POEMA DE 1970 DE CHRYS C

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vem correr comigo, à bi rua (junho ‑
dezº 1970)
vem correr comigo. cabelos soltos ao vento.
pernas fustigadas pelas espigas,
como um poema lançado ao fogo.
o cheiro a campo e feno.
calma na aldeia de campos povoados.
gente afanosa que semeia o que se colhe
as terras adubadas pelo suor.
as mãos calejadas pelo trabalho.
o pó a entranhar‑se
nas rugas da cara.
os dias belos, verdes e azuis, cinzentos, iguais a tantos.
os cães ao longe guardando os rebanhos.
a fome e os verdes prados.
o sol a pino, como pá ou picareta abrindo estradas,
fazendo brotar água das f(r)ontes dos lavradores.
a brisa que não corre na sombra que se escolhe
a merenda frugal comida de criança para homens feitos.
a enxada até sol‑pôr.
vidas penhoradas por frutos que não serão colhidos.
ao longe passam carros sibilantes.
por cima enormes monstros dos ares
atroam a calma, violam a aldeia. o sino assustado repica a medo.
pendurados nos fios há pardais. nas fundas há pedras.
as velhas sentadas ao sol que entra nas portas abertas.
enxameiam moscas. crianças chafurdam na lama.
cães encostados às próprias sombras
sacodem as moscas, coçam as pulgas
(em todas as elites sociais há parasitas!)
cabeças inquisidoras, dos lábios o cumprimento,
saudação oculta, comentários inconvenientes.
fica a pairar o murmúrio.
chapéus nas cabeças, mãos que se levam ao chapéu.
e nós só queríamos os verdes campos
a vontade contida de correr e saltar
a liberdade dos pássaros‑homens
feitos aves.
as noites claras e límpidas, estrelas como teto.
a terra a pulsar sob nossos corpos.
com um frémito percorrendo formas, o seu calor.
coladas as bocas, juntas as mãos
o nosso bafo entrecortado
por teto as estrelas.

SARDENHA CONTRA O TURISMO DE MASSAS ATT AÇORES, PENSEM EM COPIAR

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A ilha italiana quer reduzir o turismo massificado e proteger os seus cenários naturais. Em certos areais, até foi proibido o uso de toalha.
Sardenha proíbe e restringe o acesso às suas praias mais procuradas
NIT.PT
Sardenha proíbe e restringe o acesso às suas praias mais procuradas
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NASA Finally Proved Parallel Worlds Exist Where Laws of Physics Are Reversed! – Siamtoo

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Stephen Hawking, the brilliant astrophysicist, is no longer with us, but his legacy continues to thrive to date. The recently launched James Webb Space Telescope is highly anticipated to focus on some of these late British scientist’s intriguing theories. One of these hypotheses is the last one Stephen Hawking worked on before his death. He […]

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ATUALIDADE | “Nova aerogare da Graciosa representa importante instrumento de progresso económico e social” – Berta Cabral – Rádio Ilhéu

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A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, presidiu, esta segunda-feira, à cerimónia de assinatura do Auto de Consignação da empreitada de construção da Nova

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MALOÁS EM SANTA MARIA

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Junto das magníficas disjunções prismáticas da Ribeira do Maloás, abrilhantadas com cascata!
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Junto das magníficas disjunções prismáticas da Ribeira do Maloás, abrilhantadas com cascata!

Nesta paradisíaca ilha as ondas são quadradas e o mar parece um tabuleiro de xadrez – NiT

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Um passeio de bicicleta, uma refeição tranquila com ostras na mesa, um dia de compras e, para terminar, observar um incrível pôr do sol. É assim que pode passar um dia neste paraíso a cerca de 160 quilómetros de Nantes, em França. Com apenas 30 quilómetros de comprimento e cinco de largura, a Ilha de … Continued

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O TRAUMA DA MORADA

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//O TRAUMA DA MORADA//
Partilho abaixo um texto do Miguel Esteves Cardoso, no qual me revejo. Enquanto povo, ainda damos muita importância a questões de status que, numa análise lógica e racional, são totalmente desprovidas de sentido. E tudo começa com pequenos detalhes na própria imprensa. Esta refere-se sempre aos lisboetas como pessoas e aos outros como “populares”. Raios parta o atraso…
“Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.
Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (…)
Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para estar na Europa.
De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai considerar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.
Imagine-se o impacte de dizer “Eu sou da Margalha” (Gavião) no meio de um jantar.
Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente “E a menina de onde é?”, e a menina diz: “Eu sou da Fonte da Rata” (Espinho).
Já para não falar em “Picha”, no concelho de Pedrógão Grande e de “Rata”, em Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela.
Temos, assim, em Portugal, uma “Picha” para 11 “Ratas”. O que vale é que mesmo ao lado da “Picha”, temos a “Venda da Gaita”…
E ainda existe “Colhões”, perto de Coimbra.
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando “E onde mora, presentemente?”, Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).
É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro?
Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do “Garganta Funda”.
Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?
É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da “terra”.
Ninguém é do Porto ou de Lisboa.
Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros (“I am from the Fountain of Drink and Go Away…”).
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira.
Vai Mais um Rissol. (…)
Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi”.
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BELO CLÁSSICO

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Lindo!
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Ana Maria (Nini) Botelho Neves and 27 others
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