Avião com origem na Madeira e destino a Kiev desviado para a Moldávia – Mundo – Correio da Manhã

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Em causa está uma proibição de sobrevoar espaço aéreo da Ucrânia.

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Origens: Lista dos sobrenomes das primeiras famílias que povoaram os Açores

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CAMINHO DA HUMANIDADE

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O sol de inverno ilumina-se com uma luz pálida, quase branca e vazia como um imenso manto de neve sobre uma montanha. Todos os acontecimentos do mundo se perdem nesse branquitude que cega, uma luz tão forte que os olhos não a podem contemplar.
Nas televisões, passamos dos infinitos monólogos dos matemáticos e dos epidemiologistas, vomitando vaticínios e estatísticas, para as prelecções religiosas dos psicólogos forenses, decompondo em incontáveis peças os dramas da adolescência individual como se de um puzzle a vida de um pobre jovem se tratasse. Noutro canal os académicos da geoestrategia global peroram sobre a dispensabilidade da Ucrânia, enquanto outros ainda nos elucidam sobre as nuances não binárias do cybermundo.
O presente é dos especialistas. Vivemos na Era do Micro-saber. Da absoluta especialização, em campos de conhecimento tão ínfimos e microscópicos como a cabeça de um alfinete. Já não olhamos a montanha mas apenas o minucioso floco de neve, já não entreolhamos o sol mas a ausência de luz do interior das estrelas.
Um pouco por todo o ocidente as populações a pouco e pouco sublevAM-se em protesto contra a ditadura sanitária. Dos camionistas no Canadá aos coletes amarelos em França. Trabalhadores de todo o mundo erguem-se num grito comum pela Liberdade. Em uníssono, as partidocracias ameaçadas acusam-nos de extremismo e de negacionismo. Incapazes de compreender a pureza de quem luta pela vida reforçam a narrativa da oposição ao conformismo bem comportado da unanimidade pandémica. Políticos e jornalistas tornaram-se nos especialistas do status quo, do inamovível, da perenidade confinada do aceitacionismo.
A esperança, hoje, está nos que saem à rua em protesto, no clamor dos que fazem ouvir a sua voz em fúria, no caos dos que se rebelam e contestam e questionam. A luz que ilumina o futuro está nos que se recusam em abdicar da vida e que abraçam com a força dos seus corações abertos a existência plena do presente contaminado e doente do dia-a-dia. Que escolhem, com a coragem dos destituídos, o caminho da humanidade…
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war is my business a guerra é o meu negócio EUA USA

