Da aldeia açoriana de Lomba da Maia até à metrópole canadiana de Toronto: A expressão da identidade luso-canadiana da década de 70 no romance Terra Nova de Anthony De Sá

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Dina Salústio recebe Prémio Guerra Junqueiro Lusofonia 2022

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​A escritora cabo-verdiana Dina Salústio recebe esta sexta-feira, 25, o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2022. A cerimónia de entrega do prémio acontece hoje, às 18h00, na Biblioteca Nacional, na cidade da Praia.

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Os três cenários para a crise sísmica nos Açores. Um deles é uma erupção vulcânica idêntica à que afetou La Palma nas Canárias – Postal do Algarve

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Os indícios são um forte influxo de magma ou maior libertação de gases como CO2.

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Mau tempo nos Açores obriga a realojar uma família na ilha Terceira – Jornal Açores 9

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A Proteção Civil dos Açores registou seis ocorrências devido ao mau tempo que se fez sentir no arquipélago desde sexta-feira, incluindo uma inundação numa habitação, na ilha Terceira, que obrigou ao realojamento de três pessoas, revelou hoje. “Houve uma inundação de uma habitação, na Vila de São Sebastião [ilha Terceira]. Após avaliação do Serviço Municipal de […]

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o ópio em macau

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História | A visita da Sociedade das Nações a Macau para analisar o comércio de ópio.
No final da década de 20 do século XX Macau, então administrada por Tamagnini Barbosa, recebeu uma comissão da Sociedade das Nações que veio ao território fazer um inquérito ao comércio de ópio.
A investigação, vista com desconfiança pelo Governador, concluiu que muitas das acusações imputadas a Macau não eram verdadeiras.
O tema foi abordado num artigo da historiadora Célia Reis.
Macau, território que sempre teve comércio e consumo de ópio no imaginário colectivo, recebeu a visita de uma comissão de inquérito da Sociedade das Nações (SDN), entidade internacional saída da I Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes, para inspeccionar o tráfico do poderoso narcótico.
Tamagnini Barbosa, então Governador, olhou para essa visita com desconfiança, mas depois acabou por aceitar os resultados, que se revelaram benéficos para a imagem do território.
Esta é uma das conclusões do artigo académico “Macau e o Tráfico do Ópio no Contexto da SDN (1925-1930)”, da autoria da historiadora Célia Reis, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, que recentemente foi apresentado no ciclo de conferências da primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM).
À época, o jogo já era muito importante para a economia local, mas o ópio era fundamental.
A título de exemplo, no ano de 1929, o seu comércio representava cerca de 22 por cento das receitas obtidas pela Administração.
A comissão de inquérito da SDN não se cingiu a Macau e andou por todos os territórios a Oriente onde o comércio do ópio tinha expressão.
“Os inspectores verificaram que a situação de Macau não estava num mau caminho, pelo contrário”, começou por dizer ao HM Célia Reis.
“O número de estabelecimentos da venda do ópio estava a diminuir e o facto de grande parte dos rendimentos de Macau serem ainda provenientes do ópio não era uma questão apenas do território, verificando-se sobretudo nos territórios mais pequenos.”
Além disso, a comissão concluiu que, no território, “era extremamente difícil controlar todo o comércio, dada a ligação comercial que existia com a China, que fazia com que o tráfico ilícito fosse muito fácil”.
Como prova da redução do peso do ópio na sociedade local, o artigo aponta que em 1927 existiam no território 65 estabelecimentos de venda, número que passou para 63 em 1929, ainda assim uma diminuição ligeira.
Até à visita da comissão de inquérito da SDN, Macau era alvo de acusações por parte de outros países relativamente ao ópio que “não correspondiam à realidade”, aponta a autora do artigo.
“Havia interesse das outras nações, quando havia algum problema, em dizer que o ópio era proveniente de Macau.
