arte em Timor

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Timor-Leste/20 anos: Exposição coletiva timorense mostra o melhor da arte contemporânea
António Sampaio, da agência Lusa
Díli, 18 mai 2022 (Lusa) – Obras de arte de 16 dos mais conceituados artistas timorenses são hoje apresentadas na maior exposição coletiva de sempre de Timor-Leste e que assinala, na Fundação Oriente em Díli, os 20 anos da restauração da independência.
A exposição coletiva “Timor 20+ – Hasoru-malu” é uma mostra do talento artístico do país, e, ao mesmo tempo, um ‘grito’ contra a falta de apoio e atenção do Governo às artes.
Uma viagem pelo mundo da arte contemporânea timorense onde se notam os crescentes esforços da comunidade artística de sair do espaço do ‘tradicional’, com projetos mais conceptuais e onde a identidade nacional adota novas formas.
E, ao mesmo tempo, traduz a crescente exposição dos artistas tanto às novas realidades do país com a experiências internacionais na Austrália, Brasil, Reino Unido ou em Portugal.
A exposição de pintura, fotografia, instalações e vídeo-arte, conta com a participação de artistas mais ‘veteranos’, alguns já com reconhecimento internacional, como Maria Madeira, Gabriela Carrascalão, Bosco Alves ou Sebastião Silva.
Inclui ainda nomes como Alfeo Pereira, Bernardino Soares, Cesário, Etson Caminha, Inu Bere , Jacinto Batista, Jen Shyu, Moisés Daibela, Simão Cardoso, Tony Amaral e Xisto Silva.
Para a curadora da mostra, Maria Madeira – artista residente em Perth na Austrália e um dos nomes mais cotados da arte timorense – a mostra é, acima de tudo, uma forma de mostrar o talento dos “lian nain visuais”, contadores de histórias da arte contemporânea.
Madeira mostra-se particularmente triste com o abandono a que as autoridades têm deixado os artistas do país, criticando em especial o despejo pelo Governo, no ano passado, do grupo Arte Moris do espaço onde esteve a funcionar 20 anos, para o entregar aos veteranos.
“É muito triste a demolição da Arte Moris, um centro de arte contemporânea reconhecido aqui e fora do país. Quando vi aquilo fiquei devastada porque pensei que as pessoas em Timor-Leste, especialmente os líderes, não dão valor a artes visuais”, disse.
“E os artistas visuais são os ‘lian nain visuais’, contamos histórias. O trabalho dos artistas é contar história, sempre foi assim ao longo dos séculos. E nós somos a semente dos contadores de histórias visuais, com um papel muito importante no país”, frisou.
Encorajando os artistas estabelecidos e os emergentes a que “continuem, e não desistam”, Madeira disse que a exposição é uma grande oportunidade para mostrar ao mundo “a força da arte contemporânea” de Timor-Leste, 20 anos após restaurar a independência.
“Os timorenses dizem que são talentosos, com uma cultura rica, mas falam apenas da cultura tradicional. Nós vivemos num mundo contemporâneo, fazemos parte da cultura contemporânea. E somos os lian nain”, vincou.
Na sua obra, Tony Amaral, de regresso a Timor-Leste depois de vários anos na Austrália faz a ponte entre a forma de arte mais moderna, com aventuras na arte digital, e a mais antiga, a arte de parede, num esforço de levar o mundo artístico à sociedade.
“Nunca tinha trabalhado com arte digital e esta é a primeira vez que o faço, com base em fotos que eu próprio tirei. E ao mesmo tempo estou a trabalhar cada vez mais em arte de rua”, disse Amaral que terminou este mês um mural à frente da Fundação Oriente.
“A arte de rua é muito importante para Timor porque muitas pessoas não têm acesso a arte, e por isso é melhor levar a arte às pessoas do que ter as pessoas à procura da arte. estou muito interesse em arte de rua, para dar mais acesso.
