esqueci o celular…

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a este respeito extraio do meu livro ChrónicAçores vol 2 o textoseguinte
100.3. CONVERSAS DO ALÉM

Há tempos fiquei menente[1] quando me disseram que um falecido, na vizinha Lombinha da Maia, pedira para ser enterrado com o seu inseparável telemóvel.

O homem sem pitafe[2] algum viera da Amerca[3], ali da antiga Calafona[4], e queria estar contactável mesmo para lá do grande túnel luminoso.

Qual não foi o meu espanto, num alpardusco[5] de camarça[6], ao transitar pelo cemitério já encerrado a visitas, e ver três pessoas do lado de fora das grades do cemitério falando com alguém e usando os seus telemóveis ou celulares bem encostados ao ouvido. Uma delas, tinha uma mão nas grades e na outra segurava o aparelho.

Não tinha tarelo[7] nenhum. Não querendo ser lambeta[8], interroguei-me “Estaria a falar com o falecido, que nascera empelicado[9]?” Será que o finado atendeu do lado de lá dentro do seu caixão de mogno envolto na “Stars and Stripes” à prova de leiva[10] ou continuaria na sua eterna Madorna[11]? Teria acendido um palhito[12]para ver quem lhe ligava?

De que falariam? Que mexericos trocavam? Lamentar-se-iam da falta que lhes fazia ou estariam a queixar-se da carestia de vida? Que palavras trocariam que não tivessem já comunicado? Que faltara dizer?

Estariam a queixar-se da sorte caipora[13] dos herdeiros ou a culpá-los pela caltraçada[14] criada pelo inexistente testamento? Teriam sido vizinhos de ao pé da porta[15]? Falariam do gado alfeiro[16] sem touro de cobrição?

Talvez dum derriço duma filha numa constante arredouça[17], às fiúzes[18] do namorado da cidade? Eu ia ficar a nove[19] mas tratando-se de gente rural podia augurar que os vaqueiros se preocupassem mais com subsídios e vacas.

Não devem escalar grandes cumes culturais ou espirituais. Pressuponho ser esse o jaez da conversação. Não creio que pedissem aconselhamento para as eleições legislativas dali a seis semanas nem tampouco lamentassem a falta delas.

Quem sabe que lastimavam? Falariam, talvez, de mordomos, impérios e festas que isso, sim, seria assunto da maior relevância local, que o melhor da festa é esperar por ela, mas mais apropriado para se discutir à mesa, sem ninguém a atramoçar[20], com uns calzins[21] de abafado[22] até se ficar meio piteiro[23].

Uma pessoa interroga-se sobre a possibilidade de duração infinita das baterias do aparelho no esquife.

Seria a solução para tantos escritores e outros que se separam dos leitores sem tempo de dizerem um último adeus, escreverem a última frase de um livro, acenarem com um novo projeto ou retificarem qualquer coisinha.

Seria a forma inédita de poderem continuar a comunicar com aqueles que ficam facilmente órfãos de autores que os acompanharam nesta digressão terrena.

Admiro-me que as companhias de telecomunicação não tenham inventado uma bateria de longa duração que não precise de ser carregada debaixo de terra e permita acesso ilimitado, a troco de uma conveniente taxa vitalícia, aos que os deixaram já no meio duma amizade, dum amor, duma relação, duma paixão.

Seria, decerto, um êxito comercial se viesse com a possibilidade de personalização do aparelho. Quem sabe o que se evitaria de dores incompletas, de saudades por mitigar, de conversas inacabadas? Novos planos poderiam surgir em operadoras de telemóveis.

Um tema a merecer estudos futuros…[24]

[1] Menente, espantado, estupefacto (São Miguel)

[2] Pitafe, defeito, atribuído quer a pessoas, quer a objetos. Nódoa na reputação.

