O SANTO CRISTO

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Um horror, a legitimação da falta de bom senso, de gosto, de educação, de respeito e do ridículo está em curso, armando Moreira ao vivo no Inter Ilhas a partir dos 48 minutos
Inter-Ilhas de 10 mai 2023 - RTP Play - RTP
RTP.PT
Inter-Ilhas de 10 mai 2023 – RTP Play – RTP
Com Sidónio Bettencourt – Uma viagem pelo arquipélago de Vitorino Nemésio e Natália Correia, com paragem em vários portos onde o povo diz de sua
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Luisa Câmara

Já tinha ouvido é tão triste e perigosa que esperemos que o Sr.Bispo ouça e perceba a quem está entregue o culto do SSCristo.

LEI DO TABACO

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Grande, poeta!
Declaração de interesses: não fumo.
Pode ser uma imagem de texto que diz "NOVALEDO LEI DO TABACO PROIBIDO FUMAR EM ESPLANADAS E PÁTIOS EXTERIORES DE RESTAURANTES E BARES REPÚBLICA PORTUGUESA"

“ZEITGEIST”
Escrevi e publiquei este poema há uns 25 anos, no início da onda moralista e proibicionista que hoje parece dominar o mundo – e cujo sinal mais recente consiste nesta lei que nos irá roubar o prazer de fumar um cigarro numa esplanada. O poema é de 1997 ou 98 e talvez esteja datado aqui ou ali, mas mantém alguma actualidade. Partilho-o sem mais comentários:
ZEITGEIST
Os meus contemporâneos falam muito
e dizem: “Então é assim”
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.
// Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios onde, às escuras
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança “propostas” decisivas
e percorre as “vertentes” de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o café
sem cafeína e sobretudo
o amor sem amor, para conservarem
o equilíbrio físico e mental.
// Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,
a ser livre, saudável e feliz:
proíbem o tabaco e o açúcar
e se estão tristes tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos de segurança.
// Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
“tropeço de ternura”, queria ser
pelo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito das bocas,
a labareda vã das gargalhadas
pela madrugada fora. No entanto,
assedia-me a acédia de ficar
assim, mais preguiçoso que um Oblomov
à escala portuguesa – ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o “espírito
do tempo” em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação “save”
e assim alcançarem a eternidade.

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JAI ALAI, PELOTA BASCA EM MACAU

