Afinal, o famoso monstro do lago Ness era apenas o pénis de uma baleia – NiT

Views: 3

Segundo a lenda, num famoso lago escocês vive uma criatura marinha com um pescoço gigante. O protagonismo dessa criatura mítica é tal que muitos já a apelidaram carinhosamente de Nessie. Porém, ainda ninguém conseguiu perceber o que vive realmente nas águas profundas do lago Ness, na Escócia. O novo palpite é que se trata do … Continued

Source: Afinal, o famoso monstro do lago Ness era apenas o pénis de uma baleia – NiT

Estudo resolve enigma da durabilidade do cimento dos antigos romanos

Views: 2

Uma equipa de investigadores resolveu o mistério da durabilidade do cimento utilizado pelos romanos, da qual o Panteão de Roma é prova, e a descoberta pode contribuir para a redução do impacto ambiental da produção de betão.

Source: Estudo resolve enigma da durabilidade do cimento dos antigos romanos

A promessa que deu origem a uma das mais belas (e misteriosas) capelas de Portugal – NiT

Views: 1

Misteriosa e sombria, alegre e resplandecente. A pequena ermida açoriana veste-se conforme o tempo que a rodeia, a poucos metros das águas da famosa Lagoa das Furnas, nos Açores. É, desde 1886, um dos tesouros da ilha, neste caso um feito pela mão humana. No seu interior está precisamente sepultado o homem que em 1854 … Continued

Source: A promessa que deu origem a uma das mais belas (e misteriosas) capelas de Portugal – NiT

ABADE DE BAÇAL

Views: 1

Francisco Manuel Alves, conhecido ‘urbi et orbi’ como Abade de Baçal, além de ser um sábio de enorme erudição, era um trasmontano de corpo inteiro, devotado aos valores de Trás-os-Montes, e fez da sua obra-mestra, as celebradas “Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança”, uma tribuna de defesa e propaganda desses valores, como acontece no decantado volume IX (acaso o mais lido e citado, porque trata da etnografia bragançana, assunto que tem sempre os seus incondicionais). Essa defesa e essa propaganda surge às vezes de forma inesperada e até aparentemente deslocada, mas é sempre enérgica e apaixonada.
É o caso do fervor com louva… o porco. No capítulo que dedica à Páscoa, aparece, naturalmente e com toda a justiça, uma alusão ao folar. Mas, às duas por três, já está a falar de outros petiscos (as alheiras, que em Bragança também se chamam tabafeias, e as trutas dos rios Tuela e Baceiro) e logo, num salto imprevisto, aí o temos a gabar o leitão assado, que naquelas terras tinha então (julgo que já não tem) o curioso nome de torradeiro. E ei-lo a exortar os seus conterrâneos ao consumo do leitão assado: «Bragançanos! Não esqueçais o torradeiro, regado com os vinhos regionais, celebrizados na lenda popular pelo bom vinho dos Alvaredos, Arcas, Nozelos e Vilarinho de Agrochão.»
Anteriormente tinha esclarecido, com conhecimento de causa próprio de um ‘connoisseur’, que o leitão, «para estar em condições deve regular por trinta dias de idade – leitão de mês e cabrito de três – como reza a culinária local» (palavras suas). E lamenta: «Infelizmente a moda vai abastardando alguns derrancados de gosto, que tentam substituir-lhe o desensabido peru. Que tristeza! Que dor de alma! E não reparam que assim nos desregionalizamos, caindo na chata vulgaridade do anonimato equivalente da não existência, por falta de qualidades típicas características!…»
Do leitão passa ao porco adulto, em abono de cuja excelência culinária cita um provérbio que ainda se ouve em terras trasmontanas: Das carnes, o carneiro; das aves, a perdiz e, sobretudo, a codorniz; mas, se o porco voara, não havia carne que lhe chegara.
Eu não sou, nem de longe, um gastrónomo. Como cada vez menos e quase todas as carnes e peixes me dão fastio. Mas confesso que um bom leitão assado, um vez por outra, lá quando el-rei faz anos, me sabe bem — embora me cause alguma impressão aquilo que o nosso Abade diz com toda a naturalidade: que «para estar em condições, o leitão deve regular por trinta dias de idade». É mais uma das velhas contradições de que o homem não há meio de se libertar: coitadinhos dos porquinhos, tão novinhos — mas tão saborosos…
Tudo isto me lembra irresistivelmente o poema de Sophia: «As pessoas sensíveis não são capazes / De matar galinhas / Porém são capazes / De comer galinhas.»
Termino aqui esta crónica. Por pudor.
May be art of 1 person and sitting
You, Jose Gomez Bulhao, Domingos da Mota and 146 others
33 comments
13 shares
Like