[3] Amerca, corruptela de América, ou Nova Inglaterra por oposição ao outro grande polo de emigração, a Califórnia

[4] Calafona, Califórnia, na estropiação dos emigrantes de antigamente

[5] Alpardusco, o mesmo que alpardo, crepúsculo, lusco-fusco (São Miguel)

[6] Camarça, tempo húmido (São Miguel)

[7] Tarelo, juízo, tino (São Miguel)

[8] Lambeta, intrometido (São Jorge)

[9] Empelicado diz-se de pessoa afortunada, usado na frase nascer empelicado (Terceira)

[10] Leiva, designação dada a formações de musgo de várias espécies Sphagnum, abundante na parte alta das ilhas. No Corvo é o musgo, nas Flores musgão, no Faial tufos. Nome da urze, Calluna vulgaris, usada em S. Miguel na preparação do solo das estufas dos ananases.

[11] Madorna, sono leve, sonolência, torpor

[12] Palhito, o mesmo que fósforo (Terceira)

[13] Caipora, de qualidade inferior, reles. Sorte caipora: que pouca sorte, sorte maldita (São Miguel)

[14] Caltraçada, confusão, mixórdia, trapalhada

[15] Vizinho do pé da porta, o mesmo que vizinho do portal da porta, que mora nas redondezas de uma casa (vizinho de ao pé da porta em São Miguel)

[16] Alfeiro, gado bovino que não dá leite, por exemplo de uma vaca que não apanhou boi, e que, por isso, não dá leite. Gado alfeiro sem touro de cobrição (in Cristóvão de Aguiar)

[17] Arredouça, confusão, desordem

[18] Fiúzes (São Miguel) ou às fiúzas de, à custa de, viver à custa de outrem (Terceira)

[19] Ficar a nove, não entender nada do que ouviu.

[20] Atramoçar, aborrecer, interferir com, maçar (in Cristóvão de Aguiar) (São Miguel)

[21] Calzins, pequeno copo, geralmente destinado a beber aguardente ou bebidas finas

[22] Abafado, O vinho abafado é um vinho tradicional dos Açores, constituindo uma tradição na costa norte de São Miguel, onde a abundância de pomares e a produção frutícola excedentária é frequentemente aproveitada para a feitura de licores, vinhos abafados e compotas. No caso dos vinhos abafados, trata-se de um género vinícola com elevado teor alcoólico cuja fermentação é interrompida através da adição de aguardente ou álcool, permanecendo mais ou menos doce (uma vez que o açúcar natural da uva não se transformou em álcool). Transformação licorosa do típico vinho de cheiro micaelense. O abafado é considerado o vinho do Porto dos Açores, em resultado de um processo de laboração que dispensa o recurso a corantes ou conservantes. (São Miguel)

[23] Piteiro, aquele que bebe muito (Terceira, Flores)

[24] (texto revisto por e dedicado ao Dr. J. M. Soares de Barcelos, autor de Dicionário dos Falares dos Açores (ed. Almedina 2008), por me fazer sentir menos estrangeiro

Cristóvão Colombo, o enigma português – Por Vitor Manuel Adrião «Lusophia – Vitor Manuel Adrião Lusophia – Vitor Manuel Adrião

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Lisboa – 600 anos de Porto Santo, 10.7.2018 Com três caravelas conquistarei um reino que não é o meu. (Palavras de Cristóvão Colombo, reveladas por Henrique José de Souza) Assim foi, …

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teaching resources in Sth Korea

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https://community.computingatschool.org.uk/resources/5376/single

A Coreia do Sul criou este recurso excepcionalmente interessante e útil para o ensino secundário. Nestes materiais, o nosso Ministério de Educação encontrará oportunidades excelentes para aprender como se fazem as coisas. E não, não é essencialmente com supostos pedagogos que elas se fazem. (Link cortesia Antonio Camara)

ROBÔS ADMIRÁVEL OU ASSUSTADOR MUNDO NOVO?

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Ted Green shared a video.

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Amazing robots that could someday change the world
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Hashem Al-Ghaili

May 28

Take a look at these cool robots!