Era difícil ao Governo controlar esse tráfico antes de ele ser administrado pelas próprias autoridades, mas havia muitas acusações que eles consideravam infundadas.
No final da década [de 20], mesmo com o acordo dos responsáveis internacionais, passou a ser dado um aditivo ao ópio de Macau, que não lhe alterava as qualidades, mas que dava para reconhecer se este era de Macau ou não.
E isso foi uma grande vantagem para ver que, de facto, muitas acusações não eram verdade.”
Em termos gerais, Tamagnini Barbosa “até ficou satisfeito com os resultados desta análise, pois não colocava Macau numa situação à parte em relação a outros territórios do Oriente”, disse Célia Reis.
Administração assume controlo
Outrora explorado por particulares e concessionado, o comércio do ópio e a sua gestão foram alvo de remodelação em finais da década de 20, o que levou à criação, em 1929, da Inspecção dos Serviços Económicos, que tinham à frente figuras conhecidas da comunidade macaense como Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock, entre outros.
Importa frisar que estas figuras já antes estavam ligadas à inspecção e fiscalização deste tipo de comércio, embora inseridas noutro tipo de estrutura pública.
A criação da Régie, como se chamava, ficou determinada após ter sido decidido, na Conferência de Genebra, que a gestão do comércio do ópio teria de passar dos particulares para o próprio Governo.
Célia Reis adianta que Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock eram, acima de tudo, pessoas próximas do Governador, que na altura “tinha graves problemas com algumas figuras da comunidade local, nomeadamente as que estavam mais ligadas ao poder do Leal Senado, com quem o Governador tinha um confronto aberto”.
“Havia muitas acusações do antigo concessionário contra essas pessoas [Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock] e o Governador disse mesmo que ele confiava muito nelas e que por isso é que estavam à frente dessas actividades.”
A posição da metrópole
O Governo chegava a obter uma taxa de lucro na ordem dos 35 por cento com o comércio do ópio, que vinha sobretudo da região da Pérsia, Índia Britânica e Hong Kong, até chegar a Macau.
Nesta altura, as autoridades fizeram progressos no controlo contrabando e foi proibida a exportação de ópio através do território, tendo-se registado ainda um aumento da importação entre 1928 e 1929.
Quanto à posição da então metrópole, resolver a questão do ópio revelava-se fundamental por uma questão de imagem internacional do país.
“Para Portugal, estas questões ultrapassavam muito Macau, porque, por um lado, sempre houve a pressão de que o que era proibido em Portugal poderia não ser proibido nas colónias.
Aqui o jogo era regulamentado, mas não tinha nada a ver com o jogo em Macau, e o mesmo se passava com o ópio.
Mas isso acontecia também com os outros países, Portugal não era uma excepção nesse aspecto.
Mas, nesta fase, para as autoridades portuguesas, não são apenas as questões do consumo da SDN, mas também a imagem que o país oferece.”
Célia Reis ressalva que “Portugal tinha grandes dificuldades, e havia sempre o receio de perder as suas colónias, era alvo de muitas críticas”.
Desta forma, “resolver o problema do ópio era uma forma de não acrescentar mais dificuldades a este relacionamento” internacional.
O artigo desta historiadora dá conta que o comércio do ópio “constituiu um elemento essencial no expansionismo no Oriente a partir dos séculos XVIII e XIX, quando, envolvendo as diversas fases, da produção à distribuição e consumo, se tornou fundamental para suprir o desequilíbrio das transacções ocidentais na China”.
O estupefaciente, consumido em Macau inclusivamente por algumas figuras proeminentes da sociedade, como o poeta Camilo Pessanha, era fundamental para a economia de muitas nações do sudeste asiático.
“A sua importância e os principais elementos sociais a que estava ligado permitia ultrapassar a visão do ‘vício’ que tinham os ocidentais”, descreve o documento.
Se, inicialmente, o comércio era concessionado sob forma de monopólio a privados, depressa essa gestão passou para a hasta pública, criando-se as Régies.
“A França foi pioneira dessa forma na Indochina, ainda no final do século XIX.
Em 1914 aplicou-se em Hong Kong”, escreve a historiadora.
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JOÃO SEVERINO, PORQUE HOJE É SÁBADO