Comment
Share
33 comments
View previous comments
Most relevant

  • Jorge Marrão

    Que petisco! Continue a petiscar.
    Próspero 2023.
    • Like

    • Reply
    • 8 m

1947 kon tiki

Views: 0

A EXPEDIÇÃO DA KON-TIKI começou em 1947
Esta expedição significou uma viagem ao desconhecido. A bordo, apenas um homem tinha alguns conhecimentos sobre navegação e nenhum sabia como manobrar uma enorme jangada de madeira em alto mar. A jangada tinha um desenho desconhecido nunca antes testado e muitos especialistas marítimos asseguraram que se desmantelaria em duas semanas. Se isto acontecesse, não haveria salvação possível para os membros da tripulação.
Mas a jangada manteve-se firme ao cabo das duas semanas e, durante esse tempo, os homens aprenderam a manobrá-la. Todos os membros da tripulação que acompanharam Thor Heyerdhal eram homens com enorme capacidade de adaptação, coragem, engenho e força física.
Depois de 101 dias no alto mar, a Kon-Tiki chegou às margens do recife Raroria, na Polinésia Francesa.
A expedição tinha sido um êxito e mudava para sempre a ideia que a ciência tinha até então sobre as primeiras viagens por mar.
O explorador e cientista norueguês THOR HEYERDAHL morreu em 2002 com 88 anos. O seu nome é conhecido universalmente. Depois desta expedição escreveu um livro “A Expedição Kon-Tiki,” publicado em mais de 60 países e que vendeu mais de 25 milhões de exemplares.
Eu li este livro quando tinha, talvez, 13, 14 anos, mas nunca pensei ver de perto, tocar e sentir a verdadeira jangada que está exposta no museu – Kon-Tiki Museet – em Oslo, entre muitas outras peças, fotografias e História.
A minha visita a este museu veio a acontecer em 2017. Lembrava-me ainda, ao ver certas peças, de frases inteiras desse livro que tinha lido em criança.
Nas fotografias THOR HEYERDAHL e um dos meus livros sobre a Expedição. Tenho vários, mas de momento, só consegui encontrar este
13
3 comments
Like

Comment
3 comments
  • Maria Jorgete Teixeira

    Fascinam-me estas aventuras.
    • Active
      Cristina Carvalho

      Maria Jorgete Teixeira Tem de ir ao museu que é, absolutamente, extraordinário. E do outro lado da estrada está um outro museu ainda mais emocionante, o Fran Museet, considerado o melhor museu da Noruega. Conta toda a expedição e aventura Polar do explorador Roald Amundsen, um dos meus heróis.
      • Like

      • Reply
      • 7 m
      • Edited
  • José Cipriano Catarino

    Li e encantei-me com o livro na minha mocidade, aí por 1968.

a açorianidade tem coisas tramadas

Views: 1

No photo description available.

Jose Avila is with Francisco Maduro-Dias and

38 others

.

15 h

Leiam devagarinho para não se engasgarem.
E mais não digo…

O FUTURO NAS COLÓNIAS

Views: 2

TóZé Almeida shared a post.

