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inscrições no 40º colóquio da lusofonia

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att resolvemos prolongar até dia 24 janº as inscrições no 40º colóquio mas alertamos desde já para verificarem disponibilidade de voos antes de se inscreverem…
detalhes e ficha de inscrição em https://coloquios.lusofonias.net/XL/

 

violência doméstica, que devia ser banida e ilegalizada.

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A propósito de dor e de luto vou deixar aqui uma sugestão para a promissora jovem escritora Malvina Sousa: no próximo artigo ou livro sobre a violência doméstica, por favor, inclui a viuvez como uma das mais violentas formas de violência doméstica, que devia ser banida e ilegalizada.Médicos de família alertam para barreiras no combate à violência doméstica

ano da serpente

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Serpente, o animal astral chinês de 2025.
O Ano de 2025 será comandado pela Serpente de Madeira Yin (乙巳蛇Yǐ sì shé),
quer dizer, do sexto ramo terrestre, do elemento Madeira ligado ao princípio feminino,
portanto à força lunar, misteriosa e intuitiva.
Começa, em termos oficiais do calendário lunissolar, a 29 de janeiro de 2025 e termina a 16 de fevereiro de 2026,
mas para a geomancia ou fengshui (风水 fēngshuǐ) o ano só inaugura a 3 de fevereiro na primeira primavera, lichun (立春lìchūn).
Este ano, do ponto de vista das bênçãos telúricas, será particularmente agraciado porque terá duas primaveras,
contando com uma segunda lichun a 4 de fevereiro de 2026.
E como para os Descendentes do Dragão “as coisas boas vêm aos pares” (好事成双 hǎo shì chéng shuāng),
promete boa agricultura e fertilidade,
sendo igualmente propício à meditação e ao contacto com a natureza,
mas também aos contactos sociais,
porque a Serpente de Madeira, dado o seu elemento,
é a mais comunicativa, criativa, amigável e favorável aos relacionamentos entre estes répteis.
Além disso, este tipo de Madeira define-se por ser trabalhador, honesto e popular,
nem sempre é logo reconhecido, pelo que traz como aliada a virtude da perseverança,
que lhe dá o reconhecimento dos seus esforços ao longo do tempo.
Ela é “a serpente que sai do buraco” (Kwok, 1997, 67).
Pertence-lhe o período horário entre as 9h e as 11h da manhã.
Embora o seu elemento fixo seja o fogo, como por exemplo, a madeira o é do tigre, e a sua cor constante seja, de acordo com o elemento, o vermelho,
em 2025 predominará o verde, associado à Madeira.
A serpente é o símbolo sexual mais forte
e, por isso, nas filosofias yóguicas indianas da linha tântrica,
que se estendem por toda a Ásia e, em particular pelo sudeste asiático,
ela é kundalini, como bem chamou a atenção C.G. Jung em The Psychology of Kundalini Yoga.
Notes to a Seminar Given in 1932.
Como se relacionam os chineses com a força vital da serpente?
De início eram bastante espontâneos, tinham uma filosofia animista que evoluiu para o taoismo popular,
mas é preciso não esquecer que também desde muito cedo,
a partir de Confúcio e do estabelecimento do Confucionismo, e de uma maneira sistemática desde os tempos Han,
tem havido nesta cultura uma grande determinação para se controlarem as energias naturais.
Esta tendência redobrou com a aceitação da filosofia budista, inicialmente muito distante das vivências naturais e tântricas.
Durante os tempos da última dinastia Qing, as vivências religiosas ligadas ao Budismo intensificaram-se
e, como tal, o conflito entre as forças naturais e espirituais tornou-se manifesto,
abrindo uma guerra semelhante à que assistimos no Cristianismo,
com Eva e Adão a serem expulsos do Paraíso por causa de uma supostamente famigerada serpente.
A guerra aberta entre as forças naturais e da religião formal ficaria registada ainda na literatura chinesa,
numa das histórias de amor mais pungentes, intitulada A Serpente Branca (《白蛇传》Bái Shé Zhuàn),
também conhecida pelo nome dos seus protagonistas Xu Xian (许仙Xǔ Xiān) e Bai Niangzi(白娘子Bái Niángzi),
que atingiu o apogeu da poularidade durante a dinastia Qing.
Nela os amantes são irremediavelmente perseguidos por um bonzo budista,
que lhes destrói a felicidade ao insistir para que Xu Xian (许仙) se afaste da Bai Niangzi (白娘子), já que ela era uma serpente encantada.
Omitido pelo bonzo ficaria o esforço de meditação que levou a serpente a transfigurar-se em forma humana.
