FRANCISCO MADRUGA DOAÇÃO

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Por acordo entre a Câmara Municipal de Mogadouro e Francisco Fernandes Madruga em representação da família de Maria da Conceição Madruga, foi objeto de “Doação” à Biblioteca Municipal Trindade Coelho, Município de Mogadouro, a sua “Biblioteca particular”, bem como documentos de relevante interesse cultural, incluindo correspondência original com José Saramago.
O “Protocolo de Doação” hoje assinado, releva um merecido louvor ao anterior Executivo Municipal, composto pelos senhores vereadores do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, sobre a presidência de Francisco Guimarães, que o aprovou por unanimidade em 7 de setembro de 2021, com o seguinte texto:
“Levo ao conhecimento de V. Exa., que esta Câmara Municipal, tendo por base a informação técnica da bibliotecária desta Autarquia deliberou, por unanimidade, em sua reunião extraordinária de 7 de setembro de 2021 e em cumprimento do disposto na alínea j, do nº1 do artigo 33º, Anexo I, da lei nº 75/2013. De 12 de setembro, aceitar a doação de vários documentos nas áreas da literatura, educação, ensino, didática, entre outras, efetuada pelo munícipe Francisco Fernandes Madruga, natural da freguesia de Vale da Madre deste concelho, que ficarão à guarda da Biblioteca Municipal Trindade Coelho, aprovar a minuta de contrato de doação, a celebrar entre o doador e o Município de Mogadouro, bem como deixar-lhe uma palavra de reconhecimento e agradecimento pelo espólio oferecido ao nosso concelho”.
Ao senhor Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, António Pimentel, o agradecimento pela concretização da assinatura deste Protocolo, nesta data de 29 de dezembro de 2022.
Permitam-me para finalizar, que diga algumas palavras sobre a Ção, para os amigos, a Mariazinha para os mais íntimos ou a Conceição Madruga para os académicos.
“Maria da Conceição Madruga, nasceu em 1951, em Vale da Madre, Mogadouro. Filha de Luís Maria Madruga e de Florinda da Encarnação Fernandes, ambos naturais de Vale da Madre, Mogadouro, tendo o seu pai atingido o posto de Sargento-Ajudante, terminando a sua carreira militar no Comando da Secção de Mogadouro da Guarda Fiscal. Fez a Escola Primária em Mogadouro, Frequentou o Liceu Rainha Santa Isabel e o Liceu Nacional de Vila Nova de Gaia, tendo pertencido ao núcleo dos estudantes que o inauguraram. Em 1975, licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 1994, com a tese “A Paixão Segundo José Saramago”, concluiu o Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre a orientação da Professora Doutora Isabel Pires de Lima. Como professora do Ensino Secundário, desenvolveu, promoveu e participou em inúmeras atividades ligadas à investigação e formação na área pedagógica. Fora do ensino, levou a cabo uma intensa atividade cultural, participando em diversos projetos no âmbito da animação e do jornalismo, nomeadamente no Centro Cultural do Alto Minho, na revista “Mealibra”, no jornal “Letras&Letras” e no Conselho Cultural da Universidade do Minho.
Entre 1983 e 1986 foi membro da Assembleia Municipal de Viana do Castelo, eleita nas listas da APU, como independente. Na área sindical, fez parte da Assembleia Geral do Sindicato dos Professores do Norte e do Conselho Nacional da Federação Nacional de Professores, foi diretora de campanha da candidatura da eng. Maria de Lurdes Pintassilgo, à Presidência da República, no distrito de Viana do Castelo.
Foi ainda diretora da revista “Proforma”, editada pelo Centro de Formação Contínua de Professores de Viana do Castelo.
Assinou diversos artigos sobre Literatura e Cultura Portuguesas e Pedagogia, publicados no “Letras&Letras”, na “Seara Nova”, no jornal “A Página”, na revista “Farol”, entre outras publicações.
Pertenceu ao Conselho diretivo da Escola Comercial e Industrial de Gaia, em 1975, onde começou a lecionar, foi Presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária de Monserrate e da Escola Superior de Educação de Viana do Castelo.
Quando faleceu em 1997, estava a frequentar o Doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela.
A título póstumo, a Assembleia Municipal de Viana do Castelo, atribui-lhe o nome numa rua da cidade e o Centro Cultural do Alto Minho atribuiu-lhe o Certificado de Mérito Cultural pelo trabalho desenvolvido na direção desta Instituição. Organização de Feiras do Livro, Galeria Barca D’Artes, Teatro do Noroeste e espetáculos e exposições culturais.”
Antes do 25 de Abril, foi catequista na Paróquia de Coimbrões, Vila Nova de Gaia, onde integrou os grupos católicos que faziam oposição à Ditadura.
Maria da Conceição Madruga foi uma intelectual livre, independente e humanista, mas profundamente ligada à luta pela Liberdade, pela Democracia e pelos mais nobres ideais do 25 de Abril.