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Basque pelota existed in Macau from 1974 until July 1990, played at Casino Jai Lai as part of betting service provided to clients by the casino. 🇲🇴
Euskal pilota: The Basque Country’s centuries-old ball games.
These beloved wall sports are considered to be the descendants of a 17th-Century game and the direct ancestors of tennis, squash and racket ball.
I am dazzled by the rural beauty of France’s Basque Country, where the untamed coast and rolling green hills are dappled with red tile-roofed villages and surrounded by clouds of white sheep.
Walking through these towns, I’m always on the lookout for a singular wall, measuring approximately 16m wide and 10m tall.
It’s often pink, sometimes pale yellow, and the date it was erected is usually emblazoned on the façade.
It’s possible, but not required, that the top of the wall rises into an arch and is lined with a mesh fence.
Once I’ve found the wall, chances are high that I’m near the town hall, with signs identifying it in two languages: “herriko etxe” in Basque and “mairie” in French.
And next to the town hall, I’m sure to find a stone church with a reverently tended cemetery.
This trio of buildings is so sacred to locals that it’s known as the trinité: the town hall, the church and that wall, which the Basque call the plaza, or fronton in French.
Communities gather here to watch and play a dozen different ball games known together as Euskal pilota – Euskal meaning Basque, and pilota meaning the specific type of ball, a nut of latex wrapped in yarn, then covered in leather.
Developed in these mountains hundreds of years ago, the games (commonly known as Basque pelota around the world) vary from hand pilota, in which the ball is thrown and caught with bare hands, to pala, a collection of games played with a wooden paddle or a cord-strung racket.
In an age of football idols and video games, it’s a testament to the strength of Basque culture that plazas are still busy with players vying for time on any given Sunday afternoon, while enthusiastic friends, families and fans watch from the sidelines.
These wall sports are generally considered to be the descendants of jeu de paume, a 17th-Century game that originated in France, and the direct ancestors of tennis, squash and racket ball.
Today they are played all over the world, thanks in large part to Basque entrepreneurs who exported one of the games, cesta punta, to Florida in the 1920s.
They rebranded it as “jai alaï”, which means “joyful celebration”, and it sparked a betting trend with an international following.
Cesta punta, along with its sister sport grand chistera, are among the fastest ball games on record.
They are played with a chistera, a leather glove attached to a long, thin basket that curves like a hook.
Players catch the pilota with the basket, swing it back in a dramatic arch and then send the ball hurtling against the plaza at fantastic speeds.
In fact, cesta punta holds a Guinness World Record for a ball that clocked in at 302km/h.
The best chisteras are still made by hand in traditional workshops, such as the family-run Atelier Gonzalez in the seaside town of Anglet.
When I visited, sunbeams pierced a small room that was littered with wood shavings and cluttered with chisteras in every state of repair.
Peio Gonzalez, the fourth of five generations of chistera makers here, was deftly building a frame out of chestnut, while his father, Jean-Louis, stood nearby weaving willow branches into a glove’s basket.
The family’s fifth-generation artisan, Bixente Gonzalez, was at a plaza, practicing cesta punta for the pro circuit.
“The frontons are a lieu de vie [community centre].
You go on a Sunday to Saint-Jean-Pied-de-Port or Hasparren and the entire village is there,” Gonzalez explained, naming two nearby villages that lie in the heart of the Pyrenees, not far from the Spanish border.
“We drink. We laugh.”
At my next stop in the coastal village of Bidart, Patxi Tambourindeguy agreed: “These traditions keep the culture alive.”
He and his brother Jon are world jai alaï champions who have competed in Cuba, Acapulco and Miami.
When not on the circuit, they are at Ona Pilota, a light-filled atelier they opened six years ago to answer the growing need for custom-designed chisteras and hand-crafted pilotas.
The Basque are as proud of their locally sourced cuisine as they are of their unique sports, so it is no surprise that plazas are often near a restaurant or bar.
In February, strolling through Bayonne, the popular resort port city on the Basque coast, I followed the sound of a pilota game echoing through the Petit Bayonne quartier and stumbled into a brasserie serving fans and players beside one of the oldest indoor plazas in France, the 300-year-old Trinquet Saint André.
Similarly, in the small village of Arcangues, 15km inland, Jean-Claude Astigarraga’s Restaurant du Trinquet was built with a viewing window, allowing diners to watch a match while savouring traditional specialties, like pigeon or acorn-fed pork, grilled over an open flame.
From behind the bar, the owner threw out his arms exuberantly, “You see this? How lucky am I to live with this every day?”
Visitors who want to learn more about the various games can start at the Pelota and Xistera Pilotari Ecomuseum in St-Pée-sur-Nivelle, or get tickets to professional matches held throughout the summer in Bidart.
But the best way to truly understand to power of the pilota is to head to the nearest plaza on your own, or to sign up for lessons like those offered cesta punta champions Patxi and Jon as they teach the fun of this Basque tradition.
May be an image of 4 people, people performing martial arts and people playing tennis
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José Miguel Encarnação

Ainda se joga no Jardim da Flora
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Luis Almeida Pinto

Ah! Não sabia, José Miguel!
Tens que me falar nisso, porque eu quero ir ver! 😊
Eu cheguei a assistir várias vezes à pelota basca ao vivo no Jai Lai, na primeira vez que estive em Macau a fazer o último ano do Liceu.…

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Médicos defendem que inteligência artificial é uma ameaça à saúde de milhões de pessoas – Ciência & Saúde – SÁBADO

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Um grupo de profissionais de saúde de vários países admitiu que se encontra preocupado com a forma como a inteligência artificial pode prejudicar os determinantes sociais de saúde especialmente devido aos possíveis efeitos na saúde mental e no desemprego em massa.

