sei que não se deve repetir, os perfis daqueles que tentam a todo o custo instaurar um ideal na mente de terceiros, e daqueles que, no ponto mais extremo, tentam apagar uma página da História, como se esta simplesmente não tivesse existido. Esses sim são um perigo para a sociedade. Cada cidadão deve ser exposto à História que os precedeu, aos fatores que a ela levaram e às consequências que dela emergiram, e ser livre para, tendo em conta o seu próprio exercício mental e racional, formar a sua opinião indivual. A Escola, no seu todo, deve ser uma instituição onde se promova o espírito crítico, dando a todos os seus alunos as ferramentas necessárias para tal. A mim, tudo o que foi transmitido sobre essas personalidades foi aquilo que deveria ter sido transmitido de acordo com os programas e manuais escolares. Não poucas vezes passei por este espaco-museu e nunca me senti minimamente afetada ou influenciada pelas ideologias que estas personalidades carregam. Espero profundamente que os referidos retratos sejam devolvidos à instituição a que pertencem. O mal da sociedade de hoje é a intolerância e extremismos desmedidos, aliados a uma notória ausência de cidadãos com pensamento indivual, marionetas uns dos outros. Um bem-haja a todos os membros desta escola, pelos quais nutro um especial carinho e admiração e um obrigada aos professores que em muito contribuíram para a minha formação pessoal e académica.

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PSD timorense quer apoiar CNRT de Xanana Gusmão para chegar à maioria absoluta – Primeiro diário caboverdiano em linha – A SEMANA

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Source: PSD timorense quer apoiar CNRT de Xanana Gusmão para chegar à maioria absoluta – Primeiro diário caboverdiano em linha – A SEMANA

Timor-Leste: Quase um quarto do povo sofre insegurança alimentar grave | e-Global

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São 300 mil timorenses, o equivalente a 22% da população, que enfrentam insegurança alimentar grave e necessitam de assistência urgente.

Source: Timor-Leste: Quase um quarto do povo sofre insegurança alimentar grave | e-Global

Quake Info: Weak Mag. 2.3 Earthquake – São Jorge, 1 km Northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1)

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Detailed info, map, data, reports, updates about this earthquake: Weak mag. 2.3 earthquake – São Jorge, 1 km northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1) –

Source: Quake Info: Weak Mag. 2.3 Earthquake – São Jorge, 1 km Northwest of Velas, Azores, Portugal, on Sunday, Feb 19, 2023 at 4:15 am (GMT -1)

Os últimos vendedores de banha da cobra

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Cândido e Balbina são uma espécie em vias de extinção. A Banha de Cobra que vendem é receita de família, que passou de geração em geração. Dizem que faz bem a quase tudo. E, melhor ainda: não faz mal a quase nada.

Source: Os últimos vendedores de banha da cobra

seja associado da AICL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

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fichaAICL

Caros colegas

 

Aos colegas que tomaram parte ou que foram convidados para anteriores colóquios da lusofonia e que ainda / já não são nossos associados, vimos fazer um desafio para que se tornem nossos associados e permitam à AICL sobreviver para lá dos 20 anos de existência que ora completamos.

Assim, a todos os novos associados que se inscrevam até 31 de maio 2023 (quota 60€ + 10€ joia) a AICL oferece a inscrição (COMO ORADOR OU ASSISTENTE PRESENCIAL) num dos dois colóquios de 2023: Belmonte 7 a 10 junho e Ribeira Grande 4 a 8 outubro 2023.

É simples , basta preencher a ficha anexa, pagar e enviar. Faça parte da AICL.

