ANTÓNIO BULCÃO, MEMÓRIAS DA PRAIA

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Vivo na Praia da Vitória desde 2010. Já antes, quando vivia em Angra do Heroísmo, a Praia fez parte da minha vida profissional, já que fiquei colocado em Quadro de Zona Pedagógica na Escola Secundária Vitorino Nemésio, tendo também sido advogado da Câmara Municipal durante quatro anos.
Em termos culturais, vi várias “Praias”. A Praia sem grandes infraestruturas, apenas com o Salão Teatro Praiense e pouco mais, e a Praia do Auditório do Ramo Grande e da Academia da Juventude.
Com enorme pena, depois de fixar residência no concelho, tive como certo que, culturalmente, a Praia estava muito mais pobre.
Bastantes anos antes, tinha assistido a concertos fantásticos, com o melhor que há no Mundo, quer no “Jazz-Sons de uma longa história”, quer em várias edições do Festival do Ramo Grande.
Obviamente resultou esse período áureo do regresso de Luis Gil Bettencourt, da sua enorme capacidade de produção e de realização, das amizades e contatos privilegiados que tem na área musical.
A verdade factual é que a Praia atraía gente de Angra do Heroísmo, de outras ilhas e até do continente, povoando-a de vida e de alegria, que muitas vezes durou até o sol raiar. Felizes, entre o bife ou a carne assada do Garça e o Salão Teatro Praiense, milhares de pessoas povoaram a Praia e juravam não faltar por nada ao próximo evento.
Eu próprio me envolvi nessa dinâmica saudável, escrevendo os assuntos de dois bailinhos de pandeiro para a FUP e neles representando como ator, ao lado de muitos seres humanos fantásticos, dos quais recordo o Chico do pandeiro, o Escudinho e o Eugénio Azevedo, que depois seria meu vizinho no Cabo da Praia.
Não é tão estranho, a Praia com meios mais pobres ter tido mais vida cultural? Não é triste que o velhinho Salão Teatro Praiense abarrotasse de gente e as modernas infraestruturas como o Auditório do Ramo Grande muitas vezes estejam às moscas, no caso da Academia sendo maioritariamente povoada por casamentos e batizados? É como se um Ferrari andasse mais devagar que um Fiat 600.
A situação a que a Praia chegou tem culpados. Maus gestores, gente sem visão sequer de presente quanto mais de futuro, trouxeram esta terra ao marasmo em que se encontra.
Tentei fazer a minha parte, como sempre fiz em todas as terras onde vivi. Dei concertos, participei noutros com os mais variados fins, escrevi os assuntos dos bailinhos da Vitorino, produzi “A Noite da Vitorino”. Sempre graciosamente. Haverá quem se lembre.
Mas, se daqui a oito dias, a maioria voltasse a votar no PS, que levou a Praia ao estado triste em que se encontra, teria de revisitar um poema de um grande poeta terceirense, que musiquei e canto: Marcolino Candeias, que escreveu “Mas se tenho de partir, que novo eu parta, é talvez bem melhor do que ficarem, meus pés no cais chumbados em argola, meus olhos no horizonte ao sonho a velejar”.
Os praienses têm alternativas. Mudar é urgente. Sobretudo depois do processo inqualificável que levou ao afastamento de Tibério Dinis, para dar lugar a outro em quase tudo parecido com ele. Parece brincadeira de crianças. Só que o brinquedo deles e dos seus interesses pessoais e partidários é demasiado importante para que fique calado à espera dos resultados.
Pronto, aqui fica a minha declaração. Sempre fui de dizer o que penso, sem rodeios e de forma a que toda a gente entenda.
Já ouço alguns foguetes e o coro no refrão “não farás falta nenhuma”. Só espero que seja o canto final de uma minoria.
António Bulcão
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  • Jose Afonso Xavier

    Espero bem, amigo Bulcao, que alguém tenha a ombridade de te ler antes do próximo domingo.

    Um abraço

    grande para ti

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    • 1 m

ELEIÇÕES AÇORES CUIDADO COM A CANETA

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Milhazes José is feeling crazy.

9 m
Anedota sobre as eleições parlamentares na Rússia:
“Uma senhora foi votar, entrou na cabine de voto e nunca mais de lá saía. Um membro da comissão eleitoral aproximou-se da cabine e perguntou:
– A senhora está bem?
– Eu estou bem, mas a caneta não escreve! – respondeu a cidadã.
– A caneta não escreve porque a senhora não está a preencher o quadrado certo” – respondeu o membro.
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E o Triângulo?

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E o Triângulo?
O Governo Regional fez uma festa esta semana com a vinda da British Airways, para dois meses do próximo Verão, com 18 frequências.
A operação vai custar, pelo que transpareceu, 400 mil euros aos bolsos dos contribuintes.
A pergunta do deputado liberal Nuno Barata faz todo o sentido: para quê investir no Verão, quando os próprios empresários e operadores do sector dizem que, nos Açores, o Verão está vendido por si mesmo?
Captar turistas para as nossas ilhas é uma estratégia política, mas que se faça no período da época baixa, porque continuamos com uma sazonalidade bastante acentuada.
Há hotéis em S. Miguel que se preparam para fechar, temporariamente, já em Novembro, porque o número de reservas não é suficiente para manter as unidades abertas.
Cometer os mesmos erros da governação anterior, que eram criticados pelos que agora estão no poder, revela falta de noção da realidade e de estratégia neste sector.
Mais grave ainda é quando se aposta apenas em duas ilhas: S. Miguel e Terceira.
Entra pelos olhos dentro de qualquer leigo que o pólo mais potenciador do turismo, enquanto destino forte, nos últimos tempos, é o Triângulo.
Os números estão aí para o confirmar: Faial, Pico e S. Jorge são um caso sério de crescimento quando se fala de destinos com potencialidade turística, onde é preciso gerar riqueza e desenvolvimento, até porque são nessas ilhas mais pequenas que se registam graves problemas de fixação de pessoas.
O governo anterior não quis apostar neste destino e o actual vai pelo mesmo caminho, não criando as condições de acessibilidade para que os aviões de médio e longo curso possam operar sem penalizações.
Dizer que a vinda da British Airways, apenas para S. Miguel e Terceira, vai provocar um “desenvolvimento harmonioso” no arquipélago, deve ser para as populações das outras ilhas se rirem.
O Triângulo precisa, na política, de líderes influentes, que façam ouvir a sua voz junto dos poderes que decidem estas coisas apenas para as ilhas maiores.
Se os representantes políticos dessas ilhas soubessem dar um murro na mesa quando é preciso, mesmo contra os seus partidos, talvez a coisa fiasse mais fino.
Mais de quatro décadas de Autonomia e governação própria, é triste constatar que os poderes públicos ainda pensam como no tempo dos Distritos.
Até quando?
(Osvaldo Cabral – Diário dos Açores de 19/09/2021)
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