Source: Médicos defendem que inteligência artificial é uma ameaça à saúde de milhões de pessoas – Ciência & Saúde – SÁBADO

o chão de ponta delgada

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José Soares Turismo religioso e cultura de Fé

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Peixe do meu quintal José Soares

 

Turismo religioso e cultura de Fé

 

Nasci num “sábado das Festas” ou, para utilizar a expressão mais popular, “sábado do Senhor”. Assim sempre me disse quem me trouxe ao mundo. E nasci num edifício do Campo de São Francisco, cuja traseira dava (e ainda dá) para a Avenida Marginal de Ponta Delgada (rua Combatentes da Grande Guerra, assim se chamava antes da existência da Avenida). Embora com o Hospital (antigo) ali ao lado, no meu tempo nascia-se em casa. Mandava-se chamar a parteira e tudo estava feito.

Na minha condição atual de laico, vejo a tradição repetir-se ao longo da minha existência. A Fé popular que se impregnou na cultura insular pela influência de uma peça de arte sacra – uma imagem, um busto esculpido em madeira – cedro, imagino.

Sabemos que a imagem terá sido oferecida pelo Vaticano, não sendo certo que duas ou três freiras tenham viajado sozinhas até Roma, dados os grandes perigos que acompanhavam tais longas viagens a pé e em frágeis embarcações daqui até Itália. Seja como for, a imagem está cá.

Muitas histórias e lendas acompanham este culto há mais de 300 anos. Deixo abaixo a transcrição de uma das lendas que adornam a Fé do Povo que, depois de tantos anos se mantém:

 

“Há muito tempo, as freiras do Convento da Caloura sentiam-se muito tristes porque o povo da localidade de Água de Pau estava a ficar muito afastado da fé e do temor a Deus. Estas irmãs passavam muito tempo a rezar com grande fervor e esperavam que, se tivessem uma imagem nova no seu convento, poderiam atrair os paroquianos de volta aos caminhos da fé.

Resolveram escrever uma carta ao papa em Roma, para pedir que lhes fosse oferecida uma imagem nova para o convento, visto que não tinham dinheiro para a comprarem pelos seus próprios meios. Mas quando receberam a resposta, verificaram que o seu pedido não podia ser atendido. No entanto as irmãs do Convento da Caloura não desesperaram e, apesar das adversidades, continuaram com a fé de que um dia iriam ter uma imagem nova.

Reza a lenda que estes acontecimentos ocorreram numa época em que havia muitos piratas e corsários a percorrer os mares dos Açores. Uma nau que passava ao largo da ilha de São Miguel foi atacada por barcos piratas e muitos dos seus destroços acabaram por dar à costa ao longo de vários dias.

Num destes dias, depois de terem terminado os seus afazeres nos jardins do convento, as freiras encontravam-se a descansar à beira-mar quando viram na água, a flutuar junto às pedras, uma caixa da qual parecia emanar uma luz. Curiosas, desceram para a costa, puxaram o caixote para a praia e quando o abriram viram que continha um lindo busto de Cristo. A imagem tinha um olhar vivo e uma expressão humilde e serena.

De imediato as religiosas acharam que tinham recebido um milagre, porque o Santo Cristo tinha escolhido aportar à ilha de São Miguel, ilha cujo povo tinha fama de ser muito crente. Quando os habitantes de Água de Pau tomaram conhecimento do ocorrido ficaram muito felizes e a sua fé cresceu. A fama da imagem rapidamente se espalhou desde a vila a outros locais da ilha, juntamente com a fama dos milagres feitos pelo Santo Cristo. Desde essa época, Santo Cristo passou a ser a esperança e uma forma de apoio para todos os habitantes da ilha de São Miguel.

Por muitos anos esta imagem do senhor Santo Cristo foi venerada no Convento da Caloura. No entanto, devido à proximidade deste com o mar e devido aos constantes ataques por parte dos piratas, as freiras tiveram que se retirar para Ponta Delgada, para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, para onde levaram a imagem de Santo Cristo, onde ainda hoje se encontra.