O que o bonzo budista não via,
como ainda muitos religiosos cristãos não conseguem perceber,
é que na face exterior do que parece ser transgressão se esconde uma força natural e espontânea estreitamente ligada à mente de quem lida com ela.
Para uma mente pura, a força natural nada tem de impuro,
para uma mente turva, a força é, na versão ocidental, pecado, e na oriental poder negativo e demoníaco.
A força da serpente é completa em si própria.
Nada há a acrescentar-lhe.
A atestar a sua perfeita completude, há uma história proverbial muito contada, Desenhar Pés à Serpente (畫/画蛇添足Huà Shé Tiān Zú),
frequentemente encurtada na expressão Os Pés da Serpente (Shé Zú蛇足).
古时候,楚国有一家人,祭完祖之后,准备将祭祀用的一壶酒,赏给帮忙办事的人喝。帮忙办事的人很多,这壶酒如果大家都喝是不够的,若是让一个人喝,那能喝得有余。这一壶酒到底怎么分呢?大家都安静下来,这时有人建议:每个人在地上画一条蛇,谁画得快,这壶酒就归他喝。大家都认为这个方法好,都同意这样做。于是,在地上画起蛇来。有个人画得很快,一转眼最先画好了,他就端起酒壶要喝酒。但是他回头看看别人,还都没有画好呢。心里想:他们画得真慢。他洋洋得意地说:“你们画得好慢啊!我再给蛇画几只脚也不算晚呢!”于是,他便左手提着酒壶,右手给蛇画起脚来。正在他一边给蛇画脚,一边说话的时候,另外一个人已经画好了。那个人马上把酒壶从他手里夺过去,说:“你见过蛇吗?蛇是没有脚的,你为什么要给它添上脚呢?所以第一个画好蛇的人不是你,而是我了!”那个人说罢就仰起头来,咕咚咕咚把酒喝下去了。
Eis a minha tradução:
Nos tempos antigos, no Reino Chu (楚國/国Chǔ Guó), havia um Senhor feudal que após ter prestado as devidas libações rituais aos antepassados, ainda lhe sobrou um jarro de vinho, que pensou distribuir pelos empregados.
Mas como estes eram muitos, o vinho não chegava para todos, porém para um seria mais do que suficiente.
Afinal como havia de ser partilhado?
Para que se acalmassem um deles sugeriu:
“cada um vai desenhar uma serpente no chão, o que terminar primeiro, obterá o jarro de vinho.”
Todos concordaram com a ideia e assim começaram a desenhar.
Havia um que estava cheio de vontade de o beber, por isso despachou o desenho num abrir e fechar de olhos.
Ao olhar para os outros, viu que ainda não tinham acabado, pelo que pensou que eram muito vagarosos e disse triunfalmente:
“Vocês são tão lentos que até tenho tempo para acrescentar pés à serpente!”
Então, enquanto agarrava com a mão esquerda no jarro, com a direita acrescentou os pés ao réptil.
Na altura em que estava a desenhar-lhe os pés e a falar, um outro terminou o seu desenho;
arrebatando-lhe o jarro da mão, disse:
“já viste alguma serpente?
Se não têm pés por que lhos acrescentaste?!
Por isso, o primeiro a desenhar uma serpente não és tu, mas sim eu.”
Ao acabar de falar, levantou a cabeça e gluglu emborcou o vinho.
Num equivalente estilístico para Português, o primeiro vencedor tinha borrado a pintura.
Numa leitura ontológica, nada há a acrescentar a uma força completa em si mesma.
Logo, este dito é usado para mostrar alguém a fazer algo de supérfluo.
Quando a serpente pretende ser outra, tem aberto o caminho da metamorfose, semelhante ao do bicho da seda e da borboleta.
Os chineses estão bem conscientes do poder da Serpente (shé 蛇), cuja leitura etimológica é o verme radicalmente outro, o bicho, a força antitética da civilizada.
Esta energia natural imensa foi rebatizada como Pequeno Dragão (小龙 Xiǎo Lóng) para dar espaço ao réptil a se cultivar e exercitar na via espiritual,
num percurso interior do corpo à mente, sem, contudo, perder as suas raízes telúricas.
A serpente rasteja na terra,
se conseguir erguer-se aos céus como um dragão voador, realiza a união das duas forças primordiais do universo, a do Céu e a da Terra,
no interior do corpo humano e no exterior do corpo cósmico.
Referências bibliográficas
Baidu. 2025.“画蛇添足” Baidu. Baike. Disponível em:, acedido a 10 de janeiro de 2025.
Jung C.G. 1932. The Psychology of Kundalini Yoga. Notes to a Seminar Given in 1932. Ed. Sonu Shamdasani, Princeton: Princeton University Press.
Kwok, Man-Ho. 1997. Chinese Astrology. Forecast your Future from your Chinese Horoscope. Singapura: Asiapac Books.
Revista Circuito (Redação). “2025 é o Ano da Serpente no Calendário Chinês. A Energia Predominante será a da Madeira Yin”. Revista Circuito. Disponível em: https://www.revistacircuitcom/2025-e-o-ano-da-serpente…/, 10 de janeiro de 2025, acedido nesta data.
Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. “A História da Serpente Branca”, in Mitos e Lendas da Terra do Dragão, Lisboa: Caminho.
Zhao Qingge (赵清阁) .1998. The Legend of White Snake. Beijing (北京): New World Press (新世界出版社)
Ana Cristina Alves
(Coordenadora do Serviço Educativo do CCCM)
Jornal Hoje Macau, 10 de Janeiro de 2025.
May be an image of snake
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foto célebre do Peter’s

