Arquivo da Categoria: sociedade consumidor TRIVIA INSOLITO

LOBO ANTUNES, A CHAMADA

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【António Lobo Antunes】
Liga-me daqui a vinte minutos que agora não posso falar. Não é o meu marido que ainda não chegou a casa, não são as crianças que estão lá dentro com o computador e a porta do quarto fechada, não é ninguém, estou sozinha mas não consigo falar. Não, não tem a ver contigo, por que carga de água teria a ver contigo, tem a ver comigo apenas, coisas que se passam entre eu e mim e não me apetece explicar, aliás se explicasse não entendias, o que sabem vocês das mulheres, do que se passa numa mulher, do que uma mulher pensa, do que uma mulher sente, acham que somos malucas, acham que somos diferentes, acham que somos parvas, liga-me daqui a vinte minutos, se quiseres, se te der na bolha, se te apetecer e talvez eu consiga ou talvez não consiga, sei lá, sei que agora não posso falar, a única certeza que tenho é que agora não posso falar. A ti nunca te aconteceu não poderes falar, claro, podes sempre, vocês podem sempre, vivem da boca para fora, impingem sentimentos como quem impinge electrodomésticos, exigem que a gente os compre pelo vosso preço e, francamente, o vosso preço, neste caso o teu preço, não me interessa um fósforo, experimenta dentro de vinte minutos e talvez eu torne a ser parva e te oiça e acredite em ti e compre como tenho comprado até hoje, põe a mão na consciência e repara como tenho comprado até hoje mas neste momento nem sonhes, não posso, não me apetece, não quero, deixa-me sossegada um bocadinho, não me venhas com histórias que não engulo nenhuma, preciso de pensar, de tentar entender, de tentar entender-me, não insistas que me incomoda insistires, não te tornes aborrecido, não te tornes peganhento, vou cortar a chamada, não posso falar e, se pudesse falar, não respondia o que querias, não dizia o que te apetece que eu diga, o que ordenas, sem ordenar, que eu diga, a tua maneira de dares a voltinha às coisas, de me levar à certa, de me fazeres prometer o que jurei a mim mesma não prometer, não posso falar e é tudo, sinto-me tão vulnerável, tão frágil, não me obrigues a abrir a boca, a chamar-te querido, a chamar-te amor e a ser sincera ao chamar-te querido, ao chamar-te amor, não tenho ganas de ser sincera nem de acreditar em ti nem de esquecer tudo o resto, eu querido, eu amor e tu a rires-te por dentro visto que vocês se riem sempre por dentro, vocês para os amigos
-Claro que a gaja engoliu
vocês pra os amigos
-A gaja engole sempre
e acontece que a gaja não engole agora, a gaja recusa engolir agora, acontece que a estúpida da gaja percebe tudo agora, vai à fava, larga-me da mão e vai à fava, acaba com a vozinha quente, acaba com os argumentos idiotas que a gaja não está no papo, está muito longe de estar no papo, os teus amigos
-O que sucedeu à tua palheta?
e sucedeu que a tua palheta já não vale um chavo, não vais lá com palheta, não vais lá com juras, promessas, arrependimentos, não vais lá com diminutivos, não me peças colo, não armes ao pingarelho a pedir colo, fala-he ao coração que a gaja amolece e no caso não amolece nem meia, nem é questão de amolecer, aliás, amolecer o quê, acreditei enquanto resolvi acreditar e acabou-se, não acredito mais, não faças partes gagas, não mintas, olha, para usar os vossos termos vai à merda, não ligues daqui a vinte minutos sequer, não ligues mais, se ligares não atendo, se te pendurares na campainha não abro, se falares com o meu irmão
-Eh pá põe-na mansa
mando-o às malvas num rufo, aguenta como um homenzinho e cala-te, que é feito da tua autoridade, que é feito do teu orgulho, não rastejes que me fazes dó, aguenta-te nas canetas, cresce, se aos quarenta anos não cresceste quando é que vais crescer, não cresces, continuas uma criança, vocês todos hão-de ser sempre crianças, não aprendem, estou farta, filhos já eu tenho que cheguem, maridos, fora este, dois iguais a ti que não me interessam onde param, raios vos partam a todos, não dou mais dinheiro a ganhar a psiquiatras, não vou andar por aí a tropeçar nas coisas derivado aos calmantes, apetece-me paz, entendes, sossego, entendes, nem sonhes em pendurares-te em mim, tentares enganar-me, meteres-me no bolso, não metes, já meteste, não metes, não necessito de botija de água quente à noite, não necessito de companhia para jantar fora, não necessito de entrar de braço dado seja onde for, não necessito da tua escova de dentes no copo do lavatório nem que me consertes seja o que for em casa, a gaja não engole sempre, a gaja não engoliu, a gaja nunca mais vai engolir, pelo menos de ti a gaja nunca mais vai engolir, vou desligar isto, deixá-lo no silêncio e por favor, não me inundes de mensagens, não me inundes de recados, não me faças esperas, não argumentes, não teimes, some-te, que alívio ver-te pelas costas, ouvir falar de ti como de um estranho, nem fazer ideia onde moras, espero que longe e daí tanto me faz, quero lá saber se longe ou perto, não te desejo que sejas feliz, como poderias ser feliz, és parvo, ouviste bem, és parvo, enfia isto na cabeça, és parvo de nascença e adeuzinho que agora não posso falar, ainda por cima com o meu marido a meter a chave à porta, aprende a respeitar as senhoras casadas, não lhes cries insinuações que as embaraçam, some-te, se desejares, mas só se desejares muito, muito mesmo, de coração, encontras-me amanhã no escritório a partir das dez horas.
(A chamada)
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NEM TODOS PODEM SER DOUTORES

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“What I’m about to post may shock a lot of people, but it needs to be said. Maybe not everyone needs to go to college… I work with college students. As a campus minister, it is my job. But, I would be lying if I said that every kid I work with who is dropping $25,000 or more each year, is doing a wise thing. For what? Most will come out of school owing so much money, that it will take them 20 years to pay back. Meanwhile, the kid who went to work with a plumber to learn a skill, is making a great living—debt free! See that pipe in the picture? A kid worked 7 hours putting that in my yard, a couple weeks ago. He left with $2,000 in his pocket. So, I wonder who really has things figured out: The kid coming out of college owing more than a house, or the kid who just paid cash for a house by the time he was 25. Here is my point… Not every person has to go to college. Skilled labor is nothing to be ashamed of—in fact, if you are willing to get a little dirty, many ‘blue collared’ jobs pay really well; and they are careers worthy of respect. So, even though I work with college students and want to see as many there as possible, college is not the ‘be all, end all’ that everyone says it is. If nothing else, at least be willing to have an open and honest discussion with your child—and recognize that maybe there are other options; good options, worth considering… Options that won’t put a family in serious debt!”
Credit: Craig Allison
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animal life

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Animal Life

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My daughter wants to put me in a nursing home and take my money, but I have refused – I give her everything in life, NOW I GAVE HER THE BIGGEST LESSON EVER
Dear friends, let me tell you about my daughter who has seemingly lost her mind. She thinks just because I’m 90, I should be shipped off to some nursing home like an old piece of furniture. I have my own home; I still got plenty of life left in me.
So, I told her straight up, “If you don’t want to take care of me, I’ll take care of myself. I’ve got my savings, and I’ll use them to hire a caregiver and stay right here in my own house.”
Well, that made her madder than a wet cat! Turns out she was banking on getting her hands on my money. Now she’s throwing a fit because her little plan ain’t gonna work.
It has been more than a month that she hasn’t visited or called. And she made sure to tell me to not bother her until I am ready to take my a** to a nursing home
Imagine being 90 and having just one daughter. These days I kept thinking how God never gave me a son, or another daughter. Someone who would give some love to me.
I think Anne (My daughter) takes things for granted, so instead of her calling I called and then I gave her the biggest lesson in her life.
You won’t believe what I did to her, I know it is my own daughter, but after we spoke I invited her to urgently come as there are some big developments regarding my money.
Not even the next day, the very same night she shows up, but she wasn’t ready for what was coming to her. She comes in all confident and bossy, but when she saw… Her eyes widened up and she was pale as a ghost.The Confrontation
There, in the living room, stood a lawyer and my new caregiver, Mrs. Thompson, a kind-hearted woman with a sturdy resolve. Anne’s confident smirk faded quickly as the reality of the situation hit her. She had expected to find me weak and desperate, but instead, she found me stronger than ever, standing my ground.
The lawyer began to speak, “Mrs. Anne, your mother has decided to take control of her assets and well-being. She has legally assigned her savings and property to be managed by a trust, with clear instructions that ensure her comfort and care without interference.”
Anne’s face turned red with anger. “This is absurd! You can’t do this to me, Mother!”
I looked her straight in the eye and said, “I can and I have. You wanted to throw me away and take my money. Now you’ll get nothing until I pass, and even then, it’ll be on my terms.”
The Aftermath
The shock and disbelief on Anne’s face were priceless. She tried to argue, but the lawyer calmly explained that everything was legally sound and unchangeable. Anne stormed out, slamming the door behind her.
For the first time in years, I felt a sense of peace and control over my life. Mrs. Thompson helped me to my favorite chair, and we sat down to have tea. I knew I had done the right thing. My daughter needed to learn that love and respect cannot be bought or coerced. They have to be earned and cherished.
As I sit here today, sipping my tea and watching the sunset, I am grateful for the strength I found within myself. I may be 90, but I am still capable of making my own decisions and living my life on my terms. Anne and I have found a new understanding, and my home is once again filled with love and respect.
This experience has taught me that it’s never too late to stand up for yourself, to demand the respect you deserve, and to teach those around you the true meaning of love and family.
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RIP DEP Armando Carvalheda,

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Foi há precisamente 10 anos que Armando Carvalheda, que hoje nos deixou, nos apresentou no Teatro da Luz, em Lisboa, no seu conhecido programa “Viva a música”.
O Armando Carvalheda foi sempre um grande divulgador da música portuguesa e até os açorianos conhecia (coisa rara).
Os meus sentidos pêsames à Ana Sofia Carvalheda, sua filha, e a toda a restante família.
Que descanse em paz.
Pode ser uma imagem de 7 pessoas, saxofone, violino, acordeão, trompete, coluna, clarinete e texto
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Bruno Walter Ferreira

Não tive o gosto de o conhecer pessoalmente mas sempre estive atento à sua carreira de radialista e divulgador musical e nem só..RIP Armando Carvalheda..
  • 51 minutes ago
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 Author Anthony Barcellos has died at age 72 – Sacramento, CAPortuguese American Journal

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Portuguese American author, Anthony Barcellos, has died at age 72 at the Mercy San Juan Medical Center in Sacramento, California, due to complications following a hemorrhagic stroke. Born in 1951, with roots on Terceira Island,

Source: | Community | Author Anthony Barcellos has died at age 72 – Sacramento, CAPortuguese American Journal

Morreu Manuel Cargaleiro, aos 97 anos. Presidente destaca um artista que “nunca deixou o cosmopolitismo significar desenraizamento” – Expresso

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O anúncio foi feito pelo Presidente da República numa nota de pesar “pela morte de Mestre Cargaleiro”. Na despedida, Marcelo lembra o último encontro com o artista, há semanas, em Lisboa, destacando o ceramista e pintor, “mas também desenhador, gravador e escultor” que deixa “a sua assinatura em igrejas, jardins ou estações de metro, e em inúmeras peças”

Source: Morreu Manuel Cargaleiro, aos 97 anos. Presidente destaca um artista que “nunca deixou o cosmopolitismo significar desenraizamento” – Expresso

Novos Rurais – Viver Em Portugal ·

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“COMO SE PREPARAR PARA O COLAPSO FINANCEIRO MUNDIAL” – Viva simples
1. Aprenda a plantar, não só uma horta, mas também culturas básicas (milho, mandioca, etc.) e árvores (frutíferas, nativas, lenhosas);
2. Crie uma conexão com algum terreno, seja seu ou de um parente, um projeto, uma horta comunitária, etc. Envolva-se com as pessoas que ali vivem, procurando aos poucos formas de passar mais tempo no campo do que na cidade, aprendendo a plantar, construir, tratar resíduos orgânicos e curar na natureza;
3. Desenvolva competências práticas (cozinha, carpintaria, reparação de máquinas, processamento alimentar, costura, etc.). Ensine essas habilidades aos filhos e amigos, vizinhos, vizinhas;
4. Encontre um grupo de apoio mútuo, onde as pessoas cuidem umas das outras, produzam coletivamente produtos de necessidades básicas, como produtos de higiene natural, remédios naturais, como xaropes e tinturas de ervas, processamento de alimentos, como alimentos conservados e fermentados;
5. Simplifique sua vida agora, liberando mais espaço e tempo. Descubra tudo o que você pode fazer sem dinheiro, caminhadas, exercícios, artesanato e artes corporais, convívio com entes queridos, jardinagem;
6. Afaste-se da lógica de consumir cada vez mais. Prefira produtos artesanais que durem muito tempo, de qualidade, feitos por pequenos produtores, empresas sociais e empresas económicas solidárias. Faça trocas, dê e receba presentes por valor emocional, e não por valor financeiro;
7. Troque, armazene, multiplique e divulgue sementes nativas (nativas, não geneticamente modificadas, produzidas pela agricultura popular e familiar);
8. Reconheça que a vida será muito melhor depois! Estamos apenas em transição. “Nossa criatividade é o limite do sistema”.
Isso se chama Permacultura…
Via: Carlos Alberto Tavares Ferreira 🌱💧
Founder / CEO / Carbon Zero
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Mário Abrantes · TRABALHADORES E CLASSE MÉDIA

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TRABALHADORES E CLASSE MÉDIA
Carmo Afonso, advogada e cronista do jornal nacional Público, merece uma referência particular porque é uma (um) daquelas (daqueles) jornalistas raras (raros) que resiste, apesar de saltar fora dum carreiro percorrido pela maioria seus colegas, tanta vez condicionados pela precária sobrevivência profissional, hoje transformada frequentemente em objeto de chantagem pelos donos da informação. E isto apesar da liberdade de opinião constituir um direito consagrado no país.
Mas não é só por esta prova de coragem e verticalidade profissional que Carmo Afonso me merece uma referência particular, é também pela sua interessante opinião sobre o que considera a fantasia de se pertencer à “chamada” classe média na nossa sociedade, em prejuízo manifesto da consciência de se pertencer à classe trabalhadora. A verdade é que hoje se troca com demasiada frequência o termo trabalhador ou assalariado (operário, empregado, funcionário) pelos simpáticos termos de colaborador, de empresário em nome individual, ou de distribuidor independente, e a maioria desta gente perde identidade e passa a sofrer da atração de pertencer a uma coisa fluida e indefinida, mas muito notabilizada e valorizada socialmente, chamada classe média, em lugar de ser considerada e considerar-se como parte objetiva de um dos estratos vulgarizados como mais humildes da sociedade, a classe trabalhadora.
O mérito desta verdadeira social-democrata, como ela própria se intitula (por convicção?), é o de garantir que, mais ou menos humilde, mais ou menos travestida de outras condições, mais ou menos renegada pelos seus próprios membros, a classe trabalhadora existe e continuará a existir.
“…. Se tenho de acordar cedo para ir trabalhar na segunda-feira, se não posso viver sem trabalhar ou sem ter trabalhado, se não recebo rendas, juros, lucros ou outros benefícios empresariais para viver, então sou da classe trabalhadora…”. Tal é a condição da esmagadora maioria dos portugueses que, por mais que desejem outra coisa, não se transformam só por isso em burgueses ou membros da chamada classe média, assim instituída afinal para conveniência de uma minoria de ricos atualmente bem instalada do ponto de vista político-económico e com manifestas intenções de continuar assim…
65% dos jovens portugueses com menos de 30 anos recebe menos de mil euros por mês e trabalha em condições precárias. Só a luta unida de quem trabalha e em particular dos jovens trabalhadores lhes poderá garantir um futuro diferente e melhores condições de vida, e nunca o alheamento da sua condição laboral ou a entrega do seu voto às direitas, mais radicais ou não.
A vontade de pertencer à classe média como afirma Carmo Afonso, ou a ausência de consciência de classe, da parte de quem trabalha e especialmente da juventude, não ajuda de forma nenhuma à melhoria das suas condições de vida e de trabalho, ou dos portugueses em geral e dos açorianos em particular.
As lutas sindicais e laborais e a defesa política e social de quem trabalha, podem estar fora de moda, mas, antes mais cedo que tarde, elas são e serão sempre a condição e a arma coletiva mais adequadas à efetiva subida dos rendimentos e qualidade de vida dos trabalhadores, isto é, da esmagadora maioria da população.
E os tempos mostram-nos que, mesmo fora de moda, há sempre quem insista no uso de uma tal arma coletiva. Só quem não luta nunca ganha, e essas corajosas ações continuam ainda assim bem presentes no nosso quotidiano, também para que, pelo exemplo, frutifiquem e se reproduzam…
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Ana Galvao, Elsa Cardoso Vicente and 24 others

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