Atualmente, séculos depois do que reza esta lenda, a fé no Senhor Santo Cristo não se perdeu, como se verifica todos os anos nas festas e na procissão que se faz em sua honra, no quinto domingo após o domingo de Páscoa de cada ano.”

art

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“When art you love was made by ‘Monsters’: A critic lays out the ‘Fan’s Dilemma’”:
https://www.npr.org/2023/05/10/1174293359/monsters-a-fans-dilemma-review-claire-dederer

When I was growing up, although we usually listened to the Metropolitan Opera live Saturday matinée radiocasts, my mother wouldn’t tune in for Wagner operas, because of the composer’s virulent antisemitism (and Hitler’s worship of his music).
Likewise taboo in our household was the poetry of Ezra Pound — my mother felt he should’ve been executed for treason during WW II for his propaganda support of fascism; instead, his pals got him declared mentally ill so he got off with passng a few years at St. Elizabeth’s hospital in DC (later host to John Hinckley, Jr., BTW).
As you likely suspect, Pound’s writings were largely a moot point — although I have a vague recollection of a HS English course including one of his poems. In 2004 this came back to haunt me, however, when I needed to track down the English-language original of a poem in Portuguese translation in Álamo Oliveira’s novel I No Longer Like Chocolates. Before you ask, yes, Álamo cited the author in his novel, just not the poem title, and the darn thing wasn’t online back then so I had to go plodding through a doorstop of a Pound poetry compendium I checked out of Oakland’s Carnegie Library — oof! By sheer luck, it was a relatively early piece of Pound’s, so the 95-year maximum copyright on it had just expired.