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Esta fotografia é fantástica e tem uma história especial.
Já a vi (não sei se seria réplica mas o efeito é o mesmo)
Neptuno na Horta
Sabias que esta esta fotografia foi tirada pelo nosso Capitão José Henrique Azevedo, no dia 15 de fevereiro de 1986, durante a maior tempestade do século XX? Neste dia os ventos atingiram 250 km/h, as ondas em Porto Pim chegaram a ter entre 15 e 20 metros, e a rebentação 60m! ️
E mesmo assim, o nosso capitão decidiu sair à rua e fotografar a tempestade.
No nosso Museu de Scrimshaw, esta história e muitas outras sobre as loucuras dos açorianos são relembradas todos os dias!
E já que não pára de chover desde o ano passado ️, porque não trocar o próximo episódio de Netflix por uma visita ao nosso segundo andar?
__
Did you know that this photograph was taken by our Captain José Henrique Azevedo on February 15, 1986, during the biggest storm of the 20th century? On this day, winds reached 250 km/h, the waves in Porto Pim reached between 15 and 20 meters, and the breakers were 60m high! ️
And still, our captain decided to go outside and photograph the storm.
At our Scrimshaw Museum, this story and many others about the craziness of the Azoreans are remembered every day!
And since it hasn’t stopped raining since last year ️, why not swap your next Netflix episode for a visit to our second floor?
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António Eça de Queiroz, Adriano Batista and 37 others

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567.-Helena-Chrystello-um-ano-de-saudade.pdf

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https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2025/01/

 

567. Helena Chrystello um ano de saudade

em dezº 2017 no café Lagoa lajes do Pico

 

e uma mensagem sem data do filho ,mais novo

Incêndio no empreendimento turístico da Lagoa dominado – RTP Açores

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…foi dado como dominado pelas 21h04.

Source: Incêndio no empreendimento turístico da Lagoa dominado – RTP Açores

Incêndio devasta hotel na Ilha de São Miguel: Vento dificulta controlo das chamas – Diário do Distrito

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Incêndio em hotel na Lagoa, São Miguel, desafia bombeiros devido a ventos fortes. Casas evacuadas por segurança.

