A República Islâmica do Irão 2.0 está a chegar. Não vai ser bonito – ZAP Notícias

Views: 10

A vitória táctica de Trump pode transformar-se numa guerra sem fim. E se há uma lição que os Estados Unidos e Israel deviam ter aprendido nas últimas décadas, é a de que o sucesso militar raramente se traduz em vitória política — em Gaza, no Afeganistão ou, agora, no Irão. O adversário volta sempre. Talvez a resposta à pergunta instintiva “Então, como é que isto acaba?”, no caso do Irão, seja simples: não acaba. Pelo menos, não durante muito tempo, escreve David Ignatius, colunista do The Washington Post, num artigo publicado no Foreign Policy. Provavelmente assistiremos a algum tipo de

Source: A República Islâmica do Irão 2.0 está a chegar. Não vai ser bonito – ZAP Notícias

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

Views: 8

António Justo

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL

 

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise da alma portuguesa.

 

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

…. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente…

Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu… É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado…

Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente…

O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

 

Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem…

Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas…

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração…

Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear… Tudo se encontra misturado e fraturado…

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer…

O Fim de uma Era

… E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?…

Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10824

 

 

LOBO ANTUNES MORREU, MAS VIVE NO ESPELHO DA ALMA DO PAÍS QUE DEIXOU

Neste ensaio procuro desenredar o legado de Lobo Antunes à luz da sua psicanálise à alma portuguesa

A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março de 2026, aos 83 anos. Mas a frase, assim, despida e objetiva, soa a engano, tal como mentira soa a calmaria depois de uma batalha. De facto, foi-se um homem, um médico, um escritor, mas ficou o vendaval. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente.

Nascido em Lisboa em 1942, numa família da burguesia, cedo percebeu que a literatura era uma insónia, a “insónia dos bons livros “. Mas antes das letras, veio a medicina e a guerra. Chamaram-lhe “herdeiro de Faulkner e Céline”, mas a sua verdadeira genealogia literária forjou-se no limbo, no “cu de Judas” onde esteve destacado como médico durante a Guerra Colonial em Angola, entre 1971 e 1973. Foi lá que aprendeu que a morte não tem épica e que a coragem é, muitas vezes, apenas o medo que se verga. Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Lobo Antunes mais que escrever livros, escrevia autópsias. A sua experiência em Angola não é um tema literário, é o motor de toda a sua inspiração. Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu. O diálogo com a mulher anónima, numa noite de copos, é uma catarse falhada. É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado.

Foi essa a grande fratura que Lobo Antunes denunciou: Portugal, após o 25 de Abril, tratou a descolonização como um assunto administrativo, mas nunca como um trauma coletivo (Havia politicamente muito a esconder que impedia ser-se autêntico!). Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

O que o escritor fez foi uma cirurgia ao imaginário nacional. Durante séculos, Portugal alimentou-se da nostalgia do império, do mito sebástico do “Encoberto” que um dia há de voltar para nos salvar. Mas Lobo Antunes mostra-nos D. Sebastião não como um salvador, mas como uma figura grotesca, um rei menino perdido num país que já não tem trono nem altar. Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente.

Assim, Portugal de Lobo Antunes é um país desorientado. Vive na “sombra da antiga grandeza”, como aponta o seu pensamento, mas sem saber o que fazer dessa sombra. É essa dualidade que nos torna, aos olhos dele, uma nação de melancólicos a viver da consciência da decadência agudizada pela memória do esplendor. O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

Esta frase, que lhe é atribuída, condensa toda a sua visão. Para Lobo Antunes, a identidade portuguesa constrói-se sobre um silêncio espesso. É feita de orgulho, pela gesta dos descobrimentos; de culpa, pela violência colonial; de nostalgia, pelo império perdido; e de silêncio, pela incapacidade de discutir abertamente a guerra e a descolonização e também por de forma desalmada, continuar a afirmar-se ou a distrair-se na narrativa do desassossego de esquerda e de direita.

Esse silêncio, contudo, não é um vazio, mas sim uma presença barulhenta, como ele tão magistralmente descreveu ao constatar “Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falar em mim “. E esses outros são os que ficaram para trás em África, os que regressaram sem chão, os que morreram na guerra, os que viveram a opressão da República e do Estado Novo. O Salazarismo, com a sua cartilha do “Deus, Pátria e Família”, não criou apenas obediência, mas também contenção emocional que perdura. Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem.