ARSÉNIO CHAVES PUIM

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Sobre a justiça e reconhecimento que a ilha, deve a este ilustre mariense, reforço o que escrevo, no final desta minha investigação, em jeito de singela homenagem, por amizade e gratidão.
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Rubrica: PATRIMÓNIO HUMANO DE SANTA MARIA
A figura do ARSÉNIO PUIM
“O apaixonado por Sta Maria, o relevante investigador cultural, o jornalista, o escritor, o humanista e o lutador anti-fascismo”
ARSÉNIO CHAVES PUIM, filho de António Carvalho Puim e de Maria da Encarnaçao Chaves, é um ilustre mariense de gema, que nasceu no dia 8 de maio de 1936, na Freguesia de Santo Espírito, tendo passado a sua infância no lugar da Calheta, onde fez a instrução primária. Faz parte de uma família numerosa de 9 irmãos (4 raparigas e 5 rapazes), sendo ele o único filho ainda vivo, assim como três das irmãs.
Ainda adolescente, ingressou no Seminário de Angra, onde completou o Curso de Teologia em 1960. Exerceu a função de sacerdote durante 15 anos, sendo mais de metade desse termpo na Igreja de S.Pedro, na ilha de Sta Maria. Aquando das Comemorações dos 400 anos daquele templo, em 2011, Arsénio Puim expressou assim: “Não sou natural desta freguesia, mas tendo com ela uma indelével ligação, que me deram 8 anos de vivência aqui na década de 60, como pároco, é com alegria e emoção que recordo tão significativa efeméride e expresso o meu carinho à sua comunidade”.
Em paralelo com as funções sacerdotais, ainda foi professor de História e Português no Externato do Aeroporto, Santa Maria, na década de 60.
O humanista e defensor da liberdade Arsénio Puim, foi ativista pela democracia e opositor político ao Estado Novo, tendo participado em movimentos contra o regime antes do 25 de Abril. Foi signatário da Declaração de Ponta Delgada, manifesto da candidatura à então Assembleia Nacional do Major Melo Antunes, pela oposição democrática, em 1969
Em 1970, foi mobilizado para a Guiné Bissau, como Capelão Militar e patente de Alferes, tendo lá desenvolvido, além das suas funções sacerdotais, uma luta pela liberdade e de combate a injustiças decorrentes dos ideais e ações fascistas, o que lhe valeu a detenção pela PIDE e a expulsão do Batalhão e do CTIG, em Maio de 1971.
Luís graça, um camarada militar do Arsénio Puim na Guiné, no seu Blogue, escreve assim uma das lutas/insurgimento dele, assim como as consequências do seu arrojo:
“O Puim, enquanto português, capelão de justiças e corajoso oficial do Exército Português, insurgiu-se, protestou ou chamou a atenção para a situação desumana, degradante, em que viviam, numa espécie de galinheiro, em Bambadinca, velhos, mulheres e crianças que foram “recuperados” de uma tabanca no mato, sob controlo do PAIGC (que “eles” chamavam, pomposamente, “áreas libertadas”, na famigerada áera do Poindon / Ponta do Inglês onde levámos muita porrada ao longo da guerra…)!
(…)Alguém, discreto, fez-me chegar a nova de que algo de grave se passava com o Puim. Fui ver. Encontro o Puim sentado na cama, nervoso mas determinado, olhando uns sujeitos que impiedosamente lhe desmantelavam o quarto descarnado, de asceta, à cata de … Abriam, fechavam gavetas, apressados … Acabei expulso do quarto. (…) O que fizeram depois ao Puim, os seus comandantes, os do BART 2917, o AC e o BB, foi de uma grande pulhice humana.”
Regressado aos Açores, ainda exerceu alguns anos de sacerdócio, opondo-se sempre à ligação “promíscua” entre a Igreja e o Estado Novo, participando ativamente em movimentos contra o Regime Fascista e lutando pela democracia. A sua ficha da PIDE, existente nos arquivos da torre do Tombo, atesta o quanto ele incomodava o Regime Fascista.
Mais tarde, enveredou por outros caminhos e concluiu o curso de enfermagem, em 1976, profissão que, de forma competente, exerceu até ao ano de 1995, quando se aposentou. Casou-se com Maria Leonor Garoupa Albergaria Bicudo, em 1979 (sendo a constituição de uma família um dos móbis que o fez sair do clero), teve dois filhos (Pedro e Miguel) e já é avô de outras tantas netas (Maria Emília e Maria Margarida).
Para além da sua nobre riqueza humana e coragem de não se calar e de se insurgir perante ditames políticos e religiosos errados, injustiças e opressões, aprecio, RELEVADAMENTE, o amigo Arsénio Puim, pela sua fina iteligência, vasta cultura, capacidade discursiva, competência de investigação histórico-etnográfica e patrimonial, assim como pela sua produção de escrita jornalística e de livros de suma importância para a memória coletiva e registo documental dos costumes, tradições, história e património físico de Santa Maria.
A acesa paixão, ligação estreita e colada identificação com as suas raízes e “ilha-berço” sempre foram constantes na vida de Arsénio Puim, expressas nas suas bastas vindas e longas estadas na ilha, mas sobretudo nos seus muitos escritos de investigação, defesa, valorização e de promoção da identidade cultural e humana de Santa Maria, não sendo de descurar também a sua ação/contribuição política como vereador e depois Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, na década de oitenta.
Durante uma cerimónia pública de apresentação de uma das suas obras em S.Miguel, Arsénio Puim expressou que com os seus escritos, para além do contributo documental que possam constituir, “Pretendo manter viva a chama de Santa Maria no seu coração, pois é daquela Ilha que brota o sangue das minhas veias e e a terra que sinto nas batidas do meu coração.” Actualmente, a residir em Vila Franca do Campo, Arsénio Puim diz que “jamais me esquecerei do meu amor à Ilha, que foi meu berço, primeiro agasalhou e me vinculou a alma.” (Correio dos Açores, 2008)
Nas áreas da investigação, da escrita documental e do jornalismo, apresento abaixo alguns dos seus brilhantes e inestimáveis trabalhos:
– Lançamento do desafio/convite a um grupo de marienses, para o avanço da II Série do Jornal “O Baluarte”, tendo sido co-fundador junto com os também reputados marienses João de Braga e José Dinis Resendes. Foi diretor deste mensário entre 1977 e 1982.
– Publicação de articulados jornalísticos em diversos jornais de S.Miguel e de Sta Maria, relevando as muitas publicações, durante mais de 40 anos, no “seu” (nosso) “Baluarte”, de trabalhos resultantes das suas investigações histórico-etnográficas e do património de Sta Maria, assim como das idiossincrasias e modus vivendi do seu povo, tais como: tecelagem (lã, linho, retalhos..) trajes típicos, folclore e folias, trabalhos e alfaias agrícolas (carro de bois, vindimas, debulhas…), festividades religiosas (Natal, impérios e outras), linguajar mariense, baleação, olaria, ermidas e Igrejas, moinhos de vento e azenhas, ribeiras e grutas, tendo sido também um grande companheiro de causas comuns, nomeadamente na defesa e valorização da nossa singular e identitária “casa típica mariense”, que urge de um elenco camarário com sensibilidade e responsabilidade para avançar com um Plano de Salvaguarda.
