SCUT DOS AÇORES, MÁ OBRA

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8 years ago

Fico sempre desgostosa quando passo neste local.
É evidente que os construtores da via rápida (a dita scut) do Nordeste não tiveram excessivas preocupações com a estética dos acabamentos.
Terão pensado “para quem é…bacalhau basta”? Ignoro.
E os fiscais locais, isto supondo que tiveram qualquer voz activa no assunto…terão pensado o mesmo? Também ignoro.
Maria Antónia Fraga and 5 others
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  • Maria Antónia Fraga

    Uma manilha de esgoto a céu aberto…valha-nos Deus!! Mesmo que seja apenas uma conduta de águas fluviais, não é nada que deva estar à vista de ninguém… serei só eu pensar assim? pois alevá!!
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  • Ana Pacheco

    Sou da sua opinião, está horrível.
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  • Madalena Amaral

    Manda-se a foto para quem mandou fazer a obra. Aqui no meu concelho tem página própria para isso. Também para elogiar. E olhe que né têm atendido. Faltava a tampa de um contentor do lixo, reclamei. Um cano de água das chuvas estava exposto, com risco d…

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    • 43 m

há anos que escrevo o mesmo e nada muda a cada eleição

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PAÍS INGOVERNÁVEL, 11/11/15, CRÓNICA 151

 

Este país onde nasci deu-me belas passagens e muitos desgostos, país malformado, mal-educado, malpreparado feito de gente diversa: os que nasceram mais ou menos bem, a classe média, trabalhadores, empresários, patos bravos e arrivistas, corruptos (de todas as cores políticas e felizmente para as minhas origens, nem todos transmontanos, embora avondem como dizem os galegos), os que jamais trabalharam um dia, e tiraram cursos esconsos em universidades dúbias, falsificando cursos ou nem por isso.

O cérebro é sistematicamente lavado, desde tempos imemoriais sem grande oposição, por Viriato, Sertório, Romanos, Alanos, Suevos, Vândalos, Visigodos, Árabes, Castelhanos, a Inquisição delatória que fez de todos um povo de “bufos” e a Ditadura de má-memória em 48 anos de obscurantismo.

É este povo que, satisfeito consigo nos últimos anos, encontrou a liberdade que nunca soube interpretar e a confundiu com libertinagem, liderado por gente engenhosa e sábia na arte de roubar (lembram-se dos dinheiros da formação profissional que a Europa mandou para comprarem carros de alta gama?).

O povo nada aprendeu a não ser substituir o fado, futebol e fátima, por mais do mesmo, ao som de música pimba (quanto mais ordinária melhor), de telenovela que o faz sonhar com vidas que nunca terá (só existem no ecrã), e se embala, inebriado, pelos vapores do voyeurismo de Big Brother, onde a depravação e o sexo são a moeda corrente.

Totalmente anestesiados e incultos como no tempo do Salazar, embora sejam doutores, engenheiros, arquitetos, etc., graças à massificação do ensino. Um povo que nunca cuidou de se educar, de ter formação pessoal e profissional (os governantes não o quereriam, quanto mais incultos mais manipuláveis), sem gosto na história, na língua e na cultura, sempre confundida com atividades circenses, touradas ou futebol. E alguns menos influenciáveis viram desaparecer a classe média com algumas aspirações culturais e intelectuais elitistas (uns iam para o liceu, outros para as escolas comerciais ou industriais)

Há gente como a cidadã que dizia na TV, sobre o primeiro-ministro António Costa, “eu não vou lá muito com a cara dele” e assim, esclarecida e fundamentadamente, faz as suas opções políticas e vota, mal dissimulando o racismo, xenofobia e preconceitos seculares. É assim que este povo vota e faz escolhas de analfabetismo disfuncional. Olho e as brumas não auguram a chegada de um Sebastião, desejado ou não, são apenas brumas, e o “desejado” jamais chegará em dias de nevoeiro. Mesmo que chegasse não seria a tempo de salvar o país.

Aprendi na minha Austrália (e não abdico de princípios, dos poucos que restam), a acreditar na democracia participativa e aceito o voto da maioria, mesmo estúpida, iletrada e portuguesa. Acredito que o mérito é a unidade de valor que interessa e não o compadrio, a cunha, o senhor doutor parolo da sociedade em que cresci. Acredito que um país só pode ser decente e governável quando a liderança se rege pelos superiores interesses do país (res publica) e não do partido, dos amigos, associados e “boys and girls” nos seus “tachos”. Se alguém é corrupto, julgue-se, condene-se, prenda-se e deite-se a chave fora, sem direito a reabilitação, obriguem-nos a trabalhar e a produzir para a sociedade, nem que seja caixas de fósforos (esqueci-me de que já não se usam, pode ser, sei lá, telemóveis, limpar ruas e matas, arar campos desertos, apagar incêndios, reabilitar casas devolutas) …há tanto para fazer e tão poucos para trabalhar.

Acabem com as reformas antes do tempo, todos sujeitos ao regime geral a contribuir com deduções iguais às que o estado colocará em fundos especiais, sem ser de especulação. Numa obra pública com derrapagem de custos, responsabilizem os culpados e indemnizem o dono da obra. As viaturas de estado só devem operar no horário das repartições) reduzidas ao mínimo e não para a ostentação inútil das autarquias, repartições, ministérios, etc. A justiça célere e sem prescrições. Estado Social sim, com inspeções.

