San Marino UM DOS MAIS AFETADOS

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San Marino, com menos de 34.000 habitantes, já registou 538 casos de Covid-19 e 41 mortos. Um dos países proporcionalmente mais afectados, a fazer lembrar a Espanha, a Bélgica e o Luxemburgo.

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O 25 de Abril e os revivalistas militares [Carlos Matos Gomes, np blogue Medium, 27/04]

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José Mário Costa
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O 25 de Abril e os revivalistas militares [Carlos Matos Gomes, np blogue Medium, 27/04]·

« (…) Em 1974 as Forças Armadas portuguesas apenas participavam em exercícios na NATO através da Armada (onde sofriam vexames da parte dos seus aliados, nomeadamente nórdicos — noruegueses e holandeses), viviam num limbo internacional de que as participações mais ou menos encobertas de apoio aos mercenários do Congo e do Biafra não acrescentavam prestígio. Forças tão desprestigiadas e tão mal equipadas que em 1961 não conseguiram recuperar um navio mercante português, o «Santa Maria», em águas internacionais!

Que em 1972/73 os seus aliados mais próximos por razões de sobrevivência, a África do Sul do apartheid e a Rodésia da independência unilateral, faziam relatórios arrasadores sobre o espírito combativo, sobre a estrutura de comando das forças portuguesas em Moçambique e Angola. Entretanto a Marinha Inglesa realizava um bloqueio ao porto da Beira! (Beira Patrol) — e Portugal era formalmente aliado de Inglaterra!

Foi a este “Estado a que isto chegou”, nas palavras de Salgueiro Maia, que uma parte dos militares, a dos melhores, desde logo pela razão elementar de terem ganho consciência da irracionalidade criminosa de uma política de guerra sem objetivo, nem fim, nem meios, uma guerra de queimar portugueses sem sentido, deu o devido e patriótico fim a 25 de Abril de 1974. O qual não devia, segundo esta franja de militares, ser comemorado! Li que a presença dos chefes de estado-maior não “dignificava as Forças Armadas”, que as envergonhava!

Foi o 25 de Abril que retirou Portugal do grupo dos estados-pária onde se encontrava. Que permitiu restabelecer ligações sem “vergonha” com aliados europeus e americanos, mas também com países do Terceiro Mundo, com o mundo árabe (o Egito, em particular), a África (OUA), a Ásia (China e Índia, em particular), a URSS e os seus aliados. Que abriu a porta a alguns desses militares hoje tão críticos do regime democrático e tão empenhados no ataque aos seus fundamentos para terem a oportunidade de participar em missões internacionais que, sem valorização de mérito político, os levaram à antiga Jugoslávia e ao Líbano, a Timor, a Angola, Moçambique, Guiné, Marrocos (Sara), na República Centro Africana, Bolívia, Afeganistão, entre os outros espaços de conflito internacional, em missões para as quais, durante a ditadura e a guerra colonial, os militares portugueses jamais haviam merecido serem considerados elegíveis para participarem!

Não há para estes “neo epopeicos” frustrados um ministro do regime do Estado de Direito que não seja ou tenha sido um biltre, a maioria dos generais são uns vendido. Os militar com responsabilidades no 25 de Abril são cobardes, ou traidores! Para eles, os virtuosos, a virtude do Estado e das Forças Armadas morreu a 25 de Abril de 1974! Entretanto veneram alguns “heróis do absurdo”, incapazes de perceber a razão dos seus atos. É este o discurso sublimar deste grupo de revivalistas, manipuladores da opinião.

Na realidade e é histórico, foi o 25 de Abril que dignificou a condição dos militares portugueses. O 25 de Abril foi obra de soldados, recorrendo a Mouzinho de Albuquerque. E foi o 25 de Abril, com os seus militares e políticos, com os seus defeitos e qualidades que colocou Portugal no concerto das nações respeitáveis. (…)»

[Carlos Matos Gomes, np blogue Medium, 27/04]

A place where words matter

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FRANÇA 9 MIL MORTES EM CASA NÃO CONTADAS

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This is just an estimate, but it gives an idea of the drama of the dead at home of the coronavirus. According to the president of the union of general doctors MG France, 9000 people are reportedly dead at home due to of-19, without being recorded in the official reports reported daily by the government.
The union conducted a survey of over 2300 general doctors throughout France. “They were asked how many home patients in their homes had died from Covid-19”, said Jacques Battistoni to franceinfo. MG France then made “extrapolation” taking into account the number of doctors per department.
As a result: “There were about 9000 home deaths between March 17 and April 19”, the union president in the Sunday newspaper on April 26 “This very disturbing figure confirms that France is one of the most affected countries” by the epidemic he adds.