Source: Incêndio devasta hotel na Ilha de São Miguel: Vento dificulta controlo das chamas – Diário do Distrito

HDES FALHAS E LIÇÕES

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Grupo de divulgação de informação e opinião que, de uma forma direta e indireta, possam interessar aos açorianos e a todos os que visitam e se i…

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HDES: Falhas e Lições por Aprender

O incêndio que atingiu o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) em Ponta Delgada, a 4 de maio do ano passado, expôs de forma brutal as fragilidades do sistema regional de saúde nos Açores. Para além do prejuízo imediato estimado em já mais de 40 milhões de euros, o episódio deixou mais de metade da população do arquipélago sem acesso direto ao principal hospital da região. Mostrou a debilidade de todo o sistema perante um acontecimento fortuito, é verdade, mas com probabilidade razoavelmente elevada de se repetir, dada a nossa realidade aberta a catástrofes. Contudo, o que era já um problema grave transformou-se numa situação ainda mais delicada devido à forma como se lidou com a emergência e as consequências do incêndio.
Desde os primeiros dias após o incêndio, o Senhor Presidente do Governo Regional adotou uma postura errática. Num momento de crise extrema, a liderança exigia decisões claras e centradas nos interesses imediatos dos Açorianos. Colocar o HDES operacional o quanto antes deveria ter sido a prioridade. No entanto, Bolieiro demonstrou ingenuidade em algumas posições e calculismo em outras, focando-se demasiadamente no cenário político e na interação com a república, em detrimento da eficiência das soluções. Ninguém se vai esquecer na aparição na televisão de braços caídos e mãos postas. Não estaria preparado para o momento, se calhar ninguém estaria, mas, naquele momento, exigia-se uma postura de estadista responsável e uma liderança visionária. Sem nada disso, ficámos entregues aos delírios de uma ministra perdida e aos apetites dos interesses do costume, e por consequência restou-nos o caos e a incerteza. Tudo o que não se desejaria nesta situação. Hoje, passados todos estes meses, é por demais evidente que os erros foram muitos.
A decisão do Governo pelo hospital modular, tornada pública alguns dias após o incêndio, não se baseou em qualquer relatório de engenharia sobre os verdadeiros danos no edifício, mas sim na aparente pressão de interesses internos do próprio HDES. Inadmissível num investimento de dezenas de milhões de euros. O processo de adjudicação do modular e dos equipamentos foi aligeirado e apressado, gerando assim suspeitas de falta de transparência, que certamente irão provocar processos de investigação, corroendo a já reduzida confiança dos eleitores nos governantes. Os responsáveis políticos falaram demasiado em segurança, mas apenas para justificar a opção pelo modular. Veremos que efeitos de médio/longo prazo virão para a saúde dos Açorianos. Fala-se muito em edifícios, equipamentos e até em Centros Universitários, mas o mais importante são os doentes que necessitam de tratamento e que estão privados de cuidados há já muitos meses. Essa deveria ter sido a primeira prioridade.
A Secretária Regional da Saúde enfrentou uma situação extremamente desafiadora, tomando decisões que geraram ampla controvérsia, nem sempre demonstrando ponderação e sustentação técnica. Um exemplo claro foi o foco inicial no hospital modular, a todo o custo, criticado pela baixa qualidade e pelos constantes atrasos na implementação, o que evidenciou sérias lacunas no planeamento e na resposta às necessidades urgentes do hospital e da população. Inicialmente, foi mal aconselhada, resultando em escolhas desalinhadas com as prioridades imediatas. Posteriormente, demonstrou relutância em rever essas decisões, mesmo diante de evidências que apontavam para erros de condução.
O hospital modular tornou-se um símbolo dessa falta de pragmatismo, com alterações atualmente em curso que expõem falhas de planeamento e decisões tomadas sem base técnica sólida, e sem falar no custo exorbitante para o erário público. A gestão do processo foi marcada por sucessivas contradições, desde blocos operatórios inicialmente rejeitados e depois aprovados, até prazos sistematicamente ultrapassados. Enquanto isso, técnicos destacam que o HDES já possui condições para reabrir, em melhores circunstâncias do que antes do incidente de 4 de maio, faltando apenas determinação e coragem política para avançar. Todo o processo está inquinado pela já habitual guerra interna no Governo, onde interesses partidários se sobrepõem ao mais elementar bom senso. Neste caso, até foi necessário demitir o conselho de administração como dano colateral de tão pérfida luta.