Quando vim da Austrália, as casas sociais (Porto), onde viviam pessoas alegadamente sem posses, tinham antenas parabólicas (na altura pagavam-se bem caro) e carros melhores que o meu. Comiam diariamente (pequeno-almoço, almoço, lanche ou jantar), nos cafés e restaurantes, coisa que eu não podia.

Algo me diz que a distribuição era injusta. O RSI – rendimento de inserção social, deve bonificar os que precisam mas estes devem-no retribuir em trabalho para a sociedade, na medida das suas possibilidades e não para ficarem em casa. A minha ética é o trabalho e vivo a trabalhar “pro bono” nos colóquios da lusofonia e atividades paralelas. É uma atividade não-remunerada, que dá o prazer que o labor pago nunca deu. Quando trabalhava por conta de outrem, dei sempre mais do que recebi, na função pública ou na privada. Raramente vejo isso nos que me rodeiam, se bem que haja exceções.

A maioria, são uma desgraça para a profissão. Deveriam ser retreinados, reformatados, atualizados e, caso isso falhasse, expulsos, mas avaliados e promovidos profissionalmente com sistemas de mérito e verificação de competências. Há o exemplo de professores que o são, porque não podiam ser mais nada, e não pela dedicação à nobre e decadente arte de ensinar. Ensinam contrariados e sem dedicação.

Todo o trabalho deve ser justamente remunerado e a carreira deve ter progressão de acordo com a produtividade, onde tudo pode ser mensurável. Na Austrália os funcionários públicos eram avaliados e singravam graças ao mérito, coeficientes de produtividade e eficácia. Era um sistema mais justo, as sugestões dos funcionários iam até aos ministros que eram forçados a mudar as normas “Top Down,” pois podia não funcionar na prática e ninguém melhor do que os que estão na linha da frente para avaliar o seu impacto. Cá, qualquer norma é sempre liminarmente oposta pois ninguém quer mudar nem ter mais trabalho, na mentalidade do séc. XIX, os funcionários regem-se pela lei do menor denominador comum ou menor trabalho útil.

O parlamento britânico tem condições mínimas, mal cabem, apertadinhos ao lado uns dos outros, sem computadores, gabinetes, telefones, sem a dispendiosa parafernália eletrónica da Assembleia da República e sem viaturas do Estado. Na Suécia os deputados de fora da capital, têm um miniapartamento frugal. Cá, subsídios de residência, ajudas de custo, alimentação, viagem, mil e uma mordomias. Quanto piores os políticos maiores as mordomias. O maior escândalo são os preços do caviar e do champanhe, quase gratuitos, no bar da Assembleia. Isto sem falar dos carros de luxo e viagens em executiva.

Na Austrália os transportes públicos são para todos e, diariamente, viajavam comigo ministros e altos funcionários do governo estadual sem que os parentes caíssem na lama. Jamais esquecerei a cena ridícula dos ninjas que acompanharam Pedro Santana Lopes (o mais fugaz primeiro-ministro) para o protegerem de ameaças, quando foi em visita relâmpago de 48 horas (novº 2004) a Bragança, com carros blindados, na contramão para a Estalagem de S. Bartolomeu onde estava alojado. Uma cena à faroeste. Sabemos bem que Bragança é um coio de terroristas do ISIS e Al-Qaida, onde ninguém se desloca sem Humvee à prova de bala, batedores da polícia, guarda-costas e secretas, como o presidente dos EUA em visita ao Iraque, não vá o diabo tecê-las e serem atingidos, sei lá, por uma alheira, butelo ou uma posta mirandesa.

Falta tecer considerações ao governo, manietado pela troica e banca internacional de agiotas, que espreme as classes trabalhadoras, a quem se retiraram direitos e feriados, a quem congelaram salários e pensões, benefícios arduamente conquistados depois das longas trevas da ditadura, de promessas incumpridas e de aumentos exagerados de impostos aumentando o fosso entre ricos e pobres, condenando milhares de portugueses a emigrarem, despovoando mais um país envelhecido, reduzindo a quantidade de pagantes de impostos enquanto se aumenta o número de milionários por meios obscuros e ilegais. Que o digam a Porsche e a Ferrari. Ora esse governo deu ao desbarato (em troca de luvas e benfeitorias) tudo o que tinha valor. Já há pouco de Portugal em tudo que leve o nome português, pois pertence a estrangeiros. Se as joias da coroa fossem bem vendidas ainda se admitia a privatização, mas dar ao desbarato o que todos nós pagamos exorbitantemente é um crime de lesa-pátria.

Como se começa a campanha para vender um bem público: criam-se atritos com o pessoal, baixa-se a produtividade e eficiência, depois, ou se entregam de mão beijada aos amigos ou aos que mais luvas pagam. Foi assim com a EDP, REN; TAP; CTT, etc., ficou a ponte Vasco da Gama, a torre de Belém e os Jerónimos e pouco mais, e mesmo esses seriam vendidos (se tivesse havido tempo) tal como fazem com conventos, castelos e monumentos oferecidos à exploração por privados para hotéis de luxo. Escravizado o povo português, vendido a chineses e outros, cada vez dispõe de menos serviços, saúde, justiça, educação e mais facilmente se manipula, aceitando a caridadezinha que era apanágio de Salazar. Um quarto da população vive em níveis de pobreza extrema (2,5 milhões), aumentam os sem-abrigo, os destituídos, e sobretudo e isso não perdoo, hipotecou-se a ESPERANÇA. Vender o país a retalho sem mexer nos privilégios dos ricos? Mandar sempre a fatura aos mesmos? Fazer o povo pagar os erros dos bancos em vez de fazer como na Islândia onde se prenderam os banqueiros e se venderam os bancos para reembolsar os vigarizados?