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Excelente texto de Miguel Sousa Tavares sobre a Guerra
que o militarismo e o complexo industrial-militar, com a preciosa ajuda da TV e dos Mass Media, nos querem vender através da propaganda à base de mentiras e manipulações, tal como aconteceu com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos
Esta guerra que nos querem vender (Miguel Sousa Tavares,in Expresso 12/02/2022)
Parece que o mundo não tem suficientes problemas globais urgentes, com a pandemia, as alterações climáticas, as migrações do sul para o norte, a crise do preço das matérias-primas e a inflação, e ainda precisa de lhes acrescentar uma guerra — uma guerra a sério, capaz de destabilizar tudo, de causar a morte a muitos milhares de seres humanos, lançar o caos na economia e relançar em força o espírito da Guerra Fria, que ainda alimenta tantas nostalgias.
Putin, garantem-nos há meses os nossos “especialistas” ocidentais, prepara uma invasão iminente da Ucrânia: marcada primeiro para Janeiro, depois adiada para o início de Fevereiro e agora garantida para a semana que vem. Mas desconfiem também disto: de cada vez que alguém fora do círculo belicista NATO-Estados Unidos-Inglaterra inicia diligências paralelas para encontrar uma saída que evite a guerra (o chanceler Scholz ou o Presidente Macron), ou de cada vez que é o próprio Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a pedir aos seus aliados ocidentais que parem com a “histeria” da guerra iminente, logo aumentam as “notícias” na imprensa ocidental sobre novas movimentações de tropas russas com vista à invasão. Sim, é verdade que Putin tem os meios para iniciar a invasão de parte ou de toda a Ucrânia quando o quiser e se o quiser. Mas ainda ninguém respondeu cabalmente a esta pergunta: porque haveria Putin de querer invadir a Ucrânia, o que teria a ganhar com isso, no curto e no longo prazo? A Ucrânia não será nunca, para o Exército russo, um passeio na Crimeia: é 25 vezes maior do que a Crimeia, e a sua população de 43 milhões de pessoas é dividida entre 73% de ucranianos e 22% de russos, contra apenas 2,4 milhões de habitantes na Crimeia, dos quais 65% de russos e 15% de ucranianos. Mesmo que o referendo posterior à anexação russa de 2014, que Moscovo sustenta ter-lhe sido favorável com 94% dos votos, não seja credível, é óbvio que na Crimeia — que Potemkin conquistou para Catarina, a Grande, em 1783, e que o ucraniano secretário-geral do PCUS Nikita Khrushchov deu à Ucrânia, em 1954 — Moscovo está em casa, enquanto na Ucrânia teria pela frente umas Forças Armadas poderosas, uma resistência feroz e um povo maioritariamente hostil, que transformaria a ocupação num inferno permanente. E por mais que Putin seja um saudosista do Império russo e soviético, também é suficientemente pragmático para compreender os custos que tal aventura lhe acarretariam, com a Rússia mergulhada em nova Guerra Fria, cercada de inimigos por todos os lados e reduzida à condição de pária entre as nações, só com o cordial inimigo chinês como potencial aliado.
