Os turistas podem ser muito barulhentos. Espanhóis têm a solução: ecoesplanadas – ZAP Notícias

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Valência começou a testar “ecoesplanadas” para combater o ruído do turismo em bairros saturados. Moradores não estão convencidos: “é a coisa mais vergonhosa que já vi, não duram dois dias”. O bairro de Ruzafa é um dos mais movimentados de Valência e tornou-se um alvo de ódio por parte dos espanhóis: é hoje casa do barulho e sujidade que perturbam os locais, especialmente em esplanadas e bares noturnos. A resposta da autarquia chegou finalmente, mas não passa por impor limites ao turismo. A resposta chama-se “ECOterrazas” (ou, em português, ECOesplanadas”). A iniciativa do programa Valencia Innovation Capital consiste num sistema

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TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS clara ferreira alves

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TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS
“Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.
Eu não ponho flores neste cemitério.
Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.
A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.
As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas, para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.
Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal.
Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras.
O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas.
A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum.
De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laborai, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente. “
Clara Ferreira Alves.
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/reflorestar-furnas

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Açores são uma das Regiões da Europa com melhor desempenho em emergências médicas – RTP Açores

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…doenças cardiovasculares.

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uma foto sua no seu trabalho

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“A todos os profissionais (e aposentados) do mundo do jornalismo, cinema, televisão, teatro, entretenimento e artes; Junte-se ao desafio de publicar uma foto sua no seu trabalho. Apenas uma foto ou galeria, sem descrição. O objetivo é inundar as redes sociais com a nossa profissão. Copia o texto e publica uma foto na tua página. “
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Vila Franca do Campo cria grupo de trabalho científico para valorização do ilhéu – Rádio Atlântida

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O município açoriano de Vila Franca do Campo vai criar […]

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acabem com os fogos

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【A CAUSA DAS COISAS】
INVISTAM EM EQUIPAMENTOS ADEQUADOS PARA DESTROÇAR O MATO, LIMPEM AS MATAS DO ESTADO, CERCA DE 4% LIMPEM OS BALDIOS CERCA DE 12%, CRIEM INCENTIVOS PARA QUE OS PARTICULARES OS RESTANTES 84 %, MANTENHAM AS PROPRIEDADES LIMPAS. SE AS PROPRIEDADES NÃO DÃO RESULTADO E AINDA TÊM CUSTOS ENORMES, EXURBITANTES, PARA AS MANTER LIMPAS, OBVIAMENTE QUE NA SUA MAIORIA FICAM A MATO! INVISTAM EM MEIOS AÉREOS E PONHAM A FORÇA AREA NOS COMBATES. PONHAM A MAQUINARIA PESADA DOS MILITARES, PARA RASGAR ACEIROS DE CONTENÇÃO COM 100 METROS DE LARGURA (MINIMO) NOS CUMES DOS MONTES, COM DIAGONAIS E TRANSVERSAIS DE ACORDO COM AS NORMAS E OS MANUAIS OPERACIONAIS. COLOQUEM TODOS OS MEIOS TECNOLÓGICOS DISPONÍVEIS OU INVISTAM NELES, DRONES COM CAMERAS COM SENSORES TÉRMICOS E DISPONIBILIZEM ESSA TECNOLOGIA AOS SERVIÇOS DE PROTECÇÃO CIVIL DOS MUNICÍPIOS. COLOQUEM OS MILITARES A PATRULHARM OS PONTOS MAIS NEVRALGICOS DO TERRITÓRIO FLORESTAL, DE JUNHO A SETEMBRO, POR TURNOS SEMANAIS OU COMO MELHOR ENTENDEREM, MAS COORDENEM-SE.
OS TERRORISTAS DO FOGO ANDAM À SOLTA E PARECE QUE OS GOVERNATES ANDAM DISTRAÍDOS, OU DESENTENDIDOS, OU FAZEM-SE…
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O comandante Paulo Santos considera que “o dispositivo dos bombeiros tem respondido de forma categórica” aos incêndios. No entanto, alerta: “Temos que identificar a ori…

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“OS SEGREDOS DAS SETE CIDADES” EXPOSIÇÃO DE PINTURA – RUI PAIVA

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May be an image of text that says "BACH 雷 INAUGURAÇÃO A A AGOSTO ÀS 20:15 H ATÉ 8 DE SETEMBRO DE 2025 DADI SETE DAS ိ omonon Na Sede Junta de Freguesias Masededa/antade-ere de Sete Cidades Dias úteis: gh 12h 13h 16:30h EXPOSIÇÃO RUI ΙνΑ www. www.rulpaiva.co www.ruipaiva.com rulpaiva. .com ruipai58"
“OS SEGREDOS DAS SETE CIDADES”
EXPOSIÇÃO DE PINTURA – RUI PAIVA
Inauguração da Exposição de Pintura “Os Segredos das Sete Cidades” a 8 de Agosto de 2025, pelas 20:15 h
Ocorrerá na Sede da Junta de Freguesia de Sete Cidades, Ilha de S. Miguel, Açores, logo após o lançamento do livro “As Novas Lendas das Sete Cidades”.
Rui Paiva, investigador, escritor, poeta, e artista plástico, revela nesta mostra o processo criativo das ilustrações que concebeu para o novo livro, mostrando algumas das aguarelas e desenhos não publicados na obra.
Apareçam, visitem, divulguem.
De 8 de Agosto a 8 de Setembro de 2025!
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“Horário reduzido devia ser para todas as famílias com filhos até 3 anos”

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Além de psicóloga, Filipa Maló Franco é mãe. Por isso, olha para as novas medidas propostas pelo Governo sobre direitos parentais com preocupação, nomeadamente no que à licença de amamentação diz respeito, considerando que o foco está do lado errado.

