SERÁ ESTE NAVIO APROPRIADO PARA O CORVO?

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Artigo que público no “!Tribuna das Ilhas”, da Horta. em 16/7
“Thor Assister” – Será Este o Navio do Corvo?
Salvo erro no passado dia 20 de Abril o dirigente do PPM e Deputado Regional eleito pela ilha do Corvo anunciou, com alguma pompa e muito sarcasmo, que esta nova administração regional tinha descoberto um “navio de outro mundo” para fazer serviço para o Corvo. O governo anterior teria dito que era muito difícil encontrar um navio para operar com regularidade e durante todo o ano no porto da Casa, no Corvo.
Antes de avançar na análise desta questão quero lembrar que antes do furacão Lorenzo (2/10/2019) ter destruído o porto das Lages das Flores, o pequeno navio “Lusitânia”, da EBP, assegurou durante vários anos, com regularidade, o transbordo para o Corvo, a partir das Flores, das mercadorias destinadas a essa Ilha e trazia do Corvo as mercadorias exportadas. Esse serviço decorreu com a normalidade que a meteorologia e as condições portuárias, entretanto um pouco melhoradas no que se refere ao Corvo, foram permitindo, sem que houvesse situações graves de ruptura de abastecimento. Depois do Lorenzo a situação mudou muito, o porto das Lages deixou temporariamente, mas por muito tempo, de poder ser base de um navio e era de facto urgente encontrar uma solução para o abastecimento regular do Corvo, a partir do Faial com o apoio possível nas Flores.
Foi neste contexto que, durante 2020, foi consensualmente reivindicada a existência de um navio, necessariamente pequeno, mas com condições para, a partir basicamente do porto da Horta, pudesse assegurar o abastecimento do Corvo. Foi usado várias vezes o “Cecília A” da EBP e depois os navios da Graciosense, mas a regularidade, especialmente no Outono e no Inverno, foi muito fraca.
Depois de ter passado esse ano de 2020 e de ter mudado o Governo Regional apareceu o “Thor Assister”, de 45 m de comprimento, 11,8 m de boca e 3,4 m de calado. Trata-se de um rebocador, com bandeira das Ilhas Faroé e operado pela Mutualista Açoriana.
O navio chegou à Horta em maio e por aqui tem estado. Entretanto tinha saído em 8 de Fevereiro de 2020 o anúncio de um concurso publico internacional promovido pelo Fundo Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Regional e intitulado Prestação de Serviços de Transporte Marítimo Regular de Mercadorias entre Faial- Corvo- Flores-Corvo-Faial. Só foi admitida nesse concurso a Mutualista Açoriana, o que levou a que, em Março, as outras duas empresas concorrentes – Seamaster e Energia Eficiente – impugnassem o concurso o que motivou a sua suspensão. Entretanto a 14 de Junho o Tribunal, considerando o facto de a resolução desta situação ser muito urgente, levantou essa suspensão.
Esse levantamento da suspensão do concurso, feito há quase um mês, ainda não produziu efeito prático, pois, pelo menos até hoje, o navio, com tripulação a bordo, ainda não faz a carreira contratada.
Será que haverá outros problemas?
Não estranho o facto de a Mutualista ter escolhido um rebocador de 500T para este serviço. Penso que terá capacidade de transporte de combustível e alguma carga sólida, mas lembro que o navio é de popa baixa e tem um calado de pelo menos 3,4 m, o que pode ser muito para um porto como o do Corvo. Os 45m de comprimento, associados aos quase 12 m de boca fazem com que este pequeno navio seja grande para o porto pequeno do Corvo. Se a operação se iniciar poderá, com este navio, ter regularidade especialmente de inverno?
Penso que estas são dúvidas legitimas, mas penso principalmente que as entidades que decidiram fazer este concurso e aceitaram aquilo que a empresa que ganhou apresentou, têm que dar, com urgência, explicações publicas sobre os atrasos deste processo.
Não basta discursar com ênfase e sarcasmo, é preciso principalmente saber encontrar uma boa solução! Resumindo: será este mesmo o navio do Corvo?
Horta, 12 de Julho de 2021
José Decq Mota
(A fotografia, foi tirada por mim no passado dia 13/7 às 14h30 e mostra-nos o “Thor Assister” atracado na doca Norte do porto da Horta)
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Ricardo Branco Cepeda, Souto Gonçalves and 39 others
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  • Nuno Gonçalves

    A designação certa para este tipo de navio chama-se anchor andling e não rebocador.
    São a classe de navios com mais capacidade de manobra que existe, muito superiores aos rebocadores.
    Com sistema DP2, dois azipode truster na poupa, um azimute truster …

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FRANCISCO MADRUGA, CPLP, BECHARA E OS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