Sou europeísta e acreditei no sonho dos fundadores como solução para um continente assolado por séculos de guerras. Não votei na Europa manietada pelo capital agiota para nos retirar liberdade e soberania. Não é esta Europa a que quero pertencer, a fortaleza anti-imigração corroída pelo avanço dos fundamentalistas sonhando com islamismos moderados que não existem. Uma Europa que vê primaveras árabes ao fundo do túnel do petróleo, faz desabar ditadores e abre escancaradamente as portas a uma emigração que ninguém vai conter, a não ser pelos naufrágios inúteis no Mar Mediterrâneo. Uma Europa aliada dos EUA a armar grupos como a Al-Qaida, ISIS que fogem ao controlo para se tornarem em vilões como Saddam, Bin Laden e outras invenções americanas.

Sim, sei que sou um poeta, utópico e idealista (bem mo disse, publicamente, o Adriano Moreira em 2008), individualista, mas não perdoo terem roubado a ESPERANÇA às novas gerações. Nem Salazar conseguiu isso fazer à minha, havia a guerra colonial, um regime decrépito, mas tínhamos a ESPERANÇA e ora os filhos não têm isso, nem sabem o que é, foi hipotecado o futuro deles e dos netos. Como bom poeta anárquico podia desejar o caos absoluto, “après moi le déluge”, diria ou um terremoto maior do que o de 1755 para reconstruir o país todo do zero, e acreditem que sonho com isso desde os tempos de Liceu (1971)…

Nunca acreditei na troica e FMI para resolver os problemas de nenhum país, exímios em condenar povos à miséria esclavagista do capitalismo selvagem. A austeridade nunca foi receita para ninguém, só dá lucros aos agiotas, sou contra essa austeridade, não contra o rigor, despesismo balofo, ostentação, novo-riquismo. Não acredito nas tretas de direita e esquerda, nem creio em político honesto (nem em prostituta virgem!), nem imagino que o governo faça (não o deixarão os magnatas agiotas) mas teve a vantagem de, por momentos, restituir a ESPERANÇA e para um poeta é essa força que alimenta a vida. Quero os corruptos condenados e presos, e o sistema bancário mundial aniquilado. Não me entendam mal, acredito no capitalismo, à moda antiga, que investe os lucros para criar riqueza para todos.

Ainda acredito na social-democracia à moda sueca dos anos 70, que era assim que se imaginava o socialismo à portuguesa, onde o estado complementa a iniciativa privada e a liberdade individual em vez de a tolher, com normas estúpidas como o tamanho dos tomates, das sanitas ou dos chicharros. Ainda acredito no ensino universal e gratuito para todos os que tiverem valor e não para os que querem o canudo e o axiónimo Dr. ou Eng.º ou quejandos. Acredito que qualquer país só pode evoluir quanto mais culta for a massa populacional. Eu disse culta, não disse com canudos de Bolonha…

Acredito em qualquer país que gaste mais no orçamento da cultura do que na defesa, que preze a história e a preserve, que recupere monumentos e tradições orais ou outras, em vez de touradas e falsas culturas circenses, caso contrário que volte o autêntico circo de Roma com muitos leões para lá deitarmos os políticos na arena. Quanto a guerras determino que em vez de mandarmos a juventude para a guerra devem criar-se normas de duelo entre os políticos dos países beligerantes, podendo estes escolher as armas, sejam elas luta livre, corpo-a-corpo ou xadrez. Com ESPERANÇA posso voltar a sonhar e sem sonhos a vida não merece ser vivida.

Cientistas encontram acidentalmente a ″ilha mais a norte do Mundo″

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Cientistas encontraram uma nova ilha na costa da Gronelândia, que acreditam que seja o ponto mais a norte do Mundo.