Moderator

O regime colonialista continua.
O futuro de Portugal, agora, está no Nar dis Açores.
May be an image of text that says "LMANAQUE LELLO O FUTURO noRBo domínlo colonial ESTÁ ALMANAQUE LELLO DE PORTUGÃL NAS Armando colóniag SUAS COLÓNIAS densidade ueza d população, que uma superfície comercial toneladas, atingiu, igo, cêrca que consiste 400 rodução 1.000 km.', ocupa exploração arroz rendas, sendo principalmence ma esândalo Bombaim Mo- Colónia de Timor, Oceania, com"

Jose Avila is with Francisco Maduro-Dias and

5 others

.

Para quem gosta de ler coisas antigas.
In Almanaque Lello 1929

You and 1 other

Iconic Photos That Show History in a Completely Different Light

Views: 0

Historical photos are a way of bringing a single vision to the larger world. Sometimes it only takes one photo to open people’s eyes about the world around them, evoking curiosity about the incredible place we all live in.

Source: Iconic Photos That Show History in a Completely Different Light

40+ Fatos sobre a Grécia Antiga que podem surpreender até um professor de história

Views: 2

Fatos surpreendentes sobre a Grécia antiga A Grécia Antiga é considerada uma das civilizações mais antigas do mundo. A antiga civilização grega é um tesouro de fatos super legais, factóides surpreendentes e informações incríveis que podem confundir até os professores de história mais convictos. Aqui estão alguns fatos que podem nos levar de volta à […]

Source: 40+ Fatos sobre a Grécia Antiga que podem surpreender até um professor de história

40+ Facts About Ancient Greece That Might Even Surprise a History Professor

Views: 0

From the unique way of life to its long, fascinating history, read all about the surprising things you didn’t know about ancient Greece.

Source: 40+ Facts About Ancient Greece That Might Even Surprise a History Professor

nada mudou desde a CARTA DE BRUGES 1426

Views: 4

A famosa carta de Bruges, escrita pelo infante D. Pedro ao seu irmão D. Duarte, em 1426, devia ser dada nas escolas.
É um documento notável sobre os problemas de Portugal e dos portugueses. É quase um programa de governo, extenso, minucioso e certeiro, de uma visão extraordinária, com muita actualidade, em que o infante das Sete Partidas dá conselhos ao futuro rei sobre tudo. Há 600 anos!
Deixo-vos algumas frases. É tão difícil de escolher, mas aqui têm um apanhado. Leiam, vale a pena!
IGREJA
“Há excesso de prelados com escassa preparação, e em quem a vocação é ausente. Clérigos sem cultura, em quem floresce a preguiça e a gula(…).
Quanto aos bispos, entendo que é nefasto o hábito de serem nomeados sem que se acautele que são homens livres de escândalos.”
ESTUDOS SUPERIORES
“Saliento a importância da educação de todos os que dão mostras de aptidão e inteligência, e não apenas dos filhos dos privilegiados(…) Ricos e pobres devem conviver durante a vida de estudos, em igualdade de tratamento. Defendo a criação de dotações para os estudantes sem recursos.”
IMPOSTOS E POVOAMENTO
“A força reside, em parte, na população. É preciso evitar o despovoamento dos campos e diminuir os tributos que pesam sobre o povo.”
JUSTIÇA.
“A justiça parece só existir em Portugal na cabeça do rei e do seu herdeiro; e dá ideia de que lá não sai, porque, se assim não fosse, aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada um aquilo que lhe é devido e deve dar-lho sem delongas(…). O grande mal está na lentidão da justiça”
DEFEITOS DOS PORTUGUESES
“Dos muitos vícios que encontro no nosso povo, falar-vos-ei do gosto pela ostentação vazia, que leva a que todos queiram viver na corte, enjeitando as nobres profissões de seus pais, para se verem afidalgados, entregues ao ócio e ao dinheiro fácil. Enche-se de ociosos a corte e os lugares que deveriam administrar o reino. Vejo nesta situação uma das causas do atraso de Portugal, onde não se cumpre a lei nem se resolvem os entraves.
8
3 comments
Like