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A Língua Portuguesa e a Cimeira da CPLP em Luanda, Angola.
Tudo caiu em catadupa nas minhas mãos, sem querer, por mero acaso.
As declarações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na sua chegada a Luanda, destacando a importância da CPLP para a comunidade de falantes da Língua Portuguesa, bem como a garantia de que Portugal não se deve colocar em “bicos de pés” perante os outros países. Para bom entendedor, meia palavra basta. Importante mesmo são as ações. O Governo português está a oferecer aos países de língua oficial portuguesa, milhares de vacinas para combater o COVID-19.
Depois, recebo o mail do Amigo, Mestre e Professor Evanildo Cavalgante Bechara, Filólogo e membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Galega da Língua Portuguesa, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra e membro da Academia Brasileira de Letras. Na sua missiva, faz uma análise do meu #Historiasdevidas que, por motivos óbvios, não reproduzo, mas que me alerta, uma vez mais, para a importância da língua no contexto da Lusofonia. Conheci os Professores Evanildo Bechara e Malaca Casteleiro há muitos anos, em Lagoa, São Miguel, Açores na apresentação do livro de Cristóvão de Aguiar “Cães Letrados” editado pela Calendário de Letras. Desde aí, fomos fazendo caminho através da língua, militando pela implementação do Novo Acordo Ortográfico e pela conservação e defesa da Língua Portuguesa. Foi assim em Macau, em Florianópolis, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília, em Bragança, em Montalegre, na Graciosa, em S. Miguel, no Pico, em Santa Maria, no Fundão, em Seia e em Belmonte (desculpem se falhou alguma). Os Mestres tratavam todos por igual. Os professores, os doutores, os investigadores ou simples participantes. Nos Encontros da Lusofonia os títulos académicos ficavam à porta, o que se pretendia era valorizar a Língua Portuguesa. Por último, dizer-vos que a minha participação no Movimento Cultural Terra de Miranda, Mogadouro e Vimioso tem sido uma escola de aprendizagem no relacionamento entre pares, que lutam por um Plano Estratégico para uma região ultra periférica e de baixa densidade populacional. E lá está inevitavelmente a língua, a Língua Mirandesa, o Património, a Cultura, as Tradições e as Pessoas.
Por isso, façamos da Lusofonia o ponto de partida, de encontro, de desenvolvimento económico, social e político. Façamos da Língua ponto de partilha pois é a falar que nos entendemos.
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açores hdes emcrise?