Source: Cientistas encontram acidentalmente a ″ilha mais a norte do Mundo″

terrorismo e paraísos fiscais

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PARAÍSOS FISCAIS:
TERRORISMO COM ESCRITÓRIOS NA SUÍÇA E NO LICHTENSTEIN
“Como é possível tudo isto? Como é possível um príncipe ter tanta riqueza acumulada, num país que importa 85% da sua energia? Depois do escândalo de 2008, as coisas melhoraram muito em termos de transparência, é preciso dizê-lo, mas o Liechtenstein continua a ser um dos poucos países do mundo com mais empresas do que pessoas. No Luxemburgo ainda é pior e muitos interrogam-se como é que o território não integra a lista dos paraísos fiscais da UE, a qual é, ela própria, fértil em tais paraísos (isto enquanto defende a “justiça tributária” e um “modelo social europeu” que assenta no pagamento de impostos pelos cidadãos).”
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Para além do bem e do mal
António Araújo
28 Agosto 202 – DN
Opinião
Aquele caminho ficou para sempre com o seu nome, tantas as vezes que o percorreu, ruminando na solidão de si mesmo. Esteve ali uma larga temporada, de Dezembro de 1883 até à Primavera do ano seguinte, mas regressaria mais vezes. Não foram tempos felizes, esses: pouco antes, Lou, a grande amada, que por três vezes recusara casar-se com ele, rompera agora em termos irreversíveis, definitivos; e Richard, o seu antigo amigo, que tanto venerava, morrera em circunstâncias estúpidas em Veneza, de uma apoplexia cardíaca, depois de uma tempestuosa discussão com a mulher, que o acusava de andar tomado de amores por outra. Ele próprio não se sentia bem de saúde, para dizer o mínimo. Nas salas de jantar dos hotéis e das pensões onde dormia, afastava-se dos outros comensais, que o censuravam ou gracejavam com a sua dieta espartana, feita de chá fraco, ovos, um pouco de carne. Nem esses sacrifícios o poupavam à Blitzkrieg intestinal que o seu corpo lhe movia e que o fazia ficar prostrado na cama durante dias a fio, por vezes uma semana inteira, acometido de vómitos, de dores lancinantes nas têmporas e de diarreias agudas, como escreveu a sua biógrafa Sue Prideaux num livro saído entre nós em 2019 (Eu Sou Dinamite!, Temas e Debates).
Segundo os seus próprios cálculos, estava a sete oitavos de ficar totalmente cego: o brilho das luzes causava-lhe dores lancinantes, manchas escuras dançavam por todo o seu campo de visão, não conseguia focar os objectos ou as letras impressas numa página. Para mais, com os antecedentes familiares que tinha, temia estar a enlouquecer de vez, apavorado pelos avanços da ciência que garantiam existirem causas hereditárias na insanidade. Os seus livros não vendiam, o último tivera uns cem compradores, não mais do que isso, e os editores não queriam publicá-los; o próximo teria de ser impresso por si, particularmente, com uma tiragem ridícula de uns seiscentos exemplares. Nas raias da miséria, fez um inventário dos seus bens terrenos: algumas camisas, dois pares de calças, dois casacos, chinelos e sapatos, artigos de barbearia e de escrita, uma caçarola que a irmã lhe mandara e com a qual nunca conseguira ajeitar-se. Para sobreviver, dependia de uma pensão que recebia de uma universidade cristã, e que temia fosse cancelada a todo o instante, dado o teor cada vez mais antirreligioso dos seus últimos escritos.
No Inverno de 1883, instalou-se num pequeno quarto da modesta Pension de Genève, em Nice, na rue Saint Étienne. De quando em vez, apanhava os comboios ou os eléctricos que contornavam a costa até Saint-Jean Cap Ferrat e Villefranche e daí subia as colinas, escalava ao alto, deleitando-se com os ventos fortes e com aquilo que julgava ser a mancha-azul da Córsega a irromper de longe, no horizonte infindo do Mediterrâneo. Segundo a sua biógrafa, atribuía grande significado ao facto de o seu pulso bater ao mesmo ritmo que o de Napoleão, sessenta pulsações por minuto. O trilho que aí percorria, dois quilómetros entre Èze-sur-Mer, junto à costa, e a aldeia de Èze, lá no alto, ficou para sempre conhecido como Le sentier de Nietzsche, em homenagem ao filósofo que, como tantos outros, precisava de caminhar para pensar. É hoje atracção para os turistas que enxameiam o Sul de França.
Friedrich Nietzsche esteve lá várias vezes, foi aí que fez amizade com o Dr. Julius Panetch, um jovem zoólogo judeu de Viena, e com Resa von Schirnhofer, uma rica feminista de 29 anos, que decidira rumar a Nice no final do seu primeiro semestre na Universidade de Zurique, das poucas que aceitavam matrículas de mulheres. Durante dez dias de afecto casto, andaram os dois pela região adentro, aspergidos pela fragrância dos tomilhos, cegos pela claridade da luz, ensurdecidos ao barulho incessante das cigarras. Friedrich levou-a a ver uma corrida de touros a Nice, depois de lhe garantir que as regras francesas impediam o uso de cavalos e a morte do animal na praça, mas, a meio da tourada, os dois tiveram um ataque de riso incontrolável, ante o caricato do espectáculo. Porém, quando a banda tocou a Carmen, Nietzsche entrou em transe, electrizado pela música, que nele tinha um efeito poderoso, quase místico (“nunca houve um filósofo que, na sua essência, tenha sido um músico como eu”, escreveu um dia, apesar de reconhecer as suas debilidades como compositor, cruelmente apontadas por Wagner). Uma semana depois de Resa ter partido, Friedrich também rumou a Veneza, mas regressaria mais tarde. Foi na Provença que, de um jacto, escreveu a terceira parte de Assim Falava Zaratustra e que redigiu, em duas semanas, o muito mais polémico Para além do Bem e do Mal.
Editado em Leipzig em 1886, Nietzsche criticava nesse livro os preconceitos e o dogmatismo dos filósofos que o precederam, os quais tendiam a dividir as coisas entre “boas” e “más”, como se existisse uma moral objectiva que lhes pudesse servir de critério orientador e máxima de conduta. O livro é também, entre muitas outras coisas, um ataque ao pan-germanismo e uma defesa dos judeus, um louvor à unidade da Europa e à “delicadezza meridional” do catolicismo, em confronto com a aspereza do protestantismo do Norte.