Não, é muito provável que Putin não queira invadir a Ucrânia, nem queira uma guerra. Que queira outras coisas, paras as quais é preciso ouvi-lo com atenção. Para começar, isso mesmo: ser escutado. Lembrar que, apesar da actual guerra latente Ocidente-China, continua a existir uma terceira superpotência chamada Rússia, o segundo maior país do mundo, com o segundo arsenal nuclear, maior fornecedor à Europa de gás natural (agora considerado “energia verde” pela UE), e cujos interesses estratégicos não podem, pura e simplesmente, ser distratados, como se não merecessem qualquer consideração. Quem conhecer a história da Rússia sabe que no subconsciente de todos os russos está o medo ancestral do cerco. Putin vê nos sucessivos alargamentos da NATO aos ex-países da órbita soviética e aos vizinhos da Rússia uma manobra de cerco, e, ao opor-se a ela, ele não está, necessariamente, a manifestar um saudosismo imperial, mas a defender aquilo que os russos pensam: é política interna, não é política externa.
E a verdade é que, se a NATO foi criada para enfrentar a ameaça soviética, uma vez dissolvida a URSS e extinto o Pacto de Varsóvia, foi preciso uma grande ginástica política para justificar a sua continuidade — que, aliás, e por outras razões, Donald Trump pôs claramente em causa. Mas não só a NATO não se extinguiu como se foi alargando a novos membros e a novos territórios, abraçando e cercando a Rússia, mas não só. Na sequência do 11 de Setembro, e torcendo de forma clara os princípios da sua carta fundadora, a NATO foi intimada pelos Estados Unidos a segui-los na caça à Al-Qaeda e a Bin Laden, no Afeganistão. Mas como a Al-Qaeda era uma ameaça planetária e o 11 de Setembro chocou todos, abriu-se pacificamente o precedente. Porém, não havia Al-Qaeda no Afeganistão, e Bin Laden foi capturado e morto comprometedoramente no Paquistão, um aliado americano. E, depois de anos de inúteis e mortíferos esforços de nation building, os EUA, logo seguidos pelos seus fiéis aliados, bateram em retirada daquele vespeiro, entregando-o à barbárie dos talibãs. Mas aprendemos a lição? Não.
Quando se tem uma organização que deixou de ter como fim a preservação da paz através da dissuasão para passar a ser um instrumento de guerra sempre latente, comandada por um pistoleiro irresponsável e tão sensível aos interesses dos grandes fabricantes de armas, a qualquer guerra falhada segue-se invariavelmente uma nova tentativa de guerra feliz — como se isso pudesse existir.
Eu conheci a NATO em 1979, no seu quartel-general em Bruxelas, numa das minhas primeiras viagens como jornalista ao estrangeiro. A ordem de trabalhos da reunião extraordinária não podia ser mais dramática: discutia-se que resposta dar à iniciativa da URSS de colocar mísseis de curto e médio alcance — os SS-20 — na Alemanha Orien tal, Polónia e Checoslováquia. Aquele passo, tomado pelo louco do Brejnev, era uma escalada determinante que rompia o periclitante “equilíbrio do terror” em que se vivia na Europa. Significava que, em lugar de esperar que um míssil disparado da Rússia demorasse 20 ou 30 minutos a atingir uma capital europeia, bastariam agora 5 minutos para isso, não dando tempo ao lado de cá de tentar interceptar os mísseis e até de ripostar — o mesmo que Khrushchov tentara 16 anos antes, em Cuba, e que Kennedy travou com a ameaça de uma terceira guerra mun dial. Fora do edifício da NATO, uma multidão de manifestantes, vindos de toda a Europa, gritavam e ostentavam cartazes dizendo “Better red than dead” (“Antes vermelhos do que mortos”) — o mesmo que apregoava essa organização pró-soviética chamada Conselho Mundial da Paz, em Portugal representada pelo ex-PR Costa Gomes e um patético personagem de seu nome Silas Cerqueira. Pelo contrário, eu não tive dúvidas algumas de que, se a NATO não respondesse, não só acabaríamos vermelhos como também provavelmente mortos. Mas a NATO não vacilou, apesar das resistências em contrário: ripostou com a instalação dos Cruise e Pershing II junto às fronteiras do Pacto de Varsóvia, e esse gesto de resistência viria a apressar o fim da URSS.
