‘Cheques’ falham por IBAN incorreto? Recorde aqui como o atualizar

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Fisco não conseguiu processar 320 mil transferências do apoio extraordinário por IBAN inválido. Saiba como atualizar os dados bancários no Portal das Finanças.

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FRENTE À CORTINA DE ENGANOS [Norberto Ávila ||

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FRENTE À CORTINA DE ENGANOS
[Norberto Ávila || 1936-2022]
Conheci pessoalmente Norberto Ávila por ocasião de uma longínqua visita sua ao estabelecimento de ensino onde leciono. Até então, reconhecia-o apenas pela sua ligação à RTP, onde desempenhara funções dedicadas à atividade teatral, em Portugal. Estava longe de saber da sua qualidade enquanto dramaturgo, das suas incursões pela poesia, pelo conto, pelo romance, e mais ainda que se tratava de um açoriano, da ilha Terceira. Desde essa altura passámos a trocar correspondência, que se intensificou após a publicação de um conto seu na revista literária «Grotta», e mais ainda após o reencontro pessoal ocorrido no âmbito do «Arquipélago de Escritores», na sua edição de 2019. Dentre uma diversidade de outros assuntos, debatemos ideias sobre literatura e trocámos alguns livros, tecemos uns comentários críticos sobre estes, tendo sido eu, e em larga medida, acrescentaria, o mais beneficiado desse comutar de considerações. A sua generosidade era evidente, característica que, cada vez mais, associo aos nomes maiores da nossa literatura. Com efeito, e tomando como minhas as palavras do físico, “Quanto maior o conhecimento, menor o ego […]”.
Foi, precisamente, numa dessas trocas de mensagem que me escreveu pela primeira vez sobre o seu romance «Frente À Cortina De Enganos». Iria torná-lo público. Fiquei satisfeito, pese embora o formato encontrado pelo autor para tal publicação não me parecesse, na altura, o mais conveniente: seria a obra divulgada na página de uma rede social, capítulo a capítulo, alcançando fugazmente um ínfimo número de leitores que, por certo, não lhe prestaria a atenção devida, apanágio de grande parte da informação veiculada nestas plataformas. Nunca lhe dei conta dessa minha opinião, pensei que fazê-lo representaria uma ousadia da minha parte e, agora que já não lho posso transmitir, sinto algum constrangimento. Todavia, terão outros tido a coragem que me faltou, porque a obra chegou, pela sua própria mão, à editora Letras Lavadas, em Ponta Delgada e, aquando da morte do autor, estavam a ser preparadas as diligências finais para a sua publicação em livro. Com efeito, a professora Helena Chrystello, através da associação que ajuda a dirigir, prontificou-se a ultimar os detalhes finais da edição do romance, apresentado condignamente ao público, no Centro de Estudos Natália Correia, na Fajã de Baixo, e integrado no programa do 36.º Colóquio de Lusofonia.
A obra, dedicada a Luiz Fagundes Duarte, “como testemunho de muita admiração e amizade”, teve como ponto de partida a peça teatral «Fortunato e TV Glória», sendo que, durante a leitura, e por diversas vezes, será percetível este cruzamento entre modos literários. Não raras vezes, sentir-se-á o leitor ante a narração de trechos que muito bem poderiam ser entendidos como didascálias, ou até mesmo como os típicos apartes, tão mais usuais em texto dramático.
«Frente À Cortina De Enganos» vem confirmar, (sem que houvesse, contudo, essa imprescindibilidade) a apuradíssima competência de escrita do autor, o seu vasto conhecimento vocabular e a sua incomum capacidade para a produção do diálogo. Fruto dessa sua vocação para a redação de texto dramático, depurou esta característica ao longo dos anos, sendo, talvez a par de Paula Sousa Lima, o autor açoriano contemporâneo que mais convincentemente escreve em discurso direto. Para além da riqueza vocabular e do uso imaculado do discurso antes referido, Norberto Ávila notabiliza-se ainda pelo recurso a variadíssimas estratégias narrativas que conferem uma dinâmica bem interessante à leitura: elipses, analepses e prolepses são alguns dos mais frequentes, sendo que a troca de voz narrativa e a interpelação direta ao leitor (influenciado, porventura, pelos apartes do texto dramático) são outras das estratégias contempladas. Por outro lado, é frequente o autor tomar a posição do leitor e, a este propósito, não há como deixar de destacar o “Capítulo 7.a”, assim designado por Ávila, onde o próprio assume responsabilidade e adita explicações àquilo que o leitor poderá estar a pensar naquele momento, considerando a prestação, até então, de uma determinada personagem. O seu brilhantismo estende-se ainda aos momentos de descrição. Não sendo adepto da usança frequente do advérbio de modo e, sobretudo, do recurso fácil ao adjetivo, é notório o cuidado que imprime nas suas descrições, valendo-se de comparações significativas para atingir o seu propósito descritivo: “[…] o condutor era um jovem de vinte e poucos anos, bronzeado no rosto e nos braços, cujo cabelo, castanho alourado, se diria um cacho de tremulantes caracóis, arrancado a um painel renascentista.” Para além de tudo o mais, há um fino sentido de humor que perpassa todo o romance, ridicularizando-se abertamente grande parte da sociedade, conferindo especial ênfase àqueles “novos-ricos” que vivem de aparências, mas também o povo e o clero. Aflora-se o “chico-espertismo”, tipicamente português, assim como se coloca em evidência a corrupção, a mentira, a trafulhice.
Norberto Ávila foi claramente um grande escritor português, pelo que, em boa hora, decidiu a Imprensa Nacional-Casa da Moeda publicar, em quatro volumes, os seus textos teatrais, relevando e, sobretudo, eternizando um dos mais notáveis dramaturgos portugueses do século passado. Todavia, e embora se ressalvem os apontamentos tidos pelos responsáveis quer da revista literária «Grotta», quer dos “Colóquios da Lusofonia”, e em particular o empenho manifestado pela professora Helena Chrystello, sinto por parte dos responsáveis culturais da região um continuado e incómodo silêncio em relação à vida, mas, mormente, em relação à obra deste açoriano que o foi dos maiores.
Norberto Ávila, «Frente À Cortina De Enganos», Letras Lavadas, 2022
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Silviano Santiago, escritor pioneiro nos estudos pós-colonais