– Publicação do livro «A Pesca à Baleia na Ilha de Santa Maria» (2001). Edição do Museu de Sta Maria e da junta de Freguesia de Sto Espírito.
Trata-se de um livro-documento sobre a baleação na Ilha de Sta Maria, com a imagem de capa da “Foto Pepe”, tendo o autor o dedicado “ A todos aqueles que, com as suas vidas, o seu saber e a sua bravura, e na busca do pão de cada dia, realizaram a história baleeira da ilha de Santa Maria”.
– Publicaçao do livro «O Povo de Santa Maria – Seu Falar e Suas Vivências» (2008). Edição da Câmara Municipal de Vila do Porto.
O livro foi lançado no dia 10 de agosto, de 2008, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a apresentação do Senhor João de Braga, que sobre sobre o seu conteúdo expressou o seguinte:
“ Santa Maria passou a dispôr de um documento que será a memória viva, através dos tempos, da nossa índole de povo, que povoou e desbravou com muito esforço e coragem este “naco de terra”, assim como das árduas labutas para nele sobreviver. O Livro reflete toda esta realidade de vida, sendo um autêntico monumento descritivo e etnográfico do linguajar e “modus vivendi” marienses que estabelece uma ligação entre as gerações antigas e as novas.”
No dia 12 de dezembro de 2009, a obra teve relançamentos em Vila Franca do Campo, Vila irmã de Vila do Porto, desde 1984 e localidade onde o Arsénio Puim se radicou, a partir de 1982. Neste Concelho foi colaborador regular do Jornal “A Crença”, vereador e membro da Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo e Presidente das Assembleias das Freguesias da Ribeira das Tainhas e da Ribeira Seca. Ainda exerceu as funções de Presidente da Associação de Pais na Escola Secundária de Vila Franca do Campo e de Lagoa, membro da Comissão de Protecção de Menores, membro da Mesa da Santa Casa da Misericórdia, Delegado Sindical (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses).
– Publicação do livro «As Ribeiras de Santa Maria – Seus Percursos e História» (2009). Edição do Jornal “O Baluarte”.
A obra foi lançada no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila do Porto, no dia 14 de agosto de 2009. Na apresentação do livro, Arsénio Puim expressou que: “A importância das ribeiras de Sta Maria, vai muito para além da realidade física e geográfica, tendo uma relação estreita com a vida das pessoas, apontando alguns dos seus préstimos, tais como o lavar da roupa, colocar o linho de “infusão”, plantação de inhames nas margens, saciar a sede ao gado, força motriz das azenhas, etc.” Relevou também o autor que “As ribeiras também encerram uma marcante vertente histórica. E essa história começou no séc. XV, à altura do povoamento, tendo os cursos de água sido determinantes para a fixação das pessoas e para a sua sobrevivência.”
Quero agradecer novamente “de coração”, ao grande Arsénio Puim pelo reconhecimento público que ele me fez, pelo fato de ter colaborado neste livro e fornecido as fotos das ribeiras que ele descreveu na obra, tendo ficado emocionado quando expressou que “Além de agradecer à Foto Pepe pela imagem da capa, extendo uma gratidão especial ao Professor José de Melo, homem que conhece como ninguém as ribeiras e os recantos naturais de Sta Maria e a quem a ilha deve um trabalho invulgar a favor da etnografia e na defesa abnegada dos fósseis, da geologia, dos animais e do ambiente da mesma”. Vindo de uma ilustre figura, que muito aprecio e me proporcionou referências, suas palavras constituiram (ainda constituem), sobretudo, incentivo para continuar na luta e ação na defesa, valorização e divulgação do património natural e cultural da nossa ilha de paixão.
Relevo, ainda, que este livro e outras obras suas foram apresentadas junto da “diáspora”, no dia 10 de outubro de 2010, no Clube Português de Hudson, tendo recebido grande apreciação e alegria junto dos nossos emigrantes, com os quais ele sempre teve um carinho e ligação especiais.
O distinto investigador cultural, jornalista e escritor Arsénio Puim já recebeu bastos reconhecimentos públicos em S.Miguel (nomeadamente em Vila Franca), junto da diáspora e, por maioria de razão, em Sta Maria, tendo o seu amigo e companheiro do Baluarte, João de Braga, conjugado os eventos das apresentações dos seus livros, na Câmara Municipal de Vila do Porto, com pequenas homenagens ao autor. “Arsénio Puim, é um homem de sentimentos e emoções fortes, muito ligado à sua Calheta e a Sta Maria, atuando sempre nos cargos que ocupou, no Baluarte, na Câmara Municipal e na sua vida profissional, com muita competência e de forma sensata e inteligente. Além de nos presentear com seus escritos fabulosos, tem sempre uma historinha para contar, de pessoas e acontecimentos ligados a Sta Maria, o que faz com graça, humor cativante e uma ternura filantrópica”. (Extrato do discurso do J.Braga, na apresentuação do Livro “O Povo de Sta Maria o Seu Falar”, (10/08/2008)
Outra faceta marcante na vida do Arsénio Puim foi ter sobrevivido ao naugrágio do Arnel, onde faleceu, infelizmente, a sua mãe, Maria da Encarnação Chaves, e também o meu avô Joaquim Soares de Melo, em 19 de setembro de 1958. Três anos mais tarde, o meu pai também faleceu num acidente no mar, tendo ele para mim e para o Arsénio um sabor “agri-doce”, que tanto dá e também tira, “tendo muito do seu sal lágrimas nossas e de Portugal”.
Arsénio Puim é um dos mais eminentes e ilustres filhos de Sta Maria da contemporaneidade, constituindo a sua vasta obra histórico-etnográfica, as bastas funções/ações políticas e sócio-culturais que desempenhou e a sua abnegada luta pela liberdade préstimos inestimáveis e uma honra para Sta Maria e para os Açores.
Defendo que seja alvo de uma homenagem pública, por parte do Município de Vila do Porto, em parceria com a Edilidade de Vila Franca do Campo, no decorrer da Festas do Concelho (15 de agosto); que seja proposto pelos nossos deputados para ser condecorado com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, no dia da Autonomia e que venha a ter uma rua com o seu nome, na Freguesia de Sto Espírito, atribuído pela Junta e Freguesia da sua naturalidade.
– José de Andrade Melo
CADEP-CN* de Sta Maria
(Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural)