Lembrei-me do livro e de Nietzsche há poucos dias, quando soube da morte da princesa Maria do Liechtenstein, um principado niilista situado no coração da Europa. A associação talvez pareça estranha, mas devemos recordar que Nietzsche foi chamado Friedrich por ter nascido no dia do 49.º aniversário do rei Frederico Guilherme da Prússia e que o seu pai, o pastor luterano Carl Ludwig Nietzsche, foi preceptor de princesas na corte ducal de Altenburg, de jovens iguais ao que Maria foi, in illo tempore.
Maria era uma princesa dos quatro costados que nasceu condessa em 14 de Abril de 1940, com o nome quilométrico de Marie-Aglaé Bonaventura Theresia Kinsky von Wichnitz und Tettau, sendo neta, pelo lado paterno, do conde Ferdinand Kinsky von Wichinitz und Tettau, que foi 7.º príncipe de Tettau com apenas um ano, e da princesa Aglaé von Auersperg. Pelo lado materno, provinha do conde Eugen von Ledebur-Wicheln e da condessa Eleonore Larisch von Moennich, bisneta de Barbu Dimitrie Ştirbei, príncipe da Valáquia, na Roménia.
A futura princesa consorte do Liechtenstein viu a luz na Boémia e Morávia, que agora pertencem à República Checa mas que à época eram um protectorado nazi instituído em violação grosseira dos acordos de Munique e onde 85% da população judaica foi exterminada, convindo dizer que a Casa Kinsky, a que ela pertencia, se portou pessimamente em toda essa tragédia, alinhando às descaradas com o Partido Germânico dos Sudetas, o que foi especialmente notório com o chefe da Casa, o príncipe Ulrich, gesto que não o salvou de ter muitas das terras confiscadas pelos alemães e, de novo, nacionalizadas pelos comunistas em 1948.
Com o avanço dos russos e o fim da guerra, os pais de Maria fugiram para a Alemanha em 1945, onde ela se formou e trabalhou numa editora de Dachau, localidade dos arredores de Munique hoje lembrada por ter sido sede de um campo de concentração onde foram mortos 41 500 seres humanos, números redondos.
Em 30 de Julho de 1967, Maria casou-se na Catedral de St. Florian, em Vaduz, com Hans-Adam II, nome abreviado de Johannes Adam Ferdinand Alois Josef Maria Marco d”Aviano Pius, filho de Franz-Joseph II e da condessa Georgina von Wiczek, familiarmente conhecida como princesa Gina (a endogamia é tanta que também ela era da Casa Kinsky e Tettau).
Hans-Adam II tem por título oficial príncipe de Liechtenstein, duque de Troppau e Jägerndorf, conde de Rietberg, soberano da Casa de Liechtenstein e uma fortuna familiar estimada em 7,6 biliões de dólares e uma fortuna pessoal de 4 biliões de dólares, sendo um dos chefes de Estado mais ricos do mundo e o monarca mais rico da Europa, rainha Isabel II incluída. Talvez isto pareça estranho tendo em conta que o Liechtenstein é um país minúsculo de 160 quilómetros quadrados, do tamanho de Lisboa, o sexto mais pequeno do mundo em termos populacionais, sem comboios nem aeroporto, com apenas um bispo, um túnel, uma piscina ao ar livre, um hospital, uma prisão e um McDonald’s, mas… com 15 sedes de portentosos bancos, que em 2017 geriram qualquer coisa como 300 biliões de dólares, o que significa 8 milhões de dólares por habitante do território. O príncipe é dono do LGT Group, o maior grupo familiar bancário do mundo, envolvido em 2008 numa fraude fiscal de proporções gigantescas, e, em 2003, impôs por plebiscito uma enorme ampliação constitucional dos seus poderes, tornando-se praticamente um monarca absoluto, com direito de veto sobre todas as decisões do parlamento (o príncipe ameaçou abandonar o país se o referendo não lhe fosse favorável). Em 2012, a população rejeitou de forma esmagadora uma proposta para diminuir os poderes reais, tendo o príncipe herdeiro Alois afirmado, dia antes. que iria vetar qualquer tentativa de flexibilizar as leis do aborto. O Liechtenstein só em 1984 concedeu o direito de voto às mulheres, e mesmo assim por uma margem tangencial, sendo esta apenas uma das muitas bizarrias de um território situado muito para lá do bem e do mal: num faux pas ganancioso, o príncipe Hans-Adam tentou patentear na América o arroz Basmati (!), uma cultura milenar da Índia, do Bangladesh e do Paquistão, sendo obrigado a recuar devido aos protestos daqueles países.
Como é possível tudo isto? Como é possível um príncipe ter tanta riqueza acumulada, num país que importa 85% da sua energia? Depois do escândalo de 2008, as coisas melhoraram muito em termos de transparência, é preciso dizê-lo, mas o Liechtenstein continua a ser um dos poucos países do mundo com mais empresas do que pessoas. No Luxemburgo ainda é pior e muitos interrogam-se como é que o território não integra a lista dos paraísos fiscais da UE, a qual é, ela própria, fértil em tais paraísos (isto enquanto defende a “justiça tributária” e um “modelo social europeu” que assenta no pagamento de impostos pelos cidadãos).
Os paraísos fiscais são infernos de transparência, os esgotos por onde desagua o que de pior há no mundo: crime organizado, terrorismo, tráficos de armas, de drogas, de órgãos e de pessoas, máfias façanhudas, corrupção. O desastre do Afeganistão mostra que é difícil, talvez impossível, vencer os terroristas no terreno. Cortar-lhes as fontes de financiamento e não reconhecer transacções ou empresas criadas em paragens nada recomendáveis parecem ser as únicas soluções possíveis. O mundo seria infinitamente melhor, paradisíaco, sem esta praga dos “paraísos fiscais”, mas em sua defesa muitos e muito obscuros interesses se levantam, é triste. Entretanto, gastam-se biliões em exércitos para combater talibãs, deixando-os depois serem financiados tranquilamente nas nossas costas e nos “paraísos” que continuamos a tolerar (dias depois do 11 de Setembro, o Departamento do Tesouro dos EUA revelou que os financiadores e consultores financeiros da Al-Qaeda, os grupos Al Taqwa e Barakaat, tinham escritórios… na Suíça e no Liechtenstein).
Nietzsche tinha razão: vivemos para além do bem e do mal.
Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia.
May be an image of map and text that says "Belgium Germany Czech Rep. France EUROP Austria Switzerland Croatla LIECHTENSTEIN Spain Italy Mediterranean Sea AFRICA placesbook. org"
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DEUS SÓ VEM AO AFEGANISTÃO PARA CHORAR