L’épidémie de Covid-19 aurait fait des milliers de morts non comptabilisés dans les bilans communiqués par les autorités, selon MG France.

Expresso | COVID-19. Alemanha opta por sistema de identificação de contactos que respeita a privacidade dos cidadãos

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Ao contrário de uma aplicação pan-europeia que estava a ser desenvolvida, a solução agora adotada armazena os dados nos próprios telemóveis e não numa base de dados cental

Source: Expresso | COVID-19. Alemanha opta por sistema de identificação de contactos que respeita a privacidade dos cidadãos

a infindável crise timorense

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CNRT, de Xanana Gusmão, diz que nova aliança parlamentar em Timor-Leste “já morreu”

Díli, 27 abr 2020 (Lusa) – O líder da bancada do CNRT, segundo partido timorense, considerou hoje que o voto do partido KHUNTO a favor da renovação do estado de emergência significa a morte da nova aliança parlamentar de que os partidos faziam parte.
“Sim parece que já morreu a aliança. Foi, portanto, uma decisão indireta da parte do KHUNTO [Kmanek Haburas Unidade Nasional Timor Oan] em cortar com a nova aliança”, disse à Lusa Duarte Nunes, líder da bancada do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão.
“Houve instruções diferentes dadas ao KHUNTO. E a mensagem clara foi esta”, considerou.
Duarte Nunes falava à Lusa depois do parlamento nacional aprovar hoje o prolongamento do estado de emergência por 30 dias como resposta à covid-19, com 37 votos a favor, 23 votos contra e quatro abstenções.
A autorização foi aprovada com os votos favoráveis da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), do Partido Libertação Popular (PLP) e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).
O Partido Democrático (PD) dividiu-se, com o líder do partido, Mariano Sabino a votar a favor e os restantes três deputados (um estava ausente) a absterem-se, enquanto o único deputado do Partido de Unidade Desenvolvimento Democrático (PUDD) absteve-se.
A votação mostrou uma fratura na nova maioria de aliança parlamentar, com o KHUNTO, PD e PUDD a adotarem uma postura diferente do CNRT que ficou apenas com a deputada da Frente Mudança e o deputado da União Democrática Timorense (UDT) no bloco do não.
Recorde-se que o CNRT, KHUNTO, PD, PUDD, UDT e FM acordaram uma nova aliança de maioria parlamentar que se mostrou agora dividida na apreciação da autorização.
Antonio Conceição, deputado do Partido Democrático (PD) e que tem sido porta-voz da aliança, disse hoje à Lusa que os partidos da aliança tinham acordado no sábado votar hoje contra a extensão do estado de emergência devido à covid-19, mas que o líder do KHUNTO, José Naimori, deu depois instruções contrárias aos seus deputados.
Duarte Nunes disse que a votação de hoje foi “um último teste” à posição do KHUNTO no quadro da aliança, afirmando que “depois de eles votarem a favor, poderemos ter novas nomeações dentro em breve para o Governo”.
Escusando-se a especular sobre o que motivou a reviravolta do KHUNTO – a Lusa tentou sem sucesso ouvir dirigentes do partido – Nunes disse que agora os membros do CNRT que ainda estão no Governo terão de decidir “se querem demitir-se ou se serão exonerados” no âmbito dessa possível remodelação.
“Os nossos ministros já sabem da situação e têm de pedir a resignação ou então são exonerados”, afirmou.
A situação é o capítulo mais recente numa sucessão de trocas de alianças entre os partidos políticos timorenses que, em parte, tem sido responsável pelo impasse político que o país vive desde 2017.
Duarte Nunes teceu críticas à ação do Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, neste processo, considerando que o chefe de Estado “usou da sua autoridade para decidir o que interessa à Fretilin, e o interessa ao PLP”.
“Isso é o que vemos”, afirmou.

ASP // PJA
Lusa/Fim

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escolha aqui o seu novo cartão de visita

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1. Cartão do advogado especialista em divórcios

2. Cartão do professor de yoga

3. Cartão do encanador

4. Cartão de um especialista em circuncisões

5. Cartão da churrascaria

6. Cartão da maquiadora

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8. Cartão do mecânico de bicicletas, que oferece opções de ferramentas

9. Cartão-pente do salão de cabeleireiros (Toca um tema musical quando você passa o dedo pelas cerdas)

10. Cartão do fotógrafo de eventos

11. Cartão do personal trainer

12. Cartão de outro personal trainer

13. Cartão do analista financeiro, com alusão às altas e baixas da bolsa de valores

14. Cartão de um centro de yoga

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16. Lego cartão de visitas

17. Cartão do cabeleireiro

18. Cartão da TAM Cargo, que vira uma caixa de transporte

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20. Cartão do dentista

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22. Cartão ralador de queijo da loja de queijos (Brasil)

23. Cartão comestível

fonte: https://segredosdomundo.r7.com/23-mais-criativos-e-encantadores-cartoes-de-visita-ja-inventados/

não, não está tudo bem….no recomeço escolar nos açores

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COMEÇARAM AS AULAS. COMEÇOU O FUTURO?