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E PORQUE HOJE É SÁBADO…
– Uma guerra chegou ao trigésimo primeiro dia…
– Um presidente americano está na Europa a piorar toda a situação…
– Um primeiro-ministro formou um governo só com amigos do seu partido…
– Um ministro foi mantido no governo só para chatear o Presidente Marcelo…
– Um almirante mostrou que tem mais categoria que os políticos todos juntos…
– A maioria dos comentadores militares da guerra na Ucrânia nunca leu nada da história da Rússia…
– Os canais de televisão de notícias perdem telespectadores todos os dias por repetirem sempre a mesma coisa sobre a guerra…
– O José Milhazes pode escrever outro livro sobre os maus tratos, as torturas, as prisões, a censura e as perseguições de que foi alvo durante as dezenas de anios em que os russos lhe deram guarida…
– Um ex-ministro da Cultura foi sentenciado a prisão por violência doméstica depois de levar com todo o tipo de objectos em cima dos costados por parte da mulher embriagada…
– O submarino português de topo de gama Arpão até que enfim que vai ter uma missão a sério. Foi preciso a Armada ter um chefe a sério…
– Tristemente, a ilha de S. Jorge, nos Açores, pode desaparecer…
– Um escritor aguarda há dois anos que o seu livro seja publicado…
– A GNR cada vez mais anda à caça da multa…
– O Euromilhões saíu ao Fernando Santos quando a Itália foi eliminada…
– A chuva está a dar uma grande alegria a certos agricultores…
E porque hoje é sábado ficarei em casa tal como acontece há quase uma semana devido a uma gripe enorme, que há oito anos não sabia o que era, e depois de ter sido vacinado e de um médico me ter transmitido que é possível que a vacina da covid-19 me tenha retirado o efeito da vacina da gripe… Bom fim de semana a todos.
(Inspiração na composição Dia da Criação (porque hoje é sábado) de Vinicius de Moraes)
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crónica de paula sousa lima

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Aqui vai, AMIGOS, a crónica destacada para este sábado:
Acerca das palavras XLV: pena e compaixão
Tem-me ocorrido frequentes vezes que as palavras nos surgem já prenhes de significados mais ou menos ocultos – e com esta afirmação nada direi de extraordinário nem de novo. Aprendíamos, noutros tempos, naqueles em que ingressei na universidade, que as palavras tinham um sentido denotativo, aquele que é objetivo e linear, e um sentido conotativo, aquele que tem a ver com as derivações afetivas das palavras ou com os sentidos que vão adquirindo no meio social e cultural. De facto, ao ser usada uma palavra, ela vai-se adensando de significado(s), e há palavras carregadas de ternura, há palavras espessadas de tragicidade, há palavras engrossadas de negatividade.
Ora as palavras que hoje escolhi – pena e compaixão – são justamente daquelas cujos significados conotativos extravasam largamente os significados denotativos. De facto, se nos ativermos aos significados meramente lineares das duas palavras, concluímos que se tratam de palavras sinónimas, pois tanto uma como outra, se usadas na sequência do verbo “sentir”, querem dizer aproximadamente (só aproximadamente) a mesma coisa: sentir pena de alguém ou sentir compaixão por alguém parece-nos o mesmo. Ou não?
A verdade é que a maioria das pessoas rejeita – e veementemente – o sentimento de pena que possa despertar. Ninguém quer ser alvo de pena, ninguém quer ser objeto da comiseração ou da piedade dos outros. Dir-se-ia que sentir pena de alguém amesquinha a pessoa que desperta tal sentimento. É como se quem sente pena dissesse ao alvo dessa pena qualquer coisa deste género: és um desgraçado, és um verdadeiro desastre, logo és, porque tão apoucado, digno só da minha pena. É evidente que ninguém quer ser o “desgraçado” (ou o “desgraçadinho”, pior ainda, mercê do diminutivo depreciativo), é óbvio que ninguém quer ser “um verdadeiro desastre”, digno só de pena, incapaz de outro sentimento nos outros conseguir provocar.
Já o sentimento de compaixão parece bastante mais digno, e, de facto, a própria etimologia da palavra como que a eleva. Como muitos sabem, a palavra “compaixão” deriva do Latim, querendo dizer “sofrer com”, dado o vocábulo “paixão”, como também muitos sabem, querer significar dor, sofrimento. Sentir compaixão por alguém não se resume, pois, a lastimar a sua sorte ou a ter piedade, muito menos a considerar o alvo de compaixão como o “desgraçadinho”, aquele que pouco é ou que pouco vale. Sentir compaixão pressupõe que se sofra com o outro, ou seja, se quisermos usar palavras mais atuais, que se seja solidário relativamente ao outro, à sua má sorte ou situação menos venturosa. Assim, o outro já não é (nem se sente) amesquinhado, antes dignificado por encontrar quem o compreenda, antes menos solitário porque acompanhado no seu sofrimento. (Eu, pessoalmente, tenho considerado e experimentado que a dor é sempre muito solitária e indivisível, mas posso estar de mal com a razão, é possível, embora não se me mostre evidente, que a dor seja menos solitária do que eu creio, assim tenhamos alguém que connosco se preste a partilhá-la ou, pelo menos, que a compreenda.) Esta última frase deve entender-se como um parêntesis, tal como a marquei, pouco relevante, de resto. Adiante, rumo à conclusão.
Será assim tão relevante que usemos uma palavra em vez de outra, no caso, que substituamos “pena” por “compaixão”? Pois é óbvio que sim. Cada palavra tem a sua pulsação própria, e, por vezes, palavras aparentadas, que são tidas como sinónimas, divergem muito no seu significado afetivo. E é esse que conta, é esse que o nosso coração entende. De resto, a língua, se não fala ao coração, pouco nos tem a dizer.
Delta Fernandes, Vitor Almeida and 36 others
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  • Marco Carvalho