ASSINATURA DE PROTOCOLO 📄🖋
Decorreu hoje, durante a Reunião da Assembleia Municipal de Mogadouro, a assinatura do Protocolo de Cedência da Biblioteca Particular de Maria da Conceição Madruga, ilustre mogadourense que muito contribuiu para o crescimento e para a valorização da cultura em Portugal.
O Município de Mogadouro agradece à família, na pessoa do Senhor Francisco Madruga, pela formalização deste protocolo, 25 anos após a partida desta benfeitora do nosso concelho e cidadã de grande mérito do nosso país.

You, Telmo R. Nunes, Helena Olga Jesus and 46 others

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Antiga espécie de hominídeo pode estar viva nas florestas das Flores

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Antropólogo considera que uma antiga espécie humana pode estar ainda viva, na Ilha das Flores, na Indonésia: o Homo floresiensis.

Source: Antiga espécie de hominídeo pode estar viva nas florestas das Flores

ABADE DE BAÇAL

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Francisco Manuel Alves, conhecido ‘urbi et orbi’ como Abade de Baçal, além de ser um sábio de enorme erudição, era um trasmontano de corpo inteiro, devotado aos valores de Trás-os-Montes, e fez da sua obra-mestra, as celebradas “Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança”, uma tribuna de defesa e propaganda desses valores, como acontece no decantado volume IX (acaso o mais lido e citado, porque trata da etnografia bragançana, assunto que tem sempre os seus incondicionais). Essa defesa e essa propaganda surge às vezes de forma inesperada e até aparentemente deslocada, mas é sempre enérgica e apaixonada.
É o caso do fervor com louva… o porco. No capítulo que dedica à Páscoa, aparece, naturalmente e com toda a justiça, uma alusão ao folar. Mas, às duas por três, já está a falar de outros petiscos (as alheiras, que em Bragança também se chamam tabafeias, e as trutas dos rios Tuela e Baceiro) e logo, num salto imprevisto, aí o temos a gabar o leitão assado, que naquelas terras tinha então (julgo que já não tem) o curioso nome de torradeiro. E ei-lo a exortar os seus conterrâneos ao consumo do leitão assado: «Bragançanos! Não esqueçais o torradeiro, regado com os vinhos regionais, celebrizados na lenda popular pelo bom vinho dos Alvaredos, Arcas, Nozelos e Vilarinho de Agrochão.»
Anteriormente tinha esclarecido, com conhecimento de causa próprio de um ‘connoisseur’, que o leitão, «para estar em condições deve regular por trinta dias de idade – leitão de mês e cabrito de três – como reza a culinária local» (palavras suas). E lamenta: «Infelizmente a moda vai abastardando alguns derrancados de gosto, que tentam substituir-lhe o desensabido peru. Que tristeza! Que dor de alma! E não reparam que assim nos desregionalizamos, caindo na chata vulgaridade do anonimato equivalente da não existência, por falta de qualidades típicas características!…»
Do leitão passa ao porco adulto, em abono de cuja excelência culinária cita um provérbio que ainda se ouve em terras trasmontanas: Das carnes, o carneiro; das aves, a perdiz e, sobretudo, a codorniz; mas, se o porco voara, não havia carne que lhe chegara.
Eu não sou, nem de longe, um gastrónomo. Como cada vez menos e quase todas as carnes e peixes me dão fastio. Mas confesso que um bom leitão assado, um vez por outra, lá quando el-rei faz anos, me sabe bem — embora me cause alguma impressão aquilo que o nosso Abade diz com toda a naturalidade: que «para estar em condições, o leitão deve regular por trinta dias de idade». É mais uma das velhas contradições de que o homem não há meio de se libertar: coitadinhos dos porquinhos, tão novinhos — mas tão saborosos…
Tudo isto me lembra irresistivelmente o poema de Sophia: «As pessoas sensíveis não são capazes / De matar galinhas / Porém são capazes / De comer galinhas.»
Termino aqui esta crónica. Por pudor.
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You, Jose Gomez Bulhao, Domingos da Mota and 146 others
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  • Jorge Marrão

    Que petisco! Continue a petiscar.
    Próspero 2023.
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