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É espetacular! Porto 360 é o novo miradouro no Porto. O Super Bock Arena (Pavilhão Rosa Mota) é o local deste incrível miradouro sobre a Cidade Invicta!
Source: Porto 360 é o novo miradouro no Porto e é espetacular!
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Security and stability are both much better on newer PCs, says Microsoft.
Source: Why Windows 11 has such strict hardware requirements, according to Microsoft | Ars Technica
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Why do highway planners refuse to accept that more lanes means more traffic?
Source: Please stop adding more lanes to busy highways—it doesn’t help | Ars Technica
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Que Anúbis nos proteja como protegeu Tutankhamon em Tebas, quando Amon Ra era o deus criador todo-poderoso, já venerado por seu avô Imhotep III e por sua mãe Nefertite, que renegou o deus sol Atón idolatrado pelo marido (faraó Amenófis IV aliás Aquenáton, séc. XIV a.C.) na cidade sagrada de Amarna (Akhetaton). E faço esta invocação faraónica a propósito de quê? Dos faraós que nos Açores em 24 anos quiseram mudar os deuses tradicionais e se centraram num deus-sol em volta do qual tudo girava. Só que no arquipélago, assim como no Antigo Egito, o povo não quis abdicar dos velhos deuses e recusou o deus-sol. Foi destronado, a sua capital dedicada a Atón arrasada, e as pedras trasladadas para outras cidades.
É o que acontece quando se querem mudar as divindades. Agora os novos faraós terão de erigir uma nova Gizé com pirâmides de Quéops (Khufu), Quéfren e Miquerinos em plena pandemia e tempo de vacas magras, depois de terem prometido tudo e mais alguma coisa (exceto um tunel a ligar o Faial e o Pico).
São tantas as promessas e exigências dos parceiros, que não sei quantas vidas levaria a cumpri-las, isto se os parceiros não se divorciarem litigiosamente antes. Só a dívida das empresas públicas e parapúblicas levará toda a ajuda económica pandémica e pode não chegar. Depois, é preciso dar tempo ao tempo (que é aquilo de que não dispomos) para se inteirarem dos dossiês e adotarem medidas, enquanto a economia mergulha profundamente, o desemprego alastra, as empresas fecham, o turismo estagna, e a miséria e a pobreza aumentam. Adivinham-se dias negros, como se adivinhavam se nada tivesse mudado, continua a faltar nos Açores muita massa cinzenta para pensar o presente e futuro, enquanto os jovens continuam a fugir para outras paragens onde lhes é dado valor e recompensa digna pelo seu trabalho. As ilhas menos povoadas continuarão a envelhecer e a empobrecer, e a enorme jangada continuará à deriva neste Grande Mar Oceano. E eu, que nem sou deus nem bruxo não tenho soluções nem propostas, tudo o que devia ter sido feito não o foi enquanto era tempo e agora teremos de ser reativos em vez de pró-ativos. Que Anúbis nos proteja.
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Tocam os sinos na aldeia (é freguesia, senhor, chame-lhe freguesia) por mais um que se finou…se tocassem pelos que nascem raramente se ouviam. Tem sido assim desde há 15 anos, morrem e não são substituídos. Como não há recenseamento atualizado direi, empiricamente, que 20-30% da população não deveria constar dos cadernos eleitorais. Nota-se nas matriculas escolares, as ruas já não são o que eram, já não há enxames de seres ruidosos e saltitantes. Nunca imaginei que a desertificação humana a que assisti em Trás-os-Montes tivesse paralelo nos Açores que se despovoam.
Ao chegar, o que saltava à vista, em contraste com Bragança, era o número de jovens e infantes em todas as freguesias. O envelhecimento e a desertificação são problemas mais prementes do ponto de vista social e económico do que as mudanças climáticas. Estão interligados, interdependentes, não se excluem. Já não há velhos para plantarem o meu quintal e os novos não estão interessados. Quando morrem os idosos, tais tarefas ficam por realizar. Assim, quintais e campos irão estiolar como condenadas estão as agropecuárias de produção de leite. A maior parte dos jovens em idade escolar, nesta zona rural, não sonha com livros nem estudos, mas com vacas, desconhecendo (por não terem estudos nem lerem livros) que esse futuro em breve irá desaparecer, como os amola-tesouras, datilógrafos, limpa-chaminés e guardas-noturnos. O ciclo da vaca desaparecerá como o da laranja, pastel e outros ao longo de séculos. É oportuno recordar um conselho de Confúcio:
“Se tiveres planos para um ano, planta arroz; para dez anos planta árvores; para cem anos, educa as crianças.”
