3 siblings survive in Australian Outback for 55 hours after car crash that killed parents

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“It was a miracle their beautiful babies survived for over two days in the Australian outback before being rescued,” a family member said.

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TIMOR CRÓNICA NOSTÁLGICA quinta portugal

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A QUINTA PORTUGAL- crónica nostálgica
Parte 1
Quem pelos anos 60 do século passado esteve por Aileu, em Timor Leste, certamente conheceu a Quinta Portugal. Ficava antes de chegar à vila, vindo de Díli, estendendo-se por alguns hectares de café e mata ao lado da ribeira. Poiso obrigatório nalgumas tardes de sábado ou domingo, passeio agradável de mota ou a cavalo e a oportunidade de visitar o seu proprietário, que invariavelmente nos oferecia um saboroso e bem escuro café.
Aqueles dedos de conversa trocados com ele, sentados no abrigado alpendre, eram relaxantes, até pela boa disposição e humor com que o Alferes Abrantes narrava velhos episódios da sua longa vida na Meia Ilha. Lá chegara nos finais dos anos 20 como sargento, acabando por se reformar no posto honorífico de alferes. Com as suas economias, construíra a quinta, a que deu o nome da sua pátria.
Ainda ouço a parlar pausadamente e como experiente velhote a filosofar sobre a vida, prognosticando futuros sempre incertos. Sentado num cadeirão de rota e de pijama vestido, com um grande copo de aguardente a seu lado, ia bebericando, enquanto sentenciava sobre os mais variados assuntos. Eu acompanhava-o num café que o diligente e também idoso mainato servia. Seu servidor há longos anos, emprestava-lhe amizade, com algum distanciamento. Lá repetia a ladainha sobre o café, argumentando que já tinha dito ao “preto” que não o torrasse demasiado, ao que ele não obedecia e era a razão por se beber não café, mas cinzas de café…
À pergunta feita se alguma vez fora a Portugal, confessou que pouco antes da guerra visitara a sua aldeia de Vessadas, no concelho de Mangualde. Fora durante o inverno – e o gelo, neve e o frio da serra, a que já não estava habituado, provocavam-lhe um mau estar que nem mesmo o incentivo dos seus velhos companheiros de infância, para beber uns tragos de aguardente como aquecimento, produziam efeito. Respondia-lhes que já tinha emborcado uma série de copos da bem forte, mas sem resultado: “- até já tenho os fígados queimados, mas nada resulta”. Não volto a ir à Metrópole, lá é muito frio!
…Um dia, mandou um seu netito ao meu encontro ao quartel para me entregar um bilhete, onde solicitava urgentemente a minha presença, já que não podia aceder a todas as nonas que tinha – e solicitava a minha ajuda para partilhar ao menos uma… Era a forma humorística que tinha para querer que o fosse visitar. Assim fiz e, no domingo após o almoço, lá me meti na mota e rumei à Quinta Portugal. Satisfeito por me ver, logo me disse que a nona já fugira com outro, mas que deixara uma prenda que era, nem mais nem menos, um saco de vinte quilos de café, ainda por torrar. Que bela prenda!
Na verdade, o café que cultivava era de boa qualidade – e o ambiente onde o saboreava davam-me um grande prazer. Aliás, nas minhas frequentes visitas, acabei por conhecer parte dos seus familiares. A mulher timorense com quem vivia nunca cheguei a saber se era a mãe dos seus dois filhos conhecidos: um, funcionário na Administração de Aileu, e outro, com dois ou três filhos, vivia ao fundo do grande terreiro da quinta, numa pequena casa isolada. Casado com uma macaísta, andara em novo por Aveiro a fazer que estudava, tendo a certa altura recebido ordem de marcha do pai para regressar a Timor. Ajudava o pai nas tarefas agrícolas. Era um bom conversador de pequenos nadas, mas não se sentava connosco nos colóquios com o seu progenitor.