A ironia e o humor negro surgem, na sua obra, como a única arma possível contra essa tragédia muda. É o riso de quem já viu o pior e sabe que as palavras são frágeis. Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Compensados economicamente pelos fundos comunitários, os portugueses viram-se confrontados com uma nova forma de perda de soberania. Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas. Esta integração, se por um lado trouxe desenvolvimento, por outro aprofundou o sentimento de insignificância e de decomposição cultural que o escritor já diagnosticava.

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração. Vive na nostalgia cultural, nos manuais escolares, nas comemorações oficiais de dançarinos do poder. Vive também na culpa dos que olham para a história e veem o horror da guerra. Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

Não se pode falar de Lobo Antunes sem falar do seu estilo. A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear. Portugal é, para ele, um país de camadas geológicas expressas no substrato romano, na camada medieval, no basalto do império e no cimento bruto da modernidade europeia. Tudo se encontra misturado e fraturado. Os seus romances funcionam como consciências coletivas confusas, assombradas por fantasmas históricos que irrompem no discurso sem serem convidados.

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer.

O Fim de uma Era

Com a morte de António Lobo Antunes, Portugal perde mais do que um escritor. Portugal perde o seu mais arguto intérprete. Num tempo em que a Europa debate o racismo estrutural, a revisão da história e o lugar dos antigos impérios, a sua obra permanece como um aviso: a memória não se apaga e recalcamento não é solução.

Os móveis continuarão a estalar à noite. As vozes continuarão a sussurrar no interior do silêncio. E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?

Lobo Antunes não nos deu a resposta, mas deixou-nos o espelho. E, como nos seus livros, olhar para ele é sempre um acto de coragem, iminentemente necessário. Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros.

Lobo Antunes deixou-nos um “bom romance “, uma grande obra que nos espelha Portugal.

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10824

 

 

Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, arde após ataque com mísseis iranianos? – SIC Notícias

Views: 10

Têm circulado nas redes sociais vídeos e imagens que mostram o Burj Khalifa a arder, após ataques de mísseis iranianos. Será verdade? A SIC Verifica.

Source: Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, arde após ataque com mísseis iranianos? – SIC Notícias

OSVALDO CABRAL O COMBATE À DESINFORMAÇÃO

Views: 8

O COMBATE À DESINFORMAÇÃO
Há uma nova moda, viral, entre os jovens nas escolas, gerada por Inteligência Artificial (IA).
Com uma aplicação, de fácil acesso, os jovens conseguem transformar as colegas da turma em nudez total, narrando histórias íntimas como se fossem verdadeiras.
O fenómeno está a preocupar vários países, com destaque para Espanha, onde vários casos foram denunciados nos últimos meses.
As grandes empresas tecnológicas andam em roda livre face à passividade de muitos países, especialmente na União Europeia, onde os reguladores demoram uma eternidade, envolvidos em altas burocracias, até formalizarem regulamentos alinhados com a avalanche de desinformação que é produzida nas redes sociais.
Até agora, apenas conseguiram uma “Declaração Conjunta sobre Imagens Geradas por Inteligência Artificial”, assinada por 60 reguladores, também subscrita pela Comissão Nacional de Protecção de Dados de Portugal.
O documento chama a atenção para os riscos que o mau uso da IA representa para a privacidade e para os direitos dos titulares dos dados, recordando que a criação de imagens íntimas sem consentimento “pode constituir um crime em muitas jurisdições”.
Nalgumas escolas que tenho visitado para falar destes assuntos é notória a falta de informação entre os alunos, que fazem circular entre si um volume considerável de informação gerada por IA, a esmagadora maioria sem nenhum controlo de verificação e proveniente de muitas fontes de desinformação.
Até agora estávamos preocupados com as “cheap fakes”, as tais notícias falsas geradas através de software básico e de má qualidade, mas o que está agora a invadir o nosso dia-a-dia são as “deep fakes”, geradas por IA, com software mais sofisticado e com um grau de qualidade impressionante.
Donald Trump é um “mestre” no uso deste fenómeno, onde até se pôs a fazer habilidades com a bola de futebol, na Sala Oval, com Cristiano Ronaldo, apenas para que os menos incautos julguem que ele é tão habilidoso como o jogador português.
A desinformação é uma crença e quem a utiliza tem os seus objectivos para o apelo irracional à informação falsa, estando presente nas redes sociais, nos debates políticos, na propaganda de guerra, nas aplicações de mensagens, nos sites de notícias falsas e em quase tudo que gera informação sem regulação.
É difícil explicar o percurso psicológico e social que leva pessoas a desconfiar de verdades aceites e aderem de imediato aos “factos alternativos”, à “pós-verdade”, a teorias de conspiração e por aí fora.
Nos Açores, se não nos prepararmos para estes fenómenos, vamos criar uma sociedade inquietantemente desinformada e mal preparada socialmente.
A nossa Região precisa de criar programas com uma postura de educação e literacia nas escolas e nos média, levar os profissionais às escolas, às instituições e envolver as pessoas responsáveis no combate à desinformação.
É um trabalho de todos nós, cidadãos, jornalistas, profissionais da comunicação, professores e das instituições democráticas.
Mais de 80% dos europeus concordam que a desinformação e as notícias falsas são um problema para a democracia e 77% já consideram que isto é um problema no seu país.
Antes que seja tarde, é tempo de os responsáveis pelas instituições regionais fazerem alguma coisa para travar a desinformação.
Os jornais têm um papel redobrado neste combate, porque são o último reduto da credibilidade da informação e porque são os únicos que ainda fazem “fact-checking” (confirmação dos factos), pelo que o novo programa de apoio aos média, instituído pelo Governo dos Açores, é uma excelente iniciativa pública em defesa de uma sociedade informada e democrática.
Apesar das dificuldades na comunicação social açoriana, é preciso não desistir.
E resistir, sempre!
Osvaldo Cabral
Março 2026
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)

