Paquistão a lei da sharia à força

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Não, as culturas não são todas equivalentes. Não, as culturas não são estáticas e as tradições não são eternas. Sim, as culturas evoluem ou, às vezes, regridem. Sim, os Direitos Humanos são uma grande conquista civilizacional da Humanidade e devem ser universais. Não, dizer que os Direitos Humanos devem ser universais não é “imperialismo cultural”.

«O Supremo Tribunal de Karachi, no Paquistão, aplicou a lei islâmica, ignorando a lei nacional, para validar o casamento forçado de uma cristã de 14 anos que foi raptada e forçada a converter-se ao Islão.

A família de Huma Younus interpôs uma ação em tribunal alegando que a sua filha era menor e que por isso não podia casar, tentando dessa forma obter a sua libertação. Os raptores, contudo, apresentaram um documento assinado pela rapariga a dizer que era maior de idade.

Perante a dúvida o tribunal mandou Huma comparecer em tribunal para depor, dando esperança à sua família e a toda a comunidade cristã de que finalmente o sistema judiciário pudesse estar a mudar e que defenderia os direitos dos cristãos, nomeadamente das jovens que são raptadas e forçadas a converter-se e casar com muçulmanos.

Essas esperanças foram, contudo, descartadas quando o tribunal declarou que o facto de Huma já ter tido um ciclo menstrual significa que pode casar, fazendo assim tábua rasa da própria lei nacional que proíbe o casamento de mulheres menores de 18 anos.

“Esperávamos que com este caso a lei fosse aplicada pela primeira vez, mas claramente no Paquistão estas leis apenas são formuladas e aprovadas para dar crédito ao país aos olhos da comunidade internacional, para pedir fundos para desenvolvimento e conseguir livre acesso aos mercados europeus para produtos paquistaneses”, lamentou o advogado Tabassum Yousaf, em declarações citadas pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

A família e a equipa jurídica de Huma desconfiam ainda de cumplicidade entre o agente da polícia responsável pelo caso e o raptor, conhecido como Jabbar. Questionado sobre o facto de Huma não ter comparecido para a audição, o agente Akhtar Hussain limitou-se a dizer que ela tinha sido notificada. Apesar da sua incapacidade de cumprir as ordens do tribunal, os juízes mandaram o mesmo agente assegurar que fosse feito um exame médico à jovem, para comprovar a sua idade. Segundo o advogado Tabassum Yousaf, contudo, “É evidente que estando Hussain encarregue existe uma alta probabilidade de os resultados serem falseados. Mas ainda temos esperança de poder provar que a rapariga é menor e assim conseguir que ela seja entregue a um centro de acolhimento, pelo menos, para a livrar do seu raptor”.

A próxima sessão do processo será no dia 4 de março, mas, segundo a fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que tem acompanhado de perto o caso e apoiado a família nas suas despesas jurídicas, o facto de o casamento ter sido considerado válido anula qualquer possibilidade de que Jabbar seja puindo pelos crimes de rapto e casamento forçado.

“Esta sentença envergonha o sistema judicial paquistanês. É inimaginável que a lei Sharia possa prevalecer sobre a lei nacional. Expressamos toda a nossa indignação, mas ao mesmo tempo não desistimos. Pela Huma e pelo mais de milhar de raparigas que são raptadas, violadas, convertidas à força e obrigadas a casar com o seu raptor”, diz a Alessandro Monteduro, do ramo italiano da AIS.

“Hoje aprendemos que vale tudo, porque no Paquistão até uma menina de oito ou nove anos, desde que já tenha menstruado, pode ser dada legalmente em casamento”, conclui.»

“É mais uma prova de que os cristãos não são considerados cidadãos do Paquistão”, lamenta a mãe de Huma Younus, a rapariga de 14 anos que foi raptada em outubro.

RR.SAPO.PT
“É mais uma prova de que os cristãos não são considerados cidadãos do Paquistão”, lamenta a mãe de Huma Younus, a rapariga de 14 anos que foi raptada em outubro.
“É mais uma prova de que os cristãos não são considerados cidadãos do Paquistão”, lamenta a mãe de Huma Younus, a rapariga de 14 anos que foi raptada em outubro.
Comments
  • Carlos Leitão Carreira E coragem para apelar ao boicote a tudo o que tenha origem paquistanesa? Ou pedir aos governos que imponham restrições económicas ao Paquistão? Que é do Bloco de Esquerda, das Capazes e outras supostas “feministas”…?!
  • Joao Paulo Esperanca Os alvos desse tipo de ativistas são outros…

Desemprego desce para 6,5% em 2019, ligeiramente acima da meta do Governo – emprego – Jornal de Negócios

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Com 7,9% a Região Autónoma dos Açores registou, em 2019, a maior taxa de desemprego do país, bastante acima da taxa média nacional que desceu para 6,5%

A taxa de desemprego baixou para os 6,5% no ano passado, descendo 0,5 pontos percentuais face a 2018 e atingindo um mínimo de 2003. – Economia , Máxima.

Source: Desemprego desce para 6,5% em 2019, ligeiramente acima da meta do Governo – emprego – Jornal de Negócios

Coronavirus updates: Hubei confirms 3,156 new cases, cruise ship quarantined

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Although other countries have reported their own cases, the vast majority are still in China.

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Direto: Primeira ″transmissão vertical″. Recém-nascido está infetado com coronavírus – TSF

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Quase 500 mortos e milhares de pessoas infetadas. O novo coronavírus passou fronteiras e não dá sinais de abrandamento.

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Entrudo Chocalheiro: há diabos à solta em Podence

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Caretos há muitos. Mas os caretos de Podence são os únicos que têm chocalhos e que, desde dezembro de 2019, integram a lista da UNESCO de Património Cultural Imaterial da Humanidade. Todos os anos, durante o Entrudo, que este ano decorre de 22 a 25 de fevereiro, a paz que habitualmente reina nesta aldeia de cerca de 200 habitantes do concelho de Macedo de Cavaleiros é interrompida por estas personagens endiabradas que saem à rua para chocalhar as raparigas.

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Para cá do Marão (já não) mandam os que cá estão – JN

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Nasci e cresci no mesmo chão de Torga – o “reino maravilhoso”, como lhe chamou. Fiz os mesmos trilhos do poeta, entre vinhedos e penedos, e, como ele, sempre com aquela voz megalítica, respeitosa, a soar alto: “Para cá do Marão, mandam os que cá estão!”.

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