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Ensaísta, romancista, poeta e contista, Silviano Santiago, de 86 anos, vencedor do Prémio Camões 2022, é autor de cerca de 30 obras, e afirmou-se pela inovação de basear os seus estudos sobre literatura brasileira nas teorias dos estudos pós-colonais.

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prémios PEN

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PRÉMIOS PEN
A entrega dos Prémios irá realizar-se no dia 25 de outubro de 2022, pelas 18h00, na Galeria Carlos Paredes, Sociedade Portuguesa de Autores – Rua Gonçalves Crespo 62, Lisboa.
VENCEDORES:
Poesia
José Manuel de Vasconcelos, Os grandes lagos da noite, Húmus
Júri:
Victor Oliveira Mateus (Coordenador)
Ana Mafalda Leite
Ronaldo Cagiano
Ensaio
Pedro Cabral, O paradoxo do cérebro. Memória. Autismo. Identidade, Temas e Debates. Círculo de Leitores
Júri:
Pires Laranjeira (Coordenador)
Teresa Duarte Carvalho
Teresa Malafaia
Narrativa
Teresa Noronha, Tornado, Exclamação
Júri:
Miguel Serras Pereira (Coordenador)
Luís Naves
Patrícia Infante da Câmara
O Júri do Prémio da Primeira Obra dos Prémios PEN de 2022 considerou não existir, de entre as diversas obras a concurso, nenhuma que preenchesse os requisitos necessários para a atribuição deste Prémio.
Sessão aberta ao público.

pensamentos avulsos maio 2018

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Disse Charles Bukowski “algumas pessoas nunca fazem loucuras, que vidas horrorosas devem levar!” Eu já fi z loucuras, às vezes, mas o médico aconselhou “nunca se deve contrariar uma mulher, exceto se for a mulher do próximo.” Neste mundo onde todos usam máscara [ainda não havia Covid] é um privilégio ver uma alma

 

Escritor brasileiro Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022

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O anúncio foi feito pelo ministro português da Cultura, Pedro Adão e Silva.

Source: Escritor brasileiro Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022

 

Escritor brasileiro Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022
TSF.PT
Escritor brasileiro Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022
Escritor de 86 anos sucede a Paulina Chiziane na conquista do prémio literário.
You, Teresa Martins Marques, Nuno Henrique Luz and 6 others
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  • Giovanni Ricciardi

    Viva Silviano Santiago, crítico, professor, romancista!

    Parabéns

    , Silviano!

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