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DEUS SÓ VEM AO AFEGANISTÃO PARA CHORAR

 

Urge uma Revolução cultural feminina

Mulheres ao Poder para domar a Oligarquia masculina

 

 

Por António Justo

Deus chora nas mulheres afegãs enquanto uma nuvem tenebrosa se alastra no firmamento da humanidade! No Afeganistão as trevas vieram para ficar em forma de guerra civil e da masculinidade contra a feminilidade!

 

Depois da catástrofe humana a acontecer no Afeganistão, há muitas perguntas que se colocam também ao Ocidente! De facto, com ingenuidade não se chega a lado nenhum!

 

A situação atual no Afeganistão e as imagens do aeroporto afegão mostram impiedosamente as fraquezas dos Estados ocidentais (1).

 

Por que é que o Ocidente continua a promover o machismo na implementação da emigração quase só de homens para o Ocidente? Porque não introduzir uma quota de pelo menos 50% de mulheres? Não fomenta o Ocidente, deste modo, o machismo nos países islâmicos e a emigração do sistema patriarcal para a Europa? (ou precisarão os homens afegãos que não emigram das mulheres para as usarem como cobaias parideiras?). Qual a razão por que a NATO, durante 20 anos, não investiu muitos dos seus milhares de milhões de euros no fomento prioritário de mulheres na carreira militar afegã? Um exército de mulheres empenhar-se-ia em defender a nação ameaçada e certamente não entregaria as armas, de mão beijada, aos adversários, porque teria muito para defender. (Uma estratégia de fomento da feminilidade sistémica no Afeganistão valeria também para África: fomento de grupos femininos de autoajuda.)

Porque não investiram na promoção de mulheres polícias? Porque não promoveram Partidos femininos? Porque não fortaleceram a criação sistemática de associações de mulheres? Porque não formarem comités de anticorrupção formados por mulheres?

 

Enquanto a matriz masculina se mantiver como força motriz da sociedade e da cultura e não houver a finalidade de integrar nela a feminilidade, muitos dos esforços masculinos e femininos não passarão de remendos na matriz patriarcal que ordena ainda todas as sociedades. A luta tem feito parte essencial da masculinidade, mas precisa de ser reparada, urgindo a integração da feminilidade nela (e não transformar as mulheres em meras lutadoras (homens) tornando-se elas mesmas estranhas à sua feminilidade; afinal lutam num mundo masculino, à maneira masculina, pela implantação de um mundo que não passa além das características masculinas).

 

Uma cultura que transforma as mulheres em escravas e servas de homens só pode ser modificada através de uma estratégia e filosofia que transforme a mulher em actora e portadora da liberdade! Só uma aposta na feminilidade e na mulher poderá constituir a primeira base de resistência contra os hábitos sociais e culturais e o meio de implementar neles a liberdade.

 

Precisa-se de uma revolução feminina não só que implemente mulheres ao poder para moderar a oligarquia masculina, mas sobretudo para introduzirem na sociedade uma filosofia feminina. Nos homens não haverá confiança, enquanto não integrarem neles mais características da feminilidade! Só as mulheres podem libertar de maneira especial o Islão de uma filosofia e estruturas extremamente patriarcais. A luta contra o extremismo machista e contra o terrorismo não será eficaz com bombas nem com mísseis; ela tem de começar pelas estruturas internas da sua antropologia e sociologia (religião e ideologia político-económica). Precisamos de uma revolução cultural feminina que ponha na ordem do dia os valores e características da feminilidade; a luta das mulheres pela emancipação tem sido benéfica, mas continua a ser nos moldes da filosofia da matriz masculina!

 

Com a volta da talibã, ISIS e grupos extremistas, às mulheres só espera sofrimento e sobressaltos!

 

A desumanidade anti-feminina chega-lhes sob a forma primitiva de homens barbados que tratam as mulheres pior que gado, pois para eles a mulher é objecto perigoso a subjugar e para tal a sexualidade é considerada mercadoria e a humanidade é tratada como assunto privado!

 

O poder do EI, do Talibã e grupos radicais correspondentes proíbem a formação às mulheres porque esta lhes possibilitaria sair da cegueira e assumir consciência e resistência. Uma atitude que rejeita na educação tudo o que é mundano (não religioso) é ultrapassada e contra o ser humano!

 

Para se ter uma ideia mais concreta do que se passa no Afeganistão, leia-se o livro, “Do outro Lado do Destino” (2), onde a autora apresenta a biografia de Shirin-Gol, que é uma imagem exemplar do desespero de milhões de afegãs de outrora e de agora! O livro permite-nos compartilhar o destino das mulheres afegãs e de tantas outras no mundo.

 

Mulheres corajosas cheias de vida preservadas apenas pela esperança são expressão da escravatura ainda nelas hoje aceite. A escravatura exercida por bastardos vingadores da vida (3) não avançaria se não fosse aceite, também pela nossa sociedade, como algo natural-cultural a respeitar, apesar da crueldade de uma cultura do ódio e da vingança.