    Li, gostei e em especial, do parágrafo final. 👏
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  • Gina Jorge

    Li com paixão 🧡 e compadeci-me de quem não ouve a língua a falar ao coração!
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    • 2 h
  • Maria Luisa Colaço

    A compaixão aproxima-se da empatia, que é colocar-se no lugar do outro e experimentar o que ele está a sent

Cerca de 770 sismos registados e não há evidência de erupção vulcânica – CIVISA – Jornal Açores 9

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Cerca de 770 sismos de baixa magnitude foram registados hoje na ilha São Jorge, anunciou o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), que reiterou que não há evidências de estar iminente uma erupção vulcânica. “Entre as 00:00 e as 22:00 de hoje [horas dos Açores, menos uma do que em Lisboa] foram contabilizados […]

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a ilha onde os sinos dobram

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São Jorge Terra treme, responsáveis preparam retirada de cinco mil pessoas, crise sísmica pode transformar-se em algo pior
Vocês são jornalistas? Desculpem meter-me na conversa, mas também vim para cá por causa dos sismos.” Foi assim que começou o diálogo entre João Fontiela, sismólogo da Universidade de Évora, e o Expresso. Na sala de espera do Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, a mesa inóspita que acabou por servir de base à conversa contrastou logo com o entusiasmo do investigador. Esperávamos pelo avião que nos levaria a São Jorge, a ilha para onde seguiram vários jornalistas e onde se centram as atenções das restantes oito do arquipélago e do país. “Isto é uma oportunidade única, independentemente do que possa ser, é único”, repetiu várias vezes.
João Fontiela trouxe na mala 15 estações sísmicas do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências de Lisboa, que, com a ajuda de outros dois colegas investigadores, vai instalar por toda a ilha de São Jorge. “Neste momento há sensores na ilha. Os que vão ser instalados agora é que têm uma configuração específica para detetar o empolamento [do solo]. Se as estações GPS se estiverem a afastar entre a parte norte e a parte sul, quer dizer que estamos a ter uma deformação crustal, o magma está a ascender”, explica o sismólogo. Seguiram-se vários minutos de possíveis explicações de cenários que pudessem surgir.
A ATERRAGEM
O voo de Fontiela e do Expresso chegou lotado ao destino, mesmo depois de o Governo Regional desaconselhar as viagens para São Jorge. A trepadeira de folhas verdes de Teresa Andrade sobressai no cinzento do cesto do carro que escolheu para transportar as suas malas. Chega de uma consulta que teve em Lisboa. É algarvia, mas para “fugir do stresse” agarrou-se a São Jorge há três anos. “Vejo esta crise sísmica com naturalidade.” Com semblante sereno, não esconde “preocupação, é evidente, mas já se sabe que a natureza manda mais do que nós”, diz.
Quem trabalha ao sabor do vento e da chuva é Armando Silveira. Encontramo-lo a varrer vigorosamente a calçada de uma das principais ruas do centro de Velas, o concelho mais afetado pela crise sismovulcânica que tomou conta de São Jorge desde o passado sábado. É varredor há 17 anos e radioamador. Dois dedos de conversa depois, precisa: “Veja, sou encartado, falo para todo o mundo”, assegura, mostrando o cartão com o seu nome ao lado da fotografia do Senhor Santo Cristo, de quem diz gostar muito. Sobre os vários abalos que já sentiu só tem falado com os colegas da ilha.