De então para cá assistimos à 1ª Guerra do Golfo, que George Bush pai desencadeou, com toda a legitimidade, para expulsar Saddam Hussein do Koweit, que ele acabara de invadir, e que terminou cumprida a missão. Mas depois a NATO envolveu-se na guerra civil da ex-Jugoslávia, na infame guerra de bombardeamento aéreo de Belgrado, cujo objectivo primeiro foi escoar material militar americano em vias de ficar obsoleto e permitir à indústria militar nova geração de contratos com o Pentágono.
E envolveu-se na 2ª Guerra do Golfo, desencadeada pela vaidade oca de George Bush filho, “a President at war”, com o pretexto de aniquilar as armas de destruição maciça de Saddam, cuja existência não estava provada e cujas “provas irrefutáveis”, de que falava Durão Barroso, se revelaram grosseiramente forjadas.
Uma guerra em que a NATO (e Portugal) se envolveram contra o voto do Conselho de Segurança da ONU e que teve como consequência, até hoje, a disseminação do terrorismo islâmico por todo o Médio Oriente. Lembrem-se disso. Lembrem- -se das aventuras desastrosas, das guerras ilegítimas e das suas consequências trágicas em que a NATO já nos envolveu desde que ficou sem inimigo natural e passou a procurá-lo algures. Lembrem- -se de como o Ocidente respondeu, e bem, às tentativas da URSS de o cercar de mísseis de alcance próximo, em Cuba e na Alemanha, em 1962 e 1979. É isso mesmo que a NATO pretende fazer agora com a Rússia. Cercá-la de aliados seus e posteriores inimigos da Rússia — à força, se necessário, pois ninguém ainda ouviu a Ucrânia ou a Geórgia pedirem para aderir à NATO. E depois armá-los para os defender da ameaça russa. O que, aliás, já estão a fazer, sem esperar sequer pela adesão. Porque, se até há umas semanas o discurso, do lado de cá, é que em caso de invasão russa se responderia com sanções económicas e financeiras nunca vistas, agora, e no meio da gritaria permanente com os 100 mil soldados russos do lado de lá, ninguém fala dos soldados e armas que se vão colocando no terreno do lado de cá. “São apenas manobras defensivas”, explicava há dias um “especialista” português.
Defensivas? Trazer dos Estados Unidos a 82ª Divisão Aerotransportada, a unidade de combate de elite do Exército americano, para a Polónia, será uma manobra defensiva ou a preparação de uma sanção económica? Acordem, europeus! Porque Biden e Johnson precisam de tensão ou guerra para subir os índices de popularidade interna e a Polónia precisa de transfigurar a sua imagem de pior parceiro europeu em tempo de paz para parceiro indispensável em tempo de guerra, querem vender-nos uma guerra sem causa.
Uma guerra que os ucranianos suplicam que não lhes imponham, que os russos pedem que evitem e que nos fará, a nós outros, na melhor das hipóteses, retroceder anos, em vez de avançar em direcção ao que importa.
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Ataque à Vodafone. “Podem espiá-lo com a câmara e o microfone”, diz especialista