Naquele que devia seguir-se ao culminar de um processo de preparação, o arranque do novo período letivo tem sido extremamente exigente pata todos: professores, alunos, pais e administração educativa. Contudo, para além dos expetáveis desafios que se prendem com a adaptação a um novo sistema de aulas, ainda por cima, a distância, a (in)ação central veio causar mais distúrbio ao sistema.
Deve ser salientado o papel dos diretores de turma e dos professores titulares de turma, que tiveram a incumbência de articular com as famílias e os restantes professores a implementação deste processo, limando junto das famílias as falhas de gestão administrativa (que é natural que surjam) e resolvendo junto da escola os problemas colocados pelos encarregados de educação e pelos alunos. Tem sido um insano trabalho, e só quem lida com a Escola (no sentido de comunidade) entende o nível de exigência de integração sistémica.
Multiplicaram-se em contatos por múltiplas vezes, e esta não é uma redundância. De um modo geral, os professores estão em luta contra o tempo, para terem todo o seu material adaptado para o ensino a distância em cada aula ou atividade, com a maior participação possível.
Infelizmente, todo este trabalho acabou por avolumar-se porque não estava tudo atempadamente preparado, não tendo a administração educativa cumprido com o comprometido no que concerne à preparação das plataformas com as quais trabalhamos. É verdade que o que se lhe exigia não era simples: agilizar o já existente SGE (plataforma de gestão do trabalho com os alunos), que tantos problemas já tinha dado, em especial quando sujeito a acessos simultâneos; criar uma conta da Microsoft para cada aluno, para usufruir de todas as potencialidades da aplicação de videoconferências previamente escolhida pela administração central regional (Teams); e ligar o SGE a essa aplicação, de forma que através de um único acesso (ao SGE) se pudesse fazer todo o trabalho. Simplesmente, não foi feito. Os procedimentos de operacionalização de comunicação a distância, a escolha de aplicativos e a calendarização das aulas foram opções centralizadas, estranhamente assentes na sobrecarga de uma plataforma que já dava problemas (SGE). Os professores e as escolas corresponderam, a administração central não, e agora estamos a contornar problemas, com grande custo dos docentes e das famílias, que continuam a ver-se à nora para aceder ao SGE. Se a administração não tivesse andado a criar (novamente dentro desta plataforma) chats e crachás (e agora um canal de videoconferências) completamente acessórios, talvez tivesse tido tempo para fazer o que tinha de ser feito, com grandes ganhos de eficiência, e não estariam os professores e as famílias a tentar contornar dificuldades que não existiriam.
Não faz sentido, assim, a manifestação de regozijo do Secretário Regional da Educação e Cultura, no dia em que se retomaram (efetivamente) as aulas, ao dizer que se ultrapassaram as suas expetativas, fazendo tábua-rasa dos problemas com que toda a comunidade educativa (ainda hoje) se defronta. O primeiro passo para proceder a uma verdadeira reforma na Educação consiste na capacidade de avaliar o que andamos a fazer.
Sofia Ribeiro
sribeiro.maisacores@gmail.com

— with Sofia Heleno Ribeiro.

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Comments
  • Jacinto Sousa E que futuro será em ‘saber’?.
    Tele-saber?. Tele-raciocinio?. Tele-avaliação.
    Vai ser bonito ‘as bases’ deste ano, reflectidas durantes os próximos
  • João Mota Gomes Há aqui vários pontos muito interessantes que podem e devem ser alvo de diagnóstico e discussão. O primeiro é de que deveríamos ter preparado uma maior presença das TIC no processo educativo salvaguardando o ensino á distância mesmo sem pandemia uma vez que esse modelo pode apresentar algumas vantagens em certas situações mas tem uma curva de aprendizagem que pode não ser muito fácil
    11 replies
  • João Mota Gomes Já foi diagnosticado que a sala de aula como a conhecemos está ultrapassada e o papel do professor como detentor do conhecimento já não é a única fórmula nem o papel mais importante uma vez que na sociedade do conhecimento há abundância de recursos e de saberes disponíveis ao clique do rato, onde o professor é insubstituível é como tutor e inspirador. Como adaptar todo o ensino a esta realidade?
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Visão | Covid-19: “Haverá duas ou três ondas de Covid e daqui a um ano 40% ou 50% da população estará infetada”, diz especialista