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Men Who Kept 29-Year-Old McDonald’s Burger Reveal What It Looks Like Now | ThatViralFeed

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McDonald’s is fully aware of the decades-old ‘Senior Burger’ the pair have preserved

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Associação diz que transportes são desafio para turismo nos Açores e pede planeamento – jornalacores9.pt

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A Associação Ambientalista Amigos dos Açores alerta para a necessidade de repensar o planeamento do turismo na região e aponta os transportes como o “desafio maior” para garantir a sustentabilidade do setor. “O desafio maior são os transportes porque sem os transportes não teríamos em primeiro lugar os visitantes. Depois, as opções dos transportes condicionam […]

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O PRESIDENTE DÁ MAIS VALOR À FESTA BRANCA

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Festa Branca ou Vergonha Escura ?
Hoje fui rever o telejornal da RTP Açores de ontem E vi, com os meus próprios olhos, aquilo que já se comentava nas redes sociais: mais um exemplo flagrante da arrogância e da falta de respeito do atual presidente da Câmara, Pedro Cabral.
O mais recente episódio envolve o encerramento de todos os portões do Mercado da Graça devido a obras. Uma decisão absurda, tomada sem sensibilidade nem diálogo com os comerciantes. Teria sido tão simples fechar apenas um ou dois de cada vez e deixar pelo menos uma entrada aberta, facilitando o dia a dia de quem ali trabalha. Mas não. O que se impôs foi mais uma decisão à régua e esquadro, indiferente ao impacto real nas pessoas.
Quando um cidadão ousou contestar essa medida injusta, a resposta do presidente foi um insulto à inteligência de todos: com um sorriso cínico e uma cara carregada de desprezo, desejou-lhe uma “Feliz Festa Branca”. Um gesto que diz muito sobre o homem e ainda mais sobre o estado da nossa política local.
Não é esta a postura que se espera de um autarca. E, seguramente, não é este o PSD em que me revejo. O partido onde cresci defendia valores, respeitava as pessoas, ouvia os cidadãos. O que vemos agora é um simulacro de poder, assente na vaidade e na propaganda.
Gostava, já agora, que a autarquia tornasse público quanto foi gasto na famosa Festa Branca. Transparência nunca fez mal a ninguém especialmente quando os bolsos que pagam a festa são os dos contribuintes. Se tiver coragem
Se não se consegue planear nem executar bem uma simples obra num mercado, como é que se pode pedir ao povo que confie a este homem a gestão de um concelho ?
Em outubro, temos uma escolha a fazer. E essa escolha não deve ser feita com base em promessas ou sorrisos em palco. Deve ser feita com base na memória, na verdade e na exigência. Porque a terra que herdámos dos nossos pais merece mais e nós também.
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FURNAS E TURISMO

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As voltas que o mundo dá.
Há 40 anos as Furnas só eram atractivas no mês de Agosto. Durante o resto do ano, morria-se de tédio. Agora, tudo mudou, mas as mentalidades continuam iguais.
Novas realidades implicam novas soluções.
O que as Furnas necessitam é de um grande parque de estacionamento nas zona das Pedras do Galego e de outro entre a Lagoa e o Vale. Depois um mini-bus a circular permanente entre a Lagoa, os parques de estacionamento e o Vale.
Para além disto, necessita de um ligação entre a lagoa e ao caminho para a Ribeira Quente e Povoação, para evitar que a estrada Regional passe pela freguesia. Depois dá-se um passe para quem tem casa nas Furnas e o problema está resolvido.
A Lagoa do Fogo também estava impossível, vão lá agora!
Açores: Quem vive e trabalha nas Furnas pede soluções para responder à “invasão” de turistas
jm-madeira.pt
Açores: Quem vive e trabalha nas Furnas pede soluções para responder à “invasão” de turistas
A natureza vulcânica, as iguarias gastronómicas ou a paisagem bucólica fazem das Furnas um dos locais mais visitados dos Açores, mas comerciantes e ha…
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A EXTINÇÃO DA FCT