Comment
3 comments

EXTERMÍNIO DOS GOYTACAZES

Views: 29

GOITACÁS OU GOYTACAZES, UMA DAS MAIS TEMIDAS TRIBOS DO BRASIL
Goitacás (ou Goytacazes, daí o nome da cidade de Campos dos Goytacazes) pode ser compreendido como “grande nadador” ou “grande caçador”. Essa tribo se tornou famosa pela extrema agressividade e por refutar qualquer tentativa de contato ou comércio com os portugueses e quando o faziam, não mantinham contato direto com os colonizadores, deixavam os produtos em um local, ficando à distância observando as trocas.
A maioria dos goytacazes era agressiva, arredia e também eram exímios caçadores e guerreiros caçando tubarões somente com as mãos. Ocupando a região entre o norte do estado do Rio de Janeiro e o sul do Espírito Santo, os Goitacás eram robustos e altos, com pele mais clara que os outros índios, mantinham os cabelos compridos como forma de parecerem maiores aos adversários. Um dos hábitos que assustaram os colonizadores portugueses é que eles comiam carne humana em suas refeições, despelando os adversários e consumindo suas carnes ainda cruas, guardando o restante por vários dias.
O rito de passagem dos jovens para a idade adulta, segundo o Frei Vicente de Salvador, era macabro: o novo guerreiro deveria mergulhar no mar em busca de um tubarão, devendo retornar com as entranhas do bicho e com os seus dentes que seriam usados para os colares símbolo de sua masculinidade.
As tropas e instalações portuguesas sofreram dezenas de ataques dos goitacás e até as outras nações indígenas se negavam a lutar contra esta etnia, tamanha a sua ferocidade. Com medo de serem expulsos da região onde hoje fica a cidade de Campos de Goytacazes, os portugueses iniciaram o que deve ser provavelmente a primeira guerra biológica da Historia do Brasil: Juntaram roupas de pessoas mortas pela varíola e deixaram nas proximidades das aldeias dos goitacás. Quando os índios recolheram e manusearam essas peças contraíram varíola, que logo espalhariam para toda a sua população.
Foram exterminados 12 mil índios em baixíssimo espaço de tempo. FONTE: FREIRE, José Ribamar Bessa & MALHEIROS, Márcia Fernanda. Aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2010. Quer conhecer a História do Brasil de forma rápida, objetiva, didática e bem ilustrada? Disponibilizamos o curso completo e gratuito de História do Brasil do período pré-colombiano aos dias atuais: São 15 vídeos ao todo. Confira o primeiro da playlist: [https://www.youtube.com/watch?v=2jh67KYXKIc](https://www.youtube.com/watch?v=2jh67KYXKIc…)…
May be an illustration of one or more people
Like