MIND CONTROL IS HERE

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Truth Theory shared a video.
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In case you missed it

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Mike Sygula

May 27

When 6 Corporations control 90% of the media In America. You can be sure you are getting a good dose of propaganda, there is an agenda to report specific news in a specific way. Mike Sygula

PATRIMÓNIO DE STA MARIA, EM PERIGO! Forno de cal do Figueiral está em vias de derrocada!

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na Nogueira Santos Loura and Ângela Loura commented on this.
José Melo shared a post to the group: Info: Santa Maria (Açores).

PATRIMÓNIO DE STA MARIA, EM PERIGO!
Forno de cal do Figueiral está em vias de derrocada!

Para não se chorar depois sobre “o leite derramado”, volto a fazer um apelo de urgência em nome do CADEP-CN e dos Amigos dos Açores-Sta Maria, para o alto perido de derrocada deste valioso património da ilha, para que seja escorado e recuperado, antes que seja tarde demais. O mesmo alerta já foi sobejamente feito através do Jornal O Baluarte, no espaço “A minha ilha” da Direção Regional do Ambiente, no Conselho Consultivo do do Parque Natural de Ilha, Na Reunião do Governo com o Conselho de ilha e na Assembleia Municipal de Vila do Porto.

Necessita reforço ugente do arco da “boca do forno”, de remoção de vegetação na sua orla superior e de calçamento das suas paredes.

É MUITO URGENTE!

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José Melo

PATRIMÓNIO DE STA MARIA, EM PERIGO!
Forno de cal do Figueiral está em vias de derrocada!

Para não se chorar depois sobre “o leite derramado”, volto a fazer um apelo de urgência em nome do CADEP-CN e dos Amigos dos Açores-Sta Maria, para o alto perido de derrocada deste valioso património da ilha, para que seja escorado e recuperado, antes que seja tarde demais. O mesmo alerta já foi sobejamente feito através do Jornal O Baluarte, no espaço “A minha ilha” da Direção Regional do Ambiente, no Conselho Consultivo do do Parque Natural de Ilha, Na Reunião do Governo com o Conselho de ilha e na Assembleia Municipal de Vila do Porto.

Necessita reforço ugente do arco da “boca do forno”, de remoção de vegetação na sua orla superior e de calçamento das suas paredes.

É MUITO URGENTE!

PATRIMÓNIO DE STA MARIA, EM PERIGO!
Forno de cal do Figueiral está em vias de derrocada!

Para não se chorar depois sobre “o leite derramado”, volto a fazer um apelo de urgência em nome do CADEP-CN e dos Amigos dos Açores-Sta Maria, para o alto perido de derrocada deste valioso património da ilha, para que seja escorado e recuperado, antes que seja tarde demais. O mesmo alerta já foi sobejamente feito através do Jornal O Baluarte, no espaço “A minha ilha” da Direção Regional do Ambiente, no Conselho Consultivo do do Parque Natural de Ilha, Na Reunião do Governo com o Conselho de ilha e na Assembleia Municipal de Vila do Porto.

Necessita reforço ugente do arco da “boca do forno”, de remoção de vegetação na sua orla superior e de calçamento das suas paredes.

É MUITO URGENTE!

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José Melo

PATRIMÓNIO DE STA MARIA, EM PERIGO!
Forno de cal do Figueiral está em vias de derrocada!

Para não se chorar depois sobre “o leite derramado”, volto a fazer um apelo de urgência em nome do CADEP-CN e dos Amigos dos Açores-Sta Maria, para o alto perido de derrocada deste valioso património da ilha, para que seja escorado e recuperado, antes que seja tarde demais. O mesmo alerta já foi sobejamente feito através do Jornal O Baluarte, no espaço “A minha ilha” da Direção Regional do Ambiente, no Conselho Consultivo do do Parque Natural de Ilha, Na Reunião do Governo com o Conselho de ilha e na Assembleia Municipal de Vila do Porto.

Necessita reforço ugente do arco da “boca do forno”, de remoção de vegetação na sua orla superior e de calçamento das suas paredes.