 

Se até agora tínhamos assistido a uma guerra masculina entre homens, agora passou-se a uma guerra de machos cruéis contra mulheres. O agora das mulheres (o papel clássico das mulheres) encontra a sua sustentabilidade num presente de miséria, de pobreza e de fanatismo: uma realidade sempre moderna contra elas! Até agora, o país tem sido assolado por uma guerra masculina: por um lado destrói-se o país com bombas e rivalidades de homens e por outro lado destroem-se as mulheres tornadas vítimas das bombas da cultura usada contra elas!

 

Um terço da população afegã encontra-se sempre em fuga. Um desastre para todos enquanto a população civil do islão se identificar com população religiosa.

A vida é invencível, mas a escravidão torna-se na queda da esperança que a sustenta. A política é a arte do possível, não do que se desejaria, esperemos só que o Homem se torne mais “humano”!

 

António CD Justo

Teólogo e Pedagogo

Notas em © Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6736

 

E POR QUE NÃO FAZERMOS PERGUNTAS À MANEIRA DE SÓCRATES?!

Erich Kästner dá um Exemplo

Tenho lido Erich Kästner (Escritor alemão) e gostado muito da sua linguagem! Apresento aqui um exemplo da sua maneira simples de chegar às pessoas!

Com o título “À maneira de Sócrates”, Erich Kästner quer-nos chamar a atenção para lermos o seu epigrama na atitude filosófica de Sócrates (processo maiêutico/Técnica de parteira) que, em diálogo, através de perguntas seguidas de perguntas – sem responder à pergunta – leva o interlocutor a descobrir a resposta que se encontra nele mesmo!

“À MANEIRA DE SÓCRATES

É mesmo assim: É das perguntas,

a partir das quais se levanta o que resta.

Pense na pergunta daquela criança:

“O que faz o vento quando não sopra?” Erich Kästner

Na pergunta da criança Kästner quer certamente questionar a nossa arrogância de se querer ter já na gaveta uma resposta ou solução para tudo.

Certamente haverá perguntas que ao darmos-lhes resposta só mostramos nelas as pegadas do nosso espírito!

Na realidade nas perguntas da criança questiona-se o saber aparente (ignorância) dos adultos que se dão por satisfeitos com uma resposta, ficando-se também aí pelo estado do não saber!

Sócrates com a exigência primeira do “conhece-te a ti mesmo” para poderes tentar conhecer o mundo acaba por responder ao oráculo que o considerava o maior sábio da Grécia dando-lhe a resposta: “só sei que nada sei”? A base da busca será saber que nada se sabe porque a certeza absoluta será questionável!

A saída do dilema do não saber será de encontrar não fora, mas na resposta pessoal ou personalizada por nós mesmos ao criamos a realidade. Poderá ser o vento explicado só com o movimento do ar?!!! De facto, para nos podermos acercar do assunto da resposta teríamos de ir fazendo perguntas e até chegarmos a ultrapassar a complexidade da meteorologia e sua dependência da astronomia!

António CD Justo

Comentários interessantes em “Pegadas do Tempo”, https://antonio-justo.eu/?p=6733

 

ANIVERSÁRIO DA PÍLULA

A pílula chegou ao mercado há 60 anos e causou uma revolução na libertação das mulheres de leis biológicas.

O cientista químico Carl Djerassi prestou um importante contributo para a emancipação das mulheres. A pílula criou a condição prévia para se separar a sexualidade do estilo de vida.

Pegadas do Tempo

António Justo

 

 

açores menos alunos mais professores

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Próximo ano escolar arranca com mais professores
Foi hoje publicada a lista de colocações da oferta de emprego centralizada para recrutamento de pessoal docente a termo resolutivo para o ano escolar 2020/2021, para preenchimento dos horários completos e anuais.
De acordo com Sofia Ribeiro, “estas colocações correspondem a necessidades transitórias do sistema educativo regional e não colmatadas pelos docentes dos quadros, num total de 495 professores e educadores agora colocados”.
A Secretária Regional adianta ainda que, “na sequência da alteração do regulamento de concursos, que foi introduzida pelo Governo Regional para combater a precariedade, estas 495 colocações entrarão para o cômputo dos contratos por três anos sucessivos em cada unidade orgânica e grupo de recrutamento, que constitui o critério para aferição do número de vagas que serão abertas em quadro de ilha no ano escolar subsequente”.
Neste ano escolar que agora se inicia, estão matriculados menos cerca de 600 alunos nas unidades orgânicas do ensino público da Região.
“Apesar da diminuição de alunos, procedemos a um aumento do efetivo docente a lecionar nas nossas escolas, contanto, sensivelmente, com mais 150 professores do que no ano passado”, frisou.
“A par da redução do número de alunos por turma no 1.º e no 2.º ciclos do ensino básico, bem como nas turmas que contam com alunos com necessidades educativas especiais, que exijam particular atenção do docente, este reforço evidencia o investimento do Governo Regional na Educação”, diz a governante com a tutela.
Sofia Ribeiro explicou que “estas são medidas específicas que concretizam o plano Regional de recuperação das aprendizagens, numa gestão racional e de otimização de recursos humanos, concretizando mecanismos de apoio às escolas que permitam implementá-lo da forma mais adequada às suas especificidades e autonomia, atentos os objetivos pedagógicos por elas definidos”.
Os professores agora colocados devem apresentar-se a 1 de setembro na unidade orgânica onde obtiveram colocação.
“Contudo, uma vez que, à semelhança do que já sucedeu em anos anteriores, caso tal não seja possível por impedimento não imputável ao próprio, desde que devidamente comprovado, nos termos da lei será considerado todo o tempo de serviço a partir de 1 de setembro”, sublinha Sofia Ribeiro.
De acordo com a governante, “seguir-se-ão novas contratações nas próximas semanas, relativas a colocações não aceites, a horários de substituição temporária e a horários incompletos que venham a revelar-se absolutamente necessários, de acordo com as necessidades efetivamente reportadas pelos órgãos de gestão das escolas”.
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PICO QUER MELHORES LIGAÇÕES