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HDES responde ao Sindicato dos Médicos
“Não é verdade que exista ambiente de insatisfação”
O Conselho de Administração do Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, (HDES) afirma que “não é verdade que exista um «ambiente geral de insatisfação» no seio do HDES (instituição com mais de 2000 trabalhadores), ou «ausência de diálogo do CA com o corpo clínico» – que é, de resto, pedra de toque desta direção”.
Numa nota enviada ao nosso jornal, a propósito do comunicado do Sindicato Independente dos Médicos que ontem noticiámos, a administração do HDES sublinha que parte do seu plano “é conhecido, assim como a sua estratégia de ação. Muitos dos graves problemas que o HDES enfrenta são crónicos, e este CA tem o propósito de os resolver, a todos”.
Em termos de corpo médico, o balanço do CA do HDES, deste que tomou posse, é “claramente positivo, mesmo por comparação com os anos anteriores. E o número de médicos especialistas na Região continua a não poder ser resolvido com uma varinha mágica, sendo no entanto nosso propósito tudo fazer para o aumentar”.
“A estratégia regional neste momento, na qual o HDES se incorpora, é a de melhorar a quantidade da prestação de serviços aos utentes açorianos no mais curto espaço de tempo. As listas de espera em cirurgia são uma prioridade, por qualquer perspetiva que se tenha, e têm de ser resolvidas com alguma celeridade”, afirma a nota hospitalar.
“Por isso, a produtividade, tal como é encarada por este CA, privilegia mais resolver o problema do que esperar que ele possa ser resolvido organicamente. Porque há limitações. Por isso lançamos o desafio aos profissionais da casa no sentido de ser aumentada a produção, e assim estender os limites que existem naturalmente. Com base nesse ponto de partida, e face aos objetivos globais para a Saúde nos Açores, estamos a desenvolver uma série de protocolos com entidades nacionais de elevada reputação, que nos permitam ajudar na recuperação de Tempos Máximos de Espera Garantidos. Os primeiros sinais já se fizeram sentir, com algumas cirurgias de cirurgia plástica, e consultas na área da Oftalmologia e Otorrino, iniciando-se na próxima semana cirurgias extra em Otorrinolaringologia, a que se seguirão as de Oftalmologia, através do protocolo já em vigor com a Fundação AMA”, lê-se ainda na nota do HDES.
Segundo a administração do hospital, “a questão é que para esta estratégia funcionar, e possamos ter resultados com impacto ao nível da qualidade de vida da população, é necessário que estejamos todos unidos nesse desígnio que é, pensamos nós, um desígnio de todos os açorianos”.
“A posição sindical poderá entender que esta estratégia não visa contemplar os seus associados. Aceitamos. Não visa. O objetivo desta estratégia é resolver, da melhor forma, problemas de elevado impacto na saúde dos açorianos, no mais curto espaço de tempo possível. Sabemos que faz parte da luta sindical o acirrar de animosidades, ampliando pequenos detalhes, mas estamos certos que os representantes sindicais dos médicos compreendem a importância de participar no desígnio superior, que deve unir todos os profissionais desta casa, de reduzir morbilidade e mortalidade”, afirma o CA do HDES.
E acrescenta: “O Conselho de Administração não recusa, jamais, qualquer pedido de reunião de qualquer entidade, e estamos disponíveis, como sempre estivemos, para reunir com uma delegação de qualquer sindicato, nomeadamente do SIM, como várias entidades sindicais o poderão confirmar, a fim de convergir na resolução de inquietações dos seus associados, sempre balizado pelas opções estratégicas do Governo Regional dos Açores, perante o qual o HDES responde em nome de todos os seus utentes”.
“As acusações sugeridas de “falta de diálogo” não poderão ser aceites por este CA, que nunca se negou reunir com nenhum profissional desta casa, em representação ou não institucional”, lê-se ainda na referida nota.
“Ao contrário do que é descrito, nunca foram colocados entraves ao evento. Pelo contrário, tudo foi feito para que se concretizasse, seguindo as normas em vigor. No HDES vigora uma apertada política de segurança de prevenção da Covid e o nosso hospital já aprendeu muito em termos de Covid, sofreu cruelmente no ano passado, e os resultados atuais são prova da sua justeza. O que foi apresentado foi o plano que está em vigor no HDES – não foi adaptado, nem visou o que quer que fosse, se não a garantia da saúde em todo o perímetro do hospital. Considerar de “pidesco” o pedido da lista de participantes e seus contactos, que é norma corrente em todo o mundo como método de combate da Covid (se houver 1 caso entre os membros da reunião, será a primeira solicitação das autoridades de saúde), considerar a implementação de medidas básicas (e comuns) como «um triste exemplo da postura autoritária do atual CA», não foi feliz”, afirma o HDES.
“Quando, ademais, é proferido por uma entidade que representa os médicos, e que este ano reuniu em congresso, em sistema misto, com um número residual de associados presentes em sala, estando os restantes presentes virtualmente. Ora, nas diversas trocas de e-mail com o SIM, a propósito desta reunião, tal foi bem explicitado, e repetimos, de forma em tudo semelhante à de situações similares. O mesmo se passa em relação às visitas, a doentes, onde existe um Regulamento público e transparente, de regras claras. Permita-nos recordar que, assente nesse regulamento, reiniciamos as visitas no HDES ainda antes de hospitais nacionais, como o Hospital de Braga”, conclui a nota.
(Diário dos Açores de 16/07/2021)
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AÇORES, AIPA, O LIVRO DOS IMIGRANTES

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Cristina Borges, Leoter Viegas, Paulo Mendes, Aníbal Pires e Urbano Bettencourt apresentaram hoje o livro “AIPA – 18 anos ao serviço das comunidades migrantes nos Açores”, que conta com o nosso modesto contributo:
“Os imigrantes são bem-vindos nos Açores. Nem podia ser de outra forma, porque somos também um povo emigrante.
Eles ajudam a construir a sociedade açoriana, com vantagem para todos.
Um cidadão forasteiro que escolhe a nossa terra para aqui desenvolver o seu projeto de vida tem o mesmo valor de quem nasce nestas ilhas e só pode ser acolhido de braços abertos, como mais um de nós.
Pelos dados mais recentes de 2019, residem oficialmente nos Açores cerca de 3.900 cidadãos imigrantes. São apenas 0,66% da população estrangeira em Portugal – na nossa Região os imigrantes representam 1,6% dos residentes, numa proporção só superior aos distritos de Vila Real, Viseu e Guarda – mas, ainda assim, apresentam aqui uma tendência crescente nos últimos anos (eram 2.584 no ano 2000).
São provenientes de 95 diferentes nacionalidades dos cinco continentes, com destaque para Brasil (717), Alemanha (472), China (346), Estados Unidos da América (285), Reino Unido (253), Espanha (226), Cabo Verde (198), Itália (198), França (166), Canadá (103).
Residem maioritariamente em São Miguel (1.684), no Faial (627), na Terceira (616) e no Pico (506), mas estão nos 19 concelhos (1.128 em Ponta Delgada, 627 na Horta, 407 em Angra do Heroísmo, 209 na Praia da Vitória, 208 na Madalena, 206 na Ribeira Grande) e já são parte significativa da nossa população nas ilhas Flores (5,1%), Faial (4,3%), Pico (3,7%), Santa Maria (2,3%) ou Corvo (2,1%).
Contamos com eles. Respeitamos e valorizamos as diferenças, construímos uma sociedade plural, queremos que sejam felizes connosco.
É neste contexto que assume importância crescente a intervenção do Governo dos Açores nas áreas da Imigração e da Interculturalidade. Elas não são – não podem ser e não serão – uma competência menor da Direção Regional das Comunidades.
A preservação e a valorização da identidade cultural dos nossos imigrantes e a sua plena e natural integração na sociedade açoriana são desígnios estratégicos que a todos convocam e a todos beneficiam.
Pela sua missão e pela sua dimensão, assume aqui preponderância singular a Associação dos Imigrantes nos Açores, com um trabalho que nos apraz enaltecer e agradecer, nas pessoas dos seus sucessivos presidentes Paulo Mendes (2003-2017) e Cristina Borges (2017-2021) e do seu cofundador e vice-presidente Leoter Viegas.
Seja nos serviços prestados, com os seus Centros Locais de Apoio aos Migrantes nas ilhas de São Miguel e Terceira, seja nas atividades desenvolvidas, com o emblemático festival “O Mundo Aqui” ou as presenças pedagógicas na comunicação social, a AIPA é um parceiro indispensável do bom acolhimento que convictamente asseguramos aos “novos açorianos”.
Merece, por isso, o devido louvor e a nossa homenagem.
José Andrade
Diretor Regional das Comunidades”
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José Soares O cartel partidário