 

COM OS MELHORES CUMPRIMENTOS

 

  1. CHRYS CHRYSTELLO, MA,

Presidente da Direção AICL

FICHA DE INSCRIÇÃO SÓCIO AICL

preencha a coluna da direita

 

NOMES PRÓPRIOS  
APELIDOS / SOBRENOME  
(obrigatório) Nº FISCAL NIF / CPF
MORADA completa:  

 

LOCALIDADE:  
CÓDIGO POSTAL: CP / CEP:
PAÍS:  
TELEFONE:  
TELEMÓVEL / CELULAR:  
ENDEREÇO ELETRÓNICO: @

Forma de Pagamento (favor assinalar ) copie este símbolo ✓ para o tipo de pagamento pretendido[1]

Transferência Bancária Cheque Vale Postal PayPal

Joia de inscrição – pagamento único – € 10.00 (dez euros) +

Anual (a pagar de 1 de novembro até 31 dezembro do ano anterior) € 60.00 (SESSENTA euros) Sócios individuais

Anual (a pagar de 1 de novembro até 31 dezembro do ano anterior) € 120.00 cento e vinte euros) sócios coletivos

 

Assinatura (aquando da inscrição como sócio)

 


 

Local e data : ____________________ __/____/______

PAGAMENTOS PARA A CONTA – AICL {Associação Internacional dos COLÓQUIOS DA LUSOFONIA}

CONTA 7-5345050.000.001

IBAN – Nº INTERNACIONAL DE CONTA BANCÁRIA PT50 0010 0000 5345 0500 0016 2

SWIFT code/BIC: BBPIPTPL

BANCO BPI, Av. Antero de Quental, nº. 51 – C, 9500 – 160 Ponta Delgada, AÇORES, PORTUGAL
tel.: 296 30 85 70 * Faxe: 296 28 31 79

Pagamentos PayPal acrescentar

3.40€ para 50€ / 6.80€ para 100€ / 10.20 para 150€ / 13.60 para 200€

Nome: AICL – Colóquios da Lusofonia / ENDEREÇO PayPal: LUSOFONIA.AICL@GMAIL.COM

 

 

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Dono de motéis compra a carcaça da maior indústria de motorizadas de Portugal – Imobiliário – Jornal de Negócios

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O luso-venezuelano Victor Tavares, que detém os motéis tirsense Bora-Bora e conimbricense Fonte dos Amores, assim como o quatro estrelas aveirense As Américas, adquiriu o património imobiliário que restava das antigas instalações da Metalurgia Casal, em Aveiro.

Source: Dono de motéis compra a carcaça da maior indústria de motorizadas de Portugal – Imobiliário – Jornal de Negócios