É MUITO URGENTE!

AÇORES Descobertos artefatos semelhantes aos das culturas aborígenes

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para quando mais estudos?

PARALELO 38

descobertos na ilha do Pico, nos Açores, artefactos de pedra semelhantes aos das culturas aborígenes
Date: Sat, 24 Aug 2013 17:19:52 +0000
Açores
Descobertos artefactos semelhantes aos das culturas aborígenesForam descobertos na ilha do Pico, nos Açores, artefactos de pedra semelhantes aos das culturas aborígenes do norte de África, revelou hoje a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA).

Num comunicado enviado às redações, a APIA adianta que os referidos artefactos foram descobertos na sequência de um trabalho de investigação histórico e arqueológico desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal da Madalena.

“Foram descobertos na ilha do Pico vários artefactos líticos com paralelos em culturas aborígenes do Norte de África e por exemplo: “Guanches” nas Canárias”, refere o comunicado.

A mesma fonte adianta que alguns destes materiais encontram-se associados a estruturas em pedra “piramidais escalonadas”, que a população local designa habitualmente por “maroiços”, que afirmam terem resultado da limpeza de terrenos para a agricultura.

“Muitos serviram esse propósito, mas existem porém outras estruturas piramidais com características arquitetónicas únicas”, adianta a APIA, sublinhando que “algumas das estruturas inventariadas têm mais de 10 metros de altura”, e possuem corredores e câmaras do tipo “tholos”.

Para explicar com mais pormenor a importância dos artefactos agora descobertos, está marcada para o próximo dia 27 de agosto, pelas 21 horas, nos Paços do Concelho da Madalena, uma conferência de imprensa, uma exposição e o lançamento de um livro intitulado: “Estudo Histórico Arqueológico sobre as construções piramidais existentes no concelho da Madalena do Pico”. (NM/Lusa)

Açores Descobertos artefactos semelhantes aos das culturas aborígenes Foram descobertos na ilha do Pico, nos Açores, artefactos de pedra semelhantes aos das culturas aborígenes do norte de África, revelou hoje a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA). Num comunicado enviado às redações, a APIA adianta que os referidos artefactos foram descobertos na sequência de um trabalho de investigação histórico e arqueológico desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal da Madalena. "Foram descobertos na ilha do Pico vários artefactos líticos com paralelos em culturas aborígenes do Norte de África e por exemplo: "Guanches" nas Canárias", refere o comunicado. A mesma fonte adianta que alguns destes materiais encontram-se associados a estruturas em pedra "piramidais escalonadas", que a população local designa habitualmente por "maroiços", que afirmam terem resultado da limpeza de terrenos para a agricultura. "Muitos serviram esse propósito, mas existem porém outras estruturas piramidais com características arquitetónicas únicas", adianta a APIA, sublinhando que "algumas das estruturas inventariadas têm mais de 10 metros de altura", e possuem corredores e câmaras do tipo "tholos". Para explicar com mais pormenor a importância dos artefactos agora descobertos, está marcada para o próximo dia 27 de agosto, pelas 21 horas, nos Paços do Concelho da Madalena, uma conferência de imprensa, uma exposição e o lançamento de um livro intitulado: "Estudo Histórico Arqueológico sobre as construções piramidais existentes no concelho da Madalena do Pico". (NM/Lusa)
Unl
-- 
Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores/Um Australiano nos Açores 
Phone/Tel. fixo: (+351) 296 446940 / Mobile/Telemóvel: (+351) 919287816 /
Add: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia, 9625-115 S. Miguel, Açores, Portugal
http://oz2.com.sapo.pt   // www.lusofonias.net 

a tradição do linho na Lomba da Maia por M Sá Couto

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agosto é a festa do linho lembremos o amigo Sá Couto