 

 

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Prémio Paulo Cunha Silva

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CULTURA

Prémio Paulo Cunha Silva com nova edição e novo formato

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Mantendo o objetivo de reconhecer o talento das novas gerações de artistas nacionais e internacionais, o Prémio Paulo Cunha e Silva está de regresso e traz um novo formato.

Para a edição deste ano, foram convidadas três pessoas com um percurso reconhecido na Arte Contemporânea – a artista Ângela Ferreira, Hicham Khalidi, diretor da Jan van Eyck Academie, e a programadora cultural Tabitha Thorlu-Bandura – que ficaram encarregues da nomeação de nove artistas para integrar uma exposição coletiva, de onde serão escolhidas as três pessoas vencedoras.

Reforçando o compromisso de promover a criação e o intercâmbio cultural, o prémio consistirá na atribuição de três residências artísticas, em espaços de arte de referência: Arquipélago Centro de Artes em S. Miguel, Açores, Cove Park, na costa oeste da Escócia, e Pivô Arte e Pesquisa, em São Paulo. As premiações serão anunciadas durante o decorrer da exposição, que encerra a 20 de agosto.

O projeto expositivo, que será inaugurado a 17 de junho na Galeria Municipal do Porto, integrando, assim, as obras de Euridice Zaituna Kala, Márilu Mapengo Námoda e Luis M. S. Santos, nomeações de Ângela Ferreira; Rouzbeh Akhbari, Kent Chan e Hira Nabi, nomeações de por Hicham Khalidi; e Maren Karlson, Malik Nashad Sharpe (Marikiscrycrycry) e Eve Stainton, nomeações de Tabitha Thorlu-Bandura.

Criado pela Câmara do Porto em homenagem ao antigo vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva (1962–2015), figura central da vida artística da cidade, o Prémio teve duas edições, entre 2017 e 2018 e entre 2019 e 2020.

Na primeira edição, venceu a dupla Mariana Caló e Francisco Queimadela e, na segunda, o júri optou pela premiação das seis pessoas finalistas – Basir Mahmood, Firenze Lai, Lebohang Kganye, Shaikha Al Mazrou, Song Ta e Steffani Jemison – e repartir o valor monetário entre todas.