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Um especialista em cibersegurança diz que, num caso extremo, os hackers podem ter acesso aos dispositivos dos clientes Vodafone e espiá-los.

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Batido recorde de fusão nuclear com reação 10 vezes mais quente que o Sol

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No Reino Unido, o reator do JET bateu recorde de produção de energia através da fusão nuclear. Pode ser alternativa às centrais nucleares.

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Capela Nossa Senhora das Vitórias Lagoa Das Furnas (A MAIS BELA DOS AÇORES

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Capela Nossa Senhora das Vitórias
Lagoa Das Furnas

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IS BELA DOS AÇORES)

CONTO (GUINÉ)

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Pode ser uma ilustração de ave
NUNCA NA VIDA TE DEIXAREI SOZINHO
Nunca na vida te deixarei sozinho, disse a Isabel ao seu marido joãozinho, na véspera de meter outro homem na sua cama.
A Isabel não andou na Faculdade, para assim falar tão bem nas traseiras do sentimento, mas foi criada de servir em Bissau, o que, numa aldeia do mato, era um curso superior. Isabel era uma mulher muito bonita, daquelas que são sempre futuro, ainda que a pele se engelhe. As suas formas afeiçoavam-se aos olhos, mais despindo a existência do que o corpo. Uma espécie de mulher à flor da pele, bem calculada por dentro. Mulheres paridas de si mesmas, sem vida nos outros. Mulheres de além-desejo, voo de ave caminhando fora dos passos. Isabel, o torvelinho das tonturas do Joãozinho.
Joãozinho, servente da messe, sabia a mulher que tinha e todo se babava quando a gente dizia que ela era mais linda que surucucu empinada, mais pura que fruto de cajú. Todo ele era uma viagem por dentro da Isabel, adivinhando-lhe o mundo no contar das coisas. Manhã levantada era sol de todo o dia, noite deitada era sonho que não morria.
Um dia…
Encontrava-me eu frente à palhota da Isabel, limpando com uma compressa embebida em permanganato de potássio as feridas do dorso das vacas, verdadeiros buracos abertos pelos estilhaços das granadas e pelos pássaros pica-sangue, impiedoso tormento dos animais, quando ouvi atrás de mim uma voz de asas, leve de tempo, onde não havia destino, medida por lonjuras de sonho.
– Sr. Doutor, Sr. Doutor.
Do peito me nasceu um soluço que só anos mais tarde se escapou.
-Olá Isabel, que bela surpresa!
– Doutor, tenho galinha que consegui arranjar e vou fazer frango à cafreal para Doutor e nosso Capitão.
– Isabel, tu és um anjo, e nosso capitão, todo católico, vai pensar que é dádiva do céu, quando eu lhe contar.
Todos somos fingimento quando o sangue não se entorna no desaconchego da solidão. O provisório serve o regresso da alma, o fogo de outros calores invade os olhos através de janelas que há muito se não abriam. O capitão não mediu a fome nem a galinha, esqueceu a comunhão do Padre Gama, sonhou o despir da Isabel até à nudez pecaminosa e espetou os olhos no cair da noite.
Ao cair da noite, lá fomos os dois à palhota da Isabel, enquanto o Joãozinho lavava a loiça na messe. A Isabel estava no último acto da confecção do delicioso cafreal da tabanca. Primeiramente refogado, apenas em sumo de limão e piripiri, depois grelhado na brasa e em seguida frito com cebola.
Notei que os olhos do capitão se cruzavam constantemente com os meus, não na galinha mas nas ancas da Isabel. Seguiam a luz sensual do petromax, que penetrava abusivamente na malha de tule até às roupas que vinham de dentro. Senhora de reflexos e de encontros, Isabel não prestava menos atenção à sedução do que à galinha.
-Doutor, nosso Capitão, tenho gira-disco e morna, mim dançar para doutor e nosso capitão.
Não nos empenhámos em perceber como é que uma pequena caixa e um disco de madeira giravam música. O esvoaçar do tule era o centro do mundo, o arder da fogueira de todo o nosso frio. Toda a força daquele colo maternal, toda a ternura da silhueta envolta em cabelos penosamente desfrisados durante longos anos, toda a firmeza das carnes subtis, todo o trigo desse abrigo adormecido, toda a tempestade recolhida nesse pedaço de noite tombaram sobre nós quando a Isabel iniciou o strip-tease.
Não me lembro do sabor da galinha. Recordo apenas uma espécie de vento fustigando as entranhas, reduzindo-me a um calção e uma camisa, ardendo dentro de mim com sabor a cinza.
Olhámos um para o outro, sorrimos, assumindo o que sempre estivera assumido, antes de darmos ao espírito a momentânea liberdade de um passeio pelo sonho que morre ao pé dos coqueiros.
Aconteceu nessa noite ou na noite seguinte. O Joãozinho entrou em casa e deu com alguém a fugir da cama da Isabel. Pobre do Joãozinho, sofreu mais com a sova que deu na mulher do que com a traição. Sofreu mais pelo avesso do que ela dissera na véspera, nunca na vida te deixarei sozinho, do que em todas as noites que passara enterrado na bolanha à espera de turra.
Doeu muito mais do que picada de escorpião.
Isabel apresentou queixa no Chefe de Posto. Argumentava e provava com as equimoses dificilmente visíveis na sua pele de negra. Dolorosas como as equimoses em pele de branca. Afastara bondades de Joãozinho, denegrindo sua violência, grande de mais para coisa de momento. Não ser vontade de ela mas força de imaginação que vem de dentro. Destino de todo fogo que acende rápido.
Foi constituído o tribunal. Perante o Chefe de Posto, Capitão e eu, compareceram queixosa e réu. O Joãozinho estava disposto a perdoar, a despeito de um sonoro desabafo, bengala de toda a sua alma, letra de toda a sua filosofia, resguardo de toda a sua defesa.
– Boca de ela ser boca de mim, olho de ela ser olho de eu ver, dor de ela corpo de mim qui dói, vida de ela valer morte de mim, mim ca pude pensar que Zabel durme cum gajo na cama de mim, dibaxo di memo tecto…inda si foi sinhô dôtô ou nosso capeton…!
(Conto rigorosamente verdadeiro. Mas nem dotô nem capeton estiveram na cama de zabel)
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LANTERNAS E O 13º DIA DO ANO LUNAR

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Rui Rocha updated his status.