Doze caças F16 e 400 militares dos EUA. O que se passa na Base das Lajes?

Views: 5

A Base das Lajes registou ontem à tarde um maior movimento de aeronaves militares dos EUA. Ao todo, pela ilha Terceira terão passado 12 caças F16, 11 KC-46 Pegasus e até um cargueiro militar C-17 Globemaster III. O que se passa? Estará Trump a preparar um novo ataque ao Irão?

Source: Doze caças F16 e 400 militares dos EUA. O que se passa na Base das Lajes?

Como detetar uma pessoa estúpida com a “lei dourada da estupidez” de Carlo Cipolla

Views: 2

O economista Carlo Cipolla identificou quatro fenótipos comportamentais baseados no facto de as ações de uma pessoa beneficiarem ou prejudicarem a si mesma e aos outros: inteligente, estúpido, ingénuo e bandido. As pessoas mais perigosas são os “bandidos estúpidos”. Não chamamos estúpidas às pessoas com frequência. Ao contrário dos seus conceitos irmãos, a “parvoíce” e a “idiotice”, a estupidez não é propriamente um traço de personalidade. Claro que podemos achar alguém estúpido, mas quando usamos a palavra, tendemos a limitá-la a momentos de estupidez. Dizemos: “Bem, isso foi uma estupidez” ou “Estás a ser estúpido”. A estupidez é um lapso.

Source: Como detetar uma pessoa estúpida com a “lei dourada da estupidez” de Carlo Cipolla

no dia mundial da rádio matei saudades

Views: 10

May be an image of text that says "dia mundial da RÁDIO 13 13de de Fevereiro"

Trabalhei na Rádio Renascença no icónico Página Um de José Manuel Nunes e Adelino Gomes, e no Zip Rádio na década de 60 e inicio dos anos 70, depois em Macau, entre 1997 e 1992 tive uma experiência multifacetada na ERM, Rádio Macau, TDM que jamais esquecerei e aqui ilustro

Tudo começou em 1967. Iniciei a minha longa carreira de jornalista da forma mais casual possível ao fazer uma reportagem (a brincar, para treinar-me) do Circuito Internacional de Vila Real e da Fórmula 3. Vendi um exclusivo à Rádio Renascença e graças a isso, haveria de trabalhar para eles até sair de Portugal em 1973. A história começa de forma bem mais prosaica. Estava convidado em Vila Real pelo meu tio Nóbrega Pizarro, à data Diretor Clínico do Hospital e responsável médico pela prova. Calmamente assistíamos na bancada principal quando se deu um grande acidente com um corredor chamado Tim Cash, segundo a reminiscência que guardo do incidente. Como falava bem inglês, fui com ele para servir de intérprete. Acabei a entrevistar o acidentado, gravando tudo no gravador portátil que já me acompanhava sempre para toda a parte. Quando saí do hospital era lógico que queriam saber o que se passava (o homem salvou-se sem grandes mazelas) e ofereci a venda da entrevista em pela fita (naqueles tempos ainda não havia cassetes).