Comment
Share
0 comments

DEVOLVER ARTE E REESCREVER HISTÓRIA

Views: 3

António Barreto
DEVOLVER E REESCREVER A HISTÓRIA
“Há vários anos que se discute o tema da devolução de bens patrimoniais aos países de origem. Muito se disse, muito se discutiu. Ainda nos lembramos de Melina Mercouri, ministra grega da Cultura, que, há mais de 30 anos, exigiu a devolução dos mármores ditos Elgin, com origem no Pártenon e levados para Londres há mais de dois séculos.
De vez em quando, um “activista” africano ou europeu, um ministro mais atrevido ou até um presidente mais decidido (Macron, por exemplo) voltam a levantar o problema. Assim pretendem dar nas vistas, seduzir governos africanos, dar contrapartidas para negócios de matérias-primas ou mesmo contribuir para o que entendem ser as novas relações de cooperação. Estamos agora num desses momentos em que políticos e activistas decidiram renovar a polémica.
Mais: já houve vários museus, públicos ou privados, europeus ou americanos, que decidiram devolver umas peças com origens mais controversas ou mesmo escandalosas. Em Portugal, a polémica chegou tarde, mas chegou. Ou antes, está a chegar. O ministro da Cultura, Adão e Silva, referiu-se ao problema. Ainda há poucas reacções públicas, mas já conhecemos o ponto de vista crítico e muito certeiro de um conhecedor destes problemas, o historiador João Pedro Marques (Observador de 7 de Dezembro).
Ao tornar públicas as suas intenções de estudar a questão da eventual restituição, o ministro da Cultura acertou. Esteve bem igualmente ao garantir que qualquer decisão seria precedida de investigação cuidadosa sobre a origem e o modo de aquisição desses bens. Também não esteve mal ao iniciar o envolvimento oficial neste processo que está na moda há dezenas de anos.
O ministro errou ao anunciar, não que mandava estudar, sem preconceitos, mas que iria analisar o problema tendo em vista a devolução. Quer isto dizer que a intenção está manifesta e que já se está a preconceber as conclusões. Pior ainda, que se está a condicionar os “investigadores”. O ministro não pretende apenas conhecer a situação, quer restituir e devolver, só que não sabe o quê, a quem e como.
Esteve mal ainda quando veio a público anunciar que não haveria debate prévio ou simultâneo. Não faz sentido, em democracia, que um assunto de interesse geral, público, nacional e cultural, não seja livremente debatido na praça pública.
O ministro da Cultura errou ao garantir que a missão seria reservada, séria e discreta. Não disse a palavra “confidencial”, mas deixou bem claro que era disso que se tratava. Enganou-se absolutamente ao afirmar que o debate sobre uma matéria como esta, por ser polémico e delicado, deveria ser precedido de estudos reservados. Ora, tudo leva a crer que é exactamente o contrário: por ser controverso e difícil, o problema deve ser objecto de discussão aberta e ampla, para a qual toda a gente possa contribuir, sejam académicos, activistas, coleccionadores, comerciantes, profissionais e amadores. O assunto interessa não só a pessoas com ligações directas aos bens, mas a qualquer pessoa preocupada com a cultura, a identidade, a política e as relações internacionais.
O ministro da Cultura foi desastrado ao dar a entender que o Estado deverá ter uma visão de conjunto, que é como quem diz um plano de restituição, antes de ouvir toda a gente interessada e de conhecer as opiniões fundamentadas. O ministro mostrou a intenção de devolver bens patrimoniais às antigas colónias, como se não houvesse bens de outros países, adquiridos noutras comunidades, de outros Estados ou através de intermediários de países independentes.
É possível, provável mesmo, que se tenham cometido roubos e actos violentos para obter objectos de arte. É certo que alguns desses bens foram objecto de massacres, assassinatos e saques (no Benim, por exemplo). Mas também é certo que tal se fez em todos os tempos, em todos os países, em todos os continentes e relativamente a toda a espécie de bens. Como é verdade que alguns países foram autores desses actos (Portugal, por exemplo), ou vítimas (Portugal, por exemplo), ou intermediários (Portugal, por exemplo). Como ainda é certo que muitos desses bens vieram de países já independentes, colonizados ou não. Quer dizer: saqueados, roubados, oferecidos ou comprados. Que fazer com esta variedade de situações?
Como agir com os bens em mãos privadas, adquiridos no mercado ou recebidos em herança? Deverá fazer-se uma lista de pessoas? Um exame às casas privadas? Uma exigência de declaração? Só os bens públicos é que serão objecto de investigação e eventual devolução? E os bens privados, tão ou mais valiosos?
De que bens e de que culturas estamos realmente a falar? África, Ásia, América Latina, Pérsia, Índia, Egipto… E os bens com origem em Portugal? E os bens portugueses em mãos europeias? Que fazer com bens transaccionados dezenas de vezes entre europeus, asiáticos e africanos? Que fazer com milhares de bens, muitos de grande valor e raridade, transaccionados todos os anos nos mercados e nos leilões de todo o mundo, com origem em países africanos e asiáticos já independentes? E se os vendedores são comerciantes conhecidos?
Não custa imaginar que, caso a caso, um país ou uma instituição decida devolver um bem a um outro Estado. Sobretudo se pensarmos, por exemplo, em bens que fazem parte do meio construído, como sejam pirâmides, esculturas, baixos-relevos, obeliscos, edifícios, muralhas e outros bens “pesados” que foram literalmente arrancados. É também admissível que certos saques tenham sido particularmente ilegítimos e violentos. Há casos conhecidos que poderiam ser analisados com o espírito aberto. Há ainda lugar para devolução de bens reclamados por legítimos proprietários. Mas, proceder a uma lavagem da história e a uma reescrita da mesma é do domínio do mais baixo oportunismo.
Até a ideia de inventário deve ser eliminada. De que estaríamos a falar? De elenco público e privado? Feito por quem e com que poderes? E o património português que ficou em África? E os bens de portugueses apropriados por africanos? E o património português que se encontra em países europeus? E o património africano em mãos de portugueses de origem africana? E o património chinês, tailandês, indonésio, colombiano, mexicano, persa, egípcio e árabe vindo de países que nunca foram colónias portuguesas? A mera ideia de inventário pressupõe logo roubo, ilicitude, apropriação indevida, desconfiança e suspeita. Ora, não se pode só suspeitar de uns e não de outros. Não se pode suspeitar de brancos e não de negros, nem de mestiços, chineses, indianos ou árabes.”
May be an image of 1 person and text
Angelo Ferreira and 3 others
2 comments
Like