Admite influência pelos artistas de rua que conheceu na Austrália e vinca que apesar das dificuldades os artistas timorenses “têm que continuar” a transmitir “mensagens positivas aos jovens”, apelando a mais espaços de exposição.
“É crucial ter mais espaços para mostrar a nossa arte, garantir que mais artistas se podem expressar. A arte ajuda os jovens, especialmente em aspetos como trauma”, recordou.
Alfeo, outro dos artistas presentes, vinca que “no dia a dia é impossível escapar à arte, que está em todo o lado” e que, mesmo sem apoios e com obstáculos, os artistas do país continuam a trabalhar.
Acusa o Governo de “não ter qualquer plano ou ideia” para o setor de arte e cultura e explica que incluiu na exposição três obras que pintou durante o que define como a “invasão” da Arte Moris, para mostrar ao coletivo “que não estão sozinhos”.
Entre os mais jovens conta-se Inu Bere, cuja arte se tornou particularmente cotada em Timor-Leste nos últimos anos, e cujo desenvolvimento se consolidou depois de um longo período de estudo e experimentação no Brasil.
Com 10 anos de carreira, destaca a mudança na sua pintura, “nas pinceladas, nos conceitos, nas cores e na dimensão”, inspirado pela experiência internacional que mostrou “outras possibilidades, que a arte não é só o que se conhece” em Timor-Leste.
“Para mim não é preciso ser algo do tradicional para dizer que é de Timor. Na minha perspetiva algo feita por um timorense, Timor está lá. Sair e voltar, ajudou-me a traduzir a cultura timorense numa linguagem universal, numa linguagem de arte contemporânea, que possa comunicar para todos”, explicou.
A exposição inclui ainda, entre outros, obras de Bernardino Soares, um dos fotógrafos mais conceituados do país, que quer combater a ideia de que, fora do bom jornalismo fotográfico em Timor-Leste, “uma boa fotografia é só o nascer ou o por do sol, a paisagem”.
Bernardino Soares representa a fusão entre o jornalismo e a reportagem e a arte fotográfica, e que quer ‘vingar-se’ das grandes dificuldades em acesso a formação e experiências, trabalhando voluntariamente com dezenas de jovens no movimento Dili Photography Community.
“Eu vejo a fotografia como pintura, penso como um pintor, gosto de pintores e isso afeta muito o meu trabalho. mas aprendi na escola do jornalismo. E isso é uma boa mistura. O meu trabalho é realista, faço reportagem, mas a outra parte é arte de fotografia”, explicou.
E também faz eco das críticas às autoridades que precisam de “investir mais” para promover a arte, nomeadamente apoiando a criação de galerias e de uma biblioteca onde os mais jovens possam consultar livros de arte, ser expostos a outras realidades.
Até lá, diz, os artistas continuarão a ter que vingar sozinhos, como os ‘manu futu’, os tradicionais galos de luta.
“O galo entra, ganha, mas sai todo ensanguentado. Faz tudo sozinho, descobre o mundo sozinho, abre a cortina da mente sozinho, procura o seu espaço sozinho. Isso é que é o artista. Este é o grupo dos ‘manu futu’, porque lutamos sozinhos”, explicou.
ASP // JMC
Lusa/FIm
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Sismo sentido nas ilhas de São Jorge e do Pico – Rádio Ilhéu

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AFINAL VOARAM 117 MILHÕES DOS AÇORES E NÃO VOLTAM

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Açores perderam os 117 milhões de euros do PRR – Agendas Mobilizadoras não serão reabertas
Ponta Delgada, Açores, 17 mai 2022 (Lusa) – O presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal, que faz a gestão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), rejeitou hoje, na Assembleia Legislativa dos Açores, a possibilidade de as candidaturas às Agendas Mobilizadoras serem reabertas.