Foi a RR (Rádio Renascença) que me deu 500$00 (2,5€) pelo feito. Mais tarde, escrevi-lhes, numa clara demonstração de saber aproveitar as oportunidades, e ofereci-me para colaborar em futuras provas. A RR achou que o jovem empreendedor tinha pinta e aceitaram-me como colaborador de automobilismo para a Zona Norte. Fui trabalhar com o célebre programa Página 1 de José Manuel Nunes, com colaboradores como Joaquim Amaral Marques, Adelino Gomes, Pedro Castelo. Era o programa de rádio mais ouvido e logo à primeira tentativa, tinha entrado. Viriam a ser notáveis as coberturas que fizemos dos eventos a norte do país.

Curiosamente, uma das notícias mais importantes que transmiti foi, por mero acaso, a da morte de Otis Redding, num desastre de aviação (10 de dezembro de 1967). Isto porque não se usavam frequentemente telexes (quem se lembra deles hoje?) e eu passava a vida a ouvir estações piratas como a Rádio Caroline, Rádio Luxemburg, onde tinham acabado de dar a notícia.

Nessa altura as notícias do mundo demoravam dias a chegar às redações dos jornais e das rádios. Não só nessa época, em plena década de 1990, enviava os despachos para a Lusa, para a Rádio Macau (TDM, RTP) e, mais tarde, para o jornal Público através de telex. Tinha de os enviar da baixa de Sydney. Chegava a Lisboa e ao jornal, provavelmente, com mais de um dia e meio de atraso. O sistema de reportagem fui-o desenvolvendo e melhorando ao longo dos tempos, sem lições de ninguém porque nunca fora feito antes. Inicialmente não me pagavam, depois começaram a pagar as despesas, gasolina, telefones e alimentação. Por fim, já tinha uma avença e pagava aos colaboradores em cada prova. Era um dos dois maiores sonhos da juventude: advogado – carreira diplomática, ou ser jornalista. Antes, aos nove anos, sonhava ser condutor de táxi para andar de carro todos os dias. Desde os 12 ou 13 anos que sonhava com essas profissões. Esta já cá cantava, da outra desistiria. Viria a não diplomaticamente acabar por dar voltas ao mundo sem ser advogado nem diplomata.

Numa primeira fase fazia a cobertura de eventos motorizados com o meu melhor amigo e piloto de competição em ralis, o Taka e ocasionalmente um primo ou um amigo juntava-se a nós. Íamos ver as classificativas cronometradas mais importantes e seguíamos em busca dum telefone para dar os tempos desse troço cronometrado. A seguir começamos a ter mais de um carro para fazer a cobertura e podíamos ter várias equipas a transmitir os dados à medida que os concorrentes iam percorrendo os vários troços. Era a verdadeira cobertura em direto e ao vivo. Já nessa época se vivia com muita intensidade a febre dos Ralis em Portugal.

Havia gente em todos os montes e serras, fosse a que hora fosse. Por mais ermo e deserto que fosse o local havia lá gente. Nos primeiros anos o que nos identificava perante os polícias era uma cartolina grossa, retangular, prensada (feita por nós) com a palavra PRESS a branco sobre fundo vermelho. Depois mandamos imprimir autocolantes com a identificação da emissora e programa. Havia um gravador portátil de cassetes e um par de auscultadores de estúdio para as entrevistas, à partida e à chegada, com uns fios esquisitos e uma ventosa que serviam para transmitir o som através do telefone. Reportagem na hora com meios improvisados e inventados por jovens como eu. Uma vida excitante para um adolescente que permitia contactar com os pilotos, organizadores, equipas de assistência, e as jovens atraídas para estes eventos. Que mais podia desejar? e ainda me pagavam para ter a voz na rádio. Foram, anos e anos sempre a correr, vividos intensamente entre ralis e treinos num velho Opel Kapitän 1958 ou num Volvo “Marreca” PV 544 de 1959, percorrendo tudo o que era estrada municipal ou caminho de cabras.