Décimo terceiro dia do Ano Novo Chinês
Os primeiros doze dias do Ano Novo Chinês são repletos de alimentos ricos em proteínas e muitas vezes em gorduras. Pratos vegetarianos como arroz e verduras são preferidos no décimo terceiro dia para ajudar a acalmar e limpar o sistema digestivo. Faltando apenas dois dias para o Festival das Lanternas, o último dia de festividades do Ano Novo Chinês, o décimo terceiro dia também é uma boa oportunidade para comprar lanternas e ingredientes para o tāngyuán 汤圆, ( ver explicação detalhada abaixo) uma sobremesa tradicional consumida no Dia das Lanternas.
É também tempo das famílias prepararem o festival das Lanternas que tem lugar no 15.º e último dia das festividades do Ano Novo Chinês, construindo ou comprando lanternas
Rui Rocha and 13 others
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  • Rui Rocha

    O 13º dia do primeiro mês lunar é um dos festivais tradicionais do calendário lunar chinês,também conhecido como “o aniversário da cabeça da lâmpada” “灯头生日 dēngtóu shēngrì”. Neste dia, as pessoas acenderão uma lâmpada sob o fogão da cozinha, que é chamada de “lâmpada de fogão de iluminação”.
    De acordo com o costume chinês, as lanternas são acesas a partir do décimo terceiro dia do primeiro mês lunar e as luzes são apagadas no décimo oitavo do primeiro mês lunar. Este costume começou na Dinastia Song do Sul. Está registrado na literatura do terceiro ano de Chunyou, Lizong da Dinastia Song do Sul (1243 dC), em que havia um costume popular de dizer “por favor, trate do Festival das Lanternas com antecedência” .
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É A EDUCAÇÃO, ESTÚPIDO

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É çã, ú!
Corria o ano de 1992 e a campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas estava ao rubro com Bill Clinton a sentir a Casa Branca cada vez mais perto. Nessa altura ficou célebre a frase do estratega da campanha dos democratas, James Carville, “it’s the economy, stupid”. Sendo verdade que a economia é o motor do desenvolvimento de um país ou região não é, contudo, o fator determinante, esse papel cabe à Educação.
Sem um sistema de ensino capaz de formar cidadãos, de combater a iliteracia, de fornecer ferramentas para o futuro, não há como alcançar um desenvolvimento sustentado, criar riqueza e qualidade de vida.
Se a importância da Educação é uma evidência universal, a verdade é que Portugal e os Açores têm ainda um longo caminho a percorrer. Nesta perspetiva, devemos olhar com um misto de preocupação e satisfação para os últimos indicadores que medem o estado do ensino na Região. Por um lado regista-se com nota positiva a redução da taxa de abandono escolar precoce que entre 2020 e 2021 recuou 3,8 pontos percentuais, mas ainda está nuns alarmantes 23,2% que comparam com os 5,9% do resto do país e colocam os Açores na cauda da Europa. Um quadro preocupante e que se adensa se atentarmos nos dados do relatório sobre o Estado da Educação 2020 que revela serem os Açores a região do país onde é mais baixa a percentagem de alunos matriculados em ciclos de ensino que não correspondem à sua idade ou fora da escola.
Outro fator de preocupação, revelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, é a baixa taxa de escolaridade do ensino superior que nos Açores é metade da nacional!
A obtenção do sucesso escolar tem que ser vista por todos como um desígnio regional, aprioridade das prioridades, e envolver as famílias e os professores, sem ambos não haverá sucesso, num modelo de ensino que não navegue ao sabor dos egos de ministros ou secretários regionais. O modelo educativo tem que ser pensado num horizonte alargado, com metas ambiciosas, mas exequíveis.
Com melhor educação teremos maior participação cívica, melhores empregos, menos pobreza e, em última analise, uma região mais próspera. Sim, é a economia, mas antes dela vem a Educação e só os estúpidos não percebem isso.
(Paulo Simões – Açoriano Oriental de 13/02/2022)
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