MORREU JULIETA NOBRE DE CARVALHO

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Óbito | Julieta Nobre de Carvalho, a esposa do Governador que viveu numa Macau em tumulto.
Falecida no passado dia 1 de Fevereiro, em Lisboa, aos 103 anos de idade, Julieta Nobre de Carvalho esteve em Macau ao lado do marido, o Governador Nobre de Carvalho, numa altura de grande tensão, em virtude do movimento “1,2,3”, ocorrido em Dezembro de 1966.
Tendo presidido à Obra das Mães, Julieta Nobre de Carvalho é o exemplo da grande presença pública assumida pelas mulheres dos Governadores portugueses na altura.
Julieta Nobre de Carvalho, esposa do antigo Governador Nobre de Carvalho, viveu em Macau entre 1966 e 1974, vivenciando de perto um dos períodos mais conturbados da sua história.
Falecida no passado dia 1 de Fevereiro, aos 103 anos, Julieta, mais do que ser uma simples esposa do Governador, marcando presença em eventos sociais, teve de lidar de perto com os acontecimentos do “1,2,3”, a expressão da Revolução Cultural no território, que já se fazia notar quando o casal Nobre de Carvalho chegou a Hong Kong sem quaisquer directrizes de Lisboa sobre como lidar com o caso.
Julieta Nobre de Carvalho deixou vários testemunhos sobre estes meses de tensão que quase deitaram a perder a Administração portuguesa de Macau.
Em 1996 falou com o jornalista José Pedro Castanheira sobre o “1,2,3” para o livro “Os 58 dias que abalaram Macau”.
Nele se lê que o casal Nobre de Carvalho chegou a Hong Kong às 11h30 do dia 25 de Novembro de 1966, “vindo de Manila, num avião da Philippines Airlines”, tendo sido recebidos no aeroporto de Kai Tak pelo então cônsul de Portugal em Hong Kong, António Rodrigues Nunes, e pelo então Governador de Hong Kong, David Trench.
Num almoço de boas-vindas oferecido por David Trench, o casal Nobre de Carvalho depressa percebe que tem em mãos um caso bicudo, de ordem diplomática e política, para resolver, sem que dele tivesse prévio conhecimento.
David Trench, escreve Castanheira, “procura saber do colega português quais as instruções que traz de Lisboa para resolver o problema criado na ilha da Taipa”.
Nobre de Carvalho de nada sabia.
“Até então ninguém nos tinha falado nada da trapalhada.
Só no hydrofoil é que soubemos verdadeiramente que o caldo estava entornado.
Fomos apanhados completamente de surpresa”, contou Julieta Nobre de Carvalho ao jornalista.
O seu marido tomou posse como Governador de Macau a 11 de Outubro de 1966, sendo obrigado a lidar com o caso “1,2,3” logo no início de Dezembro.
Os tempos foram de grande tensão, com Nobre de Carvalho a ser obrigado a gerir os tumultos nas ruas, a dialogar com os líderes da comunidade chinesa, nomeadamente Ma Man Kei e Ho Yin, e a responder às reivindicações de parte da comunidade chinesa que levou para as ruas de Macau, e para os jornais, a ideologia de Mao Tse-tung.
No final, numa decisão quase solitária, Nobre de Carvalho cedeu nas exigências e soube manter a presença portuguesa no pequeno território.
De frisar que, à época, Portugal, governado pelo regime do Estado Novo, não tinha relações diplomáticas com a República Popular da China, comunista.
Fernando Lima, ex-jornalista e assessor, foi director do antigo Centro de Informação e Turismo entre 1974 e 1976, mas quando chegou a Macau para ocupar o cargo já o casal Nobre de Carvalho tinha deixado o território, no rescaldo do 25 de Abril de 1974 que atribui o cargo de Governador ao General Garcia Leandro.
Fernando Lima considera que Julieta Nobre de Carvalho foi “a confidente do marido” num momento tão difícil da sua carreira, tendo estado “sempre presente nos principais acontecimentos”.
“É um nome de referência em relação a um certo período de Macau, tendo vivido toda a angústia e ansiedade do marido, que se viu obrigado a resolver aquele assunto depois de ter ido para Macau sem instruções”, acrescentou.
Nobre de Carvalho soube resolver “uma situação que parecia de ruptura” e, “para muita gente, foi o homem que salvou Macau”, recorda Fernando Lima, que entende que o Governador “foi sempre respeitado pelos chineses” devido a esse facto.
Fernando Lima só conheceu, de forma breve, Julieta Nobre de Carvalho aquando da realização da série televisiva “Macau entre dois mundos”, transmitida em 1999 pela RTP e que deu, mais tarde, origem a um livro.
Num dos episódios, “Anos de Agitação – Parte II”, Julieta Nobre de Carvalho confessa que, na viagem de Hong Kong para Macau, à chegada, o marido lhe confidenciou que “ia ter problemas em Macau”.
Sobre o “1,2,3”, disse ainda: “No período em que houve o recolher obrigatório, estivemos no edifício militar, mas foi uma questão de três dias.”
Papel social
Na Macau de hoje são poucos os sinais que restam da passagem de Julieta Nobre de Carvalho pelo território.
O mais visível será o edifício de habitação pública que ganhou o seu nome, tendo sido inaugurado em meados da década de 70 na avenida Artur Tamagnini Barbosa, na zona norte da península.