Opel Kapitän P II p Volvo “Marreca” PV544 Escort Lotus velho Estádio do Académico do Porto, numa das primeiras provas do nacional de iniciados 1971 creio que organizado pelo Vigorosa

Uma vez numa florestal, perto de Gondarém (à saída de Viana), saíra uma manada de vacas e quase que embatíamos num pelourinho. Raramente saímos da estrada. Exceção feita ao primeiro rali de iniciados que fizemos. Depois de partirmos de Santa Luzia (Viana do Castelo, de novo) embatemos fortemente contra um penedo. O motor ficou no lugar do pendura e a roda sobressalente veio para o meu lugar. O carro ficou com a frente desfeita. Eu tive leves equimoses e hematomas nas costas, devidamente tratados no hospital de Viana sem serem do conhecimento de ninguém. Tão abalado fiquei com o acidente que imaginei vir em sentido contrário, saí do carro a correr a cantarolar, sem razão aparente, “Corre Nina” do Paulo de Carvalho, para, logo a seguir, voltar ao carro e desligar o corta-corrente com medo de que deflagrasse um incêndio.

Voltando à Rádio Renascença e ao automobilismo, eu e os amigos íamos acompanhando ralis e outras provas de velocidade. As últimas, em cuja cobertura estive, foram os Circuitos de Vila Real e de Vila do Conde 1972, onde, com o Pedro Roriz, ajudara o já falecido José Fialho Gouveia na reportagem para a RTP. Ali tivéramos o, também já falecido, Adriano Cerqueira a ajudar a contar as voltas ao circuito. Sim, porque naquele tempo não se usavam computadores para contar as voltas. Havia cronómetros para calcular os tempos pois a organização não dispunha de meios para facultar tais dados durante a prova. O Adriano havia acabado de regressar de Angola onde fizera o serviço militar e estava desejoso de se meter no automobilismo. Mais tarde seria, durante décadas, a face do automobilismo na RTP e tive a oportunidade de voltar a trabalhar com ele no Circuito de Macau em 1981 e 1982.

 

Cenas a registar deste período de automobilismo para além das provas em que entrei com o amigo “Takatakata” (Ludgero Carvalho de Abreu) no seu BMC Mini 1000, num Cooper S 1300, ou no Ford Escort Cosworth Lotus 1600, existem muitas das quais irei deixar aqui estas: no Minho, na Serra da Cabreira tentei pedir a alguém que me deixasse utilizar o telefone fixo (não havia telemóveis naqueles dias), a resposta foi a de ser recebido com uma carga de tiros de caçadeira que mal nos deu tempo de correr para o carro em fuga apressada. Isso viria a dar-me a luminosa ideia de passarmos a ter telefones de campanha (telefones da tropa) instalados nas provas cronometradas (no início e fim dos troços) o que foi feito, pela primeira vez, nos ralis e provas de velocidade.

Passamos a ter um ascendente enorme sobre os restantes repórteres com o envio em tempo real dos resultados dos troços cronometrados. Foi a primeira vez, no mundo, que se procedeu assim. Ainda neste período (em 1970 ou 1971) no velho Estádio das Antas pusemos, pela primeira vez, um microfone sem fios dentro de um carro, enquanto o então campeão nacional (Francisco “Xico” Santos) dava as suas voltas à oval do estádio. Foi também a primeira vez no mundo que se utilizou um meio de transmissão radiofónica dum carro em prova, hoje banal com as câmaras de vídeo e imagem a serem colocadas em todos os pontos das pistas e nos carros. Talvez tenha sido a coisa mais inovadora que fiz em toda a vida.

 

Como penso já ter dito, comecei na rádio nos anos 60 e entrei em 1977 para a Rádio (ERM – Emissora de Radiodifusão de Macau) e isso ocupava-me mais algum do pouco tempo livre. Durante os primeiros meses escrevia, lia os noticiários e traduzia telexes (alguém se lembra do que eram?), muitas vezes em direto para poder transmitir as notícias mais recentes.