Numa audição na comissão de inquérito ao processo das Agendas Mobilizadoras do parlamento açoriano, que decorreu hoje em Ponta Delgada, Fernando Alfaiate disse que existem 64 Agendas Mobilizadoras em “fase de avaliação” e que “não está prevista” a reabertura de candidaturas.
A 20 de outubro, depois de críticas ao processo das Agendas Mobilizadoras nos Açores, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, anunciou que aquelas candidaturas de empresas açorianas a 117 milhões de euros do PRR iriam começar do zero, com a garantia de que não se perderia um cêntimo.
“Se as Agendas Mobilizadoras vão recomeçar, ou partir do zero? Não. Não há essa possibilidade. Inclusivamente, do ponto vista dos montantes previstos no PRR, são muito reduzidos face à procura que existiu”, assegurou hoje Fernando Alfaiate.
O responsável acrescentou não ver “possibilidade de atender a novos concursos que possam ser abertos e recomeçar do zero”.
“Nesse aspeto, nada a dizer além disso”, reforçou Fernando Alfaiate, quando questionado sobre a possibilidade de o processo ser reaberto.
O líder da missão Recuperar Portugal lembrou que foram contratualizados com os Açores 580 milhões de euros provenientes do PRR e disse não ter conhecimento da verba de 117 milhões alegadamente canalizada para a região no âmbito das Agendas Mobilizadoras.
“No âmbito do item das Agendas Mobilizadoras, não tenho conhecimento de nenhuma atribuição especifica para as regiões autónomas”, assinalou.
Fernando Alfaiate revelou que teve conhecimento, em agosto de 2021, por parte do anterior ministro do Planeamento Nelson Souza, de que as regiões autónomas teriam a “possibilidade adicional” de participar em avisos nacionais do PRR.
Esta participação dos arquipélagos só pode decorrer até ser atingida a verba equivalente a 1% do PRR, que no caso dos Açores corresponde a 117 milhões de euros.
“O ministro do Planeamento deu-me informação relativamente à possibilidade de as regiões autónomas, Madeira e Açores, poderem participar nos avisos nacionais até a um limite de 1% do PRR”, avançou.
De acordo com o responsável, os apoios que as empresas das regiões autónomas tiveram no âmbito de “todos os apoios” nacionais do PRR “contabilizam para o limite” de 1%.
“As empresas que participarem nas Agendas Mobilizadoras que pertençam à Região Autónoma dos Açores, e não tem de ser líderes [do consórcio] nem estar aqui localizadas, contabilizarão para esse montante [de 1%]”, exemplificou.
A Estrutura de Missão Recuperar Portugal foi criada pela resolução do Conselho de Ministros de 04 de maio de 2021 e tem como objetivos negociar, contratualizar e monitorizar a execução do PRR.
A comissão de inquérito às agendas mobilizadoras foi aprovada por unanimidade no parlamento açoriano em outubro de 2021, depois de vários partidos terem questionado a gestão feita pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) às verbas previstas no PRR para o arquipélago ao abrigo daquele programa.
Em causa estava uma verba inicial de 117 milhões de euros, financiada pelo PRR, destinada a projetos de inovação, turismo e agroindústria, a que poderiam candidatar-se as empresas açorianas que apresentassem projetos em consórcio com outros grupos económicos.
Na sequência de críticas ao processo, os consórcios criados nos Açores deixaram cair as propostas, em outubro, a pedido do presidente do Governo Regional, que disse ter a “garantia” do Governo da República de que a verba destinada à região não estava em causa.
RPYP (CYB)// ACG
Lusa/Fim
May be an image of 1 person, suit and text that says "FERNANDO ALFAIATE 0 HOMEM DO PPR"
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  • Antonio Manuel Macedo Silva

    Grande batata quente para o GRA e em especial para o seu presidente pelas informações que fez. Em muitos lugares esta “barraca” era o suficiente para um “bum”!!!!!!. Vamos esperar para saber das reações de JM Boleeiro.
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