“A gente tem as nossas coisinhas. Até aqui não tive muito medo, o que tenho mais medo é de sair, porque fica tudo para trás, a minha carrinha, as minhas coisas e os animais”, lamenta.
A EVACUAÇÃO
É isso que vai acontecer no concelho de Velas, onde está em curso [à data de fecho deste artigo] uma megaoperação para o evacuar. São, no total, cerca de cinco mil habitantes. Sem conseguir adiantar muitos pormenores, o homem que dá o corpo às balas nesta crise explicou, em traços gerais, como se retira tanta gente de um único local para o outro concelho da ilha. “Velas terá a responsabilidade de abrir os corredores e Calheta de receber as pessoas, onde haverá equipas da Segurança Social, da Ação Social, da Proteção Civil local e da Saúde”, diz Luís Silveira, o presidente da Câmara Municipal de Nelas. A prioridade, durante a retirada, é começar primeiro pelos idosos, crianças, mães e grávidas.
Quando acontecer a evacuação, explicou ao Expresso, esta será anuncia­da na comunicação social, nas redes sociais e nos órgãos oficiais municipais. “Peço à população para se reger por esta informação, porque há muita contrainformação a circular que pode ser alarmista”, adianta. Mas serão os sinos das igrejas a ditar a saída. “Os párocos e as juntas de freguesia estão avisados para tal”, assegura o autarca. Os sinos da igreja vão dobrar ininterruptamente para que os habitantes de Velas abandonem o concelho quando o perigo estiver ainda mais perto.
A autarquia explica que quem tem carro deve seguir nos próprios meios. Quem não tem deve dirigir-se ao ponto de referência da sua freguesia e de lá parte para a freguesia da Calheta, que está preparada para receber os habitantes da freguesia que corresponde à sua. Outra possibilidade é socorrer-se de uma boleia de amigos e vizinhos próximos. A lista das estradas que os habitantes de cada freguesia devem usar está disponível na página de Facebook do município de Velas (www.facebook.com/municipiovelas), especifica o autarca.
Por outro lado, cada pessoa deve ter pronta uma mochila com “uma muda de roupa, os seus medicamentos, uma garrafa de água e um pacote de bolachas”. Há “possibilidade real de erupção”, admitiu o secretário regional da Saúde dos Açores, Clélio Meneses, com a pasta da Proteção Civil.
No jardim do centro de Velas, paredes meias com a Câmara Municipal, a vida prossegue sem pausas. Nas conversas cruzadas que se ouvem, de quem passa ou ali fica, há olhares redobrados a quem ali não costuma estar. Sentadas num dos bancos vermelhos do jardim estão duas amigas. São turistas polacas, estreantes nos Açores e acabadas de chegar a São Jorge para 10 dias de férias. Em inglês, contam ao Expresso que tinham acabado de saber das notícias. “Vamos mudar todos os nossos planos, precisamos de replanear a nossa viagem”, admite uma delas. As duas vão partir de barco para o Faial, ali perto, sem conhecer a ilha que se prepara para voltar a resistir à força que tem dentro de si mesma.
(Sara Sousa Oliveira – Expresso de 26/03/2022)
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