A oposição, por sua vez, não conseguiu desempenhar um papel fiscalizador responsável e ativo. Não apresentou soluções alternativas concretas, nem pressionou o governo com suficiente rigor para acelerar os trabalhos de recuperação do HDES. Essa inércia contribuiu para a perpetuação dos problemas e para o aumento da insatisfação pública. A explicação de tal silêncio resulta certamente de um sentimento de culpa. O HDES não se tornou obsoleto nos últimos 4 anos. O abandono vem de há muito mais tempo, e aí, como em muitos outros assuntos, o PS não consegue seguir em frente sem uma assunção de responsabilidades passadas. O incêndio revelou não apenas erros na gestão da emergência, mas também problemas estruturais que vinham sendo negligenciados há anos. O sistema elétrico do HDES, com mais de 30 anos, já era conhecido por ser obsoleto, com relatos de falhas frequentes e situações perigosas. As taxas de execução orçamental da Secretaria da Saúde também evidenciam falta de prioridade na modernização da infraestrutura.
Diante de tudo isso, é fundamental parar para pensar no que realmente se deseja para o HDES e para o sistema regional de saúde. O hospital modular, que foi pouco planeado e implementado de forma deficiente, é um exemplo do que não deve ser feito. É preciso um plano de requalificação abrangente e realista para o HDES, priorizando a segurança, a modernização e a eficiência dos serviços, mas também com um olhar nas próximas décadas. Além disso, é crucial que os erros cometidos no passado sejam analisados e corrigidos, sejam eles técnicos ou políticos, para que crises como esta não voltem a ocorrer, sendo que nos Açores a sua repetição é altamente provável. O HDES pode ser reaberto quase a 100%, como deveria ter sido há muitos meses. Com essa reabertura abriria-se uma janela de oportunidade para uma profunda reflexão e posterior planeamento, de modo a termos um novo hospital central nos Açores.
A situação do HDES é um reflexo de um sistema regional de saúde que precisa urgentemente de reformas. Para isso, é necessário que o governo, a oposição e a sociedade civil trabalhem em conjunto para garantir que a população dos Açores tenha acesso a cuidados de saúde de qualidade, bem como estejam protegidos numa ocasião de catástrofe. O momento é de decisões sérias e responsáveis, não de discursos vazios e disputas políticas. É a hora de identificar os erros, corrigi-los e construir um futuro mais seguro e eficiente para a saúde nos Açores.
André Silveira
HDES: Falhas e Lições por Aprender
O incêndio que atingiu o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) em Ponta Delgada, a 4 de maio do ano passado, expôs de forma brutal as fragilidades do sistema regional de saúde nos Açores. Para além do prejuízo imediato estimado em já mais de 40 milhões de euros, o episódio deixou mais de metade da população do arquipélago sem acesso direto ao principal hospital da região. Mostrou a debilidade de todo o sistema perante um acontecimento fortuito, é verdade, mas com probabilidade razoavelmente elevada de se repetir, dada a nossa realidade aberta a catástrofes. Contudo, o que era já um problema grave transformou-se numa situação ainda mais delicada devido à forma como se lidou com a emergência e as consequências do incêndio.
Desde os primeiros dias após o incêndio, o Senhor Presidente do Governo Regional adotou uma postura errática. Num momento de crise extrema, a liderança exigia decisões claras e centradas nos interesses imediatos dos Açorianos. Colocar o HDES operacional o quanto antes deveria ter sido a prioridade. No entanto, Bolieiro demonstrou ingenuidade em algumas posições e calculismo em outras, focando-se demasiadamente no cenário político e na interação com a república, em detrimento da eficiência das soluções. Ninguém se vai esquecer na aparição na televisão de braços caídos e mãos postas. Não estaria preparado para o momento, se calhar ninguém estaria, mas, naquele momento, exigia-se uma postura de estadista responsável e uma liderança visionária. Sem nada disso, ficámos entregues aos delírios de uma ministra perdida e aos apetites dos interesses do costume, e por consequência restou-nos o caos e a incerteza. Tudo o que não se desejaria nesta situação. Hoje, passados todos estes meses, é por demais evidente que os erros foram muitos.