Rita Santos, conselheira do Conselho das Comunidades Portuguesas, morava numa casa social do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), situada perto do novo complexo de habitação pública.
Ao HM, diz recordar-se “muito bem” da inauguração do edifício e de Julieta Nobre de Carvalho, “uma senhora muito simpática, que andava sempre bem vestida, com o cabelo bem arranjado e que conversava muito comigo nas actividades sociais”.
“Eu e as minhas irmãs, bem como os vizinhos, fomos ver a inauguração do edifício onde alguns colegas meus do liceu chegaram a viver.
A dona Julieta saiu de um carro grande de cor preta, do Governo, com um sorriso bonito, acenando para o público.
Como eu estava perto da porta principal, ela aproximou-se de mim e perguntou-me como eu estava.
Eu só lhe disse que ela estava muito bonita”, recordou.
Julieta Nobre de Carvalho marcava, assim, presença em diversos eventos sociais, com e sem o marido.
Exemplo disso foi a recepção oferecida pelo Consulado do Japão às autoridades portuguesas no restaurante “Portas do Sol”, no Hotel Lisboa, a 5 de Julho de 1973.
As imagens a preto e branco, sem som, hoje disponíveis online na plataforma RTP Arquivos, mostram a presença simpática e formal do casal Nobre de Carvalho.
Outro exemplo da actividade social de Julieta Nobre de Carvalho, faz-se com a sua presença, a 14 de Março de 1973, na inauguração da loja de antiguidades “Armazém Velho”, que à data funcionava nas arcadas do edifício do Hotel Lisboa.
A esposa do Governador esteve também, sozinha, na festa do Centro de Reabilitação de Cegos da Santa Casa da Misericórdia, a 21 de Janeiro de 1973, um evento dedicado aos utentes da instituição.
No blogue “Nenotavaiconta”, onde são partilhados diversos episódios da história de Macau, recorda-se o momento em que, a 9 de Dezembro de 1970, Julieta Nobre de Carvalho inaugurou uma exposição de trabalhos de ergoterapia feitos pelos pacientes do Centro Hospitalar Conde de São Januário.
Julieta Nobre de Carvalho esteve ainda presente na inauguração de “Uma Exposição de Pintura, Arte e Beneficência”, a 30 de Março de 1974, patente no átrio da então Escola Comercial, hoje Escola Portuguesa de Macau.
Julieta Nobre de Carvalho esteve presente “dados os fins assistenciais a que se destinava o produto da venda dos quadros que se viesse a realizar”, lê-se no blogue.
Mas a esposa do antigo Governador foi mais do que uma mera “corta-fitas”, tendo presidido à direcção da Obra das Mães.
Foi com esse trabalho que tentou “congregar as ‘senhoras’ da sociedade macaense para que pudessem contribuir mais para essa organização, de ajuda aos mais necessitados”, aponta Fernando Lima.
João Guedes, jornalista e autor de diversas publicações sobre a história de Macau, destaca o facto de a presidência da “Obra das Mães”, entidade fundada em 1959, estar, habitualmente, destinada às mulheres dos Governadores.
Era uma associação que “tinha como missão a promoção de actividades relacionadas com a educação familiar, a qualidade de vida, o apoio às mães e acções de caridade”, congregando “as elites femininas de Macau e assumindo, por vezes, a dinamização de alguns projectos do Governo, sempre que, para a sua realização, se mostrava necessário envolver a sociedade civil no seu pendor feminino.”
Rita Santos ia, no dia oito de cada mês, à Obra das Mães buscar bens essenciais com as irmãs mais velhas.
“Em alturas de celebração das quadras festivas, ela estava presente na Obra das Mães e entregava os bens a todas as famílias.
Quando chegava a minha vez ela dizia ‘Menina Rita, espero que os bens possam ajudar a sua família’.
Isto porque, na altura, éramos 12 pessoas”.
João Guedes fala ainda de outras actividades ligadas à Igreja católica desenvolvidas por Julieta Nobre de Carvalho, numa altura em que “a comunidade chinesa vivia, em grande medida, apartada da portuguesa”.
A esposa do Governador apresentava “uma imagem de simpatia”, mas que se “confinava praticamente à população lusófona”.
Questão de imagem
Acima de tudo, Julieta Nobre de Carvalho foi o exemplo de presença pública que as mulheres dos Governadores portugueses assumiam, não se limitando a ficar na sombra.
Postura bem diferente face às esposas dos Chefes do Executivo da era RAEM.
“Essa é uma característica da cultura chinesa.
As mulheres dos Governadores tiveram sempre um papel de apoio à acção social, com a preocupação de dar força às organizações locais viradas para esse apoio social e para o bem-estar da população.
Hoje mal conhecemos as mulheres dos Chefes do Executivo, que têm uma presença muito discreta.
Entende-se que a política é para ser feita pela pessoa que tem a autoridade.
Só aparece a mulher do Presidente Xi Jinping [Peng Liyuan] porque este tem uma presença internacional e ela própria é uma figura conhecida na China”, destacou Fernando Lima.
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