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Um dos maiores especialistas do mundo em vírus diz que os governos devem investir na prevenção de pandemias da mesma forma que o fazem na Defesa

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PM australiano reitera apoio e solidariedade a TL na luta contra covid-19 | TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

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Source: PM australiano reitera apoio e solidariedade a TL na luta contra covid-19 | TATOLI Agência Noticiosa de Timor-Leste

Incineração em São Miguel – selvajaria democrática – NO Revista

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A construção de uma incineradora tem sido, desde sempre, a solução pretendida pela AMISM / MUSAMI para o tratamento dos resíduos urbanos produzidos na ilha de São Miguel. Na última

Source: Incineração em São Miguel – selvajaria democrática – NO Revista

desde o 1º dia que eu avisei….Au nom du coronavirus, l’État met en place la société de contrôle

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Couvre-feux, contrôles policiers multiples, toute-puissance de l’administration, emballement de l’industrie technosécuritaire : la pandémie de Covid-19 se traduit, en France, par un contrôle accru des populations, suspectées par principe de ne pas participer à la « guerre » contre le virus. « Nous ne renoncerons à rien, surtout pas à rire, à chanter, à penser, à aimer, surtout pas aux terrasses, aux salles de concert, aux fêtes de soir d’été, surtout pas à la liberté », affirmait Emmanuel Macron le 11 mars (…)

Source: Au nom du coronavirus, l’État met en place la société de contrôle

Confinamento, clausura, reclusão,A M Pires Cabral

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Confinamento, clausura, reclusão — três palavras que dizem o mesmo, embora cada uma com as suas ressonâncias próprias.
Confinamento cai sobre nós com todo o peso e cruel frieza da terminologia jurídica.
Clausura, evocando o ambiente monástico, traz consigo a ideia de penúria e penitência.
Reclusão lembra o mundo opressivo de cadeias e penitenciárias, e o seu sentido colateral é expiação.
As três trazem consigo uma outra trindade de palavras: limitação, ausência, angústia.
Pessoalmente, não é a limitação espacial que me fere, desde que não traga consigo outras limitações, digamos, espirituais. Felizmente tenho em carteira o “quam satis” de sucedâneos que dispensem o ar livre: escrevo o meu versinho quando estou para aí virado; depois sarapinto uma ou duas aguarelas; depois atiro-me com unhas e dentes ao aperfeiçoamento da “Língua Charra”, o meu dicionário de regionalismos. Oiço rádio enquanto exercito essas práticas de subsistência e resistência, se me apetece; se não, prefiro fazer tudo isso em silêncio.
E claro, também uso um pouco de televisão — quase sempre um “zapping” entre o National Geographic e o Mezzo. Quando no National Geographic os crocodilos começam a deglutir gnus, salto para o Mezzo. Quando no Mezzo a música não é bem aquela que realmente me diz alguma coisa (e devo confessar que tenho gostos bastante primários em matéria de música: melodia acima de tudo!) salto para o National Geographic. De notícias, pouco: só o essencial até me começar a causar náuseas aquela insensibilidade brutal com que contabilizam os mortos, como se se tratasse de sacos de farinha.
O que me penaliza então? O que verdadeiramente me penaliza e custa a suportar é mesmo a segunda pessoa daquela trindade feroz: a ausência. É duro, para quem se afez a ter em casa o bulício, o desalinho e o permanente terramoto que são os netos, enfrentar agora a sua ausência — o vazio. Imagine-se que passou a fazer-me falta mesmo tudo aquilo que antes me enervava e por vezes enfurecia neles: as brigas constantes, as birras, as correrias, as pequenas maldades… Faz-me falta cantar para eles e ensinar-lhes cantigas. Fazem-me falta, pronto.
Daí até à angústia — até quando? meu Deus, até quando? — é um saltinho de pardal.
A minha Mulher e eu não somos os únicos a sentir em angústia a ausência do Pedro Miguel, da Maria, da Inês, da Margarida. As próprias letras magnéticas que há na porta do frigorífico em todas as casas onde haja crianças —, elas, que se divertiam tanto como as próprias crianças nos intermináveis jogos e mutações a que eram submetidas, parece que sentem a angústia destas horas do diabo, e amontoam-se a um canto, amuadas, à espera do dia em que de novo mãozinhas infantis as façam andar numa roda viva.

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