O linho

Chegado que era o mês de Março, aproximava-se a preparação da terra para o linho, que era semeado por volta do dia 25 de Março, dia dedicado a Nossa Senhora da Encarnação.
Há um ditado que diz: “No dia da Senhora da Encarnação, o linho está no saco ou no chão”. Quando o linho tinha a altura de 20/30 centímetros era mondado, isto é, retirava-se a erva, a gorga e a cabaça. As pessoas faziam este trabalho sentadas, uma vez que o linho era empurrado para ficar deitado no chão. Alguns dias depois voltava a ficar direito.
Enquanto o linho estava em crescimento, e chegado o dia da Santa Cruz, fazia-se uma cruz de cana, que era colocada no meio da cana, e era esta cruz que servia de medida para o linho atingir a altura certa. Algumas pessoas enfeitavam a cruz com flores.
Quando o linho começa a florir, flor azul, no fim de Junho ou em inícios de Julho, o linho começa a ficar loiro. É, então, a altura da apanha. Convidava-se a família, os vizinhos e os amigos para apanhar o linho. Depois de apanhado passava ao ripanço e ficava na terra a descansar. Parte das pessoas arrancavam o linho, faziam manchos e colocavam-no chão, enquanto outras “acartavam-no” para o ripanço, para que saísse a baganha do pé do linho (caule). Depois de todo o linho ripado era colocado, aos manchos, na terra , durante oito dias, para poder murchar e só depois era recolhido e guardado em casa.
A apanha do linho era motivo de festa rija, com direito a um bom manjar, acompanhado de uma boa pinga, que era servida num pote de louça da Vila. A preparação do linho exige muito trabalho, já que é tudo feito manualmente. É por essa razão que o linho é muito caro e, o facto de ser todo trabalhado à mão, faz com que esta cultura esteja em extinção.
O linho ficava a aguardar, porque havia outras culturas que estavam primeiro, e era preciso aproveitar tudo, como, por exemplo, a colheita do trigo, do tremoço, das favas e do milho. Entretanto, havia, ainda as vindimas que fechavam as colheitas do ano. Quando todas as colheitas estavam prontas, começava-se, então, o trabalho do linho, lá por alturas do mês de Novembro.
Retomava-se, assim, o trabalho do linho que havia sido guardado. Quando se cozia o pão de milho, aproveitava-se o calor do forno para que, depois de tirado o pão, se pusesse o linho no forno a secar. O linho ia sendo tirado do forno à medida que ia sendo trabalhado. Esta operação chama-se “amassar o linho”. As pessoas que cultivavam o linho, e não só, acertavam as datas para poderem ajudar-se umas às outras nesta tarefa. Acabado este serviço, a dona do linho oferecia uma refeição composta por açorda de abóbora e queijo fresco, acompanhado do pão de milho cozido na véspera.
Depois de “amassado”, isto é, de lhe ter sido tirada a aresta, o linho voltava a ser estendido na terra para amaciar. Mais tarde era, de novo, recolhido e posto no forno para ser gramado, e posteriormente tasquinhado, altura em que é separada a estopa do linho. A primeira estopa, por ser muito grossa, era usada para fazer os sacos onde se guardavam os cereais.
A estopa de sedar servia para fazer trabalhos mais vulgares, como toalhas de rosto e de mesa, e ainda colchões para as camas.
Com o melhor linho faziam-se camisas, calças e casacos, ou seja todas as roupas que eram necessárias para a família.

Lomba da Maia, 18-08-2013
Maria da Estrela Sá

Notas:
Gorga- Planta que nasce nos trigais
Cabaça-Plantas que dão as cabaça
Ripanso – Instrumento para limpar o linho da baganha
Baganha – Casulo, que envolve a semente do linho
Aresta – Pragana, o que não presta´
Gramar – Passar o linho pela grama, que é uma peça com uma “espécie de faca” de ferro que vai quebrando o linho
Tasquinhar – Bater com uma pá, para que o linho fique mais fino
Estopa – A estopa é a parte grossa que fica após a limpeza do linho