Comment
Share
2 comments
  • Joao Paulo Esperanca

    Escrevi isto há dois anos e tal, e continuo a pensar o mesmo:
    《O “jogo das devoluções” é um campo minado em que não se sabe bem quem serão os jogadores. Se os portugueses de há séculos tiverem trocado um presunto por um artefacto qualquer bonito dos khoi ou san e agora o Livre decidir devolvê-lo, vai entregá-lo a quem? Aos bantus que dominam muitos países africanos e cujos antepessados desalojaram os khoi e san? Quem são os herdeiros dos impérios africanos do passado? Os descendentes dos imperialistas africanos? Os descendentes dos povos dominados por esses impérios? A Namíbia parece considerar que o padrão que os portugueses lá deixaram agora é deles, o que não tem nada de errado – mas os museus portugueses estão impedidos de usar a mesma lógica da Namíbia?
    Há uns séculos atrás os governantes de Padjadjaran, um reino em Java Ocidental, fizeram um pacto com os navegadores portugueses para terem apoio de Portugal contra os invasores muçulmanos que os ameaçavam. Na época as coisas eram mais lentas e quando chegaram as naus com os reforços, Padjadjaran já tinha sido conquistado. Agora vamos imaginar, para ilustrar um ponto, que em Padjadjaran existiam duas espadas muito preciosas e que uma tivesse sido oferecida numa troca ritual ao capitão dos portugueses na altura do pacto, e que mais tarde essa acabasse num museu de Lisboa. A outra espada imaginária tinha sido roubada por um reino invasor vizinho. Por que lógica mefistotélica é que a espada roubada podia permanecer onde estivesse (quer os reinos vizinhos quer Bogor fazem agora parte da Indonésia) e a espada oferecida teria que ser “devolvida”?》
    6

    Francisco Ly replied
    1 reply
    9 h

CAIS DO SODRÉ INUNDADO 1945 E OUTRAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Views: 0

May be a black-and-white image of 10 people, people standing, people walking and street
OUTRAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
May be an image of 2 people, car, body of water and text that says ""Alterações climáticas" em Lisboa em: 1961 -1967 1983 -2007 Cheias de Abril de 1961 CELEIRO 0 POVO Lisboa 1967"
Like

 

Comment
Share
0 comments

 

Inundações no Cais do Sodré
Transporte de passageiros para a estação do Cais do Sodré
Cheias de 18-11-1945
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente