história dos judeus em Cabo Verde (texto inglês)

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“Cape Verde’s Jewish history stays alive”:

Cape Verde Jewish Heritage Project, inc.

Preservation of memory is critical to the Jewish psyche, and in Cape Verde
there is an uplifting story of remembrance that defies the all-too-common
narrative of anti-Semitism and persecution. Hebrew and Portuguese
inscriptions grace typical Sephardic Jewish tombstones in four small
cemeteries on three islands in Cape Verde. Many reflect the date of death
according to the Hebrew calendar and place of birth such as Tangiers or
Mogador (now Essaouira), in Morocco. The cemeteries have fallen into
disrepair, and since 2008, when I founded the Cape Verde Jewish Heritage
Project (CVJHP), I have worked with a remarkable assortment of people –
Jews and Christians, and even one Muslim monarch – to restore and preserve
them.

I first learned about Cape Verde’s Jewish roots through a scholarship
program I managed for Portuguese-speaking Africa in the late 1980s. Many
of my students bore Jewish surnames, such as Levy, Benchimol, Anahory and
Wahnon, which piqued my curiosity. As a Jew fascinated by Sephardic
history and culture, who also loves Cape Verde and its people, I was moved
by the poignant remnants of this small but influential Jewish community –
remnants that bespeak an important but under-documented chapter in
African/Jewish history.

An archipelago of ten small islands about 300 miles off the coast of
Senegal, Cape Verde is predominantly Catholic as a result of Portuguese
colonial rule. However, in the 19th century, the islands had a prominent
community of Jews, largely from Muslim Morocco. Sephardic Jews from
Morocco and Gibraltar set sail for Cape Verde in the mid 1800’s (after the
abolition of the Inquisition), in search of economic opportunity. During
their heyday in the mid to late 19th century, the Jews played pivotal
roles in the economy and administration of the islands. And to this day,
many descendants continue to distinguish themselves at the highest levels
in government, culture and commerce. For example, Carlos Alberto Wahnon de
Carvalho Veiga, voted in as Cape Verde’s first democratically elected
Prime Minister in 1991, was of Jewish descent.

Because the Jews were few in number and mostly male, many married local
Catholic women. As a result of this assimilation, Cape Verde today has
virtually no practicing Jews, even though many descendants express deep
pride in their Jewish ancestry. Prominent Cape Verdean businessman Daniel
Brigham, grandson of patriarch Abrao Brigham, once told me, “I am not a
religious man, but I try to follow the Ten Commandments. I am proud of my
Jewish rib.”

Many descendants of the Jewish families are collaborating on various
aspects of CVJHP’s mission. For example, Lisbon-based architect Rafael
Benoliel designed the blueprint to restore the Jewish cemetery of Boa
Vista and the Project logo. Several descendants serve on CVJHP’s board of
directors. And recognizing the symbolism of Moroccan Jewish patrimony on
Cape Verdean soil, King Mohammed VI of Morocco is a major benefactor of
the Project. In a world where tensions between Jews and Muslims tend to
overshadow our many points of convergence – theological, historical and
cultural – this gesture by a Muslim monarch, to recover Jewish heritage in
Catholic Cape Verde is inspiring.

Dozens of descendants and dignitaries recently attended the re-dedication
ceremony in May for the Jewish burial plot in Praia, the capital– the
first of four cemetery restorations that CVJHP is financing. The chief
rabbi of Lisbon, who officiated at the ceremony, blessed the deceased and
affirmed that in the Jewish tradition, creating and preserving burial
grounds is actually more important than building a house of worship. The
outpouring of pride from the descendants at the ceremony was gratifying –
as if the project reawakened in many a sense of pride and identity with
the Jewish people.

The encounter between the Sephardic Jews and the predominantly Catholic
Cape Verdean population in the 19th and early 20th centuries teaches us
lessons of tolerance and mutual respect. Unlike in many European
countries, the local people welcomed the Jews. By preserving their burial
grounds and documenting their contributions, we re-affirm Sephardic
history and celebrate Cape Verde’s rich cauldron of cultures. A local
resident who was following local television coverage of the Praia
rededication ceremony put it this way to me: “by preserving Jewish
heritage in Cape Verde, you are preserving Cape Verde’s history.”

memórias de Timor (Memória Libertária) Anarquistas deportados para Timor fundam Aliança Libertária em Dili

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Ceicinha Delcourt shared a link.

(Memória Libertária) Anarquistas deportados para Timor fundam Aliança Libertária em Dili

colectivolibertarioevora.wordpress.com

Leitura matinal na residência e sede da Aliança Libertária em Dili (Timor) -1932 Há alguns dias atrás, durante a Feira do Livro de Évora esteve aqui a professora e investigadora universitária, Luí…
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BILL MORRISON PAPERS ON EAST TIMOR

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ROSELY FORGANES PARTILHA

http://timorarchives.wordpress.com/2013/07/05/bill-morrison-fragments/

Bill Morrison Papers: Timor fragments

timorarchives.wordpress.com

CHART recently visited the National Library of Australia to examine some Timor fragments in the papers of former Australian diplomat and parliamentarian, the late Bill Morrison.We present here a br…

um ilhéu único…visite o JACO

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“malae” is the word in Tetum language that designates all who were not born on the island of Timor. Every weekend, dozens of “malae” lay the Tutuala path, ju…
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TV de S Miguel e o livro CQI crónica do quotidiano inútil de chrys chrystello

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a CRÓNICA DO QUOTIDIANO INÚTIL EM RECENSÃO POR MELO BENTO

Autores comentados nesta entrevistas: Victor Meireles, João de Melo, Chrys Chrystello (minuto 19), José Miguel Sardica; temas tratados: Produtividade, salário mínimo e candidatura de Zuraida Soares à Ribeira Grande
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lwTD3v0Ul9E
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lwTD3v0Ul9E
Duelo de ideias 11º Edição AE Final

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urbano bettencourt Publicado em Azorean Spirit. Sata Magazine, n.º 55, abril-junho 2013

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Partidas e regressos

Pode um livro mudar definitivamente a vida de um homem?

Pergunta insidiosa, daquelas que só fazemos depois de ter encontrado resposta para elas, nunca eu poderia tê-la formulado na manhã baça em que Veerle me deixou no aeroporto de Bruxelas. Nesse momento, tudo parecia simples: eu partia para os Açores para investigar as relações históricas entre a Flandres e o arquipélago. Dois meses eram apenas um risco de asa sobre três ou quatro das ilhas a meio do Atlântico, tempo capaz de iluminar o rasto desses flamengos que um dia trocaram os seus lares pela incerteza de territórios ainda a inventar. Quem eram eles? Que motivos os teriam levado a essa espécie de exílio entre a Europa e a América?

A bordo, uma dezena ou dezena e meia de adolescentes quebrava a sisudez dos passageiros, quase todos com o ar compenetrado daqueles funcionários que a Europa unida envia para Bruxelas em busca de salvação para este mundo e para o outro. Acabado o tempo imposto pelas normas de segurança, alguns dos adolescentes desapertaram os cintos e começaram a circular pelos corredores, em visita de tagarelice aos que tinham decidido continuar sentados. Como se, de repente, um inesperado grupo de pássaros escapados ao bando sobrevoasse «O cambista e a sua mulher», de Massys. Mais tarde, um deles dir-me-ia, num inglês fluente, que eram alunos açorianos em regresso de uma visita de estudo ao Parlamento Europeu. Ainda tentei indagar o que sabia ele desses remotos antepassados de cujo chão estivera tão perto, mas já ele voava para outro assento, onde uma jovem de cabelo ruivo e olhos claros o recebeu com um sorriso desfraldado.

Pude por isso debruçar-me sobre as páginas de Gros temps sur l’archipel, a tradução do romance português que eu comprara anos antes e onde, afinal, tudo tinha começado. O nome de Vitorino Nemésio era-me desconhecido, mas uma leitura à vol d’oiseau do prefácio fizera-me comprar o livro. E sempre que o retomo regresso à página 159, aquela em que se deu o encontro decisivo: «Quant aux nouvelles de Belgique, j’ai été heureuse d’apprendre par toi, cher cousin, qu’on a donc fini par trouver la pierre tombale de ce pauvre Francisco Brum dans le cimetière d’Oogenbon (je ne sais si j´écris ce nom correctement). Même si la dépense est trop élevée pour qu’on puisse faire transférer ses cendres à Faial, c’est du moins une consolation de savoir où eles reposent.» Quem era este Francisco Brum que, perdido o antigo nome Bruyn, regressara à terra dos antepassados para morrer nela e mais uma vez se perder da família e dos amigos? Que mistério o seu, que me fazia repetir-lhe a viagem, mas em sentido inverso?

Não sei quantas vezes se multiplicaram já os dois meses iniciais nos Açores. Continuo a investigar, mas essa é apenas a forma decente de adiar um regresso impossível. Leio agora Mau Tempo no Canal na língua natural do romance, nas suas páginas percorro o mar, o tempo e a destas ilhas, ouço a voz da sua gente. Troquei Veerle por Margarida e os canais de Bruges pelo canal de S. Jorge. E se algum dia começarem a tratar-me por Brum, saberei, então, que perdi uma pátria para ganhar outra.

 

(Publicado em Azorean Spirit. Sata Magazine, n.º 55, abril-junho 2013)

TIMOR LESTE SOB FOGO 1999 (o filme)

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Timor Leste Debaixo de Fogo
https://www.youtube.com/watch?v=RBiBXGfS6K8

 

Em 1999 a Indonésia aceitou a realização de um referendo sobre o futuro de Timor-Leste, uma antiga colónia portuguesa que tinha ocupado em 1975.
https://www.youtube.com/watch?v=RBiBXGfS6K8

INÉDITO DE MARIA JOÃO RUIVO 2013

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Maria João Ruivo

Junho 2012

Quando passeio pela ilha e a vejo em toda a sua beleza pura, não posso deixar de me admirar por ainda me causar espanto, ao fim de tanto tempo. Penso que já foi tão fotografada que corre o risco de se estragar, como uma mulher bonita.
Fomos para as bandas do Faial da Terra. Ali, entre o Mar e a encosta escarpada, vislumbrei o equilíbrio perfeito entre a Terra e o Mar. Vidas paradas… Suspensas…Terra fecunda que se oferece ao Homem numa eterna dádiva. Homens que vivem tão perto do Mar! Tão perto do Céu!
Da Terra ao mar é um passo que condensa tudo: sonho e infinito; busca e incerteza.
Uma luz mística surge ali, por detrás da escarpa, a criar ilusões e a envolver Terra e Mar em raios de fantasia.
A Terra é a âncora, o porto de abrigo, o ancoradouro de sonhos. Dela vimos. A ela regressamos.
O mar é a passagem.
Então pensei que o que a Natureza tem de mais belo é a sua inconsciência. É ser fantástica, mágica e misteriosa sem se aperceber. É maravilhar-nos com a sua beleza, apenas porque está ali, para regalo dos olhos.
Seguindo o curso da ribeira, subimos pela mata até à cascata do Salto do Prego. O caminho pedregoso não é fácil, principalmente porque vamos após uma noite de forte chuvada. A lama não facilita a vida aos caminheiros, mas lá vamos, sem querer dar o braço a torcer ao cansaço.
Fecho os olhos e inspiro aquela mistura perfeita de frescura e de vida que brota da mata de criptomérias, conteiras e incenseiros. De repente lembro-me de que subi aqui a primeira vez há 17 anos, com a família toda, mais o Onésimo e a Leonor, que fazem parte da família. Trazia o Afonso na barriga.
A partir de certa altura, em cada curva do caminho, julgamos já estar muito próximos, porque o barulho da cascata vai-se intensificando, brincando connosco ao esconde-esconde pelo meio das árvores. Subitamente, na pequena descida enlameada, olhamos à nossa esquerda e lá está ela, garbosa! Cascata feita de nuvens, rasgando a rocha num brotar constante. Num gesto abusivo de invasão, a água a medir forças com a Terra. A pureza da água no mito da origem brota do basalto negro e a ele regressa num ciclo de eterno retorno tão anterior a nós e que irá perdurar tão depois de nós…
É frágil a vida. Mas esta água e esta rocha não.
O Céu, que mal se vislumbra nesta luxúria de verdes, mantém-se imperturbável e sereno, pelo tanto que já viu.
Água abençoada, vinda do alto! Imagem duplicada de beleza, emoldurada pela silhueta das árvores que velam em silêncio…

Maria João Ruivo

como é filha de Fernando Aires….quem sai aos seus…

1932 ANARQUISTAS-DEPORTADOS-PARA-TIMOR-FUNDAM-ALIANCA-LIBERTARIA-EM-DILI/

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http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/06/12/memoria-libertaria-anarquistas-deportados-para-timor-fundam-alianca-libertaria-em-dili/

(Memória Libertária) Anarquistas deportados para Timor fundam Aliança Libertária em Dili

colectivolibertarioevora.wordpress.com

Leitura matinal na residência e sede da Aliança Libertária em Dili (Timor) -1932 Há alguns dias atrás, durante a Feira do Livro de Évora esteve aqui a professora e investigadora universitária, Luí…
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Leitura matinal na residência e sede da Aliança Libertária em Dili (Timor) -1932

Há alguns dias atrás, durante a Feira do Livro de Évora esteve aqui a professora e investigadora universitária, Luísa Tiago de Oliveira, a apresentar e a contextualizar historicamente o livro do timorense Luís Cardoso, recentemente editado, “O ano em que Pigafetta completou a circum-navegação”. Trata-se de um romance a que a historiadora fez um enquadramento global, atravessando as grandes linhas da história do território timorense.

A dado passo, Luísa Tiago de Oliveira, salientou a dimensão que teve durante, sobretudo, a década de 30 do século passado, a deportação de presos de índole social e política para aquelas terras distantes. Disse que, em Timor, chegaram a estar cerca de 500 deportados, a maior parte anarquistas e anarcosindicalistas da CGT, vítimas de repressão que se seguiu à instauração do regime ditatorial pós 1926. 500 deportados em Timor era muita gente, tantos como os brancos que integravam a administração da ilha, o que levantava, só por si, problemas de segurança.

Entre os anarquistas que estiveram em Timor há nomes como Arnaldo Simões Januário, de Coimbra, que depois veio a morrer no Tarrafal ou Manuel Viegas Carrascalão, nascido em S. Brás de Alportel, tipógrafo, secretário-geral das Juventudes Sindicalistas, por várias vezes preso, a última das quais em 1925, sendo condenado a 6 anos de degredo pelo Tribunal Militar e despachado para Timor em 1927, de onde nunca mais voltou. Este Manuel Viegas Carrascalão seria o fundador do clã Carrascalão (de que há ainda vários elementos ligados à actividade política timorense) e criou a fazenda “Algarve”, uma das mais prósperas (na altura) de Timor. Conduziu também a resistência à invasão japonesa nos anos 40.

Segundo Luisa Tiago de Oliveira a forma de encarar os deportados também variou de governador para governador. Muitos foram espalhados pela ilha de forma a não poderem criar laços fortes, numas vezes. Vezes houve, no entanto que os governadores tentaram integrar os deportados, incentivando-os a participarem na actividade económica e social da ilha e a desenvolverem as actividades que eram as suas. Terá havido mesmo uma padaria em Dili criada por anarquistas que fornecia o pão à população branca. Nessa altura, de maior distensão social, foi mesmo constituída uma Aliança Libertária de Timor, com sede e tudo, possuíndo um boletim informativo que teve pelo menos três números (aqui).

Nesta sua passagem por Évora, Luísa Tiago de Oliveira falou-me duma foto desta altura. Encontrei uma semelhante agora no arquivo Mosca (foto no início do texto). Alguns destes anarquistas fixaram-se em Timor Leste (como o Carrascalão). Outros regressaram a Portugal. Outros ainda foram morrer ao Tarrafal, como Simões Januário. Foi, no entanto, uma geração que lutou e foi fortemente reprimida, deportada e, por fim, em muitos casos, barbaramente assasinada. Foram largas dezenas os anarquistas mortos nas prisões, nas fugas, nas greves, nos atentados e nas acções contra o fascismo que se começava a impôr em Portugal e por toda a Europa. Hoje começa a recuperar-se essa memória. De uma geração que lutou até ao fim, mas cujos ecos só hoje começam a fazer-se ouvir junto das gerações mais jovens, mantendo viva a chama do ideal libertário.

e.m.

avo_marcelina_e_avo_manel_com_a_tia_dora_Marcelina Guterres e Manuel Viegas Carrascalão (aqui)

aristides sousa mendes – filme O Cônsul de Bordéus (2011

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O CÔNSUL DE BORDÉUS

É um filme Português que retrata a vida de ARISTIDES SOUSA MENDES

https://www.youtube.com/watch?v=aLaNX8877Z4
Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus (2011)

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Com a invasão de França pelas tropas nazis, dezenas de milhares de refugiados começam a

ROSALIA DE CASTRO, GALIZA Adeus, rios; adeus, fontes

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Adeus, rios; adeus, fontes

adeus, rios; adeus, fontes;
adeus, regatos pequenos;
adeus, vista dos meus olhos;
não sei quando nos veremos.

minha terra, minha terra,
terra onde me eu criei,
hortinha que quero tanto,
figueirinhas que plantei,

prados, rios, arvoredos,
pinhares que move o vento,
passarinhos piadores,
casinha do meu contento,

moinho dos castanhais,
noites claras de luar,
campainhas timbradoras
da igrejinha do lugar,

amorinhas das silveiras
que eu lhe dava ao meu amor,
caminhinhos entre o milho,
adeus para sempre a vós!

adeus, glória! adeus, contento!
deixo a casa onde nasci,
deixo a aldeia que conheço
por um mundo que não vi!

deixo amigos por estranhos,
deixo a veiga pelo mar,
deixo, enfim, quanto bem quero…
quem pudera o não deixar!…

mas sou pobre e, malpecado!
a minha terra n’é minha,
que até lhe dão prestado
a beira por que caminha
ao que nasceu desditado.

tenho-vos, pois, que deixar,
hortinha que tanto amei,
fogueirinha do meu lar,
arvorinhas que plantei,
fontinha do cabanal.

adeus, adeus, que me vou,
ervinhas do campo-santo,
onde meu pai se enterrou,
ervinhas que biquei tanto,
terrinha que nos criou.

adeus, Virgem da Assunção,
branca como um serafim;
levo-vos no coração;
vós pedi-lhe a Deus por mim,
minha Virgem da Assunção.

já se ouvem longe, mui longe,
as campanas do Pomar;
para mim, ai!, coitadinho,
nunca mais hão de tocar.

já se ouvem longe, mais longe…
cada bad’lada uma dor;
vou-me só e sem arrimo…
minha terra, adeus me vou!

adeus também, queridinha…
adeus por sempre quiçá!…
digo-che este adeus chorando
desde a beirinha do mar.

não me olvides, queridinha,
se morro de solidão…
tantas léguas mar adentro…
minha casinha!, meu lar!

(Rosalia de Castro, poeta galega 1837-1885)

Edições da Galiza/AGLP, pelo ilustre filólogo galego, Professor Dr. Higino Martins Esteves, segundo o Acordo Ortográfico da LP de 1990.

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