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A China começou a cavar um buraco de 10km na crosta da Terra. Porquê?

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O objetivo do projeto é chegar até à camada geológica do Período Cretáceo, datada de há 145 milhões de anos.

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China prepara retaliação contra Portugal por causa da Huawei

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A China está disposta a usar a sua influência em algumas das maiores empresas portuguesas para pressionar Portugal

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STANLEY HO, A ÚLTIMA ENTREVISTA

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“Um espectáculo nunca é de um homem só”.
Uma das últimas entrevistas concedidas por Stanley Ho foi publicada no primeiro número da revista Macau Closer – publicação do grupo do jornal PONTO FINAL – em Fevereiro de 2007.
Na altura, Stanley Ho Hung-sun, então com 85 anos, enfrentava um dos maiores desafios da sua vida: a concorrência implacável daqueles que não muito tempo antes haviam transformado uma porção de deserto na capital mundial do jogo.
Algo que parecia não preocupar muito o empresário.
Obter uma entrevista com Stanley Ho pouco antes de ter adoecido irremediavelmente, em 2009, não era fácil.
O patrão da SJM mantinha ainda uma agenda diária de compromissos tão preenchida que até a maioria dos jovens teria dificuldades em cumpri-la.
Por outro lado, do ponto de vista dos administradores da empresa existiam questões demasiado delicadas para ele abordar nesta era da liberalização global, sujeita a uma supervisão rigorosa da parte das bolsas de valores, por haver um equilíbrio delicado entre várias fontes de poder e até disputas familiares sérias o suficiente para poder arruinar investimentos multimilionários.
Quando falámos com ele no seu escritório situado no 39º andar do Shun Tak Center, em Hong Kong, sabíamos com antecedência que tópicos como a então recente demissão e prisão do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas de Macau, Ao Man Long, e a longa batalha judiciária com a irmã Winnie eram assuntos excluídos deste encontro.
Outros havia também controversos e de grande actualidade, no entanto.
Como a transferência que então se defendia da Escola Portuguesa para o Porto Interior, em terreno próximo do Templo de A-Má; a pressão de Washington sobre a Coreia do Norte que punha em causa investimentos de Stanley Ho; ou ainda a alegada lentidão dos novos operadores americanos no cumprimento das suas promessas de investimento.
Eis a reprodução dessa entrevista, realizada no dia 18 de Janeiro de 2007, a escassos dias da inauguração do Grand Lisboa, por enquanto o maior investimento do grupo na era da liberalização.
– Qual o papel que o Grand Lisboa desempenhará dentro do seu grupo de empresas e entre outros hotéis-casino de Macau?
Acredito que o novo Hotel Lisboa será o melhor complexo hotel-casino de Macau.
Deverá dar uma boa imagem de Macau e, de facto, alguns jornais chineses dizem que, após a sua conclusão, deverá tornar-se num dos marcos de Macau.
– O que acontecerá ao antigo Hotel Lisboa? Muitas pessoas já o consideram pequeno, velho e fora de moda…
Sejamos honestos, ainda acredito que o Hotel Lisboa tem um grande design.
Acho que o arquitecto, que era meu familiar, fez um óptimo trabalho.
Por isso, acredito que o Hotel Lisboa deverá permanecer pelo menos por mais 25 anos.
– Por que razão considera que o Grand Lisboa se vai tornar num marco em si mesmo? Tem algo novo para oferecer?
Como pode ver, a aparência da torre do hotel assemelha-lhe à de uma flor de lótus, um símbolo que aparece na bandeira de Macau.
Tem esse simbolismo.
(O casino) Possui um pé direito muito mais alto, o que melhora a atmosfera e a forma como se desfruta o jogo.
– Entretenimento incluído? Isto é, novos espaços de entretenimento foram prometidos há alguns anos, principalmente pelos seus concorrentes americanos, mas até agora nada realmente aconteceu nessa área.
Bem, eles fizeram muitas promessas que ainda estão por cumprir.
No meu caso, quando prometi trazer mais prosperidade a Macau, em 1962, muitas pessoas disseram:
‘Stanley Ho é o maior mentiroso do mundo, está a prometer a lua, nada do que promete é verdade’.
Cedo, muitos perceberam que as minhas promessas eram para cumprir.
– Que outras promessas os operadores de casinos americanas não cumpriram?
É muito simples.
Trouxeram imensas caixas de documentos, prometeram milhares de quartos de hotel e muitas novas instalações turísticas.
Em vez disso, o Sands abriu com apenas 40 a 50 quartos.
– Mas agora têm milhares a serem finalizados no Cotai.
Sim, agora.
Mas quanto tempo depois?
Só depois de ganharem muito dinheiro!
Prometeram também parques temáticos, salas de convenções, que estão ainda por acontecer!
– A concorrência está a ser justa ou não?
Deixe-me colocar a questão desta maneira: somos a única concessionária de jogo que tem as suas raízes em Macau.
Sendo uma empresa local, todo o dinheiro que ganhamos, investimos em Macau.
Já os americanos, quando ganham dinheiro, mandam-no de volta.
Esta é a grande diferença.
Construímos o aeroporto, a ponte e muitas outras infraestruturas que estão ao serviço de Macau.
Os americanos ganham muito dinheiro e vai tudo parar a Las Vegas.
– Quando foi a sua primeira viagem a Las Vegas? E o que acha da chamada capital mundial do jogo?
Raramente vou a Las Vegas, é muito longe e não gosto de viagens longas.
Estive lá três vezes em toda a minha vida, sendo a primeira há 15 anos.
Mas mantenho-me a par do seu desenvolvimento.
Tenho que lhes dar algum crédito: transformaram um deserto numa cidade com inúmeros hotéis e salas de espectáculos.
Mas não acredito que Las Vegas possa ultrapassar Macau.
E explico porquê: a indústria do jogo de Macau tem uma história muito mais antiga do que Las Vegas.
Macau é a grande referência do jogo na região e assim permanecerá.
Não podíamos estar melhor localizados.
Estamos ao lado do Continente Chinês, de onde se projecta agora uma maior abertura para Macau, que mantém a sua condição de único lugar em toda a China onde o jogo é legal.
Por isso, não há nada que possamos fazer de errado.
Os americanos prometeram trazer muitos turistas de países estrangeiros.
Trouxeram zero!
Tudo o que estamos a receber agora são os turistas com vistos individuais que vêm da China.
Voltando à questão de ser ou não justo, basta olhar para a nova rede de ligações aos casinos, que passa primeiro pelos casinos americanos e onde o Grand Lisboa é a última paragem.
Foi muito injusto por parte das Obras Públicas.
– Depois de algum tempo a enfrentar a concorrência de Sheldon Adelson e Steve Wynn, dois gigantes da indústria do jogo, qual deles lhe parece ser o rival mais forte?
Quem é mais forte não é da minha conta, porque para mim a SJM será sempre a mais forte.
– A Escola Portuguesa ainda é um vizinho indesejado do Grand Lisboa. Como é que a sua mudança para outro local poderia ser resolvida sem atrasos significativos?
A escola deveria ter sido demolida e eu ter autorização para a reconstruir noutro lugar.
Serviços públicos uns atrás de outros, bem como alguns deputados, tentaram por diversos meios impedir-me de o fazer, o que é outra injustiça.
O Governo de Macau concordou com as nossas ideias, mas depois vieram as críticas, até com os democratas a falarem do feng shui.
Mas o que é o feng shui?
Feng shui não significa nada para mim, em toda a minha vida nunca acreditei em feng shui.
– No entanto, todos os projectos da STDM, incluindo o Grand Lisboa, são submetidos a uma análise cuidadosa por mestres do feng shui.
Não, os projectos da STDM não são submetidos a uma análise cuidadosa dos mestres do feng shui.
– Não tem nenhuma superstição?
Não, e dou um exemplo.
Nos jogos de azar, especialmente entre os chineses, a cor vermelha significa que a banca perde.
Nos meus casinos, a cor vermelha está em todo o lado.
Qual é o problema?
Para mim, isso não significa nada.
E para os jogadores também não acho que isso tenha significado.
Eles estão a recorrer a todo o tipo de desculpas; a do templo [de A-Má], por exemplo, é um absurdo.
A primeira caravela portuguesa que chegou a Macau, em 1555, refugiou-se de um tufão nesse local.
Havia uma história que dizia que Macau recebeu esse nome porque as crianças que moravam lá, surpreendidas com a chegada dos navios portugueses, começaram a gritar para as suas mães ‘Ma Cao’, ‘Ma Cao’, porque pensavam que esses estranhos eram ‘cães gigantes’.
– Faria sentido, na sua opinião, que a Escola Portuguesa se mudasse para o local onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez?
Não haveria absolutamente nada de errado se a Escola Portuguesa estivesse situada perto do Templo de A-Má.
Seria até simbólico, na minha opinião.
E outra coisa: a Escola Portuguesa nunca deveria estar perto de um casino.
Em todo o mundo, as escolas jamais ficam nas imediações de casinos.
– A liberalização do jogo trouxe desenvolvimento económico, mas também alguns grandes problemas para as pequenas e médias empresas e para os inquilinos, devido a mudanças drásticas no mercado laboral e no mercado imobiliário. Alguma ideia sobre o que poderia ser feito?
A rápida expansão de um negócio traz alguns problemas para a economia e para a sociedade.
Contamos com o Governo da RAEM para resolver esses problemas, ou pelo menos para reduzir os efeitos adversos.
– O desenvolvimento também está a mudar o perfil de Macau. O Farol da Guia, por exemplo, poderá vir a ficar escondido por alguns arranha-céus. Não tem receio que tudo isto possa prejudicar o charme e o património de Macau?
Sempre foi uma contradição, querer o desenvolvimento de uma cidade e, ao mesmo tempo, manter a sua bela herança patrimonial.
Em Macau, acho que se tem até agora conseguido encontrar um equilíbrio entre os dois.
– Sente alguma nostalgia da velha Macau?
Lembro-me particularmente dos velhos tempos em que comecei a minha actividade aqui.
É para mim um grande orgulho ter feito Macau passar de uma vila de pescadores para uma cidade moderna.
As memórias são boas, mas, ao mesmo tempo, espero também unir esforços com a população na construção de uma nova Macau.
– A STDM está entre os accionistas do Aeroporto Internacional de Macau, que está a passar por um plano muito ambicioso de expansão. Agora que deixou de ser um monopólio, ainda faz sentido que a sua empresa invista no aeroporto?
Ainda não vendi (a participação no aeroporto) porque não há compradores.
Pode indicar-me um comprador?
– Mas irá acompanhar o Governo nos grandes investimentos que serão necessários?
Vou olhar primeiro para o que fazem os americanos, antes de tomar uma decisão.
Estarão dispostos a entrar ao meu lado?
Vamos ver.
– A sua política de internacionalização parece ter Singapura como alvo mais recente…
Não, não estou interessado em Singapura, nem um pouco!
Singapura nunca chegará perto do que é Macau, tem muitas restrições e, como disse, Macau tem uma excelente localização.
– Foram publicadas notícias sobre os planos da SJM de adquirir 10% do futuro casino da Genting Highlands, em Singapura.
Não são verdadeiras, de forma alguma.
– Qual é exactamente a ideia da parceria que está a ser construída com a Genting?
Tenho algumas acções na Star Cruises e sou apenas um investidor comum da empresa, sem qualquer peso em termos de gestão.
– Um tanto surpreendentemente, os seus investimentos no exterior chegaram a levá-lo ao Irão, durante o regime de Xá Reza Pahlavi.
Abri lá uma pista de corridas de cavalos com grande sucesso; todas as noites estava cheia de iranianos.
Infelizmente, com a chegada do novo Ayatollah houve mudanças na política do governo que inviabilizaram o projecto.
– Quando a Revolução Cultural estava a causar um forte impacto em Macau, em princípios de 1967, não parecia muito inquietado com a instabilidade. Até apresentou então ao Governo português, em Lisboa, um plano para construir uma pista de corridas aqui em Macau. Porquê?
Propus a construção de uma pista de corridas de cavalos no Porto Exterior com a esperança de trazer mais turistas para Macau.
Mas a economia de Macau recuperou muito rapidamente após a (perda de intensidade da) Revolução Cultural na China, e então a proposta caiu.
Macau tem realmente muito potencial para o desenvolvimento.
E não importa se vivemos tempos de crise ou de estabilidade, não importa que existam mudanças no meio envolvente, a minha confiança em Macau nunca muda.
– Sente-se preocupado com a actual crise nuclear no Irão e também na Coreia do Norte, onde ainda tem alguns investimentos?
Na verdade, penso que os americanos têm revelado uma ultra sensibilidade.
Não acredito que irá acontecer algo de muito mau em Teerão, na Coreia do Norte ou em qualquer outro lugar.
Acredito que em todo o mundo se percebe que, depois de se fazer uso de bombas nucleares, o impacto trará consequências para todos.
Acho que ninguém, incluindo Teerão e a Coreia do Norte, irá recorrer a armas nucleares.
– Anunciou um dia que estava pronto a transportar Saddam Hussein para o exílio na Coreia do Norte, como forma de evitar uma invasão dos EUA. Não foi ouvido. O que acha agora dessa iniciativa, após a execução de Saddam e de todo o derramamento de sangue no Iraque?
Sinto-me muito triste.
E temo que, se os americanos, como já anunciaram, enviarem mais 25 mil soldados para o Iraque, o derramamento de sangue irá continuar.
A minha proposta não foi aceite, então não havia mais nada que eu pudesse fazer.
Não sou um político, só queria ajudar.
– As negociações com a Coreia do Norte pararam por causa do dinheiro congelado nas contas do Banco Delta Asia, aqui em Macau. O que pensa sobre isso?
Bem, ainda está para se ver, mas espero que desta vez os americanos concordem com alguns compromissos.
Afinal, a Coreia do Norte é um país muito pobre, o seu povo ainda sofre de fome e tudo o que realmente quer é apoio.
Se os americanos concordarem em ajudá-los, basta isso.
Acredito que os americanos deveriam aceitar.
– Já conheceu Kim Jong-il?
Não.
– Como está o seu casino em Pyongyang? Tem lucros?
Ainda está a funcionar.
Não está a dar muito dinheiro, mas a ideia era permitir que a Coreia do Norte se tornasse mais amiga do Ocidente.
E eu tenho autorização a 100% de Washington.
Fui muito cauteloso nisto.
Consultei o então cônsul-geral dos EUA em Hong Kong, que teve a gentileza de enviar o meu pedido para Washington:
‘Vamos dar-lhes uma oportunidade?’, ‘devo abrir o casino ou não?’.
Três semanas depois, a resposta chegou de Washington e o cônsul-geral disse-me: ‘Stanley Ho, pode prosseguir’.
E também recebi luz verde do Governo de Macau.
– Eram os tempos do Presidente Clinton, com quem esteve uma vez na Casa Branca. Depois veio George W. Bush e a sua retórica do Eixo do Mal. Presumo que as coisas tenham mudado muito.
Não, sou mais amigo do pai, Bush sénior.
Mas o presidente George W. Bush também tem sido muito gentil comigo, costuma enviar-me cartões de Natal.
– Quem o influenciou mais na sua vida?
O que me tem vindo a influenciar mais não é o ser humano, é o conhecimento, tal como muitas vezes lembro aos meus filhos:
‘O conhecimento é que é o teu companheiro de vida, não a riqueza’.
– Qual será o seu principal legado?
Vou deixar que a população de Macau decida.
– Como imagina a vida sem Stanley Ho?
A vida sem mim?
É claro que a empresa continuará, e tenho certeza que, dada a nossa base sólida, irá crescer com força.
Um espectáculo é composto de vários elencos, seja no palco ou nos bastidores.
Um espectáculo nunca é de um homem só.
– Tem alguém a escrever a sua biografia?
Ainda não, ainda tenho tempo.
Acho que vou viver por mais 5 ou 10 anos.
Ricardo Pinto.
Jornal Ponto Final, 27 de Maio de 2020.
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HONG KONG CLUB LUSITANO

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Club Lusitano. O ponto de encontro português em Hong Kong.
Fundado há 157 anos o Club Lusitano é um dos clubes sociais mais antigos daquele território.
O seu atual presidente, Patrick Rozario, explica a sua importância na manutenção de uma identidade ao mesmo tempo portuguesa e asiática.
Música cantada em português a sair das colunas, pastéis de bacalhau, muitos, servidos com vinhos do Dão ou do Alentejo a acompanhar as conversas, em várias línguas, às mesas ou ao balcão.
Tudo isto acontece no dia a dia de cinco andares de um edifício no centro de Hong Kong, no Club Lusitano, o local de encontro e socialização de descendentes portugueses.
É um dos mais antigos clubes sociais de Hong Kong e tem como objetivo perpetuar a identidade cultural portuguesa.
É isso que nos explica Patrick Rozario, o lusodescendente presidente do Lusitano.
Em conversa com o DN, via Zoom, sublinha a importância do clube fundado a 17 de dezembro de 1866 – dois anos depois da fundação do Diário de Notícias.
A história do clube começou quando os ingleses estabeleceram um porto em Hong Kong – maior e mais profundo do que o existente em Macau – e com os principais negócios daquela região do Oriente a sediarem-se por ali.
Isso levou a que muitas das pessoas de Macau, que falavam várias línguas, desde cantonês, português, ao patoá macaense (crioulo de Macau) inglês e francês, fossem para Hong Kong em busca de mais oportunidades.
“De mercadores, a advogados, de médicos a professores vieram para Hong Kong.
E com eles trouxeram as suas famílias”, explica Patrick Rozado.
Levou então pouco tempo a que se iniciasse a construção de escolas e igrejas católicas e, daí, um pequeno passo até à criação de um clube para a socialização dessa comunidade de portugueses e lusodescendentes.
“Há 150 anos a sociedade era muito segregada: apesar de trabalharem todos no porto, no final do dia cada um ia ter com as suas gentes com as suas nacionalidades.
Na altura não havia muita diversão, mas com a criação do Club Lusitano passou a existir um salão de baile, restaurante e até teatro”, acrescenta.
Com o passar dos anos a população cresceu, isso fez com que os membros do clube fossem “não só pessoas vindas de Macau, mas também vindas de Portugal”.
E apesar de as mulheres não poderem ser membros – tal só aconteceu a partir de 2002 – podiam, bem como os filhos dos sócios, frequentar o clube em diferentes ocasiões, como almoços ou eventos especiais .
“Lembro-me de, em criança, celebrarem casamentos no clube”, recorda Patrick Rozario.
Centro de refugiados
A Segunda Guerra Mundial veio alterar em muito a vida de Hong Kong e o clube tornou-se, também, uma espécie de centro de acolhimento.
“Como Portugal foi um país neutro durante a guerra, os japoneses, quando invadiram Hong Kong, permitiram que o Club Lusitano continuasse a funcionar quase como base de refugiados”, relembra o presidente.
Depois desse período mais conturbado, a vida do clube regressou, aos poucos, à normalidade e desde então a maior alteração foi ter-se tornando um clube luso-asiático.
Aliás, o próprio Patrick Rozario, que tem nacionalidade portuguesa, é luso-asiático de 10.ª geração.
“Atualmente, temos menos membros e não há tantos portugueses em Hong Kong, temos expats portugueses e alguns membros chineses – com nacionalidade portuguesa -, brasileiros, africanos e também judeus, que descendem dos sefarditas.
Mas ainda somos um clube étnico e temos de o manter assim, português.”
No total são hoje 600 membros dos quais 200 vivem fora do território, os chamados “membros absentes” que na maioria vivem nos Estados Unidos e que, de vez em quando, regressam a Hong Kong.
Na longa história do Club Lusitano, e entre vários membros ilustres do clube, Patrick Rozario destaca o papel do comendador Arnaldo de Oliveira Sales (1920-2020) que foi presidente durante 41 anos.
Foi durante os seus sucessivos mandatos que, em março de 1991, o clube recebeu a Ordem do Infante Dom Henrique pelos serviços prestados à cultura portuguesa.
Já o atual presidente está no cargo desde 2015.
Patrick Rozario é filho de pais macaenses.
Da mãe herdou o apelido Lemos e do pai o nome Rozario.
“Apesar de ter, também, nacionalidade inglesa, vejo-me como macaense e português.
Nasci e fui criado em Hong Kong, mas o meu pai enviou-me para o Canadá para estudar.
Depois regressei a Hong Kong para voltar ao Canadá e aos Estados Unidos, e regressei em definitivo nos Anos 1990″.
Rozario tem sido eleito anualmente para o cargo por um comité de nove membros e divide o seu tempo entre a vida do clube e a sua profissão como senior partner de uma empresa de contabilidade.
O ponto de encontro
“Para ser membro do clube é necessário ter nacionalidade portuguesa ou comprovar que se tem linhagem portuguesa e ser proposto por dois membros da direção com direito de voto”, frisa Patrick Rozario.
A atividade do clube é, sobretudo, social e de ponto de encontro em torno da comida. mas não só: há muitos eventos culturais que vão desde a leitura de livros em português, noites de fados ou, como há poucas semanas, a receção (e atuação) de uma tuna da Universidade de Coimbra.
“O nosso propósito continua a de sermos um clube social português e com herança portuguesa, o que conseguimos, sobretudo, através das atividades culturais e da gastronomia.
Contudo, a maior dificuldade é a língua, porque, vivendo num ambiente tão internacional, é difícil comunicar em português”, explica-nos Rozario, na conversa feita em inglês.
A imagem de Portugal na Ásia, especialmente em Hong Kong, é positiva, sublinha.
“É visto como um país mais relaxado, os portugueses são mais amistosos e têm uma imagem muito positiva.
Mesmo comparado com outros europeus”.
A concluir a conversa Patrick Rozario não se imiscui de mandar um recado (ou dica?) a quem está em Portugal:
“Há muita gente que gosta dos produtos portugueses, mas os portugueses não são bons a promover e vender o que é seu.”
Cinco pisos de uma casa portuguesa com vinho e pão sobre a mesa
Portugal é um dos países que mais vive em torno da mesa.
E é isso que também acontece no Club Lusitano de Hong Kong.
Além do social, é sobretudo um local onde comida portuguesa faz a ligação emocional com o território que está a milhares de quilómetros de distância.
E cabe ao português Fábio Pombo, chef executivo do Club, a preservação, e afirmação, dessa identidade à mesa de um dos clubes sociais mais antigo do Oriente.
No cargo há dois anos, Pombo é responsável por toda a comida (e também bebida) que é servida nos diferentes locais onde se pode petiscar e desgustar — o Club Lusitano ocupa cinco andares de um edifício no centro de Hong Kong.
Em conversa telefónica — depois de acertados os fusos horários –, o chef conta que num desses pisos está uma típica pastelaria portuguesa “com montra de bolos, folhados, sanduíches e, claro, café português”.
Noutro piso há um bar, onde passa rádio portuguesa e é abastecido por uma das melhores garrafeiras nacionais lusas fora de Portugal, acrescenta.
“Apesar de ser um bar muito internacional, e ter todo o tipo de cocktails, whiskeys e gins, tem um grande foco na oferta de produtos portugueses”.
Mas não se pense que se bebe, apenas, no… bar.
Por lá é possível comer pratos que dizem muito aos portugueses: sardinhas, arroz de pato, bacalhau com natas, arroz de polvo, de marisco, e pastéis de bacalhau – este é um dos produtos mais pedidos.
“Fazemos milhares de pastéis de bacalhau por mês”, revela o chef.
O Lusitano tem ainda um restaurante de alta cozinha – e que obriga a um dress code específico.
Por lá, há comida de fusão, onde o chef combina o que é tradicional português com comida de origem africana, brasileira e da vizinha Macau.
Há ainda um último andar, no edifício, reservado para conferências e eventos dos associados.
No dia da conversa, o chef português, contou que estava a preparar uma festa de reforma de um associado.
Um evento para 200 pessoas onde seriam distribuídos canapés de sardinha e, claro, muitos pastéis de bacalhau.
A tantos quilómetros de distância de Portugal, é em Macau que Fábio Pombo vai buscar a matéria prima.
“Tenho por cá muitos parceiros que fornecem produtos, como bacalhau, carne de vitela barrosã e sardinhas.
E, por norma, uma vez por ano importamos um contentor inteiro de produtos vindos de Portugal.”
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Club Lusitano. O ponto de encontro português em Hong Kong

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Fundado há 157 anos o Club Lusitano é um dos clubes sociais mais antigos daquele território. O seu atual presidente, Patrick Rozario, explica a sua importância na manutenção de uma identidade ao mesmo tempo portuguesa e asiática.

Source: Club Lusitano. O ponto de encontro português em Hong Kong

há uns anos era impensável….China lança campanha para “promover casamento e procriação em idades apropriadas” – TVI Notícias

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É pedido a 20 cidades que adotem “medidas inovadoras para criar um ambiente favorável à maternidade”

Source: China lança campanha para “promover casamento e procriação em idades apropriadas” – TVI Notícias

CHINA E A INVASÃO DE TAIWAN FORMOSA

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Dear friend,

 

China has been the Pentagon’s priority for some time.

Not even Russia’s invasion of Ukraine last year altered that assessment. Certainly U.S. arms shipments to Ukraine rose sharply over the last year, far exceeding anything that Washington is providing to Taipei. But containing China — and preparing for a future conflict with Beijing — remains the number one mission of U.S. military policy.

It’s not surprising, then, that some China hawks in Congress have called for restoring a balance in arms shipments by sending less to Ukraine and more to Taiwan. “We should cut off U.S. military aid to Ukraine,” argues Josh Hawley (R-MO) as a first step in literally reorienting U.S. military policy.

There are a number of reasons why China is not likely to attack Taiwan any time soon, despite the apocalyptic predictions of many Republicans and some Democrats. For one thing, as I write this week in my World Beat column, China is singularly focused on its economic success. An invasion of Taiwan would very likely put that success at risk.

But another reason for China’s reluctance is unfolding in Ukraine. Russia’s invasion has been far from a success. Indeed, Russia now faces economic challenges, international isolation, and potential political upheaval. The more successful Ukraine is in its resistance, the less enthusiastic China will be about launching an invasion of its own.

Which is why some Taiwanese representatives are not supporting Hawley and company’s proposal. “Support for Ukraine is relevant to us because, first of all, ultimately it helps to deter. It imposes costs on the aggressor,” says Taiwan’s representative in Washington.

The overinflation of China’s threat, even if it has not had a major impact on military assistance to Ukraine, has been woefully influential on the U.S. military budget overall.

As Ben Freeman and William Hartung write this week at FPIF, the Pentagon is using the threat of China to vastly expand its arsenal of sophisticated high-tech (and high-priced) systems. That kind of spending has driven U.S. military expenditures to higher than 144 other countries’ combined, as my colleague Ashik Siddique also reports this week.

Finally, as the anti-immigrant Title 42 order ends, a wave of new anti-immigrant rhetoric has flooded much of the media. Closing us out at FPIF this week, immigration attorney Daniella Prieshoff explains how mainstream media can stop advancing these tropes in routine coverage.

 

John Feffer
Director, FPIF

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WORLD BEAT

A weekly deep dive from John Feffer
The Trouble with Taiwan
Wherever one stands on the independence vs. accommodation spectrum in Taiwan, everyone should agree that a U.S.-China war is in nobody’s interest.
Read World Beat

FEATURED THIS WEEK

Retire This Dehumanizing Language About Immigrants

Daniella Prieshoff

Does the rise of China necessarily mean the fall of America?

The U.S. Still Spends More on Its Military Than Over 144 Nations Combined

Ashik Siddique

World military spending reached a new record high of $2.4 trillion in 2022, with the United States spending the most by far.

Not Your Grandfather’s Military-Industrial Complex

Ben Freeman and William Hartung

The Pentagon wields unwarranted influence, twenty-first-century-style.

 

AROUND THE WEB

Yingtai Yung, a former culture minister for Taiwan, explains in The New York Times how tensions with China are impacting the territory’s social fabric.

At The Nation, Michael Klare highlights the nuclear dangers of a potential conflict with China over Taiwan.

Josh Rogin reports for The Washington Post on Taiwan’s campaign to back U.S. support for Ukraine.

IN CASE YOU MISSED IT

U.S. and Ukraine: Sending Arms or Twisting Arms?

John Feffer

The Biden administration has tried to strike a balance between helping Ukraine expel Russian invaders and avoiding a potentially catastrophic showdown with the Kremlin. That balance will become increasingly difficult to maintain in 2023.

Tectonic Eruptions in Eurasia Erode America’s Global Power

Alfred McCoy

Does the rise of China necessarily mean the fall of America?
 

Foreign Policy in Focus | www.fpif.org | fpif@ips-dc.org

 

Institute for Policy Studies
1301 Connecticut Ave. NW, Suite 600 | Washington, DC, 20036
202-234-9382 | info@ips-dc.org | www.ips-dc.org

 

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TURISMO CHINA

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É assim o turismo na China, um país que nos últimos 55 anos deu um grande salto.
VCG/Getty Images
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MARCELO HOMENAGEIA

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PR atribui ao chefe do Governo de Macau Grã-Cruz da Ordem do Infante D.Henrique
Lisboa, 20 abr 2023 (Lusa) – O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, agraciou hoje o chefe do Governo de Macau, Ho Iat Seng, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e desejou-lhe que consiga ser reeleito no próximo ano.
Marcelo atribuiu ao chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) um símbolo da Ordem que se destina a distinguir “quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua história e dos seus valores”.
Ho Iat Seng agradeceu ao Presidente português e sublinhou, nos momentos de cumprimentos que antecederam a reunião, após a qual não houve declarações à imprensa, que esta é a sua primeira visita ao exterior após a pandemia de covid-19 e, embora houvesse muitas propostas, “tinha de ser a Portugal”.
Foi nesse momento que Marcelo felicitou o chefe do Governo de Macau pelo lugar que desempenha e lhe desejou que venha a ser reeleito em 2024.
O chefe do executivo de Macau está em visita a Portugal até sábado e foi recebido esta tarde pelo chefe de Estado português no Palácio de Belém, onde se deslocou acompanhado pelo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, e o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário.
Ho Iat Seng e a comitiva seguiram depois para um encontro com o primeiro-ministro, António Costa, e da sua agenda de hoje consta ainda um encontro com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.
A acompanhar Ho Iat Seng na primeira deslocação ao exterior após a pandemia de covid-19 está uma comitiva de 50 empresários locais, liderada pelo secretário para a Economia e Finanças, que irá visitar várias empresas em Portugal.
ANP // VM
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Poderosas pontes chinesas tem chocado cientistas e engenheiros americanos

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Os americanos gostam de coisas grandes, incluindo construções enormes e pontes icônicas, como a Golden Gate em San Francisco. Engenheiros têm construído pontes massivas que impressionam pela audácia e engenhosidade.Com ajuda de tecnologia avançada, S

Source: Poderosas pontes chinesas tem chocado cientistas e engenheiros americanos

Ho Iat Seng visita Portugal para intensificar cooperação

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O chefe do executivo de Macau, Ho Iat Seng, realiza uma visita a Portugal até ao próximo sábado, estando previstos encontros com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

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China acelera para a dianteira no setor automóvel com proliferação de elétricos.

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China acelera para a dianteira no sector automóvel com proliferação de eléctricos.
Nas avenidas de Shenzhen, o ‘hub’ tecnológico situado no sudeste da China, os carros eléctricos estão a ultrapassar os veículos de combustão interna, ilustrando a acelerada transição do país para a dianteira da indústria automóvel.
Em Shennan, a larga artéria de dez faixas que atravessa a densa malha de arranha-céus do distrito financeiro da cidade – o edifício mais alto é o Ping An Finance Center, com 550 metros –, os automóveis com matrículas verdes, a marca que distingue os eléctricos dos veículos de combustão interna, são já predominantes.
No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros eléctricos – mais do que em todos os outros países do mundo juntos.
Em Shenzhen, uma pacata vila de pescadores até à abertura da China à economia de mercado, nos anos 1980, quase 60% dos novos carros vendidos no ano passado eram movidos a eletricidade.
No total, circulam nas ruas da cidade 740.000 carros eléctricos.
“Temos uma das mais altas taxas de penetração do mundo”, assegurou o presidente da câmara, Qin Weizhong, em conferência de imprensa.
O objetivo é alcançar 1,3 milhões de unidades, até 2025, apontou.
A dimensão do mercado chinês propiciou a ascensão de marcas locais, incluindo a BYD, NIO ou Xpeng, que ameaçam agora o ‘status quo’ de uma indústria dominada há décadas pelas construtoras alemãs, japonesas e norte-americanas.
“As marcas tradicionais estão a trazer brinquedos analógicos para um parque digital”, descreveu Tu Le, o diretor da consultora Sino Auto Insights, à agência Lusa.
O título de uma reportagem publicada pelo The New York Times é igualmente enfático:
“Para o mercado automóvel da China, o eléctrico não é o futuro. É o Presente”.
O “presente” é resultado de mais de uma década de subsídios, investimento a longo prazo e gastos com infraestrutura.
“Foi preciso uma política industrial focada, muita paciência e muito capital”, resumiu Tu.
Em 2014, o líder chinês, Xi Jinping, afirmou que o desenvolvimento de carros eléctricos era a única forma de a China se converter numa “potência do setor automóvel”.
O país estabeleceu então como meta que os carros eléctricos deviam representar 20% do total das vendas até 2025.
Esse valor foi ultrapassado no ano passado, quando um em cada quatro veículos vendidos na China era eléctrico.
Este rácio é também explicado pelas medidas adotadas nas principais cidades da China, que limitam a venda de automóveis, visando combater a poluição e o congestionamento do trânsito.
Shenzhen, por exemplo, concede apenas 100 mil matrículas por ano: 10 mil são atribuídas por lotaria e as restantes são leiloadas.
Quem recorre à lotaria pode demorar anos até conseguir licença para comprar automóvel.
Nos leilões, uma matricula chega a ser vendida por mais do que o equivalente a 10.000 euros.
Em 2017, a cidade introduziu as matriculas verdes para os veículos eléctricos, que não estão sujeitas ao sistema de racionamento.
O governo local oferece ainda um subsídio de até 10.000 yuan, por veículo, a quem adquirir um carro eléctrico, para além de isenção fiscal.
Cinco das dez marcas de veículos eléctricos mais vendidas no mundo são agora chinesas.
A maior é a BYD, que fica apenas atrás da norte-americana Tesla.
O domínio chinês alarga-se também à indústria de baterias.
As chinesas CATL e BYD são os maiores fabricantes mundiais.
Pequim mantém ainda forte controlo no acesso a matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.
Em entrevista à Lusa, Tu Le lembrou que o “catalisador” que obrigou as marcas chinesas a dar um salto qualitativo foi a abertura da fábrica da Tesla em Xangai, em 2019.
A produção local deu à construtora norte-americana acesso aos mesmos subsídios e incentivos fiscais usufruídos pelos concorrentes chineses.
“Foi o efeito siluro”, observou o consultor, numa referência ao peixe que é um dos maiores predadores nos rios europeus e asiáticos, constituindo uma ameaça à sobrevivência de várias espécies locais.
“Havia muitos peixes gordos e preguiçosos no lago, mas a entrada de um siluro obrigou a que se fortalecessem”.
Tu frisou que as marcas competem agora na China em preço e qualidade.
“Não é mais uma questão de subsídios”, notou.
“É o mercado a funcionar”.
Yang Li, um operário natural da cidade de Shijiazhuang, no norte da China, trocou recentemente um carro de combustão por um modelo eléctrico, após ter feito contas às despesas diárias com gasolina versus com o abastecimento eléctrico.
“Fica oito vezes mais barato”, disse.
“A longo prazo, compensa”.
Conversão de “berço” do petróleo em ‘hub’ de renováveis ilustra ambições verdes
No remoto oeste chinês, berço da exploração de petróleo e carvão, estão a ser construídos alguns dos maiores parques eólicos e fotovoltaicos do mundo, ilustrando os esforços da China para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Em Gansu, uma província empobrecida e esparsamente povoada, a energia eléctrica gerada a partir de fontes renováveis ascende já a 40% da produção total, explicou à agência Lusa Ding Kun, vice-diretor da Divisão de Desenvolvimento da filial local da State Grid, a estatal chinesa que em Portugal detém 25% da REN – Redes Energéticas Nacionais.
Trata-se de um valor superior à média do país, que se fixou em 31,9%, no ano passado, segundo dados publicados pelo grupo de reflexão (‘think tank’) Ember.
A China é o maior emissor de gases poluentes do mundo, devido à sua dependência do carvão, mas é também líder global em energias renováveis.
Em 2022, o país asiático acrescentou tanta capacidade instalada de energia eólica e solar quanto todos os outros países do mundo combinados.
Em Gansu, onde vastas planícies são interrompidas por vales profundos e cadeias montanhosas com picos nevados, estão alguns dos maiores parques eólicos e solares do planeta, visando aproveitar a abundância de vento, sol e água da região.
A capacidade de exploração técnica de energia eólica e solar da província ascende a 5,6 mil milhões de quilowatts e 95 mil milhões de quilowatts, respetivamente, explicou Ding Kun.
No norte da região, na borda oriental do deserto de Gobi, que se estende por mais de 1.600 quilómetros quadrados, está o parque de Jiuquan – o maior da China e um dos maiores do mundo, com capacidade instalada de mais de 20 gigawatts.
A cerca de 200 quilómetros, a outrora próspera cidade de Yumen, o “berço da indústria petrolífera chinesa” que entrou em decadência, nos últimos 20 anos, à medida que os poços de crude se esgotaram, está a construir um dos maiores parques de energia solar do país.
Um sinal escrito em inglês e chinês continua a identificar Yumen como “Terra Sagrada do Petróleo”.
No centro da cidade, ergue-se uma estátua de Wang Jinxi, o “Homem de Aço” que liderava uma equipa encarregue da perfuração de campos petrolíferos, e que se tornou numa figura exaltada pelo regime, nos anos 1960, como parte das campanhas para inspirar os operários.
Ele “trabalhava tão afincadamente que, por vezes, se esquecia de comer”, contava a propaganda maoista.
Mas, numa planície desértica nas redondezas da cidade, estão agora a ser instalados anéis gigantes de painéis solares.
No centro de cada círculo há uma torre, projetada para receber a luz do sol refletida e concentrá-la num feixe, gerando calor suficiente para operar uma usina termoelétrica – uma técnica designada Energia Solar de Concentração.
Aproveitando as capacidades tecnológicas da State Grid para transmissão de energia a longa distância, a energia produzida em Gansu viaja cerca de 1.500 quilómetros até à província de Hunan, fornecendo assim o sudeste chinês, a região mais industrializada do país.
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