O linho Chegado que era o mês de Março, aproximava-se a preparação da terra para o linho, que era semeado por volta do dia 25 de Março, dia dedicado a Nossa Senhora da Encarnação. Há um ditado que diz: “No dia da Senhora da Encarnação, o linho está no saco ou no chão”. Quando o linho tinha a altura de 20/30 centímetros era mondado, isto é, retirava-se a erva, a gorga e a cabaça. As pessoas faziam este trabalho sentadas, uma vez que o linho era empurrado para ficar deitado no chão. Alguns dias depois voltava a ficar direito. Enquanto o linho estava em crescimento, e chegado o dia da Santa Cruz, fazia-se uma cruz de cana, que era colocada no meio da cana, e era esta cruz que servia de medida para o linho atingir a altura certa. Algumas pessoas enfeitavam a cruz com flores. Quando o linho começa a florir, flor azul, no fim de Junho ou em inícios de Julho, o linho começa a ficar loiro. É, então, a altura da apanha. Convidava-se a família, os vizinhos e os amigos para apanhar o linho. Depois de apanhado passava ao ripanço e ficava na terra a descansar. Parte das pessoas arrancavam o linho, faziam manchos e colocavam-no chão, enquanto outras “acartavam-no” para o ripanço, para que saísse a baganha do pé do linho (caule). Depois de todo o linho ripado era colocado, aos manchos, na terra , durante oito dias, para poder murchar e só depois era recolhido e guardado em casa. A apanha do linho era motivo de festa rija, com direito a um bom manjar, acompanhado de uma boa pinga, que era servida num pote de louça da Vila. A preparação do linho exige muito trabalho, já que é tudo feito manualmente. É por essa razão que o linho é muito caro e, o facto de ser todo trabalhado à mão, faz com que esta cultura esteja em extinção. O linho ficava a aguardar, porque havia outras culturas que estavam primeiro, e era preciso aproveitar tudo, como, por exemplo, a colheita do trigo, do tremoço, das favas e do milho. Entretanto, havia, ainda as vindimas que fechavam as colheitas do ano. Quando todas as colheitas estavam prontas, começava-se, então, o trabalho do linho, lá por alturas do mês de Novembro. Retomava-se, assim, o trabalho do linho que havia sido guardado. Quando se cozia o pão de milho, aproveitava-se o calor do forno para que, depois de tirado o pão, se pusesse o linho no forno a secar. O linho ia sendo tirado do forno à medida que ia sendo trabalhado. Esta operação chama-se “amassar o linho”. As pessoas que cultivavam o linho, e não só, acertavam as datas para poderem ajudar-se umas às outras nesta tarefa. Acabado este serviço, a dona do linho oferecia uma refeição composta por açorda de abóbora e queijo fresco, acompanhado do pão de milho cozido na véspera. Depois de “amassado”, isto é, de lhe ter sido tirada a aresta, o linho voltava a ser estendido na terra para amaciar. Mais tarde era, de novo, recolhido e posto no forno para ser gramado, e posteriormente tasquinhado, altura em que é separada a estopa do linho. A primeira estopa, por ser muito grossa, era usada para fazer os sacos onde se guardavam os cereais. A estopa de sedar servia para fazer trabalhos mais vulgares, como toalhas de rosto e de mesa, e ainda colchões para as camas. Com o melhor linho faziam-se camisas, calças e casacos, ou seja todas as roupas que eram necessárias para a família. Lomba da Maia, 18-08-2013 Maria da Estrela Sá Notas: Gorga- Planta que nasce nos trigais Cabaça-Plantas que dão as cabaça Ripanso – Instrumento para limpar o linho da baganha Baganha – Casulo, que envolve a semente do linho Aresta – Pragana, o que não presta´ Gramar – Passar o linho pela grama, que é uma peça com uma “espécie de faca” de ferro que vai quebrando o linho Tasquinhar – Bater com uma pá, para que o linho fique mais fino Estopa – A estopa é a parte grossa que fica após a limpeza do linho

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Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores/Um Australiano nos Açores