Seria muito difícil, os políticos desta sábia visão não seriam reeleitos.
Com o Covid se não morremos da doença, morremos da cura e os direitos constitucionais podem ter utilidade como papel de parede. Aproveite para usar a máscara, não precisa disfarçar o sorriso. Aceite o que os governos e OMS mandam, é para seu bem e no fim ainda oferecem a vacina (a da gripe existe há décadas e a gripe continua, mas podia ser pior, dizem-me). Fazem muito bem os negacionistas, que não ouvem os cientistas (enganam-se tantas vezes!) e os outros do fim do mundo, que antecipam cataclismos, um meteoro destruidor; um tsunami avassalador, a erupção de Yellowstone ou Cracatoa. Nesta indiferença suicida, aproveitem os dias que restam, continuem a poluir os oceanos com plásticos, que já comemos na alimentação diária, que já respiramos e absorvemos nos pulmões, beba a água que falta em muitos cantos enquanto não paga por ela e jorra da torneira. Quem sabe, se a IA (inteligência artificial), que povoa fábricas e escritórios, decide que não temos inteligência suficiente para continuar a viver e nos condena ao extermínio, como fizemos a tanta civilização que descobrimos quando explorávamos os oceanos (Pizarro e Cortéz nas Américas).
Por isso, continue a proferir palavras e desejos ocos; mas cheios de boas intenções; deixe-se absorver pelo consumismo exacerbado a que a massificação da propaganda o impele; compre, mais, sempre mais; endivide-se a si, aos filhos e aos netos para “possuir” bens materiais de que não necessita (embrulhados em plástico brilhante para poluir visivelmente) mas que lhe dão imenso gozo possuir mesmo sem os usar. Por exemplo um catamarã para navegar no Saara, um avião para a ilha do Corvo; um submarino para a Lagoa do Fogo.
Acredite que tem muitos amigos (mas só no Facebook); Sinta que é um bom católico e vá à missa, aos enterros e outras funções (quando não espezinha os que se cruzam consigo ou se esquece dos ensinamentos dos livros sagrados). Pense que é um bom patrão (só por ser condescendente com os súbditos, perdão, agora chamam-se “colaboradores”). Estacione no lugar dos “deficientes (só demora um minuto) sempre que não encontre lugar à porta do supermercado. Continue a ignorar como se circula numa rotunda; use a faixa do meio ou a da esquerda quando há mais do que uma nas autoestradas e vias rápidas; atire lixo ou beatas de cigarro do veículo em andamento ou para o chão se a papeleira estiver a mais de 20 m.
Terá, à sua frente, um futuro brilhante como o de Marco Túlio Cícero, advogado, político, escritor e filósofo. A sua influência na história da prosa subsequente é enorme. A ele se deve a introdução e o desenvolvimento da filosofia grega no mundo romano, bem como a criação de um vocabulário filosófico novo que incluiu termos como evidentia, humanitas, qualitas, quantitas e essentia. Morreu em 43 a.C. de morte matada. As suas mãos e a cabeça foram publicamente exibidas por ordem de Marco António.
Se ainda não deu destino aos seus bens, pense nisso, pode não os ter amanhã. Quando os empregos acabarem vai viver de quê? Há tanta civilização, conhecida e desconhecida, que desapareceu. Algumas deixaram rastos visíveis, outras sumiram e nem conseguimos interpretar os vestígios para avaliar as causas do desaparecimento, é conjeturável que o mesmo suceda à nossa. Tudo começará do zero, com os sobreviventes, se os houver. Como a História nos ensina, serão os tecnologicamente menos atualizados (aborígenes australianos em contexto tribal). Demorará milhares de anos uma nova evolução tecnológica e ficarão a pairar nos céus satélites obsoletos, perecerão as torres de comunicações indispensáveis à civilização atual, a natureza ocupará os edifícios abandonados, as areias enterrarão os exageros dos Emirados, e, alguém descobrirá os vestígios desta civilização como descobriram Borobodur (Indonésia, Java, construído no séc. IX ressurgido em 1814 ou Angkor Vat, Camboja 1860, que não foi totalmente redescoberto) ou cidades Maias na selva, soterradas por séculos.
E parafraseando um mago da música, Roger Waters: “This species has amused itself to death” que é como quem diz “esta espécie (humana) divertiu-se imenso até à morte”. Seja feliz enquanto pode.
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Li analistas comentarem que os mais de 7 milhões de euros gastos pelos 23 partidos nas eleições de 2019 (nos Açores 17) poderiam ter sido empregues em algo de útil, criador, inovador, ou para tapar buracos nas contas do SNS, da ADSE, hospitais, escolas, eu sei lá!
Voltamos à campanha pura e dura nas ruas, TV, jornais, outdoors (placards), mercados, parece a cena quando os ursos terminam a hibernação e começam à procura de comida, perdão, de votos. Lambuzadelas aqui, abraços, afetos e selfies, a capacidade infinda de fingir que ouvem o que os eleitores dizem, em arruadas, comícios, jantares, tal como no séc. XIX. Depois, não se admirem com os valores elevados da abstenção, ou com os extremismos, que os há extremismos em todos os quadrantes. O desapego do eleitor ao voto é proporcionalmente inverso às queixas que terá depois das eleições.
O fosso entre votantes e votados criou um vácuo, não acreditam nos partidos mas querem acreditar em alguma coisa, e surgem os sebastiânicos salvadores da pátria e de ilusões, luta contra a corrupção, etc.. Muitos irão na onda do voto a quem defende o fim de subsídios à produção de carne, leite, mel (violência contra as abelhas, mas não é a natureza que as obriga a produzir mel?) e há sempre ideias geniais: separar os galos das galinhas para evitar que sejam violadas. Neste fundamentalismo vegan e outros perde-se o respeito pelo ser humano espartilhado em mais de vinte géneros (alguém se esqueceu de dizer que a ciência conhece o género masculino e o feminino?) e com a impunidade que o politicamente correto acarreta, as mentes se vão deformando (diria eu) manipuladas em tiranias inesperadas e quando acordarem será tarde.
Por isso, sigam os conselhos das campanhas de marketing como a da Apple que anunciou um novo iPhone capaz de tudo e mais alguma coisa, e que eu não comprarei (a única coisa que precisava para me convencer era cozinhar uma bela sopa de legumes). Quem não gosta de tecnologias pode ir seguindo as vidas, escândalos e perversões de ricos e “famosos” com que se vendem revistas e programas de TV tão sedativos que a carneirada nem dá conta. Queria um mundo mais justo (sem ricos muito mais ricos e nós, cada vez mais, pobres), em que os vendedores de armas e os bancos fossem à falência, e os produtores de comida a distribuíssem equitativamente por todos, sonhos e utopias antigas que nenhum político promete pois há limites mesmo para as promessas a incumprir, mesmo pelos políticos.
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Considero o Presidente Vasco Cordeiro um homem íntegro, nem sempre bem assessorado, e tomo a liberdade de sugerir propostas de difícil execução.
SATA -a servir as 9 ilhas e a ligação Porto e Lisboa, com viagens interilhas baratas que promovam o turismo interno e a deslocação não-turística (estudantes, etc.), integrado na política de arranjar transportes aéreos e marítimos como os que operam nas Canárias (não é preciso reinventar a roda, basta copiar)
Acabar com empresas públicas regionais deficitárias (mesmo que aumente temporariamente o desemprego que é um emprego falsificado)
Usar as visitas estatutárias e o CES para auscultar o povo de cada ilha e satisfazer os seus anseios, escolhendo os candidatos a representantes da região, através de círculos uninominais, ou participação direta.
Criar um Superconselho de artes e humanidades com 6 independentes (música, literatura, pintura, história, 1 doutras ciências, 1 do desporto) para apreciar os pedidos de apoio ao GRA com base nos méritos de cada atividade sem ser por critérios economicistas, visando a validade a médio prazo dos projetos propostos.
Isto evitaria o escândalo de 2020 em que uma peça premiada de Álamo Oliveira, “A solidão da Casa do Regalo” pelo Grupo Alpendre, premiada pela Direção Regional de Cultura – creio que em 2000 – fosse recusada pela mesma Direção da Cultura por falta de valor cultural….
Apertar a fiscalização efetiva dos recipientes de RIS (Rendimento de Inserção Social)
Criar uma carteira profissional e cursos profissionais capazes para a restauração e hotelaria para todos os que já estão na atividade e sem a qual futuros candidatos não possam exercer a profissão
Preservar o meio ambiente face à destruição pelo turismo de massas e massificação descontrolada dos fluxos turísticos. Deve criar-se uma moratória e meter-se travão aos grandes hotéis, pois ameaçam tornar-se elefantes brancos causando mais desemprego.
Apoiar a agricultura (eu não disse pecuária) e novas produções, tal como na crise da laranja que permitam diversificação de produtos e de mercados de exportação. Para tal será necessário assegurar, de forma independente, o transporte da produção para centros de distribuição (Lisboa, Porto ou noutros locais)
Incrementar a fixação de investigadores e cientistas nos polos da academia local
Incrementar as ações de fiscalização marítima da enorme zona económica.
Facilitar o investimento da diáspora
Apostar na introdução de novas tecnologias e cibernética na pecuária, agricultura, etc.
Rever e atualizar os Cadernos Eleitorais
Usar linguagem simples, coloquial, nos comunicados governamentais para que o eleitorado os entenda
Mais haveria a sugerir, como a introdução em termos básicos e não-burocratizados de benefícios diretos aos que usam e divulgam produtos locais, medidas de protecionismo das empresas locais (sem dimensão capaz para competirem com as de fora) e por aí adiante… enquanto os aparelhos partidários forem agências de emprego (jobs for the boys) a abstenção não baixa e só favorece populismos e extremismos de direita.
(Nota dezº 2020:
Não seguiu os conselhos e já não é Presidente.
Como não leu as ChrónicAçores e as suas previsões, azar, os eleitores deram-lhe a resposta em outubro 2020.
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Caro Presidente do GRA, o que vou propor é solução para a abstenção eleitoral Não é fácil ou agradável, mas não é das mais difíceis de implementar. Exige coragem e comprometimento. É a solução que resulta, após aturado estudo das circunstâncias socioeconómicas da população.
“Como sabe, a população das nove ilhas desenvolveu ao longo de 44 anos uma complexa teia de subsidiodependência, a todos os níveis da sociedade, a nível individual, empresarial ou coletivo. Nada se faz sem ser à custa de subsídios.
Mas a solução para o absurdo elevadíssimo nível de abstenção eleitoral tem uma solução que nem é muto incómoda nem muito burocrática. E temos autonomia para o decidir, em vez de esperarmos por Godot, que nunca chegará (esperar que a República o faça, não dá quaisquer resultados, ninguém está interessado).
Nós, açorianos, podemos dar o exemplo, na vanguarda da resolução, imediata, com um custo de aplicação infinitesimal, mostrando que o seu discurso do 10 junho 2019 não foram palavras de circunstância, mas a determinação de um desiderato açoriano: acabar com a abstenção eleitoral.
Primeiro, deve-se introduzir o voto eletrónico para estudantes, expatriados e os ausentes do local de recenseamento eleitoral, Portugal, estrangeiro ou noutras ilhas.
Segundo, deve fazer-se uma atualização (limpeza) dos cadernos eleitorais, pois devem existir lá 10 ou 20% de defuntos, a tecnologia existente permite um parto sem dor para tão urgente atualização.
Terceiro e mais importante a criação de um certificado de voto. Após o ato eleitoral deve ser entregue a cada eleitor um certificado de voto, mais importante do que o cartão de cidadão ou o número fiscal, para atribuição FUTURA de qualquer apoio social, cultural ou de desemprego,
Nem é preciso tornar o voto obrigatório, dado haver muitos que se opõem e às coimas que isso implicaria, bastava tornar obrigatória a apresentação do certificado de voto para receber apoios do estado (a nível regional). Estamos certos de que após a introdução desta medida, a abstenção baixaria para menos de 10%. Claro que haverá sempre uns insatisfeitos a falar de inconstitucionalidade e outras coisas, mas a nossa autonomia exige-o.”
Como castigo por não me ter lido, não obteve a maioria de votos no ato eleitoral em 2020.
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De quatro em quatro anos, os políticos (de todos os quadrantes) mostram-se vocalmente muito preocupados com a abstenção, que sobe em cada ato eleitoral. Andamos a ouvir a ladainha, mas depois das eleições esquecem-na rapidamente. Antes, tratam os cidadãos como na idade da pedra, prometendo coisas que não irão cumprir. Descem aos povoados, freguesias, vilas, cidades, mercados, beijam floristas, peixeiras, e demais vendedoras, além de bebés, cães, gatos e periquitos e todos que encontram, convencidos de que são bem aceites. Dantes, ofereciam esferográficas e outra parafernália, agora incluem orçamentos participativos onde os eleitores sugerem e imaginam que se cumpre a democracia, mas depois do ato eleitoral, promessas esquecidas, projetos alterados consoante os lóbis e as forças de pressão a que estão sujeitos se quiserem ser reeleitos.
Os mais jovens criados na era cibernética, sem nada a ver com a política, ligam os fones, olhos colados aos smartphones, seguem em frente, dando votos aos xenófobos, racistas, fascistas e oportunistas que parecem responder aos sentimentos básicos de insegurança. Apesar da facilidade de acesso à informação, esta está minada. Uma falsa notícia repetida mil vezes acaba sendo verdade. Os mais jovens não tiveram um ensino que privilegiasse a capacidade e o pensamento crítico. São incapazes de questionar-se sobre as doses maciças de falsa informação que lhes chega, desde mensagens subliminares na publicidade, a filmes e outras formas de comunicação. Acabam mais facilmente manipulados do que imaginam. O mesmo se passa com idosos, com menos cultura política, que vivem de telenovelas e casas dos segredos, alienados pelo futebol. Sabem mais de cada jogador do que alguma vez saberão sobre os direitos e deveres cívicos.
Em nada ajudam, as revelações de corrupção (a maioria em “águas de bacalhau”), poucos são condenados ou cumprem penas efetivas, levantando dúvidas sobre a investigação e, posteriormente, sobre os juízes. Daqui a tempos teremos percentagens ainda menores de eleitores, quando os eleitos tiverem só os votos das máquinas partidárias porque o povo foi à bola ou à praia…
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Por toda a parte vemos governos, artificial e democraticamente eleitos, que se comprazem em seguir as ordens do grande capital e dos donos disto tudo, destruindo países, indústrias e serviços, exportando a juventude, matando (de forma mais ou menos acelerada) os velhos a quem se retiram pensões, saúde, justiça e demais serviços. Ciclicamente surgem epidemias e guerras para acelerar o processo. Criam-se enormes vagas de pobres e desempregados que já nem a dignidade de números têm, como na Grande Depressão de 1929.
Virão novas eleições…e teremos mais do mesmo, duma cor ou doutra que os eleitores andam daltónicos e as políticas dos partidos também. Li que nalgumas civilizações ancestrais, o povo tinha o costume de sacrificar os dirigentes aos deuses para combaterem epidemias, só os sumos-sacerdotes escapavam, cá o problema é de difícil resolução pois é do inferno dos pobres que se fabrica o paraíso dos ricos.
E o mundo, ao qual pertenço, o que fez? Encolheu os ombros e saiu para jantar fora, que a crise ainda permite esses luxos e esta vida são dois dias. Temos de usufruir e comer. Se não comermos morremos. Sabemos dos maiores desfalques, falcatruas, negociatas sem que a justiça funcione, prenda e condene os malfeitores. E tudo se passa com o complacente beneplácito do povo silente e amordaçado nas teias do medo, sem saber que, há muito, perdeu a liberdade de escolha (pensa que é o voto que os elege e ingenuamente que pode influenciar os resultados eleitorais ou escolher o futuro), e em breve perderá a liberdade de sonhar. Virão novas ditaduras e guerras, de formas nem imaginadas por Orwell no “Triunfo dos Porcos” e em “1984”, e eu, mais impotente que nunca, teclando palavras para a minoria esclarecida e lúcida, mas sem poder alterar seja o que for.
Refugio-me na diáfana ilusão das palavras que a poesia cria, na esperança infundada de que resistirão a este cataclísmico fim da civilização ocidental como a conheci, numa repetição da queda do Império romano ou de tanta civilização que desapareceu sem deixar rasto atual. Muito provavelmente nem sobreviverão as palavras que o reino da utopia ainda me deixa soletrar e a minha vida terá sido em enorme vácuo contra a minha vontade, mas já nada mais posso fazer, também eu cobardemente cúmplice, mas ainda não-silente.