José Pais Abrantes teria já uns setenta e alguns anos quando o conheci. A sua referência aos governantes era bem expressa numa carapaça de tartaruga que adornava a parede exterior da sua casa, onde se inscrevia um viva a Marcelo Caetano. Quando ocorreu o 25 de Abril, talvez o seu filho, que era funcionário público, tenha retirado esse louvor, pelo que por debaixo apareceu uma antiga loa de tudo pela nação, nada contra a nação – Salazar; e ainda sob esta legenda colada em papel, lá se encontrava o escudo português bem pintado na casca do réptil marinho.
Com o desenrolar dos acontecimentos políticos, logo em 1974, a sua boa disposição começou a mostrar quebra, o seu ânimo já não era o mesmo. Bem o tentava a falar, mas ele acabrunhado só dizia: “prevejo para Timor um futuro muito negro. Sabe, se o timorense não tiver por perto da sua palhota um branco, matam-se uns aos outros…”
Da última vez que o vi, tornou a vaticinar o futuro trágico para Timor e confessou-me que em breve ia morrer angustiado… Não resistiu muito mais e acabou por falecer em Díli nos primeiros meses de 1975.
A sua profecia infelizmente cumpriu-se…
Parte 2
…Contudo, os desígnios da humanidade também surpreendem, e o Timor Português tornou-se um país independente. Regressei a Timor em 1999, na área da cooperação com Portugal. Visitei, logo que pude, a Quinta Portugal em Aileu. Dela restava o sítio. Das casas, mal se distinguiam os caboucos e da viçosa plantação de café, apenas alguns pés já abastardados, perdidos no meio da selva. Que choque!
Uns tempos depois, fui procurado pelo encarregado de uma missão agrícola portuguesa chegado a Timor-Leste, que pretendia que lhe recomendasse um guia para os acompanhar a Maubisse, local onde o Dr.Ramos Horta tinha indicado para implantarem um projecto de dinamização agrícola na área de cafeicultura, fruticultura e silvicultura. Indiquei-lhe um jovem, regente agrícola. Fiz-lhe um pedido: que no caminho para o seu procurado destino passassem pela Quinta Portugal e visse o potencial. O jovem guia que lhes tinha indicado era o neto do antigo colono, que conhecera em criança. Passados dias, fui de novo visitado pelo engenheiro português que, entusiasmado, informou que o melhor sítio para o seu projecto era justamente o terreno da antiga quinta em Aileu. Sei que fizeram contrato de arrendamento com os herdeiros e lá nasceu uma florescente estação agrícola onde se efectuavam alfobres e plantações das mais diversas espécies, e onde os timorenses, de perto ou longe, acorriam a ter formação para transplantarem as novas plantas para as suas regiões. Era um sucesso, constituindo orgulho para a cooperação portuguesa. Local obrigatório de visita.
Em 2010, voltei a sentir uma dor d’alma ao deparar-me com o que vi: uma sombra do que fora escassos anos antes! O renascido sucesso fora definhando assim que os técnicos portugueses, acabado o projecto, tinham deixado Timor. Ao que julgo saber, houve entretanto um apoio da cooperação australiana, que tentou manter a dinâmica, mas acabara também por não resultar
Em 2018, junto à ribeira, à entrada da quinta, ainda lá existia o antigo placard, mas a tela pintada com a bandeira portuguesa recortada, desaparecera.
Soube que há poucos anos surgiu um novo projecto de renovação, denominado Centro Agroflorestal da Quinta Portugal, sendo também local de referência para o estudo e desenvolvimento de acções relativas à problemática da cultura do café, fruticultura, horticultura e cerealífera, promovendo sessões de formação e trabalho, bem como concursos e festivais agro. Tudo isto, possibilitando uma interacção social dos vários pequenos e grandes produtores, tal como distribuidores e consumidores interessados.
Também anda por lá dedo de técnicos portugueses, através do Instituto Camões que, apoiando as instituições timorenses, têm efectuado um trabalho meritório, que é justo assinalar. Oxalá se consiga consolidar permanentemente e por longo tempo tal desiderato e que a quinta contribua para o bem-estar e desenvolvimento sócioeconómico de Timor –Leste!
Em memória do seu fundador e dos bons momentos que muitos portugueses lá passaram e ao excelente trabalho repetidamente efectuado, apraz-me dar um Viva à Quinta Portugal de Aileu!
RBF
Natal 2022
You, Joao Paulo Esperanca, Fátima Hopffer Rego and 16 others
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  • António Serra

    Curiosissima “nota histórica”. Obgd. Sou um fã incondicional do projeto e sempre que posso incentivo a sua ” multiplicação “. Parabéns ao UGoh Trindade , o técnico português que reanimou o projeto nos últimos anos.
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    • 9 h

FRANCISCO MADRUGA DOAÇÃO

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Por acordo entre a Câmara Municipal de Mogadouro e Francisco Fernandes Madruga em representação da família de Maria da Conceição Madruga, foi objeto de “Doação” à Biblioteca Municipal Trindade Coelho, Município de Mogadouro, a sua “Biblioteca particular”, bem como documentos de relevante interesse cultural, incluindo correspondência original com José Saramago.
O “Protocolo de Doação” hoje assinado, releva um merecido louvor ao anterior Executivo Municipal, composto pelos senhores vereadores do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, sobre a presidência de Francisco Guimarães, que o aprovou por unanimidade em 7 de setembro de 2021, com o seguinte texto:
“Levo ao conhecimento de V. Exa., que esta Câmara Municipal, tendo por base a informação técnica da bibliotecária desta Autarquia deliberou, por unanimidade, em sua reunião extraordinária de 7 de setembro de 2021 e em cumprimento do disposto na alínea j, do nº1 do artigo 33º, Anexo I, da lei nº 75/2013. De 12 de setembro, aceitar a doação de vários documentos nas áreas da literatura, educação, ensino, didática, entre outras, efetuada pelo munícipe Francisco Fernandes Madruga, natural da freguesia de Vale da Madre deste concelho, que ficarão à guarda da Biblioteca Municipal Trindade Coelho, aprovar a minuta de contrato de doação, a celebrar entre o doador e o Município de Mogadouro, bem como deixar-lhe uma palavra de reconhecimento e agradecimento pelo espólio oferecido ao nosso concelho”.
Ao senhor Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, António Pimentel, o agradecimento pela concretização da assinatura deste Protocolo, nesta data de 29 de dezembro de 2022.
Permitam-me para finalizar, que diga algumas palavras sobre a Ção, para os amigos, a Mariazinha para os mais íntimos ou a Conceição Madruga para os académicos.
“Maria da Conceição Madruga, nasceu em 1951, em Vale da Madre, Mogadouro. Filha de Luís Maria Madruga e de Florinda da Encarnação Fernandes, ambos naturais de Vale da Madre, Mogadouro, tendo o seu pai atingido o posto de Sargento-Ajudante, terminando a sua carreira militar no Comando da Secção de Mogadouro da Guarda Fiscal. Fez a Escola Primária em Mogadouro, Frequentou o Liceu Rainha Santa Isabel e o Liceu Nacional de Vila Nova de Gaia, tendo pertencido ao núcleo dos estudantes que o inauguraram. Em 1975, licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 1994, com a tese “A Paixão Segundo José Saramago”, concluiu o Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre a orientação da Professora Doutora Isabel Pires de Lima. Como professora do Ensino Secundário, desenvolveu, promoveu e participou em inúmeras atividades ligadas à investigação e formação na área pedagógica. Fora do ensino, levou a cabo uma intensa atividade cultural, participando em diversos projetos no âmbito da animação e do jornalismo, nomeadamente no Centro Cultural do Alto Minho, na revista “Mealibra”, no jornal “Letras&Letras” e no Conselho Cultural da Universidade do Minho.
Entre 1983 e 1986 foi membro da Assembleia Municipal de Viana do Castelo, eleita nas listas da APU, como independente. Na área sindical, fez parte da Assembleia Geral do Sindicato dos Professores do Norte e do Conselho Nacional da Federação Nacional de Professores, foi diretora de campanha da candidatura da eng. Maria de Lurdes Pintassilgo, à Presidência da República, no distrito de Viana do Castelo.
Foi ainda diretora da revista “Proforma”, editada pelo Centro de Formação Contínua de Professores de Viana do Castelo.
Assinou diversos artigos sobre Literatura e Cultura Portuguesas e Pedagogia, publicados no “Letras&Letras”, na “Seara Nova”, no jornal “A Página”, na revista “Farol”, entre outras publicações.
Pertenceu ao Conselho diretivo da Escola Comercial e Industrial de Gaia, em 1975, onde começou a lecionar, foi Presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária de Monserrate e da Escola Superior de Educação de Viana do Castelo.
Quando faleceu em 1997, estava a frequentar o Doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela.
A título póstumo, a Assembleia Municipal de Viana do Castelo, atribui-lhe o nome numa rua da cidade e o Centro Cultural do Alto Minho atribuiu-lhe o Certificado de Mérito Cultural pelo trabalho desenvolvido na direção desta Instituição. Organização de Feiras do Livro, Galeria Barca D’Artes, Teatro do Noroeste e espetáculos e exposições culturais.”
Antes do 25 de Abril, foi catequista na Paróquia de Coimbrões, Vila Nova de Gaia, onde integrou os grupos católicos que faziam oposição à Ditadura.
Maria da Conceição Madruga foi uma intelectual livre, independente e humanista, mas profundamente ligada à luta pela Liberdade, pela Democracia e pelos mais nobres ideais do 25 de Abril.

ASSINATURA DE PROTOCOLO 📄🖋
Decorreu hoje, durante a Reunião da Assembleia Municipal de Mogadouro, a assinatura do Protocolo de Cedência da Biblioteca Particular de Maria da Conceição Madruga, ilustre mogadourense que muito contribuiu para o crescimento e para a valorização da cultura em Portugal.
O Município de Mogadouro agradece à família, na pessoa do Senhor Francisco Madruga, pela formalização deste protocolo, 25 anos após a partida desta benfeitora do nosso concelho e cidadã de grande mérito do nosso país.

You, Telmo R. Nunes, Helena Olga Jesus and 46 others

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ABADE DE BAÇAL

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Francisco Manuel Alves, conhecido ‘urbi et orbi’ como Abade de Baçal, além de ser um sábio de enorme erudição, era um trasmontano de corpo inteiro, devotado aos valores de Trás-os-Montes, e fez da sua obra-mestra, as celebradas “Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança”, uma tribuna de defesa e propaganda desses valores, como acontece no decantado volume IX (acaso o mais lido e citado, porque trata da etnografia bragançana, assunto que tem sempre os seus incondicionais). Essa defesa e essa propaganda surge às vezes de forma inesperada e até aparentemente deslocada, mas é sempre enérgica e apaixonada.
É o caso do fervor com louva… o porco. No capítulo que dedica à Páscoa, aparece, naturalmente e com toda a justiça, uma alusão ao folar. Mas, às duas por três, já está a falar de outros petiscos (as alheiras, que em Bragança também se chamam tabafeias, e as trutas dos rios Tuela e Baceiro) e logo, num salto imprevisto, aí o temos a gabar o leitão assado, que naquelas terras tinha então (julgo que já não tem) o curioso nome de torradeiro. E ei-lo a exortar os seus conterrâneos ao consumo do leitão assado: «Bragançanos! Não esqueçais o torradeiro, regado com os vinhos regionais, celebrizados na lenda popular pelo bom vinho dos Alvaredos, Arcas, Nozelos e Vilarinho de Agrochão.»
Anteriormente tinha esclarecido, com conhecimento de causa próprio de um ‘connoisseur’, que o leitão, «para estar em condições deve regular por trinta dias de idade – leitão de mês e cabrito de três – como reza a culinária local» (palavras suas). E lamenta: «Infelizmente a moda vai abastardando alguns derrancados de gosto, que tentam substituir-lhe o desensabido peru. Que tristeza! Que dor de alma! E não reparam que assim nos desregionalizamos, caindo na chata vulgaridade do anonimato equivalente da não existência, por falta de qualidades típicas características!…»
Do leitão passa ao porco adulto, em abono de cuja excelência culinária cita um provérbio que ainda se ouve em terras trasmontanas: Das carnes, o carneiro; das aves, a perdiz e, sobretudo, a codorniz; mas, se o porco voara, não havia carne que lhe chegara.
Eu não sou, nem de longe, um gastrónomo. Como cada vez menos e quase todas as carnes e peixes me dão fastio. Mas confesso que um bom leitão assado, um vez por outra, lá quando el-rei faz anos, me sabe bem — embora me cause alguma impressão aquilo que o nosso Abade diz com toda a naturalidade: que «para estar em condições, o leitão deve regular por trinta dias de idade». É mais uma das velhas contradições de que o homem não há meio de se libertar: coitadinhos dos porquinhos, tão novinhos — mas tão saborosos…
Tudo isto me lembra irresistivelmente o poema de Sophia: «As pessoas sensíveis não são capazes / De matar galinhas / Porém são capazes / De comer galinhas.»
Termino aqui esta crónica. Por pudor.
May be art of 1 person and sitting
You, Jose Gomez Bulhao, Domingos da Mota and 146 others
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  • Jorge Marrão

    Que petisco! Continue a petiscar.
    Próspero 2023.
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