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Empresários do Pico pedem a Bolieiro melhores ligações aéreas e marítimas nas novas OSP
O Presidente da Associação Comercial e Industrial da Ilha do Pico, remeteu uma carta ao Presidente do Governo Regional dos Açores e ao Secretário Regional dos Transportes, Turismo e Energia, relativamente ao “Modelo de Obrigações de Serviço Público de Transporte Marítimo de Passageiros e Viaturas”, defendendo melhores ligações aéreas e marítimas no triângulo.
Rui Lima diz que o novo modelo de Obrigações de Serviço Público de Transporte Marítimo de Passageiros e Viaturas, tem a sua face mais visível na eliminação da ligação marítima de viaturas e passageiros entre os três grupos do arquipélago dos Açores. Entendemos a medida, como consequência da introdução da “tarifa Açores” nas ligações aéreas, sendo essa, uma opção político/estratégica do Governo dos Açores, e da sua responsabilidade, que encaramos como uma decisão legítima, que respeitamos”.
“Alertamos contudo para a necessidade de uma eficiente resposta, na programação da SATA, para que a Ilha do Pico tenha uma resposta atempadamente eficiente, no número de lugares disponíveis, e não recorrendo, como normalmente, às listas de espera e voos extra. Situação sobremaneira penalizadora para uma eficiente programação turística e empresarial”, lê-se na missiva a que tivemos acesso. Os empresários do Pico dizem que, no que diz respeito, às ligações entre as Ilhas do Faial, Pico e São Jorge, “o transporte, quer de passageiros, quer de viaturas, entre estas três ilhas, logicamente, não sofre qualquer benefício com a “tarifa Açores”, por via aérea, uma vez que histórica, tradicional e naturalmente, a sua proximidade “obriga” a que esse transporte se faça, via marítima. Contudo, o enorme sucesso da medida (tarifa Açores), nomeadamente a enorme procura pelas ilhas do “triângulo”, não pode nem deve ser descuidada a qualidade desse serviço, a rápida e eficiente mobilidade, entre as três ilhas, sendo obrigatória a sua atualização e projeção futura, sob pena de se condicionar, futuramente, o sucesso da “tarifa Açores” nestes destinos
específicos”.
E acrescenta: “Entendemos portanto, que devem ser mantidas no Verão e essencialmente nos “picos” de procura, no mínimo, a ligação bi-diária entre estas três ilhas, bem como a criação de condições, a curto prazo, para a fixação de um barco nas Velas, que permita de forma permanente, a ligação Velas/São Roque e Madalena/Horta”.
“Como nota, julgamos elementar, que para esse objetivo ser real e eficiente, terá que se ter em conta a ligação terrestre entre São Roque e Madalena através do ajuste das OSP existentes, do transporte coletivo de passageiros na ilha do Pico (nomeadamente na Carreira do Norte). Relativamente a essa ligação permanente Velas/São Roque, bem como das duas ligações diárias, nos meses de grande procura, não conseguimos encontrar essa garantia, no documento agora a concurso”, sublinha a carta.
Rui Lima recorda que se trata de um universo de cerca de 36.000 pessoas, “em que o triângulo deixou há muito de ser a mera localização geográfica das três ilhas, mas a uma realidade, social e económica, em que a eficiente mobilidade, será crucial para o seu desenvolvimento. É do senso comum, ter a noção que para além do bem-estar da população residente e das trocas comerciais já existentes, a grande maioria dos visitantes que se deslocam a uma ilha, visita ou pretende visitar as restantes”.
E ACIP conclui: “O mar que nos separa, é o encanto das três ilhas, mas será também, obrigatoriamente, o que as tem de unir, de forma eficiente, objetiva e sem qualquer tipo de dúvida ou receio. Cabe ao Governo Regional, potenciar a mobilidade eficiente, entre estas três ilhas, algo que no documento em discussão, não vemos com uma efetiva garantia.
Mais do que concordar ou discordar com o documento, entendemos como pertinente, realizar uma chamada de atenção, incidindo em pontos que entendemos como essenciais, para o futuro do tecido empresarial da ilha do Pico e que sendo da inteira responsabilidade do Governo dos Açores, não nos demitimos de reivindicar ou apelar a uma estratégia, que será marcante na nossa vivência, nomeadamente a garantia de viagens bi diárias e a linha Velas/São Roque”.
(Diário dos Açores de 28/08/2021)
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EUA ATACAM COM DRONES O IS K

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Os Estados Unidos já começaram a retaliar contra o autoproclamado Estado islâmico.
Militares norte-americanos lançam ataque com drones contra Estado Islâmico-k no Afeganistão
RTP.PT
Militares norte-americanos lançam ataque com drones contra Estado Islâmico-k no Afeganistão

Fotógrafo vencedor do Pulitzer foi morto depois de ser deixado para trás | iPhoto Channel

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Ao contrário do que foi divulgado oficialmente, o fotojornalista, vencedor do Prêmio Pulitzer, não foi morto numa emboscada no Afeganistão.

Source: Fotógrafo vencedor do Pulitzer foi morto depois de ser deixado para trás | iPhoto Channel