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Com a extinção da FCT, deixamos de ter um ator que nas últimas três décadas teve um papel central, mediando a ação de governos, instituições e investigadores e possibilitou a produção de conhecimento.
[Ana Ferreira, “Público”, 2/09/2025]
……………
A história conta-se rapidamente. Fundada em 1997, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, conhecida por muitos como FCT, será agora extinta. Com esta dissolução, fragiliza-se substancialmente a ciência e o trabalho científico, apoiados nas quase três décadas de existência da FCT através do financiamento público competitivo por esta atribuído a pessoas, a projetos de investigação e inovação, a estruturas e a redes científicas. A explicação para a necessidade destes investimentos é igualmente rápida.
As pessoas que fazem investigação não vivem do ar, mas de um salário ou de uma bolsa. O trabalho de investigação precisa, entre muitas outras coisas, não só de material laboratorial e/ou computadores, mas de organizações onde se o mesmo se desenvolva. Precisa também de redes científicas mais alargadas onde se discutam projetos e resultados e se explorem potenciais caminhos futuros.
A conclusão é simples: o trabalho científico é, como a maioria dos outros trabalhos, desenvolvido por pessoas no quadro de organizações, mas, contrariamente outros trabalhos, não tem sido financiado por essas organizações, mas, na imensa maioria dos casos, pela FCT.
É claro que o financiamento sempre insuficiente, os recursos humanos escassos para tarefas crescentes e cada vez mais complexas, entre outros, conduzem a que todos os anos tenhamos um rol de críticas à FCT.
Porque os resultados dos mil concursos a que nos candidatámos estão atrasados, porque a programação é limitada, porque a avaliação, mesmo sendo feita internacionalmente, não é suficientemente transparente, porque os indicadores utilizados são desadequados, porque a burocracia é mais que muita. Enfim. Pensamos ser possível fazer mais e melhor. Queremos fazer mais e melhor.
Mas não nos enganemos. Apesar de todas as críticas, e da pertinência de muitas destas, todo o trabalho que a minha geração de investigadores e as que se seguiram desenvolveram foi possibilitado por esta estrutura e por todos os que para ela contribuíram e contribuem.
Trata-se apenas de mais um passo no aprofundamento do programa que nas últimas décadas tem vindo a submeter o setor do ensino superior e da ciência, e os seus trabalhadores, à lógica dos mercados e do lucro a todo o custo.
É por isso com preocupação extrema que nos deparamos com a notícia da extinção da FCT e da sua fusão com a Agência Nacional de Inovação na rebranded Agência de Investigação e Inovação.
A este respeito, os esclarecimentos do superministério do sector, onde a Ciência surge num lugar de entremeio entre Educação e Inovação, traduzem todo um programa: “A Agência para a Investigação e Inovação permitirá iniciar um novo ciclo integrado da investigação à inovação, com um apoio mais personalizado e eficaz a investigadores, empresas, startups e entidades do sistema científico e tecnológico nacional.”
Acrescenta-se que esta agência “facilitará a definição de prioridades transversais e integradas, evitando visões fragmentadas entre ciência ‘pura’ e inovação ‘aplicada’”.
Nada disto é novo. Trata-se apenas de mais um passo no aprofundamento do programa que nas últimas décadas tem vindo a submeter o setor do ensino superior e da ciência, e os seus trabalhadores, à lógica dos mercados e do lucro a todo o custo.
De acordo com esta cartilha, tudo o que não seja confinável a uma qualquer caixa repleta de indicadores e traduzível em valor nos mercados deverá ser descontinuado.
O superministro, sabendo das críticas que se seguirão, veio já a terreiro dizer que “protegerá” a “investigação mais básica e fundamental”, aquela que não resultando diretamente numa qualquer aplicação com valor nos mercados poderia estar em causa com esta “deriva inovadora”.
Prometem-nos umas migalhas, para que não percamos tempo a pensar no que é por demais evidente: com a extinção da FCT, deixamos de ter um ator que nas últimas três décadas desempenhou um papel central, mediando a ação de governos, instituições e investigadores, tantas vezes de costas voltadas, e que possibilitou a produção de conhecimento em todas as áreas científicas.
Basta agora, em nome da superação de “anacronismos” e da “eliminação de redundâncias”, criar o megaministério da Economia, Educação e Inovação, onde a Educação passe a mediar Economia e Inovação, e o papel da Ciência se eclipse de vez para assumir a única função que a “deriva inovadora” lhe consegue perspetivar: o suporte ao desenvolvimento económico do país.
Não deixa de ser irónico o momento escolhido para uma estocada tão forte: 31 de julho, com férias à porta. Momento em que, vezes sem conta, aguardámos e recebemos resultados de concursos da mesma FCT que agora se extingue. Momento escolhido para que, cansados de mais um ano de incertezas e embalados pela brisa marítima, não nos organizemos. Para quem tão recorrentemente convoca a “inovação”, parece pouco criativo. E só será eficaz se nós deixarmos.
[Ana Ferreira, investigadora auxiliar do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS) da Faculdade de Ciências Socais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, “ Público”, 2/09/2025]
publico.pt
A extinção da ciência
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10º COLÓQUIO BRAGANÇA 2008

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Formatando o disco rigido – Colóquio da Lusofonia Bragança – Portugal Maria Maria Zelia Borges
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