Também apresentava programas musicais após as horas de labuta na CEM. Depois, quando a RTP tomou conta da ERM e se passou a chamar Rádio 7 ou Rádio Macau (ao que hoje é apenas a TDM), os diretores acharam ser um perigo ter um francoatirador nas notícias e meteram-me a fazer programas musicais na área de produção e projetos especiais. Mal sonhavam que revolucionaria a forma como se fazia rádio. Os programas começaram a ser feitos para a faixa etária até então esquecida, dos 15 aos 25 anos, importando discos de Lisboa e da Austrália.

Depois, organizei concertos ao vivo e tardes de dança no hall de entrada da rádio, tendo conseguido que Rão Kyao estivesse lá a atuar uns meses. O sucesso era tanto que havia gritos histéricos ao passar pelo Liceu, como me recordaria (aquando do nosso reencontro no 15º colóquio em 2011) o meu jovem ajudante Ricardo Pinto que em 2011 era diretor do jornal Ponto Final e dono da Livraria Portuguesa de Macau. Os programas envolviam, pela primeira vez, a participação dos jovens ouvintes e satisfaziam os seus desejos musicais (até então totalmente arredados da estação local que transmitia música pirosa, a música pimba não fora inventada, própria de anciãos de uma qualquer aldeia, do Portugal profundo).

Antes do programa Pão com Manteiga que Carlos Cruz celebrizaria no continente português, inventei o meu programa, altamente controverso, “O Whisky e a Cola” com uma introdução de Bette Midler no filme “The Rose” e o separador musical do louco Alice Cooper “We are all crazy”. Era um programa de rock, reggae e de sátira. Pela primeira vez o reggae chegava ao Oriente. Um dia descobrimos que uma estação de Hong Kong nos gravava a música que passava pela idêntica ordem, pelo que nunca mais deixamos terminar nenhuma composição sem que a adulterássemos com falas a fim de evitar o plágio de reprodução. A sátira dirigia-se a assuntos de governação e de corrupção, sendo dados cognomes a personagens do governo e fazendo – sobre eles e elas – histórias interessantes. Os mais velhos e mais críticos da governação ouviam o programa às escondidas e enviavam mensagens (não havia SMS nem telemóveis) para que ninguém soubesse que ouviam.

Muitas foram as “charges” e piadas sobre a governação contornando a difícil área da sobrevivência. Para notícias mais importantes havia outro subterfúgio. Com efeito, desde que chegara, fizera amizade com os jornalistas Nick Griffin da HK TVB e do Ian Whiteley da ATV e usava-os sempre que precisava de mandar notícias sensíveis para fora de Macau. Ainda hoje guardo religiosamente uma declaração de trabalho como correspondente da Hong Kong TVB nesse período.

Um certo dia, fui a Hong Kong. Ao regressar nessa noite ao programa, improvisei sobre o nacionalismo das gentes de Macau que encontrei a fazer compras na vizinha colónia, falei dos passeios largos, de calçadas à portuguesa, e de outras coisas, quando o então Secretário do Governador (Gonçalo César de Sá, mais tarde, seria meu chefe e diretor da Lusa no Pacífico com sede no Japão) me telefona aflito por suspeitar que eu descobrira uma das maroscas das Obras Públicas.

Ele entendera, na minha sátira que eu tinha descoberto que os projetos aprovados pelas Obras Públicas aceitavam os prédios com uma determinada cércea, mas depois os donos das obras e os fiscais ganhavam milhões quando prolongavam a cércea, a partir do primeiro andar até ao limite exterior do passeio…ora bem, isto em prédios de 15 andares ou mais, ao preço do metro cúbico em Macau, era uma verdadeira mina de ouro que iriam cobrar a mais aos potenciais compradores.

Esta a história inventada que – afinal – era real…

Todos suspeitavam e insinuavam que eu estava por detrás das notícias, mas ninguém o podia provar, era óbvio que depois de aqueles dois estarem em Macau surgiam logo reportagens escaldantes, e como ficavam em minha casa, dois e dois facilmente somados eram quatro. Claro que sempre sustentei que ambos eram meus amigos e jornalistas e, que ficavam em minha casa, mas tinham as suas fontes locais até porque o Nick era fluente em cantonense pois vivia em Hong Kong desde bastante jovem. Assim se transmitiram muitas notícias que a censura local e o poder discricionário do governador de Macau tentavam silenciar. Tempos loucos de pouco dormir e muito trabalhar e folgar (Nota do Autor: folgar não significa fazer folgas, mas sim comprazer-se, divertir-se, tomar parte em folguedos).