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José Soares

O cartel partidário

 

A forma negativa como o poder político se move em várias áreas no retângulo português, é a que mais contribui para que partidos como o ‘Chega’ tenham cada vez mais popularidade. O polvo está definitivamente envenenado.

E se este partido ‘Chega’ está neste momento em plena cirurgia de coração aberto nos Açores com uma forte crise interna, isto não implica que não recupere, contra cobras e lagartos que lhe lançam todas as outras forças partidárias. No fundo e ao chamarem toda a espécie de nomes, a perceção que temos é a de que o pânico se apoderou de todos, ao verem os números a subir semanalmente dessa extrema-direita.

A culpa nunca pode morrer solteira. O êxito do Chega, deve-se exclusivamente aos erros, aos desconcertos, aos abusos de poder de todos os partidos que exerceram esse poder ao longo dos anos no Portugal democrático. Deve-se aos herdeiros de Salazar que não quiseram virar a esquina do destino de uma vez por todas.

Preocuparam-se em mudar nomes de pontes, de avenidas ou ruas, numa tentativa infrutífera de reescrever a História. Não se preocuparam em atuar diferente, com transparência democrática, com os princípios republicanos exigidos, com a ética que a dignidade dos cargos exige, com a honestidade e humildade que a sabedoria aconselha.

Sem raízes democráticas, o novo sistema renunciou aprender com as experiências europeias mais antigas em regimes democráticos. Os poucos que logo se apoderaram das rédeas do poder político, logo engendraram processos constitucionais pouco transparentes, em muito derivados de cargas ideológicas contrarrevolucionarias extremistas de esquerdas ressabiadas.

Os partidos em Portugal agem em cartel:

O cartel é a associação entre empresas do mesmo ramo de produção com o objetivo de dominar o mercado, disciplinar a concorrência e maximizar lucros. As partes entram em acordo para padronizar um preço, garantindo um alto valor dos seus produtos ou serviços. A formação de um cartel é ilegal, pois prejudica a economia e o acesso do consumidor à livre concorrência.

O processo de que quem não é do grupo, é contra o grupo. Estabeleceu-se um padrão de vida partidária de conluio político que, com o tempo, só tem descambado para toda a espécie de maus exemplos cívicos dados pela elite política tão deficientemente formatada.

Mesmo os novos eleitos, uma vez dentro do aparelho geral (leia-se parlamento) são ensinados na vivência de toda a sorte de malabarismos. “Vai com calma, pá. Espera pelo fim de cada mês e pronto”.

Para os mais resilientes, o castigo clássico de grupo – o menosprezo. E assim o vício torna-se em vírus infetando todos os elementos.

Cada cidadão tem cada vez mais o dever de defender a Democracia, através de atos cívicos de participação em todas as frentes. Começando por castigar nas urnas de voto, toda esta onda de soberba abusiva destes ministros que passam a vida pública a denegrir a política e a contribuir para o aumento da nossa deceção.

BARREIRA DE CORAL EM PERIGO

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Autarquias de Ponta Delgada e Belmonte assinam protocolo de geminação – Açoriano Oriental

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As autarquias de Ponta Delgada e deBelmonte, assinaram um protocolo de geminação que visa a partilha de laços históricos e culturais.

Source: Autarquias de Ponta Delgada e Belmonte assinam protocolo de geminação – Açoriano Oriental

Incluir as diásporas na agenda da CPLP

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Agora que a próxima cimeira de Luanda tem em perspetiva a aprovação do acordo de mobilidade dos cidadãos da CPLP, que possui um enorme significado para o aprofundamento e a coesão da organização, seria da maior importância que também as diásporas passassem a fazer parte da agenda das reuniões e cimeiras.

Source: Incluir as diásporas na agenda da CPLP

Os ricos têm culpa da fome?

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Os ricos têm culpa da fome?

Posted: 15 Jul 2021 03:34 AM PDT

Pedro Tadeu* | Diário de Notícias | opinião

Olho duas chamadas para notícias de uma homepage de um site de informação. Uma titula: “ONU alerta para “agravamento dramático” da fome no mundo devido à pandemia”. Outra relata: “Richard Branson foi ao espaço e voltou astronauta”.

Hesito… Vou ler primeiro a aventura espacial do milionário ou a tragédia terrena do planeta miserável?

Cedo à fraqueza do prazenteirismo e leio o texto sobre o astronauta rico.

… Lida a prosa, direi que aquilo é um bocado pífio: um avião, desconfortável, sobe, depois de largar os propulsores não sei onde, até 88 quilómetros de altura, o que, para a concorrência e gozo de outro milionário, Jeff Bezos, não é bem no espaço, é só “quase no espaço”.

Os passageiros passam por esse sofrimento para terem direito a quatro minutos de experiência sem gravidade e uma visão, pela janela, de lá de cima cá para baixo.

A ideia é cobrar 200 mil euros a cada turista pela tortura. Parece que há 600 interessados.

 

Passo para a notícia sobre a fome.

… Cinco agências das Nações Unidas estimam que 10% da população mundial não consegue alimentar-se adequadamente.

Os dados de 2020 apontam para 720 a 811 milhões de pessoas com fome. Só em África são 282 milhões de pessoas. Por causa disso 149 milhões de crianças menores de 5 anos têm o crescimento atrofiado.

Trinta por cento da população mundial, 2300 milhões de pessoas, não tem acesso a uma alimentação adequada.

Para tirar 100 milhões de pessoas da desnutrição crónica são necessários 11,8 mil milhões de euros por ano até 2030.

Para atingir a fome zero na próxima década o esforço estimado seria de 33,72 mil milhões de euros anuais.

Fecho a notícia, convencido de que a ONU nunca vai arranjar o dinheiro para, como tem projetado, acabar com a fome no mundo até 2030. Não é surpresa.

Claro que acho surpreendente que Richard Branson tenha mudado a residência oficial para as Ilhas Virgens Britânicas e, graças a isso, não precise de pagar impostos há 14 anos – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é estranho que este homem se dedique a divertimentos dispendiosos em idas ao espaço, nos quais perde cerca de 150 milhões de euros anuais – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é bizarro o líder do Virgin Group ter as companhias de aviação tradicional em colapso e reclame apoios ao governo britânico, aos contribuintes ingleses, no valor de 7500 milhões de libras – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é um bocado chato que, ao mesmo tempo, no meio da pandemia, este mesmo Richard Branson, vendedor da experiência de imponderabilidade a 200 mil euros, tenha mandado os funcionários para casa durante oito semanas sem lhes pagar o salário – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?…

… Ai a fome no mundo, a fome no mundo….

Lembrei-me agora: ontem passaram 36 anos sobre o dia do maior concerto de rock de todos os tempos. Foi o Live Aid, que angariou, num espetáculo de 16 horas, simultâneo em Londres e Filadélfia, 180 milhões de euros para acudir a uma crise de fome na Etiópia.

A cara da iniciativa, o roqueiro Bob Geldof, quando foi confrontado com críticas a deficiências da organização e aos resultados práticos obtidos, respondeu o seguinte: “Levantámos uma questão que não estava em qualquer lugar da agenda política e, por meio da língua franca do planeta – que não é o inglês, mas o rock’n’roll -, fomos capazes de abordar o absurdo intelectual e o nojo moral de haver pessoas a morrer de carência num mundo de excedentes,”

Leio, na mesma notícia sobre o aumento da fome no mundo, esta frase do secretário-geral da ONU, António Guterres: “Num mundo de abundância” não há “desculpa para que milhares de milhões de pessoas não tenham acesso a uma dieta saudável”

Guterres diz agora exatamente a mesma coisa que Geldof dizia em 1985 e isso é uma ilustração irónica da nossa coletiva incapacidade homicida.

Não, claro que nada do que se passa com os ricos deste planeta tem a ver com a fome no mundo… ou tem?