A decisão do Governo pelo hospital modular, tornada pública alguns dias após o incêndio, não se baseou em qualquer relatório de engenharia sobre os verdadeiros danos no edifício, mas sim na aparente pressão de interesses internos do próprio HDES. Inadmissível num investimento de dezenas de milhões de euros. O processo de adjudicação do modular e dos equipamentos foi aligeirado e apressado, gerando assim suspeitas de falta de transparência, que certamente irão provocar processos de investigação, corroendo a já reduzida confiança dos eleitores nos governantes. Os responsáveis políticos falaram demasiado em segurança, mas apenas para justificar a opção pelo modular. Veremos que efeitos de médio/longo prazo virão para a saúde dos Açorianos. Fala-se muito em edifícios, equipamentos e até em Centros Universitários, mas o mais importante são os doentes que necessitam de tratamento e que estão privados de cuidados há já muitos meses. Essa deveria ter sido a primeira prioridade.
A Secretária Regional da Saúde enfrentou uma situação extremamente desafiadora, tomando decisões que geraram ampla controvérsia, nem sempre demonstrando ponderação e sustentação técnica. Um exemplo claro foi o foco inicial no hospital modular, a todo o custo, criticado pela baixa qualidade e pelos constantes atrasos na implementação, o que evidenciou sérias lacunas no planeamento e na resposta às necessidades urgentes do hospital e da população. Inicialmente, foi mal aconselhada, resultando em escolhas desalinhadas com as prioridades imediatas. Posteriormente, demonstrou relutância em rever essas decisões, mesmo diante de evidências que apontavam para erros de condução.
O hospital modular tornou-se um símbolo dessa falta de pragmatismo, com alterações atualmente em curso que expõem falhas de planeamento e decisões tomadas sem base técnica sólida, e sem falar no custo exorbitante para o erário público. A gestão do processo foi marcada por sucessivas contradições, desde blocos operatórios inicialmente rejeitados e depois aprovados, até prazos sistematicamente ultrapassados. Enquanto isso, técnicos destacam que o HDES já possui condições para reabrir, em melhores circunstâncias do que antes do incidente de 4 de maio, faltando apenas determinação e coragem política para avançar. Todo o processo está inquinado pela já habitual guerra interna no Governo, onde interesses partidários se sobrepõem ao mais elementar bom senso. Neste caso, até foi necessário demitir o conselho de administração como dano colateral de tão pérfida luta.
A oposição, por sua vez, não conseguiu desempenhar um papel fiscalizador responsável e ativo. Não apresentou soluções alternativas concretas, nem pressionou o governo com suficiente rigor para acelerar os trabalhos de recuperação do HDES. Essa inércia contribuiu para a perpetuação dos problemas e para o aumento da insatisfação pública. A explicação de tal silêncio resulta certamente de um sentimento de culpa. O HDES não se tornou obsoleto nos últimos 4 anos. O abandono vem de há muito mais tempo, e aí, como em muitos outros assuntos, o PS não consegue seguir em frente sem uma assunção de responsabilidades passadas. O incêndio revelou não apenas erros na gestão da emergência, mas também problemas estruturais que vinham sendo negligenciados há anos. O sistema elétrico do HDES, com mais de 30 anos, já era conhecido por ser obsoleto, com relatos de falhas frequentes e situações perigosas. As taxas de execução orçamental da Secretaria da Saúde também evidenciam falta de prioridade na modernização da infraestrutura.
Diante de tudo isso, é fundamental parar para pensar no que realmente se deseja para o HDES e para o sistema regional de saúde. O hospital modular, que foi pouco planeado e implementado de forma deficiente, é um exemplo do que não deve ser feito. É preciso um plano de requalificação abrangente e realista para o HDES, priorizando a segurança, a modernização e a eficiência dos serviços, mas também com um olhar nas próximas décadas. Além disso, é crucial que os erros cometidos no passado sejam analisados e corrigidos, sejam eles técnicos ou políticos, para que crises como esta não voltem a ocorrer, sendo que nos Açores a sua repetição é altamente provável. O HDES pode ser reaberto quase a 100%, como deveria ter sido há muitos meses. Com essa reabertura abriria-se uma janela de oportunidade para uma profunda reflexão e posterior planeamento, de modo a termos um novo hospital central nos Açores.
A situação do HDES é um reflexo de um sistema regional de saúde que precisa urgentemente de reformas. Para isso, é necessário que o governo, a oposição e a sociedade civil trabalhem em conjunto para garantir que a população dos Açores tenha acesso a cuidados de saúde de qualidade, bem como estejam protegidos numa ocasião de catástrofe. O momento é de decisões sérias e responsáveis, não de discursos vazios e disputas políticas. É a hora de identificar os erros, corrigi-los e construir um futuro mais seguro e eficiente para a saúde nos Açores.
André Silveira Publicado no Diário dos Açores 16-1-2025