*Jornalista

a crise de cuba

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Cuba: dois textos sobre uma crise incômoda

Posted: 15 Jul 2021 04:08 AM PDT

# Publicado em português do Brasil

Um pensador cubano sustenta: não é possível naturalizar bloqueio dos EUA contra a ilha. Mas é irresponsável tachar os que protestam de “mercenários” – ou resolver divergências por meios policiais. Saídas estão na política e ampliação dos direitos

Julio Cesar Guanche* | em Outras Palavras | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Reuters/Stringer

No exame da atual crise cubana, vale a pena atentar para o que diz Julio Cesar Guanche. Professor da Universidade de Havana, ele editou diversas publicações político-culturais em seu país (entre outras, Alma Mater e La Jiribilla) e foi diretor adjunto do Festival Internacional do Novo Cinema Lationoamericano. Em textos, publicados no blog La Cosa, sobressaem o compromisso com a revolução e a condenação ao bloqueio norte-americano que vai completar 60 anos.

Mas Guanche está convencido de que as dificuldades reais vividas por Cuba, e a insatisfação popular dela resultante, não serão resolvidas dividindo o país, nem acusando os que têm críticas de contrarrevolucionários. Por isso, mesmo do exterior (está se doutorando em Quito, na Flacso – Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais) participou dos protestos de 27 de novembro do ano passado. Após uma série de detenções, centenas de jovens artistas e intelectuais exigiram, diante do ministério da Cultura, liberdade de expressão e criação. Tiveram apoio de gente como o músico Silvio Rodriguez e dos cineastas Fernando Pérez e Ernesto Daranas. Guanche escreveu sobre o episódio no site espanhol Sin Permiso(com o qual colabora frequentemente) e falou sobre ele à revista chilena Palabra Publica.

Nos dois textos a seguir, o professor e editor comenta os protestos populares do último domingo (11/7) e os fatos que os desencadearam. Suas ideias centrais: 1. Só a política, resolverá a crise – e não haverá espaço para ela enquanto o país estiver polarizado entre quem chama de “contrarrevolucionários” os que pensam diferente e quem naturaliza as tentativas de intervenção dos EUA. 2. A história de Cuba sugere que o caminho para enfrentar os dilemas atuais é expansão de direitos – tanto políticos quanto sociais – e não restringi-los. (A.M.)

 

I.

Só a política fará acordar o amanhã
(11/7/2021)

O que está acontecendo agora em Cuba é tão grave quanto sem precedentes.

O presidente Díaz-Canel pediu o combate, porque “as ruas são dos revolucionários”.

É verdade que a pandemia agrava várias crises anteriores e sucessivas. É verdade que existem aqueles que procuram lucrar de forma infame com os apelos à “intervenção humanitária” após o agravamento da pandemia. É verdade que neste momento a intervenção militar é convocada de Miami. É verdade que a corrente trumpista cubana celebrava a asfixia da nação, com a extensão infinita do bloqueio, ao mesmo tempo que lançava slogans à vida e à liberdade.

Mas também é verdade que em Cuba só o exército e a polícia têm armas. Um povo convocado pelo Estado e apoiado por todas as suas instituições, incluindo as militares, não é “o povo” combatendo a contrarrevolução.

É uma parte do povo, apoiado pelo Estado, enfrentando juntos um protesto social que tem uma longa incubação, causas conhecidas, demandas resolutas, urgências muito claras e necessidades profundas.

A distinção entre “contrarrevolucionários” e “revolucionários confusos” foi um esboço de reconhecer as razões legítimas do protesto. Mas o chamado a combatê-lo como a primeira solução, em vez de reunir coragem e imaginação para propor soluções políticas para o conflito; e de em seguida comprometer-se a percorrer esse caminho, foi a escolha oposta ao indispensável, já que tentou apagar o fogo ateando-lhe gasolina.

Quem crê que o governo cubano, ou os cubanos conscientemente revolucionários, são quatro gatos pingados, com cargos e regalias no governo, engana-se totalmente. Ninguém pode pensar que irão abrir mão do direito de defender tudo em que acreditam e a que dedicaram suas vidas.

No entanto, não há nada mais revolucionário do que intervir, por meio da política, no curso de acontecimentos que parecem definidos. Não há nada mais revolucionário do que procurar maneiras de resolver conflitos. Não há nada mais revolucionário do que voltar-se para a política quando apenas a guerra civil parece possível.

É muito difícil responder ao grave e ao inédito, mas não há nada mais revolucionário do que fazê-lo com respostas também inéditas. O que é inédito não é totalmente desconhecido. Sabemos, desde Tucídides, que a guerra é uma professora severa e que só a política torna possível e dá vida em comum

Há muito o cenário cubano emite sinais de que chegará a um ponto como o de agora. A grande maioria das advertências foi ignorada. Boa parte de seus autores – mesmo aqueles com propostas patrióticas ponderadas para o diálogo e o tratamento dos conflitos – foi silenciada, ou pior, sofreu represálias.

Agora só podemos perguntar como acordaremos amanhã. Sabemos que existem certezas e deveres da “defesa da revolução”. Mas o povo é uma construção plural e nunca é o inimigo. A promessa de 1959 foi “Liberdade com pão e pão sem terror”.

As causas dos levantes sociais são conhecidas, assim com consequências de uma “ordem de combate”. Mas ninguém pode calcular as consequências de um levante, nem das tentativas de contê-lo por meios policiais ou paraestatais.

Esta noite parece ser a mais longa em Cuba em décadas. Só a política nos fará acordar amanhã com algo que temos o orgulho de chamar de pátria em nossas mãos.

II.
O povo cubano, a crise e os modos de abordá-la. Vinte pontos urgentes
(12/6/2021)

  1. A década 1975-1985 foi a de melhor desempenho socioeconômico de Cuba — graças ao apoio da União Soviética. Os cubanos acomodaram-se a este tempo para em seguida, nos anos 1990, emagrecer em média 8,9 quilos. Os indicadores de pobreza e desigualdade com que o país chegou à década estavam entre os melhores da região. A liderança cubana da época, especificamente Fidel Castro, por mais que uma parte da sociedade nacional cubana não o admire, desempenhou um papel decisivo nas formas de construir consensos e lidar com os dissensos da época.
  2. Em 2021, muitas coisas mudaram. Cuba não tem nada semelhante àquele colchão social. Também não tem as estatísticas de igualdade, a inserção internacional e condições que possibilitaram aquela liderança. Cuba precisa agora de muitas novidades.
  3. A crise atual assenta-se em várias crises anteriores e concomitantes: econômica, demográfica, de cuidados. E elas se combinam com a crise pandêmica, as crises internacionais – cada vez mais próximas umas das outras – e o agravamento da política dos EUA contra Cuba.
  4. Há também uma crise de horizontes – que se observa muito claramente no potencial migratório — e uma crise de confiança nos espaços políticos e institucionais. Estes se sustentam, em meio a uma convivência difícil, graças a outros desenvolvimentos institucionais de sucesso, como a política pública de produção e distribuição de vacinas contra a covid.
  5. Na década de 1990, manter moeda dupla foi fundamental para evitar que a crise social se tornasse ainda mais explosiva. Ao longo dos anos, pouco mais da metade da população recebeu alguma quantidade de CUC1. Parte deles veio de formas de pagamento e estímulo salarial. Outra, a mais importantes, de remessas do exterior.
  6. A “Ordenamento” adotado em 2021 eliminou o CUC, mas ninguém mais ganha oficialmente, em Cuba, moeda conversível em dólares. Aocontrário da promessa oficial de manter a dolarização “sob controle”, ter um pouco de dinheiro estrangeiro é agora essencial para comer, usar sabão ou comprar roupas para o filho por nascer2.
  7. Não conheço estatísticas confiáveis sobre quem não recebe remessas estrangeiras em Cuba. Mas é claro que são os diretamente afetados pelas novas medidas, dependentes do que lhes chega por meio das políticas de redistribuição — que passam por cortes sucessivos, como a eliminação de subsídios.
  8. No entanto, uns fatos são conhecidos: pelo menos 221.425 idosos vivem sozinhos em Cuba, e a maioria é mulheres. Destes, 82,3% possuem renda decorrente do trabalho ou aposentadoria [portanto, fora do circuito do dólar], mas não possuem outra fonte de renda. Das famílias cubanas, a parcela das que não têm filhos cresceu para 23,7%.
  9. Também se sabe que para cada dólar de remessa estrangeira que uma pessoa negra recebe, uma pessoa branca pode receber até três dólares, devido à estrutura histórica da migração cubana.
  10. As recentes medidas relacionadas ao dólar não criará a desigualdade em Cuba, mas a fortalecerá, num marco de ausência de políticas que reconheçam com transparência os crescentes problemas associados à pobreza e à desigualdade.
  11. Essas medidas estão sendo tomadas sem intervir de forma significativa no quadro das respostas individuais e familiares à crise iniciada na década de 1990. Especificamente, elas descarregam sobre as famílias emigradas [as que enviam remessas em dólar] o custo de vida em Cuba e agora, além disso, os custos das transações financeiras impostas pelo bloqueio. As medidas “engolem” o reajuste salarial decretado com o “Ordenamento”.
  12. Ao mesmo tempo, concorda-se que, embora a política oficial de emigração tenha avançado, ainda é muito insuficiente. O texto da nova Constituição sequer menciona a palavra migração, em um país que tem, como marcas de fogo em sua memória nacional, o drama dos “balseros”3na década de 1990 e aqueles que cruzaram a selva de Darien4há pouco tempo.
  13. Estas crises combinadas são vividas em um ambiente político em que certos atores agem para tapar hermeticamente as críticas a qualquer ação oficial. Com isso, falam exclusivamente para si próprios e agregam exponencialmente, à crise, problemas políticos – como o acesso aos direitos de participação e a intervenção na deliberação pública. São máquinas de produzir inimigos, elefantes nas lojas de louça dos complexos acordos sociais cubanos.
  14. Esse setor político bloqueia conhecimentos e experiências de vastas áreas sociais, rotulando-as de “inimigas”. Eles “programaram” um algoritmo de exclusão que impede a formação de consensos, bloqueia respostas coletivas e mina a confiança social na articulação de esforços e na capacidade das instituições de fornecer respostas públicas aos problemas coletivos.
  15. Ao mesmo tempo, a política de bloqueio dos EUA, que completará 60 anos em 2022, aferroa e se espalha. É uma armadilha justificar qualquer comportamento repressivo do Estado cubano através do bloqueio; mas relativizar esta ação norte-americana é outra armadilha. Além disso, justificá-lo é um crime. Não se abrir para considerar todas as alternativas possíveis para combatê-lo é outro crime. Qualquer alternativa patriótica cubana deve ter como núcleo de suas convicções a condenação incondicional do bloqueio.
  16. A experiência histórica cubana mostra maneiras de lidar com as crises. Em 1898, quase metade de Havana vendia confeitos por um centavo, já que só havia disponível açúcar. Nessas condições, o movimento pela independência cubana conseguiu, por meio de uma enorme luta de massas, derrotar a linha de anexação suscitada pela facção ultranacionalista da política estadunidense e de seus aliados em Cuba. Após a crise de 1929, que em Cuba teve impacto maior que em qualquer outro país da região, houve ondas de suicídios na ilha. Nessas condições, o povo cubano travou a “batalha pela Assembleia Constituinte” de 1940, e obteve a legislação social mais profunda da história nacional até então.
  17. Em 1958, o Produto Interno Bruto por habitante de Cuba ocupava o terceiro lugar na América Latina, superado apenas pela Venezuela e Uruguai. No entanto, a produção política da desigualdade e o regime ditatorial de Batista tornaram a situação intolerável. Nesse contexto, os moradores de Santa Clara derrubaram as paredes de suas próprias casas para impedir a passagem das tropas de Batista durante a batalha naquela cidade, e o povo cubano construiu um enorme arco ideológico de oposição ao tirano. Depois da Revolução, as situações de crise foram enfrentadas apelando para soluções coletivas. A crise dos mísseis, em 1963, colocou meninos de todo o país no comando de baterias antiaéreas. A crise dos anos 90 coincidiu, pelo menos até 1996, com um clima de relativa abertura aos debates sobre as alternativas cubanas – em que atuaram espaços como o Centro de Estudos das Américas – e com a promessa, cumprida em grande medida, de que as dificuldades seriam vividas uniformemente.
  18. Toda essa história contém lições igualmente válidas para os que querem chamar de “mercenárias” as críticas interna (e tentam enfrentar qualquer dissidência por meios policiais) e aos que naturalizam a ingerência estadunidense sobre o país.
  19. As respostas coletivas, as articulações sociais, a elaboração inclusiva do que se entende por povo cubano, a defesa de noções democráticas de soberania nacional, a ampliação dos espaços de discussão sobre as alternativas possíveis, foram o substrato democrático das soluções a essas crises.
  20. Em resumo, uma lição importante parece ser que enfrentar a crise por meio da expansão de direitos – tanto políticos quanto sociais – é o caminho mais firme para as soluções futuras.

1 Antiga moeda cubana, equivalente a um dólar, ou a 24 pesos. Extinta em 1º/1/2021. No mercado paralelo, o dólar chega a valer atualmente (14/7/21) 70 pesos.

2 Parte do comércio, em Cuba, vende apenas em moeda estrangeira – e é, portanto, acessível somente a quem tem acesso a estas divisas. Nos últimos meses, diante do desabastecimento das lojas que vendem em pesos cubanos, o comércio em divisas tornou-se o único a oferecer parte dos produtos disponíveis.

3 Referência a algumas dezenas de milhares de cubanos que emigraram à Flórida, principalmente nos anos 1990, fazendo a travessia pelo Mar do Caribe em embarcações rudimentares

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4 Floresta tropical intricada e perigosa na divisa entre Panamá e Colômbia. Usada por migrantes cubanos como rota para chegar à América do Sul

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*Julio Cesar Guanche — Professor da Universidade de Havana e doutorando pela Flacso/Equador. Editou diversas publicações político-culturais cubanas (entre outras, Alma Mater e La Jiribilla) e foi diretor adjunto do Festival Internacional do Novo Cinema Lationoamericano.